O líder do principal partido da oposição na Tanzânia, Tundu Lissu, foi condenado, esta sexta-feira, a quatro anos de prisão, por incitação à violência, depois de ter sido absolvido da acusação de traição, que poderia resultar na aplicação da pena de morte. A decisão está a gerar fortes críticas da comunidade internacional, que considera o processo judicial politicamente motivado.
Tundu Lissu, de 58 anos, líder do partido Chadema, foi detido antes das eleições presidenciais de Outubro de 2025, tendo permanecido 19 meses na prisão. O tribunal considerou-o inocente da acusação de traição, mas condenou-o por incitação, apesar de este crime não constar formalmente do processo. Durante a leitura da sentença, o juiz afirmou que as declarações do político tinham como objectivo perturbar o processo eleitoral e instigar actos de violência.
Em reacção, Lissu classificou o julgamento como uma perseguição política e acusou os magistrados de actuarem sob ordens do Governo da Presidente Samia Suluhu Hassan.
A condenação surge num contexto de crescente tensão política na Tanzânia, onde o Governo tem sido acusado de reprimir opositores e críticos. Antes das eleições de Outubro de 2025, foram registadas detenções e raptos de membros da oposição, seguidos de manifestações de grande dimensão.
Samia Suluhu Hassan venceu as eleições com 98 por cento dos votos. Segundo a oposição e organizações de defesa dos direitos humanos, milhares de pessoas terão sido mortas pelas forças de segurança durante a repressão dos protestos. O Governo, por sua vez, reconhece oficialmente 518 mortos.
A decisão judicial provocou reacções de condenação no estrangeiro. Parlamentares britânicos e a União Europeia consideram o processo politicamente motivado e exigem a libertação imediata de Tundu Lissu. O embaixador dos Estados Unidos da América na Tanzânia, William Trachman, também manifestou preocupação com as implicações do julgamento para o Estado de Direito no país.
Na Tanzânia, as medidas de segurança foram reforçadas na capital comercial, Dar es Salaam, e nas imediações do tribunal, antes da leitura da sentença.
Este é o terceiro julgamento por traição de grande repercussão na história da Tanzânia continental. Os dois anteriores ocorreram nas décadas de 1970 e 1980, envolvendo acusações de conspiração para derrubar e assassinar o primeiro Presidente do país, Julius Nyerere.
Em 2017, Tundu Lissu sobreviveu a uma tentativa de assassinato, durante a qual foi atingido por 16 tiros. O político, que acredita que o ataque teve motivações políticas, foi submetido a cerca de 20 intervenções cirúrgicas na sequência dos ferimentos.
Está de volta às telas do cinema o filme “O Ancoradouro do Tempo”, inspirado no romance A Varanda do Frangipani, de Mia Couto. A obra cinematográfica cruza mistério e reflexão histórica, transformando o suspense numa profunda metáfora sobre memória, identidade e culpa colectiva. É um reencontro entre o cinema e a literatura.
O filme “O Ancoradouro do Tempo”, transporta para o cinema a densidade simbólica do romance literário, “A Varanda do Frangipani”, de Mia Couto, criticando o passado, onde todos os idosos se assumem culpados por um crime.
O escritor destaca que a adaptação oferece uma nova dimensão à história e as lições ainda servem para o Moçambique de hoje, entre conflitos e reconciliações.
Na interpretação da enfermeira Marta, Atália entrega intensidade e sensibilidade. A música, assinada por Stewart Sukuma, reforça a atmosfera introspectiva do filme com línguas nacionais.
O filme com duração de uma hora e quarenta e cinco minutos está a ser exibido desde esta quinta-feira e vai continuar até este sábado, na Cidade de Maputo.
A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, reiterou o seu compromisso de apoiar as mulheres e famílias moçambicanas, sem qualquer discriminação religiosa. Gueta Chapo falava em Maputo, durante visita a Mesquita Chadulia, onde afirmou que a solidariedade, o amor ao próximo e o serviço à população devem orientar a acção social e espiritual durante o mês sagrado do Ramadan.
A Primeira-Dama começou por sublinhar o sentido espiritual do momento, destacando a importância da fé e da gratidão, e explicou que estas visitas se inserem numa prática regular de proximidade com as comunidades, especialmente durante o período de jejum, reconhecendo as dificuldades enfrentadas por muitas famílias. “Nós sabemos que nem todos conseguem ter uma refeição para quebrar o jejum”.
Nesse contexto, referiu que a iniciativa visa não apenas a oração conjunta, mas também a partilha concreta de alimentos com a comunidade. “Então nós trouxemos, depois da nossa reza, vamos oferecer um pequeno lanche para podermos quebrar o jejum juntos, não só as mamães, os papais, as nossas crianças”.
Durante a sua intervenção, a Primeira-Dama reafirmou igualmente o foco da sua acção social no apoio aos grupos mais vulneráveis da sociedade. “Nós continuamos a trabalhar para o bem-estar das nossas crianças, das nossas mulheres, das pessoas com deficiência”.
Gueta Chapo sublinhou que a sua missão é servir a população moçambicana com dedicação e sentido humanista. “Estamos aqui para servir, servir com muito amor, muito carinho, com muita dedicação à nossa população moçambicana, aos nossos irmãos, porque é isso que Allah gosta”.
Por fim, reiterou a sua disponibilidade para apoiar todas as mulheres, independentemente da sua confissão religiosa, defendendo a unidade e a fraternidade entre os moçambicanos.
O embaixador do Japão em Moçambique diz que a cooperação entre os dois países não deve limitar-se à indústria extractiva e anuncia uma conferência de investimento para explorar novas potencialidades com destaque para a agricultura. O embaixador falou na Cidade de Maputo na celebração do sexagésimo aniversário do imperador do Japão.
A comunidade japonesa em Maputo juntou na capital do país várias personalidades, nacionais e estrangeiras, para a celebração do 66o aniversário do imperador do Japão, um evento tradicional do calendário japonês que, na diáspora, serve para fortalecer as relações comerciais e culturais.
Moçambique tem relações diplomáticas com o Japão desde 1977 e nos últimos anos, as trocas comerciais das partes tendem a crescer, mas os asiáticos entendem que não se devem resumir à indústria extractiva.
O aniversário do imperador japonês é celebrado a 23 de Fevereiro e na Cidade de Maputo juntou académicos, políticos e corpo diplomático.
A Zâmbia decidiu suspender a assinatura de um acordo de financiamento para a saúde proposto pelos Estados Unidos da América, no valor de cerca de mil milhões de dólares. Para justificar a posição, o país diz que certas cláusulas do documento não estão alinhadas com os interesses nacionais.
Trata-se de um acordo que visava apoiar o sector da saúde da Zâmbia na área de saúde materno-infantil e na prevenção e tratamento de doenças como HIV/SIDA e malária.
A suspensão da assinatura do acordo surge após a Zâmbia discordar de parte das cláusulas previstas no documento, sendo que o país deveria co-financiar o projecto com 340 milhões de dólares.
Da parte norte-americana, o acordo permitiria o desembolso de mais de mil milhões de dólares em financiamento para os próximos cinco anos, e visava, entre outros aspectos, melhorar a preparação zambiana para fazer face à epidemias.
O acordo, cuja conclusão estava prevista para Novembro de 2025, foi suspenso depois de versões alteradas do documento terem gerado divergências.
Entre as cláusulas de que a Zâmbia não concorda está uma parceria no sector mineiro com Washington, não sendo pela primeira vez que um país africano rejeita acordos semelhantes devido às preocupações relacionadas com a cedência aos EUA de minerais críticos tal como foi o caso do Zimbabwe.
Recorde-se que em África, pelo menos 16 países já assinaram acordos para o financiamento à saúde incluindo Nigéria, Uganda e Quénia.
Moçambique volta a marcar posição nas instâncias internacionais do futebol, com a integração de dirigentes nacionais em Comités da FIFA para o mandato 2025–2029.
O Presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Feizal Sidat, passa a integrar o Comité de Futebol de Praia da FIFA, um órgão que zela pela preparação e organização dos campeonatos mundiais de futebol de praia.
Já Arão Filipe, Membro da Direcção Executiva da FMF, assume funções no Comité das Federações-Membro, órgão estratégico que monitoriza as relações entre a FIFA e as suas 211 associações nacionais, tratando de questões de governança, suspensões e filiações.
Estas nomeações representam confiança, responsabilidade e reconhecimento do trabalho que vem sendo desenvolvido pela FMF em prol do crescimento do futebol moçambicano.
O presidente e CEO do Fórum Económico Mundial, Borge Brende, anunciou, esta quinta-feira, que se demite do cargo, depois de reveladas as suas ligações a Jeffrey Epstein, financeiro norte-americano condenado por crimes sexuais.
A saída, anunciada num comunicado, acontece poucas semanas após a organização ter iniciado uma investigação independente à relação de Brende com Epstein, levada a cabo por advogados externos e aberta na sequência de divulgações feitas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (EUA), segundo as quais o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega teve três jantares de negócios com o multimilionário.
Os documentos das autoridades norte-americanas revelaram também comunicações estabelecidas entre os dois por correio eletrónico e mensagens de texto.
Através de um comunicado o noruegues que liderava desde 2017 o Fórum Económico Mundial declarou
“Após cuidadosa reflexão, decidi demitir-me do cargo de Presidente e CEO do Fórum Económico Mundial. O meu tempo aqui, ao longo de oito anos e meio, foi profundamente gratificante”.
No comunicado, Borge Brende não fez qualquer menção direta a Epstein.
“Estou grato pela colaboração extraordinária com colegas, parceiros e constituintes, e acredito que este é o momento certo para o Fórum continuar o seu importante trabalho sem distrações”, referiu.
Numa nota separada, co-presidentes do Fórum Económico Mundial, indicaram que a investigação independente às ligações de Brende a Epstein já foi finalizada. Concluiu-se que não há preocupações adicionais para além do que já foi previamente divulgado. Alois Zwinggi assumirá funções como presidente e CEO interino.
O desvio de donativos destinados às vítimas das cheias na província de Gaza, que resultou na detenção de oito pessoas, incluindo a administradora de Xai-Xai, tem gerado debates sobre a fragilidade de algumas instituições públicas moçambicanas. O caso foi abordado no programa Noite Informativa desta quarta-feira, com comentários de Anísio Buanaissa.
Buanaissa expressou desagrado com o ocorrido, afirmando que o desvio de recursos destinados a salvar vidas é “péssimo” e que todos os moçambicanos devem unir-se para repudiar tais actos.
“Definitivamente, isto é péssimo. Todos os moçambicanos devem repudiar este tipo de actos”, afirmou.
A analista defendeu que, caso seja confirmado, todos os implicados devem ser responsabilizados para desencorajar futuras irregularidades e enfatizou que denúncias, sejam anónimas ou abertas, são essenciais para coibir abusos por parte de dirigentes e líderes locais.
O comentador destacou ainda que as instituições devem funcionar de forma eficiente, permitindo denúncias anónimas ou abertas sempre que líderes ou dirigentes cometem actos irregulares em relação a recursos comunitários. “A polícia e a procuradoria reagiram imediatamente às denúncias e foram atrás”, sublinhou.
Além disso, foi ressaltada a necessidade de mecanismos de controlo mais rigorosos sobre as doações destinadas a vítimas de desastres, sem que isso impeça a participação de cidadãos de boa vontade. “Não podemos impedir moçambicanos de agir, mas deve haver um mecanismo controlado pelo Estado para prestação de contas”, explicou Buanaissa.
Até ao momento, oito pessoas foram detidas em conexão com o caso, e espera-se que os órgãos de justiça conduzam as investigações e responsabilizem os infractores, garantindo transparência e confiança no sistema de ajuda humanitária em Gaza.
O caso reforça a urgência de políticas públicas que garantam a integridade das ajudas humanitárias em Gaza e que assegurem que recursos destinados à população vulnerável cheguem efectivamente às mãos de quem precisa.
Moçambique registou 200 novos doentes de cólera, em apenas dois dias, 95 dos quais entre quarta e quinta-feiras, informou o último boletim da doença da Direcção Nacional de Saúde Pública (DNSP), divulgado pela imprensa moçambicana.
Com estes novos casos, o registo é de quase 6.300 infectados, desde Setembro, totalizando 72 mortos.
Segundo a mesma fonte, dos casos registados, 2.763 foram notificados na província de Nampula, com um acumulado de 32 mortos, e 2.336 em Tete, com 28 óbitos, além de 958, em Cabo Delgado, com oito mortos.
“Em menor dimensão, o acumulado aponta para 102 casos de cólera e um morto na província da Zambézia, 89 casos e dois mortos na província de Manica e 45 casos e um morto em Sofala. Surgiram ainda casos, este mês, na cidade de Maputo e na província de Gaza (um em cada)”, refere o documento.
O número total de mortos na actual época das chuvas no País subiu para 242, com registo de praticamente 869 mil pessoas afectadas, desde Outubro, segundo a actualização feita esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Gestão de Desastres.
De acordo com informação da base de dados do INGD, actualizada ao princípio da tarde de ontem, são contabilizadas mais dois mortos acontecidos em Gaza, face ao balanço de quarta-feira.
Foram afectadas 868.874 pessoas na presente época das chuvas, correspondente a 200.790 famílias, havendo também 12 desaparecidos e 331 feridos, segundo o mesmo balanço.
Só as cheias de Janeiro provocaram, pelo menos, 27 mortos, afectando 724.131 pessoas, e a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, entre 13 e 14 de Fevereiro, causou mais quatro mortos e afectou 9.040 pessoas, segundo os dados actualizados do INGD sobre a época das chuvas.
Um total de 15.312 casas ficaram parcialmente destruídas, 6.151 totalmente destruídas e 183.824 inundadas, na presente época chuvosa. Ao todo, 302 unidades de saúde, 83 locais de culto e 713 escolas foram afectadas em cinco meses.
Os dados do INGD indicam ainda que 555.040 hectares de áreas agrícolas foram afectados neste período, 288.016 hectares dos quais dados como perdidos, atingindo 365.784 agricultores.
Também 530.998 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves, e foram afectados 7.845 quilómetros de estrada, 36 pontes e 123 aquedutos.
Desde Outubro, o Instituto Nacional de Gestão de Desastres activou 149 centros de acomodação, que albergaram 113.478 pessoas, dos quais 27 ainda estão activos, com pelo menos 20.297 pessoas.