O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, anuncia a conclusão das obras de reabilitação da estrada Quelimane–Namacurra, com cerca de 70 quilómetros de extensão. Segundo o governante, faltam apenas neste momento observar um troço de 4,6 quilómetros na entrada da cidade de Quelimane.
As obras arrancaram no segundo semestre de 2020 e tinham conclusão prevista para 2023. No entanto, diversos constrangimentos, sobretudo fenómenos climáticos extremos, condicionaram o cumprimento dos prazos inicialmente estabelecidos.
O ministro dos transportes e logística, João Matlombe, deslocou-se ao local para avaliar o andamento dos trabalhos e anúncio a conclusão dos trabalhos.
No âmbito do programa Mais Estradas, o ministro visitou igualmente o troço Malei–Maganja da Costa, com o objetivo de aferir o nível de preparação da província para o arranque das obras. O projeto encontra-se atualmente na fase de concurso público.
Ainda em Quelimane, Matlombe visitou a área destinada à implantação de um terminal de combustíveis, uma infraestrutura prevista no âmbito do projeto de concessão do Porto de Quelimane, recentemente aprovado pelo Conselho de Ministros.
De acordo com o ministro, o terminal será estratégico para reforçar a capacidade logística da região e responder à procura crescente de combustíveis, incluindo para o mercado do Malawi.
A bailarina, coreógrafa e escritora Maria Helena Pinto, uma das figuras centrais da dança contemporânea moçambicana, apresenta no dia 1 de Dezembro de 2025, às 18 horas (hora de Maputo), através de um directo na sua página de Facebook, as suas duas novas obras literárias: “Rugidos do Silêncio” (prosa poética) e “Nudez e Dança” (ensaio). As obras – que saem sob a chancela da Oficina de Textos – estarão disponíveis na Amazon a partir da mesma data.
Com uma carreira marcada pela investigação, criação e docência, e um percurso académico que inclui um doutoramento em Estética, Ciências e Tecnologias das Artes pela Universidade Paris 8, Maria Helena Pinto tem vindo a construir, nos últimos anos, uma presença sólida no campo literário. Estes dois novos livros confirmam essa travessia: uma escritora que parte da dança para pensar a vida, o corpo, o país e as inquietações humanas.
“RUGIDOS DO SILÊNCIO”
Em “Rugidos do Silêncio”, Maria Helena Pinto apresenta uma obra de prosa poética composta por oito núcleos temáticos – Origens, Meu Eu, Mulher, Dialogando, BMWs, Amores, Paixões, Sonhos, Perversidades, o Outro, Nós, Naufrágios, A Cegueira do Poder e O Poder do Divino em Nós. Aborda ainda sobre a desvalorização e a violência contra as mulheres, bem como os sonhos de liberdade enquanto indivíduos e enquanto país, particularmente no contexto moçambicano. Entre poemas e prosas, os textos refletem também vivências e um olhar crítico sobre o nosso comportamento como pessoas e como sociedade.
A apresentação da obra estará a cargo do escritor e jornalista José dos Remédios, com leituras do docente e actor Dadivo José e do actor Ramadan Matusse.
“NUDEZ E DANÇA”
“Nudez e Dança” é um ensaio literário-académico que cruza corpos, povos, culturas, política(s) e olhares sobre o gesto e a exposição. A obra nasce de um percurso de investigação iniciado em 2004, com o projecto fotográfico “Mulher-mãe”, onde a autora explorou a nudez artística a partir da dança, com fotos da autoria de Mauro Pinto.
Dividido em três partes – Povos, Nudez e Dança; Nudez e Criações Artísticas; e Projecto Fotográfico Mulher-mãe – o livro lança questões centrais sobre hegemonias culturais, fronteiras simbólicas e os modos como a nudez se inscreve nas práticas artísticas contemporâneas. “Entre os espaços locais, tradicionais e internacionais, nações e mundialização ou globalização, como a nudez e a/na dança se entrecruzam nos semáforos da própria existência humana? Como ultrapassar as vontades de uns e de outros de hegemonia, de imposições de modelos de existência como seres e corpos que pensam, expressam-se e vivem a nudez/dança de forma distinta do outro?”, lê-se no livro.
As temáticas levantadas visam suscitar “o questionamento de como ultrapassar as lutas, oposições, antagonismos e até mesmo uma certa forma de violência entre seres humanos, derivados de olhares, percepções, posições distintas, para então envolver-se em conjunto, abraçando as diferenças, identidades, pensamentos, práticas, rituais, culturas, tradições, criações artísticas, filosofias, artes opostas, como sendo uma forma de fortalecimento comum entre umas e outras”.
A apresentação desta obra será feita pela docente e actriz Maria Atália.
Reconhecida nacional e internacionalmente, com homenagens recentes do Município de Maputo e da Casa do Artista Kutenga, Maria Helena Pinto é autora de investigações cruciais sobre a dança moçambicana e fundadora de vários projectos estruturantes, como à nível nacional, a criação dos primeiros cursos de Licenciatura e Mestrado em Artes Cénicas na Universidade Pedagógica de Maputo e a Vila Artística Dans’Artes. Como palestrante, ainda este ano, a artista representou Moçambique no maior congresso de Artes Cénicas do Brasil, ABRACE, em Ouro Preto.
Depois de Ardentes Fragmentos da Vida e Devir(es) Contemporâneos, a coreógrafa reforça agora a sua presença no universo editorial com duas obras que dialogam com as artes, a memória, a crítica e a transcendência de olhares e do corpo.
Arrancaram, esta segunda-feira, os exames finais da nona classe, em todo o país. A Cidade de Maputo prevê avaliar mais de 18 mil alunos em 61 centros de exames.
Nas escolas havia corredores vazios e silêncio absoluto! Nas salas, os alunos mantinham-se concentrados e os professores atentos. Eram indícios dos exames finais da nona classe que decorrem pela primeira vez, em todo o país, e que arrancaram esta segunda-feira. O primeiro dia de exames foi reservado para as disciplinas de português e Biologia.
Na Escola Secundária Francisco Manyanga, apesar da ausência de 21 alunos, o processo decorreu sem sobressaltos, segundo explicou o director da instituição.
“Esperávamos receber 551 alunos e destes fizeram-se presentes 530. O que quer dizer que só 21 alunos é que não se fizeram presentes. Fomos aos processos dos alunos, entramos em contacto com alguns encarregados de educação e soubemos que não se puderam fazer presentes por razões que tem a ver com saúde”, explicou Sabino Congolo.
Na Escola Secundária da Polana prevê-se examinar 405 alunos da nona classe.
“Tivemos oito ausências no primeiro exame e no segundo tivemos quatro alunos que faltaram, ainda não sabemos as razões, mas o ambiente é calmo, o trabalho está a correr normalmente, todo o trabalho está a correr sem sobressaltos.”disse o director da instituição, Filipe Alfiado.
Só na cidade de Maputo foram criados 61 centros de exame para avaliar mais de 18 mil alunos.
“Neste número, 9.419 são raparigas e temos, portanto, 724 júris e temos como rede escolar que oferece esse serviço de examinacao a 61 escolas. Isto, portanto, na cidade de Maputo.”, Hélio Mudendere, Director da Educação da Cidade de Maputo
Os alunos afirmam que as matérias avaliadas, esta segunda-feira, correspondem às matrizes e a maior expectativa é de passar de classe.
Para os alunos, o apelo é para que evitem atrasos e fraudes acadêmicas.
“Para o caso da nona classe, recomendamos que os alunos estudem com base nas matrizes e nos conteúdos programáticos selecionados durante o ano letivo. Para o caso da décima e da décima segunda classe, recomendamos que estudem com base nos exames dos últimos cinco anos, igualmente nas matrizes, nos conteúdos selecionados e nunca se deixarem levar por falsos exames que, provavelmente, possam ser partilhados a nível das redes sociais.”
Os exames da décima e da décima segunda classes irão decorrer entre 01 e 04 de Dezembro.
Especialistas em Petróleo e Gás defendem que Moçambique deve adoptar metodologias próprias para a transição energética, uma vez que a maior parte da energia produzida é renovável. Os especialistas falavam, nesta sexta-feira, em Maputo, durante o Lançamento do Clube de Petróleo, uma ferramenta de partilha de experiências entre actores do sector energético.
A transição energética é um processo irreversível e Moçambique não está alheio a esta realidade, porém especialistas defendem que o País deve adoptar uma metodologia própria.
“Porque a maior parte dos países que hoje fala de transição, e fazem muito bem, porque o ambiente precisa, estão numa fase da exploração dos seus recursos extremamente avançada e apanham Moçambique no início desta actividade (…) Será que é justo falar que Moçambique se deveria focar neste assunto de transição energética ou deveria aproveitar esta janela de oportunidade que tem, que eu acredito que é uma das grandes oportunidades que Moçambique tem para realmente sair da situação do país de rendimento que temos, para um país de rendimento de classe média”, disse Quincardete Lourenço, Investigador.
A ser feita, entende o investigador Milagre Manhique, deve se ajustar à realidade de cada País. “ A África do Sul tem o desafio de sair do carvão para gás e depois, se calhar, migrar para fontes mais limpas, enquanto Moçambique já começou numa fonte mais limpa. Ou seja, a marcha que deve ser feita para o processo de transição energética deve ser olhada como o tema também do Clube de Petróleo”, explicou Rudêncio Morais, especialista em Petróleo e Gás.
No entanto, os países africanos apresentam um desalinhamento de interesses opostos, conforme defende o Director Geral da agência nacional de Energia Atómica . Será que aqui, ao nível da região África do Sul, todos os países da SADC não estão em condições de tirar o dinheiro que é necessário para construir o Mphanda Nkuwa, Por que nos investidores que estão a investir na causa quase nenhum país africano está lá (…) Estamos na mesma região, temos os mesmos problemas, mas ainda não estamos a ter facilidade de encontrar soluções sustentáveis para os problemas da região”.
Os painelistas falavam nesta sexta-feira, em Maputo, durante a cerimónia de lançamento do Clube de Petróleo, uma entidade não governamental.
“Este lançamento ocorre num momento crucial em que Moçambique, tal como todo o continente africano, posiciona-se na linha da frente das discussões globais sobre transição energética. Uma transição de energia justa, que reconheça as nossas realidades, proteja os nossos recursos, promova o desenvolvimento humano e integre de forma equilibrada as fontes tradicionais e renováveis”, afirmou a antiga ministra da justiça, Helena Kida.
A iniciativa apresenta-se como um mecanismo de promoção do sector de petróleo e gás.
“O Clube de Petróleo é uma plataforma neutra, inclusiva e estratégica dedicada à promoção de debates, formação de quadros, produção de conhecimento e articulação sectorial. Pautamos sempre pela divulgação de informação de qualidade. Aspiramos ser um centro de excelência e referência em Moçambique e em África”, explicou Octavia Nobre do Clube de Petróleo.
O evento reuniu membros do Governo, políticos, empresários do sector e estudantes.
O presidente da África do Sul defendeu, neste domingo, no encerramento da Cimeira de Líderes do G20, que a declaração adoptada demonstra o valor do bloco como fórum capaz de facilitar a acção conjunta em assuntos de interesse comum.
Ramaphosa, citado pela Rádio Moçambique, assegurou que o texto reafirma um “compromisso renovado” com a cooperação multilateral e o reconhecimento de que os objectivos comuns dos países do G20 superam as suas “diferenças”.
O documento defende a “cooperação multilateral” e inclui resoluções sobre alterações climáticas, minerais críticos, sustentabilidade da dívida e o compromisso de trabalhar pela paz em conflitos, de acordo com a Carta das Nações Unidas.
A ExportaMoz projecta aumentar em cerca de 30% a capacidade de exportação da província de Gaza, a médio e longo prazo, com ambição de, posteriormente, escalar este desempenho para o nível nacional. A meta está enquadrada na parceria que a instituição mantém com o Governo provincial, que será formalizada com a assinatura de um memorando de entendimento durante um workshop agendado para amanhã, em Xai-Xai.
O evento junta o Conselho Executivo Provincial, o sector privado e as principais empresas ligadas à cadeia de valor da exportação, num fórum que deverá acolher entre 150 e 200 participantes. Na ocasião, serão apresentados o potencial produtivo e exportável da província de Gaza, com destaque para os distritos de Manjacaze e Chókwè.
Segundo Miguel Joia, CEO da ExportaMoz, o memorando com o Governo de Gaza vem apenas oficializar um trabalho já em curso: o levantamento de base (baseline) do potencial produtivo e exportável dos 14 distritos da província, conduzido em coordenação com a Direcção Provincial da Indústria e Comércio. O entendimento define responsabilidades das partes e benefícios desta “parceria inteligente” entre o sector privado e o executivo provincial, com o objetivo de “apresentar os distritos da província de Gaza ao mundo e ao comércio internacional” e gerar impacto no tecido económico local.
No agronegócio, Gaza é vista pela ExportaMoz como um território com “potencial produtivo fora de série”, com enfoque em culturas como castanha de caju, cereais, legumes, hortícolas e arroz. A instituição está a trabalhar com operadores específicos para aumentar a produção e exportação de arroz e piripiri seco para a África do Sul, bem como para triplicar, de 5 para 15 milhões de dólares, o volume de exportações de castanha a partir da província.
Joia explica que o principal desafio dos produtores continua a ser a ligação aos mercados, marcada por falta de informação sobre destinos, continuidade de fornecimento e previsibilidade de negócio. Para responder a este problema, a ExportaMoz combina o estudo da oferta local com a análise da procura internacional, apostando em negócios de “nearshoring” – exportação por via rodoviária para mercados regionais – e tirando partido da Zona de Comércio Livre Continental Africana.
No processo de seleção de empresas, a ExportaMoz trabalha com uma base de dados que classifica os operadores em puramente produtivos, cooperativas de fomento, empresas com potencial exportável e grandes exportadores. A prioridade recai sobre estas últimas, por terem maior capacidade de alavancar cadeias de valor, criar emprego e aumentar a arrecadação fiscal para o Estado.
A província de Gaza torna-se agora a quinta a formalizar um memorando de entendimento com a ExportaMoz, depois de Maputo, Nampula, Niassa e Cabo Delgado. A organização já trabalha, no entanto, com todas as direções provinciais da Indústria e Comércio do país e projecta, até 2026, ter acordos formais em todas as províncias e, eventualmente, com a cidade de Maputo.
No capítulo da digitalização, a ExportaMoz lançou recentemente o portal “Exporta” (Mozesporta), uma plataforma que funciona como marketplace entre a oferta local e a demanda internacional. Através deste portal, é carregada informação sobre o potencial produtivo dos distritos, promovendo transparência de preços, capacidade de oferta e criação de benchmarks entre empresas exportadoras.
Para responder às dificuldades de financiamento enfrentadas por produtores e empresas emergentes, a ExportaMoz estruturou ainda uma linha de financiamento que junta grandes importadores nacionais com liquidez em meticais, bancos comerciais e o mercado internacional, visando desintermediar o acesso a crédito para empresas exportadoras. A organização opera, igualmente, uma incubadora que oferece soluções em logística, qualidade e ligação a mercados, incluindo apoio na estruturação de contratos de compra (off-taker), por exemplo, para o fomento do gergelim em vários distritos.
O workshop desta terça-feira contará também com a apresentação do plano da Zona Económica Especial de Agronegócio do Limpopo, assente no antigo Regadio do Baixo Limpopo, que deverá beneficiar seis distritos ligados a esta infraestrutura e criar novas oportunidades de produção e negócios.
Miguel Joia deixou uma palavra de agradecimento à Governadora de Gaza e ao Executivo provincial, sublinhando que a assinatura do memorando “não é o ponto de partida, mas a formalização de um trabalho já em marcha”, que pretende transformar o potencial produtivo da província em resultados concretos de exportação, emprego e receitas para Moçambique.
Cinquenta dos 303 alunos sequestrados de uma escola católica no estado de Níger, no centro-norte da Nigéria, escaparam do cativeiro e já estão com suas famílias, informou a direção da escola neste domingo. Enquanto continuam as investigações, o Papa pede a libertação imediata dos que ainda estão desaparecidos.
Segundo anunciou Reverendíssimo Bulus Dauwa Yohanna, presidente da Associação Cristã da Nigéria no estado de Níger e proprietário da escola, os alunos, com idades entre 10 e 18 anos, fugiram individualmente entre sexta-feira e sábado do cativeiro.
Um total de 253 crianças em idade escolar e 12 professores ainda estão sob poder dos sequestradores, disse Yohanna em um comunicado.
Sobre o assunto, o Papa Leão XIV manifestou, neste domingo, o seu “profundo pesar” pelo sequestro de estudantes, padres e professores na Nigéria e nos Camarões e pediu a libertação imediata dos reféns.
“Apelo para que os reféns sejam libertados imediatamente e exorto as autoridades competentes a tomarem as decisões adequadas e oportunas para garantir a sua libertação”, disse o pontífice após a oração do Angelus dominical na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Os Presidentes Daniel Chapo e Emmerson Mnangagwa defenderam, durante o Fórum de Negócios Moçambique–Zimbabwe, uma nova etapa de cooperação económica assente no investimento privado, na valorização das cadeias produtivas e no reforço dos corredores de desenvolvimento.
Perante empresários dos dois países, os estadistas sublinharam que o encontro constitui uma plataforma estratégica para transformar o potencial bilateral em parcerias concretas nos sectores de agricultura, energia, logística, turismo e industrialização.
Ao dirigir-se aos participantes do fórum, Daniel Chapo afirmou que o encontro é essencial para impulsionar o crescimento partilhado. “Somos dois países irmãos que as trocas comerciais são extremamente importantes para o desenvolvimento dos nossos dois países”, disse.
O Chefe do Estado destacou a agricultura como prioridade para o investimento conjunto, sublinhando o potencial complementar entre os dois países. “A primeira é a agricultura, que é a base do nosso desenvolvimento. Nós temos terras aráveis, os nossos irmãos zimbabweanos têm conhecimento, têm tecnologia, têm experiência no desenvolvimento da agricultura”, afirmou.
Chapo reforçou também o papel estratégico do sector energético, destacando projectos como a expansão de Cahora Bassa, Mphanda Nkuwa e a central a gás de Temane. “Então, é uma oportunidade ímpar para os nossos irmãos zimbabweanos investirem em Moçambique neste sector e poderem exportar energia eléctrica de Moçambique para países vizinhos, mas principalmente para o Zimbabwe”, afirmou.
O turismo foi igualmente apontado como área de grande potencial, com Chapo dirigente a realçar que Moçambique dispõe de uma “costa de cerca de 2700 quilómetros de praia, ilhas bonitas”, além de parques e reservas. Destacou também o acordo assinado ainda para apoiar pequenas e médias empresas, sobretudo de jovens e mulheres.
O dirigente moçambicano referiu também o trabalho conjunto em curso para modernizar os corredores da Beira e do Limpopo, com foco na implementação de fronteiras de paragem única, como Machipanda e Kuchamano, para garantir maior rapidez na circulação de mercadorias e maior eficiência logística.
Por sua vez, o Presidente Emmerson Dambudzo Mnangagwa afirmou que a cooperação económica deve resultar em ganhos reais para as populações. “É importante que os nossos esforços colectivos permitam alcançar maior valor para os nossos produtos primários, ao mesmo tempo que geramos emprego sustentável, promovemos o empoderamento e impulsionamos a criação de riqueza”, declarou.
Mnangagwa sublinhou que a integração regional constitui “a estratégia económica central do Zimbabwe”, explicando que o seu Governo continua a implementar reformas para reduzir custos de comércio, harmonizar padrões e eliminar barreiras não comerciais. Acrescentou que “o Zimbabwe é um país sem litoral, mas com Moçambique não nos sentimos enclausurados”.
O estadista apelou ao envolvimento activo do sector privado e das instituições financeiras, afirmando que há abertura total para investimentos cruzados.
O Presidente da República, Daniel Chapo, recebe o homólogo da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que efectua, a partir de hoje uma visita de trabalho de dois dias à República de Moçambique, em resposta ao convite formulado pelo Chefe do Estado.
A visita insere-se no quadro do reforço das históricas relações de amizade e cooperação entre Moçambique e o Brasil, e constitui uma oportunidade para o aprofundamento do diálogo político e para a expansão de parcerias estratégicas em múltiplos domínios do desenvolvimento.
Na segunda-feira, 24 de Novembro, os Presidentes Daniel Chapo e Lula da Silva manterão um “tête-à-tête” e, posteriormente, conversações bilaterais. O encontro permitirá a troca de impressões sobre a situação política, económica e social dos dois países, bem como a abordagem de temas de interesse comum nos planos bilateral e multilateral.
Durante a sua permanência em Maputo, o Presidente Lula da Silva será outorgado com o Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Pedagógica de Maputo, bem como irá interagir com empresários moçambicanos e brasileiros, num encontro orientado para a identificação de novas áreas de cooperação, promoção de parcerias e exploração de oportunidades de investimento em Moçambique.
É histórico. Decorre pela primeira vez em África a Cimeira dos G20. O evento arrancou hoje em Joanesburgo, na vizinha África do Sul, onde o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, fez um forte apelo à reforma da ordem económica global e à afirmação das prioridades do continente africano na agenda internacional. Os Estados Unidos da América fazem manchetes por boicotar a cimeira.
Trata-se do maior fórum económico internacional que reúne países desenvolvidos e emergentes para discutir políticas económicas, financeiras e de desenvolvimento global. É a primeira vez que o encontro acontece no continente Africano, desde a criação do fórum em 1999.
Esta sexta-feira, vários líderes ou representantes dos 19 estados, mais a União Europeia e a União Africana, chegaram a Joanesburgo, maior cidade da África do Sul, para participar no encontro.
Na sua intervenção, o Presidente sul-Africano, Cyril Ramaphosa, começou por destacar o simbolismo da cimeira por acontecer em África, o berço da humanidade. “É uma honra e um privilégio recebê-los, como África do Sul, para esta primeira Cimeira de Líderes do G20, realizada em solo africano. Reunimo-nos aqui no berço da humanidade, em África, para afirmar a nossa humanidade comum”, disse.
Ramaphosa alertou aos presentes sobre os desafios que ameaçam a humanidade, desde as guerras às mudanças climáticas, da pobreza extrema à insegurança energética e apontou que apenas uma acção coordenada poderá evitar que países vulneráveis fiquem para trás.
“As ameaças que a humanidade enfrenta, hoje, incluindo as tensões geopolíticas, as crises globais, as pandemias, a insegurança energética e alimentar, a desigualdade, o desemprego, a pobreza extrema e os conflitos armados, prejudicam nosso futuro colectivo. É, portanto, essencial promover um progresso maior e mais rápido para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas até 2030”, alertou.
O Presidente sul africano pediu que instituições globais se tornem mais inclusivas e capazes de responder às necessidades dos países em desenvolvimento, e destacou as prioridades do bloco durante a liderança da África do Sul.
“Primeiramente, focámos na acção para fortalecer a resiliência e a capacidade de resposta aos desastres. Concordamos que é essencial que a comunidade global, as instituições financeiras internacionais, os bancos de desenvolvimento e o sector privado aumentem o apoio e a escala das intervenções na fase pós-desastre. Em segundo lugar, concordámos que devemos agir para garantir a sustentabilidade da dívida nos países de baixa renda”, apelou.
Ramaphosa acrescentou ainda que “Devemos mobilizar o financiamento para uma transição energética justa, aumentando a qualidade e a quantidade dos fluxos de financiamento climático para os países em desenvolvimento. Em terceiro lugar, enfatizámos a importância de garantir o acesso a minerais críticos para o crescimento inclusivo e o desenvolvimento sustentável, por meio do benefício desses minerais nos próprios países de extracção”.
O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, falou das dívidas que sufocam os países mais pobres, limitando os investimentos, o desenvolvimento, clima, saúde e educação, e apontou que o G20 deve liderar medidas para o alívio da situação, reestruturação e criação de mecanismos de financiamento mais justos.
“Precisamos de acção económica. Os países em desenvolvimento, em particular em África, estão a enfrentar uma enorme tempestade: o espaço orçamental está a desaparecer, as dívidas estão a tornar-se insustentáveis e a arquitectura financeira global não os tem apoiado nem sequer representado adequadamente”, disse Guterres.
Entre várias figuras presentes, destaca-se a presença do presidente do Brasil, Lula da Silva, e do presidente da França, Emmanuel Macron. Entretanto, a primeira cimeira do G20 em solo africano decorre sem a presença dos Estados Unidos da América, que boicotam o encontro.

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