O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, anuncia a conclusão das obras de reabilitação da estrada Quelimane–Namacurra, com cerca de 70 quilómetros de extensão. Segundo o governante, faltam apenas neste momento observar um troço de 4,6 quilómetros na entrada da cidade de Quelimane.
As obras arrancaram no segundo semestre de 2020 e tinham conclusão prevista para 2023. No entanto, diversos constrangimentos, sobretudo fenómenos climáticos extremos, condicionaram o cumprimento dos prazos inicialmente estabelecidos.
O ministro dos transportes e logística, João Matlombe, deslocou-se ao local para avaliar o andamento dos trabalhos e anúncio a conclusão dos trabalhos.
No âmbito do programa Mais Estradas, o ministro visitou igualmente o troço Malei–Maganja da Costa, com o objetivo de aferir o nível de preparação da província para o arranque das obras. O projeto encontra-se atualmente na fase de concurso público.
Ainda em Quelimane, Matlombe visitou a área destinada à implantação de um terminal de combustíveis, uma infraestrutura prevista no âmbito do projeto de concessão do Porto de Quelimane, recentemente aprovado pelo Conselho de Ministros.
De acordo com o ministro, o terminal será estratégico para reforçar a capacidade logística da região e responder à procura crescente de combustíveis, incluindo para o mercado do Malawi.
O Parque Nacional de Chimanimani é rico em biodiversidade, mas começa a ser ameaçado pelo crescimento populacional. Várias reacções humanas têm colocado em risco a diversidade biológica, razão pela qual o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique concentra, agora, esforços na busca de soluções, numa primeira fase voltadas para a preservação de plantas medicinais.
A informação foi avançada pelo representante do IIAM, que disse que o trabalho, neste momento, é mapear onde essas espécies estão, em que quantidade existem, o que efectivamente essas espécies ajudam a resolver ao nível das comunidades.
“O que nós constatamos é que são aproximadamente 100 espécies que foram identificadas, espécies medicinais”, disse.
A administração do Parque Nacional de Chimanimani vê a iniciativa como um verdadeiro balão de oxigénio para a população das 13 comunidades da zona-tampão, que tradicionalmente recorre a plantas nativas para o tratamento de várias doenças.
“Este processo de plantas medicinais na paisagem de Chimanimani é muito crucial, olhando para as dificuldades de acesso desta população aos serviços de saúde”, disse.
As comunidades locais saúdam o gesto e já iniciaram acções para replicar a iniciativa. “Todos os medicamentos que estão na minha zona estão cheios. Há outros que não estão na zona, então, é preciso sair para procurar noutras zonas, para poder trazer na nossa zona”, disse um dos residentes.
Outro dos residentes pediu para que se presta mais atenção na situação actual para que não prejudique o futuro das populações locais, incluindo a população animal.
“Temos que prestar muita atenção, porque futuramente se poderá transformar em deserto caso não mudemos as estratégias de exploração do potencial medicinal que lá existe”, pediu.
Numa primeira fase, o projecto de restauração de plantas medicinais levado a cabo pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária de Moçambique beneficia as comunidades de Tsetsera, Nahed e Moribane.
Um menor e uma jovem morreram no distrito de Nhamatanda, em Sofala, vítimas de descargas atmosféricas em ocasiões diferentes, durante o mau tempo que se fez sentir ao longo da semana passada em algumas regiões daquela província do Centro do país.
O mau tempo que assolou a província de Sofala na semana finda, caracterizado por chuvas, particularmente na cidade da Beira e nos distritos de Muanza, Búzi e Nhamatanda, matou duas pessoas depois de serem atingidas por descargas atmosféricas.
A informação foi avançada pelo delegado do Instituto Nacional de Gestão de Desastres de Sofala.
“Indo concretamente àquilo que seria em termos de impacto, infelizmente, tivemos uma situação de dois óbitos em Nhamatanda, ocorridos no dia 18, no distrito de Nhamatanda, onde duas pessoas, um menor de 14 anos e uma jovem de 23 anos, foram colididos com descargas atmosféricas, derivado a este fenómeno, que fomos avisando que teria situação de chuvas fortes, acompanhadas de trovoada. Infelizmente, no distrito de Nhamatanda, ocorreram estes dois óbitos que, por sua vez, já se fez a intervenção nas famílias”, disse Aristides Armando.
As vítimas, do mesmo bairro, encontravam-se ao relento. Aristides Armando fala de como evitar ser vítima destas descargas atmosféricas. “Quando se trata de descargas atmosféricas, o mais sensato é ficar dentro de casa, evitar estar em espaços abertos, evitar estar do lado das árvores, porque esses são canais condutores de electricidade”, disse, apontando ainda que, “quando há essas situações, temos de estar em casa, manter as portas fechadas, evitar usar materiais electrónicos”.
O processo de monitorização ao nível dos distritos afectados por mau tempo continua, segundo deu a conhecer o delegado do Instituto Nacional de Gestão de Desastres de Sofala.
“Já fizemos os pré-posicionamentos, principalmente para os distritos mais críticos. Falo do caso do distrito de Muanza, distrito de Cheringoma, distrito de Marromeu. Neste momento, está-se a fazer o pré-posicionamento para os outros distritos, para garantir que esses, por sua vez, tenham capacidade de resposta face àquilo que seria a presente época chuvosa e ciclónica”, disse Aristides Armando.
Contudo a quantidade de chuvas que vem caindo na província de Sofala há cerca de uma semana, de acordo com o INGD, é muito boa para a prática agrícola e as famílias camponesas foram exortadas a cultivar a terra nesta primeira época.
Sofala quer implantar projecto de mapeamento de riscos de inundações
Na comunicação com a imprensa, o delegado do Instituto Nacional de Gestão de Desastres de Sofala, Aristides Armando, informou que a província está a aprimorar as suas capacidades de prevenção de riscos, pois está envolvida num projecto de tecnologia para simulação de mapeamento de riscos de inundações.
Com a iniciativa, Sofala passará a estar dotado de estratégias de análises dos mapas de riscos, para melhor ter capacidades de responder aos diferentes impactos ligados às mudanças climáticas e evitar danos elevados, sobretudo de vidas humanas.
“Neste momento, estamos a treinar os pontos focais, a nível da província de Sofala, para encontrar melhor técnica de resposta aos desastres, porque esses têm sido nossos desafios”, anotou Aristides Armando, delegado do INGD em Sofala.
A implementação da iniciativa conta com o apoio de uma organização belga e é financiada pelas Nações Unidas, com o fundo para o clima.
A presidente da Comissão Europeia reafirmou, nesta segunda-feira, o apoio europeu à Ucrânia, defendendo que a soberania e a integridade territorial do país “têm de ser mantidas” e que está em causa a segurança da Europa. Já o presidente do Conselho europeu, António Costa, anunciou progressos significativos nas negociações de paz para a Ucrânia. As decisões como sanções, alargamento e congelamento de activos devem passar pela União Europeia.
Ursula von der Leyen falava numa curta declaração aos jornalistas em Luanda, após um encontro informal dos líderes europeus convocado por António Costa, à margem da 7.ª Cimeira União Africana-União Europeia.
A responsável europeia afirmou que, apesar dos avanços registados em Genebra, “há ainda trabalho a fazer” para alcançar uma “paz justa e duradoura”, mas destacou existirem agora “bases sólidas para seguir em frente”, escreve o Notícias ao Minuto.
“Temos de continuar unidos e manter o melhor interesse da Ucrânia no centro dos nossos esforços”, sublinhou Ursula von der Leyen, sublinhando que se trata da segurança do continente “agora e no futuro”.
O encontro em Luanda “reafirmou a unidade do apoio europeu à Ucrânia”, acrescentou.
A presidente da Comissão Europeia insistiu que “a soberania e a integridade da Ucrânia têm de ser respeitadas”, frisando que “só a Ucrânia, como país soberano, pode tomar decisões relativas às suas Forças Armadas e ao seu futuro”.
Von der Leyen apelou também ao regresso das crianças ucranianas desaparecidas ou raptadas durante a guerra. “Todas elas devem voltar para casa. Fiquei satisfeita por ver este tema abordado pelos líderes”, afirmou.
Antes da reunião informal dos 27 sobre o plano de paz apresentado pelos Estados Unidos, António Costa referiu na rede social X ter conversado com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, “sobre os esforços de paz na Ucrânia, para obter a sua avaliação da situação”.
No arranque do encontro informal, em Luanda e também por videoconferência, o presidente do Conselho Europeu destacou que “uma posição unida e coordenada da União Europeia é fundamental para garantir um bom resultado das negociações de paz, para a Ucrânia e para a Europa”.
O plano de 28 pontos elaborado pelo Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, é visto com grande preocupação em Kiev, por incluir exigências russas como a cedência de território, a redução do Exército ucraniano e a renúncia à adesão à NATO. Em contrapartida, prevê garantias de segurança ocidentais para evitar novos ataques russos.
Trump deu à Ucrânia até 27 de Novembro para responder às propostas. Em caso de rejeição, o Presidente russo, Vladimir Putin, ameaçou prosseguir os avanços militares, numa frente de batalha onde a Rússia mantém vantagem.
Perante a pressão simultânea dos Estados Unidos e da Rússia, Zelensky tem mantido consultas com os principais aliados europeus.
Costa anuncia “progressos significativos” nas negociações de paz
O presidente do Conselho europeu anunciou ontem “progressos significativos” nas negociações sobre um plano de paz para a Ucrânia e sublinhou que decisões como sanções, alargamento e congelamento de activos têm de passar pela União Europeia.
“A reunião de ontem, [domingo] em Genebra, entre os Estados Unidos, Ucrânia, instituições da União Europeia (UE) e seus representantes, ficou marcada por progressos significativos”, disse o português António Costa, em Luanda.
“Os Estados Unidos e a Ucrânia informaram-nos que as discussões foram construtivas e que foram alcançados progressos em diversos assuntos. Saudamos este passo em frente e, apesar de alguns assuntos terem de ser resolvidos, a direcção é positiva”, acrescentou, após uma reunião informal do Conselho Europeu, que serviu também para reafirmar o apoio europeu à Ucrânia, face à invasão russa.
“É também claro que as questões que dizem respeito directamente à União Europeia como sanções, alargamento ou congelamento de activos requerem o envolvimento completo e a decisão da União Europeia”, sublinhou, afirmando, no final, que a solução para o conflito não passa por um cessar-fogo temporário, mas por uma paz duradoura.
Reunião informal do Conselho Europeu em Luanda, (na qual marcou presença o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, com alguns dos líderes europeus a participarem por videoconferência), à margem da cimeira entre a UE e a União Africana, que se realiza de ontem até esta terça-feira.
Recorde-se que a Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de Fevereiro de 2022, num conflito iniciado em 2014 com a anexação da Crimeia.
A China advertiu, nesta segunda-feira, o Japão que o projecto de instalar mísseis perto de Taiwan é um desenvolvimento “extremamente perigoso”, depois de declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre a ilha nacionalista.
“A implantação de armas ofensivas pelo Japão nas ilhas do sudoeste vizinhas de Taiwan visa deliberadamente criar tensões regionais e provocar um confronto militar”, disse a porta-voz da diplomacia chinesa Mao Ning em Pequim, citada pelo Noticias ao Minuto.
Mao Ning reagia às declarações do ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, que afirmou no domingo que o objectivo de colocar mísseis terra-ar em Yonaguni, a ilha japonesa mais próxima de Taiwan, estava “no bom caminho”.
A porta-voz chinesa acusou o Japão, cuja Constituição proíbe políticas belicistas, de ter ajustado “de forma considerável” a política de segurança nos últimos anos e de procurar dotar-se de capacidades ofensivas.
Na opinião da China, estas tendências reflectem que “as forças direitistas japonesas estão a tentar activamente quebrar as restrições da Constituição pacifista”, o que, advertiu Mao, está a “empurrar o Japão e a região para o desastre”.
“Esta tendência, conjugada com as declarações erróneas da primeira-ministra, Sanae Takaichi, é extremamente perigosa”, disse Mao, citada pelas agências de notícias espanhola EFE e France-Presse (AFP).
Os governos de Pequim e Tóquio estão envolvidos num clima de tensão desde que Takaichi afirmou a 07 de Novembro que operações armadas contra Taiwan podiam justificar uma intervenção militar japonesa para defender a ilha.
Pequim, que reivindica Taiwan como parte do território da China, vê nas palavras de Takaichi uma provocação.
“A China está determinada e é capaz de defender a soberania territorial nacional”, disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China durante uma conferência de imprensa regular.
Mao recordou que o Acordo de Potsdam, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), “proibiu expressamente que o Japão voltasse a armar-se” e insistiu que a Constituição japonesa consagra o princípio de “defesa exclusivamente defensiva”.
A porta-voz diplomática chinesa anunciou também o adiamento indefinido da décima cimeira entre a China, o Japão e a Coreia do Sul, prevista para Janeiro, numa cidade japonesa.
Já o governo de Taiwan defendeu as declarações do ministro da Defesa japonês, com o vice-chefe da diplomacia, Wu Chih-chung, a afirmar no parlamento em Taipé que Tóquio tem o direito de defender o território do Japão.
Wu disse aos deputados que a ilha de Yonaguni é muito próxima de Taiwan e que Tóquio está a reforçar as próprias instalações militares.
Tóquio anunciou a intenção de instalar na ilha mísseis terra-ar de médio alcance para a defender contra ataques de mísseis e aeronaves.
O debate sobre o futuro económico de Moçambique volta a ganhar intensidade com o lançamento do livro Moçambique e as Armadilhas da Dependência, a primeira obra de Justino Nhare, um jovem investigador que decide enfrentar de frente um dos temas mais sensíveis da história recente do país: a dependência económica estrutural. A obra, já disponível para venda e com lançamento oficial agendado para o dia 28 deste mês, propõe uma leitura crítica e profundamente documentada sobre os últimos 50 anos, analisando caminhos, escolhas e fragilidades que moldaram a trajectória económica do país.
Desde as primeiras páginas, Nhare apresenta uma tese que desafia a forma como Moçambique tem pensado o seu desenvolvimento: a independência económica não pode continuar a ser um objectivo conjuntural, associado ao mandato de um Presidente da República. Para o autor, este deve tornar-se um imperativo constitucional. A ideia é clara — só um compromisso inscrito na Constituição garante continuidade, estabilidade e blindagem contra a descontinuidade de políticas públicas que tem marcado várias fases da governação.
A obra parte de uma análise histórica rigorosa. Nhare revisita momentos-chave, desde o pós-independência até à actualidade, para explicar como Moçambique se tornou um país estruturalmente dependente de ajuda externa e endividamento contínuo. O autor sublinha que esta dependência não é um fenómeno abstracto. Ela manifesta-se diariamente na forma como o Estado financia sectores essenciais. “O nosso orçamento, quase 22%, depende da ajuda externa”, afirma. E, para ele, esta dependência financeira traduz-se numa dependência política que limita a autonomia decisória do país em áreas sensíveis como saúde, educação e infraestruturas.
Nhare alerta para o que considera ser a contradição central do modelo económico actual: Moçambique continua a depender de recursos externos para financiar sectores que deveriam ser pilares da soberania nacional. Segundo o autor, sempre que um doador financia um sector estratégico, influencia também prioridades, ritmos, critérios de implementação e até visões de desenvolvimento. Para Nhare, este mecanismo, ainda que não declarado, cria um tipo de tutela indirecta sobre o país, dificultando a construção de um projecto verdadeiramente autónomo.
Outro eixo central da obra é a análise do endividamento externo. Aqui, Nhare é particularmente incisivo. Considera que, sem uma mudança profunda na forma como o país avalia, contrai e gere dívida pública, Moçambique permanecerá preso num ciclo que consome mais do que produz. “A dívida tornou-se uma nova forma de colonização”, afirma, sublinhando que o problema não está apenas no montante total da dívida, mas na falta de correspondência entre esse endividamento e o retorno económico real gerado pelos projectos financiados.
A obra discute, com exemplos e dados, como sucessivos governos contraíram dívidas cujo impacto económico foi limitado, criando encargos duradouros para o país e expondo Moçambique a vulnerabilidades adicionais. Nhare argumenta que o país precisa de avaliar melhor a sua capacidade de endividamento e exigir maior rigor na aprovação de projectos financiados externamente. “É importante rever as formas e o tipo de endividamento, medir a capacidade do país e garantir que cada dívida tenha retorno real”, defende.
Embora a crítica ao passado seja firme, Justino Nhare recusa um discurso pessimista. Pelo contrário, o livro propõe uma agenda de futuro, sustentada em reformas estruturais e na necessidade de transformar a independência económica num compromisso nacional. Para o autor, esse compromisso precisa de estar explicitamente inscrito na Constituição para impedir que mudanças de governo signifiquem mudanças bruscas de orientação económica. “É preciso garantir que nenhum presidente venha a remover o plano de independência económica”, afirma, defendendo que o país precisa de uma visão de longo prazo protegida de ciclos eleitorais.
Um dos pontos mais fortes da obra é o capítulo dedicado à juventude. À semelhança de vários estudiosos africanos contemporâneos, Nhare defende que a juventude deve assumir o centro da agenda económica e não ser tratada como um problema a resolver. Para o autor, o país tem desperdiçado talento, criatividade e energia que poderiam transformar sectores-chave. “O jovem não pode ser uma opção; tem que ser o ponto fulcral das políticas públicas”, diz. Para ele, cada jovem à procura de oportunidades representa uma potencial solução económica, e não um desafio social.
Nhare recusa a narrativa de que os jovens são um grupo passivo à espera de emprego formal. Defende que a juventude moçambicana é um activo estratégico que deve ser chamado para o centro da discussão económica, desde a inovação tecnológica à agro-indústria, passando pelo empreendedorismo e pelas novas economias verdes. Essa abordagem, segundo o autor, poderia romper com o ciclo de dependência que marca a história recente do país e abrir espaço para um modelo económico mais vibrante, moderno e auto-sustentado.
O livro também confronta práticas e modelos de governação que, segundo o autor, têm contribuído para a descontinuidade de políticas públicas e para a fragilidade institucional. Nhare alerta que iniciativas económicas que mudam com a alternância de titulares não criam raízes. Por isso, insiste que a constitucionalização da independência económica é a única forma de garantir que o país siga um caminho coerente e consistente, independentemente das conjunturas políticas.
À medida que avança, a obra ganha profundidade conceptual, propondo uma reflexão sobre democracia económica, soberania financeira e gestão estratégica dos recursos naturais. Nhare sublinha que Moçambique não pode limitar-se a ser um país exportador de matérias-primas sem valor acrescentado. O autor defende a necessidade de transformar a estrutura produtiva e de investir em sectores que criem riqueza duradoura.
Com uma escrita acessível, mas intelectualmente exigente, Moçambique e as Armadilhas da Dependência chega num momento crucial para o país. A economia enfrenta desafios profundos: inflação, dificuldades de financiamento externo, dívida pública elevada, fraco investimento privado e uma juventude maioritariamente desempregada. É neste contexto que o livro surge como um convite à reflexão nacional, numa altura em que o debate sobre soberania, finanças públicas e rumo económico se torna imprescindível.
O lançamento oficial será no dia 28 deste mês, mas a obra já circula e, segundo previsões, deverá estimular conversas intensas entre economistas, políticos, académicos e cidadãos interessados no futuro do país. Justino Nhare, pertencente a uma nova geração de pensadores, coloca uma pergunta que ressoa ao longo das mais de 200 páginas: “Que Moçambique queremos construir nos próximos 50 anos?”
O livro não oferece respostas fáceis — mas oferece pistas essenciais. E promete ser o ponto de partida para uma discussão que o país já não pode adiar.
A Embraer está a produzir aviões com capacidade para transportar 146 pessoas de olho para o mercado africano. O anúncio foi feito, ontem, na cidade de Maputo, num contexto em que a LAM procura comprar oito novas aeronaves.
Desde Fevereiro deste ano que a empresa Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) procura por aviões no mercado, incluindo da Embraer, para comprar com objectivo de repor a sua frota e tornar a actividade da empresa sustentável.
No Fórum Empresarial Brasil-Moçambique, realizado na capital do país ontem, uma das maiores produtoras de aviões do mundo, a brasileira Embraer apresentou uma proposta de solução, de olho no mercado africano.
“Nossos aviões têm uma capacidade de 146 lugares. Somos líderes mundiais nessa categoria de até 150 lugares. Permitem ligar directamente aeroportos e cidades para as quais antigamente não existiam ligação”, disse o vice-presidente da Embraer, João Taborda.
De acordo com o vice-presidente da Embraer, João Pedro Taborda, a aposta nos aviões pequenos visa melhorar a eficácia das companhias aéreas.
“Muitas vezes nós vemos aeronaves grandes que viajam com muitos lugares vazios. Isso é muito ineficiente e oneroso para as companhias aéreas. No caso concreto, no mercado africano, 85% das rotas implicam o transporte de menos de 200 pessoas por dia. Portanto, é muito eficaz que as companhias aéreas voem em aviões voem com o mínimo de cadeiras vazias”, disse João Pedro Taborda.
De referir que a LAM tem vasta experiência no uso de aviões da Embraer.
Outra novidade do fórum é a pretenção da Empresa Nacional de Hidrocarboneto de passar a possuir licenças de exploração de hidrocarbonetos e não apenas participar em projectos que tenham como operadores outras empresas.
“Queremos ser operadores. Significa que o Governo deve dar voto de confiança à ENH e já estamos em processo para isso”, disse a Presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), Ludovina Bernardo.
Na verdade, esse é o caminho seguido pelo Brasil, através da empresa Petrobras, que na altura da sua criação produzia dois mil barris de petróleo por dia e hoje produz 4,6 milhões de barris por dia, dos quais 2,3 milhões ficam no país.
“Ser operador é muito importante porque quem opera determina a tecnologia que vai usar, quem são os fornecedores e os parceiros. Ser operador é um desafio e é extremamente fundamental”, disse Sylvia dos Anjos, uma das directoras da Petrobras.
Num contexto em que 62% da população moçambicana tem acesso à energia eléctrica, a EDM convida empresas brasileiras a instalarem indústrias no país, para produzir material eléctrico, entre eles, cabos, transformadores e contadores.
No parque industrial de Beluluane, onde está a Mozal, há várias facilidades para empresas que queiram investir, segundo a MozParks, empresa gestora.
Do Brasil, há uma garantia de formação dos moçambicanos para o uso eficiente de equipamento dada pela Weg África, empresa de capitais brasileiros.
O Fórum Empresarial acontece no âmbito da segunda visita a Moçambique do presidente brasileiro, Lula da Silva, depois da primeira que fez há 17 anos.
Presidente do Brasil, Lula Inácio Lula da Silva, insta Moçambique a não cometer os erros políticos do passado, que retardaram o desenvolvimento do país. Lula destacou ainda a importância da democracia, paz e estabilidade político-social para que Moçambique atraia mais investimentos.
Uma visita curta mas intensa, na qual o Chefe do Estado do Brasil dirigiu, juntamente com o presidente de Moçambique, o encerramento do Fórum Empresarial entre os dois países. No evento, Lula da Silva aconselhou Moçambique a tirar lições de conflitos políticos passados.
“Não repitam o mesmo erro do século XX no século XXI. O que faz um país crescer é paz, tranquilidade, democracia.
Segundo o chefe do estado brasileiro, para ter mais confiança dos cidadãos, os governantes devem oferecer estabilidade política porque ninguém investe num país que está em guerra a cada três meses, estabilidade econômica, fiscal, social e previsibilidade. Lula da Silva justifica que se tudo isso estiver num só pacote, qualquer um vai investir em Moçambique.
E é justamente por isso que Lula da Silva anunciou a retoma do apoio brasileiro a sectores como educação, saúde e agricultura.
O anfitrião, Daniel Chapo, expôs as potencialidades energéticas de Moçambique e os projectos em curso, embora alguns não tenham financiamentos já fechados.
Em 2024, o volume de negócios entre Moçambique e Brasil reduziu de 170 para 40 milhões de dólares, um cenário que se quer mudar neste ciclo de Governação.
O antigo Presidente da República, Filipe Nyusi, lidera a Missão de Observadores da União Africana às eleições gerais, presidenciais e legislativas da Guiné-Bissau, que terão lugar este domingo.
Moçambique está igualmente representado na missão de observação eleitoral da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, através de duas parlamentares, nomeadamente, Maria Angelina Dique Enoque e Anchia Safina Talapa Formiga, ambas membros do Grupo Nacional da AP- CPLP na Assembleia da República de Moçambique.
Os parlamentares deverão deslocar-se a diferentes regiões da Guiné-Bissau para colher impressões sobre a organização do escrutínio, o comportamento dos eleitores e o cumprimento das normas legais.
Dados divulgados ontem pela Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau indicam que os resultados provisórios das eleições poderão ser conhecidos até quinta-feira próxima.
A bailarina, coreógrafa e escritora Maria Helena Pinto, uma das figuras centrais da dança contemporânea moçambicana, apresenta no dia 1 de Dezembro de 2025, às 18 horas (hora de Maputo), através de um directo na sua página de Facebook, as suas duas novas obras literárias: “Rugidos do Silêncio” (prosa poética) e “Nudez e Dança” (ensaio). As obras – que saem sob a chancela da Oficina de Textos – estarão disponíveis na Amazon a partir da mesma data.
Com uma carreira marcada pela investigação, criação e docência, e um percurso académico que inclui um doutoramento em Estética, Ciências e Tecnologias das Artes pela Universidade Paris 8, Maria Helena Pinto tem vindo a construir, nos últimos anos, uma presença sólida no campo literário. Estes dois novos livros confirmam essa travessia: uma escritora que parte da dança para pensar a vida, o corpo, o país e as inquietações humanas.
“RUGIDOS DO SILÊNCIO”
Em “Rugidos do Silêncio”, Maria Helena Pinto apresenta uma obra de prosa poética composta por oito núcleos temáticos – Origens, Meu Eu, Mulher, Dialogando, BMWs, Amores, Paixões, Sonhos, Perversidades, o Outro, Nós, Naufrágios, A Cegueira do Poder e O Poder do Divino em Nós. Aborda ainda sobre a desvalorização e a violência contra as mulheres, bem como os sonhos de liberdade enquanto indivíduos e enquanto país, particularmente no contexto moçambicano. Entre poemas e prosas, os textos refletem também vivências e um olhar crítico sobre o nosso comportamento como pessoas e como sociedade.
A apresentação da obra estará a cargo do escritor e jornalista José dos Remédios, com leituras do docente e actor Dadivo José e do actor Ramadan Matusse.
“NUDEZ E DANÇA”
“Nudez e Dança” é um ensaio literário-académico que cruza corpos, povos, culturas, política(s) e olhares sobre o gesto e a exposição. A obra nasce de um percurso de investigação iniciado em 2004, com o projecto fotográfico “Mulher-mãe”, onde a autora explorou a nudez artística a partir da dança, com fotos da autoria de Mauro Pinto.
Dividido em três partes – Povos, Nudez e Dança; Nudez e Criações Artísticas; e Projecto Fotográfico Mulher-mãe – o livro lança questões centrais sobre hegemonias culturais, fronteiras simbólicas e os modos como a nudez se inscreve nas práticas artísticas contemporâneas. “Entre os espaços locais, tradicionais e internacionais, nações e mundialização ou globalização, como a nudez e a/na dança se entrecruzam nos semáforos da própria existência humana? Como ultrapassar as vontades de uns e de outros de hegemonia, de imposições de modelos de existência como seres e corpos que pensam, expressam-se e vivem a nudez/dança de forma distinta do outro?”, lê-se no livro.
As temáticas levantadas visam suscitar “o questionamento de como ultrapassar as lutas, oposições, antagonismos e até mesmo uma certa forma de violência entre seres humanos, derivados de olhares, percepções, posições distintas, para então envolver-se em conjunto, abraçando as diferenças, identidades, pensamentos, práticas, rituais, culturas, tradições, criações artísticas, filosofias, artes opostas, como sendo uma forma de fortalecimento comum entre umas e outras”.
A apresentação desta obra será feita pela docente e actriz Maria Atália.
Reconhecida nacional e internacionalmente, com homenagens recentes do Município de Maputo e da Casa do Artista Kutenga, Maria Helena Pinto é autora de investigações cruciais sobre a dança moçambicana e fundadora de vários projectos estruturantes, como à nível nacional, a criação dos primeiros cursos de Licenciatura e Mestrado em Artes Cénicas na Universidade Pedagógica de Maputo e a Vila Artística Dans’Artes. Como palestrante, ainda este ano, a artista representou Moçambique no maior congresso de Artes Cénicas do Brasil, ABRACE, em Ouro Preto.
Depois de Ardentes Fragmentos da Vida e Devir(es) Contemporâneos, a coreógrafa reforça agora a sua presença no universo editorial com duas obras que dialogam com as artes, a memória, a crítica e a transcendência de olhares e do corpo.

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