A crescente insatisfação da população sul-africana com a falta de água, electricidade e recolha de lixo está a enfraquecer o apoio ao Congresso Nacional Africano (ANC), numa altura em que o país se prepara para as eleições municipais, marcadas para 4 de Novembro. Várias sondagens recentes indicam uma redução da popularidade do partido, que enfrenta críticas pela corrupção e má gestão das autarquias.
A degradação dos serviços públicos tem levado alguns cidadãos a ameaçar boicotar as eleições, sobretudo nos bairros periféricos de Joanesburgo, onde milhares de famílias enfrentam dificuldades no acesso a serviços básicos.
Em Katlehong, nos arredores de Joanesburgo, cerca de 180 famílias dependem de ligações eléctricas ilegais há mais de 20 anos. Os cabos atravessam as calçadas e transportam energia de outras zonas da comunidade, numa tentativa dos residentes de contornar a falta de fornecimento regular. O líder comunitário Lesiba Rankapole afirma que os moradores decidiram não votar enquanto não tiverem acesso à electricidade. “Tomámos uma decisão colectiva: sem electricidade, sem voto”, declarou, defendendo que a falta de energia compromete o futuro das crianças e o desenvolvimento da comunidade.
A mesma revolta é manifestada por Enock Majola, outro residente de Katlehong, que acusa as autoridades de não resolverem os problemas locais, incluindo a deposição ilegal de lixo. O cidadão, que afirma ter crescido a apoiar o ANC, diz já não querer ouvir falar do partido devido às dificuldades que enfrenta.
Em Alexandra, outro bairro periférico de Joanesburgo, a situação também é preocupante. O lixo acumula-se nas ruas, as águas residuais correm a céu aberto e muitos residentes não dispõem de água canalizada.
Para vários cidadãos, a corrupção e a má gestão municipal estão entre as principais causas da deterioração dos serviços públicos e da perda de confiança nas autoridades. “Não vou votar porque já não acredito no nosso Governo. Decepcionou-nos inúmeras vezes”, afirmou o residente Sipho Mandala.
Apesar do descontentamento, alguns eleitores continuam fiéis ao ANC, sobretudo pelo seu papel histórico na luta contra o apartheid. Um morador de Katlehong, mesmo confrontado com problemas de saneamento na sua residência, admitiu que voltaria a votar no partido, caso conseguisse chegar a uma assembleia de voto.
O ANC, que tem no antigo Presidente Nelson Mandela uma das suas principais figuras históricas, conquistou quase 70 por cento dos votos nas eleições nacionais de 2004. Contudo, a sua influência eleitoral tem vindo a diminuir. Nas eleições municipais de 2021, o partido obteve 46 por cento dos votos, ficando pela primeira vez abaixo da fasquia dos 50 por cento.
A perda de apoio tornou-se ainda mais evidente nas eleições nacionais de 2024, quando o ANC conseguiu pouco mais de 40 por cento dos votos, resultado que o obrigou a formar uma coligação governamental.
Segundo o analista político Sethulego Matebesi, as eleições municipais tendem a registar uma participação inferior à das eleições nacionais. Ainda assim, os resultados poderão ajudar os partidos a avaliar a sua base de apoio e a preparar a disputa eleitoral de 2029.
Dos 257 conselhos municipais em disputa, Joanesburgo destaca-se como um dos principais campos de batalha política, devido à sua importância económica e à dimensão da população, estimada em mais de 4,8 milhões de habitantes.
Em Alexandra, o funcionário de manutenção Patrick Saohatse considera que o ANC não conseguiu melhorar as condições de vida da população, apesar de governar a região há vários anos. Por essa razão, afirma que pretende votar na Aliança Democrática (DA), o segundo maior partido da coligação governamental.
A DA, que governa a Cidade do Cabo, tem intensificado as críticas ao ANC, apontando falhas na prestação de serviços públicos e problemas de gestão. Num comício recente, Helen Zille, candidata à presidência da Câmara de Joanesburgo, alertou que mais cinco anos de corrupção e degradação das infra-estruturas poderão colocar a cidade numa situação irreversível.
Entretanto, a campanha eleitoral do ANC tem sido marcada por dificuldades, incluindo a ausência de um candidato escolhido para disputar a presidência da Câmara de Joanesburgo, segundo a informação divulgada.
O responsável pela comissão eleitoral do partido, Mdumiseni Ntuli, reconheceu que existem razões para a insatisfação dos eleitores, sobretudo em Joanesburgo e nas zonas circundantes.
Os analistas prevêem que vários municípios poderão terminar as eleições sem uma maioria absoluta, obrigando os partidos a negociar coligações. A instabilidade destes acordos poderá agravar os problemas de governação e comprometer ainda mais a prestação de serviços públicos, aumentando a pressão sobre o ANC.
A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, mostrou-se entusiasmada com as experiências e condições de atendimento observadas durante a visita que realizou, na terça-feira, ao Centro Nacional de Referência de Drepanocitose, em Brazzaville, na República do Congo, tendo manifestado a intenção de criar condições para que Moçambique possa contar, no futuro, com equipamentos e uma unidade especializada para o tratamento de pacientes no país.
Durante a visita, realizada no âmbito da visita oficial do Presidente da República, Daniel Chapo, ao Congo, a Primeira-Dama conheceu o funcionamento da instituição, os serviços prestados aos pacientes e as condições disponíveis para o diagnóstico e tratamento de doenças, com particular atenção para as patologias do sangue.
Gueta Chapo interagiu igualmente com pacientes, crianças, mulheres e idosos, tendo visitado as enfermarias e constatado as condições de atendimento e acompanhamento dos doentes. A experiência permitiu observar igualmente a utilização de equipamentos modernos e a rapidez na obtenção de resultados de exames.
“A saúde é, neste momento, uma área muito importante, porque podemos ter dinheiro, podemos ter carros e outras coisas, mas, se não tivermos saúde, nada disso tem valor”, afirmou a Primeira- Dama, sublinhando a importância de se investir na melhoria da assistência médica e na resposta às necessidades dos pacientes.
Segundo explicou, uma das experiências que mereceu particular atenção foi a capacidade de realização de exames e obtenção de resultados em cerca de 30 minutos, o que permite uma resposta mais rápida às necessidades dos pacientes e pode constituir uma referência para o reforço da capacidade de diagnóstico em Moçambique.
No domínio do tratamento do cancro, a Primeira-Dama referiu que o seu Gabinete tem trabalhado em coordenação com o Ministério da Saúde e com parceiros no apoio a pacientes de diferentes faixas etárias, incluindo crianças, mulheres, jovens e adultos.
“Já enviamos vários pacientes, entre crianças, mulheres, jovens e adultos, para tratamento”, explicou Gueta Chapo, acrescentando que alguns pacientes são encaminhados das diferentes províncias para o Hospital Central de Maputo e, em situações específicas, para tratamento fora do país.
A Primeira-Dama apontou, neste contexto, a necessidade de se avançar progressivamente para o estabelecimento de capacidade especializada no território nacional, de modo a reduzir a necessidade de recurso a unidades sanitárias estrangeiras e os custos associados ao tratamento fora do país.
“Estamos igualmente a trabalhar no sentido de criar condições para que estes equipamentos possam estar disponíveis no nosso país e para que, um dia, possamos ter um hospital ou instituto especializado capaz de tratar os nossos doentes em Moçambique”, disse.
A visita permitiu ainda a partilha de experiências sobre a prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento da drepanocitose, doença genética que afecta particularmente crianças e jovens, bem como sobre outras respostas destinadas a pessoas com doenças crónicas e em situação de vulnerabilidade.
A Primeira-Dama considerou que as experiências observadas na República do Congo podem contribuir para a reflexão sobre o reforço da capacidade de resposta do sector da saúde em Moçambique, através da cooperação, partilha de conhecimentos e mobilização de parceiros.
A deslocação ao Centro Nacional de Referência de Drepanocitose enquadra-se nas acções da Primeira-Dama da República de promoção do bem-estar das populações, com particular atenção para crianças, mulheres, idosos e outras pessoas em situação de vulnerabilidade.
A Directora Artística do Xiquitsi, Kika Materula, considera que o Concerto pela Paz, realizado no passado dia 3 de Outubro, no Cine-Teatro Scala, em Maputo, constituiu um marco no intercâmbio cultural entre Moçambique e Itália.
Numa nota de agradecimento divulgada ontem, 6 de Outubro, na sequência do evento promovido pela Embaixada da Itália em Maputo, no âmbito da programação cultural Mozita2026, Materula afirmou que o concerto representa “a prova viva do diálogo maduro”, traduzido num “autêntico casamento entre as duas nações”.
O espectáculo juntou artistas moçambicanos e italianos, num intercâmbio proporcionado pela música enquanto linguagem comum e universal e pela vontade de construir pontes culturais entre os dois países.
“Vivemos uma noite memorável no Cine-Teatro Scala! Diante de uma sala completamente lotada, a nossa Orquestra e Coro, ao lado dos artistas convidados, demonstraram um nível artístico extraordinário, oferecendo ao público um espectáculo com uma profunda carga emocional e cheio de simbolismo”, destacou Kika Materula.
A Directora Artística do Xiquitsi enalteceu igualmente o apoio do Governo da Itália, através do seu Embaixador em Moçambique, Gabriele Annis, destacando a sua visão, sensibilidade e compromisso com a cooperação cultural entre os dois países.
Segundo Materula, a actuação da Embaixada italiana constitui “um verdadeiro exemplo a seguir no panorama da cooperação cultural”.
A responsável estendeu ainda os agradecimentos às entidades que apoiam e patrocinam o Xiquitsi, considerando que o projecto só é possível graças à contribuição dos parceiros que, ao longo dos anos, têm participado na prossecução dos seus objectivos.
“Olhar para o palco e ver este resultado enche-me de orgulho e remete-me aos 13 anos de existência do Xiquitsi, de investimento na formação e do trabalho árduo de toda uma equipa”, afirmou.
Entre as obras apresentadas durante o concerto estiveram quatro estreias absolutas: “United we sing”, de Girolamo Deraco, dedicada a Moçambique para a ocasião; “Fantasia para Orquestra de Cordas”, de Gabriele Marchetti; “Três melodias moçambicanas”, de Humberto Tandane; e “Xa Lisima”, de Estêvão Chissano.
O Concerto pela Paz assinalou os 34 anos da assinatura do Acordo Geral de Paz, celebrado a 4 de Outubro de 1992, em Roma, com mediação do Governo italiano e da Comunidade de Santo Egídio.
A iniciativa coincidiu ainda com os 800 anos da passagem de São Francisco de Assis, padroeiro de Itália, ocorrida na noite de 3 de Outubro de 1226.
Na sua mensagem, Kika Materula agradeceu também o apoio da Embaixada do Reino da Noruega, KIA, MOZAL, Embaixada da Irlanda, ENH, MPDC, Hollard Seguros, Montebelo Hotéis, Manica, Instituto Camões, AVM Consultores, MDR Advogados, Portucel, World Vision, CCMC, Brithol Michcoma, Teatro Avenida, ProData, Vumba, Clubnet, Logos, Sumol-Compal, Neoquímica, G4S, Savana, Dalima, Club of Mozambique e Amigos do Xiquitsi.
O maior mercado para a carne bovina da Namíbia, a União Europeia, anunciou na segunda-feira a suspensão das importações após um surto de febre aftosa, doença que devastou a Europa há 25 anos.
No mês passado, a Namíbia anunciou seu primeiro surto de febre aftosa em sua principal zona de criação comercial de gado em 60 anos, o que levou a uma proibição nacional da movimentação de animais e das exportações de carne.
“A UE decidiu suspender temporariamente a entrada em seu território de carne fresca de bovinos, ovinos e caprinos…”, anunciou a delegação da UE.
A suspensão incluía carne de animais de criação e selvagens com cascos, bem como certos produtos de carne processada, segundo comunicado.
A carne processada que passou pelo “tratamento de mitigação de riscos mais rigoroso” continuou elegível para entrada, afirmou.
A União Europeia é o maior mercado de carne bovina da Namíbia, representando mais de 80% das exportações do país.
Cerca de 10 milhões de quilos de carne bovina da Namíbia eram exportados anualmente para a Europa, afirmou a embaixadora da UE, Ana Beatriz Martins, em entrevista à emissora namibiana NMH.
Um quarto dos 40.000 empregos directos envolvidos nas exportações para a Europa seriam afetados pela suspensão, afirmou ela.
Durante o último grande surto de febre aftosa na UE, em 2001, mais de seis milhões de animais tiveram que ser abatidos, segundo o comunicado da delegação.
A febre aftosa causa febre e bolhas perto do casco e na boca, que impedem os animais de se alimentarem e, às vezes, levam à morte.
A doença atingiu vários países da África Austral, incluindo o Botswana, Eswatini, Lesoto, Moçambique, África do Sul, Zâmbia e Zimbabwe. Desde que o surto no sul da Namíbia foi declarado em 22 de Setembro, ele se espalhou para 11 fazendas, disseram as autoridades.
A resposta do governo ao controle da doença incluiu vigilância intensificada, rastreamento e testes, controlos de circulação, bloqueios veterinários e medidas de biossegurança, disse à AFP o porta-voz do Ministério da Agricultura, Romeo Muyunda.
O exército do Mali e os paramilitares russos do grupo Africa Corps iniciaram hoje operações aéreas e terrestres de grande escala na região da cidade estratégica de Kidal, controlada pelos rebeldes desde final de Abril.
“Estas operações têm como objectivo localizar e neutralizar os grupos armados terroristas que operam em toda a região, destruir os esconderijos e as suas redes de abastecimento, [e] restabelecer de forma duradoura a segurança das populações e a livre circulação de pessoas e bens”, indicaram as autoridades num comunicado.
Uma fonte independente de segurança disse à agência de notícias France-Presse (AFP) que “o comboio de reforços militares malianos iniciou a marcha em direção a Kidal esta manhã cedo, partindo da localidade de Anéfis”, acrescentando que nos últimos dias têm ocorrido diversos ataques, mas que ainda não se registou nenhum confronto com os separatistas tuaregues da Frente de Libertação do Azawad (FLA).
Segundo um oficial do exército maliano, as tropas das forças armadas do Mali e os aliados russos “estão em movimento há alguns dias na região”, sendo que a principal preocupação das autoridades é a segurança das populações e o combate ao terrorismo.
Desde 2012, o Mali enfrenta uma profunda crise de segurança, alimentada sobretudo pela violência de grupos extremistas, dos seus aliados separatistas tuaregues da FLA e de grupos criminosos comunitários.
Este país do Sahel, dirigido por uma junta militar, aproximou-se da Rússia, cujos paramilitares do grupo Africa Corps o ajudam na sua luta antiterrorista. O país está mergulhado numa situação de segurança ainda mais crítica desde o final de abril de 2026.
Os extremistas do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM), aliados à Al-Qaida e à rebelião da FLA, lançaram então uma série de ataques coordenados contra posições estratégicas da junta e do exército em várias cidades, incluindo nos arredores de Bamako, a capital. Os ataques custaram, nomeadamente, a vida ao ministro da Defesa e a perda do controlo da cidade de Kidal.
O gabinete das Nações Unidas contra a droga e o crime (UNODC) alertou nesta terça-feira que o tráfico de medicamentos na África Central, alimentado pelas dificuldades de acesso aos cuidados de saúde, constitui uma “grande ameaça para a saúde pública”.
Nos seis países da Comunidade Económica e Monetária da África Central (CEMAC) que “apresentam indicadores de saúde que se contam entre os mais desfavoráveis do mundo” a discrepância entre as necessidades de saúde e o acesso efectivo a produtos seguros e acessíveis “favorece o desenvolvimento de um mercado ilícito”, lê-se no relatório do UNODC, assinado em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a CEMAC.
Pelo menos 251 toneladas de medicamentos foram apreendidas nos Camarões, no Gabão, no Chade, no Congo, na Guiné Equatorial e na República Centro-Africana entre 2020 e 2025, de acordo com este relatório.
E, nos últimos anos, este tráfico tem sido alvo de uma “intensificação e diversificação”, alertou hoje um responsável do gabinete UNODC durante uma conferência de imprensa.
O tráfico, que “constitui uma grande ameaça para a saúde pública” na região, segundo o gabinete da ONU contra a droga e o crime, diz respeito a medicamentos falsificados, de qualidade inferior ou não aprovados pelas autoridades, mas também a produtos desviados dos circuitos oficiais.
Antibióticos, antimaláricos, analgésicos, anti-inflamatórios ou psicoativos, como o tramadol e a pregabalina, figuram entre os produtos em causa.
Este comércio ilegal favorece “fracassos terapêuticos, intoxicações e mortes evitáveis” e contribui para o desenvolvimento de resistências aos antimicrobianos.
E os produtos resultantes deste tráfico acabam, por vezes, “em estabelecimentos autorizados, geralmente considerados seguros pelos doentes”, denuncia o relatório.
À escala da África Subsariana, a OMS estimava, em 2017, que o consumo destes medicamentos fraudulentos pudesse estar associado a centenas de milhares de mortes por ano.
Os produtos chegam, nomeadamente, através dos portos da região, antes de seguirem pelas principais vias rodoviárias, facilitadas pela porosidade das fronteiras, e também via aérea, na carga ou na bagagem dos passageiros.
Este tráfico envolve, nomeadamente, grupos armados, presentes em certas regiões dos Camarões, do Chade ou da República Centro-Africana, através da pilhagem de centros de saúde, da revenda de produtos ou da cobrança de “taxas” aos comboios.
Para além de “alimentar a criminalidade organizada e enfraquecer as instituições públicas”, este tráfico favorece o uso não médico de produtos associados a fenómenos de dependência, salienta o relatório, que apela ao “reforço da cooperação internacional” para conter o fenómeno.
No Gabão, uma apreensão, no final de Setembro, por parte das alfândegas, de 17.000 comprimidos de tramadol ilustra a existência de um “tráfico transfronteiriço” de estupefacientes que “não param de entrar” vindos do vizinho Camarões, segundo um representante das alfândegas gabonesas entrevistado na quinta-feira na televisão pública.
A Administradora de Chiúre, no sul de Cabo Delgado, está preocupada com a violação dos direitos humanos por parte da população do distrito, que tem registado violência e mortes devido a conflitos sociais entre as comunidades.
A situação é considerada crítica e está a pôr em causa a paz no distrito. Perante este cenário, a governante apelou à população para que haja tolerância entre as comunidades.
A preocupação foi manifestada durante uma Conferência de Paz e Coesão Social, realizada na vila-sede do distrito.
“O tema que nos junta aqui hoje, coesão social e direitos humanos, não é um problema teórico, e é até uma questão de sobrevivência da província de Cabo Delgado. Pelo que, no distrito de Chiúre, precisamos todos de nos respeitar e respeitar os direitos humanos, porque sem esses direitos não haverá paz”, apelou Isaura Máquina, Administradora de Chiúre.
A Conferência de Paz e Coesão Social de Chiúre foi organizada pela Associação DIMONGO, uma das organizações que tem estado a apoiar o Governo na pacificação das comunidades.
“O que estamos a fazer é tentar ajudar o Governo e as comunidades com mensagens, sensibilizações para que seja revertida esta situação e que as comunidades vivam em paz”, explicou Frederico João, Presidente da Associação DIMONGO.
Chiúre foi o primeiro distrito de Cabo Delgado a realizar uma Conferência sobre Paz e Coesão Social e é uma das regiões da zona sul da província mais afectadas pelo terrorismo.
O Fundo de Desenvolvimento da Economia Azul (PROAZUL) participa desde esta segunda até quinta-feira, no 14.º Congresso Internacional Conxemar e na 27ª Feira Internacional de Productos de Mar, dois fóruns internacionais de reflexão e debate sobre o futuro da indústria do pescado, da economia azul e da sustentabilidade dos recursos aquáticos.
Os encontros, que decorrem em Vigo na Espanha, reúnem dirigentes, empresários, especialistas e representantes de instituições públicas e privadas de vários países, constituindo uma importante plataforma internacional para o intercâmbio de experiências, conhecimento, inovação e oportunidades de cooperação.
O congresso é organizado pela Conxemar, pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pelo Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação de Espanha (MAPA), com o financiamento do ABANCA, congregando participantes de países como Espanha, Argentina, Venezuela, Reino Unido, Portugal, Angola, Namíbia, África do Sul, Senegal, França, entre outros.
Sob o lema “Smart Blue Leadership: Eficiência, inteligência e padrões globais para uma indústria comprometida”, o congresso coloca em discussão alguns dos grandes desafios que actualmente moldam o sector dos produtos de origem aquática, com destaque para o comércio internacional, inteligência artificial, rastreamento digital, inovação, novas
tendências de consumo e competitividade da indústria pesqueira.
A participação do PROAZUL assume particular relevância para Moçambique, ao proporcionar uma oportunidade para projectar o potencial do país no domínio da economia azul, divulgar iniciativas nacionais e estabelecer contactos com actores estratégicos da cadeia de valor dos produtos do mar. PROAZUL participa nestes encontros representado pelo Presidente do Conselho de Administração (PCA), Oswaldo Petersburgo.
A presença moçambicana permite igualmente acompanhar de perto as transformações que estão a ocorrer na indústria global do pescado, sobretudo no domínio da digitalização, sustentabilidade, inovação tecnológica e criação de cadeias de valor mais eficientes e competitivas.
Para o PROAZUL, este espaço representa também uma oportunidade para fortalecer relações de cooperação, identificar potenciais parceiros e
investidores e captar conhecimentos e experiências internacionais que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável da economia azul em Moçambique.
A participação acontece num momento em que o sector mundial dos produtos do mar enfrenta novos desafios relacionados com a sustentabilidade dos recursos, alterações nos padrões de consumo, exigências de rastreamento e necessidade de maior eficiência e competitividade.
Paralelamente ao congresso, Vigo acolhe a 27.ª Feira Internacional de Produtos do Mar Congelados Conxemar, de 6 a 8 de Outubro, reunindo empresas e profissionais de diversos mercados e constituindo uma das principais plataformas internacionais de negócios e relacionamento para a indústria dos produtos do mar.
A participação do PROAZUL neste importante encontro internacional reforça, assim, o compromisso de Moçambique com uma economia azul sustentável, inovadora e geradora de oportunidades, apostando na valorização dos recursos marinhos, no fortalecimento das cadeias de valor e na promoção de benefícios económicos e sociais para as comunidades.
Ao marcar presença em Vigo, Moçambique junta-se ao diálogo internacional sobre os caminhos para uma indústria do pescado mais inteligente, sustentável, inclusiva e competitiva.
A UNESCO alertou nesta segunda-feira para a necessidade de juntar mais 50 milhões aos actuais 107 milhões de professores em todo o mundo para garantir o acesso universal à educação pré-escolar, primária e secundária até 2030.
Os números foram divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para assinalar o Dia Mundial do Professor, celebrado a 05 de Outubro.
“Cerca de 58% destas necessidades de recrutamento devem-se ao abandono da profissão por parte dos professores. As taxas globais anuais de rotatividade situam-se actualmente nos 7,2% no pré-escolar, 4,7% no ensino primário e 5,4% no ensino secundário”, avançou a agência da ONU em comunicado de imprensa, citando dados obtidos a partir de uma análise da situação educativa em 68 países.
Apenas 27% dos jovens em África e 30% na Europa ambicionam tornar-se professores, mas quando o ensino é a primeira opção de carreira, a probabilidade de abandono precoce diminui 40%.
Em 27 dos países analisados, os salários dos professores mantêm-se “abaixo dos de profissionais com qualificações comparáveis”, lamentou a UNESCO, referindo que a situação se verifica “em todos os níveis de ensino”.
A organização sublinhou ainda que a proporção global de alunos por professor no ensino primário é a mais elevada (aproximadamente 28 alunos por professor) e que, embora a média de horas de aulas seja de 19 horas por semana, a carga horária real ronda as 60 horas semanais devido a tarefas administrativas e de preparação não remuneradas.
Como resultado, 60% dos sindicatos de professores indicam que os docentes têm muita dificuldade em manter um equilíbrio saudável entre a vida profissional e a vida pessoal.
Este Dia Mundial dos Professores assinala o sexagésimo aniversário da Recomendação OIT/UNESCO de 1966 sobre a Situação dos Professores, um instrumento internacional histórico que define padrões sobre os direitos, responsabilidades e condições de trabalho dos professores.
Para assinalar o aniversário, a UNESCO reuniu educadores, decisores políticos e outras partes interessadas na sede da agência, em Paris, para debater a situação dos professores.
O encontro em Paris incluirá também a entrega do Prémio UNESCO-Hamdan para o Desenvolvimento de Professores, um prémio bienal de 300.000 dólares, dividido igualmente entre três organizações vencedoras.
O Presidente do Benim, Romuald Wadagni, foi recebido, esta segunda-feira, pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, em Paris, durante a sua primeira visita oficial à França desde que assumiu o cargo, em Maio.
As conversações entre os dois chefes de Estado centraram-se no reforço das relações bilaterais, com destaque para as áreas da segurança, energia, formação e cultura.
Durante o encontro, Emmanuel Macron afirmou que as relações entre França e Benim assentam numa parceria de igualdade, baseada na amizade, confiança e ambição.
A visita ocorre num período em que Paris procura reconstruir as suas relações com os países africanos, depois de reduzir a sua presença militar no continente, num contexto de crescente sentimento antifrancês em várias nações africanas.
A França mantém, contudo, programas de formação de pilotos militares e de forças especiais beninenses que participam no combate à insurgência no norte do país.
A cooperação militar entre Cotonou e Paris tem gerado tensão com alguns países vizinhos, que acusam o Benim de acolher tropas francesas no seu território.
Outro dos temas que marca as relações entre os dois países é a restituição do património cultural beninense levado para França durante o período colonial. Em 2024, vários artefactos foram devolvidos ao Benim, mas dezenas de peças continuam em instituições francesas, incluindo o Museu do Louvre e o Museu do Quai Branly, em Paris.