
O Presidente da República admite dificuldades no exercício da função do professor e prometeu reformas para a melhoria das condições de trabalho. Daniel Chapo recebeu hoje, saudação da Organização Nacional de Professores. A classe apela à união, independentemente das diferenças de opiniões.
O país celebrou nesta segunda-feira o Dia dos Professores. Por ocasião da data, a Organização Nacional dos Professores saudou o chefe de Estado, com a renovação do compromisso da classe com o desenvolvimento do capital humano.
Em representação à agremiação, o Secretário-geral da instituição, Teodoro Muidumbe, destacou a necessidade de valorização da classe, como responsável pela formação de quadros que promovem o desenvolvimento do país. Disse ainda que o mínimo que o Professor quer é a valorização do seu esforço e entrega diária.
“No dia-a-dia, o Professor desdobra-se para cumprir a sua missão, muitas das vezes enfrentando turmas sobrecarregadas, escassez de material didático e longas distâncias para chegar às escolas, demonstrando uma resiliência e vocação exemplares que transcendem o mero exercício de um emprego. Os principais desafios técnicos e humanos incluem a necessidade urgente de contínua superação pedagógica para responder às reformas curriculares, à melhoria das condições socioeconómicas e habitacionais, especialmente nas zonas rurais, e à garantia de um ambiente de trabalho seguro e motivador”, defendeu o gestor.
Com um histórico de crispações entre membros da mesma classe, o secretário-geral da ONP deixou um apelo.
“A pluralidade das visões deve convergir para o mesmo propósito comum, a dignificação do professor e a qualidade da educação pública sem espaço para fragmentação da classe. Rogamos que o Governo continue focado na responsabilização progressiva das carreiras profissionais, no pagamento das horas extras e na alocação de mais recursos para a formação contínua. Acreditamos que investir no Professor é o caminho mais seguro para combater a pobreza e assegurar o desenvolvimento sustentável”, completou o seu discurso, convidando a plateia a aplaudir, em pé, enquanto oferecia uma escultura simbolizando a união de esforços, para um só propósito: o desenvolvimento do país.
O Chefe de Estado, dirigindo-se a uma plateia composta por professores de todos níveis, gestores escolares, bem como governantes, além de valorizar o papel desta figura para a construção social, recordou e mostrou conhecer os desafios impostos à classe, ao mesmo tempo que destaca o seu esforço, em meio a dificuldades.
“Os professores ajudam a formar gerações capazes de escutar o próximo com calma e serenidade, compreender as diferenças e construir consensos, fortalecendo a unidade nacional, a reconciliação nacional e a paz em Moçambique. Do mesmo modo, a nossa ambição de alcançar a independência económica começa nas escolas. Precisamos de cidadãos qualificados, criativos, inovadores, capazes de produzir, investigar, empreender e transformar os nossos recursos em riqueza para todos. O professor é, por isso, um agente essencial da transformação econômica e social do nosso país”, declarou o Chefe de Estado.
A necessidade de valorização da classe ganhou destaque no discurso de Daniel Chapo.
“Reconhecemos igualmente os desafios que afectam a classe docente, incluindo a gestão das carreiras, o desenvolvimento profissional dos nossos Professores e o processamento das horas extraordinárias. Estas matérias exigem respostas responsáveis, transparentes e sustentáveis, assentes no diálogo e na procura de soluções conjuntas que temos feito com os nossos professores. Orientamos, por isso, o Ministério da Educação e Cultura a desenvolver mecanismos para reconhecer e valorizar os professores que se distinguem pelo seu mérito, dedicação, competência e responsabilidade”.
Neste ano, a ONP celebra 45 anos de criação, contando actualmente com cerca de 34 mil Professores Associados, contra um total de mais de 160 mil profissionais, só no sector público.
PROFESSORES DIVIDIDOS
Alguns professores dizem que não há motivos para celebrar o dia 12 de Outubro. O Secretário-geral do Conselho Fiscal da Associação Nacional dos Professores, Carlos Muhate, aponta o não pagamento das horas extras e dos subsídios de funeral, falta de material didático e superlotação das turmas como alguns dos desafios que entristecem a classe.
As declarações foram captadas depois que Professores saudaram o Presidente da República, por ocasião do 12 de Outubro, na Praça dos Herois, onde prestaram homenagem aos melhores filhos da pátria.
O ambiente era de festa, mas nem todos os Professores encontraram motivos para celebrar.
“Não há motivos para celebrar, não há motivos para festejar. Só estamos aqui para simbolizar o dia, mas não porque, de facto, estamos felizes com o que nós estamos a vivenciar”, declarou Carlos Muhate, secretário do Conselho Fiscal da ANAPRO.
As razões são antigas e vêm ao de cima, sempre que chega a efeméride.
“O professor está a descontar o valor da assistência médica e medicamentosa a subsídio funeral e não se beneficia. Nos hospitais não há medicamento, não há subsídio funeral para o Professor. Fora disso, o Professor está devendo horas extras desde 2022. Até hoje, não está sendo pago. O Professor também vive numa tristeza profunda por falta de progressão e promoção na carreira. Desde 2022, as promoções, progressões e mudanças de carreiras estão estagnadas. Hoje, pode ser contratado um novo funcionário licenciado, já está a receber como licenciado. Um Professor em exercício que terminou de estudar em 2022 ainda continua a receber como N3 até hoje. A falta de salas de aula, turmas numerosas, falta de livro, esses são os problemas que apoquentam a nossa profissão”.
A Organização Nacional dos Professores reconhece os desafios, mas justifica que, sobre horas extras, alguns Professores dificultam o processo.
“Nós temos conhecimento que as finanças pagam, o dinheiro sai da conta central para o professor, mas o Professor não partilha essa informação que já recebeu. Só quando não tiver o valor completo. Ele diz que pagaram horas reduzidas, não sei quanto, mas eles não partilham a informação ao nível do seu sindicato. Então, isso dificulta”, defende Teodoro Muidumbe, reiterando a necessidade de maior colaboração.
A ANAPRO acusa a gestão da ONP de aliar-se ao Governo, contra os Professores. Carlos Muhate chegou a chamar a ONP de mentirosa.
“O que está acontecendo com o secretariado da ONP é vir aqui falar em nome do Governo, proferir mentiras e inverdades. Isso não corresponde à verdade. Se quiserem, senhores jornalistas, a comunicação social toda, andem nas escolas, procurarem saber quem é o Professor que recebeu horas extras. Isso não corresponde à verdade. A ONP não é Governo. E a ONP é a organização dos Professores: nós queremos uma organização que, de facto, defende os professores. A ONP com o Governo, não há diferença. É farinha do mesmo saco. São todos mentirosos”.
A ministra da Educação e Cultura, por seu turno, confirma o pagamento de horas extras a alguns Professores, mas fala de um processo complexo.
“Temos casos em que adulteram as horas, até chegam a receber, depois descobrem que, afinal de contas, não fizeram as horas, têm que andar atrás do processo para voltarem os nossos Professores a fazer o pagamento, portanto, das horas que receberam de forma indevida. É complexo, nós temos que migrar para as tecnologias, efectivamente, temos que ter a componente digital, estamos todos a trabalhar no sentido de mobilizarmos mais recursos para termos a componente digital, porque isso vai permitir que qualquer, nem que seja a Samaria, que esteja numa escola secundária e que esteja a dar aulas, vai estar programado de forma que a Samaria, para além das 24 horas, faz, por exemplo, mais cinco horas, já diz que a Samaria fez exatamente 29 horas”.
REGULARIZAR A PROBLEMÁTICA DE LIVROS ESCOLARES
A ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela promete regularizar o problema dos livros.
“No ano passado, tivemos de fazer o ajustamento e a análise, a adequação de tudo que era pacote a nível do ensino primário. Trabalhamos nos programas de ensino para ajustar a nova lei. Estamos já falando dos programas do ensino secundário, portanto, desde a sétima à décima segunda classe. E, neste momento, estamos já trabalhando exactamente para fechar a questão dos materiais do ensino secundário. Portanto, a questão de não haver livro tem a ver exactamente com o ajustamento da lei. Porque tem que ocorrer para fechar os livros do ensino secundário. Fechamos o ensino primário, mas temos que fechar o ensino secundário. Não é possível ter livro sem ter feito o livro adequado em função da nova lei do Sistema Nacional de Educação. Nós estamos já a trabalhar para isso. Só temos que corrigir. Depois de corrigir, imprimir. Pode atrasar, sim. Mas estamos já a trabalhar exatamente para possamos ter livro”, garante Samaria Tovela.
O Papa Leão XIV afirmou esperar que o presidente norte-americano, Donald Trump, “procure uma saída” para a guerra no Médio Oriente, reiterando o seu apelo à paz a poucos dias da Páscoa.
“Disseram-me que o presidente Trump declarou recentemente que quer pôr fim à guerra, espero que ele procure uma saída”, afirmou o papa aos jornalistas no início da noite, à saída da residência papal de Castel Gandolfo, perto de Roma.
“Espero que ele procure uma forma de reduzir a violência e os bombardeamentos, o que contribuiria grandemente para apaziguar o ódio que se cria e não cessa de crescer no Médio Oriente e noutros locais”, acrescentou.
“Continuarei, sem dúvida, a apelar a todos os líderes mundiais para que regressem à mesa das negociações para dialogar e encontrar soluções para os problemas”, prosseguiu o papa.
Com a aproximação das festividades da Páscoa, “este deveria ser o momento mais santo e sagrado de todo o ano”, insistiu.
“É um tempo de paz, um tempo de recolhimento, mas, como todos sabemos, em muitos lugares do mundo, constatamos novamente tanto sofrimento, tantas mortes, até mesmo de crianças inocentes, lançamos incessantemente um apelo à paz, mas, infelizmente, muitos procuram promover o ódio, a violência e a guerra”, acrescentou Leão XIV, que se prepara para celebrar a Páscoa pela primeira vez como soberano pontífice no domingo.
O exército do Mali negou, nesta segunda-feira, que tivesse libertado cerca de 200 suspeitos de serem jihadistas em meados de Março para garantir o fim dos ataques a comboios de combustível que estão a paralisar a economia da Nação.
Fontes de segurança e políticas citadas pela imprensa internacional tinham inicialmente reportado a libertação de mais de 100 jihadistas, e posteriormente houve confirmação de que cerca de 200 tinham sido libertados.
Estas declarações, segundo o exército do Mali, têm como objectivo manchar a imagem do pais e minar a confiança entre o povo e as suas instituições, e particularmente entre o povo maliano e as suas forças de defesa e segurança.
Desde Setembro, jihadistas do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos, um grupo filiado da Al-Qaeda, têm atacado comboios de camiões-tanque.
Apesar de vários meses de calma, os habitantes de Bamako enfrentaram uma escassez de gasóleo no início de Março, com o combustível a ser prioritariamente destinado ao sector energético.
O académico moçambicano Elísio Macamo reagiu ao relatório do Banco Mundial que coloca Moçambique na segunda posição entre os países mais pobres do mundo, responsabilizando também a instituição internacional pelo fracasso na redução da pobreza no País.
Segundo Macamo, não faz sentido que, passados mais de quarenta anos de apoio financeiro e técnico do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, Moçambique continue a enfrentar elevados níveis de pobreza.
“Eu acho engraçado que o Banco Mundial não diga que há 40 anos está a ajudar-nos a ficarmos pobres. Há 40 anos que nós estamos com este programa de assistência do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. Então, o falhanço de Moçambique é também o falhanço do Banco Mundial. Se eu ajudo você há 40 anos a deixar de ser pobre e você continua pobre, a culpa não pode ser só sua, é também de quem está a ajudar”, afirmou Elísio Macamo, em declarações feitas na cidade de Nampula.
O académico criticou ainda a falta de transparência nas negociações entre o Governo moçambicano e as instituições financeiras internacionais, apontando que os processos muitas vezes ocorrem sem o escrutínio do parlamento ou consulta à sociedade civil.
“Há uma diferença muito grande entre o nosso governo negociar com o Fundo Monetário Internacional quando o Fundo Monetário Internacional sabe que o nosso Governo não fala com ninguém, não fala com o parlamento, não submete esses projectos de negociações, esses programas de negociações, não submete isso ao escrutínio do parlamento, pura e simplesmente vai conversar lá, em Washington, com essas instituições e ir lá sabendo que as pessoas disseram ‘olha, isso nós não queremos fazer’”, declarou.
Para Elísio Macamo, enquanto persistir o secretismo e a ausência de mecanismos de responsabilização, o País continuará a enfrentar dificuldades para encontrar soluções estruturais que reduzam a pobreza.
“O mais grave é que isso não tenha consequências imediatas na forma como a gente faz política em Moçambique, não tenha quem responsabilizar por isso, que não haja nenhuma possibilidade de alterar o tipo de política que nós estamos a fazer”, concluiu.
As chuvas que têm caído nos últimos dias na cidade de Chimoio estão a agravar o estado das estradas, criando crateras que dificultam a circulação de pessoas e o transporte de bens. Em vários pontos da cidade, a situação é considerada crítica, sobretudo para viaturas, e levanta preocupações quanto à segurança dos munícipes.
Em alguns troços da cidade de Chimoio as chuvas estão a agravar o estado das estradas, criando crateras que dificultam a circulação de pessoas e o transporte de bens. Os buracos condicionam seriamente a transitabilidade e representam risco não apenas para os automobilistas, mas também para os peões.
Há ainda relatos de danos que ameaçam infraestruturas, como postes de energia eléctrica, que podem desabar devido à erosão do solo.
Os bairros 16 de Junho, Josina Machel e Nhamaonha estão entre os mais afectados. Mesmo a estrada alcatroada que liga o centro urbano a estas zonas não resistiu à força das águas, apresentando sinais visíveis de degradação.
Os residentes mostram-se preocupados e pedem uma intervenção urgente por parte das autoridades municipais. “Há muitos buracos, a estrada está muito mal. Durante algum tempo, nem os carros vão conseguir passar por aqui”, lamentou o munícipe Hermenegildo Armando.
Perante a situação, o município de Chimoio garante que já tem em curso medidas para reabilitar as vias. O edil João Ferreira afirmou que está a ser preparado um trabalho conjunto com uma empresa chinesa, com vista à melhoria das estradas da cidade.
“Vamos trabalhar para ter mais estradas asfaltadas e também melhorar as de terra batida, com sistemas de drenagem adequados para garantir maior durabilidade”, explicou. Segundo o edil, a estrada de Nhamaonha será uma das prioridades, devendo ser parcialmente asfaltada e requalificada.
Apesar das garantias, o arranque das obras ainda depende da melhoria das condições climáticas. A edilidade apela à compreensão dos munícipes, sublinhando que as chuvas contínuas têm condicionado o avanço dos trabalhos.
Com o contrato já rubricado, as autoridades asseguram que as intervenções terão início nos próximos dias, com o objectivo de melhorar a mobilidade urbana e garantir maior segurança para os cidadãos.
O sector da Educação na província da Zambézia enfrenta um défice significativo de carteiras, necessitando de cerca de 650 milhões de meticais para a aquisição de aproximadamente 130 mil unidades, com o objectivo de melhorar as condições de aprendizagem de mais de dois milhões de alunos.
Apesar das dificuldades, nos últimos dois anos foram registados alguns avanços. Cerca de 11.700 alunos passaram a estudar em carteiras, após a aquisição de 2.925 unidades, num investimento superior a 16 milhões de meticais. No mesmo período, também foram construídas e requalificadas várias salas de aula convencionais.
O Director Provincial da Educação, Joaquim Casal, destacou os esforços em curso para reduzir o défice e melhorar as infraestruturas escolares. Segundo explicou, actualmente milhares de alunos deixaram de estudar em condições precárias graças às intervenções realizadas.
“Temos alunos que passaram de condições mais ou menos precárias para condições condignas”, afirmou Joaquim Casal.
Para o ano de 2026, o sector tem em plano a aquisição de mais de quatro mil carteiras, embora parte já tenha sido distribuída às escolas. Ainda assim, persiste um défice de cerca de 1.500 unidades, que as autoridades procuram colmatar.
Entretanto, o principal desafio continua a ser a limitação de recursos financeiros. Anualmente, são disponibilizados cerca de três milhões de meticais para a compra de carteiras, um valor considerado insuficiente face às necessidades.
Além disso, há vários anos que não se registam desembolsos efectivos do Orçamento do Estado para este fim, o que agrava a situação.
“Precisaríamos de 130 mil carteiras para garantir que todas as crianças estejam sentadas, mas os recursos são escassos”, explicou Joaquim Casal, sublinhando que a aquisição depende dos valores efectivamente disponibilizados.
Por sua vez, o governador da Zambézia, Pio Matos, apelou aos professores para reforçarem o compromisso com o ensino, destacando a importância da pontualidade e assiduidade nas escolas como factores essenciais para melhorar a qualidade da educação.
Actualmente, o défice de carteiras continua a ser um dos principais entraves no setor, condicionando o processo de ensino e aprendizagem e exigindo soluções urgentes para garantir melhores condições aos alunos da província.
A Universidade Rovuma abriu oficialmente o seu ano académico, em Nampula, com uma aula inaugural orientada pelo académico Elísio Macamo, que destacou a necessidade de repensar as soluções aplicadas aos problemas que afectam o país.
Durante a sua intervenção, subordinada ao tema do papel do conhecimento universitário em tempos de crise, o orador defendeu que Moçambique enfrenta dificuldades persistentes devido à repetição de abordagens que não produzem resultados eficazes.
Para sustentar a sua posição, apresentou exemplos concretos em diferentes áreas de formação.
“Pensemos, por exemplo, na arquitetura. Nós formamos arquitetos nas nossas universidades, mas continuamos muitas vezes a construir casas que acumulam calor e se tornam extremamente desconfortáveis durante grande parte do ano. Nós formamos médicos altamente qualificados, mas continuamos a ter dificuldades para encontrar soluções eficazes para alguns dos problemas de saúde pública. Formamos agrónomos, mas o País continua a lutar com desafios estruturais na produção e no acesso ao alimento”, afirmou.
Segundo Elísio Macamo, o principal desafio não está necessariamente na falta de conhecimento técnico, mas sim na sua aplicação prática. “O nosso problema, nesses casos, não é necessariamente a falta de conhecimento técnico. O problema pode residir na dificuldade de traduzir esse conhecimento em soluções adequadas às condições específicas em que nós vivemos”, explicou.
O académico defendeu ainda que o País vive uma crise em vários sectores, resultante da insistência em aplicar soluções inadequadas. Como exemplo, referiu programas de desenvolvimento que, na sua perspectiva, não abordam as causas estruturais dos problemas.
“A ideia de que o problema da alimentação em Moçambique era, sobretudo, um problema de cadeias de valor orientou vários investimentos. Mas, na minha crítica, eu disse que o problema era o desemprego rural, um problema que já tinha sido constatado logo depois da independência nacional”, destacou.
Na mesma ocasião, Macamo criticou a eficácia das estratégias de fiscalização rodoviária, considerando que as medidas actuais não têm produzido resultados visíveis na redução de acidentes.
“A polícia de trânsito trabalha, mas sem impacto. Gente com imaginação iria mudar alguma coisa. Ou, pelo menos, havia de se perguntar se vale a pena continuar a controlar velocidade e documentos nesses postos físicos, se isso não tem nenhum impacto nos níveis de sinistralidade”, afirmou.
A cerimónia contou com a presença de estudantes, docentes e diversas individualidades, marcando o início de mais um ano académico na instituição, num contexto de reflexão sobre o papel da universidade na busca de soluções inovadoras para os desafios do País.
Quatro famílias vivem de favor de vizinhos e pessoas de boa fé, depois de perderem suas casas e bens, num incêndio registado na madrugada de domingo último, no bairro Chamanculo C, na cidade de Maputo. As famílias pedem intervenção das autoridades municipais.
A madrugada de domingo último foi fatal para quatro famílias, que viram seus lares serem reduzidos a nada pela fúria do fogo, no bairro Chamanculo C, cidade de Maputo.
Alfredo Pedro é uma das vítimas do incêndio. Perdeu tudo, como conta.
“O que escapou são as pessoas, mas de bens, negativo. Nada escapou. Estamos de luto, conforme pode ver. Assim, estamos à espera do Governo”, desabafou.
Três dias depois da tragédia, as famílias continuam a viver praticamente ao relento, dependendo da boa vontade dos vizinhos, até para passar refeições.
“Roupa de vestir, os vizinhos é que nos dão. Os vizinhos oferecem matas, lenços, capulanas, blusas, etc. Para dormir, pedimos favor aos vizinhos, mas não é certo, entrar em casa de uma pessoa com a sua família, quando ela também tem família, dormir no mesmo sítio, custa muito”, desabafou.
Sem tempo para tirar nada das casas, as crianças já começam a se ressentir do drama.
“A minha filha, de 15 anos, estuda na Escola Secundária Armando Guebuza, na 10a classe. Chama-se Lura Moisés Bangane. Perdi tudo, não consegui tirar nem documentos, nem cadernos escolares. Hoje ela não foi à escola, mas foi alguém para justificar a sua ausência, por falta de cadernos e uniforme”, disse Lina Chilaule, uma das vítimas.
O futuro para estas famílias é , agora, incerto.
O incêndio foi provocado por um curto circuito e os bombeiros confirmam o facto, apesar de não terem estado lá, durante o sinistro e há uma razão para isso. Eles chegaram depois de debelado o fogo, por isso foram escorraçados.
O porta-voz do SENSAP aponta os acessos às residências e a comunicação tardia como uma das causas de alguns atrasos ou ausências dos bombeiros.
“Não há nenhum sistema de GPS que permita uma monitoria constante na cidade de Maputo para ver o que vai acontecer em qualquer situação de incêndio, então tem que haver uma comunicação, tem que haver uma informação que vai chegar ao SENSAP”.
Por isso apela a população a colaborar mais.
Este não é o primeiro caso de incêndio que destroi residências no bairro Chamanculo. O primeiro caso, e mais mediático, aconteceu em 2021, cujo saldo foi de 22 casas completamente consumidas pelo fogo no bairro de Chamanculo D. E a má ligação da corrente elétrica sempre esteve por detrás das principais causas dos incêndios.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, garantiu, esta segunda-feira, numa extensa entrevista concedida à estação televisiva mexicana Univision, que o Irão irá mesmo participar no Campeonato do Mundo, apesar da guerra com os Estados Unidos da América, um dos organizadores da prova, juntamente com o Canadá e o México.
“Isso é fundamental, e temos, todos juntos, de defendê-lo. Vivemos num contexto geopolítico muito complexo. Nós não temos a possibilidade de resolver problemas e conflitos geopolíticos, mas temos, sim, a possibilidade de unir, de criar oportunidades para unir o mundo, fisicamente”, começou por afirmar o líder do organismo que rege o futebol internacional.
“São 48 países, com milhões de adeptos, que virão ao México, ao Canadá e aos Estados Unidos da América, e virão com um espírito de paz, um espírito de celebração, porque querem estar juntos e querem celebrar. Temos de defender… Sim, no mundo, há divisões. O nosso objetivo, a nossa tarefa, a nossa visão e o nosso trabalho é a união, construir pontes para todos”, acrescentou.
Gianni Infantino assumiu, ainda assim, que a tarefa não é fácil: “É claro que vivemos no mundo real, e sabemos qual é a situação, que é muito complicada, mas trabalhamos e vamos fazer com que o Irão jogue este Mundial nas melhores condições. Uma seleção nacional, seja ela a do Irão ou qualquer outra, é a seleção do povo, de todo o povo”.
“Do povo que está com o governo, do povo que está contra o governo, em qualquer país, seja da oposição ou dos que estão no poder. É igual, é o povo, e o Irão representa o seu povo, viva ele no Irão ou fora do Irão. Qualificaram-se desportivamente para este Mundial, foi uma seleção que se qualificou muito cedo”, sublinhou.
“É um país de futebol. Queremos que jogue, e vai jogar o Mundial. Não há planos B, C ou D. É o plano A. Vamos unir, juntos, em harmonia e felicidade. É isso que temos de fazer, e vamos fazer”, completou o ítalo-suíço, que ocupa este cargo já desde 2016, aquando da polémica exoneração de Joseph Blatter.
“O Irão não tem condições para participar no Mundial”
Esta tomada de posição por parte de Gianni Infantino surge menos de um mês depois de o próprio ministro do Desporto do Irão, Ahmad Donyamali, ter aberto caminho à desistência do Campeonato do Mundo, face ao escalar da tensão bélica que se tem vindo a viver, ao longo de todo o Médio Oriente.
“Uma vez que este governo corrupto assassinou o nosso líder [o aiatola Ali Khamenei], não temos condições para participar no Mundial”, afirmou, em declarações reproduzidas pela agência noticiosa alemã Deutsche Presse-Agentur (DPA), referindo-se ao executivo norte-americano, liderado por Donald Trump.
“Na sequência das medidas maliciosas tomadas contra o Irão, duas guerras recaíram sobre nós, no espaço de oito ou nove meses, e vários milhares de pessoas foram assassinadas. Nesse sentido, não temos, definitivamente, possibilidade de participar desta forma”, acrescentou.
O Irão, recorde-se, está inserido no Grupo G do Mundial, juntamente com Nova Zelândia, Bélgica e Egito, e irá disputar todos os jogos desta fase inicial nos EUA, ainda que o México já se tenha disponibilizado para os receber, de maneira a contornar qualquer tipo de conflito entre ambos os países.
A selecção nacional de futebol da categoria de sub-17, Mambinhas, prepara-se para participar no Campeonato Africano das Nações que está previsto para os finais de Abril e início de Maio no Reino de Marrocos. Os Mambinhas sub-17 sonham com a primeira qualificação ao Mundial da categoria depois do aumento do número de selecções a disputar a prova intercontinental de três para dez vagas para África.
Há sensivelmente um mês que a selecção nacional de futebol de sub-17 prepara a sua participação na edição deste ano do Campeonato Africano das Nações da categoria, a ter lugar em Marrocos.
São 32 jogadores que trabalham às ordens do técnico português Luís Guerreiro, que buscam um lugar na convocatória final para a prova a ter lugar no final deste mês de Abril e início de Maio, em Marrocos.
A participação de Moçambique no CAN da categoria foi conquistada após o terceiro lugar alcançado no torneio regional do COSAFA, ano passado, abrindo a possibilidade de sonhar com a primeira presença de sempre no Campeonato do Mundo do Qatar.
É que desde o ano passado que o continente africano tem direito a dez vagas para o Mundial sub-17, em detrimento das três que tinha nas edições anteriores, após aumento do número de selecções que vão disputar a prova.
O sorteio da fase de grupos será realizado após a conclusão da etapa de qualificação na zona norte do continente africano.
Os dois primeiros classificados dos quatro grupos da fase final do CAN sub-17, garantem automaticamente a vaga na fase final do Mundial. Os três colocados da fase de grupos defrontam-se em play-offs para ocupar as últimas duas vagas.
Para já, a lista dos pré-convocados apresenta como principal novidade a integração de sete atletas que actuam no estrangeiro, com destaque para Espanha, de onde vêm Tiago Francis (Deportivo Mosquito) e Eros Monteiro (Alcocom). De Portugal chegaram Muhammed Omar (Vitória de Setúbal) e Ricky Santos (Famalicão), completando o grupo dos “estrangeiros” António Nhampule (SG Eintracht, Alemanha), Khensani Machel (Curitiba, Brasil) e Kevin Vilanculos (Allashornetts, Estados Unidos da América).
Os clubes internos contribuem com mais atletas, sendo a Black Bulls a que mais manda jogadores, num total de dez atletas, nomeadamente Allan Perreira, Diego Pelembe, Chausson Nhabanga, Ricardo José, Nelton Picardo, Demi Pascoal, Pires Vieira, Jaydane Namali, Joel Catamo e Carlos Júnior.
O Costa do Sol contribui com cinco jogadores, nomeadamente João Jofrisse, Kristoph Machava, Shelton Sitoe, Joaquim Mubai e Valentim Pecane, sendo que da Academia de Dondo foram chamados Marcos Lázaro e João Pega, enquanto o Ferroviário de Quelimane contribui com Inácio Luís e Joel Francisco. Integram igualmente a lista Rodolfo Sérgio e Hanifo Madeira, do Ferroviário de Maputo, bem como Sekou Kante (Académica de Maputo), Cloude Bangue (Ferroviário da Beira), Euclésio Nhampossa (Atlético de Moçambique) e Steys José (Ferroviário de Nampula).
Nos próximos dias a lista será reduzida aos 25 jogadores que Luís Guerreiro levará para Marrocos, onde vai lutar pela honra e glória de chegar ao Mundial pela primeira vez.
Recorde-se que sob o comando de Luís Guerreiro, os Mambinhas de sub-17 conquistaram o torneio lusófono de Cascais, em Portugal, e terminaram em terceiro lugar no torneio regional do COSAFA.