Foram concluídos, recentemente, novos trabalhos de manutenção mecanizada pesada no Caminho de Ferro do Corredor de Nacala, garantindo a circulação segura e sem interrupções dos comboios numa das principais artérias de transporte de carga do norte do país.
A linha, com 912 quilómetros, liga a região carbonífera de Moatize, na província de Tete, ao porto de águas profundas de Nacala, atravessando o Malawi, e transporta cerca de 18 milhões de toneladas de carga por ano. Inaugurada em 2016, tem 650 quilómetros construídos e mantidos pela CR20.
Dado o tráfego intenso, a via não pode ser encerrada por longos períodos. Os trabalhos — compactação da via, correcção do alinhamento e reposição de balastro — decorrem em janelas de interdições programadas, com máquinas de grande porte e sob acompanhamento do dono da obra e da fiscalização. Antes de cada reabertura é feita uma verificação conjunta do estado da linha.
Segundo a empresa, as anomalias diminuíram significativamente, tendo sido eliminadas as restrições de velocidade e as paragens temporárias causadas por problemas de infra-estruturas, contribuindo para a estabilidade do corredor e para a economia nacional.
A manutenção mecanizada pesada realizada pela CR20 incluiu a compactação da via, a correcção do alinhamento e a reposição de balastro, assegurando melhores condições de segurança e eficiência no transporte ferroviário de carga.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi retirado de emergência do Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, na noite deste sábado, após disparos de arma de fogo nas proximidades do evento, em Washington.
Segundo informações preliminares, os tiros foram registados junto à zona de segurança do hotel onde decorria a cerimónia, provocando momentos de pânico entre jornalistas, convidados e altas figuras do Estado.
Testemunhas relatam que centenas de pessoas se abrigaram debaixo das mesas, enquanto agentes do Serviço Secreto evacuavam rapidamente o presidente e outros dirigentes.
As autoridades confirmam que um suspeito armado foi detido. Há indicação de que o indivíduo tentou violar o perímetro de segurança e efetuou disparos, tendo sido neutralizado pelas forças de segurança.
Donald Trump e a primeira-dama não sofreram ferimentos e já se encontram em segurança. Um agente do Serviço Secreto terá sido atingido, mas protegido pelo colete balístico.
O incidente interrompeu abruptamente o evento, considerado um dos mais importantes encontros entre o poder político e a imprensa nos Estados Unidos, e levanta novas preocupações sobre a segurança em eventos de alto nível.
As autoridades policiais norte-americanas detiveram imediatamente o autor do tiroteio ocorrido no Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, no Hotel Hilton, em Washington, D.C., onde estavam presentes Donald e Melania Trump.
O presidente dos Estados Unidos publicou mesmo uma fotografia do alegado autor do incidente na sua conta pessoal da rede social Truth.
Imediatamente após o incidente, o presidente dos EUA deu uma conferência de imprensa na qual elogiou os membros da sua equipa de segurança pela sua resposta imediata, embora tenha sublinhado que não havia informações que indicassem o que estava prestes a acontecer.
Imediatamente após o incidente, o presidente dos EUA deu uma conferência de imprensa na qual elogiou os membros da sua equipa de segurança pela sua resposta imediata, embora tenha sublinhado que não havia informações que indicassem o que estava prestes a acontecer.
O presidente dos Estados Unidos, quando questionado sobre a razão pela qual estava a ser alvo de um possível assassinato, respondeu que poderia ser por ser “muito influente” e comparou-se a Abraham Lincoln.
“Estudei os assassinatos e tenho de vos dizer que as pessoas mais influentes, as que têm mais influência… olhem para as pessoas… Abraham Lincoln. Quero dizer, se olharmos para as pessoas que passaram por algo assim, veremos onde as encontram. As que têm o maior impacto, as que deixam a maior pegada, são as que são visadas”, disse Donald Trump.
Abraham Lincoln foi o primeiro presidente dos EUA a ser assassinado, em 1865, com um tiro na cabeça.
“Foi uma experiência traumática para Melania”, disse Trump, afirmando que inicialmente não queria que eles saíssem da sala, mas foi-lhe dito que o protocolo tinha de ser seguido.
“Não vamos deixar que ninguém se apodere da nossa sociedade”, salientou Donald Trump.
“Foi um barulho muito alto, vindo de longe. Ainda não tinha chegado à nossa zona. Eles ouviram-no e apanharam-no, mas estava muito longe. Mas era uma arma. E algumas pessoas perceberam-no muito rapidamente. Outras não. Eu estava a ver o que se passava. Se calhar devia ter descido ainda mais depressa. A Melania estava plenamente consciente, penso eu, do que estava a acontecer. Acho que ela entendeu imediatamente o que estava a acontecer. Ela disse: ‘É um barulho mau.’ Fomos rapidamente retirados juntamente com outras pessoas”, disse Donald Trump ao descrever o incidente.
Autor do crime foi detido
Segundo as primeiras investigações, o autor do incidente estava armado com uma pistola, uma caçadeira e facas, de acordo com as autoridades policiais.
De acordo com Janine Piro, procuradora-geral de Washington, o autor do ataque “queria claramente magoar o maior número possível de pessoas e causar o maior número possível de danos”
O tiroteio teve lugar no átrio, fora da sala onde se realizou o evento.
Não é a primeira vez que este hotel é palco de um atentado contra um presidente norte-americano. O Hotel Hilton em Washington DC ficou marcado pela tentativa de assassinato do então Presidente dos EUA Ronald Reagan, a 30 de Março de 1981, por John Hinckley Jr.
O atirador conseguiu disparar seis vezes contra o ocupante da Casa Branca numa questão de segundos. Uma das balas atingiu Reagan no peito e outras feriram gravemente o assessor de imprensa, um polícia e um agente do Secret Service.
Os seguranças de Reagan salvaram-lhe a vida ao colocá-lo imediatamente na limusina presidencial. Foi levado para o Hospital George Washington, onde foi imediatamente submetido a uma cirurgia.
O autor do crime foi preso, declaradamente obcecado com a atriz Jodie Foster, cuja atenção quis chamar, mas foi posteriormente absolvido por insanidade e colocado num hospital psiquiátrico.
O Centro de Formação Profissional de Namanhumbir, financiado pela Montepuez Ruby Mining e operado pelo IFPELAC, reabriu na última sexta-feira, 24 de Abril, marcando uma nova fase na capacitação técnica de jovens no distrito de Montepuez, província de Cabo Delgado.
A infra-estrutura havia sido encerrada temporariamente na sequência de actos de vandalização registados em Dezembro de 2024, regressando agora com uma abordagem renovada e foco na empregabilidade e no auto-emprego juvenil.
No âmbito da reabertura, a Montepuez Ruby Mining envolveu a organização Field Ready Mozambique para apoiar a avaliação das necessidades do mercado de trabalho e a introdução de cursos mais alinhados com a realidade local.
Após um estudo preliminar, está prevista uma análise mais aprofundada que poderá resultar na criação de novos programas de formação técnica, ajustados às exigências do sector produtivo.
Entre as principais novidades destaca-se a introdução do curso de informática, apoiado por um novo laboratório equipado com 21 computadores. Esta é a primeira fase de reestruturação curricular do centro, que já oferece formações em electricidade, construção civil, serralharia, canalização, pintura e operação de maquinaria pesada.
Segundo a gestão do centro, a inclusão das tecnologias de informação pretende reforçar competências digitais e melhorar as oportunidades de inserção profissional dos jovens.
Em representação dos formandos, Muemede Chabane agradeceu a iniciativa, destacando a importância da formação tecnológica. “As tecnologias de informação são uma porta de entrada para o futuro e estamos comprometidos em aproveitar esta oportunidade”, afirmou.
Por sua vez, o Secretário Permanente do Distrito de Montepuez, Abudo Carlos, apelou à preservação das infra-estruturas. “Não deixem que este centro seja novamente destruído, pois isso atrasará o vosso futuro”, alertou.
O laboratório de informática irá também beneficiar alunos da Escola Secundária de Wikhupuri, abrangendo estudantes de várias comunidades do Posto Administrativo de Namanhumbir, reforçando o acesso à tecnologia e à qualidade do ensino.
Inaugurado em 2019 no âmbito das iniciativas de responsabilidade social da Montepuez Ruby Mining, o centro já formou 852 jovens em diferentes áreas técnicas e continua a desempenhar um papel central na promoção da empregabilidade, inclusão económica e desenvolvimento sustentável em Cabo Delgado.
Pescadores de ostras em Inhambane enfrentam dificuldades para escoar a produção, numa altura em que a falta de mercado tem provocado perdas e reduzido o rendimento das famílias. Para inverter o cenário, surgem iniciativas que promovem feiras de ligação directa entre pescadores e compradores, numa tentativa de fortalecer a cadeia de valor e dar novo fôlego ao sector.
Pescadores de ostras na província de Inhambane estão a enfrentar dificuldades no escoamento da produção, devido à falta de mercado, situação que tem provocado perdas e redução dos rendimentos das famílias dependentes desta actividade.
As ostras, muito apreciadas na gastronomia moçambicana, representam uma importante fonte de rendimento para comunidades costeiras. No entanto, a pressão crescente sobre os recursos marinhos tem reduzido a sua abundância, afectando directamente a actividade pesqueira artesanal.
“Antigamente tirávamos mapalo… quando é pequeno nós fazemos veda, deixamos crescer e só depois fazemos a abertura quando já está grande”, explicou a pescadora Luísa Arone, destacando práticas locais de conservação.
Com a diminuição das capturas, os pescadores enfrentam também dificuldades na comercialização do produto. Muitos relatam longas deslocações em busca de compradores, sem sucesso garantido.
“Sofríamos com as nossas ostras… levávamos até Macunhe, Vilankulo e outros lugares, mas não conseguíamos ninguém para comprar”, afirmou o pescador Félix Manuel, acrescentando que a situação tem melhorado com novas oportunidades de venda directa.
Este fim-de-semana, foi realizada uma iniciativa que juntou pescadores, compradores e consumidores num único espaço, promovendo o contacto directo e a criação de novas oportunidades de negócio.
A acção enquadra-se num projecto da WWF Moçambique, que pretende dinamizar feiras regulares para fortalecer a cadeia de valor da ostra e reduzir perdas associadas à falta de mercado.
Segundo o representante da organização, Calisto Vilanculos, o objectivo é aproximar os diferentes intervenientes da cadeia produtiva e garantir melhores condições de comercialização.
“A pretensão é fazer a ligação, para que os comerciantes, neste caso, possam ter a oportunidade de interagir também com diversos intervenientes que podem ter interesse na ostra, não só. Sabemos que as comunidades enfrentam algumas dificuldades, por causa das acessibilidades locais onde estão estes recursos, e muitas das vezes elas não conseguem colocar os seus produtos em pontos estratégicos, por causa dessas limitações, dessas áreas. Então, tendo estes produtos numa única área e também tendo vários comerciantes e vários produtores, neste caso, vários comerciantes e vários compradores, é possível ter maior competitividade do processo e vendermos o produto a melhor preço e as comunidades saírem a ganhar e, consequentemente, a resolver os problemas básicos que elas enfrentam dentro das suas famílias”, explicou.
Para além da componente comercial, as comunidades piscatórias estão também a receber formação em técnicas de pesca sustentável e em actividades alternativas de geração de rendimento, com o objectivo de reduzir a pressão sobre os recursos marinhos e garantir a sustentabilidade do sector.
Grupos de defesa do clima alertam que o adiamento do encerramento de usinas termelétricas a carvão na África do Sul pode levar à morte de até 32 mil pessoas entre 2026 e 2050. A zona industrial mais poluente do país dista a 300 quilómetros de Maputo.
Cerca de 80% da energia da África do Sul é fornecida pelas usinas termelétricas a carvão, uma das fontes energéticas que mais poluem o ambiente. Devido a esta e outras situações, a África do Sul ocupa a 11ª posição em emissões de gases de efeito estufa no mundo.
Embora o país esteja no caminho do cumprimento do Acordo de Paris, para limitar o aquecimento global, no ano passado o governo aprovou a prorrogação do prazo de operação de 14 usinas termelétricas a carvão, duas delas até 2050, contra o prazo inicial de 2030.
Entretanto, um relatório de organizações ambientais baseadas na terra do Rand, aponta que o atraso no encerramento das usinas, baseadas em Mpumalanga província fronteiriça com Moçambique, poderá levar a milhares de mortes e provocar 41 mil partos prematuros.
Boa parte das usinas de carvão estão no Mpumalanga, incluindo 12 centrais de energia eléctrica a carvão da estatal Eskom. A província que até 2024 concentrava cerca de 800.000 moçambicanos, tem um dos ares mais poluídos pela concentração de dióxido de nitrogénio.
A presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, prometeu uma reforma constitucional em resposta à violência pós-eleitoral do ano passado, que deixou centenas de mortos.
A promessa da presidente da Tanzânia surgiu após o anúncio das conclusões, nesta quinta-feira, da comissão governamental criada para investigar o derramamento de sangue naquele país da África Oriental depois da violência pós-eleitoral.
Segundo as conclusões, 518 pessoas foram mortas e pelo menos 2 mil ficaram feridas, dados que, para Hassan, vão orientar emendas constitucionais, incluindo a criação de uma comissão de reconciliação.
Além disso, a presidente também anunciou a criação de um órgão de investigação criminal para revisar a agitação pós-eleitoral.
O presidente também anunciou a formação de um órgão de investigação criminal para analisar os distúrbios ocorridos após as eleições.
“O que aconteceu em Outubro de 2025 não interrompeu nem diminuiu os problemas que enfrentamos como país. O caos se instaurou, mas o caos e a violência não resolveram nossos problemas. Pelo contrário, agravaram-nos”, disse Hassan, citada por African News.
Ela afirmou que o órgão irá identificar aqueles que planejaram, financiaram e estiveram envolvidos em actos criminosos como saques e danos à infra-estrutura.
Hassan afirmou que a investigação também abrangerá casos de corpos desaparecidos e alegações de sequestros.
Refira-se a Tanzânia foi palco de violência pós-eleitoral em 29 de Outubro, após jovens saírem às ruas acusando o Governo de silenciar a oposição, enquanto o líder do principal partido de oposição permanecia preso por traição e o candidato presidencial do segundo maior partido de oposição estava impedido de concorrer.
O Parlamento aprovou hoje, por consenso, duas propostas de lei que regulam a governação descentralizada provincial. Trata-se de uma revisão que vai permitir ao Estado poupar mais de 1,2 mil milhões de meticais por ano, e que, entre outros, extingue o Conselho dos Serviços de Representação do Estado.
A revisão das leis que regulam a governação descentralizada no país já era bastante esperada, depois de serem notadas inconsistências, disfunções e redundâncias institucionais que fragilizam a eficiência do Estado.
Há duas semanas, o Presidente da República, Daniel Chapo, solicitou à Assembleia da República a apreciação, com carácter de urgência, das propostas de lei de revisão dos instrumentos.
A extinção do Conselho de Serviços de Representação de Estado, uma estrutura colegial que inclui vários serviços, é uma das medidas resultantes da adopção dos instrumentos, segundo explicou o ministro da Administração Estatal e Função Pública.
Falando aos deputados, durante a apreciação dos instrumentos, Impissa explicou que a revisão da lei 4/2019 ajusta as funções do governador da província.
Depois da apreciação, as duas propostas de lei foram aprovadas por consenso.
Para os deputados, a revisão vai trazer ganhos ao Estado.
Mesmo a favor, o Podemos e o MDM dizem que a expectativa era de que fosse eliminada a figura do secretário de Estado, cuja existência é determinada pela Constituição da República.
A revisão das propostas de lei vai também permitir poupar recursos do Estado, na ordem de 1,2 mil milhões de meticais por ano.
A Presidente da Assembleia da República, Margarida Adamugi Talapa, recebe na próxima Segunda-feira, na sede do Parlamento moçambicano, em Maputo, o Presidente da Assembleia Nacional de Angola, Adão Francisco Correia de Almeida, no âmbito da visita oficial, que efetuará a Moçambique.
A visita insere-se no quadro do reforço das relações de amizade, solidariedade e cooperação entre os Parlamentos e os povos dos dois países.
A chegada do Presidente da Assembleia Nacional de Angola está prevista para o dia 26 de Abril, ao Aeroporto Internacional de Maputo, onde será recebido pelo Primeiro Vice-Presidente da Assembleia da República, Hélder Ernesto Injojo.
O programa da visita inclui, ainda, um encontro e conversações oficiais entre os Presidentes dos dois Parlamentos; a assinatura de um Programa de Cooperação entre os dois Parlamentos; declarações conjuntas à imprensa; e o discurso do Presidente da Assembleia Nacional de Angola no Plenário da Assembleia da República.
A Comissão Europeia promete agir em caso de agressão a um Estado-membro, afirmou esta sexta-feira o Presidente de Chipre aos jornalistas. A medida foi tomada durante a cimeira informal de chefes de Estado e de Governo que decorre em Nicósia, Capital do Chipre.
Em declarações esta sexta-feira aos jornalistas à chegada no segundo dia da cimeira informal de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, em Nicósia, o presidente do Chipre foi questionado sobre o que é que os líderes acordaram quanto ao artigo 42.7 dos tratados, que consagra o princípio de defesa mútua em caso de agressão a um Estado-membro, e que discutiram esta quinta-feira à noite.
“O que concordamos ontem à noite é que a Comissão vai preparar um plano sobre como responderemos caso um Estado-membro ative o artigo 42.7. Há várias questões para as quais precisamos de ter uma resposta”, afirmou.
O presidente de Chipre disse ainda que, por exemplo, se França decidir activar o artigo 42.7, é preciso perceber qual é que vai ser o primeiro Estado-membro a responder e que meios é que poderão ser mobilizados.
O artigo 42.7, que consagra o princípio de defesa coletiva em caso de agressão a um Estado-membro, só foi ativado uma vez na história da Uniao Europeia: pela França, em 2016, após os atentados terroristas em Paris.
O Governo da Alemanha anunciou, recentemente, a disponibilização de mais de três mil milhões de meticais para o desenvolvimento do agro-negócio em Moçambique, numa iniciativa que reforça o papel do financiamento externo na dinamização de sectores produtivos considerados estratégicos para a economia nacional.
O apoio será canalizado através do programa “Fundo Inovativo para Agro-Negócios”, um mecanismo financeiro que, segundo informação oficial, será operacionalizado pela Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze em coordenação com o Banco de Moçambique. O modelo adoptado assenta na concessão de crédito com juros bonificados, uma solução concebida para reduzir o custo do financiamento e ampliar o acesso ao capital por parte de produtores e empresas agrícolas.
A criação desta linha de crédito surge num contexto em que o acesso ao financiamento continua a ser um dos principais entraves ao crescimento do sector agrícola. A limitação de capital tem condicionado a expansão da produção, a modernização tecnológica e o desenvolvimento de cadeias de valor, particularmente entre pequenos e médios produtores, que enfrentam maiores dificuldades de inserção no sistema financeiro formal.
De acordo com o documento que sustenta a iniciativa, a bonificação das taxas de juro representa um incentivo directo à participação de operadores de diferentes dimensões, criando condições para maior inclusão financeira no sector. A expectativa é que a redução do custo do crédito estimule investimentos em mecanização, aumento da produtividade e transformação agro-industrial, contribuindo para uma agricultura mais competitiva.
O anúncio do financiamento ocorre num momento particularmente sensível para o sector agrícola moçambicano, que continua exposto a vulnerabilidades estruturais agravadas por choques climáticos. Segundo o mesmo documento, as cheias registadas na época chuvosa 2025–2026 provocaram perdas significativas de áreas cultivadas e afectaram milhares de produtores, pressionando a segurança alimentar e reduzindo os rendimentos das famílias rurais.
Neste cenário, o reforço do financiamento assume, também, uma dimensão social, ao apoiar a recuperação da capacidade produtiva e promover maior resiliência nas comunidades afectadas. A intervenção insere-se numa estratégia mais ampla de adaptação às mudanças climáticas, com enfoque na sustentabilidade e na estabilidade dos sistemas agrícolas.
O novo pacote financeiro enquadra-se numa trajectória crescente de cooperação económica entre Moçambique e a Alemanha, particularmente no domínio do agro-negócio. Em 2025, os dois países já haviam anunciado um financiamento conjunto avaliado em cerca de 45,5 milhões de euros, igualmente direccionado para o apoio a empresas agrícolas e cadeias de valor no Vale do Zambeze.
Este padrão de intervenção revela uma aposta estratégica no desenvolvimento rural, com foco na inclusão económica, aumento da produtividade e integração de pequenos produtores nos mercados. O agro-negócio surge, neste contexto, como um dos principais vectores de diversificação económica, numa altura em que o País procura reduzir a dependência dos grandes projectos extractivos.
A expansão da produção agrícola, associada ao fortalecimento das cadeias de valor e à criação de emprego nas zonas rurais, é vista como essencial para promover um crescimento mais inclusivo e equilibrado. Paralelamente, o financiamento internacional tem vindo a privilegiar sectores resilientes ao clima, com destaque para a agricultura sustentável.
O documento sublinha que “a eficácia do financiamento estará directamente ligada à capacidade do País em garantir que os recursos sejam canalizados de forma eficiente e convertidos em ganhos produtivos sustentáveis”, colocando o foco na execução como elemento determinante para o sucesso da iniciativa.
Paralelamente ao reforço do financiamento, Moçambique e a Alemanha continuam a aprofundar a cooperação empresarial. O Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME) assinou, recentemente, uma carta de intenções com a Associação Alemã de Pequenas e Médias Empresas, com o objectivo de fomentar parcerias comerciais e reforçar a capacidade empresarial das PME nacionais.
Segundo comunicado oficial, “o acordo visa igualmente promover a inovação, digitalização, internacionalização, promoção de missões empresariais e a integração de Pequenas e Médias Empresas em cadeias de valor internacionais”, apontando para uma abordagem mais ampla de desenvolvimento económico.
A assinatura teve lugar em Berlim, durante a Conferência de Investimentos realizada a 14 e 15 de Abril, que contou com a participação do ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael. Na ocasião, o governante destacou a visão estratégica do País em relação ao investimento externo: “Moçambique não busca capital passageiro, mas de parceiros estratégicos”, acrescentando que o País pretende investimentos orientados para “a economia real, criação de empregos, transferência de tecnologia e cooperação orientada para resultados concretos”.
Rafael apontou oportunidades em sectores como infra-estruturas, energia, agro-indústria, logística, água, saneamento e digitalização, sublinhando o potencial do País como destino de investimento. O governante referiu ainda que a participação no encontro serviu para “apresentar oportunidades de investimento, fortalecer contactos com parceiros institucionais e empresariais e consolidar entendimentos com potencial de cooperação”.
Em Outubro passado, os dois países assinalaram 40 anos de cooperação formal, período durante o qual foram implementados projectos avaliados em cerca de 1,8 mil milhões de euros.
As relações entre Moçambique e a Alemanha têm-se intensificado nos últimos anos, abrangendo áreas como boa governação, educação, energias renováveis e formação profissional.