Trabalhadores de uma fábrica de fundição de ferro, de capitais chineses, localizada na cidade da Beira, denunciam alegados maus tratos e agressões físicas no interior da empresa, apontando como autores agentes de uma empresa de segurança privada contratada para prestar serviços no local.
Segundo os denunciantes, as agressões são praticadas com recurso a varões de ferro e ocorrem durante o horário laboral, alegadamente como forma de punição sempre que um trabalhador comete algum erro ou quando se verifica o desaparecimento de bens nas instalações da fábrica.
Os trabalhadores afirmam viver num ambiente marcado pelo medo e pela intimidação. Sustentam ainda que estas práticas decorrem há vários meses e que muitos funcionários já foram vítimas das alegadas agressões, mas receavam apresentar queixa por dependerem do emprego para o sustento das suas famílias.
No dia em que a equipa de reportagem se deslocou à fábrica, o gestor da empresa, ao aperceber-se de que as denúncias haviam chegado à comunicação social, terá contactado um indivíduo que, segundo os trabalhadores, se apresentou como inspector. Os denunciantes suspeitam que a sua presença visava ocultar os alegados maus tratos. O referido indivíduo chegou às instalações por volta das 18 horas, mas recusou prestar quaisquer declarações à nossa equipa.
Os trabalhadores afirmam igualmente que o caso já foi participado à Inspecção do Trabalho e a outras autoridades competentes, mas alegam que, até ao momento, não foi adoptada qualquer medida para pôr termo às supostas agressões.
A equipa de reportagem procurou ouvir a direcção da fábrica e os responsáveis pela empresa de segurança privada visada nas denúncias. Contudo, até ao fecho desta edição, não foi possível obter qualquer posicionamento.
Contactados pela nossa reportagem, o sector do Trabalho e a Polícia da República de Moçambique confirmaram ter recebido as denúncias e garantiram que irão averiguar os factos.
Enquanto decorrem as averiguações, os trabalhadores dizem continuar a exercer as suas funções sob um clima de receio, aguardando que as autoridades esclareçam o caso e tomem as medidas que se mostrarem adequadas.
Um cidadão de nacionalidade bengalesa foi sequestrado no distrito de Muecate, na província de Nampula, e um dos suspeitos foi morto por populares.
É mais um capítulo de sequestro que envolve um cidadão de nacionalidade bengali, ocorrido por volta das 18 horas do dia 1 de Janeiro do corrente ano, no distrito de Muecate, na província de Nampula.
No episódio que se confunde com um filme de acção, o grupo composto por sete elementos teria entrado no estabelecimento comercial do cidadão bengali e levado para uma parte incerta e momentos depois, a população enfurecida partiu para justiça pelas próprias mãos, tendo tirado a vida de um dos suspeitos.
O “O País” sabe que um dos suspeitos do grupo, por sinal motorista, já se encontra detido nas celas da primeira esquadra e diz que participou de acção criminal a convite do seu cobrador que está foragido.
Apesar de não ter sido apresentado, a polícia assegura que o cidadão bengali já foi localizado e já está no convívio familiar.
Ainda este sábado, a PRM apresentou uma senhora acusada de mandar seu filho roubar dinheiro do avô, resultante da venda de um terreno algures na cidade de Nampula.
Os jogadores dos Mambas já garantiram uma premiação de 450 mil meticais pela qualificação aos oitavos-de-final do Campeonato Africano das Nações que decorre em Marrocos. Já a Federação Moçambicana de Futebol assegurou o prémio de pouco mais de 50 milhões de meticais pela mesma qualificação.
Primeira vitória dos Mambas numa fase final do Campeonato Africano das Nações e primeira qualificação aos oitavos-de-final da prova africana na história do futebol moçambicano.
Uma trajectória inédita que vale premiação monetária aos jogadores dos Mambas, no âmbito do acordo assinado com a Federação Moçambicana de Futebol antes do arranque para Marrocos.
Do acordo, o empate vale 80 mil meticais e a vitória 150 mil meticais. Depois de vencer o Gabão, os jogadores dos Mambas asseguraram um montante de 150 mil meticais, sendo que os dois outros jogos terminaram em derrota de Moçambique.
Por outro lado, o acordo entre Mambas e FMF prevê que a qualificação aos oitavos-de-final vale 300 mil meticais e aos quartos-de-final 500 mil meticais. Assim, com a vitória e a qualificação aos oitavos-de-final, cada jogador tem assegurado uma premiação de 450 mil meticais.
Caso os Mambas vençam a Nigéria na segunda-feira, os jogadores encaixariam mais 150 mil meticais pela vitória e 500 mil meticais pela qualificação aos quartos-de-final. A esta premiação seria adicionada a promessa do presidente da República, Daniel Chapo, de 500 mil meticais para cada jogador.
Por seu turno, a Federação Moçambicana de Futebol, que já tinha assegurado 500 mil dólares, perto de 32 milhões de meticais, pela qualificação à fase final do CAN, garante agora um prémio de 800 mil dólares, aproximadamente 50.4 milhões de meticais pela qualificação aos oitavos-de-final da prova africana.
40 pessoas morreram e outras 115 ficaram feridas na sequência de um incêndio, num bar em Crans-Montana, na Suíça, na noite de passagem de ano. Por outro lado, ainda no âmbito da celebração da transição de 2025 para 2026, duas pessoas morreram e uma igreja foi destruída nos países baixos.
A celebração do ano novo terminou em tragédia em alguns países do mundo. É o caso da Suíça onde um incêndio em um bar em Crans-Montana causou a morte de 40 pessoas e 115 feridos.
O fogo deflagrou no estabelecimento cheio durante a madrugada. Em resposta, na manhã desta quinta-feira, os serviços de emergência mobilizaram 10 helicópteros, 40 ambulâncias e cerca de 150 operacionais.
As vítimas foram transportadas para hospitais em toda a Suíça. Nesta Sexta-feira, segundo dia do ano, a prioridade continua a ser a identificação e entrega dos corpos às famílias.
As vítimas incluem várias nacionalidades e as autoridades dizem que as operações vão prolongar-se por vários dias.
Ainda no âmbito das cerimónias de celebração do ano novo, pelo menos duas pessoas foram mortas nos Países Baixos numa série de incidentes violentos. Consta também que uma igreja foi destruída.
O Hospital Provincial de Tete registou a entrada de cerca de 19 pacientes, vítimas de acidentes de viação, durante a passagem de ano. Ainda assim, a Polícia garante que o período festivo decorreu de forma calma e ordeira, sem registo de crimes de grande relevância na província.
A passagem de ano decorreu de forma calma e ordeira em toda a província de Tete, sem registo de crimes de grande relevância, o facto resulta do trabalho preventivo desenvolvido pelas forças policiais. A informação foi avançada esta Terça-feira pelo porta-voz da Polícia da República de Moçambique em Tete, Feliciano da Câmara, durante o balanço das ações realizadas no período festivo.
Quanto ao movimento migratório, cerca de 2 250 cidadãos, entre nacionais e estrangeiros, entraram e saíram do país no mesmo período, através das fronteiras da província de Tete.
Por sua vez, o Hospital Provincial registou a entrada de cerca de 19 pacientes, vítimas de acidentes de viação.
A República Democrática do Congo acusa Ruanda de ter morto mais de 1.500 civis no leste do Congo em Dezembro último. Tal ocorreu quando a milícia M23, apoiada por Kigali, lançou uma nova ofensiva.
Num comunicado divulgado na quarta-feira, o governo congolês atribuiu este número de 1.500 civis mortos à sociedade civil, confirmado por fontes humanitárias e serviços estatais.
As autoridades congolesas descreveram a nova onda de ataques como um acto claro de agressão contra a soberania nacional e uma violação grave e repetida do direito internacional.
Rebeldes do M23 ocuparam a importante cidade oriental de Uvira, em Kivu Sul, no início do mês de Dezembro do ano passado e fizeram com que dezenas de milhares de pessoas fugissem para o Burundi.
O M23 lançou esta nova ofensiva poucos dias depois de os governos congolês e ruandês terem assinado um acordo de paz mediado pelos EUA no dia 4 de Dezembro.
O governo congolês também acusou Kigali de enviar três novos batalhões ruandeses para o Kivu do Sul, com o objectivo de avançar para a província mineira de Tanganica.
Cerca de 500 mil pessoas foram deslocadas pelo recente aumento dos combates no Kivu do Sul, segundo as Nações Unidas.
O comércio electrónico e a economia digital consolidam-se como alguns dos segmentos de crescimento mais acelerado da economia mundial, mas continuam a enfrentar um problema central: a falta de dados estatísticos consistentes e comparáveis. Para responder a este desafio, a Agência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento lançou uma nova base de dados global dedicada à medição do valor do comércio electrónico.
A iniciativa reúne estimativas nacionais já existentes e identifica áreas críticas onde a recolha regular de informação ainda é insuficiente. A apresentação ocorreu no âmbito de uma reunião internacional que juntou representantes de dezenas de países, reflectindo a crescente preocupação com a incapacidade de muitos Estados de acompanharem, em termos estatísticos, a transformação digital em curso.
O comércio realizado através da internet, os serviços digitais e as transacções transfronteiriças online crescem a um ritmo superior ao do Produto Interno Bruto global, segundo a ONU. No entanto, grande parte dessas operações continua fora das estatísticas oficiais, dificultando a formulação de políticas públicas eficazes em áreas como tributação, concorrência, protecção do consumidor e inclusão digital.
A organização aponta que as lacunas de informação também tendem a mascarar desigualdades no acesso às tecnologias digitais, especialmente entre países desenvolvidos e economias em desenvolvimento. Face a este cenário, considera-se que, sem dados fiáveis, muitos governos ficam limitados na capacidade de apoiar micro, pequenas e médias empresas na transição para o ambiente digital ou de negociar acordos comerciais adaptados à nova realidade económica.
Especialistas em comércio digital defendem que a medição neste sector deve evoluir para incorporar fenómenos emergentes, como a inteligência artificial, os novos modelos de negócio digitais, o trabalho remoto e os serviços totalmente prestados online. Para isso, defendem que é necessário actualizar os indicadores existentes e adoptar metodologias inovadoras de recolha de dados.
Na leitura da ONU, o processo enfrenta um obstáculo adicional da redução do financiamento internacional para o desenvolvimento, que compromete a capacidade de muitos países de investir em sistemas estatísticos modernos. Neste contexto, cresce o apelo a uma cooperação mais estreita entre governos, sector privado e organizações internacionais, de forma a evitar duplicações, garantir coerência global e assegurar que a economia digital seja devidamente reflectida nas contas nacionais.
A Índia deu mais um passo decisivo no seu processo de ascensão económica global ao ultrapassar o Japão e assumir a posição de quarta maior economia do mundo. O marco foi anunciado pelo próprio governo indiano na sua mais recente análise económica anual e reforçado por projecções do Fundo Monetário Internacional, que indicam que a mudança deverá ser oficialmente confirmada com os dados consolidados do Produto Interno Bruto em 2026.
Com uma economia avaliada em cerca de 4,18 biliões de dólares, a Índia reforça a sua posição entre os grandes motores do crescimento global, sustentada por um mercado interno robusto, uma população jovem numerosa e uma forte expansão dos sectores de serviços, tecnologia e indústria transformadora. As previsões apontam para que, já no próximo ano, o PIB indiano ultrapasse o do Japão, que deverá situar-se ligeiramente abaixo desse patamar.
O governo indiano trabalha ainda com um horizonte mais ambicioso. As estimativas oficiais indicam que, mantendo o actual ritmo de crescimento, a Índia poderá superar a Alemanha nos próximos três anos, tornando-se a terceira maior economia do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. As projecções para 2030 apontam para um PIB próximo de 7,3 biliões de dólares.
Apesar deste desempenho expressivo em termos agregados, o país enfrenta desafios estruturais. O PIB per capita indiano permanece baixo quando comparado às economias desenvolvidas, reflectindo desigualdades sociais profundas e um nível de rendimento médio ainda distante dos padrões das economias avançadas. Em 2024, o rendimento médio por habitante na Índia foi várias vezes inferior ao registado no Japão e na Alemanha.
Esta projecção surge numa altura em que mais de um quarto da população indiana tem entre 10 e 26 anos, o que coloca pressão adicional sobre a capacidade do país de criar empregos qualificados em número suficiente. Ao mesmo tempo, o país enfrenta tensões no comércio internacional, incluindo tarifas mais elevadas impostas por parceiros estratégicos, num contexto de crescente fragmentação geopolítica.
Ainda assim, a trajectória da Índia confirma uma mudança estrutural no equilíbrio económico global, com as economias emergentes a ganharem peso e influência, redefinindo o mapa do crescimento mundial.
Matola e Pemba são as autarquias com as dívidas comerciais mais elevadas, com um peso de 93% da dívida comercial total em 2024, com maior preocupação para a de Pemba, por estar a falhar o pagamento das prestações.
O stock da dívida total das autarquias em 2024 foi equivalente a cerca de 95% da receita própria que arrecadaram. Tal mostra que há um nível elevado de endividamento das edilidades face à sua capacidade de gerar recursos próprios.
Os dados constam do Relatório de Riscos Fiscais das Autarquias Locais 2019-2024. O documento aponta ainda que as autarquias atravessam momentos de vulnerabilidades relevantes em termos de sustentabilidade fiscal.
Importa destacar que a dívida das autarquias aos seus fornecedores tem o maior peso, correspondendo a aproximadamente 82% da dívida total, o que reflecte constrangimentos de liquidez e atrasos nos pagamentos correntes.
Segundo o relatório, este perfil de endividamento foi fortemente influenciado por algumas autarquias, com destaque para Matola, Pemba e Maputo, com cerca de 1,776 mil milhões, 600 milhões e 535 milhões de meticais em dívidas.
O documento refere ainda que a elevada concentração de dívidas nestes municípios aumenta o risco sistémico nas autarquias e reforça a necessidade de medidas de consolidação fiscal, de melhoria da gestão de tesouraria e de reforço da capacidade de arrecadação de receitas próprias por parte dos municípios.
Por seu turno, a dívida comercial foi fortemente explicada pelas autarquias da Matola e Pemba, representando um peso de 93% do total em 2024, com maior preocupação para a de Pemba, por incumprimento do pagamento das prestações.
São autarquias com alto risco fiscal: Metangula, Pemba, Montepuez, Mueda, Nampula, Ilha de Moçambique, Nacala, Angoche, Ribáuè, Quelimane, Mocuba, Ulongue, Manica, Catandica, Sussundenga, Dondo, Marromeu, Gorongosa, Quissico, Xai-Xai, Chókwè, Mandlakazi, Namaacha e Cidade de Maputo.
Com cerca de 33% da receita própria global e 25% da receita total, a autarquia da Cidade de Maputo faz parte do grupo, o que distorce os resultados médios do grupo, melhorando os rácios relativos à receita própria. “Se retirarmos esta autarquia do grupo, os rácios assumem valores mais alarmantes”, alerta a nota.
Tais autarquias fazem parte do grupo de alto risco por inúmeras razões, entre elas as seguintes: apresentam múltiplas fragilidades, como baixa capacidade de arrecadação da receita própria, despesas salariais elevadas em relação às receitas próprias e elevado peso do endividamento, pode-se ler no documento.
“Os rácios receita própria por despesa total situam-se abaixo de 40%, indicando forte dependência de transferências do Estado; os rácios salários por receita própria superam os 100%, indicando que as autarquias não têm capacidade de financiar salários com seus próprios recursos; e dívidas superiores a 60% da receita própria comprometem a liquidez e capacidade de investimento”, refere.
O Relatório de Riscos Fiscais das Autarquias Locais 2019-2024 aponta ainda que os gastos com pessoal são a principal causa dos desequilíbrios, ao estarem acima do limiar de autonomia em 71% das Autarquias analisadas.
“Há necessidade de acompanhamento contínuo e regular das finanças autárquicas para melhorar a previsão e a gestão dos riscos fiscais a longo prazo, acautelando crises financeiras que possam afectar a capacidade de prestação de serviços públicos essenciais à população”, considera o Ministério das Finanças.
No geral, a receita própria das autarquias registou um crescimento médio de 35% de 2019 a 2024, motivada pelo esforço empreendido na arrecadação da receita própria através de campanhas de fiscalização e sensibilização, digitalização de serviços de cobrança e alargamento da base tributária.
“Cerca de 36% da receita própria global é detido pela autarquia de Maputo, seguida das Autarquias de Matola, Beira, Nampula e Tete com 14%, 11%, 7% e 6%, respectivamente”, aponta o relatório do Ministério das Finanças.
Outro dado não menos importante que consta do Relatório de Riscos Fiscais das Autarquias Locais 2019-2024 é que mais de 70% da receita própria é gerada em cinco municípios, com destaque para as cidades de Maputo, Matola e Beira.
O stock da dívida das autarquias em 2024 foi equivalente a 95% da receita própria que estas arrecadaram. Segundo o Ministério das Finanças, Matola e Pemba, esta última a falhar pagamentos de prestações, são as autarquias com as dívidas comerciais mais elevadas, com peso de 93% no valor global.
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