FEMATRO mantém negociações com o Governo sobre o aumento dos preços, numa altura em que os transportadores estão divididos quanto à proposta de incremento de cinco meticais e à reivindicação de 20 meticais.
O preço dos transportes públicos poderá agravar-se a partir de 1 de Novembro, no contexto das negociações entre a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) e o Governo sobre as compensações aos operadores.
Apesar de ainda não haver uma data definida para o pagamento das compensações, os transportadores continuam divididos quanto à proposta de incremento de cinco meticais nas tarifas. Enquanto uma parte admite aceitar o valor, desde que se mantenha o subsídio atribuído pelo Governo, outros defendem a proposta submetida pela FEMATRO, que prevê um aumento de 20 meticais.
Perante a falta de consenso, a Federação anunciou que vai retomar as negociações com o Executivo, com vista à identificação de uma solução que responda às preocupações dos transportadores e dos passageiros.
A indefinição em torno das compensações e do reajustamento das tarifas surge numa altura em que havia uma tendência de paralisação dos transportes para segunda-feira, 12 de Outubro. Entretanto, a FEMATRO apelou aos operadores para não avançarem com a suspensão das actividades, defendendo a continuidade do diálogo com o Governo.
Segundo a Federação, os transportadores deram um voto de confiança à sua direcção para prosseguir com as negociações. O ponto de situação deverá ser apresentado numa nova reunião, marcada para 26 de Outubro.
A FEMATRO considera que o aumento das tarifas é necessário para garantir a rentabilidade da actividade e melhorar as condições de operação do transporte público no país. A Federação defende que os operadores precisam de receitas suficientes para continuar a prestar serviços e assegurar condições de trabalho adequadas.
Entretanto, o eventual agravamento dos preços poderá representar um encargo adicional para os passageiros, que aguardam por uma solução para o diferendo entre os transportadores e o Governo.
Cento e quarenta e três funcionários públicos estão implicados num processo judicial por suspeitas de desvio de mais de 1,8 milhões de meticais destinados ao Fundo de Apoio Directo às Escolas, no distrito de Mecuburi, província de Nampula.
A acusação foi formalizada pelo Gabinete Provincial de Combate à Corrupção de Nampula no fim de Abril, após uma denúncia apresentada pelo director do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Mecuburi.
Segundo as autoridades, os indiciados pertencem ao Serviço Distrital de Educação e a várias escolas tuteladas no distrito, sendo acusados de se terem apropriado indevidamente de fundos públicos entre 2023 e 2024.
Os recursos em causa destinavam-se ao Fundo de Apoio Directo às Escolas, conhecido por ADE, um mecanismo usado para apoiar o funcionamento das instituições de ensino, sobretudo escolas primárias.
O director provincial de Educação em Nampula, Williamo Tuzine, afirmou que o sector pretende reforçar o combate aos desvios de fundos destinados às escolas.
“A maior parte das nossas escolas, principalmente as escolas primárias, têm funcionado com um único orçamento, que é o ADE. Queremos continuar implacáveis contra desvios de fundos”, declarou Tuzine.
O responsável acrescentou que o caso já foi encaminhado à justiça e que decorrem igualmente processos disciplinares internos contra os gestores envolvidos.
“Para o caso de Mecuburi, nós levámos o caso à justiça. Para além do processo disciplinar que está a decorrer no sector da educação, existe também um processo criminal”, afirmou.
Os 143 funcionários são acusados dos crimes de peculato, falsificação de documentos, uso de documento falso e abuso de cargo ou função.
Segundo o sector da Educação, dependendo da gravidade das infracções, os processos disciplinares poderão culminar com a expulsão dos implicados da Administração Pública.
O Fundo de Apoio Directo às Escolas é considerado essencial para o funcionamento básico das instituições de ensino, financiando despesas ligadas à gestão escolar, material didáctico, pequenas reparações e apoio administrativo.
Casos de desvio destes fundos têm sido apontados pelas autoridades como um dos factores que comprometem a qualidade do ensino e o funcionamento regular das escolas em algumas regiões do País.
A Assembleia da República (AR) promove, desde ontem até esta sexta-feira, na sede do Parlamento, em Maputo, uma acção de indução dos funcionários e agentes parlamentares recém-integrados e nomeados para o exercício de diferentes funções na magna Casa do Povo com o objectivo de reforçar a sua integração institucional e promover o alinhamento com os princípios que orientam a função pública.
Entretanto, o secretário-geral da Assembleia da República, António Mahumane, destacou que a integração dos novos quadros representa o início de uma nova etapa profissional marcada por elevadas responsabilidades públicas, exigindo compromisso, ética, dedicação e espírito de missão.
Falando na cerimónia solene de abertura da indução, Mahumane sublinhou que a Assembleia da República, enquanto órgão de representação do povo, de produção legislativa e de fiscalização da acção governativa, assenta o seu funcionamento no profissionalismo, na disciplina, no rigor técnico e na integridade dos seus recursos humanos.
“O exercício de funções públicas exige, acima de tudo, zelo, responsabilidade e sentido de Estado”, frisou Mahumane, sublinhando que “mais do que cumprir tarefas, importa compreender que servir a Assembleia da República é servir o cidadão e servir a Nação”.
O secretário-geral da Assembleia da República referiu ainda que a realização da indução se enquadra no compromisso da instituição em garantir serviços de apoio técnico-administrativo cada vez mais eficientes e alinhados com os desafios actuais da administração pública.
Dirigindo-se aos funcionários e agentes parlamentares recém-nomeados, Mahumane apelou ao cultivo permanente de valores como excelência, trabalho em equipa, humildade, honestidade, respeito mútuo, dinamismo, eficiência e eficácia no desempenho das suas funções.
A indução dos funcionários e agentes parlamentares recém-nomeados para os cargos de confiança visa a sua inserção na Assembleia da República, garantindo o melhor funcionamento das bancadas parlamentares e dos órgãos do Parlamento moçambicano.
Os participantes vão debruçar-se, entre outros, sobre a informação geral da Assembleia da República enquanto órgão de soberania na República de Moçambique։ Evolução histórica da Assembleia da República; Organização e funcionamento da Assembleia da República; Órgãos da Assembleia da República; e Secretariado-Geral da Assembleia da República (organização, competências e atribuições).
A Eurodeputada Hilde Vaut Mens defende que para combater o terrorismo é necessário combater a pobreza, sobretudo juvenil, através da educacao e criacao de postos de emprego. A informação foi dada na tarde desta quinta-feira, após o encontro mantido entre a delegação de eurodeputados e a ministra dos negócios estrangeiros e cooperação.
A ministra dos negócios estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela Lucas, concedeu uma audiência à delegação de quatro eurodeputados, com a missão de avaliar e reforçar as relações entre Moçambique.
A equipa era chefiada por esta eurodeputada belga chamada Hilde Vaut Mens. A Saída do encontro, diante das duas delegações, Vaut Mens destacou a importância do emprego juvenil no combate ao terrorismo.
“Nós visitamos um maravilhoso projeto em que nós damos educação aos jovens e meninas e ajudamos-os a iniciar suas próprias empresas, seus próprios negócios. Porque eu acho que se você quiser combater o terrorismo, é uma questão de segurança, mas também está deve olhar para as raízes da pobreza, é preciso tira-los da pobreza.
Dê esperança e optimismo aos jovens, para que eles possam ganhar dinheiro, para que eles possam iniciar seus negócios. E é isso que vimos, jovens iniciando seus próprios negócios, de automóveis, eletricidade. Foi maravilhoso ver no campo o que esse projecto Europeu significa para esses jovens, porque realmente está quebrando o círculo, o círculo vicioso da pobreza. E isso significa que esperamos mantê-los fora das mãos dos terroristas”, Hilde Vaut Mens.
Com a ministra Lucas, os deputados abordaram questões económicas e de integração regional.
“Eu realmente espero que esse Fórum Global Gateway possa significar uma coisa importante na energia, mas também na luta contra as mudanças climáticas, e também no sector agrícola, porque isso também é algo que nós ouvimos que é realmente necessário. Então eu realmente espero que as empresas europeias possam encontrar um jeito de investir aqui como parcerias equitativas, e que as empresas moçambicanas possam trabalhar juntos no campo. Porque essa é a única maneira que uma parceria pode funcionar”, acrescenta.
O programa Global Gateaway visa acelerar o desenvolvimento económico através de sectores como conectividade e corredores de desenvolvimento, transformação digital, transição energética e agronegócio.
O próximo Fórum de Negócios Moçambique-União Europeia (Global Gateway 2026) vai acontecer na cidade de Maputo nos dias 9 e 10 de junho, reunindo decisores políticos, instituições financeiras e o sector privado para desbloquear investimentos nos sectores estratégicos acima referido.
Assembleia da República recebe delegação da União Europeia
O 1º vice-presidente da Assembleia da República, Hélder Injojo, destacou os avanços registados na participação da mulher e dos jovens nos órgãos de decisão política do País. Injojo falava nesta quinta-feira em representação da presidente da Assembleia da República, durante um encontro que manteve com uma delegação da União Europeia, onde explicou que actualmente 39,3% dos deputados são mulheres, enquanto 60,8% são homens.
Numa audiência que serviu para reforçar os laços de cooperação entre Moçambique e a União Europeia, o deputado destacou que a Assembleia da República possui gabinetes especializados dedicados à promoção dos direitos da mulher e da juventude parlamentares, estruturas que trabalham para assegurar maior participação destes grupos na actividade legislativa.
Na sua intervenção, o dirigente parlamentar falou também das nove comissões especializadas existentes na Assembleia da República que são responsáveis pela apreciação de matérias legislativas, económicas, sociais e políticas.
Referindo-se às relações entre Moçambique e a União Europeia, o 1º vice-presidente da Assembleia da República reconheceu o apoio prestado pela organização europeia ao País em diversas áreas, incluindo acções de mitigação dos impactos sociais e económicos enfrentados pela população moçambicana.
O 1º vice-presidente da Assembleia da República enalteceu, igualmente, o apoio da União Europeia ao processo de Diálogo Nacional Inclusivo em curso no País, envolvendo forças políticas e diferentes sectores da sociedade moçambicana.
Durante o encontro, as partes abordaram ainda a cooperação parlamentar entre a Assembleia da República de Moçambique e o Parlamento Europeu, no âmbito de acordos de parceria actualmente em implementação.
No fim, Injojo considerou a visita da delegação europeia uma oportunidade importante para discutir questões prioritárias para o desenvolvimento do País e reforçar os mecanismos de cooperação institucional entre as duas partes.
“As relações entre Moçambique e a União Europeia devem continuar a fortalecer-se, assim como a cooperação entre os respectivos parlamentos, com vista a alcançar resultados positivos para os nossos povos”, afirmou o 1º vice-presidente da Assembleia da República.
O dirigente aproveitou ainda a ocasião para agradecer o apoio que a União Europeia tem prestado a Moçambique e desejou uma agradável estadia à delegação visitante no País.
A delegação da União Europeia recebida pelo 1º vice-presidente da Assembleia da República era chefiada pela vice-presidente do Parlamento Europeu e presidente da delegação da Assembleia Parlamentar África, Caraíbas e União Europeia, Hilde Vautmans.
Apenas nove equipas conseguiram terminar uma campanha na competição sem derrotas. O Arsenal está a um jogo de se tornar na próxima. No seu caminho está o Paris, campeão e o primeiro detentor do título a disputar finais seguidas desde o Real Madrid em 2016/17 e 2017/18.
O jogo na Puskás Aréna é uma reedição da meia-final da época passada, quando a equipa de Luis Enrique venceu os dois jogos para eliminar o Arsenal com um resultado total de 3-1, seguindo-se uma goleada por 5-0 sobre o Inter para erguer o troféu pela primeira vez.
No entanto, nos cinco duelos entre os clubes nesta competição, essas continuam a ser as únicas vitórias do Paris, com o Arsenal a vencer na fase de liga da época passada e registando-se ainda dois empates na fase de grupos de 2016/17.
A caminhada rumo a Budapeste fez-se com base en características contrastante. O Arsenal de Mikel Arteta construiu a sua campanha com base no controlo defensivo, mantendo a baliza intacta em nove jogos e sofrendo apenas quatro golos na fase de liga.
Vitórias notáveis sobre Atlético, Bayern München e Inter foram seguidas por confrontos mais equilibrados na fase a eliminar contra Leverkusen, Sporting CP e novamente o Atlético.
Já o Paris avançou no torneio graças à sua apetência ofensiva. Os 44 golos marcados deixam a equipa a apenas um do recorde histórico do Barcelona em 1999/2000, com Khvicha Kvaratskhelia em destaque. Trabalhador e imprevisível, o georgiano contribuiu com dez golos e seis assistências ao longo da temporada, sendo que sete desses tentos aconteceram na fase a eliminar, mostrando que está em grande forma.
Após vitórias fulgurantes sobre Atalanta, Leverkusen, Barcelona e Tottenham no início da temporada, o Paris subiu de nível na fase a eliminar, afastando Chelsea e Liverpool antes de uma emocionante meia-final frente ao Bayern München, num clássico moderno para a história.
A ascensão do Arsenal sob o comando de Arteta tem sido gradual mas significativa: quartos-de-final em 2023/24, meias-finais em 2024/25 e agora a primeira final desde 2005/06.
Para o Arsenal, a vitória coroa uma temporada histórica, com a conquista do primeiro título na prova, enquanto para o Paris garante o segundo título europeu, sendo o primeiro clube francês a consegui-lo e consolidando ainda mais o legado de Luis Enrique no clube.
O Campeonato Nacional de Futebol, Moçambola, vai sofrer uma interrupção temporária de cerca de duas semanas para permitir a preparação e participação da selecção nacional de futebol, os Mambas, nos compromissos inseridos na Data-FIFA de 1 a 9 de Junho.
A paralisação afecta os jogos da sexta e sétima jornadas da principal prova futebolística do país, inicialmente previstos para decorrer entre os dias 24 e 31 de Maio.
Em comunicado, a Liga Moçambicana de Futebol (LMF) explica que a decisão resulta da necessidade de libertar antecipadamente os jogadores convocados para os trabalhos da selecção nacional.
“Pelo facto de os atletas convocados terem de se apresentar antecipadamente, e porque a presente edição do Moçambola está a decorrer no formato de jornadas duplas, não será possível proceder com a marcação dos jogos referentes à 6.ª e 7.ª jornadas do Moçambola no período entre 24 e 31 de Maio”, refere a nota da LMF.
Segundo a organização, o campeonato deverá ser retomado apenas após o encerramento da Data FIFA.
Os jogos de preparação dos Mambas inserem-se no plano de preparação da selecção nacional para as eliminatórias de qualificação ao Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2027, cuja fase de apuramento arranca em Setembro próximo.
A interrupção do campeonato surge numa altura em que várias equipas começam a consolidar os seus objectivos competitivos, num Moçambola marcado pelo formato de jornadas duplas e elevada intensidade competitiva.
A convocatória oficial dos Mambas deverá ser divulgada nos próximos dias, sendo esperado que vários atletas que actuam no campeonato nacional integrem os trabalhos da selecção.
A Federação Moçambicana de Futebol e a Liga Moçambicana de Futebol consideram que a pausa é necessária para garantir melhores condições de preparação da equipa nacional para os desafios internacionais que se aproximam.
O Presidente da República reiterou esta quinta-feira, em Maputo, o compromisso do Governo com o fortalecimento das pequenas e médias empresas (PMEs), defendendo um maior envolvimento do sector privado no desenvolvimento económico e na melhoria do ambiente de negócios no país.
O posicionamento foi assumido durante uma audiência concedida à Associação de Pequenas e Médias Empresas (APME), num encontro dedicado à discussão dos principais desafios enfrentados pelas empresas nacionais, sobretudo as micro, pequenas e médias empresas.
Falando à imprensa no final da audiência, o presidente da APME, Pedro Silva, afirmou que a organização procurou auscultar as orientações do Chefe do Estado sobre mecanismos de apoio ao empresariado nacional.
“Hoje tivemos a honra de ser recebidos por Sua Excelência Presidente da República, Daniel Chapo. Viemos receber os seus aconselhamentos para que possamos melhor defender os interesses de Moçambique e principalmente das nossas PMEs”, declarou.
Segundo Pedro Silva, o Presidente da República demonstrou envolvimento directo na criação de condições favoráveis para o crescimento das pequenas e médias empresas, consideradas essenciais para a geração de emprego e dinamização da economia nacional.
“As PMEs são um motor de desenvolvimento da economia e Sua Excelência deixou bem frisado que está envolvido em apoiar o crescimento das PMEs”, afirmou.
Durante o encontro, Daniel Chapo terá lançado desafios à associação ligados ao fortalecimento do tecido empresarial, promoção do empreendedorismo e melhoria do ambiente de negócios.
Pedro Silva assegurou que a associação acolheu as recomendações com sentido de responsabilidade e compromisso institucional.
“Abraçamos esses desafios e prometemos, com todo o comprometimento, apoiar no desenvolvimento e na melhoria do ambiente de negócios para as PMEs”, sublinhou.
As pequenas e médias empresas representam uma parcela significativa do sector empresarial moçambicano e desempenham um papel importante na criação de postos de trabalho, inclusão económica e expansão da produção nacional.
Entretanto, o sector continua confrontado com desafios ligados ao acesso ao financiamento, carga fiscal, burocracia administrativa, limitações de infra-estruturas e dificuldades de acesso aos mercados.
O presidente da APME garantiu que a associação continuará empenhada na defesa dos interesses das empresas nacionais, visando contribuir para o crescimento económico sustentável do país.
O encontro decorreu numa altura em que o Executivo procura reforçar o diálogo com o sector privado, considerado estratégico para acelerar o investimento, aumentar a produção nacional e estimular a competitividade da economia moçambicana.
A Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, desafiou esta quinta-feira os novos dirigentes nomeados pelo Conselho de Ministros a imprimirem maior eficiência, transparência e foco em resultados nas instituições públicas, numa altura em que o país enfrenta desafios económicos e sociais considerados complexos.
Falando durante a cerimónia de tomada de posse, a governante afirmou que os dirigentes assumem funções num contexto exigente, mas igualmente repleto de oportunidades para o desenvolvimento nacional.
“É fundamental a existência de instituições públicas fortes, eficientes e orientadas para resultados em benefício do cidadão”, declarou Maria Benvinda Levi, acrescentando que a nomeação dos novos quadros representa “o reconhecimento das vossas competências técnicas e percurso profissional”.
Foram empossados Jorge Vidigal Fole para o cargo de Director-Geral do Instituto de Amêndoas de Moçambique (IAM), Armindo Tomás Mutimba como Director-Geral do Instituto Nacional de Exames, Certificação e Equivalências (INECE), Ângela Anifa Aly para Directora-Geral Adjunta do INECE, Telma Odete Comé para Directora-Geral Adjunta da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX) e Maria Teresa Martins para Directora-Geral Adjunta do Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ).
Durante o discurso, a chefe do Governo destacou o papel estratégico do recém-criado Instituto de Amêndoas de Moçambique, apontando o sector do caju e de outras amêndoas como áreas prioritárias para a diversificação da economia nacional.
Segundo a Primeira-Ministra, o Executivo pretende revitalizar a indústria nacional de processamento do caju, expandir a investigação agrícola e melhorar os mecanismos de recolha de dados através da Plataforma Connect Caju.
“A implementação destas acções permitirá resgatar a posição que já foi ocupada pelo nosso país”, afirmou.
Moçambique figura entre os produtores africanos de castanha de caju, cultura que emprega milhares de famílias nas zonas rurais e constitui uma importante fonte de rendimento e exportação. Nos últimos anos, o Governo tem vindo a defender a industrialização local como forma de aumentar o valor acrescentado do produto.
No sector da educação, Maria Benvinda Levi sublinhou a necessidade de reforçar a credibilidade dos exames nacionais e dos processos de certificação académica, defendendo maior transparência e redução da burocracia no funcionamento do INECE.
“Quando um certificado é emitido com transparência, um exame é organizado com confiabilidade e uma equivalência é decidida com clareza, fortalece-se a justiça social”, frisou.
Relativamente à APIEX, a governante reiterou que a instituição deve assumir-se como facilitadora do investimento privado, defendendo maior celeridade administrativa e acompanhamento efectivo dos projectos aprovados.
“O investidor deve encontrar na APIEX uma instituição que acolhe, orienta, facilita e acompanha, e não uma entidade que complica ou retarda os processos”, advertiu.
Dados do Banco de Moçambique indicam que o país continua a apostar na captação de investimento estrangeiro nos sectores da agro-indústria, energia, infra-estruturas e recursos minerais, considerados estratégicos para o crescimento económico.
Já no domínio da normalização e qualidade, a Primeira-Ministra defendeu o reforço dos mecanismos de certificação e fiscalização, numa altura em que o acesso aos mercados internacionais exige maior observância de padrões de qualidade.
“Sem qualidade, não há competitividade; sem competitividade, não há acesso a mercados”, afirmou.
Na ocasião, Maria Benvinda Levi apelou ainda à coordenação entre os dirigentes empossados, defendendo uma cultura institucional baseada na ética, inovação, responsabilização e prestação de contas.
A governante aproveitou igualmente a ocasião para reconhecer o trabalho desenvolvido pelos quadros cessantes nas instituições abrangidas pelas nomeações.
O Presidente da República nomeou Mukhtar Mamade Abdulcarimo para o cargo de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Moçambique junto do Reino da Arábia Saudita, através de Despacho Presidencial.
A nomeação foi anunciada esta quinta-feira e, segundo a Presidência da República, enquadra-se na dinâmica de gestão e renovação da representação diplomática moçambicana no exterior, com vista ao reforço da cooperação bilateral e da acção diplomática do país.
No mesmo Despacho Presidencial, o Chefe do Estado exonerou Faizal Faquir Cassam do cargo de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Moçambique junto do Reino da Arábia Saudita.
Novo trabalho de Juliana de Sousa transforma Jangamo num palco de celebração cultural e resgata um dos cantos populares mais simbólicos da tradição Bitonga
Há músicas que se escutam. E há músicas que se sentem. “Gigadagada” pertence à segunda categoria.
O novo videoclipe da cantora moçambicana Juliana de Sousa, com estreia marcada para o dia 29 de Maio, transforma o distrito de Jangamo num território de encontro entre culturas, memórias e identidades, numa produção profundamente ligada às raízes da cultura Bitonga.
Mas “Gigadagada” não é apenas música. É um manifesto artístico sobre pertença, ancestralidade e liberdade. É uma obra que mistura poesia, tradição oral, dança e emoção para contar uma história construída entre duas mulheres, dois continentes e duas formas de olhar o mundo.
De um lado está a alma Bitonga de Moçambique. Do outro, a sensibilidade italiana de Anna Di Lorenzo, voluntária europeia que mergulha numa experiência marcada pelo contacto íntimo com os costumes, os ritmos e os símbolos culturais do sul de Moçambique.
O resultado é um videoclipe que vai muito além da estética visual. “Gigadagada” procura transformar um canto popular tradicional num património emocional contemporâneo, recriando memórias colectivas através da linguagem artística da música.
O título da obra, entretanto, carrega um simbolismo tão profundo quanto provocador.
Segundo Juliana de Sousa, “Gigadagada” possui um duplo sentido dentro da tradição oral dos Bitongas. Literalmente, refere-se à chapa onde se torra farinha. Mas o significado metafórico varia de região para região dentro da cultura Bitonga.
Em alguns contextos, explica a artista, “Gigadagada” representa o corpo feminino, particularmente associado à sexualidade da mulher. Noutras interpretações, o termo remete à figura de uma mulher que já não consegue regressar ao lar depois de determinadas experiências da vida.
A cantora sublinha que os cantos tradicionais dos Bitongas possuem forte carga erótica, simbólica e metafórica, sendo frequentemente interpretados de formas diferentes dependendo do contexto social e cerimonial em que são cantados.
“É um canto popular dos Bitongas. Cada contexto tem uma interpretação própria”, explica Juliana.
Longe de reduzir o tema à provocação, a artista usa exactamente essa riqueza interpretativa como matéria-prima criativa para construir uma obra que dialoga com identidade, feminilidade, memória e tradição.
A origem do projecto nasce também de um encontro improvável.
Segundo Juliana de Sousa, Anna Di Lorenzo aproximou-se inicialmente com o desejo de aprender a cantar “como africana” e ter aulas de música. A cantora admite que nunca se considerou professora musical, mas diz que entre as duas surgiu uma ligação imediata, quase como se já se conhecessem há muito tempo.
Foi a partir dessa conexão que nasceu a construção artística de “Gigadagada”.
Juliana conta que já trabalhava num poema dedicado à mãe quando decidiu incorporar o canto popular Bitonga e recriá-lo dentro da composição musical. Anna Di Lorenzo, por sua vez, também acabou por inserir na música uma dimensão pessoal e íntima.
Na sua estrofe, a italiana fala da relação com a própria mãe e do conflito emocional provocado pela sua paixão por viajar pelo mundo, conhecer culturas e explorar novos lugares, mesmo sabendo que isso frequentemente significa distância e saudade.
A música transforma-se assim numa ponte emocional entre duas mulheres de universos diferentes, mas ligadas por sentimentos universais como pertença, liberdade, memória e afecto materno.
Mais do que um simples exercício artístico, “Gigadagada” apresenta-se como um esforço consciente de preservação cultural.
Juliana de Sousa explica que decidiu recriar este canto popular como forma de “imortalizar traços identitários” da cultura Bitonga através da música. O objectivo, segundo a artista, é garantir que elementos culturais profundamente presentes no quotidiano das comunidades não desapareçam com o tempo.
O coro usado na música faz parte dos cantos tradicionais entoados em contextos de celebração, festas comunitárias, cerimónias e momentos pós-colheita, ambientes onde música, dança e oralidade sempre desempenharam papel central na preservação da memória colectiva.
É precisamente essa dimensão ancestral que o videoclipe tenta capturar.
Gravado em Jangamo, o trabalho mergulha em cenários naturais, expressões culturais e práticas tradicionais da região, transformando o território num personagem silencioso da narrativa visual.
A produção aposta numa estética emocional, intimista e identitária, onde cada imagem procura dialogar com os elementos centrais da cultura Bitonga. O mar, a dança, os tecidos, os gestos, os cânticos e os olhares não aparecem apenas como decoração visual, mas como fragmentos vivos de uma herança cultural que continua presente no quotidiano das comunidades.
Ao juntar uma artista moçambicana e uma voluntária italiana num mesmo universo simbólico, “Gigadagada” também desafia fronteiras culturais e propõe uma reflexão sobre a forma como povos diferentes podem encontrar-se através da arte sem apagar as respectivas identidades.
Num tempo em que grande parte da produção musical global tende à homogeneização cultural, Juliana de Sousa escolhe o caminho contrário: aprofundar as raízes locais para dialogar com o mundo.
E talvez seja exactamente aí que reside a força de “Gigadagada”.
O videoclip não tenta internacionalizar a cultura Bitonga tornando-a menos Bitonga. Pelo contrário. Assume os seus códigos culturais, os seus símbolos, os seus silêncios e as suas ambiguidades como parte da sua autenticidade artística.
Ao fazê-lo, transforma um canto tradicional numa experiência contemporânea capaz de atravessar geografias e tocar públicos muito diferentes.
A estreia oficial acontece no dia 29 de Maio em todas as plataformas digitais. Mas antes mesmo do lançamento, “Gigadagada” já começa a afirmar-se como muito mais do que um videoclip musical.
É um encontro entre passado e presente. Entre tradição e reinvenção. Entre Moçambique e Itália. Entre mães e filhas. Entre memória e liberdade.
E talvez seja precisamente por isso que “Gigadagada” não se limita a ser ouvido.
“Gigadagada” sente-se.