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As Organizações Sem Fins Lucrativos negam que estejam envolvidas em crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Por isso, exigem um tratamento diferenciado diante dos bancos comerciais e das autoridades públicas ligadas à matéria.

Por constarem da lista dos suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo há cerca de dois anos, nesta quinta-feira decidiram sentar-se à mesma mesa com o Governo e os bancos comerciais para limpar o seu nome e exigir também um tratamento menos asfixiante.

Num evento que contou com a participação da secretária permanente do Ministério das Finanças, as organizações queixaram-se de estar a enfrentar problemas sérios para abrir contas bancárias e para receber dinheiro de doadores externos para os seus projectos.

“O doador manda o recurso e o banco informa, às vezes depois de duas a três semanas, que recebeu uma transferência e começa a pedir uma série de documentos. Muitas vezes, esses documentos já foram entregues, às vezes não é um contrato novo. É uma transferência para implementar imediatamente. O tempo demora tanto, às vezes dois a três meses. Em alguns casos, há organizações que reportaram que não conseguem receber esse dinheiro e acabam perdendo o recurso. Por exemplo, se é uma resposta a uma emergência, como cheias ou outra coisa, depois de três a quatro meses torna-se irrelevante”, defende a activista social Paula Monjane, representante do Movimento para a Liberdade de Associação.

Diante das constatações, as organizações consideram inaceitável que cumpram os requisitos exigidos pelos bancos para gerir uma conta bancária e que, mesmo assim, os seus processos não corram. Acusam os bancos de ignorar as recomendações das autoridades oficiais.

“As nossas recomendações são: primeiro, que a avaliação sectorial de risco seja uma ferramenta de uso dos bancos e do sistema financeiro para definir as medidas proporcionais. Segundo, que as boas práticas do GAFI também sejam consideradas no processo de definição de medidas baseadas no risco. Terceiro, que haja um diálogo permanente entre o Governo, o sector financeiro e a sociedade civil. Quarto, que as medidas sejam proporcionais, de tal forma que não levem as organizações a abandonar o sistema financeiro formal para começarem a usar um sistema informal, no qual não vai ser possível encontrar e controlar operações suspeitas”, detalha a activista social Quitéria Guirengane.

Contudo, as organizações sem fins lucrativos exigem um tratamento tendo em conta o risco de cada uma delas. “O que nós exigimos como sociedade civil, sobretudo como CESC, é que essa lista das organizações que supostamente foram detectadas na avaliação fosse entregue aos bancos, no sentido de que, na altura das transacções financeiras, fosse a esse tipo de organizações que se devia demandar mais documentação. Não faz sentido, por exemplo, uma organização pequena, ao nível de Cabo Delgado, que precisa de receber fundos para poder implementar os seus pequenos projectos de desenvolvimento para alavancar o desenvolvimento local, não ter acesso a fundos porque, supostamente, as organizações da sociedade civil são susceptíveis de abuso, mesmo que não haja evidências sobre isso”, considera Domingos do Rosário, gestor do CESC, uma organização da sociedade civil.

Por sua vez, os bancos comerciais dizem estar a trabalhar com listas oficiais de suspeitos e com base na legislação, motivo pelo qual exigem melhor organização aos queixosos.

“Temos um sistema de identificação de entidades nacionais relacionadas com o financiamento do terrorismo, e isso consta de umas listas que são publicadas também ao nível nacional e enviadas aos bancos para que adoptem medidas proporcionais ou medidas de mitigação relativamente a essas entidades. Agora, identificar casos em concreto não seria o momento para trazer aqui. O que se pretende mesmo é que as instituições estejam preparadas para evitar que estes riscos de facto se concretizem e que haja de facto este uso do sector para o financiamento do terrorismo”, explicou aos jornalistas Edgar Fortes, da área de anti-branqueamento de capitais do Banco de Moçambique.

Por seu turno, Samir Zacarias, representante da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), explica que os bancos têm métricas específicas para medir os riscos das organizações. “Tendo em conta o resultado, a documentação que é solicitada pode divergir em alguns pontos. Quando nós calculamos o nível de risco de uma associação, há associações que operam em áreas de alto risco. Vou dar um exemplo de Cabo Delgado, que é uma área assolada pelo terrorismo. Há outras que não operam numa área de alto risco. Evidentemente, o resultado do nível de risco dessas duas associações pode ser diferente”, explicou.

Na última avaliação, as confissões religiosas apareciam com maior risco. Mas há trabalhos em curso para melhorar a situação e, em breve, haverá uma nova avaliação.

“68% das confissões religiosas foram apontadas com algum nível de risco. Elas estão identificadas na avaliação nacional de risco. Nós temos dados que apontam para as confissões religiosas, é preciso que se retenha o que se está a dizer. E quais são esses riscos? Não há contas bancárias, (…) há uma série de elementos que contrariam a Lei 14 do Branqueamento de Capitais”, destaca Luís Cezerilo, coordenador nacional de políticas de prevenção ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas.

Espera-se que a reunião que teve lugar ontem em Maputo produza consensos entre os bancos, as organizações sem fins lucrativos e as autoridades do Governo, sem prejuízo das partes.

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A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas, vai co-presidir, na sexta-feira, 25 de Setembro, em Gaborone, capital do Botswana, à nona sessão da Comissão Mista Permanente de Cooperação entre Moçambique e Botswana.

A reunião será co-presidida pela Ministra Maria Manuela Lucas e pelo Ministro das Relações Internacionais do Botswana, Phenyo Butale, que deverão traçar estratégias para alavancar e dinamizar a cooperação bilateral em áreas consideradas prioritárias para os dois países.

Entre os sectores em análise estarão os transportes e logística, comunicação e transformação digital, recursos minerais e energia, finanças, defesa e segurança, justiça, obras públicas, habitação e recursos hídricos, agricultura, pescas e meio ambiente.

Durante a nona sessão da Comissão Mista Permanente de Cooperação, as partes deverão igualmente abordar o fortalecimento das relações bilaterais nos domínios do trabalho, género e desenvolvimento social, juventude e desporto, informação e comunicação social, educação e cultura, saúde, administração estatal e serviço público.

A reunião ministerial será antecedida pelo encontro dos Altos Funcionários, que decorre entre os dias 23 e 24 de Setembro, sob direcção do Director para África e Médio Oriente no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Hermenegildo Caetano, e do Secretário Permanente do Ministério das Relações Internacionais do Botswana, Thuso Ramodimoosi.

A nona sessão da Comissão Mista Permanente de Cooperação constitui, assim, uma plataforma para o aprofundamento e dinamização da cooperação bilateral entre Moçambique e Botswana nos diversos sectores de interesse comum.

O Clube de Petróleo e o Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME) passam a trabalhar em conjunto para impulsionar o sector energético nacional. As duas instituições formalizaram, nesta quinta-feira, em Maputo, um acordo de cooperação para o fortalecimento das Pequenas e Médias Empresas (PME´s), com enfoque na facilitação do seu acesso às oportunidades e no desenvolvimento do conteúdo local.

A parceria estabelece uma ligação entre o conhecimento técnico da indústria petrolífera e o tecido empresarial moçambicano, com vista a preparar as empresas para responder às exigências da cadeia de valor do sector energético.

A directora de Operações do Clube de Petróleo, Kate Niconte, destacou, na cerimónia, a importância da cooperação para o desenvolvimento das empresas nacionais e apontou a necessidade de maior clareza sobre os recursos disponíveis para apoiar o crescimento das PME.

Este ano, a Assembleia da República aprovou, por consenso, a proposta de lei que cria o Conteúdo Local. O documento estabelece normas a observar no processo de aquisição de bens e contratações de serviços nos megaprojectos instalados no país.

A lei do Conteúdo Local estabelece, também, regras na contratação e formação de mão-de-obra nacional, no contexto da implementação dos projectos e empreendimentos de petróleo e gás natural dentro do território nacional.

Kate Niconte, a nova legislação sobre o Conteúdo Local representa um avanço importante, mas não garante, por si só, o acesso das empresas nacionais aos contratos. “As indústrias não contratam somente pela legislação. Contratam pela preparação das empresas, capacidade técnica e certificações. É aí onde o Clube de Petróleo entra”.

A responsável destacou, igualmente, a relevância da experiência do IPEME na preparação das PME´s para responder às exigências do mercado energético.

Por seu turno, o director-geral do IPEME, Feliz Malate, defendeu que o acordo com o Clube de Petróleo deve traduzir-se em acções concretas com impacto directo nas empresas. “Esperamos que seja uma parceria que traga resultados céleres em benefício directo das PME´s, concretamente no sector de petróleo e gás”.

As equipas técnicas das duas instituições deverão definir um plano de acção para envolver as PME´s interessadas e facilitar o seu acesso às oportunidades existentes no sector energético, disse Feliz Malate.

“Olhamos para este acordo como uma contribuição muito intrínseca, não sob o ponto de vista institucional, mas grandemente sob o ponto de vista do mercado, para habilitar as empresas a terem acesso a este sector”, vincou Malate e assegurou que o IPEME mantém a disponibilidade para trabalhar com o Clube de Petróleo na concretização dos objectivos definidos no acordo.

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, anunciou  em Nova Iorque, a intenção do Governo de criar uma coligação estratégica de financiamento destinada à electrificação fora da rede em Moçambique. O projecto, apresentado durante uma Mesa Redonda de Alto Nível, visa mobilizar recursos, reduzir riscos e transformar uma carteira de empreendimentos em investimentos financiáveis, de forma a acelerar o acesso universal à energia até 2030.

O encontro, subordinado ao tema “Financiamento da Próxima Fase: Redução de Riscos no Mercado de Electrificação Fora da Rede em Moçambique”, congregou representantes de instituições financeiras de desenvolvimento, fundos climáticos, parceiros de cooperação, fundações e investidores privados.

“Queria usar este momento para anunciar a intenção do governo de Moçambique de lançamento de uma coligação estratégica de financiamento da electrificação fora da rede”, afirmou o Chefe do Estado. Segundo explicou, a estrutura da iniciativa, liderada a nível nacional, tem como objectivo central articular o Executivo e os seus parceiros em torno da mobilização de capital e da viabilização de projectos concretos.

ROTEIRO NACIONAL E METAS AMBICIOSAS

O primeiro produto desta iniciativa será um roteiro nacional de financiamento, que deverá identificar a carteira de projectos prioritários, as principais lacunas de financiamento, os riscos associados e as responsabilidades de cada interveniente.

Esta coligação surge como resposta à necessidade premente de ampliar o financiamento, num cenário em que o Governo prevê a execução de aproximadamente 2,5 milhões de ligações fora da rede para atingir a meta de acesso universal. Para este efeito, o Presidente moçambicano indicou ser necessária a mobilização de cerca de 1,1 mil milhões de dólares norte-americanos.

Para assegurar a transição da intenção para a acção, Daniel Chapo delineou três compromissos fundamentais aos participantes: a confirmação do interesse de cada instituição em integrar a coligação; a identificação clara dos riscos, instrumentos financeiros ou etapas de mercado onde cada entidade poderá contribuir; e, por fim, o mandato para que as respectivas equipas trabalhem com o Executivo na preparação de propostas concretas de financiamento até Novembro de 2027, em antecipação à COP2032.

RESILIÊNCIA E DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO

Durante a sua intervenção, o Presidente destacou que a expansão da electrificação combina a rede nacional com soluções descentralizadas  que já contribuem com cerca de 12 por cento do acesso à electricidade, sublinhando que a prioridade deve incidir sobre as comunidades rurais. Desde 2015, a taxa de acesso à energia em Moçambique evoluiu de cerca de 26 por cento para aproximadamente 70 por cento, com um registo de 400 mil novas ligações anuais nos últimos dois anos.

O estadista realçou ainda a importância das soluções descentralizadas para a resiliência climática das comunidades. “Sistemas isolados e construídos com mecanismos de resiliência podem permitir que determinadas comunidades mantenham o fornecimento de energia quando interrupções na rede nacional afectam cidades ou distritos inteiros”, observou.

Para Daniel Chapo, o acesso à energia deve estar intrinsecamente ligado ao desenvolvimento económico e social, fomentando actividades produtivas como a irrigação e a conservação de alimentos. Neste âmbito, defendeu a criação de um mercado “financiável, previsível e capaz de crescer à escala nacional”, que beneficie famílias e empresas, com particular atenção para a capacitação de jovens e mulheres.

Moçambique conta já com o suporte financeiro de 47 milhões de euros do Fundo Verde para o Clima e 20 milhões de euros da União Europeia para mini-redes e usos produtivos, além do apoio do Banco Mundial, através do programa “Mais Energia”, e outras iniciativas apoiadas pela KfW, reforçando o compromisso nacional com o acesso universal à energia até 2030. 

 

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, afirmou esta quarta-feira, em Nova Iorque, que Moçambique continuará a pautar a sua actuação no plano internacional pela defesa intransigente do diálogo como via preferencial para a resolução de conflitos. No balanço da sua participação na 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), o Chefe de Estado apelou a uma resposta global e coordenada aos desafios prementes da paz, do terrorismo e do desenvolvimento sustentável.

Daniel Chapo elegeu a paz, a segurança e o desenvolvimento sustentável como os três eixos fundamentais da intervenção de Moçambique no fórum nova-iorquino, sublinhando a relevância do multilateralismo e o papel crucial das Nações Unidas na prevenção e na pacificação. O Presidente moçambicano recordou, a propósito, o contributo histórico daquela organização para a independência nacional e para o processo de paz, incluindo a implementação do Acordo Geral de Paz de 1992, experiências que, a seu ver, comprovam a eficácia da diplomacia internacional.

“O diálogo deve ser a base para a resolução de conflitos e não a força, como tem-se registado nos últimos anos”, defendeu o estadista, ao abordar os focos de tensão que afectam diversas regiões do globo. No que concerne à situação de segurança em Cabo Delgado, o Presidente assegurou que nenhuma vila da província se encontra, actualmente, sob ocupação de grupos terroristas, embora tenha reconhecido a persistência de ataques esporádicos que continuam a provocar o deslocamento de populações. Neste âmbito, destacou o valor do apoio humanitário prestado pelas agências das Nações Unidas.

“Não há desenvolvimento sem paz e não há paz sem desenvolvimento. São duas faces da mesma moeda”, declarou, relacionando a consolidação da estabilidade com a estratégia do Executivo em lançar os alicerces para a independência económica e a diversificação da economia nacional.

APOSTA NO GÁS E ELECTRIFICAÇÃO RURAL

No domínio do desenvolvimento sustentável, Daniel Chapo realçou os progressos significativos na electrificação rural, indicando que o acesso à energia eléctrica em Moçambique ascendeu de cerca de 26 por cento para mais de 60 por cento da população. A meta, segundo o Presidente, é acelerar este processo através do programa “Energia Para Todos”, contando com o suporte de parceiros nacionais e internacionais, com vista ao cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.

Quanto aos contactos bilaterais efectuados à margem da Assembleia Geral, o destaque vai para o projecto de gás natural na Bacia do Rovuma. O Chefe de Estado revelou que o Governo trabalha em estreita colaboração com a ExxonMobil para a aprovação do plano de desenvolvimento e, consequentemente, da decisão definitiva de investimento. “Tudo indica que, antes do final do ano, vamos conseguir aprovar o plano de desenvolvimento deste projecto e também a decisão definitiva de investimento”, garantiu.

Segundo as projecções apresentadas, a concretização destes projectos na Bacia do Rovuma poderá mobilizar entre 50 e 60 mil milhões de dólares norte-americanos em investimentos na próxima década. Chapo sublinhou, contudo, que a direcção estratégica do Executivo é utilizar as receitas provenientes do gás para impulsionar sectores estruturantes — como a agricultura, turismo, infra-estruturas, digitalização, economia azul e agronegócio — visando diversificar a economia e elevar as condições de vida dos moçambicanos.

O Presidente da República classificou o balanço desta visita como “extremamente positivo”, destacando a oportunidade de levar ao fórum internacional as posições de Moçambique e de reforçar o contacto com parceiros estratégicos para a mobilização de investimentos. 

 

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, e o Vice-Presidente da ExxonMobil Corporation e Presidente da ExxonMobil Upstream, Dan Ammann, reuniram-se esta quarta-feira, em Nova Iorque, para uma avaliação detalhada do progresso do projecto Rovuma LNG. A multinacional norte-americana indicou, no final do encontro, estar próxima da adopção da Decisão Final de Investimento para a execução do empreendimento na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.

Em declarações aos jornalistas, a Directora-Geral da ExxonMobil Moçambique, Johanna Boothey, classificou a reunião como extremamente produtiva, sublinhando os progressos significativos registados nos últimos meses, factor que aproxima o projecto da fase de decisão sobre o investimento. “Hoje tivemos uma reunião excelente com o Presidente e com Dan Ammann. Foi uma discussão produtiva, onde constatámos que o projecto progrediu muito bem e que estamos muito perto de poder tomar uma decisão final de investimento”, afirmou Boothey.

Durante a audiência, o Chefe de Estado destacou a relevância estratégica do projecto para Moçambique, enfatizando o seu potencial no que concerne à geração de emprego, ao fomento do desenvolvimento económico e à criação de oportunidades para os cidadãos nacionais. “O Presidente foi muito positivo sobre o projecto, salientando a sua importância para garantir postos de trabalho, desenvolvimento e oportunidades dentro de Moçambique”, reiterou a responsável.

As partes abordaram, igualmente, temas cruciais como o conteúdo local, a criação de emprego e o desenvolvimento de capacidades técnicas. O objectivo central é assegurar uma maior participação de empresas e trabalhadores moçambicanos nas oportunidades geradas pelo desenvolvimento dos projectos de gás natural liquefeito.

O encontro permitiu ainda reforçar o diálogo em torno da segurança operacional e da transição energética, pilares fundamentais da cooperação entre o Governo e a ExxonMobil. “A ExxonMobil compreende a importância do projecto e fará todo o possível para garantir o cumprimento dos compromissos solicitados pelo Presidente”, assegurou Johanna Boothey.

O Projecto Rovuma LNG, desenvolvido pelos parceiros da Área 4 sob a liderança da ExxonMobil Moçambique, enquanto Operador Delegado, assume-se como um dos maiores empreendimentos de exploração de gás natural na Bacia do Rovuma. A sua viabilização está intrinsecamente ligada à expansão do investimento, à adopção de políticas de conteúdo local e à formação de mão-de-obra qualificada em Moçambique. 

 

O presidente da Comunidade de Santo Egídio em Moçambique, Nelson Moda, defendeu, ontem, na Beira, que o país deve recorrer à sua história de reconciliação e diálogo para travar a onda de assassinatos de figuras políticas, sublinhando que ser adversário político não significa ser inimigo.

Moda falava à imprensa à margem da cerimónia em que foi distinguido com a Ordem da Estrela de Itália, condecoração honorífica atribuída a cidadãos estrangeiros que se destacam na promoção da amizade, cooperação e dos laços culturais entre Itália e outros países. A distinção foi entregue pelo embaixador de Itália, que destacou o compromisso dos dois países na promoção da paz.

Reagindo aos assassinatos de figuras políticas que têm abalado o país, o dirigente apelou à memória colectiva e à necessidade de aprender com a história de Moçambique.

“Precisamos sempre de recorrer à nossa história. Como é que a guerra civil, o conflito político-militar, começou em Moçambique? Foi através das incompreensões. Não esqueçamos a nossa história, porque esquecer a nossa história faz-nos repetir, no presente”, afirmou.

Nelson Moda foi peremptório na defesa da tolerância política e do respeito pelas diferentes opções partidárias.

“Ninguém deve ter medo por pertencer a um partido histórico como a Frelimo. Ninguém deve ter medo por pertencer a um partido novo como a ANAMOLA. Ninguém deve ter medo por pertencer à Renamo, com a sua história. Todos nós temos opções políticas e é de lei. Nenhum partido político vai engrandecer eliminando membros de outro partido político”, disse.

O presidente da Comunidade de Santo Egídio alertou ainda para os perigos da utilização da violência como instrumento político, defendendo o diálogo como principal via para a resolução das divergências.

“Não se pode experimentar a violência, porque a violência é como um fogo que arde. A pessoa que inicia a violência pode ter a capacidade de iniciar, mas gradualmente perde a capacidade de controlar. Cada incompreensão que existir em Moçambique deve voltar sempre pelo diálogo”, defendeu.

Para Nelson Moda, o recurso ao diálogo não representa um sinal de fraqueza, mas uma alternativa à violência.

“Quem dialoga reconhece que a força das armas nunca leva à paz. Não existe paz alguma que já se conseguiu por via das armas”, afirmou.

Sobre a condecoração, Nelson Moda manifestou a sua gratidão e reafirmou o compromisso da Comunidade de Santo Egídio com a promoção da paz em Moçambique.

A cerimónia decorreu na Assembleia Municipal da Beira e contou com a participação de representantes de vários sectores da sociedade.

 

Pelo menos quatro pessoas foram mortas e outras 14 raptadas durante ataque de supostos grupos terroristas, no distrito de Muidumbe, na província moçambicana de Cabo Delgado, afetada pela insurgência armada desde 2017, disseram hoje à Lusa fontes locais.

As vítimas, segundo as fontes, foram mortas na zona baixa de Naneve, aldeia de Nangunde, após serem surpreendidas na terça-feira, em plena atividade de destilação de bebida caseira local.

“Chegaram terroristas em Naneve, na baixa de Nangunde e encontram pessoas a destilar nipa [bebida alcoólica local] e cercaram-nas e ordenou para que seguissem com eles a uma distância de menos de um quilómetro, atiraram contra dois homens do grupo e mataram outros dois que se encontravam estado de embriaguez e que não conseguiram fugir” disse uma fonte a partir de Muidumbe.

Segundo relatos de populares, os insurgentes assassinaram duas das vítimas após estes alegarem não possuir o dinheiro exigido para garantir a sua libertação. Os corpos foram enterrados esta quarta-feira pela força local.

Segundo as fontes, no mesmo local do incidente, os rebeldes raptaram pelo menos oito pessoas, que continuam desaparecidas.

“Levaram oito pessoas e não sabemos o paradeiro” , disse.

Além de Nangunde, as fontes denunciaram ainda o rapto de pelo menos seis pessoas por supostos grupos terroristas na segunda-feira na aldeia de Xitaxi, localizada a cerca de 50 a 60 quilómetros da sede distrital de Muidumbe, ao longo da estrada nacional número 380 (EN80).

Província rica em gás natural, Cabo Delgado é assolada desde 2017 por uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e 1,2 milhão de deslocados desde então, segundo organizações internacionais.

Incidentes associados ao conflito em Cabo Delgado, norte de Moçambique, aumentaram 10% no primeiro semestre, face a 2025, com os raptos a serem cada vez mais usados para resgates e recrutamento forçado, incluindo de crianças, alerta a ONU.

A conclusão consta do relatório “Moçambique: O custo da inação”, divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), consultado na terça-feira pela Lusa, que descreve um agravamento da situação de segurança no norte do país e alerta para o impacto crescente da violência sobre civis.

Segundo o documento, “nos primeiros seis meses de 2026, foram registados mais de 400 incidentes de conflito, 10% mais do que no mesmo período de 2025”, incluindo episódios como homicídios, destruição de habitações, pilhagens e raptos.

Atualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas vivem com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil habitantes que regressaram às respectivas zonas de origem.

“Por detrás destes números estão famílias repetidamente forçadas a abandonar as suas casas, crianças cuja educação foi interrompida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços básicos foram destruídos”, refere a ONU.

Mototaxistas denunciam uma escalada de assassinatos na província de Gaza e exigem investigação aos casos registados nos distritos de Limpopo, Chongoene e Chókwè. A preocupação aumenta após a família de um jovem mototaxista, encontrado morto nas matas de Chilembene, denunciar a extração de órgãos do corpo. Este ano, 12 mototaxistas morreram em acidentes de viação que provocaram 43 mortes na província.

Mais de 100 mototaxistas, reunidos na capital provincial de Gaza, Xai-Xai, denunciaram uma nova onda de perseguição e assassinatos dos seus membros em Chongoene, Limpopo e Chókwè.

A preocupação ganhou força na sequência do caso de um jovem mototaxista que desapareceu e foi encontrado morto nas matas de Chilembene. Segundo a família, o corpo foi encontrado “sem os órgãos genitais, dedos decepados, cortes na cabeça e em várias partes do corpo”, situação que levou os familiares a exigir esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte.

A classe aponta, entre os factores de risco, a entrada de menores e de indivíduos sem licença na actividade de mototáxi e exige uma investigação para esclarecer a morte do jovem, bem como outros casos que continuam por esclarecer.

“É terrível o que estamos a viver nestes últimos tempos. Estão a perseguir e matar. O último caso aconteceu em Chongoene, onde tiraram armas e levaram a motorizada”, contou Gervásio Manave, representante dos mototaxistas.

Já Amiel Moiane e Salomon Pedro, também mototaxistas, apontam as zonas de Mahumane e Baixa de Chicumbane, nos distritos de Limpopo em Xai-Xai, como áreas de alto risco, onde, segundo eles, os malfeitores levam a cabo as suas incursões.

“A polícia deve fazer alguma coisa, principalmente na zona de Mahumane e Chicumbane. São zonas onde barram-nos e levam as motos. Estamos cansados”, lamentou.

Face ao cenário, as autoridades defendem a criação de associações locais e provinciais que permitam, entre outras medidas, a partilha dos roteiros de viagem dos operadores, numa tentativa de reforçar a prevenção de sequestros e assassinatos de mototaxistas.

“A partilha de roteiros vai garantir a monitoria e a segurança em tempo real”, disse Alfeu Macaringue, delegado do INATRO em Gaza.

As autoridades defendem ainda o reforço das medidas de segurança nas vias, numa altura em que os acidentes de viação já tiraram a vida de dezenas de mototaxistas em Gaza somente este ano.

“São, ao todo, 43 pessoas que morreram este ano, sendo que 12 são mototaxistas, resultantes de sete acidentes.”

As preocupações foram apresentadas esta quarta-feira, em Xai-Xai, durante um encontro que reuniu mototaxistas, autoridades policiais, INATRO e Polícia Municipal.

O Presidente da República,  Daniel Chapo, e o Presidente da UN Sustainable  Development Solutions Network, Jeffrey Sachs, analisaram esta  terça-feira, em Nova Iorque, formas de acelerar o desenvolvimento  económico de Moçambique, através de investimentos em  educação, saúde e infra-estruturas e da mobilização de parcerias  internacionais. 

O encontro de trabalho decorreu à margem da participação do  Chefe do Estado na 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações  Unidas. Jeffrey Sachs disse acreditar que Moçambique pode alcançar um  rápido desenvolvimento económico, referindo que, durante o  encontro, foram discutidas estratégias para orientar o país nesse  sentido. 

“Acredito que Moçambique pode alcançar um desenvolvimento  económico muito rápido, uma quantidade tremenda de progresso,  e discutimos algumas das estratégias para um futuro brilhante de  desenvolvimento para Moçambique”. 

Sachs destacou a educação como uma das áreas fundamentais  para o desenvolvimento económico, defendendo que todas as  crianças devem adquirir competências que lhes permitam ser  produtivas e qualificadas na economia actual. 

“Pessoalmente, dou muita ênfase à educação como sendo  absolutamente fulcral para um desenvolvimento económico bem sucedido, porque todas as crianças em Moçambique devem ser  dotadas de competências, de modo a que, quando os rapazes e  as raparigas crescerem, sejam pessoas muito produtivas e  qualificadas na economia do século XXI”. 

A par da educação e da saúde, o responsável apontou a  necessidade de investimentos em infra-estruturas, incluindo o acesso  à electricidade, internet, conectividade digital e estradas, bem  como a protecção contra fenómenos naturais que afectam  Moçambique. 

Segundo Sachs, também foram discutidas possibilidades de  estabelecimento de parcerias com diferentes países e de  realização de investimentos em Moçambique, tendo mencionado a  China e a Índia entre os países interessados em apoiar o  desenvolvimento económico. 

“Por isso, discutimos que tipo de parceiros e que tipo de estratégia”,  afirmou, acrescentando que pretende, junto dos seus colegas, dar  seguimento às discussões e prestar apoio ao desenvolvimento do  país. 

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