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O País – A verdade como notícia

Vários cidadãos afro-descendentes estão a ser impedidos de aceder aos comboios e outros meios de transportes disponibilizados para retirar as pessoas das zonas afetadas pelos ataques da Rússia à Ucrânia.

Face a situação, o governo da Nigéria reagiu manifestando seu descontentamento com o ocorrido e condenou o facto de os seus cidadãos, e de outros países africanos, terem sido impedidos de deixar a Ucrânia devastada pelo ataque.

De acordo com o Notícias ao Minuto, o presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, disse que havia cerca de 4 mil nigerianos na Ucrânia, a maioria estudantes, e que “todos os que fogem de uma situação de conflito têm o mesmo direito à passagem segura sob a Convenção da ONU, e a cor de seu passaporte ou da sua pele não deve fazer diferença”.

Pelo menos 520 mil pessoas abandonaram a Ucrânia, desde o início da invasão russa, na semana passada. A informação foi avançada, esta segunda-feira, pelo Alto-Comissário das Nações Unidas citado pela Lusa.

Segundo Filippo Grandi, chefe da Agência de Refugiados da Organização das Nações Unidas, dessas 520 mil pessoas, 280 mil (cerca de 53%) fugiram para a Polónia, 94 mil para a Hungria, 40 mil para a Moldávia, 34 mil para a Roménia, 30 mil para a Eslováquia e 10 mil para outros países europeus. Nós também temos um número significativo que foi para a Federação Russa.

O chefe da Agência de Refugiados revelou ainda que o número de refugiados tende a aumentar e, por esta razão, as suas equipas estão a intensificar esforços humanitários.

“Devido ao facto de a situação estar a acelerar-se tão rapidamente e também pelos níveis de risco estarem altos neste momento, é impossível distribuir, sistematicamente, a ajuda que os ucranianos precisam desesperadamente”, disse Filippo Grandi.

“Os civis e a infra-estrutura civil devem ser protegidos e poupados, devendo ser garantida a ajuda humanitária a todos aqueles que foram afectados pela guerra. Falhar nisso vai levar a um nível extraordinário de sofrimento”, realçou o responsável.

A ONU indicou também que 102 pessoas morreram, nos últimos dias.

 

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, assinou esta segunda-feira o pedido de entrada imediata da Ucrânia na União Europeia (UE). Trata-se do 2º pedido do país para entrar no bloco dos 27, após a saída do Reino Unido e no meio de uma guerra com a Rússia, interpretada como violação da “cortina de ferro” e travão ao expansionismo da NATO no leste europeu.

Em discurso, Zelensky disse que o documento é um “novo procedimento especial” para entrar na UE, e ao fazer parte do bloco, a Ucrânia estará “em pé de igualdade” aos demais países.

Sabe-se, no entanto, que no sábado (26 de Fevereiro), o presidente ucraniano disse que este é um momento “crucial” para encerrar a discussão de “longa data” de decidir se seu país adere à UE. Porém, a causa russa não se funda na adesão à UE, mas sim a um suposto mecanismo que permitirá a Ucrânia, através da UE, aderir à NATO, o que choca com questões de segurança da Rússia.

Ainda assim, Zelensky afirmou que já estavam em curso discussões com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sobre uma “assistência efectiva” a seu país “numa luta heroica”.

Disse também que o bloco europeu “escolhe a Ucrânia”. E a Ucrânia já demonstrava interesse de aderir à UE antes do início da invasão russa.

Em declarações à Euronews, Ursula von der Leyen afirmou que existem muitos tópicos entre a Ucrânia e a UE que permitem esta integração, referindo que de facto a Ucrânia ao longo do tempo pertence ao bloco europeu.

“Eles são um de nós e queremos que eles entrem”, disse a diplomata, na sequência de uma decisão inédita da UE em fornecer armas à Ucrânia.

Pelo Twitter, o primeiro-ministro da Ucrânia afirmou que a “esta é a escolha da Ucrânia e do povo ucraniano. Já no ano passado, o ministro das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, afirmou, em entrevista ao Político, que o bloco “deveria receber” o país.

Pouco antes, o primeiro encontro entre delegações diplomáticas da Ucrânia e da Rússia, que se reuniram na região da fronteira com Belarus, terminou sem acordo.

De acordo com o assessor presidencial ucraniano, Mykhailo Podolyak, os representantes retornarão às suas respectivas capitais antes de uma segunda ronda de negociações, informou a agência de notícias RIA.

Os países estão numa guerra que já persiste há cinco dias, desde que forças russas invadiram o território ucraniano.

A União Europeia diz que continua fora da mesa uma intervenção militar na Ucrânia para ajudar as tropas locais a travarem as investidas russas. O bloco europeu e os Estados Unidos dizem que as sanções serão ainda mais agravadas para sufocar a economia russa.

Dezoito embaixadores de países da União Europeia, Ocidente e Japão acreditados em Moçambique juntaram-se com um único objectivo – repudiar o ataque da Rússia à Ucrânia.

Entre os diplomatas que fizeram soar a sua voz, esteve David Izzo, representante da missão diplomática da França, que disse “condenar, com toda a veemência, os ataques da Rússia contra a Ucrânia” e reiterou o apelo para que a Rússia pare com as operações militares e retire as suas tropas.

Caso Vladimir Putin não ouça o apelo internacional, o embaixador da França, país que ocupa a liderança rotativa da União, afirmou que “a Rússia terá consequências imediatas, maciças e a um custo severo como os europeus e os seus parceiros anunciaram várias vezes. Nós estamos prontos para responder a este acto de guerra sem fraqueza, com frieza, determinação e unidade… estamos determinados a derrubar a economia russa e os privilégios dos oligarcas”, avançou Izzo.

A nota de repúdio ficou clara, mas há várias questões geopolíticas sobre o conflito que sempre ficam por esclarecer, pelo que o “O País” tentou buscar respostas junto da Chefe-Adjunta da Missão Diplomática dos Estados Unidos da América e o embaixador da União Europeia em Moçambique.

Os países que apoiam a entrada da Ucrânia na NATO se sentem, de alguma forma, responsáveis pela guerra que foi desencadeada, sendo esse o principal fundamento?

A esta pergunta, Abigail Dressel respondeu dizendo que “este é um ataque da Rússia contra a Ucrânia. Um ataque premeditado e não provocado. E absolutamente contra a lei internacional e um país soberano que tem as suas fronteiras definidas há mais de 30 anos”.

E qual é a diferença desta invasão em relação às invasões feitas pelos EUA à Líbia e a outros países soberanos com fronteiras definidas como a Ucrânia, e que não tiveram resposta igual por parte da União Europeia?

O embaixador da União Europeia, António Sanchez, remeteu a questão à Chefe-Adjunta da Missão Diplomática dos Estados Unidos da América, Abigail Dressel, que também não respondeu.

Foi ainda questionado a representante diplomática dos EUA sobre: qual seria o posicionamento do seu país se a Rússia propusesse colocar uma base militar no México ou no Canadá que estão numa posição geográfica similar a da Ucrânia com relação aos Estados Unidos?

“Essa é uma pergunta hipotética a que prefiro não responder”, disse.

De volta às certezas, o embaixador da União Europeia em Moçambique informou que, para já, está fora de hipótese uma intervenção militar do ocidente na terra de Zelensky. “Essa questão agora não está em cima da mesa”, clarificou Sanchez.

O Presidente ucraniano diz ter sido abandonado por aqueles que um dia considerou aliados. António Sanchez diz que não é bem assim, tendo acrescentado que “nem o Presidente da Ucrânia, nem o povo da Ucrânia estão isolados”.

O embaixador da União Europeia diz ser por isso que foi aprovado um investimento de 450 milhões de euros em armas para ajudar a Ucrânia.

“É para reforçar a sua capacidade de responder a essa agressão injusta”, reforçou.

Os Estados-Membros da NATO e da União Europeia reiteram que sanções vão continuar, afirmando não ter dúvidas de que a economia russa será sufocada e, a partir daí, o conflito cessar.

A Bielorrússia aprovou um referendo constitucional, no qual renuncia ao estatuto não nuclear do país. Com esta alteração à Constituição, o compromisso da Bielorrússia como “território sem armas nucleares” deixa de existir, passando a determinar que “exclui a agressão militar a partir do território bielorrusso”.

As armas nucleares passam, assim, a ser permitidas em solo bielorrusso pela primeira vez desde que o país as abandonou após a queda da União Soviética.

Segundo o Notícias ao Minuto, o Ocidente já tinha alertado que não reconheceria os resultados do referendo, que ocorre no contexto de uma ampla repressão aos oponentes domésticos do governo. De acordo com activistas de direitos humanos, no domingo, havia mais de mil presos políticos na Bielorrússia.

A reforma permite, também, reforçar os poderes de Lukashenko, ao garantir imunidade vitalícia aos ex-presidentes e limitando a dois os mandatos presidenciais, a partir das próximas eleições.

De acordo com o Artigo 81.º, o futuro chefe de Estado só pode exercer funções durante dois mandatos de cinco anos cada, uma cláusula que já existia, mas que Lukashenko modificou em 2004 a fim de se perpetuar no poder.

Esta cláusula não se aplica ao actual presidente, mas àquele que será eleito no caso de novas eleições.

Na prática, Lukashenko poderá candidatar-se novamente ao cargo em 2025 e 2030 e, se for reeleito, ficar no poder até 2035.

 

FIM DE NEUTRALIDADE NUCLEAR DA BIELORRÚSSIA É “MUITO PERIGOSO”

O chefe da Diplomacia Europeia, Josep Borrell, diz que o fim da neutralidade nuclear da Bielorrússia “é muito perigoso” e que a Rússia poderá colocar armas nucleares naquele país.

Segundo o Notícias ao Minuto, que cita Josep Borrell, o referendo celebrado para mudar o estatuto da Bielorrússia, de “território sem armas nucleares” para um “país nuclear”, não passa de um caminho perigoso.

“Isto é muito perigoso, isto é muito perigoso. Sabemos o que significa a Bielorrússia passar a ser um país nuclear: significa que a Rússia colocará armas nucleares na Bielorrússia, e este é um caminho muito perigoso”, advertiu o Alto Representante da UE para a Política Externa e de Segurança.

Face à situação, o Alto Representante da UE apelou aos bielorrussos para que protestem contra a decisão, assim como o ataque à Ucrânia.

“A UE condena firmemente o envolvimento da Bielorrússia na agressão em curso contra a Ucrânia nos termos mais fortes possíveis e visaremos aqueles que, na Bielorrússia, colaboram com a agressão militar russa contra a Ucrânia”, advertiu.

Ainda na sua intervenção, Borrell lamentou o facto de as alterações da constituição bielorrussa tenderem a dar espaços de manobras à Rússia para a desvantagem da Ucrânia.

Ademais, segundo o Notícias ao Minuto, as mudanças constitucionais apresentadas pelas autoridades bielorrussas vão fortalecer ainda mais o poder de Alexander Lukashenko, actual presidente da Bielorrússia, uma vez que poderá ter imunidade judicial vitalícia e a introdução de um limite de dois mandatos presidenciais.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) acusou ontem a Rússia de ter uma “retórica perigosa” e uma “conduta irresponsável” por ter colocado a força dissuasora nuclear do seu exército em alerta máximo.

“Esta é uma retórica perigosa. É uma conduta irresponsável”, disse Jens Stoltenberg à televisão norte-americana CNN, citado pela agência francesa AFP.

De acordo com o secretário-geral da NATO, a nova declaração de Putin vem juntar-se à retórica “muito agressiva” evidenciada por Moscovo “durante vários meses e, particularmente, nas últimas duas semanas”.

“Não estão apenas a ameaçar a Ucrânia, mas também os aliados da NATO e exigem que retiremos todas as nossas forças armadas do flanco oriental da Aliança”, acrescentou Stoltenberg.

Também os Estados Unidos criticaram a ordem de Putin e acusaram o líder russo de estar a fabricar ameaças que não existem”.

“Em momento algum a Rússia foi ameaçada pela NATO ou pela Ucrânia. (…) Resistiremos a isto. Temos a capacidade de nos defender”, disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki.

Numa outra entrevista transmitida ontem pela BBC, Stoltenberg apelou também aos Estados membros da NATO para se unirem face à “retórica ameaçadora” de Moscovo.

“A nossa mensagem é muito clara: os países da NATO defendem-se e protegem-se uns aos outros. A NATO não quer guerra com a Rússia, não estamos à procura de confrontação”, disse o antigo primeiro-ministro da Noruega.

“Somos uma aliança defensiva, mas que não haja mal-entendidos ou erros de cálculo sobre a nossa capacidade de defender aliados face a possíveis ofensivas russas”, afincou.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, mandou este domingo colocar em alerta máximo as forças de dissuasão nucleares russas devido a “declarações agressivas” do Ocidente, escreve a imprensa internacional.

Depois de vários países terem anunciado sanções à Rússia pela invasão na Ucrânia, de a Comissão Europeia, EUA e Reino Unido terem declarado o bloqueio do sistema Swift (sistema de transferência bancária internacional) travando as relações económicas da Rússia, Vladimir Putin decidiu tomar novas medidas: colocar as forças de dissuasão nuclear do país em alerta máximo. A resposta, na perspectiva de Vladimir Putin, citado pelo The Guardian, é para todos os países da Nato que têm prestado “declarações agressivas”.

“Os países ocidentais não só estão a tomar medidas hostis contra o nosso país na esfera económica, como também altos funcionários dos principais membros da NATO fizeram declarações agressivas em relação ao nosso país, por isso ordeno ao ministro da Defesa e ao chefe de Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia que transfiram as forças de dissuasão do exército russo em alerta especial de combate”, disse Putin numa reunião televisiva com os seus chefes militares, citada pela agência AFP.
A ordem foi dada no quarto dia de combates na Ucrânia, que Putin mandou invadir na quinta-feira.

Vlademir Putin alertou os países estrangeiros para não interferirem na sua intervenção na Ucrânia, pois isso pode conduzir a “consequências que eles nunca viram”.

Putin posicionou mísseis anti-aéreos e outros sistemas avançados de mísseis na Bielorrússia e deslocou sua frota para o Mar Negro num esforço para impedir uma intervenção ocidental na Ucrânia.

Em reacção, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia disse que Kiev não vai ceder nas negociações com a Rússia, acusando Putin de tentar aumentar a “pressão”, escreve o Diário de Notícias.

“Não nos vamos render, não vamos capitular, não vamos desistir de um único centímetro do nosso território”, declarou Dmytro Kuleba numa conferência de imprensa transmitida online.

Os Estados Unidos, por sua vez, afirmaram que Putin está “a fabricar ameaças”.

“Este é um padrão do presidente Putin que temos visto ao longo deste conflito, que está a fabricar ameaças que não existem para justificar novas agressões”, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, ao canal ABC.

As forças ucranianas reassumiram o controlo de Kharkiv, a segunda maior cidade do país, horas depois de ter anunciado um avanço do exército russo e combates de rua.

“Kharkiv está sob o nosso total controlo”, escreveu o governador regional, Oleg Sinegubov, nas redes sociais, garantindo que estava em curso uma “eliminação de inimigos na cidade”, segundo refere o Notícias ao Minuto.

Grupos de soldados abandonaram os seus veículos e “renderam-se aos militares ucranianos”, disse.

O Ministério da Defesa do Reino Unido, que tem estado a divulgar informações sobre a situação militar na Ucrânia, tinha dado conta de uma intensificação dos combates em Kharkiv nas últimas horas.

Vídeos divulgados nos meios de comunicação social e redes sociais ucranianas há algumas horas mostraram veículos russos a atravessar Kharkiv e tropas russas a percorrer a cidade em pequenos grupos, segundo a agência norte-americana AP.

Num outro vídeo viam-se soldados ucranianos a inspecionar veículos danificados por bombardeamentos e abandonados pelas tropas russas numa rua.

A Rússia invadiu a Ucrânia pela segunda vez na quinta-feira, depois de ter anexado a Crimeia em 2014, e de apoiar, desde então, uma guerra separatista na região do Donbass, no leste do país.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse hoje que o seu país está pronto para negociações de paz com a Rússia, mas não na Bielorrússia.

Segundo o Notícias ao Minuto, o Presidente reagia, através de uma mensagem de vídeo, às informações avançadas pelo Kremlin, segundo aos quais uma delegação russa chegou hoje à cidade bielorrussa de Gomel para conversações com responsáveis do governo ucraniano.

Volodymyr Zelensky indicou Varsóvia, Bratislava, Istambul, Budapeste ou Baku como locais alternativos para decorrerem as negociações.

O Presidente ucraniano considerou ainda que há outros locais possíveis para que delegações de ambos os países se possam sentar à mesa de negociações, mas deixou claro que a Ucrânia não aceita a escolha feita pela Rússia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse hoje que representantes dos ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Defesa e de outros serviços, designadamente da presidência russa chegaram à cidade de Gomel, na Bielorrússia, para negociar com os responsáveis ucranianos. “A delegação russa está pronta para começar e agora esperamos pelos ucranianos”, disse o mesmo porta-voz, citado pelas agências internacionais.

A Rússia invadiu a Ucrânia na quinta-feira, através da Bielorrússia ao norte, da Crimeia, território ucraniano que anexou em 2014, ao sul, e do território russo a nordeste e a leste.

As autoridades ucranianas disseram hoje que pelo menos 198 pessoas foram mortas, incluindo civis, desde o início da invasão russa.

O ataque russo tem sido amplamente condenado em todo o mundo e vários países, com destaque para os ocidentais, aprovaram sanções económicas para punir o regime de Moscovo.

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