O País – A verdade como notícia

Os participantes da Moztech dizem que o evento serviu para tirar muitas dúvidas sobre a tecnologia, sobretudo na área da segurança cibernética e inclusão digital.

CLÁUDIO NHANTUMBO

É oportunidade de estudar as tecnologias e ver como é que elas podem ajudar o país a melhorar e ajudar a sociedade a evoluir. Então, vejo a feira como sendo uma iniciativa muito boa em que se partilham ideias e contribui-se para o conhecimento da sociedade, quais os desafios que nós temos e o que podemos alcançar no futuro com recurso à tecnologia.

 

TUÁIRA MACELA

Quase a maior parte das pessoas que usa smartphones ou computadores são usuárias deste serviço (tecnologia), mas, às vezes, não compreendem a dimensão da coisa – essa coisa de nuvem, armazenamento de dados e tudo mais. Portanto, com este tipo de conferências, nós podemos aprender mais, ficar mais conscientes acerca da cibersegurança; saber como é que nós podemos não fazer parte de alguns ataques que costumam haver na internet. Então, a experiência foi maravilhosa.

 

APOLINÁRIO MASSABA

Para mim, foi a primeira vez a participar da feira Moztech e a impressão que levo é enorme. Se existissem mais eventos, e acredito que sempre existirão, podem fazer com que haja mais empresas ou parceiros, como é do nosso interesse, a Empresa Nacional de Tecnologias, que trabalha na área. Ficámos interessados em saber o que existia na feira e aproximámo-nos para ver de perto. Então, interessou-nos um serviço que é o VivaNet, da venda de internet via satélite, e gostava de levar essa proposta ao conselho de administração para vermos como é que iríamos, em parceria, fazer o uso desta internet.

 

DENISE

Estive na feira pela primeira vez e gostei. Aliás, deixo a promessa de cá voltar porque são tratados assuntos muito relevantes e nós podemos aprender. É uma oportunidade para quem quer entrar no mercado porque tem a possibilidade de apanhar experiências de pessoas que já estão nisto há muito tempo. Então, valeu a pena estarmos aqui porque aumentámos também a nossa rede de contactos com os que estão na área.

O director do M-pesa, Sérgio Gomes, revelou, hoje, que estão em curso os últimos acertos para que, em algumas semanas, a plataforma M-pesa esteja ligada a todas outras. Isto vai implicar que, a partir do M-pesa, passará a ser possível transferir dinheiro de e para todos os bancos e carteiras móveis do país.

Hoje foi o segundo e último dia da décima edição da feira Moztech. Uma vez mais, havia de tudo a que os participantes têm direito: exposições, espaço para parcerias e negócios e debates. Para o último dia, o primeiro painel começou por volta das 09 horas.

O painel era sobre os desafios de segurança nos serviços financeiros. Mas, mais do que desafios, o M-pesa deu uma boa nova. É que, em algumas semanas, os mais de dez milhões de usuários da plataforma poderão fazer transacções com clientes de todos os bancos da SimoRede, que são, na verdade, quase todos os bancos.

“É, na verdade, uma obrigatoriedade estabelecida pelo Banco de Moçambique, de que todos os serviços financeiros devem estar integrados dentro da SimoRede, e é a partir daí que nós garantimos a interoperabilidade com todas as redes”, explicou.

Mas aí mora um novo desafio no que tange à segurança cibernética, controlo de dados e riscos de operações fraudulentas “por causa da complexidade”. Segundo Gomes, “uma coisa é a protecção do ambiente cibernético” dos seus próprios sistemas do qual têm “total controlo” e, outra coisa, completamente diferente, é falar sobre que se está integrado; aí passa-se a ter a “complexidade das transacções” com estas instituições. Ou seja, “deixa de ser um ambiente que nós controlamos e passa a ser um ambiente em que nós participamos”. E não falta ideia de como colmatar isso, que é “fazendo aliança”.

E essa é uma questão que já tinha sido estudada pela Deloitte, que explicou que a complexidade na segurança dos serviços financeiros na era digital não reside apenas na interoperabilidade, quanto menos num provedor.

“A questão da cibersegurança não pode ser vista como sendo interna das empresas do sector financeiro. É preciso pensar naquilo que é todo o ecossistema que impacta a operação da instituição financeira e procurar, no âmbito das parcerias que são firmadas, assegurar que o quadro de gestão de riscos da instituição financeira é, de certa forma, replicado ao longo do ecossistema, isto porque um ataque a um fornecedor vital para o banco afecta também as operações do banco”, explicou Inácio Neves, em representação da Deloitte, consultora em diversas áreas, presente em quase todo o mundo.

E foi a segurança que mais preocupou os vários participantes que se fizeram, na manhã desta quinta-feira, à Arena 3D. Interessava saber quão seguro está o seu dinheiro guardado na carteira móvel. Em concreto, a preocupação tem a ver com as famigeradas mensagens que são enviadas para que os usuários transfiram dinheiro. A ideia era saber se os dados não estariam expostos a esses malfeitores.

Sérgio Gomes, em resposta, deu uma garantia e uma explicação de como, afinal, funciona o esquema de burlas por M-pesa. “Os dados não estão a ser passados, não estão disponíveis. Aquilo que é o método comum para estas operações é atirar para um conjunto de números sem nenhuma identificação do receptor, porque mesmo eu recebo essas mensagens. Os dados dos nossos clientes estão todos encriptados”, assegurou o gestor.

Mas, para a Deloitte, que é consultora em várias áreas, incluindo cibersegurança, a protecção não termina aí. “Existe uma questão pessoal do usuário”, daí que, para ele, “é importante que as pessoas sejam educadas e capacitadas para que tenham noção de protecção social. Isso deve ser feito pelo regulador, Estado e todos na sociedade”, disse Inácio Neves.

O país vai beneficiar de 500 milhões de dólares norte-americanos para investir em diversas áreas, no âmbito do Compacto II. O financiamento foi aprovado esta quarta-feira e será desembolsado pelo Millennium Challenge Corporation.

Segundo explica um comunicado enviado ao “O País”, o valor será destinado à província da Zambézia, para três áreas, nomeadamente: conectividade e transporte rural; mudanças climáticas e desenvolvimento costeiro e promoção de investimento na agricultura comercial.

A nota indica ainda que durante a aprovação do financiamento para o compacto dois, a presidente do grupo, Alice Albrigh, disse que o valor apesar de ser destinado a Província da Zambézia, a sua implementação trará benefícios a todo o país.

“Teremos, em Moçambique, o mais avançado e inovador Compacto que a MCC alguma vez financiou em todo o mundo, em termos de adopção de uma abordagem inteligente ao clima, cujo cerne será a combinação de uma infra-estrutura de transporte resiliente, oportunidades no contexto da economia verde e azul e reformas institucionais, legais e de políticas públicas que possam garantir um crescimento económico mais efectivo e de longo prazo”, lê-se no documento.

O Acordo de Financiamento do Compacto II entre os governos de Moçambique e dos EUA será assinado em Setembro, próximo.

Esta é a segunda vez que o país se beneficia do compacto, o primeiro foi entre 2008 a 2013 na ordem de 506 milhões de dólares para as áreas de água e saneamento, segurança sobre a terra, transporte e agricultura, e foram implementados nas províncias de Nampula, Niassa, e Zambézia.

Empresas dizem que é necessário antecipar-se às necessidades do mercado em termos tecnológicos para se tornar competitivo e inovador. Um dos maiores desafios de algumas empresas moçambicanas é ter tecnologia de armazenamento de informação.

Humberto Barros, Director-Geral da TV Cabo, explicou, painel que debateu tecnologia e inovação, na MozTech 2023, como é que uma empresa que fornecia serviços de televisão tornou-se referência na distribuição de rede de internet.

Em 2011, ATV Cabo lançou o projecto pioneiro de rede FTTH (fiber to the home) e iniciou a expansão pelas províncias de Moçambique, com redes totalmente em fibra óptica. A empresa está a evoluir nas zonas de Maputo e Matola, criando as infra estruturas necessárias para o seu crescimento, e tem uma presença crescente no resto do país, com destaque para a Beira, Nampula, Pemba e Tete.

“A nossa inovadora rede em fibra óptica permite levar serviços de última geração a todos os clientes”, disse Barros.

Uma inovação que tanto a Vodacom assim como a MCNet tiveram de adoptar para melhor servir os seus clientes.

E quando o assunto é armazenar informação gerada pela tecnologia é por vezes dores de cabeça para algumas empresas. A Raxio Group traz a solução para Moçambique.

A Raxio Group está a um ano no mercado moçambicano e é especializada na construção de centros de dados para o armazenamento de informação para os seus clientes.

 

O último dia da Feira de Tecnologias MozTech, na Arena 3D, na Catembe, Cidade de Maputo, arrancou com um debate à volta do tema Serviços financeiros digitais e os desafios de segurança. No painel moderado pelo jornalista Afonso Chavo, estiveram Inácio Neves, Associate Partmer na Deloitte Moçambique, e Sérgio Gomes, Director-Geral do M-Pesa.

Ao longo de uma hora de reflexão, os oradores referiram-se à necessidade de se investir na segurança dos serviços financeiros, bem como na sofisticação dos procedimentos inerentes ao sector.

Na manhã desta quinta-feira, o primeiro a intervir foi Inácio Neves. Segundo Associate Partmer na Deloitte Moçambique, no país, existem muitas empresas ou instituições em geral que, muitas vezes, não estão a par do risco que tomam, em termos de vulnerabilidade cibernética. Por isso mesmo, os gestores dessas empresas ou instituições, tendencialmente, ou não investem no sector que, em termos de segurança, exige uma actualização diária, ou simplesmente desvalorizam propostas de segurança apresentadas por especialistas.

“Há que levar a sério a questão do risco cibernético”, disse Inácio Neves, para quem a questão de segurança cibernética não deve ser vista de forma particular nas empresas, já que o quadro de gestão de risco da situação financeira envolve todo um ecossistema. Por exemplo, “O nível de segurança nos bancos deve ser o mesmo que nos provedores. Pois, caso o banco esteja protegido e o provedor da segurança esteja vulnerável, pode haver consequências ao banco e aos seus clientes. Mas os bancos estão muito mais avançados nestas matérias do que os sectores não financeiros”.

Já para Sérgio Gomes, Director-Geral do M-Pesa, plataforma com quase 10 milhões de subscritores, quando se fala de inclusão financeira, é necessário que se tenham em conta as vicissitudes sociais. A inclusão de que se falava em 2013, altura em o serviço chegou a Moçambique, é completamente da inclusão actualmente. Ou seja, a inclusão dos serviços financeiros, hoje, é também distribuição acessível e com protecção dos interesses dos clientes.

Dito isso, o Director-Geral do M-Pesa avançou que é fundamental que as empresas, as instituições financeiras, os provedores e os clientes se protejam constantemente, pois, os piratas cibernéticos têm inovado as suas práticas diariamente. Logo, o que ontem foi seguro, hoje e amanhã pode não ser. Pelo que a actualização das medidas de segurança se revelam necessárias e sempre insuficientes.

“Temos de nos defender, e nós, no caso do M-Pesa, temos sido capazes de nos defender ao longo dos anos, para protegermos os nossos clientes”.

Serviços financeiros digitais e os desafios de segurança foi o terceiro painel desta 10ª edição da Feira de Tecnlogias MozTech. A iniciativa arrancou esta quarta-feira e, na abertura, contou intervenções do PCA da MozTech, Daniel David, do Embaixador dos Estados Unidos da América, Peter H. Vrooman, do Ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, do PCA do Instituo Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), Twaha Mote, e do Director-Geral da Eutelsat para África, Philippe Baudrier.

A grande novidade, no dia de abertura, foi a de que a empresa Interactive vai passar, a partir de 1 de Julho, a prover internet a todos os moçambicanos.

 

Decorre em Manica o primeiro fórum de agro-negócio na província, organizado pelo Standard Bank, instituição bancária que se propõe a trazer soluções de financiamento ao sector agrícola, que tem estado a encontrar barreiras devido aos riscos que a actividade apresenta.

A província de Manica tem enorme potencial de negócio no sector agrário, mas a falta de financiamento impede os produtores locais de diversas culturas de sonharem alto. É neste contexto que o Standard Bank promove, desde esta terça-feira, no distrito de Gondola, o fórum de agro-negócio, que tem por objectivo melhorar a balança agrária.

De acordo com Bernardo Aparício, administrador-delegado do Standard Bank, “Manica tem características climáticas únicas que permitem a produção de variedade de produtos, como frutas, grãos, leguminosas e até florestas”, pelo que, no seu entender, há necessidade de se reflectir sobre as oportunidades de desenvolvimento do agro-negócio.

Aparício anotou, por outro lado, que, no evento, serão partilhadas soluções inovadoras e de serviços financeiros que melhoram a resiliência e a competitividade do sector.

“Assumimos a responsabilidade de proporcionar os serviços financeiros de forma holística ao sector do agro-negócio, beneficiando todos os actores da cadeia de valor, desde comerciantes, operadores logísticos, processadores, produtores, fornecedores de produtos e serviços”, revelou.

E porque a banca não tem estado a financiar o sector agrícola por causa dos riscos da actividade, o conselho empresarial de Manica, através do seu presidente, Alcides Cintura, avança algumas soluções.

Presentes no encontro, os dirigentes da província instaram o sector bancário a criar facilidades de financiamento aos pequenos produtores como forma de alavancar o agro-negócio.

No encontro de dois dias, participaram dirigentes a vários níveis e diferentes actores da área do agro-negócio.

Diversas empresas expuseram, hoje, os seus serviços e suas inovações tecnológicas na feira Moztech. Da exposição, o maior destaque vai para aplicação da tecnologia nos sectores da educação, saúde e segurança cibernética.

A Moztech não só é uma plataforma de discussão de ideias sobre tecnologia, mas é, também, um espaço para que as empresas exponham os seus serviços e inovações tecnológicas.

É por isso que, na décima edição da maior feira de tecnologia, houve exposição e foi o ministro dos Transportes e Comunicações que “deu o primeiro passo”, para que os demais presentes se aproximassem e tirassem as suas curiosidades no que à tecnologia diz respeito.

Na companhia do PCA da DHD e do INCM e do embaixador dos Estados Unidos da América em Moçambique, Mateus Magala interagiu com os expositores stand em stand.

Na interacção, o governante ficou a saber como é que a tecnologia está ao serviço da saúde. “Nós, como ICOR, viemos mostrar aquelas tecnologias que nós temos, não só no âmbito do diagnóstico, mas também em termos de tratamento. Nós temos exames como tomografia axial computorizada em 64 slides; temos mamografia com capacidade de 2D e 3D; temos a sala de cateterismo que serve para o diagnóstico como para o tratamento. Vamos expor também outras formas de tratamento de patologia cardíaca e não só”, explicou Artur Júnior, médico generalista do Instituto de Coração.

Para que a tecnologia esteja ao serviço da saúde, é preciso criar sequência de dados para armazenar informações. A PHC está na Moztch para mostrar como é que faz.

“Estamos a falar de soluções de gestão de empresas, contabilidade, de capital humano. Estamos a falar de soluções que ajudam as empresas a decidir melhor e a melhorar os seus processos. Estamos a falar de empresas que precisam de automatização de processos. Então, isto é o que o nosso software traz às empresas”, expôs Jennifer Cau, da PHC.

Na feira tecnológica, há também soluções para a segurança cibernética e para aqueles problemas frequentes em instituições pública, como o conhecido “não há sistema”. “Nós fornecemos uma maior consistência e uma maior resiliência na protecção de dados. Por exemplo, nós deparamo-nos com situações em que, mesmo na administração pública e bancos, dizem sempre que não há sistema. Então, a RAXIO Moçambique vem eliminar esse tipo de problemas, oferecendo uma maior interacção com mais resiliência, facilidade entre a internet e o consumidor”, indicou Rosemera Faite, representante da RAXIO Moçambique.

E o consumidor vai ter, a partir do dia 1 de Julho, um serviço alternativo, rápido e seguro de internet via satélite com a entrada para o mercado da VivaNet. “Nós estamos a fazer uma redução em cerca de 50 por cento daquilo que são os preços aplicados no mercado e acreditamos que isso vai ser mais-valia para a população. Nós temos uma forma única de subscrição. A pessoa pega a mensalidade e tem um custo mínimo de instalação que varia um pouco em relação à localização do local da instalação”, detalhou Igor Frechaith, director da Interactive.

Mais-valia terão, também, os municípios que têm, à sua disposição, uma plataforma electrónica para, por exemplo, pagamento de alguns serviços. “A principal novidade que nós trazemos para Moztech deste ano são os sistemas integrados de gestão dos municípios”, revelou Énia Dedé, representante da MCNET, detalhando que “sabemos nós que os municípios têm vários serviços e várias taxas que cobram e, com um sistema de gestão integrada, vai ser possível fazer esta cobrança ou colecta de forma eficiente”.

Com esta plataforma apresentada na décima edição da Moztech, eficientes serão também os estudos das crianças, porque junta diversão e ensino. “Nós estamos a expor uma plataforma de jogos digitais para crianças. Nós somos uma start up de desenvolvimento de jogos digitais para crianças. O nosso foco é tornar o serviço de ensino e aprendizagem mais dinâmico, envolvente porque permite uma interação entre professores alunos e os pais”, descreveu Shally Gossolo, da plataforma Dondza.

Esta interação pode ser feita através do inglês e, em caso de dificuldades, é possível aprender a língua através da internet. “Wise Up, como o próprio nome já diz, significa “sabe” e é para quem quer aprender inglês da vida real. Então, é um inglês mais profissional, virado para vida adulta. Então, quem quer desenvolver as suas habilidades, o Wise Up online está habilitado a capacitar a pessoa a engrenar no mercado com mais facilidade e é digital”, promoveu Starleny Banze, da Wise Up.

O ministro dos Transportes e Comunicações teve a oportunidade de viajar na tecnologia 5G da Vodacom.

 

MOZTECH É PLATAFORMA DISCUTE INCLUSÃO DIGITAL NO PAÍS

Além das empresas, estiveram presentes na 10ª edição da Moztech, a feira contou com a presença de várias pessoas que amantes, apreciados e que trabalham com a tecnologia. Todas elas ficaram impressionadas com o que viram e ouviram.

“Estando na Moztech, colho uma boa experiência. Assim como o ministro dos Transportes e Comunicações disse, esta é uma iniciativa que deve permanecer porque impulsiona o negócio, a tecnologia. Então, é de louvar esta iniciativa e espero participar mais vezes”, afirmou Lucas Gamboa, participante da Moztech.

E há quem faz questão de sempre de estar na Moztech. Aliás, já lá estive por mais de cinco vezes. “Vim ver as melhores práticas que são feitas a nível de tecnologia em Moçambique e também lá fora que nós possamos aproveitar e também fazer networking, conhecer outras pessoas, empresas e trocar experiências, indicou Ricardo Manuel, que estive no primeiro da Moztech.

Também assíduo da Moztech, o advogado Tomás Timbana descreve a feira como plataforma de discussão de ideias para a inclusão digital no país.

“Creio que é uma boa plataforma para o desenvolvimento tecnológico de Moçambique. Acho que o país só fica a ganhar se acompanhar o que melhores faz aqui e o que os vários empreendedores têm estado aqui. Está de parabéns a promoção por cada vez mais, todos os anos, trazer-nos melhores produtos e melhores referências. Creio que todos nós saímos a ganhar e o país, também”, observou Tomás Timbana, antigo bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique e participante da 10ª edição da Moztech.

Os participantes dedicaram o dia para, também, apreciar a exposição, o melhor dos serviços e das inovações tecnológicas que o país oferece. Amanhã, há mais.

O valor faz parte de um total de pouco mais de 1,5 biliões de dólares que o Estado deverá reembolsar, este ano, aos serviços de dívida, segundo o Ministro da Economia e Finanças, Max Tonela, que garantiu que o Governo tem condições para cumprir a meta até Dezembro deste ano.

O Estado tem uma dívida de 14,4 mil milhões de dólares norte-americanos, sendo 70% externa e 30% interna.

Até ao momento, nenhum esclarecimento sobre o estágio actual do endividamento público havia sido dado pelo Estado.

Esta terça-feira, em conferência de imprensa para a qual apenas foram convidados jornalistas de órgãos estrangeiros, o Ministro da Economia e Finanças, Max Tonela, deu algumas explicações sobre este e outros assuntos atinentes à economia nacional.

O jornal O País teve acesso a uma gravação de áudio, em que o ministro informa que o Estado já pagou cerca de 48% dos encargos da dívida pública projectados para este ano.

“Para este ano, nós temos, do ponto de vista do reembolso do capital e dos juros, quer com a dívida interna, quer com a dívida externa, recursos avaliados em um bilião, quinhentos e setenta e um milhões de dólares americanos e, até a este momento, foram já pagos pelo Estado 764 milhões de dólares americanos, cerca de 48% do serviço de dívida pública projectado para este ano e o Governo tem todas as condições para continuar a cumprir”, desvendou o ministro.

Segundo o dirigente, tais condições reflectem-se nas decisões tomadas pelo Governo, como a Tabela Salarial Única. “As outras têm a ver com a diversificação de fontes de receitas”, esclareceu Max Tonela.

O ministro da Economia e Finanças também explicou porquê a agência de notação financeira Standard and Poors classificou, recentemente, como mais arriscada a posição do país em termos de emissões de dívida comercial em moeda local.

Max Tonela justificou que tal se deveu às bases que o estudo tomou como base. “Houve uma avaliação recente, de rating do país, que se baseou num quadro retroactivo, sobretudo nos primeiros meses do ano, num período em que o impacto da reforma salarial, implementada pelo Estado, no ano passado, era muito elevado do ponto de vista financeiro.”

Para resolver esta questão, “o Governo tomou medidas, de forma sucessiva, e mais recentemente, através da revisão da lei que estabeleceu a reforma para assegurar que, a partir de Julho, as contas estejam nos carris, de acordo com as projecções estabelecidas e com o orçamento do ano”.

Max Tonela explica que o país poderá receber, em média, 750 milhões de dólares do gás natural por ano, durante 25 anos, e 100 milhões de dólares nos primeiros anos, números que, “de forma escalonada, vão depois crescer para 300/500 até chegar a mais de um bilião por ano”.

Segundo Max Tonela, a economia nacional poderá crescer, este ano, 5%, um nível que poderá aumentar para 7% nos próximos dois anos.

Apenas 20% de moçambicanos têm acesso a internet, segundo dados do Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM). Este dado sugere que há um mercado por explorar, como forma de garantir que mais moçambicanos tenham acesso a internet.

Foi no painel que discutiu “Inclusão Digital e Transformação Social” da MozTech que foram revelados dados sobre a acesso às comunicações, no geral, e a internet, em particular. Moçambique tem estado a registar crescimento no acesso aos serviços digitais. Tauha Mote, Presidente do Conselho de Administração (PCA) do INCM, disse que 20% de acesso a internet significa que há um mercado por explorar, sobretudo quando se fala no acesso a internet a custos acessíveis.

Os dados estatísticos indicam ainda que 50% dos 33 milhões de moçambicanos tem acesso a um telemóvel, sendo que as infraestruturas de rede móvel encontram-se disponíveis em 80% do território moçambicano, o que indica que há zonas com rede móvel, mas cuja utilização é baixa ou inexistente.

O Director-Executivo da Interactive, Igor Frechaut, falou das vantagens do serviço de internet por satélite, VIVAnet, que estará disponível a partir do dia 1 de Julho próximo. O responsável enalteceu a rapidez, o acesso em qualquer parte do território moçambicano, em particular nas zonas recônditas e o custo baixo como vantagens do novo serviço de internet.

“Nós somos um país vulnerável ao impacto climático e muitas vezes as comunicações são afectadas, havendo corte das mesmas. Com a VIVAnet esta situação não se coloca e teremos a oportunidade de proporcionar serviços de comunicação de emergência, nos casos de interrupção de outras formas de comunicação”, explicou Igor Frechaut.

Michael Muth, do Departamento do Estado para o Comércio dos Estados Unidos de América, partilhou a contribuição para a materialização da inclusão digital em África, tendo feito menção a trabalhos realizados em Moçambique, Angola, África do Sul, Nigéria e outros países africanos.

Os painelistas falaram também da importância da educação para que os utilizadores de serviços digitais protejam-se dos ataques cibernéticos, protagonizados por piratas informáticos.

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