O País – A verdade como notícia

Em Moçambique, 50,1% de Agregados Familiares (AF) têm acesso a energia eléctrica, dos quais, 32% através da rede eléctrica e 18,1% por outras fontes. Isso significa que 49,9% dos AF está sem conexão à rede e nem outras soluções de electricidade, segundo o Inquérito sobre o Impacto do Acesso à Energia Sustentável 2022 do Instituto Nacional de Estatísticas (INE). No que refere à área de residência, os resultados indicam que 71,2% dos AF da área urbana tem acesso à energia eléctrica da rede nacional enquanto na área rural, o maior acesso à electricidade é através de outras fontes (23,6%). Refira-se que na área rural a maior parte dos AF vive sem conexão à rede, sem outras soluções de electricidade (63,3%).

O Inquérito sobre o Impacto do Acesso à Energia Sustentável 2022 do INE revela que o acesso e ligação à electricidade no país é de, 50,1% de AF, sendo 32,% através da rede eléctrica e 18,1% através de outras fontes. Isso significa que 49,9% dos AF estão sem conexão à rede nem outras soluções de electricidade, situação mais grave nas áreas rurais (86,8%), províncias de Tete (84,7%) e na Zambézia (83,3%).

Segundo a distribuição geográfica, a Cidade e Província de Maputo apresentam maior percentagem de AF com acesso à energia eléctrica através da rede nacional/local, com 96,5% e 69,8%, respectivamente. Destacam-se, ainda, as províncias de Cabo Delgado (73,4%), Tete (69,8%), Zambézia (59,1%) e Niassa (57,6%) por apresentarem maior número de AF sem acesso a qualquer fonte de energia eléctrica.

Os poucos domicílios com electricidade na área rural têm maior acesso através de energia solar (85,3%), baterias recarregáveis (74,9%) e baterias de células secas (71,4%) face a área urbana que usa electricidade da rede nacional (72,2%) e gerador eléctrico (58,3%). 8. Cerca de 73% de AF carrega o telefone celular na sua própria casa, da qual a Cidade de Maputo apresenta maior percentagem (95,9%).

Quanto aos níveis gerais de acesso à electricidade destaca-se: Para dimensão de capacidade, ressalta-se que 56,9% dos AF usa electricidade com menos de 3 Watts (W) por dia ou menos de 12 Watts por horas (Wh), ou não têm acesso à electricidade, principalmente em Tete (78%), Cabo Delgado (76%), Zambézia (67,8%), Nampula (67%) e Niassa (65,6%) contra 34,0% de AF com consumo diário de 8,2 kWh, sobretudo na Cidade de Maputo (97,8%) e nas províncias de Maputo (72,6%) e Gaza (59,1%).

Para disponibilidade, 93,6% dos consumidores têm disponibilidade de energia eléctrica por, pelo menos, 23 horas por dia. Para a qualidade, 78,6% dos consumidores não presenciou problemas de interrupções que danificam electrodomésticos. No entanto, 21,4% de consumidores registou interrupções de corrente que danificaram electrodomésticos, com destaque na área urbana (24,3%), na Cidade de Maputo (39,6%), nas províncias de Sofala (27,4%), Maputo (26,5%) e Zambézia (22%).

Para fiabilidade da energia fornecida, o Inquérito revela que 65,9% dos consumidores têm mais de catorze cortes de energia por semana, destacando-se as províncias de Manica, Inhambane e Cidade de Maputo com mais de 80% de AF nessa situação.

Em termos de acessibilidade, 50,5% dos consumidores gastam mais de 5% do rendimento anual com electricidade. 9.6 Quanto à legalidade, quase todos consumidores pagam ao fornecedor de electricidade (96,7%). Todavia, as províncias da Zambézia (15,6%) e Niassa (13,9%) registam maior percentagem de consumidores que não pagam o consumo da electricidade.

No que se refere ao acesso global ao combustível e tecnologias de energias limpas, 40,3% de AF tem acesso a energia sustentável, com maior déficit para área rural (24,8%) contra área urbana (72,7%).

Assim, relativamente aos níveis de tecnologias para cozinha, tem–se aproximadamente 72% dos AF que usa cozinha de baixa conveniência para confeccionar os alimentos, isto é, em cada 7 dias eles gastam mais de 7 horas para adquirir combustível para cozinhar e mais de 15 minutos em preparar o fogão para cozinhar.

Cerca de 95% de AF usa um fogão principal seguro, isto é, sem acidente ligado ao fogão nos últimos 12 meses. 10.3 Quase todos AF gastam mais de 5% da sua renda anual em aquisição de combustível para cozinha, situação mais grave na Cidade de Maputo (99,4%), províncias de Maputo (93,9%) e Niassa (92,1%). 10.4 91,0% dos AF experimentou uma crise de acesso à combustível para cozinhar ao longo dos últimos 12 meses, principalmente na área rural (94,0%) do que na área urbana (84,7%).

Quanto à educação, 24,% de AF com acesso à electricidade, com crianças de 6-14 anos de idade usa energia solar, face a 1,0% de AF sem acesso para fazer lições de casa. Mais de dois terços de AF com acesso à electricidade, seus filhos estudam a lição de casa durante o dia, contrariamente aos 85,6% dos AF sem acesso.

No que se refere à iluminação e segurança públicas, 22,1% de AF com acesso à electricidade tem ruas iluminadas contra 5% dos AF sem acesso a iluminação pública. Cerca de 86,0% de AF com acesso à electricidade tem iluminação pública nocturna contra 87,7% de AF sem iluminação pública nocturna.

O documento revela que mais de 60% de AF com acesso à electricidade sente se completamente segura ao andar sozinha em casa e em locais públicos durante o dia, 41,4% de AF não se sente segura ao andar sozinha durante a noite, para AF sem acesso à eléctricidade, 36,6% não se sente segura ao andar sozinha durante a noite.

Uma força conjunta será criada por Moçambique e Indonésia com o objectivo de alavancar a industrialização, exploração do gás, minérios e outras áreas. O anúncio foi feito, hoje, por Filipe Nyusi, no âmbito da visita ao país de dois dias do seu homólogo da Indonésia.

De visita a Moçambique, desde segunda-feira, Joko Widodo, Presidente da Indonésia, foi recebido, hoje, pelo seu homólogo, Filipe Nyusi.

Após um encontro privado mantido entre os dois Chefes do Estado, na Presidência da República, Nyusi manifestou o interesse do país em usar a experiência da Indonésia na transformação de matéria-prima em diversas áreas.

Segundo Nyusi, aquele país está a registar um desenvolvimento destacável, facto que o colocamos na lista das cinco maiores economias do sudeste asiático, tudo porque optou pela proibição de exportação de alguma matéria-prima, obrigando a instalação (no país) de indústrias transformadoras, que, para além da economia, alavancaram o índice de empregabilidade.

“Uma das experiências que precisamos de aprender da liderança do Governo é o facto de o país estar a libertar-se da dependência da transformação de matérias-primas. No seu país, proibiu a exportação do níquel e cobre. Escava-se e processa-se lá. Contou que mais de 48 empresas nasceram. É uma experiência que deverá ser capitalizada. Claramente, leva tempo criar essas bases, mas com coragem é possível. Temos produtos, não só minérios, que podem começar a ser proibidos de exportar”, disse Nyusi.

Para a efectivação dos objectivos, os governos dos dois países vão criar uma força conjunta, que visa essencialmente o desenvolvimento.

“Vamos criar uma task force que vai actuar a partir de agora em áreas específicas, sobretudo aquilo que os nossos irmãos sabem fazer e o que nós sabemos ou possuímos. Nesta força, os aspectos que terão maior atenção são a industrialização. Ficou claro que eles estão a industrializar o seu país com a experiência que têm, mas também no âmbito do gás, exploração, distribuição e gestão do gás”, avançou o Chefe do Estado.

Os têxteis, pesca, agricultura e produção de equipamentos ferroviários são algumas das áreas de interesse na cooperação entre os dois países.

Estas intenções foram firmadas através da assinatura de dois memorandos de entendimento, um para o controlo de medicamentos e produtos biológicos e outro sobre a cooperação na defesa.

Joko Widodo, que visita o país pela primeira vez, reiterou o interesse do seu país em melhorar as trocas comerciais com Moçambique e vê, na assinatura dos memorandos de entendimento, uma oportunidade para a concretização dos objectivos.

No final do encontro, Filipe Nyusi ofereceu um banquete a Widodo e sua delegação, tendo reiterado o apelo aos empresários dos dois países para fortificarem parcerias.

A agência de notação financeira Fitch Ratings prevê, para Moçambique, um “forte crescimento económico”, com a aceleração do Produto Interno Bruto (PIB) para 6,4% em 2023 e para uma média de 4,9% em 2024/2025. Os dados constam do relatório lançado, há dias, pela agência. Esta projecção é de 0,6 pontos percetuais abaixo da do Governo para este ano.

As perspectivas são baseadas nas projecções do aumento da produção no sector extractivo, com o peso maior do Gás Natural Liquefeito (GNL), conforme a capacidade de produção da plataforma flutuante de GNL Coral-Sul da Eni, que vai aumentar para 70% e 90% em 2023 e 2024, respectivamente. A capacidade total deverá ser de 3,73 milhões de toneladas por ano.

O crescimento ao longo de 2024/2025 será suportado pela retoma da construção do projecto de GNL de 20 biliões de dólares da Total, no primeiro trimestre de 2024, dada a melhoria nas condições de segurança em Cabo Delgado ao longo de 2023.

Entretanto, paralelamente às boas novas na economia, a Fitch também aponta riscos e medidas correctivas a situações negativas no país, a começar pelo Défice Orçamental.

A Fitch espera que o défice orçamental de Moçambique diminua de 4,5% em 2022 para 3,6% do PIB em 2023, impulsionado por receitas mais elevadas e medidas para corrigir o excesso de salários do sector público em 2022.

“A receita aumentará um ponto percentual, reflectindo o aumento da receita fiscal, principalmente do sector de GNL, e a expansão da base de cálculo do imposto de renda pessoal, resultante da reforma da tabela salarial do sector público”, escreve a Fitch.

Entretanto, o relatório avança que as despesas permanecerão inalteradas, pois os gastos relacionados às eleições e os pagamentos de juros, que chocam com a previsão inicial de redução das despesas, baseando no argumento de que “uma redução nos salários e subsídios para funcionários eleitos foram introduzidos para compensar o excesso de dois pontos percentuais nos custos da reforma salarial”.

 

DÍVIDA PÚBLICA: PREVÊ-SE “RISCO DE CRÉDITO SUBSTANCIAL”

 

No capítulo da dívida, a agência de classificação financeira atribui a Moçambique a notação ‘CCC+’, que reflecte níveis elevados de dívida pública, défices fiscais persistentes, fraca gestão das finanças públicas, baixo PIB per capita, fracos indicadores de governação e uma situação de segurança desafiadora.

Porém, o documento refere que “o acordo de uma Linha de Crédito Estendida (ECF) de três anos de USD 456 milhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2022; o impulso positivo no desenvolvimento do sector de Gás Natural Liquefeito (GNL) e as medidas para lidar com a derrapagem fiscal de 2022 fornecem algum apoio para credibilidade”.

Sobre o mercado de obrigações domésticas, a Fitch entende que os pequenos atrasos nos pagamentos de cupões de obrigações governamentais domésticas sem notação (moeda local) têm sido uma característica estrutural do mercado obrigacionista de Moçambique nos últimos anos.

Entre Janeiro e Maio de 2023, além do atraso nos pagamentos de bilhetes de tesouro, o Governo atrasou os pagamentos de capital, reflectindo as pressões de liquidez causadas pelos ciclones e um excesso de despesas com salários do sector público, bem como deficiências significativas na gestão das finanças públicas.

O relatório diz mais acerca da retoma do programa do FMI. Escreve que o efeito é de alívio às restrições de financiamento, a considerar que as amortizações de Moçambique ascendem a 4,1% do PIB em 2023 e poderão atingir 3,5% em 2024, sendo as amortizações externas em média 2,2% do PIB para o próximo ano.

“As necessidades brutas de financiamento serão atendidas por meio de desembolsos externos do sector oficial (FMI, Banco Mundial e Banco Africano de Desenvolvimento), uso de depósitos e adiantamentos do banco central, bem como emissões no mercado doméstico de títulos.”

Contudo, a derrapagem fiscal em 2022 levou a um aumento significativo no endividamento interno e pode diminuir ainda mais o apetite dos bancos por títulos do Governo, que permanece abaixo dos níveis do primeiro semestre de 2021 e anteriores. “A redução do défice ao longo do nosso horizonte de previsão será fundamental para Moçambique manter o acesso ao financiamento interno”, fundamenta.

 

“ESPERAMOS QUE AS RESERVAS INTERNACIONAIS DE MOÇAMBIQUE AUMENTEM PARA USD 3,0 MIL MILHÕES EM 2023 E USD 3,5 MIL MILHÕES NO FINAL DE 2025”

 

A Fitch espera que o Défice da Conta Corrente de Moçambique diminua substancialmente para 13,5% do PIB em 2023, saindo dos 33% em 2022. A queda reflecte em grande parte uma diminuição significativa nas importações associadas a megaprojectos, depois da importação do GNL flutuante de Coral-Sul (22% do PIB ou USD 4,4 biliões de dólares).

Mas, para os dois anos seguintes, o cenário previsto será inverso. O défice da conta corrente saltará para 35,5% do PIB em 2024 e 37,6% em 2025, devido às importações associadas ao projecto Área 1 LNG da Total.

O impacto dos megaprojectos nas reservas internacionais e na estabilidade externa mais ampla de Moçambique é limitado, uma vez que são totalmente financiados por entradas na conta financeira (investimento directo estrangeiro e créditos comerciais), explica o relatório.

“Esperamos que as reservas internacionais de Moçambique aumentem para três mil milhões de dólares em 2023 e USD 3,5 mil milhões no final de 2025, de USD 2,7 mil milhões em 2022. O aumento das reservas será impulsionado por menores custos de importação de alimentos e combustíveis, uma contribuição marginal das exportações de GNL, e a retoma do projecto GNL Área 1 da Total (12,5% do investimento total terá que ser contratado internamente)”, escreve a Fitch.

Todos os 20 bancos comerciais que operam no país tiveram reclamações ligadas ao crédito dos clientes junto deste grupo de instituições financeiras.

O BCI e o Millennium Bim são os que maior número de reclamações registaram durante o primeiro semestre de 2023.

No total, durante o primeiro semestre de 2023, foram feitas 349 reclamações junto das instituições financeiras que operam no país, o que mostra um nível baixo das queixas formalizadas pelos clientes, considerando o volume de reclamações de utilizadores destes serviços nas redes sociais. 

Crispim Amaral, activista e defensor dos direitos do consumidor, diz que o Banco de Moçambique se baseia apenas nas reclamações escritas e que chegam até à instituição, na medida em que muitos reclamam, mas não o fazem por escrito. Amaral avançou ainda que tem dúvidas de que o Banco Central consiga ter acesso às linhas de clientes destas entidades para apurar o número de reclamações que são feitas por telefone, que, não sua estimativa, são milhares.

Os maiores bancos são os que mais reclamações de clientes receberam. O Millennium Bim e o BCI são os que mais queixas tiveram com um total de 78 e 57, respectivamente. Estes foram seguidos de Bayport (53), Standard Bank (26), Absa (18), Letshego (18), Acess Bank (16), My Bucks (13), Moza Banco (10) e FNB (7), representando o top 10 de bancos comerciais com mais reclamações de clientes.

No geral, os bancos comerciais receberam reclamações sobre créditos dos clientes, durante o primeiro semestre. Isto pode resultar dos aumentos das taxas de juro para o reembolso de financiamentos para empresas e famílias, na sequência das medidas restritivas do Banco de Moçambique.

Outras reclamações patentes em muitos bancos estão ligadas a Central de Registo de Créditos (CRC) e ao Cadastro de Emitentes de Cheques de Provisão (CECSP). No que se refere a CRC, muitas vezes, os bancos comerciais registam erradamente que um determinado cliente está com crédito malparado, o que provoca uma ira nos que são prejudicados na sua relação com a banca. Ademais, os cheques sem provisão são um problema antigo que muitos clientes acreditam haver um conluio com alguns funcionários dos bancos comerciais que fazem vista grossa e não alertam sobre a inexistência de fundos em tal conta bancária e aceitam o depósito de um cheque sem fundos.

Em particular, o Millennium Bim e o BCI tiveram ainda reclamações ligadas às contas bancárias, aos ATM, aos POS e às operações cambiais e de moeda electrónica. 

Igualmente, o ranking dos bancos com mais reclamações muda de figura quando se observa o índice de reclamações, ou seja, o rácio entre o número de queixas por cada 100 mil clientes do banco. Por esta via, o banco com mais reclamações foi AC Microbanco, que, apesar de ter registado uma única reclamação, tem um índice de 3 703,7, segundo os dados do Banco de Moçambique. A classificação dos três principais bancos com mais reclamações é completada pelo Banco Nacional de Investimentos – BNI (479,2) e Bayport (41,5), que registaram um total de três e 53 reclamações, respectivamente, durante o primeiro semestre de 2023.

O defensor dos direitos do consumidor, Crispim Amaral, olha com muita desconfiança para o facto de não haver registo de nenhuma reclamação ligada à qualidade de atendimento, dada a demora a que os clientes são sujeitos nos bancos comerciais.

“Lembro-me de que, no mês passado, tivemos a polémica de os bancos comerciais não disporem de água, nem de casas de banho para clientes que ficam até sete ou mais horas para serem atendidos”, recordou Amaral, dizendo que os inspectores do Banco de Moçambique devem olhar para esta situação e sugerir melhores formas de trabalho às instituições financeiras.  

As autoridades moçambicanas estão a finalizar as negociações com os dois consórcios que venceram o sexto concurso internacional para a pesquisa e produção de hidrocarbonetos, faltando a aprovação e assinatura dos respetivos contratos, disse o executivo.

“As negociações estão praticamente no fim e, no máximo, até finais deste ano, os contratos serão apresentados ao Governo, para que os possa aprovar, para que as operações possam iniciar”, disse o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Carlos Zacarias, que falava aos jornalistas à margem do oitavo Conselho Coordenador do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, que encerrou quarta-feira (16) na cidade de Lichinga, província do Niassa, escreve a Agência de Informação de Moçambique.

O sexto concurso para a pesquisa e produção de hidrocarbonetos foi ganho pelos consórcios liderados pelas empresas italiana Eni e chinesa CNOOC.

Segundo a Lusa, citada pela AIM, o ministro dos Recursos Minerais e Energia avançou que o Governo vai estudar a possibilidade de lançar mais concursos internacionais para a pesquisa e prospeção de hidrocarbonetos, tendo em conta o potencial energético do país.

O Ministério da Economia e Finanças quer travar preços especulativos na contratação pública de bens e serviços ao Estado. Por isso, está a desenvolver uma plataforma que terá os preços de referência.

Os contratos de empreitadas para o Estado têm levantado debate por conta dos valores que têm sido definidos, embora nunca se tenha provado serem ilegais. A situação preocupa também o Ministério da Economia e Finanças.

A Directora Nacional do Património do Estado diz que a contratação pública é um processo descentralizado, que obedece à planificação e à disponibilidade de recursos. Albertina Furquia não avança prazos para a entrada em funcionamento desta plataforma, mas garante que vai ajudar a disciplinar o uso de dinheiro público.

“Ainda relacionado com os preços praticados no mercado, estamos a construir uma base sólida, que permita ter preços de referência de mercado para os bens e serviços que são adquiridos pelos órgãos e instituições do Estado. Com esta base, entendemos que podemos ajudar a disciplinar e melhor planificar as instituições na elaboração dos respectivos processos de contratação, porque tem de ter o valor estimado, mas também na gestão dos contratos porque, quando for adjudicado, já vai ter aquela base de preços de referência, preços mínimos, máximos e médios, que permitirão avaliar se aquele preço que está a ser proposto pelo concorrente é realista ou não”, explicou Albertina Furquia, Directora Nacional do Património do Estado.

A Cidade de Maputo acolheu, hoje, o primeiro Fórum Nacional da Contratação Pública. Na ocasião, a Câmara de Comércio de Moçambique disse ser importante combater a falta de transparência nos processos de contratação pública de bens e serviços para o Estado.

Em relação à falta de transparência na adjudicação a que se assiste em Moçambique, Álvaro Massinga, Presidente da Câmara de Comércio de Moçambique, referiu: “Penso que são vários factores que determinam isso, então é preciso combater o que desagua na corrupção e prejudica o próprio Estado, que acaba por pagar um preço alto a um produto ou serviço a que não corresponde.”

O evento é organizado pela firma Guiamundo, cujo administrador-executivo, Custódio Pedro, disse esperar que os participantes tenham ferramentas para poderem actuar com eficácia.

“Esperamos que os participantes possam aprender mais, consolidar os seus conhecimentos acerca daquilo que são as regras dos processos de contratação pública, lembrando que estamos, neste momento, em situação de reforma. Temos um novo Decreto, então queremos que o sector privado perceba muito bem as regras das reformas, mas também a administração pública que implementa essas reformas deve-se capacitar cada vez mais”, desafiou Custódio Pedro, administrador-executivo da Guiamundo.

O evento de um dia juntou advogados, especialistas em contratação pública e demais interessados e decorreu sob o lema: “Por uma contratação pública eficiente, transparente, concorrencial e promotora do desenvolvimento”.

O Banco Nacional de Investimentos (BNI) lançou, hoje, uma linha de financiamento para pequenas e médias empresas moçambicanas. São, no total, 25 milhões de dólares disponíveis.

Durante cinco anos, o Banco Nacional de Investimentos compromete-se a dar suporte financeiro a pequenas e médias empresas moçambicanas com créditos que variam de 500 mil a 6,5 milhões de dólares.

“Trata-se de uma linha que visa impulsionar a exportação, um processo de curto e médio prazo. Então, em função da necessidade, vamos ajustar os prazos.”

O sector privado, representado pela CTA, espera que os financiamentos impulsionem as exportações do país.

“Com esta linha, queremos garantir que os produtores nacionais com potencial de exportação possam ter os recursos de que precisam para organizar as suas actividades e negócios.”

Para aceder ao crédito, as empresas elegíveis precisam de ser exportadoras, estar licenciadas, actuar no sector produtivo, ter a situação fiscal regularizada e não possuir dívidas não regularizadas na banca.

O Presidente da República desafia os gestores do Porto de Maputo e dos Caminhos-de-Ferro de Moçambique a solucionarem o problema de congestionamento provocado por camiões na Estrada Nacional Número 4. Filipe Nyusi falava hoje, após a inauguração do maior rebocador portuário do país.

Chama-se “Ntamo” (palavra em changana, que significa “força”). O rebocador de navios do Porto de Maputo foi inaugurado, esta segunda-feira, pelo Presidente da República.

A infra-estrutura tem a capacidade de reboque de 75 toneladas e pode realizar manobras ágeis, o que faz dele o maior que opera nas águas moçambicanas.

A inauguração acontece na sequência do lançamento das comemorações dos 120 anos de existência da infra-estrutura ferro-portuária da Cidade de Maputo.

“Os investimentos realizados pela MPDC não só garantem a segurança e eficiência operacional, como também colocam o Porto de Maputo entre os mais competitivos da região, traduzido pelo seu rácio operacional. Mas isso não acontece só aqui, em Maputo. Coisas idênticas acontecem na Beira. Dentro deste ano, iremos colocar à disponibilidade um porto em folha em Nacala. Portanto, a visão é integrada ao nível de todo o país”, disse Nyusi, durante a sua intervenção.

Depois de uma visita aos anos 1800, onde surge a necessidade de colocação de um porto (ponte-cais, na altura), Nyusi falou de evolução tecnológica, infra-estrutural e em recursos humanos, facto que resultou no aumento dos rendimentos da empresa.

“O conhecimento e o capital, trazidos pela concessão permitiram um salto na capacidade de manuseamento de carga, de cinco milhões, em 2003, para 25 milhões de toneladas, em 2022. É importante destacar o grande investimento no capital humano jovem e na modernização do sistema informático e digitalização dos processos”.

Num evento que contou, também, com a presença de antigos gestores do sector dos transportes, Filipe Nyusi desafiou a gestão do Porto de Maputo e dos Caminhos-de-Ferro a eliminar o congestionamento provocado por camiões na Estrada Nacional Número 4.

“Dr. Osório Lucas disse que vai aproveitar a presença dos colegas para reunir e discutir estrategas de mitigação dos impactos do congestionamento. Se eu tivesse informação com antecedência terá sugerido que entrassem (todos) num «school buss – machimbombo» com todos os pertences e alimentos, para rumarem ao Ressano Garcia. Tenham certeza que esgotaram todos os pontos da reunião ainda de conseguirem sair da cidade. Não por falta de vontade, mas porque não se anda ali”, desabafou Nyusi, apelando que neste encontra saiam decisões palpáveis e exequíveis.

Para Nyusi, uma das soluções passa por haver equilíbrio entre as cargas transportadas por via rodoviária e ferroviária.

“Temos dado passos importantes para mitigar o impacto do crescimento do porto sobre as nossas estradas, em particular a EN4, que é o principal corredor de transporte de Moçambique e a principal artéria do porto de Maputo. Urge encontrar soluções para que assegurar que o crescimento da economia ocorra em consonância com o bem-estar das nossas populações e a manutenção das outras infraestruturas de transporte que servem o corredor”.

Osório Lucas, Director-executivo do Porto de Maputo, respondendo a perguntas de Jornalistas, garante estarem em curso medidas que vão minimizar o engarrafamento.

Para lucas a redução de congestionamento não pode ser feto com a redução do negócio, porque este traz receitas para a economia, gera emprego, etc., “o que nos estamos a tentar fazer é, por m lado olhar para uma fronteira mais flexível, por isso estamos a trabalhar com as alfandegas, na digitalização da fronteira e por outro promover maior volume de carga ferroviária para Maputo. Essa promoção de carga ferroviária requer investimentos dos lado dos CFM e da TransNet, mas requer também melhoras de sistemas. Nós e os CFM estamos a trabalhar agora para integração dos nossos sistemas digitais, o que faz com que a comunicação seja mais fácil e a movimentação dos vagões também sejam mais fácil, para que tenhamos conhecimento atempado dos vagões que veem ao porto”.

O gestor disse ainda que “o que nós pretendemos é encontrar uma equação equilibrada entre o aumento do volume ferroviário e o contínuo aumento de carga rodoviária, mas que passara em horas de menor pressão (é nestes termos que decidimos investir no porto seco de phessene, porque aquilo não é um problema de volume de trafico, também de gestão. Isso também tem de ser combinado com as obras que a Trac está a fazer na EN4, penso que vai contribuir para uma melhor convencia entre os camiões e as viaturas particulares”, disse o director executivo.

O porto de Maputo iniciou as actividades a 7 de Agosto de 1903.

O nível de exportação e importação entre Moçambique e Quénia, em 2021 foi de apenas 30.7 milhões de dólares americanos, o que segundo o Presidente da câmara de comércio  de Moçambique está muito abaixo do desejado.

Falando esta sexta-feira, em Maputo, durante a abertura do Fórum de negócios Moçambique-Quenia, Álvaro Massingue disse que os dois países têm a oportunidade de inverter o gráfico e aumentar os níveis de trocas comerciais, através de assinatura de acordos e ou parcerias inteligentes.

O evento de um dia visa a promoção de oportunidades de negócios e investimento entre empresas moçambicanas e Quenianas, bem como criar espaço para estabelecimento de parcerias empresariais.

As áreas eleitas como prioritárias são de indústria manufactureira, agricultura e pescas,  infra-estruturas, energia e serviços financeiros.

O Presidente da câmara de comércio de Moçambique, Álvaro Massingue apela aos empresários presentes no fórum para que aproveitem a oportunidade para a partilha de “know how”, principalmente sobre a indústria de petróleo e gás, que demanda muita mão-de-obra.

Já Erique Ruto, Presidente da câmara de comércio do Quénia, assumiu o compromisso de aumentar a cooperação entre os países, com especial destaque para o turismo, um dos ramos fortes do país, mas também na saúde e agricultura.

Por seu turno, Agostinho Vuma, presidente do CTA diz que a guerra na Ucrânia está a limitar a disponibilidade de cereais e outros produtos necessários, porém desafios os empresários africanos a se unirem na busca de solução priorias, para sairem da dependência do mercado externo.

Vuma apela para abertura dos Governos africanos, para a adopção de políticas mais aliciantes e viradas para produção e produtividade interna.

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