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O País – A verdade como notícia

O Presidente da República, Filipe Nyusi, procede, hoje, a abertura oficial da 53ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), a maior feira de negócios de Moçambique.

A edição deste ano vai contar com a presença de 1.940 empresas nacionais, 540 estrangeiras e 26 países, sendo que a Bielorrússia aparece pela primeira vez neste evento.

O momento mais alto do dia de abertura consistirá na entrega, pelo Chefe de Estado, de galardões dos melhores exportadores.

Esta é a sétima vez que o espaço de Ricatla recebe a maior exposição de negócios do país, depois de ter abandonado o espaço localizado na baixa da Cidade de Maputo.

Tudo a postos

O Vice-ministro da Indústria e Comércio, Ragendra de Sousa, visitou, ontem, o recinto da feira, para se inteirar dos preparativos, tendo constatado que estava quase tudo concluído.

Durante a passagem do vice-ministro, os preparativos estavam já acima de 80 por cento e a arrumação dos produtos quase completa nos compartimentos e balcões dos expositores.

A edição deste ano tem como foco a ligação entre os locais de produção e os mercados que constitui um dado inovador, diferentemente das edições anteriores.

“Estamos aqui para encorajar os expositores a serem o elo de ligação económica entre os produtores e os comerciantes. Este é um diferencial que trazemos das edições passadas em que se vinha e voltavam sem negócios. Mas desta vez iremos pedir as grandes empresas sediadas em Maputo para que escalem os diversos pontos de produção, isto é, da cidade ao campo, e vice e versa” disse a fonte.

Angola em peso

Seis empresas ligadas aos sectores da construção, prestação de serviços e indústria vão representar Angola durante os seis dias da 53ª edição da FACIM.

Em declarações à Angop, o Presidente do Conselho de Administração da APIEX, agência angolana de promoção de exportações, Belarmino Van-Dúnem, referiu ser importante a presença de Angola no evento, pois vai permitir divulgar o nome do país, assim como os empresários partilharem experiências com outros expositores.

“Vamos a Moçambique para mostrar ao mundo o que Angola tem de melhor, atrair investidores para o país e abrir o caminho para os empresários angolanos fora das nossas fronteiras”, disse.

Com o intuito de fomentar a participação das empresas angolanas, o Governo moçambicano tem já disponibilizado a custo 0 um Stand de 25 metros quadrados para os expositores/empresas angolanas.

A Ordem dos Contabilistas e Auditores de Moçambique (OCAM) elegeu, este sábado, os novos órgãos sociais.

Mário Sitoe foi reeleito bastonário e diz que um dos grandes desafios é internacionalizar a ordem e promover a qualidade dos profissionais.

A tarde deste sábado serviu para eleger os novos órgão directivos da Ordem dos Contabilistas de Moçambique.

Foram no total 954 membros inscritos para a votação que ia decidir o novo bastonário da Ordem. Abel Guaiaguaia da lista A, que não se fazia presente no local, é o novo presidente do Colégio dos Auditores.

Já para a posição de bastonário da Ordem dos Contabilistas, Mário Sitoe foi reeleito com 123 votos ao nível da Cidade e província de Maputo, contra 62 votos da lista C, liderada por Octávio Manhique.

No processo eleitoral foram inscritos 948 membros, dos quais apenas 346 votaram. A lista do bastonário reeleito, Mário Sitoe, foi a que mais votos teve a nível das províncias do país, o que lhe garantiu assim uma vitória certeira. Não houve espaço para muita festa, ou seja, as expectativas vieram à tona. Sitoe faz uma reflexão em torno dos desafios da Ordem.

"Queremos estar na plataforma internacional dos auditores, queremos ainda consolidar aquilo que é o crescimento dos membros e da assembleia-geral, dedicando a esforços à sua formação, como forma de aumentar o desempenho profissional e a qualidade do trabalho", disse.

Já o candidato vencido não foi muito além de reconhecer o resultado e felicitar o seu adversário pela vitória.

Octávio Manhique diz que não tem muito que contestar, senão aceitar os resultados do processo eleitoral.

"Eu era concorrente. Anunciados os resultados, felicitei o adversário, e é tudo. Sobre a transparência do processo, nada tenho a comentar".

De referir que a Ordem dos Contabilistas conta actualmente com quatro mil membros inscritos em todo o país, dos quais apenas 100 são auditores.

O continente africano tem a população mais jovem do mundo, que continua a crescer a um ritmo muito acelerado. É expectável que, até 2055, a população jovem do continente (com idades entre os 15 e os 24 anos) seja o dobro da registada em 2015, atingindo um total de 452 milhões de habitantes e que, até 2063, a população com menos de 25 anos possa atingir 70%.

Neste contexto, podemos afirmar que o sucesso dos esforços e políticas adoptadas pelos governos africanos para promover a inclusão social e económica dos jovens determinará os resultados do processo de desenvolvimento social e crescimento económico das nações africanas.

Para tal, é fundamental adoptar uma agenda política que inclua medidas demograficamente sustentadas que façam face à exclusão social, política, cultural e económica e que saibam explorar a energia e dinamismo da população mais jovem.

Estamos perante a feroz urgência do agora e os custos de ter grande parte da sua população em idade activa sem competências adequadas para o mercado de trabalho teriam como consequências o fraco desempenho económico, elevados níveis de desemprego, fuga de cérebros e elevados índices de criminalidade que levariam a uma grande instabilidade política e social.

Neste cenário, a temática do conhecimento, que será o grande tema de debate do Fórum MOZEFO 2017, assume particular importância, uma vez que será o factor determinante para formar jovens capacitados e competitivos num mundo globalizado.

Por outro lado, é fundamental combater a desigualdade geracional patente em muitos países e que condiciona a integração social, política e económica dos jovens. No plano económico, em particular no que respeita ao mercado de trabalho, é urgente a necessidade de tomar medidas, correndo-se o risco de a curto ou médio prazo ser praticamente impossível criar empregos para responder às necessidades dos jovens desempregados e empregados em situação precária.

Segundo dados do Banco Africano de Desenvolvimento, em 2015, 12 milhões de jovens entraram no mercado de trabalho, tendo sido criados 3,1 milhões de postos de trabalho. Mas os dados revelam que a maioria dos jovens não conseguiu um emprego.

Contudo, surgem sinais muito positivos da forma como os líderes africanos estão atentos e preocupados com esta questão. Neste sentido, o tema escolhido pela União Africana para 2017 é “Aproveitar o dividendo demográfico através do investimento nos jovens”, e a quinta cimeira União Europeia-África, a ser realizada ainda este ano, incidirá directamente sobre a temática dos jovens do continente. Espera-se destes debates uma discussão construtiva e produtiva no que concerne à adopção de medidas que criem maiores oportunidades e incentivos à capacitação dos jovens.

Neste contexto, o MOZEFO não podia estar alheio a esta temática, tendo criado um projecto dedicado aos jovens para o próximo Fórum, que se realiza a 22, 23 e 24 de Novembro em Maputo. O MOZEFO Young Leaders é uma iniciativa que visa criar um espaço aberto de debate dedicado aos jovens moçambicanos e promover a partilha de conhecimento e experiências que possam contribuir para a sua formação e desenvolver as suas capacidades de liderança.

Por outro lado, o MOZEFO Young Leaders irá promover o debate em torno das temáticas do desenvolvimento económico que mais preocupam os jovens moçambicanos e estimular a sua participação cívica na sociedade.

Ao longo do Fórum MOZEFO, será organizado um conjunto de “masterclass” com os principais oradores, para partilha das suas experiências de liderança e conhecimento sobre as temáticas do desenvolvimento económico e social dos países.

O grande objectivo do MOZEFO Young Leaders é contribuir para a formação profissional e pessoal dos jovens através da partilha de conhecimento e experiências colectivas e individuais, de forma a promover o melhor entendimento sobre os desafios das sociedades num contexto global e local.

O MOZEFO Young Leaders é uma iniciativa aberta a todos os jovens moçambicanos com idades compreendidas entre 21 e 35 anos, estudantes universitários ou jovens trabalhadores e empreendedores, sendo a sua admissão sujeita à apreciação da candidatura. Para além do formulário de inscrições, as candidaturas devem ser acompanhadas do CV dos candidatos e de um texto sobre “Qual o papel da juventude no processo de desenvolvimento do país?”. As candidaturas devem ser enviadas para o e-mail info@mozefo.com.

Expositores estrangeiros estão em peso na Feira, movidos pela confiança de que o país está a recuperar rapidamente da crise económica que vem desde 2015. A Bielorrússia participa pela primeira vez e parece ter estudado com profundidade as prioridades de Moçambique, a avaliar pelo tipo de produtos e serviços que veio exibir, que incluem a educação e a agricultura.

Alexandra Zlenko, expositora da Bielorrússia, no contexto da FACIM, disse: Estamos a promover programas de educação para estudantes. Temos algumas bolsas de estudo e é importante dizer que educação na Bielorússia é de boa qualidade e custos baixos em comparação com outros pontos da Europa, como por exemplo, França e Alemanha. Na Bielorrússia, a educação não é pior mas é de baixo custo. Também trazemos algumas máquinas para a área da agricultura, desenvolvidas na nossa academia de ciências, para apresentar aos visitantes”.

A Itália é um participante quase assíduo. Este ano, com a decisão de investimentos na área da produção de gás na Bacia do Rovuma, decidiu atribuir prioridade a este sector.

No primeiro dia, o fluxo de visitantes não foi significativo. Mas os que lá foram consideram que estão criadas condições para uma Feira de Sucesso.

A edição deste ano conta com 1 940 empresas nacionais, 540 estrangeiras e uma participação de 26 países.

 

 

 

O trigésimo quinto Conselho Coordenador do Ministério dos Transportes e Comunicações (MTC) terminou ontem. O evento serviu para fazer a análise do cumprimento do Plano Quinquenal do Governo (2015-2019) e do Plano Económico e Social 2017.
O tutelar do sector, Carlos Mesquita, diz que os três dias serviram para fazer uma análise do sector e definir as melhores estratégias para o cumprimento dos objectivos.
No primeiro semestre de 2017, o sector dos transportes e comunicações teve um crescimento de 10.5%.
Apesar dos bons resultados alcançados, o M TC destacou a necessidade de se continuar a modernizar as infraestruturas para responderem a demanda nacional e regional.
O conselho Coordenador teve a duração de três dias, decorreu em Bilene, na província de Gaza, com o lema: "Por um sistema de transportes, comunicações e meteorologia seguro e acessível".
O conselho reuniu quadros do ministério, das empresas públicas ligadas ao sector de transportes e comunicações e de outras instituições do ramo.

O Ministro da Indústria e Comércio, Max Tonela visitou, hoje, a FACIM para se inteirar dos preparativos, da quinquagésima terceira edição da Feira Internacional de Maputo. O Ministro percorreu os pavilhões onde estarão expostos produtos e serviços nacionais e estrangeiros de diferentes sectores, desde o turismo, agricultura, gastronomia, tecnologia, recursos minerais, entre outros. Aliás, foi mesmo no pavilhão ligado aos Recursos Minerais e Energia onde Max Tonela encontrou a ministra da pasta, Letícia Klemens, também a inteirar-se dos preparativos da FACIM 2017.
Depois da visita aos standes, Tonela dirigiu-se a imprensa e disse que um dos focos da presente edição da FACIM é estreitar contactos com vista a ampliar as exportações de produtos moçambicanos.
Para o efeito, o governo espera que as empresas moçambicanas estejam atentas ao mercado e internacional e aproveitem, no máximo, estabelecer parcerias.
A menos de 48 horas do arranque da FACIM, decorrem trabalhos de montagem dos standes de empresas nacionais e estrangeiras que irão expor produtos e serviços, para milhares de visitantes que são esperados.

Ministros, vice-ministros, diplomatas, representantes de instituições multilaterais, empresários, entre outras personalidades de África e do mundo, lotaram o salão que acolheu a cerimónia de abertura da reunião ministerial da sexta Conferência Internacional de Tóquio para o Desenvolvimento de África (TICAD), dirigida pelo Presidente da República, Filipe Nyusi.

Na sua intervenção, o Chefe de Estado destacou o facto deste encontro acontecer numa altura em que a economia global e a africana conhecem períodos de desaceleração, daí ser uma oportunidade para investir em infra-estruturas e no capital humano. “Para os nossos países, este é o momento de tirarmos o proveito deste impulso e aumentar investimentos em infra-estruturas e no capital humano. Este é um factor fulcral para acelerar o crescimento económico sustentável e inclusivo, indispensável para a criação do bem-estar”.

Num breve enquadramento relativamente a Moçambique, o presidente da República lembrou aos presentes que o país também registou uma desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB – valor de todos os bens e serviços produzidos na economia) de 6.6 para 3.8% de 2015 para 2016, enquanto a inflação aumentou de 3.6 para 19.6%, no mesmo período. mas “graças ao empenho dos moçambicanos, à cooperação com os parceiros de desenvolvimento, como o Japão, e à colaboração inestimável de países irmãos africanos, temos registado melhorias na situação macroeconómica do país, projectando-se um crescimento do PIB na ordem de 4.7% em 2017”.

Filipe Nyusi também fez menção ao clima de paz e estabilidade que se tem alcançado, devido ao diálogo, que permitiu pôr fim à tensão político-militar que se assistiu nos últimos dois anos.

Importância da TICAD

Filipe Nyusi destacou o facto de a TICAD, de um simples fórum de advocacia por África, se ter tornado hoje um instrumento de parceria entre os países africanos e o Japão, que abarca, entre outros, a promoção da paz e estabilidade; o desenvolvimento de infra-estruturas, para permitir a interligação; o desenvolvimento da agricultura, para garantir a segurança alimentar e nutricional, assim como alimentar as nossas indústrias e aumentar as exportações; a industrialização, que agrega valor ao manancial dos recursos naturais que os nossos países possuem, o desenvolvimento do capital humano, para o aumento da eficiência e produtividade; assim como a transferência de tecnologia e de conhecimento.

O Presidente da República sublinhou que a TICAD está em alinhamento com a agenda de desenvolvimento de África 2063, com o Programa de Desenvolvimento de Infra-estruturas para África, Programa Alargado para o Desenvolvimento da Agricultura em África, Programa Acelerado do Desenvolvimento Industrial de África, entre outros.

África deve diversificar a economia

Diversificar a economia é um imperativo que já foi apresentado em fóruns de debate sobre as economias de África. Filipe Nyusi apresentou-o na abertura da reunião, mas adicionou a cooperação como ingrediente importante para este objectivo.

Para o Presidente da República, “África não pode continuar a hipotecar o seu crescimento e desenvolvimento económico a fontes limitadas de receitas que dependem exclusivamente de recursos naturais de que dispõe na sua forma primária”, porque são recursos esgotáveis e porque são sensíveis às dinâmicas decorrentes das dinâmicas da economia global. Assim, o Chefe de Estado advoga que a forma mais eficaz de aproveitar os recursos naturais é promover uma cooperação mais integrada e agregação de valor à estrutura produtiva, através da diversificação da economia. No âmbito da TICAD, o sector privado pode desempenhar papel importante no processo de implementação de projectos de investimento que garantam o desenvolvimento tecnológico, incluindo a transferência de conhecimento.

No seu discurso, o Presidente da República vincou, ainda, o cometimento de África para com questões de manutenção da paz através do diálogo.

TICAD é veículo da diplomacia japonesa para África

TICAD sempre foi aposta da diplomacia japonesa para África e é essencialmente voltada para o encorajamento do crescimento resiliente de África, combinando os esforços com parceiros internacionais.

Para maximizar os rendimentos, asseguramos transparência e consistência das nossas actividades, com vista a garantir que cumpramos integralmente os nossos compromissos.

Considero indispensável a nossa responsabilidade relativamente aos passos que temos estado a dar.

A oportunidade que África abraça é clara, mas a questão é: como podemos trabalhar juntos para concretizar as aspirações do continente africano reflectidas na agenda 2063?”

O MOZEFO tem assumido como uma das suas mensagens principais a necessidade de humanizar o crescimento económico e o desenvolvimento social em Moçambique. Normalmente, assume-se que as pessoas são beneficiárias do processo de desenvolvimento e o MOZEFO pretende quebrar esta premissa e assumir, como ponto de partida para o debate, a necessidade de que todos os cidadãos sejam agentes participativos deste processo. Ao colocarmos as pessoas no centro do debate e no centro das estratégias de desenvolvimento, estamos a afirmar que o maior recurso das nações são os seus cidadãos.

Para isto, é essencial centrar o debate no aproveitamento e potenciação do conhecimento como motor de uma sociedade mais educada, igualitária e sustentável. Neste contexto, o próximo Fórum MOZEFO, que se realiza a 22, 23 e 24 de Novembro, em Maputo, terá como tema “Conhecimento, Motivação, Acção: acelerar o caminho para o desenvolvimento sustentável”.

Para a segunda edição do Fórum, o MOZEFO tem como objectivo provocar uma reflexão alargada a partir da seguinte pergunta “De que forma as nações podem investir no conhecimento e buscar motivação para desencadear uma acção concertada, com vista a acelerar o desenvolvimento inclusivo e sustentável?”. Em particular, o debate irá focar três grandes pilares: capital humano, inclusão social e sustentabilidade ambiental.

Os economistas do desenvolvimento são unânimes em afirmar que a economia do conhecimento será o pilar fundamental do progresso económico e social das nações, no próximo século. Com a transição da economia industrial do século XX para a economia do conhecimento do século XXI, o mercado global recompensa cada vez mais as economias flexíveis, eficientes e que podem adaptar-se com rapidez às novas circunstâncias – em uma palavra, as que podem inovar.

Neste contexto, o Fórum MOZEFO 2017 pretende promover um debate que permita discutir as transformações necessárias para a construção de uma sociedade do conhecimento, com uma mão-de-obra dinâmica, altamente qualificada, capaz de moldar o mercado de trabalho, atraindo indústrias de ponta e promovendo o empreendedorismo.

A abertura ao conhecimento será determinante para que as nações possam aproveitar todo o potencial gerado pelos recursos que têm ao seu dispor. Para que isso aconteça, é necessária uma maior abertura das nações ao mundo, cada vez mais digital, inovador e competitivo. E, para tal, é essencial apostar em áreas como educação e formação profissional, de forma a preparar os cidadãos para os desafios presentes e futuros.

Para o enriquecimento do debate, o MOZEFO irá trazer a experiência e visão de destacados líderes empresariais, sociais, políticos e académicos com uma ampla perspectiva sobre o rumo que as sociedades devem seguir, para serem competitivas num mundo globalizado. Neste contexto, existem dois casos de países que se destacaram pelas enormes transformações económicas e sociais para a economia do conhecimento, nomeadamente, México e Costa Rica.

A Costa Rica está colocada no Relatório sobre o Índice de Desenvolvimento Humano (elaborado pelas Nações Unidas) como um dos países com alto potencial para poder entrar na sociedade do conhecimento. Isto se deve, sobretudo, a um baixo nível de analfabetismo, uma extensa cobertura telefónica e eléctrica, um programa de informática educativa que funciona há mais de 15 anos – com prioridade para a área rural –, um programa de inglês como segunda língua nas escolas públicas e investimento estrangeiro na área da tecnologia de grande importância (Intel, que contribui significativamente para o Produto Interno Bruto do país, por exemplo). A Costa Rica também conta com um dos mais altos índices de desenvolvimento de software autóctone da América Latina.

O México, a partir de meados dos anos 90, passou pela transformação mais impressionante do comércio e da estrutura de produção na região. O factor crítico foi que o México finalmente decidiu fazer uso da sua vantagem geográfica – proximidade com a maior e tecnologicamente mais avançada economia do mundo. O estudo de caso da indústria electrónica, que tem sido uma das mais dinâmicas da economia do México nos últimos anos, é indicativo da importância de núcleos de conhecimento incipiente e lança mais luz sobre o papel das políticas públicas. A indústria de computadores e equipamento de telecomunicações de Jalisco tem atraído os provedores de serviços para a indústria electrónica e os fornecedores de partes e componentes utilizados em todo o mundo. Para tal, contribui muito significativamente um conjunto de factores estruturais como a aposta num bom sistema de ensino e uma rede de infra-estruturas de transporte que facilita muito os processos logísticos.

Neste sentido, a participação de Vicente Fox, antigo presidente da República do México, e de Laura Chinchilla, antiga presidente da Costa Rica, como oradores no Fórum permitirá a partilha destas experiências e contribuirá definitivamente para o resultado do debate em torno da economia do conhecimento.

O Presidente do Conselho de Administração do grupo Soico considera a falta de qualidade da rede de infra-estruturas, um dos factores que põe em causa o ambiente de negócios no país.
Daniel David vincou este posicionamento, durante o fórum empresarial de negócios África-Japão, que iniciou ontem e termina esta hoje.
“As infra-estruturas desempenham um papel básico e essencial para permitir que as empresas se envolvam e comercializem os seus produtos, sendo que a falta de infra-estruturas de qualidade representa um enorme desafio para o ambiente de negócios”, disse Daniel David, perante dezenas de empresários africanos e japoneses, de diversas áreas de actividade, que integraram um dos painéis temáticos do fórum.
Para o líder do grupo Soico, Moçambique, em particular, só pode tirar maior vantagem da sua estratégica localização geográfica, com fortes investimentos no desenvolvimento de infra-estruturas para alavancar e dar maior competitividade no mercado global.
“Num país como Moçambique, pelas suas características geográficas, nunca teremos um comércio competitivo a nível global, capacidade de atrair investimentos diversificados ou de assistir a um processo da industrialização da economia, se na base não tivermos infra-estruturas de qualidade”, observou.
Daniel David deu como exemplo, o transporte de contentores do porto de Leixões, em Portugal, para o porto de Nacala, na província de Nampula, que “é mais competitivo” do que a mesma operação de “Maputo para Nacala”.
Para a fonte, este é um dos exemplos que mostra o impacto que a rede de infra-estruturas tem para o empresariado e o ambiente de negócios no país.
“A falta de infra-estruturas de qualidade que nós temos, bem como as alternativas para o transporte e escoamento dos nossos produtos, contribuem, definitivamente, para a falta de incentivos ao investimento e da indústria”, disse, acrescentando que, “a infra-estrutura moderna é a sustentação de uma economia e a falta dela, inibe o crescimento económico”.
David destacou a importância de uma abordagem integral sobre a questão de infra-estruturas como suporte para um desenvolvimento sustentável e manifestou a convicção de que o Japão é um parceiro ideal para ajudar a desenvolver este sector.
“O Japão é um parceiro estratégico nesta parte da infra-estruturação da economia. Demonstrou isso em São Paulo (Brasil), quando desenvolveu toda a parte da indústria do agro-processamento e da agricultura e poderá transportar esses exemplos para Moçambique e apoiar o desenvolvimento do nosso país”, finalizou.

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