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O País – A verdade como notícia

O antigo Primeiro-Ministro da Espanha, José Luis Zapatero, um dos oradores do painel subordinado “Inclusão Social como alavanca para o Desenvolvimento Sustentável” apresentou seu posicionamento na cerimónia de abertura do segundo Fórum MOZEFO. 

Zapatero felicitou a organização do evento por integrar a “Inclusão Social” nos temas em debate. Para o antigo dirigente espanhol, a inclusão social define um país, por isso, apelou ao governo a continuar a manter esforços e combater todo e qualquer tipo de discriminação na sociedade. Por outro lado, apelou aos governos a garantirem que ninguém sofra desnecessariamente, que as crianças tenham mais anos de escolaridade, que hajam mais hospitais. É também dever do governo, considera, garantir igualdade entre homens e mulheres na escola, no trabalho e no parlamento. “Isto é que é ser um país justo. Uma pátria é um país com justiça”, defendeu.

Porque defende que todo progresso depende de boas ideias, Zapatero voltou a felicitar os organizadores do MOZEFO não apenas por ser uma referência de debate, mas, sobretudo, por juntar participantes de outros países a compartilharem experiências. 

Para que os planos do Governo sejam alcançados, Zapatero reiterou o compromisso do seu país com Moçambique. “A Espanha seguirá sendo um país de cooperação e amizade com Moçambique. Importa-nos o destino de todos os seres humanos”.

Falou igualmente da cultura de inovação, tendo apontado as novas tecnologias como aposta para a mudança. À semelhança do que dissera no MOZEFO Young Leaders, repisou a questão do acesso à internet. “Qualquer jovem é capaz de ter ideias antes impensadas, se tiver acesso à internet. E isso é mais seguro que petróleo e gás”.

Num contexto em que se discute sobre mudanças climátias, não ficou alheio ao tema, apelou a todos a pensarem em soluções sustentáveis. “A terra pode viver sem nós, mas nós não podemos viver sem ela. Devemos preservar a terra”.

“O MOZEFO é um espaço onde a sociedade moçambicana encontra-se para debater de forma construtiva os desafios do país”. As falas são Oldemiro Baloi, Ministro dos Negócios Estrangeiros, que procedeu à abertura oficial do fórum em representação do Chefe do Estado, Filipe Nyusi. No seu discurso, Baloi afirmou que o MOZEFO fornece requisitos que permitem influenciar as vidas dos moçambicanos e garantir um futuro melhor para todos. Mas não é apenas isso. O Ministro considera que o fórum é uma janela aberta de moçambique para o mundo, o que se revela com a participação de pessoas de diferentes cantos do mundo, para partilhar seus conhecimentos.

Estendendo cada vez mais o seu discurso para uma dimensão nacional, Oldemiro Baloi disse que o diálogo é aposta do governo para a busca da paz, o que é importante para o desenvolvimento. Assim, o dirigente pediu que o MOZEFO continue a contribuir para a promoção do diálogo, enquanto construção de ideias para o desenvolvimento sustentável.

Oldemiro Baloi aproveitou a ocasião para dize que o governo associa-se à iniciativa da SOICO, almejando ter mais voz activa através da participação dos seus órgãos nos debates.

A antiga Primeira-Minitra de Moçambique, Luísa Diogo, o PCA da ENH, Omar Mithá e o reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Orlando Quilambo, debateram a “Inclusão Social como alavanca para o Desenvolvimento Sustentável” no segundo grande Fórum MOZEFO, esta quarta-feira.

Segundo a antiga Primeira-Ministra, a inclusão social é crucial para que o desenvolvimento seja mais rápido e sustentável. Diogo considera que  só se pode construir uma sociedade de forma inclusiva, se houver garantia de participação de todos.

Para a antiga governante, o processo de inclusão não é acrescentar, mas integrar o diverso e formar um só, na diversidade. Por isso apontou três alavancas para o desenvolvimento sustentável: a transição geográfica, a questão de género e a diversidade de ideias e opiniões.

Aponta a transição geográfica como uma questão que deve ser devidamente planificada, pois à medida que a população vai crescendo, o desafio torna-se maior. “O desafio na inclusao não é a distribuição de riquezas de hidrocarbonetos, mas na saúde, educação, acesso ao emprego para jovens. Devemos começar a planear de forma mais cuidadosa”.

Quanto à questão do género, defende que a inclusão não deve ser vista como solidariedade, mas como necessidade, pois que a percentagem de mulheres no país é superior à dos homens. Para o efeito, aponta o conhecimento como factor-chave: “O acesso ao conhecimento é fundamental para a mulher, para que seu empoderamento e inclusão aconteçam, mas isso não acontece num dia, acontece em gerações, com programas holísticos, organizados e focados para obter os resultados”, referiu.

Foi categórica em relação à diversidade de ideias: “fazem com que, ao abrirmos espaço para que se manifestem, abrimos espaço para que a pessoa se sinta incluída”. Falou da promoção do pluraliso de ideias: “Cria iniciativas. Quando a pesssoas têm a liberdade de pensar, dar sua opinião e debater ideias”, defendeu para sustentar que tais actos enriquecem e fortalecem a agenda de denvolvimento de um país

Diogo defendeu ainda que a sustentabilidade só é possível quando há inclusão, o que requer eleboração de políticas inclusivas para o desenvolvimento do país.

Omar Mithá também destacou a importância da inclusão social. Para si, o acesso às oportunidades, sobretudo na área de hidrocarbonetos, é fundamental, contudo diz ser imprescindível a aposta no conhecimento e boa governação. “A governação deve ser forte para que a riqueza dos hidrocarbonetos diversifique a economia”, e defende a fiscalizacao da despesa pública.

A educação é apontada como factor indispensável para o desenvolvimento de um país. Nesta perspectiva, o reitor da maior e mais antiga universidade do país referiu que a instituição que dirige tem garantido uma participação equilibrada, tanto na questão geográfica quanto do género. “Estamos a contribuir para que mais moçambicanos se possam beneficiar de conhecimento”, disse Quilambo.

No debate, moderado por Olívia Massango, Administradora de Informação e Jeremias Langa, Administrador de Conteúdos, ambos do Grupo Soico, Orlando Quilambo destacou que um dos papéis da UEM é garantir que os estudantes nao saiam da academia com a mesma forma de pensar.

Moçambique é um país rico em recursos, dos quais há grandes expectativas para a recuperação da economia nacional, contudo, existem riscos e exemplos de países com mesma ou mais riquezas, mas que não atingiram as metas desejadas. Para que semelhante situação não ocorra, o PCA da ENH defende um sistema de governação transparente, com espírito de prestação de contas.

Porque o tema central do debate é a inclusão, Luísa Diogo, referiu ser um fenómeno que deve ser induzido, pois não é espontâneo e sobre a aposta nas mulheres, defendeu com seu exemplo: “Cheguei onde chegeui, porque fui dada a mesma oportunidade que foi dada os rapazes em casa”.

Outro grupo que merece especial atenção no que concerne à inclusão é a juventude. É preciso dar espaço aos jovens, defende Diogo, apontando os perigos da exclusão. “Não é a exclusão que cria o conflito, mas cria aderência ao conflito. O jovem quando não é bem aproveitado, torna-se força negativa”, disse.
 

O tema de debate do segundo painel do fórum MOZEFO, no dia inaugural, foi “Conhecimento e competitividade na Indústria”, e juntou três oradores: Ricardo Tadeu, Africa CEO AB InBev; Duarte Pinto, CEO da Sumol+Compal; e Nuno Amado, PCE do Millennium BCP.

Dos três oradores, o primeiro a intervir foi Ricardo Tadeu, quem se reuniu com jovens, ontem, no MOZEFO Young Leaders. Segundo Tadeu, o grande problema no processo de desenvolvimento das companhias é haver défice de pessoas capacitadas. Como forma de contornar o problema, Tadeu sugeriu que as empresas invistam na formação educacional, capaz de garantir o conhecimento dos quadros, pois só assim pode-se fazer com que as instituições tenham mesmo índice de eficiência que qualquer empresa do mundo.

Ricardo Tadeu referiu-se, igualmente, a outros factores importantes na área da competitividade da indústria: a ética e o ambiente de trabalho, em que qualquer pessoa pode falar com o chefe consciente de que as suas opiniões são ouvidas.

O Africa CEO AB InBev disse que uma das formas que a sua empresa usa para vencer na competitividade é o investimento no treinamento da liderança nos jovens, na selecção de profissionais e no processo de promoção. E como as pessoas vão ficando mais dependentes das tecnologias, a AB InBev tem um sector que pensa em novos negócios com recurso à tecnologia, para ajudar a manter a sustentabilidade do da instituição no futuro.

O painel sobre “Conhecimento e competitividade na Indústria” contou também com Duarte Pinto. Na sua intervenção, o CEO da Sumol+Compal defendeu que se o país quiser prosperar, deve ser autossuficiente, por exemplo, em matérias ligadas às bebidas, de modo a valorizar os recursos gerados a nível nacional. Assim, de acordo com o orador, poder-se-á evitar que o valor acrescentando fique em outras geografias, daí que a Sumol+Compal queira investir nas frutas do país.

O terceiro orador foi Nuno Amado, PCE do Millennium BCP. Amado defendeu, no último painel de debate do dia, que o crescimento das economias devem se basear na confiança, porque ninguém está disposto a negociar com instituições que não sejam credíveis.

A antiga Presidente da República da Costa Rica, Laura Chinchilla, defende que a chave para a geração de empregos, crescimento e desenvolvimento de um país é a educação. A antiga governante buscou o exemplo do seu país que era uma nação pobre, mas alterou o cenário através da aposta na educação a todos os níveis.

A Costa Rica é um país que detém recursos naturais como o gás e o petróleo, mas a nação, segundo Chincilla, optou por não explorá-los.

“A Costa Rica era um país muito pobre há 50 anos, mas decidimos apostar na educação, somos um país rico em hidrocarbonetos, mas não os exploramos, optamos por investir no capital humano. E esta foi a melhor decisão que tomamos. A chave para maior empregabilidade é a educação, educação e educação. Não há outra chave para este desafio”.

Laura Chinchilla foi a oradora principal do tema “Como Garantir maior empregabilidade dos jovens em Economia em Desenvolvimento”, no primeiro painel desta tarde no MOZEFO Young Leaders.

Quando questionada sobre que caminho Moçambique deveria seguir para sair da lista dos países pobres e ocupar um dos lugares dos países desenvolvidos a resposta rápida e clara – educação e aposta na tecnologia.

“A aposta na tecnologia vai permitir a qualquer país dar um salto. Se Moçambique investir na educação tecnológica vai permitir que as novas gerações possam transformar o país e gerar riqueza. O cenário pode mudar”.

A oradora explica que a aposta na educação deve permitir que as crianças, adolescentes, jovens e adultos ganhem competências para trabalhar em qualquer país. A aposta nas infraestruturas e tecnologias é o futuro porque podem gerar mais empregabilidade e se enquadram no novo panorama mundial.

A antiga Presidente da Costa Rica chamou atenção aos jovens presentes na sala, futuros líderes, que a existência de recursos naturais não gera riqueza. O mais importante que qualquer Estado deve fazer é investir no seu capital humano.

“A maior de riqueza de qualquer país é a seu povo. Devemos garantir que a educação possa gerar riqueza. É muito importante investir nas pessoas se quisermos gerar riqueza. Petróleo e gás por si só não geram riqueza. É importante que 100 por cento das crianças tenham, educação primária, os adolescentes e os adultos também tenham educação”, enfatizou a antiga estadista.  

A oradora reforçou que todos os países poderão ter as mesmas oportunidades e possibilidades, o que os diferencia são as escolhas que fazem e que África poderá desenvolver se apostar no seu capital humano.

“O que falta nos países africanos é a aposta na educação, apostar no seu povo, para que todas as riquezas que são dadas pela natureza possam gerar riqueza. Todas as crianças nascem iguais com as mesmas potencialidades. Deve se investir na educação logo que a criança nasça, porque só assim vemos quais são as potencialidades das crianças. Os países africanos devem o fazer, para garantir uma geração capaz de gerar riquezas, transformar os recursos naturais em desenvolvimento para todos”, concluiu Laura Chinchilla.

 

Jeremias Langa, Administrador de Conteúdos do Grupo Soico, encerrou o MOZEFO Young Leaders. Numa intervenção sem muitos formalismos, o administrador destacou que o evento serviu de aprendizagem para os jovens, que clamam por um espaço na sociedade e encorajou-os a lutarem para que o mesmo se mantenha. “Mostrem-nos que estas iniciativas são úteis”.

Também encorajou-os a colocar em prática o que aprenderam. “Há experiências muito importantes que foram aqui partilhadas.  Vocês já estão munidos de ferramentas e conhecimentos, usem este conhecimento”, desafiou-os.

Quanto aos resultados avisou-os que, geralmente, não são rapidamente notórios, mas depois aparecem, e que o importante é implementar as ideias.

Jeremias Langa foi interrompido por Vicente Fox, antigo Presidente do México, que em jeito de brincadeira, chamou atenção para os componentes da nossa bandeira. “Que tal se tirarmos a arma que está na bandeira de Moçambique e colocarmos uma rosa”, questionou.

A justificação? “Porque a arma representa guerras e a rosa representa as mulheres, que entendem de amor, compaixão e sobre construir um melhor mundo e nação para os nossos filhos”, concluiu.

O antigo Presidente do México, Vicente Fox, foi o último orador do MOZEFO Young Leaders, iniciativa do grupo SOICO que, ao longo de três dias, levou à juventude grandes líderes mundiais para uma conversa sobre questões ligadas ao desenvolvimento económico, social e humano.

Na derradeira intervenção, Fox foi categórico, com uma retórica que muitas vezes levou o auditório aos aplausos. Referindo-se a diferentes questões universais, o antigo Presidente do México teceu leituras concretas sobre Moçambique, defendendo que o país deve acelerar a economia, sem lengalengas, com poucos discursos e muita acção que garanta as pessoas concorrerem num espírito de competição.

O discurso de Fox mostrou que o antigo Presidente mexicano é uma pessoa desinibida e comprometida com os seus ideais, que incluem a educação do Homem. Nada é vão, pois, para Fox, é preciso aprender a cada momento do dia. E a educação é ainda mais importante para si porque o acelerador da economia é o capital humano, que, acompanhado de conhecimento adquirido na universidade, pode dar valor a uma nação. Depois, é importante para Fox que os países associem-se a nível regional com blocos de comércio baseado na competência, com cabeça aberta para o mundo, sabendo-se para onde se está a caminhar, assegurando escolhas de qualidade.

Vicente Fox estendeu ainda mais a sua abordagem, debruçando sobre as tendências de emigração do México para os Estados Unidos de América, algo que considera exorbitante, o mesmo do Norte de África para se chegar a Europa. Tal situação resulta, na óptica de Fox, de conflitos sociais além do razoável. Assim, o antigo Presidente mexicano sugere que se busque a paz e a harmonia, valor supremo da convivência humana, porque as guerras trazem sempre problemas que fazem de terras férteis tremendos desertos. “Quando a terra não produz, as pessoas emigram”, garantiu Fox, sugerindo: “É preciso compartilharmos o mundo porque, como disse Dalai Lama, o mundo pertence à humanidade, então ninguém tem autoridade de colocar muros onde quer que seja”

Fox disse que aos jovens que os problemas do mundo resolvem-se com trabalho e boa convivência. No fim, deixou uma pergunta retórica muita aplaudida: “Que tal se retirássemos a arma que está na bandeira deste país e colocássemos uma rosa?

Joaquim Chissano, antigo Presidente da República, destaca que o “Conhecimento” tema escolhido para esta edição do Fórum MOZEFO é de extrema importância porque através do conhecimento é que se pode criar e elaborar políticas públicas que vão de encontro com a realidade dos países.  

O antigo estadista refere que para a criação de uma economia de conhecimento são necessários três pilares:

i. Educação – o investimento na melhoria da qualidade e disponibilidade de programas de aprendizagem em todas as etapas e ciclos. Uma forte aposta na criação de uma academia, formação de professores de excelência, que partilhem o conhecimento para as gerações mais jovens.
 
ii.  Inovação – as nações devem passar da imitação para a inovação, procurando soluções mais ajustadas aos seus problemas e desafios. Investimentos na expansão e adopção de tecnologias de informação para a geração de conhecimento e postos de trabalho.

iii. Incentivo às instituições – apoiar as instituições e pessoas que contribuem para o desenvolvimento sustentável do país através da geração de iniciativas e transmissão de conhecimento.

Joaquim Chissano despertou os presentes para a aposta na transmissão de conhecimento para as novas gerações, porque eles são o garante do futuro. “Conhecimento é de particular importância porque ajudará a capacitar jovens com qualidade”, referiu o antigo estadista.

Chissano falava na abertura da Gala do MOZEFO Awards 2017. A gala tem por objectivo homenagear pessoas e organizações que contribuem para o desenvolvimento de Moçambique que os seus feitos se enquadram dentro dos princípios do MOZEFO.

A gala do MOZEFO Awards homenageou os antigos estadistas Laura Chinchilla, antiga Presidente da Costa Rica, José Maria Neves, antigo Primeiro-Ministro de Cabo Verde, José Luis Zapatero, antigo Primeiro-Ministro da Espanha, e Paulo Portas, antigo vice-Primeiro-Ministro de Portugal.

Paulo Portas enalteceu o facto do fórum MOZEFO reunir o sector privado, o sector público e a sociedade civil para debater os problemas e buscar soluções para os mesmos. Unir diferentes pessoas para um objectivo comum – o desenvolvimento de Moçambique.

José Maria Neves, por sua vez, considerou que o MOZEFO é um espaço único para o debate franco e aberto. Para o antigo Primeiro-Ministro de Cabo Verde só com debate é que se consegue soluções e fazer brilhar novas mentes.

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