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O País – A verdade como notícia

As sessões do último dia da 5ª edição da maior feira de tecnologias do país já começaram, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo.

Nesta manhã, a MOZTECH arrancou com uma tripla troca de experiências, protagonizadas por Bruno Santos, Director do Departamento Omnical da Fidelidade; Gianluca Pereyra, Fundador da Visor (vencedor do Protechting 2017) e Gércia Sequeira, Directora-Geral da ITIS. Todos os oradores, convidados a constituir o painel subordinado ao tema “Ecossistema de empreendedorismo tecnológico – criar alavancas de desenvolvimento”, dedicaram-se a partilhar experiências inspiradoras, que permitem as suas respectivas empresas alcançar bons resultados. Sequeira, por exemplo, disse que só foi possível abrir uma empresa de software, no seu caso, porque tiveram uma causa, a de contribuir para diminuir a distância entre os recém-formados e as empresas no mercado de trabalho. Antes, o propósito nem era formar mais uma empresa, que hoje possui um software ao serviço de 15 universidades do país.

 

A Directora-Geral do Instituto de Tecnologia Inovação e Serviços (ITIS), Gércia Sequeira, defendeu, durante o debate sobre “Ecossistema de empreendedorismo tecnológico/criar alavancas de desenvolvimento”, no último dia da feira MOZTECH, que para criar uma start up, os empreendedores devem ter em conta os desafios existentes no seu meio, para poder trazer a solução.

Sequeira falou da sua experiência positiva, mas alertou que a caminhada é individual, daí que, se algum empreendedor quiser desenvolver uma ideia não deve seguir um exemplo se sucesso e pensar que também vai dar certo. O empreendedor precisa, acima de tudo, ter uma causa, ou seja, um prolema a ser solucionado, precisa ter paixão por essa ideia e transformer todo esse ‘calor’ em trabalho.

A empreendedora diz igualmente que a tecnologia não é a solução dos problemas, mas um meio que pode ser usado para o efeito, até porque, acrescenta, a tecnologia sempre existiu, no entanto, está em crescente evolução. “Temos a oportunidade, por causa da acessibilidade, de inventar o futuro”.

António Pinto, Director de IT da Fidelidade de Angola, referiu que para criar uma solução, o empreendedor precisa conhecer o cliente, para saber que tipo de trabalho deve ser feito para responder as suas expectativas.

Referiu igualmente que em Moçambique e em Angola há ainda muito espaço para os empreendedores tecnológicos, e o que deve acontecer, é os empreendedores pensarem numa forma de trazer esta tecnologia e implementá-la.

Quem também defende o uso de tecnologias para deenvolver ideias e chegar a mais pessoas é Carlos Leitão, Director-Geral da Fidelidade e mostrou com exemplos, a experiência da sua instituição. “Como levar os seguros à população que nunca teve um seguro? Achamos jovens empreendedores para vender seguros, visando aproximar os seguros às comunidades. Criaram uma aplicação que permite que se faça uma simulação do seguro, independentemente do local onde o cliente estiver”, contou.

A cultura é a alma de um povo, que, bem explorada, gera muitos rendimentos aos artistas e ao país. Para o efeito, é necessário que se acredite nas potencialidades das diversas manifestações artísticas e culturais. Esta é a visão de Moreira Chonguiça, saxofonista que, neste fim de manhã, na 5ª edição da MOZTECH, a realizar-se no Centro de Conferências Joaquim Chissano, inaugurou o painel “Novos modelos de negócio – preciso ter produto para vender?”.

Ao longo do seu discurso, o saxofonista afirmou que é necessário recriar um novo modelo de negócio no país. No entanto, tal necessidade é de difícil concretização porque ainda não se estruturou o que Moçambique tem de melhor: a cultura. A questão central é, pergunta Chonguiça: “como criar segurança e apetite para o sector privado vir até nós não como patrocinador, mas como parceiro?”. Deixando a pergunta no ar, sublinhou que não se pode ter novos modelos de negócio sem estrutura. E, além disso, o maior problema para os artistas, avança, é não haver confiança nas questões culturais, porque a cultura é vista à margem.

Moreira Chonguiça sonha com os artistas a viver da arte, o que não é possível enquanto persistir a teoria de antecipação negativa em relação ao que considera causas nobres da sociedade. Segundo entende Chonguiça, é preciso apropriar-se de experiências de outros locais, África do Sul, por exemplo, onde se faz de museus e do jazz factores de atracção de receitas. “Maputo é uma das cidades mais criativas do mundo, mas isso não se nota porque não existe sincronização dos acontecimentos artístico-culturais”.

Chonguiça coloriu a sua abordagem e as suas posições sobre o poder da arte e da música, em particular, convidando More Jazz Big Band a intervir com acordes do saxofone.

 

 

 

Actualmente, existem várias formas de fazer negócios. Mas será que é necessariamente preciso ter um produto para vender? Para responder a esta questão, o músico Moreia Chonguiça, o Director da Xava, Eude Tsamba, o Director-Geral da Escopil Tecnologias, José Samo Gudo e o Director de Pesquisa e Desenvolvimento da UX, Tiago Borges Coelho foram os convidados do painel moderado pela Directora Operacional do ideários, Jéssica Manhiça.

José Samo Gudo é da opinião que o conceito do produto tradicional está a mudar e considera que tudo o que satisfaz uma necessidade de alguém é um produto.

O Director-Geral da Escopil Tecnologias considera ainda que separar produto e serviço, do ponto de vista tradicional, é fácil, no entanto, essa facilidade não se verifica no campo digital. “É mais fácil criar um serviço do que um produto”.

Já Eude Tsamba considera que a era digital abre espaço para que mais pessoas tenham oportunidades de fazer negócios, por causa da dispobilidade dos produtos intangíveis. Este ponto de vista foi sustentado pelo Director de Pesquisa e Desenvolvimento da UX, que usou como exemplo, uma das platafomas pelo grupo criadas, O Biscate, serviço que aproxima os ‘biscateiros’ dos clients que procuram pelos seus serviços. Aqui, não existe um produto como tal, mas um serviço, sustentável, que nasce das inovações tecnológicas. “A tecnologia devia unificar-nos e fazer deste mundo melhor, ao mesmo tempo, gerando dinheiro”.

Falando em novas formas de fazer negócios, várias são as plataformas que surgem no campo musical; algumas para salvaguardar a propriedade intelectual, no entanto, outras, baseadas na pirataria. E um dos debates que surgem, em torno disto, é de que é possível viver da música em Moçambique.  Moreira Chonguiça defende que sim, embora considere não existir um Mercado de música no país. E acrescenta que isso só vai acontecer quando as pessoas começarem a valorizar o trabalho dos músicos, o que passa por distanciar-se de toda a pirataria e musicas gratuídas, porque lesam o artista. E para esta classe, deixou um apelo. “Parem de fazer music-vídeo e comencem a investir na vossa música. Como artistas, temos que produzir algo que os moçambicanos se orgulhem. Fez o mesmo para os consumidores: “Quando convidarem um artista, nao peçam desconto, paguem mais”.

 

A Directora-Geral da Financial Sector Deepening Moçambique (FSDMoç), Esselina Macome fez uma apresentação do tema “Financiar boas ideias/modelos e oportunidades”, o penúltimo dos debates da 5ª edição da maior feira de tecnologias do país, MOZTECH.

Antes de falar do financiamento, Macome falou do primeiro passo, a identificação de boas ideias. “É preciso identificar que ideias podem ser aceites, quais são os riscos e como acreditar que essa ideia pode ir avante”.

Para além da MOZTECH, Esselina Macome apontou as incubadoras, competições, standboxs e outras plataformas e feiras de tecnologias como espaços onde se pode identificar boas ideias.

E entrando para o tema de apresentação, disse ser importante encontrar-se modelos de financiamento das ideias. “As pessoas que têm ideias precisam de ter suporte”. Entretanto, este suporte nem sempre é primeiramente bancário. “É importante saber em que fase estamos e qual é o modelo de financiamento apropriado a esta fase”, referiu, a acrescentou como uma das possíveis saídas a criação de plataformas de empréstimo de pessoa para pessoa.

 

“Financiar boas ideias – modelos e oportunidades” foi o tema do penúltimo painel da 5ª edição da MOZTECH. A este respeito, a primeira oradora do painel, Sofia Cassimo, Vice-Presidente da FEME, foi muito clara ao considerar que os financiadores ou outras entidades não investem em ideias, investem em soluções, as quais devem ter estabilidade.

A concordar com a Vice-Presidente da FEME, Eduardo Sengo, Director-Executivo da CTA, disse que as empresas vão atrás do que consideram bom negócio. Por isso, a CTA intervém a partir do momento em que uma ideia torna-se negócio.
Ainda assim, explicou Sengo, as boas ideias precisam de acompanhamento porque antes de as mesmas revelarem-se alguém as deve financiar. “É papel do Estado acarinhar boas ideias. E é importante ter-se em conta o risco que as pessoas enfrentam, quando investem numa ideia sem compensação”.

Na opinião de Sengo, não se deve pensar que quem possui uma boa ideia é que vai, necessariamente, implementá-la. “Pode-se ter uma ideia e a execução em forma de negócio ficar ao critério de uma empresa. O esforço da CTA é buscar diversas formas de financiamento que possam apoiar quem quiser investir, diferente do que os bancos fazem”. Nisso, o Director-Executivo da CTA sugeriu que se proteja a propriedade intelectual e que se defenda um mecanismo de penalizar quem não o respeitar.
Bernardo Aparício, Director da Banca Corporativa e de Investimento, Barclays Bank Moçambique, na sequência da intervenção de Eduardo Sengo, defendeu que os bancos gostam de financiar bons negócios, com futuro, com capacidade de aumentar a escala. Aparício é a favor da combinação de diversas formas de financiamento, com equilíbrio de capitais.

Os painelistas concordaram com a ideia defendida por Esselina Macome, Directora-Geral da FSDMoc, a de que este é o momento de o país arranjar alternativas ao financiamento, para que as boas ideias não fiquem perdidas. “A casa das boas ideias é a academia, que deve ver o que faz para apoiar diferentes ideias sem título de empréstimo”.  

O painel contou ainda com a participação de Nelson Rodrigues, Especialista de Inovação da UNICEF.

 

A 5ª edição da feira de tecnologia está a caminho do fim. Inclusive, o último keynote speaker já subiu ao palco para partilhar os seus conhecimentos. Chama-se Sanjay Kumar Beegun, e é Director de Operações, Barclays Bank Moçambique. Nos minutos que discursou, Kumar Beegun sugeriu que Moçambique crie um mercado electrónico, o que pode fazer com que operadores concebam um mercado de produtos e capazes de estar conectados num contexto global.

A expectativa do Director de Operações da Barclays Bank Moçambique é de que os moçambicanos possam comprar e pagar bens e serviços electronicamente, pois, sem o envolvimento de papel, a burocracia diminui.

Sanjay Kumar Beegun lembrou que, num contexto em que as pessoas estão à procura de conveniências, a melhor forma de fazer negócio baseia-se em serviços flexíveis, com respostas rápidas, sobretudo no que diz respeito aos bancos, que, no futuro, serão digitais. O orador vaticinou que é uma questão de tempo, o dinheiro vivo vai deixar de ser usado, mesmo porque as notas devem ser substituídas em nove ou 27 meses, o que implica custos. Com o digital, os gastos não serão necessários.

 

Num mundo cada dia mais conectado, o maior desafio é explicar ao cliente porque migrar do dinheiro vivo para o digital, porque as pessoas devem perceber as vantagens dessa evolução tecnológica. De acordo com Gisela Fonseca, Chefe-Executiva Comercial e Vendas do Mpesa, a educação é importante para o efeito porque o provedor de serviço pode ter problemas caso os consumidores não compreendem como usar de forma segura o sistema de pagamentos digitais.
Bem dito, no último painel da 5ª edição da MOZTECH, os oradores debateram à volta do tema “Pagamentos digitais – desafios da invisibilidade”.

Aurélio Machado, Vice-Director do eMola, explicou que a sua instituição, a Movitel, procura educar clientes sobre a segurança do uso do dinheiro electrónico, que pode ser mais seguro do que um cartão de débito. No mesmo diapasão, Benjamim Fernandes, Director Comercial da EDM, informou que o pagamento digital é uma grande vantagem porque elimina facturas e filas desnecessárias.

A 5ª edição da MOZTECH realizou-se no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo.

 

O Director Executivo da maior feira de tecnologias do país, MOZTECH, fez o discurso de encerramento do evento que decorreu entre os dias 9, 10 e 11 no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo.

De poucas palavras, Enoque Massango agradeceu aos participantes que, durante três dias, se fizeram à feira e acompanharam os debates.

“Há cinco anos lançamos o projecto e hoje completamos cinco anos, graças a todos os que apostaram em nós”, disse e deixou ficar a promessa. “Continuaremos a inovar. O MOZTECH continua e para o ano há mais”.

Os agradecimentos foram extensivos aos parceiros, dentre os quais MCnet, CTA, Fidelidade, e todos os outros que directa ou indirectamente apoiaram a realização desta edição e ao governo, representado este ano pelo ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, pelo apoio.

A 5ª edição da MOZTECH decorreu sob o lema “Sociedades de Conhecimento Hiperconectadas”.

 

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