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O País – A verdade como notícia

A Conferência Internacional do Turismo Baseado na Natureza já começou. Dentro de instantes, o Chefe do Estado vai inaugurar o evento que se está a realizar em Maputo. Enquanto isso não acontece, Mark Lundell subiu ao pódio para tecer o seu discurso de ocasião. Durante a intervenção, o representante do Banco Mundial disse que a sua instituição está satisfeita com a forma como o país está a gerir o turismo baseado na natureza, sobretudo no caso Reserva de Maputo, o que pode ter como impacto a assinatura de um novo acordo de apoio ao Governo ainda nesta realização da conferência.

No entender de Lundell, esta conferência sobre o Turismo Baseado na Natureza pode dar oportunidade de partilhar ideias e experiências, porque o turismo requer coordenação de diversos sectores, com políticas que envolvem os privados. Mas só isso não basta para o representante do Banco Mundial, também é preciso que os recursos naturais ou faunísticos sejam conservados pelas comunidades locais e Moçambique reconhece a importância disso.

Agradecendo o envolvimento de Moçambique na entrega da conservação da natureza, Mark Lundell afirmou que o Banco Mundial está comprometido na redução da pobreza nas zonas rurais, tendo o turismo como um instrumento que cria emprego e oferece oportunidades às populações porque cada dólar gasto neste tipo de iniciativa pode ser usado para estimular o desenvolvimento. “O turismo tem o dobro dos funcionários mulheres, promove investimento internacional e contribui com 10% para o desenvolvimento nacional. E pode providenciar mais empregos e financiamentos para a conservação da biodiversidade e gestão ambiental. Mesmo assim, temos ameaças como caça furtiva, que deve ser combatido para não prejudicar as espécies já em vias de extinção”, proferiu Lundell, realçando que Moçambique é um exemplo brilhante porque os programas estão comprometidos em fornecer recursos para desenvolvimento de projectos de conservação.

O Presidente da República, Filipe Nyusi foi quem dirigiu a abertura oficial da Conferência Internacional sobre Turismo baseado na Natureza.

No seu discurso de ocasião, Nyusi disse que a realizacão da conferência, em Moçambique, é um marco de viragem para o desenvolvimento do turismo no país.

Nyusi falou das áreas de conservação no país, tendo destacado a delimitação de 25% do território nacional como áreas de conservação. No entanto, o Chefe de Estado, referiu que não basta que se faça a demarcacão das áreas de conservação; é preciso, diz Nyusi, garantir que haja mecanismos para a sua gestão.

E neste sentido, apontou algumas medidas implementadas, como o reforço de investimentos para conservação dos recursos naturais; a investigação e descoberta de novas espécies de plantas e animais, e as sensibilizações às comunidades que vivem em áreas de conservação, para explorarem os recursos de forma sustentável. Também destacou o facto de as comunidades residentes em zonas de recursos em exploração ficarem com 20% das receitas.

Nyusi reconhece que os desafios são enormes, mas diz ser importante agir-se para vencê-los. E apontou a realização da conferência sobre turismo no país como um passo, pois, vai se abordar sobre modelos de gestão colaborativa para que se possa ter mais resultados.

“Acreditamos no imenso potencial que o turismo tem para impulsionar a economia e combater a pobreza”, disse, para depois acrescentar que o Governo tem estado a colocar o país em rotas turísticas nacionais, pois “o turismo é um vector de intercâmbio. Incentiva o conhecimento entre os povos, convertendo-se num ambiente de paz e concórdia entre as pessoas”.

Sobre as medidas para impulsionar a cadeia de valor de turismo, falou daliberação de voos que abrem mais alternativas de acesso ao país e da facilitação dos vistos para turistas.

Também falou de práticas nocivas e referiu que o Governo está empenhado em combater práticas corruptas.

Já no final do seu discurso, reiterou o comprometimento do Governo em manter a dedicação e empenho no desenvolvimento das áreas de conservação.

 

“É importante que a natureza seja utilizada para o benefício da comunidade e para erradicação da pobreza”. Quem pensa assim é Ian Khama, antigo presidente do Botswana, convidado pelo Chefe do Estado a participar na Conferência Internacional Turismo Baseado na Natureza. Para o antigo governante, essencialmente, a boa abordagem é aquela que visa a conservação do ecossistema. Nisso, as autoridades de gestão têm um papel indispensável.

Segundo entende Ian Khama, o sucesso do turismo na região austral depende do envolvimento do Governo e do sector privado, o que pode conduzir ao alcance de objectivos comuns. “Para África continuar a beneficiar dos recursos naturais que possui, deve proteger a sua terra, e, depois, tornar os ganhos do turismo em coisas tangíveis, com investimento em infra-estruturas”, afirmou Khama.

Intervindo esta manhã, no Hotel Polana, em Maputo, onde acontece o evento, Khama defendeu a necessidade de se combater a destruição da natureza, sugerindo que os países aprendam dos erros cometidos no passado no que diz respeito à conservação ambiental. “Devemos apostar mais na gestão do nosso planeta, por isso temos esta conferência a realizar-se em Moçambique”, afirmou, considerando, mais adiante: “é preciso que sobreviva o instinto de protecção”.

“Criando um ambiente favorável para o turismo baseado na natureza nas áreas de conservação” foi o tema do painel inaugural da Conferência Internacional do Turismo Baseado na Natureza. No evento a realizar-se em Maputo de hoje até sábado estiveram dois oradores. O primeiro chama-se Keith Vincent, PCA da Wilderness Safaris, e o segundo é Luke Bailes, Fundador da Singita.

O primeiro a intervir foi o PCA da Wilderness Safaris, quem disse que o objectico da entidade que representa é criar economias sustentáveis ecologicamente. “Por exemplo, olhamos para uma terra não habitada e vimos situações que nem existe emprego. A longo prazo criamos rendimento, o que cria oportunidades para o turismo. É um desafio muito grande que precisa de ligação de vários actores para garantir protecção da terra e criar condições viáveis para o benefício das populações”, disse, sublinhando que, nesse processo, o Governo e o sector privado devem estar engajados.

Além disso, Keith Vincent considerou, neste princípio de tarde, que quanto mais aberto estiver o mercado nacional melhor, porque as burocracias espantam investidores, quer na área do turismo quer dos negócios em geral.

Na mesma ordem de pensamento que Keith Vincent, Luke Bailes também advogou a importância do trabalho entre o Governo e o sector privado. Para Bailes, a África Subsaariana, de onde surge 8% do turismo mundial, tem muitas potencialidades. Para que tal potencialidade se traduza em êxito, as comunidades devem estar engajadas, de modo que a caça furtiva, “resultado do facto de pobres viverem à volta de nós, deixe de existir”, disse, acrescentando: “Achamos que África precisa de mais formação porque muitas pessoas não são empregáveis. Seria boa ideia criar autoridade de investimento de janela única que permite os investidores ter um único sítio para tratar do necessário pra investir, porque ainda há muita burocracia”, sugeriu o Fundador da Singita.

De acordo com Celso Coreia, Ministro da Terra, as ideias partilhadas pelos oradores são importantes para a concretização dos objectivos do Governo, na área do Turismo Baseado na Natureza.  

A moderadora do primeiro painel de hoje foi Magda Lovel, Gestora de Meio Ambiente do Banco Mundial.

O representante do FMI, Ari Aisen, diz que os parceiros de cooperação com o Governo de Moçambique tem estado a aumentar apoio aos projectos específicos dentro do Orçamento Geral do Estado. Ari Aisen falava em Quelimane, depois de proferir a palestra subordinada ao tema “Perspectivas Econômicas para África Subsahariana e Moçambique”.

Sobre o apoio directo ao orçamento do Estado Aisen disse que, cada parceiro deve informar qual a sua posição eventual sobre potencias ajudas ao orçamento do Estado.

“Há projectos que vão através do orçamento do Estado, para sectores específicos, por exemplo o Banco Mundial que vem dando assistência da área de energia, agricultura e infra-estrutura rural”, acrescentou Aisen.  

O representante do FMI acrescenta que apesar de tudo, a comunidade internacional nunca deixou de apoiar Moçambique, a questão que se coloca segundo Aisen é qual é a modalidade e a forma de assistência de cada um em relação a sua parceria com Moçambique.

Ao mesmo tempo que encantam turistas, as áreas de flora e fauna atraem furtivos, que se dedicam ao abate de espécies protegidas, por isso, na Conferência Internacional sobre Turismo Baseado na Natureza debateu-se o tema, no segundo painel do primeiro dia do evento, “Desenvolvendo modelos efectivos de parceria para tornar as áreas de conservação em bens turísticos sustentáveis”.

O moderador, Peter Lindsey, da Wildlife Conservation Network, falou de modelos de gestão das áreas protegidas. Primeiro, disse haver um défice orçamental de cerca de um milhão de dólares nas áreas protegidas e acrescentou que o continente deve investir na conservação. “Muitos países estão a perder a vida selvagem por falta de fundos para sua protecção, por isso é preciso engajar ONG’s e parceiros para protecção”.

A Wildlife Conservation Network interviu em várias áreas de conservação no mundo e Lindsey mencionou os modelos de gestão utilizados:

Modelo de gestão delegada: que consiste na partilha de gestão das áreas entre governo e ONG. Neste modelo, a gestão é desenvolvida pelos parceiros, que têm autonomia nas intervenções. No entanto, disse ser pouco usado pois os governos ficam com a sensação de perda de soberania nestas áreas. Também apontou acções corruptas como constrangimentos.

O segundo modelo, de co-gestão, também consiste na partilha entre o governo e ONG. E neste caso, o governo é mais actuante; os gestores destas áreas, vêm por parte do governo, as ONG entram com o capital e também apoiam na gestão e ambos partilham os benefícios. No entanto, não há muita clareza sobre as responsabilidades e prestação de contas.

O outro modelo, de apoio técnico e financeiro, atrai pouco investimento porque o parceiro, não tem muito a dizer, tudo depende do governo.

Mas há que frizar que todos esses modelos dependem do apoio tanto do governo como das ONG. E para que funcionem, é preciso que se crie leis, acordos a longo prazo, financiamentos eficazes e acordos claros, com papéis dos intervenientes bem definidos. Peter Lindsey sublinhou que Moçambique é um país pioneiro na implementação destes modelos.

O Director de Conservação da Fauna & Flora International, Matt Walpole, deu exemplos de modelos usados nalgumas áreas de conservação e sublinhou que o apoio dos governos é fundamental.

Já Petter Fearnhead, CEO da African Parks, destacou a importância das Parcerias Público Privadas para as áreas de conservação, pois :“Conservação custa dinheiro, muito dinheiro. É preciso que haja dinheiro para que haja conservação e tomar-se medidas para conservaçao das áreas protegidas”.

Disse que o governo é a autoridade legal como patrono dos parques, e o que os parceiros fazem é apoiar. “o que nós fazemos, como parceiros, é fazer o que o governo quer”, disse.

Também falou da gestão delegada; disse que o governo tem a soberania sobre as áreas, mas referiu que é preciso que haja cumprimento das leis e cumprimento das responsabilidades.

“É importante que o governo comece a mudar. Se exige responsabilidade de nossa parte, é preciso que nos permita tambem exigir responsabilidades do que pensamos que o governo deve fazer. Queremos que o governo nos ajude a ajudá-lo”.

A African Parks actua em em 15 países, incluindo Moçambique, onde iniciaram actividades no arquipélago de Bazaruto.

E porque era de modelos efectivos de parceria para tornar as áreas de conservação em bens turísticos sustentáveis que se falava, Greg Carr, CEO da Carr Foundation, Projecto de Restauração da Gorongosa, apontou o investimento no ser humano e nas comunidades à volta das áreas de conservação, como factores que contribuíram para o sucesso da restauração da Gorongosa.

“Gastamos mais dinheiro fora do parque, em saúde, escolas, porque gostamos das pessoas e assim protegemos o parque. “Um ser humano satisfeito, protege melhor o parque”, disse, acrescentando que o Governo moçambicano foi sempre parceiro no processo.

“Temos mais promotores de educação do que guardas fiscais”, acrescentou e deu mais exemplos de educação que podem ser seguidos, pois uma comunidade educada terá melhor consciência da importância de conservação de espécies.

Implantado no espaço do Automóvel & Touring Clube Baía – ATCM, o centro comercial Baía Mall constituí o novo atrativo turístico na marginal de Maputo. O shopping abriu as portas em Novembro, mas a inauguração oficial aconteceu esta quinta-feira, em cerimónia dirigida pelo Presidente da República. Filipe Nyusi percorreu alguns sectores do complexo comercial, incluindo o hotel, e, na hora de discurso, disse que o Baía Mall vem aumentar as opções na capital.

O Presidente da República diz que gostou de saber que há produtos nacionais nas prateleiras de alguns supermercados.

Falando em representação dos acionistas, Eduardo Mondlane Júnior disse que apesar de ter aberto as portas numa altura de crise económica, o Baía Mall está a ter aceitação.

O Baía Mall resulta de um investimento estrangeiro no valor de 96 milhões de dólares e emprega mais de dois mil trabalhadores. Assim que completar 50 anos, o complexo comercial reverte-se a favor do ATCM, proprietária do espaço.

 

Foram assinados, esta quinta-feira, durante o jantar de gala da Conferência Internacional de Turismo, quatro acordos no âmbito da área de conservação. Os acordos foram assinados entre o Governo de Moçambique e  Peace Parks Foundation, Millennium Bim, Gregory C. Carr Foundation e  Grupo Farkuhar.

O representante do Millennium Bim, José Reino da Costa, disse que o acordo tem como objectivo impulsionar o Turismo Baseado na Natureza, contribuindo para geração de riqueza, criação de postos de trabalho e também para inclusão dos cidadãos nas zonas rurais.

“O parque Nacional de Gorongosa e o Arquipélago de Bazaruto já projectam o nome de Moçambique no Mundo e são um bom exemplo do melhor que Moçambique oferece”, disse da Costa, acrescentando que o Turismo baseado na Natureza pode e deve tornar-se numa prioridade do tecido empresarial do sector privado.

O Ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Celsos Correia, disse que os acordos assinados irão servir para o Governo poder acompanhar o investimento estrangeiro e convidar a todos que tenham vontade a investir no turismo.

“É uma área que pode trazer retornos interessantes, já temos 50 milhões de dólares para começar e crédito bonificado para todos interessados em investir no turismo”, acrescentou Correia.

Correia disse que um dos acordos assinados prevê um investimento de 500 milhões de dólares no turismo, mas acima de tudo na conservação. Esse acordo vai permitir também que Moçambique tenha um centro científico em Inhambane.

 

O Presidente da República, Filipe Nyusi, disse durante o jantar de gala da Conferência Internacional do Turismo, que muita coisa está acontecer no âmbito de investimentos em Moçambique, Nyusi falou dos investimentos como o centro comercial Baía Mall e a criação de um estúdio para músicos.

Na ocasião, o presidente da República destacou que os contratos ora assinados irão apoiar os esforços do Governo na preservação da riqueza natural que o país dispõe.

“A natureza não precisa muito de nos como homens, como seres humanos, nós é que precisamos da natureza e temos que protege-la”.

Filipe Nyuisi encorajou ainda o envolvimento de mais parceiros na causa da preservação da natureza e defendeu que o financiamento disponibilizado deve privilegiar o empresariado nacional. “Moçambique não se limita só em parques e servas”.

O Chefe de Estado terminou a sua intervenção considerando que a paz continua a ser uma das suas maiores prioridades, pois é a condição para que investimentos ligados a exploração das riquezas naturais e outros aconteçam no país. O jantar de gala foi ainda abrilhantado por Momentos culturais.  
 

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