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O País – A verdade como notícia

Dez milhões de moçambicanos em idade economicamente activa trabalha no sector informal, deste universo apenas 0,2%, ou seja, perto de 50 mil foi absorvido para o ramo formal, representando uma valia para o Estado no toca a descontos para a tesouraria pública.
Em entrevista ao jornal “O País”, a chefe de Repartição, Identificação de Contribuintes e Beneficiários a nível da cidade de Maputo, Hortência Banze, reconheceu que o número de trabalhadores informais já inscritos no sector formal é ainda muito baixo.

“Para absorver mais trabalhadores deste ramo (sector informal) é preciso intensificar as campanhas de sensibilização junto das associações. Há três anos que estamos a trabalhar nisso, esperamos angariar mais gente para o sector formal”, disse aquela responsável.

Estima-se, que apenas 6% da população moçambicana economicamente activa desconta para o Instituto de Nacional de Segurança Social (INSS), de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Na lupa da OIT, apesar da obrigatoriedade do regime contributivo, Moçambique continua a viver uma realidade em que mais de 90% da população economicamente ativa não se encontra inscrita no INSS.

Acrescentando, que a extensão da cobertura a estes trabalhadores torna-se “uma prioridade nacional” para garantir o direito à protecção social aos moçambicanos em idade activa e ainda não cobertos pelo sistema de segurança social obrigatória.

A falta de incentivos fiscais e aduaneiros, dificuldades de registo e implementação de actividade, altos custos de acesso ao financiamento, legislação laboral inflexível, um sistema judicial moroso, são alguns factores que retraem os ‘players’ de negócios, que optam pelo sector informal em detrimento do formal.

Esse fenómeno, segundo a Global Innovation Index é uma das características comuns de economias em vias desenvolvimento.

Só falta mesmo a licença! A Empresa Moçambicana de Atum tem trabalhadores, embarcações e tem direito de pescas. Entretanto, a directora-geral adjunta da Administração Nacional das Pescas, Stela Maússe, diz que a controversa empresa não está licenciada para capturar atum.

Isto quer dizer que a EMATUM não pode fazer o que foi determinado como sua vocação aquando da sua criação pelo Estado em 2013: pescar e comercializar o atum e outros produtos pesqueiros.

Stela Maússe explica que a firma sequer requereu tal licença para praticar a pesca. Até porque para o efeito, a empresa teria de ter “embarcações operativas em condições de operar e nós só licenciamos se ela requerer o licenciamento das embarcações, tiver [essas] embarcações em condições de operar, nós vamos lá fazer a inspecção e se estiver sanitariamente bem e em condições de operar”.

Publicados no Boletim da República, os estatutos da sociedade deixavam bem claro que a vocação era a pesca e comercialização de atum e outros produtos pesqueiros, podendo, no entanto, fazer outras acções.

Surgimento da EMATUM

A firma surgiu na base de uma sociedade de direito privado, mas feita por instituições com grandes percentagens controladas pelo Estado, nomeadamente, o IGEPE (34%), GIPS (33%) e EMOPESCA (33), sendo que, no geral, o Estado moçambicano detém 86,8 porcento da polémica empresa.  

A Empresa Moçambicana de Atum foi criada com um capital social de 15 milhões de meticais. Mais tarde, a firma viu-se obrigada a recorrer a um crédito externo, no valor de 300 milhões de euros, para viabilizar suas operações.

O empréstimo não foi transparente, ou seja, não teve aval do parlamento moçambicano. A operação ficou conhecida como escândalo das “Dívidas ocultas”, despoletado em 2015.

Na altura da aquisição das embarcações com as quais a empresa deveria funcionar, o titular da pasta das Finanças, Manuel Chang, disse que o crédito não afectaria o Estado, certo de que a empresa teria sucesso na sua actividade. A empresa não teve sucesso, aliás, não chegou a funcionar e as embarcações ficaram acantonados no porto de Maputo durante muito tempo.

Em 2016, o Estado decidiu legalizar as dívidas e inscrevê-las na Conta Geral do Estado de 2015. Ainda assim, a empresa continuava sem dar um ‘tostão’ aos cofres do estado.

Falando em dinheiro, nem os trabalhadores conseguiam ter os seus salários. Foram dois meses sem receber, o que levou a que desencadeassem uma greve. Na altura, a reportagem do jornal O País constatou que as embarcações sequer estavam em funcionamento e no seu interior já habitavam moscas e a estrutura metálica enferrujada.

Recentemente, o Governo apresentou um plano de reestruturação da Empresa Moçambicana de Atum, onde se pretende juntá-la às outras empresas envolvidas no escândalo da dívida oculta, nomeadamente, MAM e Proindicus.

Enquanto a EMATUM não está licenciada para desempenhar o seu papel, Stela Maússe diz que as outras empresas do ramo estão a ter resultados encorajadores no negócio do atum.

Capturadas mais de 20 toneladas de atum no primeiro semestre de 2018

A indústria de atum em Moçambique tem vindo a crescer, afirma a directora-geral adjunta da Administração Nacional das Pescas, Stela Maússe. Só nos primeiros seis meses deste ano, Moçambique capturou mais de 20 toneladas de atum.

Esta quantidade refere-se apenas à frota industrial. A frota artesanal está quantificada de uma maneira global como peixe e não como atum especificamente”.

Entretanto, a gestora da instituição que superintende o sector das pescas refere que a produção de atum não tem sucesso de igual forma em todos os períodos do ano, já que “o atum, sendo migratório, tem meses de maior captura e meses de menor captura”.

Assim, a zona sul, através da arte de palangre, o pico é atingido em Abril de cada ano. Já na zona norte é usada a arte do cerco.

 

De modo a recuperar e modernizar o sistema electro-produtor a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) tem um plano de investimento a 10 anos, no valor de 500 milhões de euros.

A informação foi avançada pelo presidente da HCB, Pedro Couto, numa entrevista a revista Exame, escreve o Macauhub. Couto disse que o Capex Vital será financiado por recursos próprios e crédito bancário, nacional ou internacional.

O Presidente disse que o programa de investimentos visa proceder a uma renovação de partes da infra-estrutura, melhorando a eficiência da capacidade instalada para assegurar a operacionalidade e sustentabilidade da cadeia de produção.

“Com estes investimentos, a HCB irá aumentar o grau de fiabilidade da produção e transporte de energia, garantindo que os clientes recebem energia de qualidade”, adiantou Pedro Couto.

A HCB produz energia para dois mercados regionais, a África do Sul, o seu principal cliente, e o Zimbabwe, o Malawi poderá vir a ser o próximo destino da electricidade gerada na barragem.

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa vai estar cotada na Bolsa de Valores de Moçambique, através de uma Oferta Pública de Venda das acções representativas de 7,5% do seu capital social, conforme anúncio efectuado em 27 de Novembro de 2017 pelo Presidente, Filipe Nyusi.

Cahora Bassa é uma das grandes fontes de receita do Estado moçambicano, que recebeu em 2017 entre impostos, taxas e dividendos cerca de 130 milhões de dólares.

Os dados recolhidos com base na amostra do inquérito mensal aos estabelecimentos hoteleiros no país, mostram uma diminuição de 2,5% no fluxo de hóspedes, no fecho do segundo trimestre deste 2018, em comparação com o período homólogo do ano anterior.

Sem, no entanto, avançar números dos hóspedes que deram entrada nos hotéis moçambicanos no período em análise, o Instituto Nacional de Estatística (INE) apenas refere na sua síntese sobre conjuntura económica, a que "O País" teve acesso, que as dormidas reduziram 4,1%, em resultado da queda do fluxo de estrangeiros que teve uma redução de 8,6%, contra o incremento de 0,6% das dormidas de hóspedes nacionais.

Quanto ao trimestre homólogo, ou seja, segundo trimestre de 2017, houve um crescimento de 10,6%, decorrente do crescimento das dormidas, quer de hóspedes estrangeiros, quer de nacionais em 17% e 5,1%, respectivamente.

Contudo, e de acordo ainda com o INE, a má performance do sector hoteleiro não influenciou o volume global de negócios deste ramo de actividade económica entre Abril e Junho do corrente ano.  

Concretamente, o volume de negócios do sector de restauração, alojamento e serviços similares no segundo trimestre de 2018, cresceu em termos homólogos na ordem de 12,2%. Relativamente ao trimestre anterior, decresceu em cerca de 0,3%.

Evolução do saldo comercial de bens

Fora do campo interno, dados provisórios sobre o comércio externo indicam que no segundo trimestre de 2018, o défice da balança comercial de bens fixou-se em cerca de 362 milhões de dólares norte-americanos, sendo a taxa de cobertura de 78,4%.

Tanto as exportações assim como as importações aumentaram em 12,4% e 30,1%, respectivamente, quando comparadas às do trimestre homólogo de 2017, indica o Instituto Nacional de Estatística.

Este comportamento aconteceu num período em que a economia moçambicana manteve a tendência de melhoria.

O agravamento de preços de bens essenciais situou-se em 3,3%, face ao trimestre homólogo de 2017 e 1,5%, em relação ao trimestre anterior.

O mercado monetário interno para maturidade de um ano, durante o período em observação, ostentou uma taxa média de juros estimada em 25,5%, nas operações activas e 16,4%, nas passivas.

Ao longo do II Trimestre de 2018 face ao anterior, o Metical relativamente às principais moedas de referência para o país, teve tendência de valorização que se traduziu por variações de menos 1,3%, (-6,4%) e (-4,2%) face ao Dólar americano, Rand sul-africano e Euro, respectivamente e, em termos homólogos, teve uma apreciação de 4,3% face ao Dólar americano e desvalorizou-se 0,14% face à moeda sul-africana e 3,8% em relação ao Euro.

 

O ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane disse nesta segunda-feira, em Maputo, que o país é um “bom pagador”, referindo-se ao stock da dívida pública de mais de 11 biliões de dólares.

As negociações com os credores externos da dívida comercial de Moçambique, estimada em 17%, deverá estar concluída até finais de Dezembro próximo, a garantia foi dada por Maleiane.

“Só para esclarecer. Moçambique é um bom pagador”, referiu o governante, para quem o grande problema está no incumprimento financeiro relativo ao pagamento dos cupões da dívida comercial.

“Moçambique se não paga é porque tem uma razão forte para não o fazer. Portanto o risco para o país é zero”, sublinhou, acreditando que até finais do ano toda situação com os credores desta dívida comercial está fechada.

Sobre o Orçamento do Estado de 2019, Maleiane disse que foi uma proposta realista, uma vez que pelo terceiro ano consecutivo o Executivo não terá financiamento directo dos doadores externos, que congelaram os fundos desde Abril de 2016, na sequência do escândalo da dívida pública do país.

“Infelizmente o próximo orçamento não terá apoio dos doadores. Até Julho de 2018 (prazo da entrada dos financiamentos dos doadores externos) nada tínhamos em carteira, pelo que o próximo orçamento estará prenhe desta componente”, apontou o ministro da Economia e Finanças.

Acrescentando, que a solução passa pela emissão de Obrigações de Tesouro para o Estado se financiar, bem como donativos e empréstimos concessionais.

Adriano Maleiane, falava esta segunda-feira, em Maputo, aquando do lançamento do Fórum de Investimento de África, agendado para Novembro próximo em Joanesburgo, na vizinha África do Sul. O evento é organizado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

Para o fórum, o sector privado moçambicano colocou a mesa 25 propostas para investimentos, avaliados em 1,4 bilião de dólares. As mesmas (propostas) estão a ser escrutinadas pelo BAD, que irá reforçá-las, para que os investidores se sintam atraídos, e consequentemente, investir no país.

De referir, que a desaceleração económica do país nos últimos três anos, não reduziu a aposta do Banco Africano de Desenvolvimento no sector privado, que só neste período já investiu mais de 300 milhões de dólares para este ramo.

Para o representante do BAD em Moçambique, Pietro Toigo, o sector privado é peça-chave para uma economia, pelo que as 25 propostas, cujo escrutínio final será para breve, devem ser estruturantes para que sejam ilegíveis ao financiamento.

Depois de em Agosto ter feito o mesmo, o Banco de Moçambique voltou a emitir os Bilhetes de Tesouro (BT) para financiar as despesas do Estado.

Em comunicado no site oficial do Banco de Moçambique (BM), a instituição informa que irá efectuar a colocação dos títulos da dívida pública, ou seja, Bilhetes do Tesouro em leilão do tipo B, dirigido às Instituições Financeiras Não Monetárias.

É pelo segundo mês consecutivo que o BM emite os BT’s para financiar o défice das contas públicas, num contexto em que os doadores externos congelaram os fundos para o Orçamento do Estado (OE), desde Abril de 2016 devido as chamadas “dívidas ocultas”.

O leilão, segundo o Banco Central, é dirigido às chamadas instituições financeiras não monetárias, nomeadamente, sociedades financeiras de corretagem, sociedades corretoras, sociedades gestoras de fundos de pensões, sociedades gestoras de fundos de investimento e empresas seguradoras.

Vale lembrar, que a emissão deste tipo de títulos da dívida pública é muito criticada pelos analistas económicos, que defendem o abandono desta prática, atendendo a actual situação de insustentabilidade económica que o país atravessa.

Com esta prática, limita-se a possibilidade de redução das taxas de juro, encarece o custo para as empresas e as famílias que já tem créditos com a banca e as tendências especulativas do sistema financeiro aumentam.

O Banco de Moçambique ao emitir os Bilhetes de Tesouro, o Governo absorve os recursos do sector financeiro que poderiam ser usados para financiar as Pequenas e Médias Empresas.

O Banco Mundial (BIRD) vai investir, a partir do próximo ano, mais de 50 milhões de dólares norte-americanos, na reabilitação de 31 regadios em quatro províncias do centro e norte de Moçambique.

A reabilitação das referidas infra-estruturas visa explorar o potencial de quatro mil hectares de terra e, desta forma, incrementar a produção do arroz e complementar os esforços internos de produzir aquele cereal, reduzindo a dependência das importações.

O anúncio da disponibilização do financiamento foi feito, há dias, pelo gestor do Programa de Agricultura do BIRD, em Moçambique, Aniceto Bila, escreve a AIM, explicando, que só na região centro do país, que compreende as províncias da Zambézia, Manica e Sofala, serão cobertos pelo projecto mais de três mil hectares.

Nas províncias abrangidas pelo projecto de reabilitação dos sistemas de irrigação, de acordo com a fonte, os beneficiários chegam a 30 mil produtores.

O BIRD desembolsou, em 2011, perto de 70 milhões de dólares norte-americanos para desenvolver um programa de reabilitação de regadios nas províncias centrais da Zambézia, Sofala e Manica.

Para além deste financiamento, o governo japonês disponibilizou 14 milhões de dólares norte-americanos para reforçar o programa de produção do arroz no Vale do Zambeze. O programa termina este ano e o financiador esteve, recentemente, a avaliar o impacto do investimento.
O programa, para além de reabilitar os regadios, principalmente o perímetro de irrigação, compreendeu a formação dos produtores na transferência de tecnologias, extensão de linha de transporte de energia eléctrica, colocação de motobombas e melhoramento das vias de acesso nas três províncias da região centro do país.

Na província da Zambézia, o programa foi desenvolvido nos distritos de Mopeia e Nicoadala. Da avaliação feita no primeiro distrito, os resultados são animadores e o mesmo já não acontece em relação ao de Nicoadala, uma vez que o primeiro empreiteiro abandonou as obras, tendo sido contratado um segundo que, neste momento, está no terreno.

 

Devido a fraca produção, o país continua a registar um défice de 135 mil toneladas de batata reno, segundo revelou o ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, Higino Marula, que falava na atribuição do prêmio do concurso nacional de inovação para o desenvolvimento comunitário.

Na presente campanha agrícola, o país produziu perto de três milhões de toneladas de hortícolas diversas. Números que contribuem para a melhoria da segurança alimentar no país, disse Higino Marula.

Segundo Marula, apesar dos números serem animadores, o país continua a registar um défice na produção de produtos de primeira necessidade, tal como a batata reno.

 A província de Cabo Delgado sagrou-se vencedora do concurso, com uma invenção ligada a sementeira de hortícolas.

 

O fracassado projecto de montagem de automóveis em Maputo, cujos primeiros modelos denominados “Matchedje” chegaram a ser apresentados no mercado, só deixou dívidas para o país. O facto foi revelado esta sexta-feira, pelo ministro da Indústria e Comércio, Ragendra de Sousa.

Em Dezembro de 2010, o Governo de Armando Guebuza, através do Gabinete das Zonas Económicas de Desenvolvimento Acelerado firmara uma parceira com um grupo de investidores chineses para a instalação da primeira fábrica de montagem de automóveis no país.

Com um investimento próximo dos 200 milhões de dólares, as primeiras viaturas chegaram a ser apresentadas no mercado em 2014, ano em que foi inaugurado o empreendimento.

Erguida nos antigos estaleiros da empresa Caminhos de Ferro de Moçambique, no município da Matola, província de Maputo, as expectativas em volta do projecto eram enormes. E não era para menos, pois o país estreava no mercado da indústria automóvel, com a marca “Matchedje”.

Hoje, 2018, o projecto está falido e só deixou dívidas para o Estado moçambicano, segundo o ministro da Indústria e Comércio, Ragendra de Sousa, que deixou duras críticas ao anterior Executivo.

No lugar da defunta unidade fabril, os estaleiros servem neste momento para a transformação das sucadas dos autocarros de transporte públicos de passageiros em salas de aula, um projecto que na óptica do Ragendra de Sousa é bem-vindo.

De referir, que aquando da montagem da fábrica “Matchedje Motor”, projectava-se a produção de 500 mil veículos e acessórios pelo menos até 2020.

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