Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Fundo Monetário Internacional (FMI) diz que as detenções relacionadas com as dívidas ocultas não influenciam “muito” para a retoma de apoio ao Orçamento do Estado. Aliás, o FMI diz que agora o impasse é a insustentabilidade da dívida pública de Moçambique.

Uma das condições para que os credores retomassem o apoio directo ao Orçamento do Estado era que houvesse responsabilização dos envolvidos nas chamadas “dívidas ocultas”. Desde o início do ano que há sinais dessa responsabilização, com as detenções de pelo menos nove acusados de envolvimento no escândalo financeiro de mais de dois mil milhões de dólares.

Entretanto o FMI, um dos maiores credores de Moçambique, disse, ontem, que esse não é o maior dos problemas “até porque todos aqueles detidos são presumivelmente inocentes”. A verdadeira barreira para a retoma do programa de apoio ao Orçamento tem a ver com o facto de a dívida de Moçambique ser insustentável.

“Aqui a relação sempre foi no sentido de que o FMI não pode emprestar país cuja dívida é insustentável. Obviamente é importante melhorar a transparência, melhorar a responsabilização, mas não há um condicionante dizendo havendo responsabilização já podemos retomar”, disse o chefe da missão do FMI, Ricardo Velloso.

Aliás, o FIM diz que neste momento já nem há sequer condições para que se entre em conversações para retoma ou introdução de um novo programa. A missão diz que tal só será possível depois da eleições que, até aqui, se prevê que tenham lugar a 10 de Outubro.

A justificação é que depois disso o novo Governo poderá apresentar suas novas políticas monetárias e a sua orientação para a governação do país sob ponto de vista económico.

Sobre o estágio actual da economia de Moçambique, a missão do Fundo elogia os esforços das autoridades governamentais em Moçambique pelas medidas que têm vindo a tomar nos últimos dois anos.

“O esforço da política fiscal foi significativo em 2017/18. Os subsídios aos combustíveis e ao trigo foram eliminados, foi adoptado um mecanismo de ajustamento automático do preço dos combustíveis, e foram ajustadas as tarifas da electricidade e dos transportes públicos, colocando estes preços mais próximos dos níveis da recuperação de custos. Apesar destes esforços, o défice fiscal global em 2018 permaneceu relativamente elevado”.

E para o futuro, há recomendações que o FMI faz e considera que serão vitais para a recuperação da economia de Moçambique.

“Será essencial a consolidação fiscal a médio prazo para assegurar que os rácios de dívida sobre PIB se mantêm numa trajectória claramente descendente e, dada a situação de sobreendividamento público, o financiamento orçamental deve contar, no nível máximo possível, com donativos e créditos altamente concessionais”, explicou sublinhando “sublinha também a importância de obter um alívio significativo da dívida e do reforço da fiscalização de toda a carteira de dívida do sector público, de modo a trazer os indicadores da dívida para níveis mais seguros”.

ECONOMIA VAI SE RESSENTIR DO “IDAI”

Quanto aos efeitos do ciclone IDAi o FMI considera muito prematuro avançar dados, mas adianta que, de qualquer das formas, a direcção da macroeconomia moçambicana vai ser negativa.

“A inflacção vai ser um pouco mais alta do que seria sem este evento, obviamente não é uma inflacção que vá demandar o Banco de Moçambique a aumentar as taxas de juros”, explicou Velloso comentando também que, devido à baixa produção na região central do país, as importações poderão disparar. “Embora seja ainda cedo para serem avaliados, os efeitos macroeconómicos do Ciclone Idai e os custos de reconstrução serão muito significativos”, disse o chefe da missão, Recardo Velloso, acrescentando que “a comunidade internacional terá de continuar a desempenhar um papel vital na prestação de assistência a Moçambique”.

 

Pequenos empresários de Cabo Delgado sentem-se excluídos da exploração do gás do Rovuma. Como prova disso, os empresários dizem os seus serviços têm espaço nos mega-projectos. 

Esta não é uma reclamação de hoje e até parece consensual entre os empresários moçambicanos. Desta vez surgiram em encontros que o empresários mantiveram em mais um Conselho Empresarial de Cabo Delgado, nos distritos de Palma, Mocímboa da Praia, Mueda e Macomia.

Os pequenos empresários locais dizem que têm vindo a melhorar os seus serviços para que sejam elegíveis, mas nem com isso o destino muda: é para todo o lado, menos para os mega-projectos de exploração de gás natural na Bacia do Rovuma.

Mamudo Irage, por exemplo, presta serviços de moageira e, aliás, garante que há outros empreendedores que fazem o mesmo no distrito de Macomia. “O distrito tem moageiras, que produzem farinha, mas nós simplesmente consumimos localmente esta nossa farinha porque não conseguimos mandar para estas grandes empresas de hidrocarbonetos”.

Os empresários afirmam que não têm informação de quando ir vender os seus produtos aos mega-projectos. Aliás, dizem não entender o motivo por que os mega-projectos preferem ir comprar fora da zona onde estão instalados.

Entretanto, assumem que entre eles e os mega-projectos “dificilmente” poderia ser alcançada qualquer solução. “O sector privado por si só não terá capacidade de ultrapassar estas dificuldades”, disse Cheia Inglês em representação do Conselho Empresarial Provincial de Cabo Delgado, para, adiante, acrescentar que há necessidade de que este assunto seja tratado com a “devida seriedade e responsabilidade” e que só assim “vai-se ultrapassar o problema”.

LEI DE CONTEÚDO LOCAL: UMA SOLUÇÃO?

Numa altura em que as multinacionais de exploração dos hidrocarbonetos esperam anunciar a Decisão Final de Investimento, os empresários temem que até a Lei do Conteúdo Local não esteja aprovada e que, por isso, as multinacionais poderiam excluí-los definitivamente deste negócio.

Neste momento decorrem as últimas conversações entre o Governo e o Sector Privado sobre a proposta da Lei de Conteúdo Local. Por um lado o Governo quer garantir que as empresas não entrem em grandes negócios sem fundos para o efeito e, por outro, os empresários dizem que só lidando com estes negócios é que podem ganhar experiência e robustez para prestar serviços aos mega-projectos.

O Ministério da Economia e Finanças, que está em frente da criação da Lei, espera que a proposta possa ser aprovada ainda este semestre, embora assuma que há maior probabilidade de que o Parlamento não.

Ao todo serão 1840 apartamentos tipo 2 e tipo 3, a serem construídos no distrito de Marracuene, província de Maputo, num investimento de aproximadamente 92 milhões de dólares norte-americanos.

Trata-se do projecto Zintava II, cujas obras terão a duração de três anos, segundo revelou ao "O País", o director de marketing da construtora CCM, Leonel Tembe.

"Este projecto vai beneficiar, numa primeira fase, jovens e funcionários públicos, sendo que a posterior poderá ser alargado ao público em geral", disse.

Os apartamentos do tipo 2, a renda mensal será de 15 mil meticais e os do tipo 3, 20 mil meticais.

A cerimónia de lançamento da primeira pedra do projecto Zintava II será presidida pelo Presidente da República, Filipe Nyusi.

Um mês depois das petrolíferas terem anunciado concursos públicos para a contratação de serviços de seguros para suas operações de gás na área 4, da bacia do Rovuma, cujos requisitos afastavam por completo a participação das seguradoras moçambicanas, os termos e condições poderão ser revistos.

"Não ficamos muitos satisfeitos com a maneira como o seguro foi tentado ser colocado e já estamos a trabalhar com a própria Anadarko para encontrarmos uma solução que realmente se enquadra no conteúdo nacional", disse o Presidente do Conselho de Administração da EMOSE, Joaquim Langa,

Joaquim Langa aponta alguma das saídas, com vista acomodar as seguradoras moçambicanas.
 
"No seguro existe a figura de resseguro. O que estamos a negociar com eles basicamente é que seja o mercado nacional liderado pela EMOSE a subscrever cem por cento do risco e através do resseguro podemos transmitir uma parte significativa desse risco para as seguradoras de que eles elegem que tenham os requisitos exigidos", elucidou o PCA da EMOSE

Com o resseguro, espera-se assegurar pelo menos 30 por cento em comissões deste serviço para as seguradoras nacionais, numa acção a ser lidera pela veterana EMOSE em parceria com outras seguradoras elegíveis.

Recorda-se, que para o caso da gigante petrolífera italiana, Eni, só podem, por exemplo, prestar serviços seguradoras com experiência e com um volume de negócio superior a 500 milhões de dólares norte-americanos, uma exigência longe das capacidades das empresas moçambicanos deste ramo de actividade.

 

As reservas de hidrocarbonetos no país, continuam a atrair muitos interessados. Esta segunda-feira, os empresários do Dubai, cidade turística dos Emirados Árabes Unidos entraram em cena.

Numa altura em que as Decisões Finais de Investimentos nas áreas 1 e 4 da bacia do Rovuma, blocos operados pelos consórcios liderados pelas norte-americanas Anadarko e ExxonMobil, o gás e petróleo moçambicano atrai mais potenciais investidores asiáticos. Desta feita, trata-se da Câmara de Comércio do Dubai, que predispõem-se a criar logística no desenvolvimento da indústria de hidrocarbonetos no país.

“Estamos de olho nas oportunidades de negócios na indústria de hidrocarbonetos. Queremos ajudar com a nossa larga experiência neste sector, fornecendo logística para os projectos de gás e petróleo”, disse Omar Khan, director dos escritórios internacionais da Câmara de Comércio do Dubai.

Lembrando, que as relações comerciais entre Dubai e Maputo atingiram em 2018, cerca de 500 milhões de dólares norte-americanos, volume que corresponde o dobro do registo que vinha se verificando há cinco anos. O interesse dos empresários desta cidade turística dos Emirados Árabes Unidos não se limita apenas no gás e petróleo. “Se olharmos para o ouro, diamante e chá. Nestes três sectores, destaca-se a indústria do gás onde queremos ajudar o país na valorização deste ramo produtivo”, acrescentou.

Do lado moçambicano a logística está criada, através da empresa Agility, que pretende maximizar o uso do porto de Maputo no transporte de carga dos mega-projectos.
“Suazilândia (eSwatini) importa mais de 20 mil contentores de carga a partir do porto do Durban. Se nos tivermos no mínimo 25% dessa mesma carga a partir do porto de Maputo podemos alavancar os negócios”, apontou Clávio Macuácua, da Agility Logistics.

A empresa investiu 100 milhões de dólares na construção de um parque de armazéns para as Pequenas e Médias Empresas (PME). O empreendimento fará parte de uma rede de parques de padrão internacional que a Agility está financiando e desenvolvendo em todos os mercados principais da África para apoiar o desenvolvimento do comércio interno e regional, por forma a estimular a melhoria dos fluxos comerciais.

O Parque de armazéns da Agility vai oferecer armazéns padrões e construídos a medida compreendidos por, sala de exposição, câmara frigorifica, pátios abertos e manutenção, bem como, soluções industriais leves, instalações comerciais, escritórios e serviços de suporte.

 

O Centro de Integridade Pública (CIP) considera que o Governo moçambicano não cumpriu os prazos na publicação dos contratos da Exxon Mobil, Eni e Sasol.

Os contratos dessas três petrolíferas foram tornados público fora do prazo estabelecido pelas leis de minas (20/2014, de 18 de Agosto) e de petróleos (21/2014, de 18 de Agosto), que estabelecem que os contratos são tornados públicos 30 dias após o visto do Tribunal Administrativo (TA).

É que, o Executivo de Maputo, através do Ministério dos Recursos Minerais e Energias (MIREME), tornou públicos os contratos assinados com as multinacionais Exxon Mobil, Eni e Sasol, no quadro das concessões atribuídas na sequência do quinto concurso de licenciamento de blocos petrolíferos lançado em 2014.

Os referidos contratos foram assinados entre 8 de Setembro e 17 de Outubro de 2018 e submetidos, poucos dias depois, ao Tribunal Administrativo para a competente fiscalização prévia.

Recorda-se, que entre em 2015 e Fevereiro de 2019, o CIP publicou análises sobre o processo de publicação dos contratos, nos quais questionava qual era a razão por detrás da demora na publicação dos mesmos, se se devia à demoras no envio para o TA ou à demora na fiscalização pelo TA.

No caso destes contratos, “os atrasos são da responsabilidade do Governo, acusam os investigadores do Centro de Integridade Pública. Realçando, que a publicação destes contratos são um passo importante para que os cidadãos moçambicanos, os parlamentares e as entidades de supervisão possam monitorar e analisar o benefício público resultante dos mesmos, uma vez que estes estabelecem os termos em que os recursos serão explorados.

Nessa perspectiva, não obstante o atraso, o CIP saúda a publicação dos contratos em questão, uma vez que quebra um período de cinco anos de estagnação.

Contudo, “prevalece a preocupação em relação a outros seis contratos assinados, nomeadamente: quatro contratos mineiros e dois petrolíferos revistos (adendas) quatro da Eni e Anadarko, entre 2013 e 2018, que até então não estão publicados.

Pelo que, de acordo ainda com o CIP, “o Governo deve vir a público explicar a razão destes seis contratos, assinados depois da legislação do sector mineiro impor a publicação dos contratos, permanecerem secretos”.

 

Os operadores do gás no chamado “complexo mamba”, na área 4 da bacia do Rovuma, projectam para 2024, o início da extracção deste hidrocarboneto. Contudo, o arranque está condicionado a Decisão Final de Investimento (DFI), deliberação que está nas "mãos" da ExxonMobil.

Quando faltam quase três meses para o fim do prazo que as petrolíferas definiram para a tomada da Decisão Final de Investimento (DFI), da área 4 da bacia do Rovuma, a italiana Eni já avança com o cronograma do arranque da exploração do gás no “complexo mamba”.

As projecções para o início destas operações de extracção e processamento de Gás Natural Liquefeito (GNL) neste bloco, estão dependentes da DFI, de acordo com fonte da gigante petrolífera italiana.  

“Estamos a trabalhar na parte do financiamento e também na venda de gás, estamos a progredir bem, e se conseguirmos a Decisão Final de Investimento este ano, estamos bem encaminhados para começar a produção até 2024″, revelou o presidente executivo da ENI, Cláudio Descalzi, citado pela plataforma Sapo Notícias.

O responsável da ENI revelou os dados no final da sessão de apresentação da estratégia da petrolífera, realizado semana finda na Itália, na cidade de Milão. No evento, Descalzi tranquilizou que os ataques no norte de Cabo Delgado não vão influenciar no cronograma.

“Estamos claramente preocupados com os ataques, foi a primeira vez que foram tão fortes”, explicou o presidente executivo da ENI citado pela Sapo Notícias, que recordava os ataques contra uma caravana de uma subcontratada da Anadarko, e que tirou a vida de um trabalhador.

“Nós não estamos lá (nos locais em terra), mas estamos preocupados pelos nossos colegas da ExxonMobil e Anadarko. O Governo tomou iniciativas fortes, também através do diálogo, para criar um ambiente mais pacífico, e não houve mais ataques”, apontou Descalzi.

Apesar do ambiente "mais tranquilo", a petrolífera diz que não preteriu de medidas adicionais de segurança. “A situação está calma agora, mas claramente antes de irmos trabalhar tínhamos de ter a certeza de que nada ia acontecer porque a segurança das pessoas é a primeira prioridade”, explicou.

O projecto Rovuma LNG, na jazida Mamba, é operado pela Mozambique Rovuma Venture, um consórcio cujos acionistas são a ExxonMobil, Eni e a China National Oil and Gas Exploration and Development Corporation (CNODC).

Conjuntamente, o trio detém uma participação de 70% na concessão da área 4, cabendo três parcelas de 10% à sul-coreana Kogas, Galp Energia e Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), esta última moçambicana.

 

Os campos verdes do distrito de Monapo, província de Nampula, a plantação do algodão substitui a tradicional cultura de alimentos.

Naquele ponto do Norte do país, os agricultores vivem literalmente do algodão e os lucros que conseguem no final da época mostram que, de facto, esta é uma cultura de rendimento.

Toda produção é comprada pela Sociedade Algodoeira de Namialo, a mesma que disponibiliza sementes e insumos agrícolas aos produtores da sua área de concessão. Ainda assim, a falta de processamento do algodão encarece a produção de roupa a nível nacional.

O algodão produzido em Moçambique passa por um pré-processamento para a retirada da semente e, depois de ser classificado em laboratórios, é exportado para países como Maurícias, Bangladesh, Singapura e Portugal. Apenas uma pequena parte vai para a indústria têxtil de Marracuene, na província de Maputo.  

Com baixa produção e uma cadeia quebrada, a indústria têxtil está voltada ao esquecimento! Ao nível nacional, a única fábrica de produção de capulanas, peça de tecido muito usado pelas mulheres e não só, é Nova Texmoque, revitalizada depois da privatização em 2006.

Três anos depois, voltou a operar, mas os prejuízos com a importação do tecido desencorajam o investimento. A única indústria de produção de capulanas, no país, gasta mais de 50 milhões de dólares com a importação do tecido da Índia.

No passado, esta indústria tinha a cadeia completa – comprava o algodão localmente, produzia fios para o tecido e, por fim, a roupa. Mas agora, a parte da tecelagem não funciona devido aos custos para a importação da maquinaria. Por isso, pede-se incentivos fiscais para revitalizar uma indústria que já empregou muita gente.
 
 
 
 

 

À sua chegada a Mbabane, o Chefe de Estado reuniu com 28 empresários que o acompanham a Eswatini. Os mesmos colocaram algumas questões que dificultam a realização de negócios entre os dois países.

Moçambique tem servido basicamente como corredor para que Eswatini tenha acesso ao mar para importar e exportar diversos produtos. E nesta deslocação o Governo pretende tornar o Porto de Maputo o principal, senão o único usado por este reino. Mas há muita coisa por melhorar.

Os swati gostavam de ter a possibilidade de ter um espaço para gerir no Porto de Maputo, o que o Governo não permite e a solução que se apresenta é um Porto Seco.

A indústria açucareira de Eswatini também quer vender açúcar em Moçambique, mas o Presidente da República deu outras ideias aos açucareiros nacionais.

“No Quénia e no Ruanda precisam de açúcar, o que significa que com as quantidades que são solicitadas podemos não conseguir compensar, fazendo um exercício conjunto com todos da região sairemos a ganhar”, disse Nyusi.

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE