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O País – A verdade como notícia

Três grandes projectos de gás natural liquefeito poderão arrancar no país entre os anos 2023 e 2025. Segundo o Presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), Omar Mithá, os investimentos poderão atingir mais de 50 mil milhões de dólares.

Falando num dos painéis de debate da Conferência Crescendo Azul, semana passada, Omar Mithá revelou que a próxima década será de Moçambique, pelo facto de poder desenvolver os projectos e exportar cerca de 30 milhões de toneladas de gás liquefeito ao ano.

“Moçambique corre o risco de ter três projectos em simultâneo a serem desenvolvidos aqui: 3.3 de Floating LNG, 12.6 da área 1 e 15.2 da área 4, cerca de 30 milhões de toneladas por ano a serem colocadas no mercado e por um único país, na zona de Cabo Delgado. Isso é quase que sem precedentes em toda a África”, explicou Omar Mithá.

Segundo o Presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, os investimentos terão lugar num curto espaço de tempo, sendo que cerca de 90 por cento dos recursos estão no mar. Nem todo gás será exportado, assegura Mithá.

“Próximo ano é 2020, mais três anos começa o Floating, mais um ano é a Anadarko e mais seis meses a Exxon. Do ponto de vista do gás doméstico, a área 4 vai dar 500 milhões de pés cúbicos, além dos 400 da Anadarko, totalizando 900 milhões de pés cúbicos”, referiu Mithá.

Com o gás que fica no país, Moçambique poderá distribuir a nível regional e atacar os mercados dos países vizinhos, como Malawi, através de vias virtuais de distribuição, além da distribuição de um papeline, mas que pode até ser evitado devido às suas consequências.
Um dos maiores projectos, localizado na área 1, da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, vai exportar 12.8 milhões de toneladas por ano e a Decisão Final de Investimentos será anunciada em Junho.

Outro projecto, já em curso, denominado Floating LNG, poderá arrancar em finais de 2022. Neste momento, decorre a construção do barco flutuante, na Coreia do Sul, que vai viabilizar a exploração do gás, com um grau de acabamento de cerca de 34%.

O segundo e último dia da conferência internacional “Crescendo Azul” iniciou com o debate sobre Sustentabilidade Ambiental Face às Prementes Necessidades de Crescimento do Comércio: Desafios e Ameaças, que foi apresentado por Rakesh Trpathi, do Banco Mundial.

O ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, fez uma breve apresentação falando da importância dos transportes marítimos para o desenvolvimento da economia.

“O transporte marítimo tem um papel crucial no crescimento e desenvolvimento sustentável, o volume global do transporte de mercadoria situa-se nos 10.7 bilhões de toneladas”, disse Mesquita.

O ministro disse ainda que o transporte marítimo e os portos têm um papel importante no comércio e na economia mundial.

Rakesh Trpathi disse que é muito importante saber quais são as acções necessárias para assegurar que os portos possam ter uma ligação directa com o desenvolvimento do comércio.

“Existe uma deficiência a nível dos portos de África oriental e ocidental, é preciso que haja uma melhor integração para melhorar o acesso ao interior”, argumentou Trpathi

O representante do Banco Mundial enalteceu o facto dos portos de Nacala, Beira e Maputo estarem a registar um crescimento encorajador e disse que em 2016 os portos registaram o maior volume transacional, isto devido ao aumento do nível de exportação do carvão.

Clávio Macuácua, orador na conferência internacional "Crescendo Azul" garante que os portos de Maputo, Beira e Nacala são os três maiores pontos de entrada para o país, via marítima.

"É importante falar da importância do comércio marítimo na Economia Azul por sermos um país com três grandes portos. Os portos de Maputo, Beira e Nacala", disse o orador. 

Segundo Macúacua, Moçambique tem estado em holofotes internacionais nos últimos meses por causa dos ciclones Idai e Kenneth. Mas não são apenas desastres naturais que chamam atenção do mundo para o país, os acordos entre o governo e os players da indústria de petróleo e gás posicionam Moçambique como um lugar estratégico para investir. 

"Se formos a falar do porto de Maputo em 2010 fazia multishipping para Durban e perdemos dinheiro por causa de infra-estructuras. O canal foi melhorado e temos infra-estructuras para servir a zona de Mpumalanga, que detém um PIB elevado. Devemos investir também na Suazilândia que importa a 300 km e nós estamos a 100km", explicou. 

Para Clávio Macuácua o porto da Beira recuou no tempo por causa do ciclone Idai mas o seu regresso ao funcionamento total deve ser comparado ao coração da girafa. Isto porque o coração da girafa trabalha com muito esforço para alcançar a cabeça que está a um metro de distância. 

"É o porto da Beira que deve alimentar a região da Hinterland por isso a sua recuperação é de extrema importância. Concluímos que a Beira é um ponto ideal para servir projectos que estão no Zambeze", acrescentou.  

Este orador afirma que o porto de Nacala possui mais de 60 metros de profundidade e é um porto natural. Por esta razão a Economia Azul é uma oportunidade para aumentar a capacidade do mesmo, que será crucial para os projectos de gás. 

"Temos os portos de Pemba e Quelimane mas são pequenos, comparados a estes três que são pontos de entrada para o país. Se combinados teremos um oceano para entrada no nosso país e uma projeção sustentável", afirmou Clávio Macuácua. 

Para este orador é preciso investir em infra-estructuras fora do mar que vão servir ao porto e aos pequenos operadores, garantindo que é a partir do mar que 90% de carga é transportada para servir a terra. 

Clávio Macuácua falava sobre o tema "Serviços Sustentáveis e Gestão Portuária na Região do Oceano Índico para Melhoria da Conectividade Marítima ", no segundo e último dia de debates da conferência "Crescendo Azul". 

 
 

O Banco de Moçambique, revelou nesta sexta- feira, em Maputo a introdução de novas regras de comércio externo. Trata -se de um sistema eletrónico de controlo das importações e exportações que já conta com mais de 100 empresas inscritas. 

Todas transacções de grande vulto, como a compra de uma viatura na vizinha África do Sul, por exemplo, devem obrigatoriamente passar pelo sistema financeiro, ou seja, é vedada por lei cambial, a realização deste tipo de movimentos via cash.

O facto foi revelado aquando da apresentação do termo de compromisso na importação de bens.

Sem revelar o limite elegível à esta medida, o responsável pelo departamento de Licenciamento e Controlo Cambial, disse que já há algumas empresas a usar o sistema.

Com esta medida, o Banco Central espera acabar com as exportações realizadas sem intermédio dos bancos, saída de bens sem correspondente entrada da respectiva receita de exportação e perda de divisas de exportação pelo descaminho das receitas.

 

 

O Ministro dos Transportes e Comunicações defende uma aposta no transporte marítimo de baixo custo, como forma de impulsionar o desenvolvimento sustentável. Carlos Mesquita defendeu esta aposta durante a Conferência Internacional Crescendo Azul que hoje termina aqui em Maputo.

Num painel que tinha como tema as rotas marítimas, Carlos Mesquita abriu a sessão para apresentar os pontos de vista sobre a aposta que deve ser feita o transporte marítimo, por forma a responder aos desafios do desenvolvimento e do crescimento populacional.

Dados actualizados indicam que o volume global de transporte de mercadorias em 2017 rondou os 10,7 biliões de toneladas. São números que continuam a ser desafiados por conta do aumento crescente da demanda do comércio mundial que, por sua vez, segundo Mesquita, cria desafios para o sector dos portos.   

Desafios a parte, há unanimidade de que o oceano indico é um posso de potencialidades para o desenvolvimento da Economia Azul e Moçambique é chamado a impulsionar os Portos de Maputo, Beira e Nacala, para dinamizar o desenvolvimento.

 

 

Especialistas defenderam, esta quinta-feira, na conferência "Crescendo Azul", que é possível utilizar o mar e os seus recursos sem causar danos ao ambiente e nem hipotecar o seu acesso pelas gerações vindouras.

Com o tema "Inovação Oceânica", representantes do sector público e privado de instituições de vários países, mostraram experiências de como é possível explorar recursos do mar de forma sustentável. A isto chama-se Economia Azul, onde se privilegiam práticas favoráveis aos oceanos, num contexto em que são encontradas toneladas de resíduos sólidos, particularmente plástico, nos oceanos.

Entre os temas colocados em cima da mesa pelos especialistas, o destaque vai para a Estratégia Marítima Integrada Africana 2050 da União Africana e o Manual de Política de Economia Azul para África, documentos que estão em sintonia com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

Gestores de instituições ligadas à inovação marítima defendem que a intervenção do sector privado é fundamental nos negócios sustentáveis na exploração do oceano. Para o efeito, dizem ser imprescindível as parcerias público-privadas.   

Os oradores deixaram claro que a intervenção do sector privado é necessária para se conseguir os biliões de dólares que devem ser investidos para que se tenha uma economia azul.

Com a conferência de dois dias, que terminou hoje, Moçambique pretende juntar-se ao movimento global das Nações Unidas sobre a sustentabilidade dos oceanos, no quadro da implementação do Objectivo Sustentável 14, nos objectivos propostos até 2030.

 

 

O Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural diz que Moçambique deve delimitar as áreas de reserva do ecossistema marinho e costeiro como forma de garantir a proteção da biodiversidade. O posicionamento foi defendido pela vice-ministra do MITADER, Celmira da Silva que falava durante uma sessão paralela da 1ª conferência Crescendo Azul.

No primeiro dia da conferência Crescendo Azul, o Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, em sessão paralela discutiu sobre os problemas e mecanismos de gestão do ecossistema marinho e costeiro. Na mesma sessão, foram também partilhadas experiências e estudos de outras realidades do mundo em relação a resiliência climática e gestão costeira.

A vice-ministra assumiu que existem muitos desafios no que diz respeito a proteção do ecossistema, entretanto referiu que é preciso delimitar as áreas de conservação costeira e marinha.

Celmira Da Silva acrescentou que é necessário coordenação multissectorial para encontrar soluções sustentáveis para a proteção da biodiversidade.

O número total das áreas de conservação subiu de 15 para 30% nos últimos dois anos no país.

 

Moçambique acolhe pela primeira a Conferência Internacional Crescendo Azul sob o lema “Exploração sustentável e compartilhada do oceano”. A conferência tem a duração de dois dias, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo.

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, José Pacheco, a história de Moçambique está ligada ao mar, que permitiu a comunicação e comércio com povos da Ásia e da Europa.

"Estamos comprometidos com o dossier economia azul pela sua importância económica. Moçambique continua engajado no desenvolvimento e fortalecimento das suas relações com todos países do mundo", disse.

O primeiro dia da "Crescendo Azul" será marcado pelo discurso do presidente da República Filipe Nyusi e por painéis de debate.

Alguns participantes destacaram a importância do evento para o desenvolvimento da economia usando o mar e o oceano.

 

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