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O País – A verdade como notícia

A hidroeléctrica de Cahora Bassa poderá receber muitas propostas de compra de acções a partir de Cabo Delgado. O preço aplicado na venda das acções da HCB atrai empresários e singulares, que garantem não deixar escapar a oportunidade que o governo esta a dar para o empoderamento dos moçambicanos.

A intenção foi manifestada na cidade de Pemba, durante uma reunião de divulgação de venda de acções, realizada pela HCB.

"Vou tentar e vou conseguir. Espero que a minha empresa seja sorteada", disse o empresário, Almeida Abujate.

Outro empresário, Alcino Pinheiro afirmou que HCB " é uma das empresas mais rentáveis e abrir espaço para os moçambicanos para poderem comprar participação, mesmo que seja pequena, é um acto de podermos dizer que a Cahora Bassa é nossa".

O governo da província considera uma oportunidade ímpar para fortalecer a economia de Cabo Delgado, e espera que o processo seja mesmo transparente, de modo para que nenhum moçambicano se sinta excluído ou descriminado.

A venda dos 2.5 % de acções da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, vai decorrer de 12 de Junho a 17 de Julho próximo.

 

 

A petrolífera adquiriu direitos para explorar e desenvolver os blocos offshore A5-B, Z5-C e Z5-D, localizados nas águas profundas das bacias de Angoche e Zambeze, através de um acordo assinado com a norte-americana ExxonMobil.

É caso para dizer que a italiana ENI está a expandir a sua presença em Moçambique. Desta vez, fê-lo adquirindo três participações de 10% em igual número de licenças de exploração petrolífera, segundo um comunicado quarta-feira divulgado em Milão e disponível no site da empresa.

Trata-se de uma operação que foi realizada através da subsidiária ENI Mozambico e envolve os blocos marítimos A5-B, Z5-C e Z5-D, localizados em águas profundas das bacias de Angoche e do Zambeze.
O grupo adiantou que a aquisição de uma participação de 10% em cada um dos três blocos foi efectuada ao abrigo de um acordo com a empresa ExxonMobil Moçambique Exploration & Production Limitada, subsidiária do grupo americano ExxonMobil. Tudo com o envolvimento das autoridades moçambicanas.

O bloco A5-B situa-se a 1300 quilómetros a nordeste da capital Maputo, numa zona por explorar fronteira à vila de Angoche, abrangendo uma área de 6080 quilómetros quadrados e uma profundidade entre 1800 e 2500 metros.

Os outros dois blocos cobrem uma área de 10 205 quilómetros quadrados, com uma profundidade entre 500 e 2100 metros, numa zona muito pouco explorada da bacia do Zambeze, a 800 quilómetros a nordeste da capital Maputo.

Os três blocos, atribuídos no decurso do 5.º leilão, são operados pela ExxonMobil (40%), em parceria com a estatal moçambicana Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (20%), Rosneft (20%) e Qatar Petroleum (10%).

No decurso daquele leilão a ENI Mozambico obteve a operação do bloco A5-A, adjacente ao bloco A5-B, com uma participação de 59,5%, tendo como parceiros a Sasol (25,5%) e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, com 15%.

A venda posterior de uma parcela de 25,5% naquele bloco à Qatar Petroleum, reduzindo a participação do grupo italiano para 34%, aguarda a aprovação das autoridades de Moçambique.

Enquanto isso, já decorrem actividades conducentes ao início da pesquisa de hidrocarbonetos nesta área A5-5, sendo que há um mês, a ENI  apresentou o estudo de pré-viabilidade ambiental e Definição de Âmbito para a pesquisa na Bacia de Angoche.

Um instrumento que não trouxe muito sossego à sociedade civil. O facto é, embora se descartem fatais, fala-se de impactos nos recursos marítimos na zona que se situa a 60 quilómetros da costa. E é com os recursos marinhos que a sociedade civil, representada pela WWF, mostra preocupação.

Ainda não se sabe se será encontrado hidrocarboneto comerciável no fundo do poço e a ENI avança que a possibilidade de sucesso é de apenas 10 a 20 porcento. E até lá, deverão ser seguidos muitos outros passos.

O Instituto Nacional de Petróleo garante estar a acompanhar atentamente o processo de estudo ambiental e diz que até aqui está tudo dentro do que é legalmente exigido.

 

 

Moçambique volta a exportar energia para Botswana. Trata-se de um contrato com duração de cinco meses a contar a partir de Maio corrente, com a EDM a vender 70 megawatts àquele país.

A crise energética no Botswana abriu uma oportunidade de negócio para Electricidade de Moçambique (EDM), que mesmo sem conseguir garantir o acesso universal da corrente eléctrica (apenas perto de 30% dos moçambicanos têm acesso à energia) vai exportar 70 megawatts (MW) para Gaborone.

O acordo foi finalizado em Abril deste ano, e mesmo terá a duração de cinco meses a contar a partir de Maio. Com a exportação desta quantidade de energia, a EDM prevê encaixar 25 milhões de dólares em cinco meses.

“Não é a primeira vez que exportamos energia para Botswana. Já o fizemos entre 2003 a meados de 2017”, disse Adérito Sousa, Director-geral do Departamento de Operação do Sistema e Mercados da EDM.

O actual acordo entre a EDM e a sua homóloga do Botswana PPC, prevê, igualmente, uma extensão do mesmo por um período de dois anos, a contar a vigorar a partir de Abril do próximo ano.

“Entendeu-se que há uma necessidade de um novo acordo no próximo ano, que vai permitir exportar para Botswana 150 MW de energia, uma vez que a PPC vai iniciar com os trabalhos de reabilitação das suas centrais”, apontou Adérito Sousa, sem no entanto, avançar com os valores do contrato.

Refira-se, que a materialização destes contratos de fornecimento de energia, surgem após uma visita do Chefe de Estado do Botswana à Maputo, a convite do seu homólogo moçambicano, Filipe Nyusi.

Moçambique é um dos poucos países em África que possui actualmente um excesso de oferta de energia elétrica (mas contrasta com a taxa do acesso da mesma à população), graças à energia hídrica disponível a partir da barragem de Cahora Bassa, que tem uma capacidade instalada de cerca de 73% da capacidade de geração instalada do país.

 

O volume médio de comercialização da castanha de Caju passou de 90 mil toneladas por ano, no quinquénio passado, para 130 mil toneladas/ano no presente quinquénio prestes a findar.

Estes dados foram avançados na reunião anual do sub-sector do caju que decorre na Zambézia, onde quadros do sector, produtores, empresas, entre outras entidades vão passar em revista várias matérias atinentes a produção, qualidade e comercialização.

Santos Feijone, responsável pelo Departamento de Economia no Instituto de Fomento de Caju (INCAJU) reconheceu, contudo, que o país ainda precisa de trabalhar para avançar na qualidade da castanha, com vista a competir com outros países a escala mundial. Ou seja, a qualidade da castanha processada no país é das mais baixas ao nível do continente, embora o grau de qualidade tenha passado da escala 44 no quinquénio passado para 46 no presente quinquénio.

O preço médio da castanha produzida em Moçambique registou melhorias significativas, tendo, pela primeira vez se situado acima de um dólar por quilo na campanha 2017/2018.

“A indústria nacional processa hoje mais de 50% da castanha comercializada, contra cerca de 35% no início do quinquénio, tendo o número de empregos permanentes crescido acima de 70%”, apontou Santos Feijone.

No presente quinquénio, e em termos de ganhos de comercialização da castanha de caju, a receita bruta do produtor a escala nacional atingiu a fasquia de pouco mais de 430 mil dólares. Deste valor acresce os mais de 194 mil dólares por exportação da amêndoa.

 

O Banco ABC está a investir cerca de 10 milhões de dólares em Moçambique, para aquisição de tecnologias que poderão aumentar o acesso a conta bancária em todo o país.

As estatísticas do Instituto Nacional de Estatística apontam para o facto de nove por cento da população ter acesso a uma conta bancária.
Os números estão longe do desejável, e instituições bancárias como o Banco ABC, instituição que investiu 10 milhões de dólares na banca digital, querem mudar este cenário.

Este “esforço” financeiro, de acordo com o Administrador Delegado Interino do Banco ABC, Tawanda Munaiwa, “é para que este investimento alcance a todas as pessoas do país”, então, acrescenta o administrador, “teremos as nossas instalações em vilas e distritos”.

O objectivo de chegar a toda parte do país terá como “motor propulsor” a tecnologia e, “a melhor parte desta tecnologia é que ela não se limita pelas distâncias, então não precisamos colocar muitas pessoas a trabalhar, ou mesmo aumentar a nossa força de trabalho”, explicou Munaiwa.  

“Mesmo se tivermos milhões de pessoas a trabalhar para nós, não conseguiríamos atingir a todas vilas e distritos, assim como todo mercado em Moçambique” explicou o director acrescentando que, “com a tecnologia que nós temos, poderemos chegar a todos os cidadãos deste país, onde quer que eles estejam”.

Parte da tecnologia foi exposta numa feira nesta quarta-feira. Nela (a feira) foram apresentados os serviços tecnológicos com os quais o Banco ABC pretende aumentar o acesso a conta bancária no país, assim como saltar da posição 8 para a quarta posição na lista dos melhores bancos nacionais.

Entre os serviços distintivos da instituição, esta o “agency banking, que permite ao cliente abrir, depositar, levantar, inclusive fazer transferência, através de redes de retalho de terceiros como agente bancário, começou por explicar a Directora de Marketing e Comunicação do Banco ABC, Jonia Prezado.

Para além do agency banking, a directora apontou que existe também o Deposita, “que permite ao comerciante, fazer o seu depósito de forma segura e o valor já depositado imediatamente na sua conta On Line”.
Existe também o cartão “travel cash card”, que é um cartão já conhecido de débito, que permite fazer depósito utilizando várias moedas, ou seja, em moedas estrangeiras.    

No país a instituição financeira encontra-se em Maputo, Matola, Beira, Tete, Nampula e Manica. Fora de portas, o Banco ABC está em Zimbabwe, Nigéria, Tanzânia, Ruanda, Botswana, Zâmbia.

 

Maioria das empresas públicas controladas pelo Estado reportaram resultados negativos ao longo dos últimos três anos. De um total de 13 firmas auditadas, apenas duas apresentaram contas positivas, nomeadamente, os Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique e Correios de Moçambique, indica a Direcção Nacional do Tesouro.

Anualmente, o Governo moçambicano é autorizado a emitir garantias e avales para financiar algumas operações dentro dos limites orçamentais fixados pelo Parlamento.

O sector empresarial do Estado tem sido o maior beneficiário das garantias e avales, cenário que representa um alto risco fiscal para o Estado, segundo a Direcção Nacional do Tesouro.

“A tendência dos últimos três anos mostra que 10 empresas enfrentam restrições de liquidez. O rácio de liquidez ilustra a capacidade de uma empresa para, com seus activos correntes, fazer face as suas obrigações com vencimento inferior a um ano”, lê-se no relatório sobre riscos fiscais a que STV teve acesso.

E mais, 10 das 13 empresas reportam rácios de solvabilidade abaixo de 50%, ou seja, os capitais próprios só cobrem menos da metade dos passivos.

O reembolso dos acordos de retrocessão é outro dos problemas. As contas do Executivo indicam em 2017, 3,1% do Produto Interno Bruto em novos acordos de retrocessão foram desembolsados, mas só foram reembolsados 0,6% do PIB. 

De acordo com a Conta Geral do Estado de 2017, o valor total da carteira deste tipo de empréstimo foi de 11% do PIB, a qual está concentrada em duas empresas, a extinta Maputo Sul com 4% do PIB e a Electricidade de Moçambique (EDM) com 3% do PIB. 

Neste mesmo ano, a EDM recebeu 0,7% do PIB em empréstimos adicionais, mas fez reembolsos de 0,3% do PIB. Já a Maputo Sul recebeu 1,7% do PIB, o Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG) absorveu 0,4% e a empresa Aeroportos de Moçambique (ADM) recebeu 0, 3% do PIB, e não fizeram qualquer reembolso do valor.

A carteira actual de garantias e avales emitidos pelo Estado é classificada de alto risco, porque têm alta probabilidade de serem accionadas este ano.

 

Os próximos dois anos serão de reformulação profunda no FNB. O plano segundo o Administrador Delegado-Adjunto do FNB Moçambique, Paulo Pereira, em entrevista ao “O País”, passa por transformar esta instituição num banco de referência no mercado moçambicano em termos de eficiência, excelência de serviço e rentabilidade, alinhando-se em termos de inovação, melhores práticas, padrões de operação e centricidade no cliente com o FirstRand, o maior grupo financeiro em África por capitalização bolsista.

O FNB pretende “oferecer uma proposta de valor diferenciada para os sectores geradores de emprego e para as suas respectivas cadeias de valor, contribuindo assim de forma significativa para o desenvolvimento de Moçambique”, disse o Administrador Delegado Adjunto do FNB.

 

Basicamente, a estratégia de reposicionamento do First National Bank em Moçambique será focar-se nos segmentos de grandes empresas, comércio e banca de investimento, com uma lógica integrada para toda a cadeia de valor, incluindo o retalho.

“Todas estas mudanças são um sinal claro da visão de longo prazo que os nossos accionistas têm para Moçambique e, de forma consistente, terminámos o ano de 2018 com resultados positivos antes de impostos e com um aumento de capital de cinco milhões de dólares”, disse Paulo Pereira.

“Não obstante os anos desafiantes que tivemos no passado, temos vindo a dedicar um grande esforço e atenção na implementação de uma função de crédito de alta performance, com rigorosos critérios de decisão de risco e uma capacidade reforçada de recuperação da carteira de crédito vencido.

O ano de 2018 fica marcado pelo desenvolvimento e implementação destas competências chave em termos de crédito, que conduziram a resultados positivos na recuperação de crédito e originação de novo crédito de risco apropriado. Adicionalmente providenciámos de forma prudente toda a nossa carteira atingindo rácios de cobertura alinhados às melhores práticas do mercado,” acrescentou o mesmo.

No âmbito da estratégia de transformação, foram já aprovados vários aumentos de capital que serão realizados ao longo de 2019 e 2020. Os mesmos (aumento de capital) irão permitir a execução de diversas iniciativas que visam transformar a eficiência do FNB, tornando-o num banco sustentável, rentável e capaz de escalar.

Segundo Paulo Pereira, “o FNB irá mudar o seu paradigma de eficiência, deixando de ser uma operação de baixa produtividade que a impede de atingir resultados positivos sustentados. A eficiência será atingida através da automação e simplificação de processos, redimensionamento da estrutura para uma escala adequada e reposicionamento e optimização da rede de distribuição para a tornar relevante na nova estratégia. Iremos obter ganhos significativos de produtividade por via da digitalização, eficiência de vendas e racionalização dos balcões e back-office. Iremos também acrescentar novos pontos de presença no país alinhados com esta estratégia.”

Este investimento considerável, segundo os accionistas do FNB, irá deteriorar necessariamente os resultados em 2019 e 2020, assegurando no entanto um regresso ao lucro a partir de 2021 e de forma considerável daí em diante.

“DE OLHO” NO GÁS E PETRÓLEO

2019 é o ano de grandes decisões na indústria de hidrocarbonetos em Moçambique, com o DFI (Decisão Final de Investimento) nas Áreas 1 e 4 da bacia do Rovuma, esperado em Junho próximo, os accionistas do FNB querem reforçar a posição de maior banco africano financiador nestes projectos.

“ O FNB, através do FirstRand Group e em conjunto com o Rand Merchant Bank detém já uma posição de relevo nos grandes projectos de desenvolvimento do país (ex: Carvão, Gás Natural) e pretende reforçar essa posição quer no financiamento directo a esses projectos, quer no suporte e apoio local a toda as cadeias de valor correspondentes”, apontou Paulo Pereira.

Refira-se, que com a DFI para a exploração da Área 1, liderada pela Anadarko, bem como no Complexo Mamba, localizado na Área 4 na bacia do Rovuma, o país poderá atrair compromissos de investimento acima de 50 biliões de dólares.

Paulo Pereira resume ainda que “a aposta é em Moçambique e de longo prazo, o investimento maior será em pessoas e também em processos, tecnologia e na eficiência da operação”, acreditando assim que este programa contribuirá para que o FNB se possa tornar uma referência no nosso mercado.

 

 

 

 

 

 

A forte depreciação do metical face às principais moedas de circulação no mercado doméstico poderá agravar os níveis de insustentabilidade da dívida pública, entre 2019 e 2021, projecta o Ministério da Economia e Finanças.

Há muito que a divisa moçambicana, o metical, tem vindo perder valor face ao Dólar, Euro e Rand, na cotação do mercado. Esta situação, segundo o Ministério da Economia e Finanças (MEF) agrava o risco da sustentabilidade pública, com o rácio actual a situar-se acima de 100% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os pressupostos do Cenário Fiscal a Médio Prazo, divulgados pelo MEF, que cobrem o período de 2019 a 2021, indicam que 1% da depreciação na taxa de câmbio, representa um incremento em 2 pontos percentuais (pp) no rácio da dívida externa no PIB.

Realçando, que a variação mais sensível às flutuações na taxa de câmbio é a dívida pública, dado que em 2017, 84% do total da carteira foi contraída em moeda estrangeira. 

“Um choque da taxa de câmbio pode ter efeitos adversos no consumo privado, no investimento e no sector real através de maiores custos de produção para os sectores que dependem da importação de matéria-prima. Por outro lado, as flutuações da taxa de câmbio podem influenciar negativamente os balanços das empresas públicas através de mudanças na valoração de passivos em outras moedas”, lê-se no relatório sobre os riscos fiscais a médio prazo do MEF, a que “O País” teve acesso.

A evolução do choque cambial fez com que o nível da dívida em 2016 atingisse 126,7% do Produto Interno Bruto. Este impacto de taxa de câmbio foi mais evidente com a depreciação do metical, quando a divisa moçambicana perdeu cerca de 63% do seu valor face ao dólar norte-americano, enquanto em 2017, a apreciação do metical face ao dólar foi equivalente a uma redução em 14 pontos percentuais do PIB na dívida externa.

Estes dados sugerem que a carteira da dívida moçambicana está a mudar de forma rápida para um cenário de maior risco, menor maturidade (quatro anos) e maiores taxas de juros (18%). 

“Esta mudança na composição é um risco que requer monitoria constante em 2019. Ao mesmo tempo, há uma concentração de pagamentos em períodos específicos o que pode colocar uma pressão na tesouraria pública”, conclui o relatório sobre os riscos fiscais.

 

O Banco de Moçambique (BM) corre o risco de perder o novo edifício da sua filial em Nampula, avaliada em 900 milhões de meticais (no câmbio de 2012), ou deverá sujeitar-se ao pagamento de uma indemnização de mais de 800 milhões de meticais a um empresário. Na origem da polémica está a titularidade do Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT) da parcela onde foi erguida a obra.

Em 2012, o BM decidiu lançar uma reforma nas suas instalações nas cidades estratégicas, com destaque para as cidades de Maputo, Xai-Xai e Nampula, onde rebentaram modernos edifícios para o seu funcionamento em comodidade e segurança necessárias para um banco central. 
A nossa investigação soube que aquando do lançamento da obra de Nampula, o custo era de 30 milhões de dólares norte-americanos, que no câmbio médio daquela altura equivale a 900 milhões de meticais.

A obra estava a ser executada pelo empreiteiro Técnica Engenharia e Consultores Lda, tinha como duração 20 meses, mas quando se estava na fase de conclusão as obras tiveram que parar até hoje porque um empresário muito poderoso passou a reclamar a titularidade do DUAT da mesma parcela, situada numa zona estratégica, próximo do gabinete do governador provincial, no centro da cidade. Nessa altura, o BM detinha a documentação necessária, porque o Conselho Municipal tinha revogado o primeiro DUAT atribuído ao empresário em causa, sob argumentos que não nos foi esclarecido.  

O processo acabaria por ser dirimido pelo Tribunal Administrativo (TA), que anulou a decisão da edilidade, dando razão ao primeiro titular. Com a decisão a seu favor, o queixoso apresentou duas saídas ao Banco Central: demolir o edifício ou pagar uma indemnização de 825 milhões de meticais para ficar com o espaço.

Questionado sobre o assunto, o BM respondeu-nos por escrito, tendo deixado claro que quando iniciou as obras tinha conhecimento de um processo em curso, e reconheceu que: “O Banco de Moçambique tinha conhecimento pois foi notificado pelo Tribunal Administrativo para pronunciar-se em relação ao contencioso. No entanto, o Banco de Moçambique deu continuidade a obra porque tinha em sua posse a titularidade do DUAT e todas as devidas e necessárias autorizações legais emitidas pelo Conselho Municipal de Nampula para construção do edifício da sua filial em Nampula.”

No entanto, ao seu entender, “…o contencioso acima aludido não tinha por efeito impedir o início da construção, pelo que tomamos a decisão de prosseguir com a mesma.”
Mas o queixoso sentindo-se lesado, submeteu uma acção declarativa ao Tribunal Judicial da Província de Nampula para que se declarasse a legitimidade do DUAT da parcela em jogo. Seguiram-se pedidos de execução da sentença e outros agravos que ao longo do tempo iam dando volume a um “dossier” que, no entanto, não era atendido porque durante quase um ano a secção Comercial do Tribunal Judicial da Província de Nampula, para onde em 2016 foi encaminhado o processo, ficou sem magistrado.

Só em Dezembro de 2017 é que foi indicado o juiz Óscar Basílio, mas até aqui ainda não houve decisão final por se tratar de um processo bastante complexo, segundo o nosso entrevistado. “O que se esta a discutir aqui não é o Direito de Uso e Aproveitamento de Terra, porque o nosso Tribunal nada tem a dizer, uma vez que o Tribunal Administrativo determinou que pertence ao cidadão e foi confirmada em plenária. A questão que se esta a discutir é se vamos demolir o edifício, se vai se pagar a indemnização. É nesses termos”.

 No entanto, a posição do Banco de Moçambique mostra claramente que entre as parte não há entendimento, o que cria condições para o arrastamento do caso, enquanto isso o material da obra pode estar a estragar-se antes da conclusão.
“Queremos deixar claro que o Banco de Moçambique não é favorável nem à demolição do edifício bem como ao pagamento da caução a que se refere. O posicionamento do Banco de Moçambique é no sentido de ser garantido pelas autoridades competentes, neste caso particular o Conselho Municipal de Nampula, uma solução que salvaguarde a conclusão do edifício da Filial do Banco de Moçambique em Nampula, que julgamos que deve passar pela concessão de um espaço adequado à nossa contraparte.”

Durante meses a trabalhar no assunto, nem o empresário envolvido, muito menos o Conselho Autárquico da Cidade de Nampula quiseram falar do assunto. 
Sabe-se, que o empresário que disputa com o BM tem várias áreas de actuação em Moçambique e no estrangeiro, e era proprietário da falida empresa de transporte aéreo, Air Corredor, que fazia voos domésticos de baixo custo num passado recente. 

A nossa equipa apurou de fontes bem posicionadas que o actual governador do Banco de Moçambique por várias vezes manifestou o seu nervosismo em relação a esta polémica, por entender tratar-se de uma chantagem, uma vez que não são claros os critérios usados para a definição da referida indemnização e, por outro lado, os queixosos dizem que o Banco nunca se dignou sentar para negociar, mesmo depois de documentos escritos apresentando essa iniciativa de acordo extra-judicial.

 

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