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O País – A verdade como notícia

O Africa Risk-Reward Index, relatório que avalia os indicadores sobre o risco de investimento no continente africano, indica que Moçambique obteve uma pontuação de 6,07 em 2019, uma melhoria em 0,11 pontos face a classificação do ano anterior.

O mais recente estudo sobre os indicadores de risco de investimento em África, elaborado pela Oxford Economics e Control Risks, mantém Moçambique no grupo dos países africanos com elevado risco para os investidores em 2019.

Intitulado, Africa Risk-Reward Index  (Índice Risco-Retorno), que já vai na sua quarta edição, a avaliação constata, porém, que apesar do país continuar na “lista negra”, melhorou na pontuação. Em 2019, obteve uma redução do risco para 6,07 pontos, contra 6,18 da classificação do ano anterior.

Maurícias e Botswana são os países africanos com menor risco, com pontuações de 3,43 e 2,41, respectivamente. A República Democrática de Congo (RDC) é o pior nesse capítulo (8,10 pontos), seguida do Sudão com 7,24 pontos e Zimbabwe com 7,09 pontos.
O Africa Risk-Reward Index 2019 compara Angola e Moçambique, dois países “irmão” com risco mais elevado nos Países Africanos de Lígua Oficial Portuguesa (PALOP).

Segundo os economistas da Oxford Economics e Control Risks, Moçambique leva a melhor em relação a Angola, que apresenta uma de pontuação de 6,16 em 2019.

Moçambique obtém também uma melhor classificação do que Angola quanto a retorno, 3,72 face a 3,18, embora a evolução seja menos favorável do que a angolana (0,24 face a 0,69).

A melhoria dos indicadores angolanos é atribuída à ambiciosa agenda de reformas prosseguida pelo presidente João Lourenço desde que chegou ao poder, há dois anos, embora a situação do país seja avaliada com algumas reservas, recordando que os níveis de risco e de retorno são, respectivamente superiores e inferiores às médias do continente.

A quarta edição do relatório do Control Risks e da empresa de assessoria independente internacional Oxford Economics, oferece uma perspectiva abrangente e actualizada do panorama do investimento empresarial altamente dinâmico.

 

 

A economia moçambicana poderá registar um crescimento económico de 6,2%, nos próximos dez anos. A previsão é da consultora Fitch, que aponta os investimentos que estão a ser feitos nos Mega-projectos, como principais factores. É uma previsão que aponta para um crescimento acima da média de 5,9% registada entre 2009 e 2018.

“Prevemos que o PIB cresça 6,2%, em média, entre 2019 e 2028, acima da média de 5,9% registada entre 2009 e 2018, com o crescimento económico a acelerar lentamente na próxima década, devido ao fluxo de investimentos no sector das matérias-primas”, lê-se na análise que a consultora faz à próxima década em Moçambique.

De acordo com o relatório, estes investimentos “vão permitir que o país recupere do colapso no preço das matérias-primas e da suspensão do apoio orçamental por parte dos doadores”. Para os consultores, esta alteração “vai fazer com que o consumo desça em percentagem do PIB, aumentando o investimento e as exportações líquidas”.

Entretanto, na previsão de curto prazo, a Fitch Solutions mantém a estimativa de um crescimento de 1,4% este ano e, de 3,8% em 2020, devido aos efeitos dos ciclones Idai e Kenneth.

Além destas abordagens, como um outro factor motivador para o crescimento da economia moçambicana nos próximos dez anos, os analistas falam do cessar-fogo entre o governo e a Renamo, assinado em dezembro de 2016. Não obstante, alertam igualmente, que os riscos de um regresso à instabilidade mantêm-se elevados, particularmente devido às eleições de outubro.

 

As obras ligadas a um novo corredor logístico a região centro do país, avaliado em 3,2 mil milhões de dólares (2,9 milhões de euros), arrancam hoje com a ambição de promover a produção moçambicana e de criar um porto preferencial para o Malawi e Zâmbia.

"Há estudos preliminares e há boas conversas com os governos destes dois países", disse em entrevista à Lusa Orlando Marques, director executivo (CEO) da Thai Moçambique Logística (TML), empresa concessionária do corredor que terá um porto de águas profundas em Macuze, Zambézia, ligado a uma linha de férrea de 620 quilómetros até Chitima, Tete, interior do país.

"Macuze vai ser o porto mais próximo do Malawi e da Zâmbia", realça Orlando Marques citada pelo portal Notícias ao Minuto.

"Hoje, os principais portos que alimentam a Zâmbia são Dar-Es-Salaam [na Tanzânia] e Durban [África do Sul]", a mais do dobro da distância a que está Macuze, e é com esses que a TML pretende competir.

A construção do corredor – a cargo de um consórcio da portuguesa Mota-Engil com a chinesa CCEC – tem arranque previsto para 2020 e hoje é lançada a primeira pedra de obras que lhe estão ligadas: começa a construção da aldeia de reassentamento de Supinho para onde vai ser transferida a população que habita na zona de implantação do porto.

É "a fase zero do projeto", uma passo prévio à construção, cujo prazo de execução é de três anos e meio, explica o diretor executivo.

O corredor nasce no meio de outras duas linhas férreas já em funcionamento: o Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN), que liga Moatize ao porto de Nacala, e o Corredor da Beira, que liga a mesma zona mineira de Tete à cidade da Beira.

Orlando Marques acredita que o projeto da TML tem os seus trunfos: um porto de águas profundas, de que a Beira não dispõe, e menos dependência de um só cliente, apontando a vocação de Nacala para escoar carvão da mineira Vale.

Transportar exclusivamente carvão também era a ideia inicial da TML, mas a desvalorização (com exceção do carvão metalúrgico, usado em siderúrgicas) e a pegada ambiental levou à reconfiguração do plano.
Agora, "em cima do carvão – que continua a ter importância estratégica -, temos todas as outras matérias-primas que existem em Moçambique e na Zâmbia", país de onde a TML quer ajudar a escoar minério.

"Há duas empresas chinesas que têm minas e interessa-lhes a logística", pelo que "estão a negociar a concessão de uma linha férrea" na Zâmbia até a um ponto onde se ligue ao corredor da TML.

Por outro lado, há uma aposta no potencial agrícola da Zambézia – que a linha "poderá ajudar a desenvolver" – e memorandos de entendimento já assinados com algumas entidades daquela região do centro de Moçambique.

Orlando Marques refere que a perspectiva é a de colocar novas cargas em trânsito, em vez de fazer concorrência às que já circulam nos outros corredores.

"Vamos fazer mais que um terminal de minérios" e manusear "carga geral, contentores, 'oil and gas' e granulado, como milho, soja ou trigo", descreveu.

Um novo parceiro financeiro, que será acionista, deverá ser anunciado ainda este ano e conferir solidez ao projeto, acrescentou o diretor executivo.

"Está em fase de 'due diligence' (verificação de requisitos). Mais um ou dois meses, esse nome já vai ser público", referiu, considerando que se trata de um "parceiro robusto com capacidade financeira para pôr o projeto em andamento".

Informa o Notícias ao Minuto, que ao nível de planeamento, o porto de águas profundas de Macuze (para embarcações com 21 metros de calado) – a cerca de 30 quilómetros de Quelimane, capital provincial da Zambézia – será uma frente de obra e a linha será outra – por sua vez repartida noutras secções.

"O trabalho mais difícil serão as obras de arte, ou seja, pontes e viadutos", a parte mais morosa da obra, porque "fazer uma linha férrea, com a tecnologia que existe, é bastante rápido e fácil", descreveu.
Uma ponte principal, com quase um quilómetro, vai atravessar o rio Chinde, já perto da costa, na zona onde se encontra com o rio Zambeze.

Outra ponte importante, embora mais curta, vai atravessar o rio Zambeze, a norte de Moatize – já junto à capital provincial de Tete, na província com o mesmo nome, notícia o mesmo portal.

Ter um banco na mão, ou por outra, o uso do telefone celular nas transacções bancárias é cada vez mais comum no país, embora o nível de literacia financeira seja baixa.

A globalização obriga a uma transformação digital e inovação no sector financeiro em Moçambique.

Os gestores da banca comercial e provedores de serviços de carteira móvel querem expandir o uso deste aparelho no sistema financeiro em Moçambique. O plano passa por uma transformação digital.

“Os desafios são grandes, desde a exiguidade de infra-estruturas e baixa literacia financeira. A digitalização tornou-se um imperativo num mundo cada vez mais globalizado”, disse Rogério Lam, director central das Direcções de Marketing e de Canais Electrónicos do Banco Comercial e de Investimentos (BCI).

Para maior inclusão financeira em Moçambique, tendo como base a carteira móvel, Rogério Lam, avançou que há uma proposta junto da Associação Moçambicana de Bancos (AMB) para a simplificação de alguns procedimentos bancários.

“A exigência de comprovativos de residências, declaração de rendimento, entre outros documentos, deve ser repensada em algumas regiões do país”, defendeu o director central das Direcções de Marketing e de Canais Electrónicos do BCI.

Para Gulamo Nabi, director-geral da Vodacom M-pesa em Moçambique, o negócio da certeira móvel está a ter muita aceitação no mercado.
“Hoje depois de cerca de seis anos de operação, o M-pesa conta já com mais de quatro milhões de clientes”, apontou Nabi, aquando da conferência sobre transformação digital e inovação no sector financeiro, em Maputo.
 

 

Moçambique vai receber 880 milhões de dólares de mais-valias com a venda da petrolífera Anadarko à multinacional Occidental.
O anúncio foi feito hoje na cidade de Chimoio, em Manica, depois da reunião entre o Chefe de Estado e os presidentes executivos da Occidental e da Total.

Com a compra da Anadarko, a Occidental passou os activos que aquela petrolífera detinha em África à francesa Total. Assim, a partir de hoje a Total passa a ser o operador e líder do consórcio que explora gás natural na Área 1 da bacia do Rovuma.
Em Agosto, a petrolífera norte-americana Occidental Petroleum comprou, por 55 mil milhões de dólares, a também norte-americana Anadarko, companhia que liderava um dos maiores projectos de gás natural em marcha em Moçambique e em África.

 

O Conselho de Administração do Banco de Exportações e Importações dos Estados Unidos da América aprovou o empréstimo de cinco mil milhões de dólares para a construção da fábrica de Gás Natural Liquefeito da Área 1 da Bacia do Rovuma.

As obras de construção da fábrica de Gás Natural Liquefeito na península de Afungi, distrito de Palma, em Cabo Delgado, estão em curso desde Agosto último. Com uma capacidade de produção de cerca de 12 milhões de toneladas de gás natural por ano, o megaprojecto acaba de encaixar um empréstimo bilionário.

Numa reunião em Washington DC na quinta-feira, o Conselho de Administração do Banco de Exportações e Importações dos Estados Unidos da América aprovou, por unanimidade, um empréstimo de cinco biliões de dólares para a construção da fábrica, que a partir desta sexta-feira passa a ser operada pela francesa Total.

“Os Estados Unidos da América saúdam o voto unânime do Conselho de Administração do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos de autorizar um empréstimo directo de cinco mil milhões de dólares para apoiar um projecto de Gás Natural Liquefeito no norte de Moçambique. Este investimento irá impulsionar o crescimento económico, criar empregos e aumentar as receitas fiscais em Moçambique, ao mesmo tempo que apoia milhares de empregos nos Estados Unidos”, refere a nota da Embaixada norte-americana em Maputo.

E, acrescenta: “É também um passo importante no cumprimento do compromisso da iniciativa Prosper Africa dos Estados Unidos de duplicar o seu investimento, impulsionar o crescimento e aprofundar as nossas parcerias em África”.

Já o Conselho de Administração do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos considera o projecto da Área 1 da Bacia do Rovuma como sendo estratégico e transformador para o crescimento económico de Moçambique. Os membros do conselho de administração dizem mesmo que se o financiamento não tivesse sido autorizado e os Estados Unidos não participassem do projecto, outros países iriam mobilizar esforços para se posicionar como financiadores.
 

 

O consórcio que explora gás natural na Área 4 da Bacia do Rovuma, norte de Moçambique, quer construir quartéis do exército e da polícia para salvaguardar seus interesses na área de concessão.

Quando faltam poucos anos para o início da produção do Gás Natural Liquefeito na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, os insurgentes intensificam os ataques neste ponto do país, muito rico em hidrocarbonetos.

Diante desta ameaça constante, o consórcio da Área 4 da Bacia do Rovuma, liderado pela norte-americana ExxonMobil, anunciou esta sexta-feira, que pretende contratar empresas para construção de quartéis do exército e da polícia em dois locais na península de Afungi.

11 de Outubro é o prazo limite para a submissão das propostas, segundo anúncio público do consórcio da Área 4, consultado pelo "O País".

Além de locais de acomodação para o pessoal do exército, o anúncio inclui a construção de casas para oficiais e comandantes, depósito de armas, oficina para a manutenção de veículos blindados e armazém.

Refira-se, que os operadores deste bloco offshore, adiaram a Decisão Final de Investimento para finais deste ano.

 

O Centro de Integridade Pública alerta para possíveis saídas ilícitas de capital no negócio de gás e petróleo em Moçambique. Uma das soluções passa pela melhoria na legislação do sector.

Adeus carvão! Moçambique é, nos dias de hoje, a “nação do gás”. São cerca de 60 biliões de dólares norte-americanos que deverão ser investidos nas áreas 1 e 4 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.

A primeira produção do Gás Natural Liquefeito (GNL) inicia em 2023. Trata-se do projecto liderado pela norte-americana Occidental, que adquiriu os activos da Anadarko, na Área 1, cuja Decisão Final de Investimento (DFI) foi tomada a 18 de Junho passado, em Maputo. Na Área 4, liderada pela ExxonMobil, a DFI será anunciada no final do ano.

O Estado moçambicano já “esfrega” as mãos com as receitas milionárias desta indústria de hidrocarbonetos. Porém, o Centro de Integridade Pública (CIP) indicou possíveis riscos, ou seja, o encaixe em impostos poderá ser muito menos do que se espera.

“Há sérios riscos de saída ilícita de capitais no gás moçambicano. No projecto da Área 4, por exemplo, o negócio é feito entre as subsidiárias e no fim das contas o que as petrolíferas irão declarar como custo irá impactar nas receitas que o Estado espera”, segundo Inocência Mapisse, pesquisadora do CIP.

O grande problema está na fragilidade da legislação sobre a indústria extractiva, em particular, o Decreto n.º 70/2017, de 6 de Dezembro. “Há muitas lacunas nesse decreto. O mesmo peca pela ausência de um regulamento e pelo facto de não ser específico”, apontou.

Para o efeito, Inocência Mapisse defendeu uma revisão do decreto e aumento da capacidade de fiscalização dos agentes da Autoridade Tributária de Moçambique (AT), por forma a evitar e/ou minimizar a saída ilícita de capitais no gás do Rovuma.

Trata-se da revisão do Regime dos Preços de Transferência (RPT) publicado pelo Decreto n.º 70/2017, de 6 de Dezembro, em vigor há cerca de dois anos.
O RPT aplica-se a pessoas singulares e colectivas que sejam residentes ou que se encontrem domiciliadas em Moçambique, bem como a estabelecimentos estáveis de entidades não residentes no país que realizem operações vinculadas com entidades não residentes, bem como com outros estabelecimentos estáveis da mesma entidade situados fora.

Concretamente, o RPT visa desenvolver e concretizar as regras de preços de transferência que se encontravam previstas no Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (Código do IRPC).

 

Moçambique poderá gastar, anualmente, 14 por cento do seu Produto Interno Bruto para fazer face às mudanças climáticas. A conclusão é da Direcção da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal da Universidade Eduardo Mondlane e é baseada em dados do Banco Mundial.

Entre ameaças de cheias, secas e ciclones, 70 por cento da população moçambicana ainda tem na agricultura sua fonte de alimentação e renda.

E é preciso muito investimento para fazer face às mudanças climáticas que afectam negativamente a produção agrícola, agravando a situação da fome.

Entretanto, a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade defende a distribuição de sementes melhoradas para que haja maior produção agrícola mesmo diante de eventos extremos da natureza.

Esses pronunciamentos foram feitos no âmbito do seminário sobre Diálogo sobre o Desenvolvimento Agrário e Mudanças Climáticas em Moçambique que decorre em Maputo e tem a duração de três dias.

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