O País – A verdade como notícia

Os accionistas da petrolífera norte-americana, Anadarko, informaram hoje, em Maputo, que a venda dos seus activos na Área 1 da Bacia do Rovuma, não vai comprometer o projecto de Gás Natural Liquefeito neste bloco.

Uma semana depois do anúncio da venda dos activos da petrolífera norte-americana Anadarko, na Argélia, Gana, África do Sul e Moçambique, por 55 biliões de dólares, desembolsados pela Occidental, a direcção da companhia em Maputo, esclareceu em comunicado enviado à nossa redacção, que não haverá alternação do cronograma de exploração do Gás Natural Liquefeito da Área 1 da Bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado.

Mesmo com a venda, a Anadarko indica que continuará como subsidiária integral da Occidental, com os accionistas pré-fusão da Anadarko a deterem aproximadamente 16% das acções ordinárias.

Depois de concluida a venda, a Occidental vai se fundir a francesa Total.

“A Occidental está fortemente comprometida em garantir que durante o período em que for proprietária da Anadarko na área 1, a direcção e o cronograma do projecto permaneçam inalterados”, refere o comunicado.

Das discussões com o CEO da Total, Patrick Pouyanné foram reforçados os compromissos para com o projecto.

“Gostaria de reafirmar a importância da Mozambique LNG para a Total, onde nos tornaremos o operador. Este é um activo único que se encaixa perfeitamente na nossa estratégia e nas nossas competências. Tenham, por favor, certeza do compromisso da Total em trazer o melhor das nossas capacidades humanas, técnicas e financeiras para fortalecer ainda mais a execução do projecto sobre as bases sólidas estabelecidas pela Anadarko e seus parceiros, e implementar o projecto Mozambique LNG no interesse de todos os envolvidos, incluindo o Governo e o povo de Moçambique”, lê-se na nota da Anadarko que cita o CEO da Total.

 

 

As obras da linha de transmissão de energia eléctrica de Tete para Malawi arrancam no princípio do próximo ano. Orçado em mais de 100 milhões de dólares, o acordo para a viabilização do projecto foi assinado hoje, em Maputo, pela Electricidade de Moçambique e Kfw da Alemanha.

O projecto consiste na construção de uma linha de transporte de energia de aproximadamente 218 quilómetros entre Matambo, na província de Tete e Phombeya, no vizinho Malawi.

Para a viabilização do empreendimento, a Electricidade de Moçambique e KfW da Alemanha, assinaram um acordo de financiamento no valor de 34 milhões de dólares em donativos.

Depois do financiamento alemão, o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Max Tonela prevê fechar outros acordos com outros parceiros nas próximas semanas. Trata-se de um acordo em forma de donativo do Banco Mundial e outro da Noruega

Finalizados os acordos que irão totalizar 127 milhões de dólares, ainda este ano será conhecido o consultor que vai viabilizar a linha de transmissão de energia eléctrica de Tete para Malawi.

O acordo entre a EDM e KfW contou com a presença do embaixador da Alemanha em Moçambique, Detlev Wolter, que destacou “a excelente cooperação entre Moçambique e Malawi.

 

 

A empresa Petróleos de Moçambique – Petromoc precisa de uma injecção de sete mil milhões de meticais para normalizar a sua actividade no mercado. Super-endividada e com o seu principal acionista sem dinheiro, o Estado, a empresa desdobra-se para não declarar falência.

O Presidente do Conselho da Administração da Petromoc, Hélder Chabisse, reconhece as dificuldades da petrolífera pública, mas não quer passar, na totalidade, os encargos de recuperação da mesma ao Estado, por saber que se trata de um accionista também em dificuldades financeiras. Mas a empresa precisa de dinheiro para se levantar.

“Neste momento os fundos próprios negativos estão na casa dos 7 mil milhões de meticais. Seria irrealista da nossa parte como administração da empresa solicitar o acionista uma intervenção dessa magnitude”, disse Chabisse.

Há quem deve a Petromoc, mas na lista de devedores há também empresas que enfrentam problemas financeiros, como é o caso da LAM.

“Dois mil milhões são da LAM, mas temos também dívidas que decorrem mesmo da natureza da nossa operação, temos um mercado altamente competitivo”, acrescentou.
Mas o que terá acontecido para a Petromoc entrar num mar de dificuldades?

“E empresa tem a maior rede de distribuição, a maior cota do mercado e por tanto teve maior volume de importação. Numa situação em que temos um défice a que chamamos défice regulatório o ónus da empresa é maior e a empresa teve que se endividar para esse fim”, explicou o PCA.
De 2015 a 2018, os resultados líquidos da Petromoc foram negativos.

 

O ministro da Economia e Finanças disse esta quinta-feira, em Maputo, que o Governo está autorizado a se endividar até 19 biliões de meticais este ano. Nas contas de Adriano Maleiane, o nível de endividamento interno está dentro do programado.

Até Junho passado, o Governo moçambicano recorreu a um financiamento interno no valor de 11 biliões de meticais, de um tecto no montante de 19 biliões de meticais, inscrito no Orçamento do Estado (OE) de 2019.

É com base nesses números, que o ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, desvalorizou esta quarta-feira, o que chamou de “má interpretação” em torno do endividamento interno, ou seja, esta rubrica não atingiu níveis de insustentabilidade.

“Do total do valor autorizado, nos falta oito biliões de fundos internos a solicitar para financiar o défice orçamental. O crescimento que se regista está dentro do previsto, pelo que ainda não atinjamos o limite fixado”, explicou.

Entretanto, o argumento de Maleiane contraria a informação avançada pelo Banco Central, que alerta que a dívida pública interna continua a aumentar, ilustrando, que de Junho a esta parte, o stock total dessa rubrica incrementou para 134.478 milhões de meticais, reflectindo a emissão de Obrigações do Tesouro em 3.787 milhões de meticais.

SECTOR EMPRESARIAL DO ESTADO

Com o tecido empresarial do Estado em profundas reformas, uma vez que grosso número de firmas apresenta “contas no vermelho”, o ministro da Economia e Finanças, disse que estabeleceram-se novos princípios e regras, visando dotar este sector de eficácia, eficiência e maior rigor.

Nestas reformas, o governante, destacou a “distinção entre as empresas exclusivamente, maioritariamente e minoritariamente participadas pelo Estado, onde as duas primeiras categorias estão sujeitas ao controlo financeiro e à gestão do risco”.

No seu discurso de abertura do segundo Conselho Coordenador do Ministério da Economia e Finanças, Adriano Maleine, fez uma radiografia do quinquénio, cobrindo o período de 2015-2018 (excepto 2019), tendo destacado o crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 4,4%, uma inflação média de 10,6%.

“O volume das exportações de bens e alcançou cerca de 15.3 mil milhões de dólares e as importações cerca de USD 22.1 mil milhões”, apontou.

Esses indicadores, de acordo ainda com o governante, influenciaram positivamente, o clima de negócios, que deverá aumentar nos próximos anos, devido aos recentes desenvolvimentos da indústria do gás e petróleo.

“A tomada da Decisão Final de Investimento por parte dos consórcios que exploram gás natural da Bacia do Rovuma (na Área 1, a DFI foi tomada a 18 de Junho passado, enquanto para Área 4, a decisão foi adiada para finais do ano) constitui um factor que irá dinamizar a economia, contribuindo, assim, para um crescimento sólido nos próximos anos”, projectou Adriano Maleiane.

RACIONALIZAÇÃO DA DESPESA

Dados do Ministério da Economia e Finanças indicam que o défice orçamental passou de 9,7% do PIB, em 2016, para uma previsão de 8,9% do PIB em 2019, representando uma redução de 0,8 pontos percentuais.

“A redução do défice orçamental ao longo deste período mostra os ganhos alcançados com a materialização do objectivo da consolidação fiscal, o que encoraja o compromisso de prosseguir com medidas de política e reformas que visam a melhoria contínua das contas públicas”, realça Maleiane.

O Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Max Tonela, diz que a equipa interministerial está ainda a calcular as receitas que o Estado deverá receber pela compra dos activos da Anadarko na Área 1 da Bacia do Rovuma pela Occidental.

À margem do Conselho Coordenador do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, que decorre em Chibuto, província de Gaza, Max Toenela disse ao “O País” que a equipa do Governo estava ainda a calcular quanto Moçambique poderá ganhar de mais-valias no negócio da Anadarko e que as receitas seriam pagas ainda este ano.

Tonela avançou ainda que o Governo está a acompanhar o processo que vai culminar com a passagem dos activos que eram da Anadarko para a Total.

Na semana passada, a norte-americana Occidental concluiu a compra dos activos da Anadarko por 55 biliões de dólares.
 

 

 

Entre 2007 e 2017, o Governo contraiu uma dívida de 29.7 biliões de meticais junto dos fornecedores de bens e serviços para o Estado, sendo que deste valor, o Executivo apenas assumiu o pagamento de 19.5 biliões.

Os pagamentos da dívida em atraso junto dos fornecedores de bens e serviços do Estado iniciaram em Novembro do ano passado, sendo que numa primeira fase, o Governo priorizou as obrigações de até 60 milhões de meticais, que integra as Pequenas e Médias Empresas (PME).

Esta medida mereceu elogio da classe empresarial, representada pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), porque vai aliviar as contas das PME que são os fornecedores com menos musculatura financeira, mas com maior impacto económico e social.

A dívida contabilizada entre 2007 e 2016, é de 29.7 biliões de meticais, contudo, o Executivo assumiu o compromisso de pagar cerca de 19.5 biliões, alegadamente porque a remanescente violou uma série de procedimentos administrativos.

Em exclusivo ao “O País”, o porta-voz do Ministério da Economia e Finanças (MEF), Rogério Nkomo, revelou que o processo do pagamento será concluído até finais deste ano.

“Não posso indicar o montante, mas grande parte da dívida já foi paga e prevemos que até final do ano teremos o processo concluído. Mas, o importante é confirmar-se a sua validade”, referiu.

Sobre a restante dívida ainda em processo de regularização, o porta-voz do MEF disse que o processo continua a ser analisado na contabilidade pública.

Refira-se, que a falta de pagamento das facturas aos fornecedores afectou a tesouraria das empresas, não permitindo a sua competitividade, incluindo o cumprimento das suas obrigações com a banca, fornecedores e outros.

O levantamento dos compromissos e despesas por pagar a nível de todas as instituições públicas, consta que 25.953,57 milhões de meticais em dívida (correspondente a 88%) foi contraída a nível central e 3.812,21 milhões (correspondente a 12%) foi a nível provincial.

Para travar e evitar a acumulações facturas atrasadas da despesa e reforçar transparência orçamental, o Governo aponta duas medidas, nomeadamente, o cumprimento integral do Decreto 5/2016, de 8 de Marco – Regulamento de Contratação de Empreitadas de Obras Publicas, Fornecimento de Bens e Prestação de Serviços ao Estado e reforço das auditorias da Inspecção Geral de Finanças, garantindo a observação das normas vigentes e a responsabilização em caso de desvio.

 

A porta das sextas eleições gerais agendadas para Outubro próximo, o Governo moçambicano “corre contra o tempo” em busca do financiamento para suprir o défice orçamental, para a realização do escrutínio.

O primeiro alerta da exiguidade de fundos foi feito pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) que avançara que o Executivo tinha disponíveis 6.5 mil milhões de meticais, equivalente a 44 por cento dos 14.6 mil milhões de meticais necessários para todo o processo.

Esta quinta-feira, o ministro da Economia e Finanças revelou que o défice do financiamento reduziu para cerca de 5.9 biliões de meticais, valor que está a ser mobilizado junto de parceiros.

“O primeiro trabalho que foi feito entre o Governo e a CNE foi de revisitar o orçamento. Desse trabalho foi possível reduzir o défice inicial. Neste momento estamos a trabalhar com os parceiros para ver como financiamos. Seguramente que as eleições vão ser feitas, e sem financiamento vamos efectuar cortes”, explicou Adriano Maleiane.

 

 

As receitas da Vale Moçambique situaram-se em 271 milhões de dólares no segundo trimestre deste ano. O valor representa uma redução de 15 milhões de dólares, para comparativamente ao trimestre anterior.
 
A Direcção da mineradora brasileira Vale em Moçambique apresentou esta quarta-feira, em Maputo, os resultados operacionais e financeiros da empresa referente ao segundo trimestre de 2019.

O Presidente do Conselho de Administração da empresa revelou que foi revista em baixa a produção do carvão para este ano, 14 milhões de toneladas para 10 milhões, devido as intensas chuvas que se fizeram sentir no centro do país.

Já o Director financeiro da Vale, que apresentou os resultados do segundo trimestre, indicou que a mineradora obteve receitas no valor de 271 milhões de dólares, menos 15 milhões que nos primeiros três meses deste ano, embora os níveis de produção tenham sido ligeiramente superiores no período.
 

“O volume de vendas está em linha com o primeiro trimestre, se manteve na casa dos 2.2 milhões de toneladas e o que tivemos de impacto nas receitas foi por conta dos preços que recuaram no segundo trimestre se comparado com o primeiro”, informou Marcelo Tertuliano, Director financeiro da Vale.

Em função da actual conjuntura, a Direcção desta mineradora brasileira prevê uma redução das receitas em impostos a canalizar para o Estado moçambicano neste ano, embora mostra optmismo para os próximos anos.

Governo já tem disponível 1.05 mil milhões de dólares dos 1.3 prometidos no contexto da conferência de doadores realizada na cidade da Beira. Do valor disponibilizado, 930 milhões vão para reconstrução e 118 milhões para o Orçamento do Estado.

Foi prometido na Beira, mas ainda não estava disponível nas contas do Estado Moçambicano para acções de recuperação das zonas afectadas pelos ciclones Idai e Kenneth. Mas o Governo anunciou, hoje, que grande parte do valor já foi disponibilizado pelos parceiros e com o respectivo plano de alocação.

Quem fez o anúncio foi João Machantine que explicou que, no total, o valor já disponibilizado é de 1.05 mil milhões de dólares, entretanto nem todo ele foi para a reconstrução “propriamente dita”.

São 930 disponíveis para o processo de reconstrução e que já tem um plano feito. Do outro lado, o Fundo Monetário Internacional, através do instrumento de emergência desembolsou 118 milhões de dólares.

Entretanto, o valor vindo do FMI vai directamente ao Orçamento do Estado. Neste momento “ainda temos de assegurar o plano de alocação de um valor de cerca de 254 milhões de dólares”, de acordo com a explicação de João Machatine.

Este valor é parte dum global de 3.2 mil milhões de dólares necessários para a reconstrução total e completa das zonas afectadas pelos ciclones IDAI e Kenneth. Que se destaque que durante a conferência havida na Beira, os parceiros comprometeram-se a dar 1.2 mil milhões de dólares, mas de lá até o valor subiu para 1.3 mil milhões.

 

LANÇADO MECANISMO DE RECUPERAÇÃO SOCIAL

Não é o primeiro, mas é diferente! O Mecanismo de Recuperação lançado hoje vai ser uma plataforma através da qual, vários parceiros vão canalizar fundos destinados à recuperação das zonas afectadas pelos ciclones Idai e Kenneth. O diferencial está no foco, este é exclusivo para questões sociais.

O Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, João Machatine, “pensa” que “falar de infra-estruturas esquecendo do lado humano é colocar a carroça à frente dos bois”.

Explicando, “nós queremos, de imediato, criar condições para que as populações que ficaram afectadas possam, rapidamente, recuperar-se”, isto porque “tudo o resto só será possível com a força humana em condições de o fazer”.

Para uma recuperação mais rápida e sustentável, é preciso que a mulher também esteja “em condições”, até porque “a nossa sociedade olha para a mulher como a força motriz para todo o tipo de desenvolvimento”, tal como explicou João Machatine.
E é mesmo por essa razão que parte do valor será dedicado à recuperação da mulher, olhando-se para financiamentos à vida económica e social destas.

A plataforma foi desenhada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e engloba vários parceiros de cooperação, sendo de destacar a União Europeia, as Nações Unidas e diversos países do mundo.

Para o Governo, um mecanismo como este é um sinal de que no país há transparência na gestão de recursos e, aliás, este vai aprimorar as formas de gestão em Moçambique. “Trata-se de um mecanismo que apadrinhámos desde o início, mostrámo-nos bastante confortados com ele porque é uma forma de atrair investimento, este que será gerido de uma forma mais transparente usando os critérios e padrões universalmente aceites”, disse para acrescentar que, “como Governo”, eles vão “adoptar esses mecanismos para que outros parceiros possam acreditar e conferir ainda mais credibilidade a este processo todo de reconstrução”.

Já o PNUD, representado por Alfredo Texeira, considera que Moçambique precisa de se comprometer neste projecto que considera transformador. Mais do que isso, “países vulneráveis a desastres naturais como Moçambique, precisam de criar um sistema robusto de resiliência” para evitar estragos maiores.

 

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