O País – A verdade como notícia

Um total de 12 propostas de empresas nacionais e estrangeiras foram pré-seleccionadas, das 135 submetidas, no concurso para a construção da central solar de energia eléctrica no distrito de Dondo, província de Sofala, no âmbito do Programa de Leilões de Energias Renováveis (PROLER), lançado em Outubro pelo Presidente da República.

A informação foi revelada pelo Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Autoridade Reguladora de Energia (AREN), Paulo da Graça, após a abertura das propostas submetidas e pré-seleccionadas, nesta segunda-feira, um acto testemunhado, presencialmente, por nove membros de júri e pelas empresas concorrentes através de plataformas digitais.

Por causa das restrições impostas pela pandemia da COVID-19, 35 representantes das empresas pré-selecionadas participaram do evento de abertura das propostas realizado na cidade de Maputo através de plataformas digitais. Os membros de júri têm 15 dias úteis, a partir de amanhã, para avaliar e escolher as empresas que vão para a última fase de selecção.

“Tratando-se esse de um concurso com duas etapas, depois de se apurarem os pré-qualificados, vai-se ao verdadeiro concurso contituído por duas etapas e aqui, os que tiverem sido qualificados nesta fase serão convidados a apresentarem propostas técnicas, isto na primeira etapa, e na segunda etapa também serão convidados a apresentarem propostas técnicas e as restantes propostas, de entre elas, proposta financeira”, disse o PCA da AREN.

Fazem parte do grupo dos membros de júri representantes do sector da energia, do Banco de Moçambique, dos Ministérios do Trabalho, do Ambiente e da Economia e Finanças. A central eléctrica solar a ser construída terá uma capacidade para a produção de 30 Megawatts de energia eléctrica a ser alocada à rede pública nacional de distribuição de energia eléctrica.

O Presidente do Conselho de Administração da Autoridade Reguladora de Energia, entidade responsável pela recolha e pela gestão do processo de análise das propostas fez saber que submeteram documentos empresas nacionais e estrangeiras, mas não quis revelar se das 12 propostas pré-selecionadas constam firmas nacionais, alegando que cabe ao júri.

O programa de leilões é regido pela Lei das Parcerias Público privadas, segundo referiu o PCA da AREN. Além da central de Dondo, está ainda previsto o lançamento de mais três concursos para a construção de centrais eléctricas em Lichinga, Tete e Inhambane.

A constatação foi feita pelo painel que discutiu o tema Tecnologia e os desafios da Indústria de Conteúdos da MozTech. Os intervenientes avançaram ainda que as barreiras linguísticas são outro desafio que os distribuidores de conteúdos têm num país com mais de 20 línguas.

 O desenvolvimento tecnológico quebrou barreiras geográficas e trouxe uma nova forma de actuação da indústria de conteúdos. Hoje em dia, eventos que acontecem a milhares de quilómetros podem ser vistos em tempo real, em qualquer parte do mundo. Entretanto, esses avanços criam desafios para países como Moçambique. “Um dos maiores desafios são, sem dúvidas, as barreiras linguísticas. Moçambique tem aproximadamente 29 línguas e apenas 17% da população tem o português como a primeira língua. E isso dificulta hoje essa meta de inclusão. A questão agora não é só transmitir a mensagem, tem que se pensar no público que irá consumir”, disse Gabriela Gulamhussen, directora executiva da Panavideo

Os desafios não param por aí. “Há outros desafios aí associados. A questão de como é que se regulam e se controlam os conteúdos, como é que ficam os direitos de autor. Agora é fácil criar uma plataforma de distribuição, é fácil aparecer para o mundo com determinado conteúdo, a questão é como se controla a sua qualidade e como o seu autor vai continuar a se beneficiar desse mesmo conteúdo e ter controlo sobre o mesmo”, acrescentou João Ribeiro Director-sénior da Multichoice e Gotv, para depois acrescentar que a falta de uma legislação sobre as regras de distribuição de conteúdos está a causar prejuízos para à sua empresa.

“Há muitos conteúdos que são produzidos fora de Moçambique e entram no nosso território violando os nossos direitos como distribuidores. Hoje em dia, há proliferação de aplicativos, que permitem o acesso a vários canais, que são por nós fornecidos de forma exclusiva. Somos operadores legais, pagamos impostos, salários a funcionários entre outros encargos. Isso está acontecer porque não há regulamentação do uso dessas plataformas que criam uma concorrência desleal. Eles vendem conteúdos que deveriam ser exclusivos na nossa plataforma e não vemos nenhuma acção do regulador”, lamentou Ribeiro.

Por seu turno, o advogado Guilherme Daniel defendeu uma maior intervenção das entidades que regulam a actividade de distribuição de conteúdos para que não haja atropelos.

“As normas jurídicas visam regular situações presentes e do futuro. E este é um sector de conhece transformações com uma rapidez acentuada quando comparada a outras indústrias. Hoje temos normas jurídicas que pretendem regular situações que já não existem e, por outro lado, temos realidades mais recentes que não tem regulação”, introduziu para depois exemplificar “o estatuto do Conselho Superior da Comunicação Social, tem mais de 20 anos, e o contexto que esse mesmo conselho pretende regular é diferente. A introdução de regulamentação mais adequada, o reforço das competências desse conselho, como por exemplo, a introdução de competências de fiscalização e de investigação pode ter um papel importante no controlo da licitude dos conteúdos que são difundidos”, vincou.

Presente no painel, o PCA da TMT, empresa de Transporte, Multiplexação e Transmissão garantiu que tudo está a ser feito para que o processo de migração digital seja inclusivo.

“Terminamos a implementação da rede em Abril deste ano com o arranque das transmissões na Cidade de Maputo. De lá para cá, temos vindo a intensificar a distribuição de descodificadores, elemento importante para garantir a migração. Depois de sucessivos adiamentos, esperamos que o apagão aconteça até finais do próximo ano. Entretanto, em termos práticos o apagão já começou, porque na nossa rede de 60 transmissores, cerca de 30 estão implantados em regiões onde não existe outra televisão, isto é, são 30 locais onde que a única televisão existente é a que é distribuída através da TMT”, disse Victor Mbebe

Até esta altura, a TMT já vendeu mais de 130 mil descodificadores, dos 400 mil existentes, factor determinante para que o apagão aconteça. E para que atinja a meta de vender ao maior número possível de utentes, a empresa está, neste momento, a fazer uma promoção vendendo os descodificadores ao valor de 999 meticais, contra os anteriores 1200 meticais. “Com esta promoção, achamos que até o início do próximo ano teremos vendido 200 mil descodificadores, este processo é que poderá dinamizar o apagão. O “switch off”, só pode aconter quando tivermos garantias de que maior parte das famílias moçambicanas têm o equipamento”, repisou.

A mineradora irlandesa Kenmare iniciou, na última terça-feira, a transferência da plataforma de processamento de areias pesadas e a respectiva draga do distrito de Larde para o distrito de Moma, em Nampula. A mega operação vai durar mais de uma semana e é a maior jamais feita em África.

Tudo começou com a preparação de uma estrada de 42 metros de largura para permitir a passagem das grandes estruturas metálicas, da zona de Namalope, no distrito de Larde, para o povoado de Pilivili, no vizinho distrito de Moma, na parte costeira da província de Nampula.

Trata-se, primeiro, da fábrica flutuante de processamento de areias pesadas que pesa 7 mil toneladas. Para a sua deslocação foram mobilizados 290 eixos de rodas para levantar a estrutura para começar a rolar em terra, devendo percorrer 23 km de estrada, dentro de mais de uma semana.

A transferência de Namalope para Pivilili deve-se a dois motivos, tal como explicou Higino Jamisse, director-geral da Kenmare: “nos últimos anos estávamos a minerar na casa de 2 a 3% de teor de minério e onde vamos minerar na casa de 4% a 5% de teor de minério. Portanto, o teor de minérios onde vamos é mais elevado o que implica aumento de produção e nesta zona já esgotamos a área que estava na concessão aqui em Namalope e está na hora de sair”.

Seguir-se-á a reposição total dos solos para a devolução da terra às comunidades, tal como recomendam as leis das Minas e do Ambiente. “Agora estamos a sair e tem a última parte onde esta fábrica minerou e temos que continuar com o processo de reabilitação. Portanto, a parte final é a entrega da terra às comunidades e a desanexação da terra do nosso Direito de Uso e Aproveitamento da Terra”, afirmou aquele responsável.

Enquanto a planta de processamento continuava imóvel, a draga, que é a estrutura que capta a água e as areias leves e pesadas para a fábrica começou o movimento, tendo-se mobilizado dezenas de técnicos e agentes da polícia para regular o trânsito.

A grandeza da estrutura atraiu muitos populares que quiseram acompanhar aquela que é a maior movimentação de uma fábrica por terra em África, tal como referiu o director-geral da Kenmare.

 CONHEÇA O VALOR E APLICAÇÃO DE AREIAS PESADAS

A Kenmare contribui com 7% da produção mundial de areias pesadas com a exploração em Moçambique. Com as areias pesadas processadas extrai-se três principais produtos com um valor que varia de 13 mil a 81 mil meticais a tonelada.

A transferência das unidades de exploração e processamento de areias pesadas de Larde para Moma marca uma nova etapa da Kenmare em Moçambique, a mineradora irlandesa pioneira na exploração de areias pesadas no nosso país, já lá passam mais de 10 anos.

Com o processamento de areias pesadas saem três produtos, com várias aplicações e diferentes custos no mercado internacional:  a ilmenite custava em 2019, 184 dólares a tonelada. Na forma de dióxido de titânio  é usado na produção de pigmentos como base para pinturas de alta qualidade.

O rutilo custava 852 dólares a tonelada, no ano passado.  É utilizado em tintas, plásticos, papel, cosméticos e outras aplicações como na produção de electrodes de soldadura.

Já o zircão custava 1163 dólares a tonelada em 2019. O zircão é utilizado como material refractário para moldes de fundição, como abrasivo e como constituinte de isolantes, esmaltes e outros materiais resistentes à temperatura. Utiliza-se ainda como pigmento na indústria cerâmica.

Trata-se de recursos valiosos, com um mercado garantido no mundo fora. “Os nossos mercados são a China, na sua maioria, mas também temos o japonês, europeu e americano”, assegurou Higino Jamisse, director-geral da Kenmare.

A Kenmare exporta um milhão de toneladas por ano e vai passar para um milhão e duzentas mil toneladas.

Sob o lema “Incrementar a produção, promovendo a resiliência costeira e pesqueira” o mundo celebra, hoje, o Dia Mundial da Pesca.

Numa mensagem enviada ao “O País”, o Presidente da República apela para maior vigilância no combate à pesca ilegal e uso de práticas prejudiciais à sustentabilidade da pesca.

Filipe Nyusi reitera o compromisso do Governo de trabalhar com todos os intervenientes na cadeia de valor da pesca, na criação de condições que aumentem a resiliência das comunidades e desenvolvam formas sustentáveis e justas de pesca rumo a uma economia azul cada vez mais forte.

“O lema deste ano remete-nos para a necessidade de uma nova visão sobre a pesca que procure responder as novas ameaças que a pesca marinha e das águas interiores enfrentam para atingirmos a meta de um mundo sem desnutrição e fome. Entre as adversidades, temos o crescimento da população, a redução dos estoques do pescado, a crescente procura de alimentos aquáticos, a degradação do meio ambiente e as mudanças climáticas em particular em zonas costeiras”, diz o Chefe do Estado.

Na sua mensagem, o Presidente Nyusi destaca a importância do Dia Mundial da Pesca na conservação do oceano e da vida marinha.

“Esta efeméride chama-nos a atenção mensagem do Chefe do Estado importância dos produtos da pesca e a necessidade de preservação do habitat do peixe e outros produtos aquáticos por constituírem a fonte de sustento e segurança alimentar para muitos, em particular para as comunidades dos pescadores”, lê-se na mensagem.

Porque “pescar de forma responsável é desenvolver Moçambique” e “as mudanças climáticas e a preservação do ambiente exigem de nós todos a capacidade de adaptação das nossas práticas de pesca”, Filipe Nyusi saudou os pescadores, armadores, processadores de pescado e demais profissionais ao longo da cadeia de valor da pesca pelo seu empenho, dedicação e devoção a esta actividade que muito tem contribuído para o crescimento da nossa economia.

A Directora de Marketing da TV Cabo defendeu, na sua participação na sétima edição da MOZTECH, que a fibra óptica é um factor que concorre para o desenvolvimento económico aonível nacional. A intervenção de Orbay Nalá foi à luz do tema “Fibra óptica como infra-estrutura de suporte às comunicações”.

O que é fibra óptica? A intervenção da Directora de Marketing da TV Cabo, Orbay Nalá, na sétima edição da MOZTECH, começou por dar resposta àquela pergunta, afinal, tudo o que diria na feira de tecnologias assentaria em tal conceito. “Fibra óptica é um filamento em vidro puro, que é utilizado como base para propagação da luz, com dois núcleos: um filamento em vidro e um material isolante”, que reveste o filamento em vidro. É a luz que encaminha toda a informação para a casa do cliente. Então, devido à tendência do mercado e das tecnologias, em 2011, a TV Cabo decide migrar para a fibra óptica, como forma de oferecer melhores serviços e porque, segundo Orbay Nalá, contribui imenso para o desenvolvimento da economia moçambicana, com fiabilidade e eficiência.

Na sua participação na MOZTECH, esta sexta-feira, a Directorade Marketing da TV Cabo afirmou que quer para o operador quer para o usuário, a fibra óptica proporciona inúmeras vantagens. E explicou: “para componente operador, o simples facto de, através de uma fibra, o operador poder oferecer vários serviços, com qualidade, fiabilidade, em tempo real, isto é uma vantagem muito grande para as economias. Mais ainda. Funcionando nessa base, isso possibilita que os operadores funcionem à base de economia de escala, ou seja, os operadores vão oferecer ao mercado, que impacta na economia, uma variedade de serviços de alta qualidade a custos baixos”.

Se, por um lado, as vantagens são visíveis para os operadores, por outro, são igualmente claras para os clientes. Orbay Naláargumenta: “na mesma base, para os clientes, que já têm uma infra-estrutura da fibra óptica, eles recebem tantos serviços e podem requer tanto quanto necessitarem pela mesma via. Logo, estando criadas as condições de fiabilidade, qualidade e fiabilidade e a própria segurança, aliadas às vantagens, o cliente torna-se satisfeito”.  

Na percepção da Directora de Marketing da TV Cabo, a fica óptica ainda tem muito por dar e por ser explorado. Entretanto, existe o grande desafio de vencer a barreira do alto custo do serviço, de maneira que chegue e beneficie mais pessoas. Neste momento, em Moçambique, o serviço ainda não é abrangente e acessível para todas as classes sociais. A massificação, explicou, pode resultar da definição de estratégias convincentes e pragmáticas para o efeito. “o ideal seria que, à semelhança do que acontece com as águas e com a electricidade, no acto de construção de edifícios ou prédios, já houvesse uma legislação, um procedimento ou uma regra que obrigasse que essas construções fossem contemplando espaços para a fibra óptica pudesse ser instalada nesses locais. Seguramente, isso iria ajudar bastante na massificação”.

De acordo com a Directora de Marketing da TV Cabo, a fibra óptica possibilita a oferta de uma internet de banda larga com capacidade e velocidade. Associado a isso, em termos de vantagem, não material inflamável, logo não está sujeito a riscos de incêndios, porque a fibra como tal não precisa de energia para o seu funcionamento. Além disso, dá a possibilidade de oferta de serviços integrados. Logo, numa mesma pode-se ter muitos serviços transmitidos pelo mesmo canal. A fibra possibilitou, por exemplo, a transmissão de conteúdos televisões e serviços de voz à base de internet. Outro exemplo: “a situação em que nós vivemos hoje, com a COVID-19, surgiu uma prática de teletrabalho, algo que se executa em tempo real como se estivéssemos a trabalhar no escritório. Agora, também é verdade, disse, não basta ter fibra óptica para oferecer confiabilidade. É necessário que haja todo um serviço de condutas, disponibilização de cabos subterrâneos que protejam a própria fibra, com integração de plano preventivos e manutenção para se garantir serviços de eficiência. Há desvantagens? Claro. “A grande desvantagem é o alto investimento, e não é por causa da fibra em si, que até é acessível, mas todos os elementos associados, para que construa uma infra-estrutura em fibra, é altíssimo. No meu entender, essa é uma das grandes desvantagens”.

De acordo com Orbay Nalá, a TV Cabo é a única empresa que oferece serviço integrado de internet, televisão e voz em Moçambique. Outra vantagem da empresa é a certificação que possui, o que assenta em toda a cadeia de valor e é transversal. “Isso acrescenta a nossa competitividade e cinco anos consecutivos que somos considerados a melhor internet em Moçambique”. Não obstante, a TV Cabo não encarra os outros operadores como ameaça.

A Directora de Marketing da TV Cabo foi a única oradora do painel intitulado “Fibra óptica como infra-estrutura de suporte àscomunicações”, neste último dia da sétima edição da feira de tecnologias MOZTECH, que este ano aconteceu de forma hibrida: presencial e virtual, sempre com participações de nacionais e estrangeiros.

 

Esse é o posicionamento de artistas e entidades tecnológicas que actuam na área das indústrias criativas no país.

Apesar de reconhecerem benefícios proporcionados pelas tecnologias, estes entendem que persistem desafios, como a deficiente literacia em relação a plataformas digitais e falta de legislação forte que guia a venda de conteúdos culturais nas plataformas digitais.

A pandemia da COVID-19 trouxe desafios no quotidiano dos moçambicanos que vivem das artes. O recurso às tecnologias foi o refúgio para muitos artistas, que de um dia para o outro, se viram sem espaços, nem público para garantir o seu sustento.

Sheila Faiane, escritora e poetisa, defende que a situação, apesar de ser desafiadora, mostrou que é possível colocar a indústria criativa a funcionar.

“Antes da pandemia tínhamos várias plataformas de divulgação, mas com essa situação tiveram mais visibilidade. Neste contexto em que estamos, como artistas, não temos outras escolhas senão usá-las para expor o nosso trabalho. Isso está obrigar a que possamos correr atrás das oportunidades de exposição, ir atrás do nosso público para que consigamos sobreviver”, reconheceu.

Por seu turno, Vali Sauji, director-geral VS Mobile defendeu que face ao actual cenário, os artistas devem se reinventar, até porque é uma boa altura para ganhar dinheiro.

“Enquanto que antes da pandemia tínhamos uma percentagem de 5 a 10% de músicos que conseguiam fazer espectáculos todos os finais de semana e outra grande parte a fazer de forma esporádica, agora todos estão em pé de igualdade. E note-se que o que os artistas recebem por um espectáculo não é grande coisa. Hoje em dia, os artistas podem ganhar muito dinheiro. Através de uma plataforma digital pode-se colocar as músicas e a cada segundo que um internauta escuta determinada música, o artista escolhido passa a ganhar dinheiro. Isto é, contribui a que no final do mês o artista tenha um valor superior ao que ganharia se fizesse espectáculos ao vivo”, exemplificou.

E para que os artistas consigam ganhar dinheiro através da tecnologia, Alexandre Coelho, director-geral da ANIMA defendeu uma maior literacia.

“Já temos plataformas suficientes no nosso país, temos que apostar na melhoria da nossa internet e também na educação não só dos nossos artistas, mas também dos promotores de eventos e do público que usa essas plataformas. Só assim é que garantiremos que que haja maximização das oportunidades que as tecnologias estão a proporcionar a indústria neste momento de pandemia”.

Do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas veio a garantia do Governo em apoiar e criar legislação específica para garantir com que os artistas consigam ter rendimentos neste contexto de pandemia.

“O governo tem noção que esta componente tecnológica é irreversível. O futuro é mesmo esse, que os fazedores de arte tenham nas tecnologias uma ferramenta de geração de rendimentos. Nós como INICC não vamos fugir das nossas atribuições ou obrigações, temos que fazer um esforço para que a nossa legislação vá ao encontro dos anseios dos nossos artistas. É a partir desse tipo de interações proporcionadas pela Fundaso, através da MozTech, que Governo tira ilações e consegue colmatar possíveis lacunas”, disse Ivan Bonde, director-geral daquela instituição para depois deixar uma mensagem aos artistas.

“Vezes sem conta somos nós, como Governo, a ter iniciativas para legislar. Precisamos que os nossos artistas nos pressionem. Para o efeito deve haver pesquisa é só olhar para como os outros artistas no mundo estão a viver”, terminou Para Paulo Bonde, director-geral da MUSSIKA, uma plataforma digital através da qual os artistas podem vender as suas obras, defendeu que o governo deve ser mais interventivo e criativo nesses momentos.

“Há muita informação que os fazedores de arte procuram, mas não encontram porque as entidades que podem legislar não disponibilizam informações. É possível o Instituto das Indústrias Criativas definir uma aplicação que possa facilitar um conjunto de informações que facilitem a vida dos fazedores da cultura. Informações, como por exemplo, ter o direito de propriedade intelectual, como fazer o registo de uma música etc, isso facultaria que ao invés de se dirigir ao Ministério da Cultura e Turismo, o artista entraria no site da instituição e seguiria os passos, simples quanto isso. Penso que as tecnologias existem é uma questão de lutarmos para aproveitarmos as oportunidades que elas oferecem”, concluiu.

Os intervenientes falavam no painel que discutiu Inovação e oportunidades na Indústria Criativa.

Manuel de Araújo deixou essa constatação num painel da Feira Moztech, onde teve a oportunidade de abortar a importância das tecnologias no funcionamento do município que dirige.

Os municípios nacionais dependem da cobrança de impostos e taxas para garantir o seu funcionamento e para fazer investimentos. É nessa ordem, que a edilidade de Quelimane tem estado a intensificar o uso de tecnologias para maximizar as cobranças e garantir transparência na sua gestão. “Quando entramos todo o trabalho no sector de receitas era feito de forma manual, o que causava uma grande morosidade, mas também diminuía a transparência. Começamos a nossa aposta nessa área de receitas porque entendemos que era uma área fulcral para a sobrevivência de toda a nossa actividade. Sem receitas próprias não podemos falar de descentralização ou poder local. E foi a partir desse sector que fomos digitalizando outras áreas”, referiu o governante para depois acrescentar “na colheita das taxas municipais provenientes dos mercados, cada um dos nossos fiscais têm um dispositivo que ele permite imprimir a senha e no momento da impressão da senha nós aqui no município temos acesso imediato àquela transação, o que favorece a que haja mais transparência e menor possibilidade de desvio desses recursos”.

Segundo explicou Manuel de Araújo outras soluções foram adoptadas pela edilidade de modo a criar facilidades tanto para os profissionais afectos ao município, assim como para aos munícipes. “Por exemplo na área dos transportes, a Empresa Municipal dos Transportes Públicos de Quelimane, está a usar uma plataforma para facilitar a vida dos utentes que é, na verdade, um passe social único. Notámos que esse mecanismo cria maior eficiência aos trabalhos desenvolvidos pela empresa e ademais cria facilidades aos utentes que conseguem ganhos pois a tarifa é reduzida”, detalhou.

Manuel de Araújo reconheceu ainda que persistem desafios na gestão municipal e na aplicação de tecnologias no seu município. “Temos o desafio de descentralizar os serviços para que o munícipe não tenha que percorrer grandes distâncias para ter acesso à informações ou documentos. Por isso que está em marcha uma iniciativa de descentralização de alguns serviços para os nossos cinco postos administrativos”, descreveu tendo depois avançado que “temos apostado em formações. Desde 2017 criamos telecentros nesses cinco postos administrativos. Além de equipamentos, temos nesses centros temos técnicos superiores a fazer a sua gestão. Esses centros não servem apenas para formar o nosso pessoal, mas também para formar as comunidades locais para que tenham uma maior literacia digital”.

O edil de Quelimane disse ainda que quando chegou, aquele município tinha apenas quatro computadores e agora conta com mais de uma centena, facto que está a contribuir para a flexibilização na prestação de serviços.

É necessário que o Governo crie mais políticas, estratégias e regulamentos para que as multinacionais transfiram tecnologias paras as empresas moçambicanas, defenderam alguns intervenientes de um painel de debates da Moztech. Já o Instituto Nacional de Petróleos e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos dizem já estar a buscar soluções para os problemas.

Deixar de depender das multinacionais e passar a ser operador principal nos projectos de gás do país é um dos principais objectivos da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), braço do Estado moçambicano nos negócios de petróleo e gás natural.

Para chegar lá, a ENH diz estar a capacitar seus quadros para que percebam as tecnológicas que lhes permitam assumirem as rédeas. De acordo com Pascoal Mucumbi, administrador da firma estatal, os passos para a liderança já iniciaram.

“A nossa equipa de geólogos hoje tem acesso a ferramentas dos parceiros ou as nossas ferramentas para aceder aquilo que é a informação que vem dos operadores em relação aos furos de produção. Temos acesso à tecnologia de produção do recurso”, disse o administrador da ENH.

Pascoal Mocumbi explicou ainda que a empresa tem enviado seus técnicos em regime de destacamento para trabalharem directamente com os operadores, de modo a obterem conhecimentos tecnológicos sobre as suas operações.

“Eu sou um dos casos de um funcionário da ENH que durante algum tempo esteve a trabalhar fora do país, em Singapura, nos escritórios da total para negociar os contratos de compra e venda de longo prazo de LNG, então, isso já acontece, obviamente, isso não acontece de noite para o dia, é um processo e as tecnologias de informação vão nos ajudar a acelerar”, disse.

Em Moçambique há alguns anos, a Vale diz ter programas de desenvolvimento que permite aos seus fornecedores, PMEs moçambicanas em particular, a terem acesso às tecnologias requeridas para prestar serviços à mineradora que explora carvão em Moatize, Tete.

“Temos uma certa timidez das empresas locais em garantir a certificação que a painelista aqui falou, então, é importante que as empresas certifiquem-se cada vez mais e procurem conhecer e ter acesso àquilo que existe de tecnologia porque estas estão aqui para resolver alguns problemas e melgorar processos”, disse Elisabeth Veloso, representante da Vale.

Contudo, Veloso diz ainda que a Vale tem cada vez mais empresas nacionais no ambiente da mineradora. “Também temos cláusulas para garantir que empresas estrangeiras que veem prestar serviços nas nossas operações desenvolvam recursos locais. Então, nós temos empresas internacionais com muitos recursos locais em posições de lideraça”, fez saber.

Por sua vez, Chivambo Mamadhusen, CEO do Grupo Videre, sugere que o Governo reforce as políticas e estratégias para que as multinacionais transfiram mais conhecimento e tecnologias para as empresas moçambicanas.

“Eu acho que o que há hoje não é suficiente. Tem que se criar uma plataforma de desenvolvimento tecnológico onde essas empresas possam fazer essa transferência de tecnologia. Por exemplo, uma das estratégias básicas é nós nos focalizarmos em investimentos agregadores, indústrias que tomam como vantagem a compra de conteúdos locais, onde as PME possam ser fornecedoras, as que tenham um investimento significativo em tecnologias”, avançou Chivambo Mamadhusen.

Já Sazia Sousa, directora geral da Technoplus, uma PME moçambicana, diz haver necessidade de criação de regulamentos que facilitem a implementação de tecnologias no país. No seu entender tem havido muitas barreiras evitáveis.

“Existe um conjunto de regulamentos que devem ser trabalhados para que poder aceitar essas novas tecnologias. Nós por exemplo hoje falamos das assinaturas digitais, mas no país não é possível fazer assinaturas digitais. E se nós temos um sistema completamente digitar e ainda temos que sair para assinar um documento e ir entregar o papel físico original na instituição, ainda estamos muito aquém daquilo que é a digitalização”, explicou Sazia Sousa.

Respondendo a algumas preocumação apresentadas no debate, Augusto Macuvele, administrador de pesquisas do Instituto Nacional de Petróleos (INP), regulador da área dos hidrocarbonetos, disse que a instituição pública já está a trabalhar com as multinacionais para reforçarem a sua cooperação com as empresas moçambicanas.

“O concurso público deve ser desagregado em parcelas pequenas de modo a que as empresas nacionais possam ter capacidade técnica e financeira para poder participar. Esse é um processo que está em curso, estamos em discussões para ver se isso seria possível e se vai participar o acesso das empresas a esse pacotes que estão a ser anunciados”, referiu o administrador de pesquisas do INP, Augusto Mucavele.

Tratam-se de preocupações e respostas apresentadas na sexta-feira na Moztech, no debate sobre Ligações Empresariais como Meio de Transferência de Tecnologia.

Recorrendo a um aparelho celular, os munícipes de Pemba têm a solução dos seus problemas em suas mãos. Esta é uma tecnologia que está a ser implementada na cidade de Pemba, conforme revelou o presidente do município, Florete Motarua, num painel da Moztech, subordinado ao tema: Tecnologia na Prestação de Serviços Públicos.

“Por exemplo, numa ruptura de um tubo de água, estamos conectados com o FIPAG e depois identifica-se a rua, onde o problema surgiu. Posto isto, o município comunica de imediato esta instituição (FIPAG) e resolve o problema”, apontou Florete Motarua, presidente do conselho municipal de Pemba.

Outro caso citado pelo edil de Pemba tem a ver com a recolha de resíduos sólidos na autarquia. Numa situação em que há muito lixo acumulado, “por falha dos nossos motoristas, há denúncia através da linha verde em que um munícipe denuncia que numa determinada zona há lixo que não foi recolhido e nós, através de piquetes, intervimos”.

Sem fugir do lema da sétima edição da maior feira de tecnologia do país, a Moztech, que é “Tecnologia ao Serviço da Industrialização”, Florete Motarua revelou, ainda, que com recurso à tecnologia, o município de Pemba pretende atrair mais investimentos para aquela cidade através de um aplicativo que permite aos agentes económicos terem licenças de actividades em menos tempo e sem se deslocar para a edilidade.

“As licenças das actividades económicas, que nós levávamos muito tempo, agora temos um sistema online, que estamos a tentar finalizar (ainda não está operacional) em que, quando um determinado empresário quer adquirir uma licença, insere seus dados, entra para verificar se está tudo certo e, dentro de duas ou três horas, poderá ter sua licença de actividade económica, documento que demorava um mês ou um mês e meio”, revelou o presidente do município de Pemba.

A cidade de Pemba tem a tecnologia como maior aliada na resolução de problemas crónicos dos municípios tais como deficientes sistemas de drenagem e saneamento, conflitos de terras assim como na cobrança de taxas municipais.

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