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A Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), registou, no primeiro trimestre deste ano, uma produção de energia de 3.671,91 GWh, 6,1% acima do que foi planeado para o período em referência.

Esta performance positiva da produção é, segundo a empresa, “resultado dos investimentos na modernização dos equipamentos da cadeia de produção do parque electroprodutor e de uma gestão dinâmica, focalizada na melhoria contínua dos processos de engenharia e toda a cadeia administrativa de produção, transporte e comercialização de energia limpa e fiável”.

De acordo com uma nota da empresa, “o resultado alcançado permite a empresa continuar a implementar os seus projectos de modernização, cumprir com seus contratos de fornecimento de bens, serviços e equipamentos de produção e transporte de energia, e com o pagamento de impostos e a taxa de concessão ao Estado”.

Em prova oral, ontem no parlamento, o Ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane disse que “ainda não tenho informações de que o projecto não vai continuar”. Já João Machatine considerou, em representação do Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Max Tonela, que assim que as condições de segurança estiverem criadas “a construção das plataformas vai continuar”.

Na segunda vez em menos de 40 dias que o Governo presta informações ao parlamento, os recentes ataques terroristas na província de Cabo Delgado foram o pano de fundo. A encabeçar a equipa, o Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário abordou a assistência humanitária que, segundo o Executivo, está a beneficiar mais de 700 mil deslocados internos em todo o país.

“Esta assistência humanitária está a beneficiar 715 mil pessoas que se encontram nos centros transitórios de acomodação e nas famílias acolhedoras na Cidade de Pemba e nos distritos circunvizinhos. Continuamos também a providenciar assistência humanitária a cerca de 8 mil pessoas que se encontram em algumas zonas das províncias do centro do país”, disse.

Por outro lado reiterou que “na nossa abordagem de prevenção e combate ao terrorismo, a responsabilidade primária é dos moçambicanos”, acrescentando que “não se pode perder de vista que alguns desses domínios de apoio e assistência ao combate ao terrorismo são de carácter militar e por isso, o tratamento deste tipo de matérias sensíveis é geralmente reservado às Forças de Defesa e Segurança”.

Perante incertezas sobre a continuação do projecto liderado pela Total, depois da evacuação de todos os trabalhadores que construíam as infraestruturas de exploração em Afungi e da circulação de comunicados sobre a rescisão de contratos entre a Total e empresas prestadoras de serviços, o Ministro da Economia e Finanças tranquilizou.

“Não temos informações de que o projecto não vai andar”, afirmou, adiantando que “até agora o Governo está trabalhar para garantir paz em toda a província e a hipótese da insegurança causar problemas nos prazos não está a ser equacionada”, afirmou Adriano Maleiane.

João Machatine falou em nome de Max Tonela, Ministro dos Recursos Minerais e Energia e acrescentou. “Assim que estiver garantida a segurança das pessoas e bens das áreas afectadas pelo terrorismo de Cabo Delgado e em particular na zona da sua implantação irão retomar os trabalhos de construção das primeiras duas unidades de liquefacção de gás natural do Projecto Golfinho/Atum, para a liquefação de gás natural de 12 milhões de toneladas por ano, de acordo com o cronograma aprovado no Plano de Desenvolvimento aprovado pelo Governo”, disse Machatine.

Projectos à parte, os ataques já provocaram a destruição de várias infraestruturas públicas e privadas, incluíndo unidades sanitárias. “Trinta e uma unidades destruídas na província de Cabo Delgado, como resultado das acções dos terroristas, três unidades sanitárias destruídas na província de Manica como resultado da acção da Junta Militar da Renamo nesta zona”, informou Armindo Tiago.

O tema Cabo Delgado voltará a estar em destaque esta quinta-feira no parlamento, dia reservado a respostas às perguntas de insistência, visto que os deputados questionaram sobre os custos do pagamento à empresas militares privadas supostamente contratadas para apoiar o Governo no combate ao terrorismo.

A medida foi anunciada, hoje, no parlamento pelo Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural e surge como solução para o problema da falta de mercado, revelado semana passada pelos produtores de arroz do Regadio de Chókwè, apoiados pelo Projecto Sustenta.

Na semana passada, produtores de arroz apoiados pelo Projecto Sustenta, no Regadio do distrito de Chókwè, reclamaram da falta de mercado para a comercialização de toneladas daquele cereal. Trata-se, entre outros grupos, de mulheres da Associação Ahikhomeni Vavasati, que incrementaram a produção de arroz, nos 71 hectares que exploram, mas não tinham acesso ao mercado.

O problema já passou para o passado, segundo anunciou o Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, na sessão de respostas às perguntas formuladas ao Governo pelos deputados da Assembleia da República. A solução encontrada passa pela aquisição de todos os excedentes de arroz, pela fábrica do processamento pertencente ao Complexo Agro-industrial do Chókwè, uma unidade fabril que estava inoperacional há mais de três anos.

“A fábrica de processamento de arroz CAIC (Complexo Agro-industrial do Chókwè ) voltou a operar, sendo que irá absorver toda a produção de arroz do distrito de Chókwè”, introduziu o titular da pasta da agricultura, detalhando que “está em curso ou iniciou a aquisição de toda esta produção, depois de uma negociação que levou alguns dias, devido ao preço do arroz e, neste momento, a CAIC está a comprar o arroz a 17,5 meticais à porta da machamba, contra os 14,5 meticais da campanha passada”.

Celso Correia falou ainda dos ganhos que o projecto SUSTENTA já trouxe, sete meses após o lançamento e apelou ao combate daquilo que chama de negativismo em relação à agricultura. “Temos que acreditar e valorizar as nossas conquistas”, defende o ministro, para quem “o negativismo que se tenta transmitir à prática da agricultura deve ser combatido. Como sabem, a nossa base produtiva familiar está envelhecida e o sucesso da agricultura passa, assim, pela adopção de políticas que vão muito além do que as sectoriais”.

A reactivação da fábrica que está a comprar excedentes de arroz em Chókwè completa a terceira cadeia de valor impulsionada pelo Sustenta, depois da inauguração de uma unidade de processamento de Banana, em Moamba, província de Maputo e a fábrica de processamento de Malema, na província de Nampula.

SUSTENTA TRAZ GANHOS À PRODUTIVIDADE

Na sua intervenção no parlamento, Correia falou ainda do sucesso da primeira campanha agrícola, que teve uma contribuição significativa do programa Sustenta, cujos resultados também se verificam na melhoria das comunidades envolvidas.

“Só nesta campanha agrícola, o Governo integrou cerca de 200 mil famílias na cadeia de valor, isso em 109 distritos de todo o território nacional, uma acção que possibilitou auto-emprego a igual número de famílias”, disse Celso Correia.

O titular da pasta de Agricultura apontou para a subida do nível de uso da semente certificada de 2.700 para mais de 5.000 toneladas. Para além disso, o governante notificou a introdução de três novas linhas de crédito acessíveis, uma para os pequenos produtores, outra para os comerciantes e a última para a agro-indústria.

O Presidente da República disse que a exploração de recursos naturais deve beneficiar todos os moçambicanos e não somente a Estado, através dos seus canais fiscais. Filipe Nyusi defendeu que os projectos de exploração de gás devem estabelecer várias ligações com a economia que permitam o desenvolvimento integrado e inclusivo do país.

Segundo o Presidente da República, Filipe Nyusi, a aposta nas energias renováveis, no mundo, reduziu, significativamente, a procura pelo gás natural. Contudo, em Moçambique, este sector mantém-se preponderante para a diversificação da economia, reforço da matriz energética e geração de empregos para os cidadãos.

“O nosso alcance é que a distribuição proveniente da riqueza dos recursos naturais do país seja estruturada, justa, inclusiva, sustentável e que beneficie todos os moçambicanos. ”

Nyusi assegura que o Governo continua a implementar reformas para permitir uma exploração de recursos naturais sustentável e, no concernente à segurança, afirma que o executivo fará de tudo para devolver a estabilidade política ao país.

“Em relação ao projecto Rovuma, gás natural liquefeito da área 4, que será, também, em terra firme, aprovámos o plano de desenvolvimento e tomámos a decisão final de investimento pelas concessionárias. Na Bacia de Moçambique, o projecto do contracto de produção de petróleo continua a registar um desempenho positivo, com os campos de Pande e Temane a garantirem uma produção anual de, aproximadamente, 190 milhões de giga joules de gás natural de 467 mil barris de condessado”, disse.

O Presidente da República falava, esta quarta-feira, na abertura da Sétima Conferência de Mineração, Petróleo, Gás e Energia de Moçambique, com duração de 2 dias, na qual destacou, entre vários aspectos, o estabelecimento de 61 mil novas ligações de energia eléctrica nos primeiros 3 meses de 2021.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, participa, amanhã, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, na cidade de Maputo, na 7ª Conferência e Exposição de Mineração, Petróleo, Gás e Energia de Moçambique.

De acordo com um comunicado da Presidência da República, “o evento visa avaliar e explorar os avanços registados nos sectores do Petróleo, Gás, Minas e Energia do nosso país”.

Para além disso, o encontro “irá igualmente focar a atenção nas potenciais oportunidades e lições aprendidas pelos principais investidores, assim como incentivar a criação de novas parcerias comerciais”.

Soluções para o desenvolvimento industrial estão em debate no Seminário Económico sobre Industrialização, que decorre, hoje, em Maputo.

O Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, que dirigiu a cerimónia de abertura do evento, disse esperar que “o encontro produza recomendações que orientem a política industrial do Governo”.

Aliás, do Rosário avançou que “é objectivo do executivo aproveitar as ideias de todos para garantir mais eficácia nas acções ligadas à industrialização, consolidando as linhas de abordagem sobre a matéria e reduzindo os custos de produção”.

O representante do Governo apelou ao sector privado a investir na capacitação dos recursos humanos, no investimento em tecnologia, energia e outros sectores preponderantes para o desenvolvimento industrial.

Chamado a contribuir, o sector privado, representado por Agostinho Vuma, defendeu a criação de um “Fundo de Promoção Industrial para que o país não perca ideias de investimento por falta de recursos entre os empresários, sobretudo tendo em conta as obrigações fiscais impostas”.

Para o sector privado, só assim é possível colocar Moçambique na rota do desenvolvimento.

Os temas para debate no Seminário Económico sobre Industrialização são quatro, nomeadamente, Melhoria da articulação entre vários sectores e níveis de decisão; Capacitação de recursos humanos, Melhoramento das infra-estruturas de energia e de transporte; e Mobilização estrutural de financiamento privado.

O distrito de Chókwè, província de Gaza, prevê colher acima de 15 mil toneladas de arroz, mas ainda não tem onde vender e os produtores começam a ter prejuízos por falta de mercado e armazenamento.

Com o apoio do programa Sustenta, as mulheres da Associação Ahikhomeni Vavasati incrementaram a produção e plantaram arroz em 71 hectares, mas, neste momento, estão preocupadas por não saber o que vão fazer com tanto arroz.

São 320 toneladas que esta associação deverá colher na presente época, das 31 já foram ceifadas, sendo que, em cada hectare, são colhidas 4,5 toneladas de arroz. Estas são quantidades que, diga-se, nunca antes tinham sido registadas por esta agremiação.

Entretanto, a felicidade de ter uma produção de sucesso é freada pela tristeza de não saber o que fazer depois para que a produção seja transformada em ganhos e sustentabilidade. Neste momento, não há mercado, nem espaço para armazenar.

Por exemplo, as mulheres da Associação Ahikhomeni Vavasati são obrigadas a ficar nas machambas, onde estão amontoados os sacos de arroz para garantir que ninguém roube e tapá-los com tendas sempre que a chuva chega. Por falar em chuva, em dias em que essa cai, a máquina não pode ceifar, porém as donas do produto são obrigadas a estar por perto. Algumas acabam por carregá-los, através de carroças de burros, para casa.

Outra razão para esse plantão nas machambas é que, dos campos de produção até às zonas de habitação, as vias não permitem circulação de todo tipo de veículos e “nós não temos dinheiro para alugar um carro que possa carregar todos estes sacos e a chuva não pára de cair. Pode ser que percamos tudo isto”.

Enquanto isso, há quem prefere fazer a ceifa de forma manual, tudo para garantir que a sua produção não seja perdida. Ermelinda Chaúque, dona de quatro hectares, faz o corte dos troncos de arroz, o seu filho carrega-o para o lado em que estão as suas outras duas filhas que batem num tambor para que o arroz caia e metê-lo nos sacos para casa.

Ainda assim, a pressa em tirar o arroz da machamba não é directamente proporcional à velocidade com que os clientes chegam. “Produzimos muito arroz, mas não temos clientes para comprarem o produto”, conta.

Com o som de chicote, Orlando Machava, um jovem de 26 anos de idade, é um dos encarregados para espantarem passarinhos nos 50 hectares da Associação Búfalo Ferido. Aqui, foram plantadas 50 hectares de arroz e, agora, por não saber onde vender, sem espaço para armazenar e com falta de máquinas para ceifa, esta associação decidiu adiar, por agora, enquanto isso tem de gastar 31,500 mil meticais mensalmente para pagar sete jovens, que, através de chicotes, espantam os pássaros.

O chicote de Orlando Machava e dos seus colegas até espanta os pássaros, mas a ceifa tem dias certos para acontecer, depois desses, a produção fica comprometida. É o que está a acontecer com o arroz das machambas da Búfalo Ferido, que começa a perder-se.

“O arroz está a acamar, isto é, está a cair sozinho e isso vai trazer grandes prejuízos aos produtores”, conta Gabriel Cossa, presidente da Búfalo Ferido.

E, na verdade, o Governo distrital de Chókwe sabe disso tudo, mas também não pode fazer mais nada senão esperar, tal como deu a saber Nelson Chamo, director dos Serviços Distritais de Actividades Económicas de Chókwè. “Sabemos que o Governo, a nível central e provincial, está a envidar esforços para que tenhamos mercado, então estamos à espera dessa forma inteligente dos nossos superiores hierárquicos”.

Aliás, os Serviços Distritais de Actividades Económicas já fizeram a sua parte, que é o levantamento de toda produção disponível para a comercialização e garantem que não é pouco arroz produzido em Chókwè, num ano em que houve um incremento motivado pelo programa Sustenta.

“Agora, na época da colheita, temos uma previsão de 15 225 toneladas de arroz para esta campanha”, tudo sem ainda ideia de onde e como vender.

Por falar em como vender, os produtores falam de alguns compradores que, algumas vezes, aparecem e praticam preços injustos, pelo que apelam aos novos clientes para pensarem melhor antes de marcarem os preços.

O desafio foi feito no Lançamento da Campanha de Comercialização Agrícola 2021, em Chongoene, na província de Gaza. O Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário diz que “não quer excedentes nas mãos dos produtores este ano”.

A meta para a campanha 2020/2021 é comercializar 16 milhões de toneladas de produtos agrícolas diversos, o equivalente a cerca de 9.3 % de acréscimo com relação a anterior campanha, que foi de 14.8 milhões de toneladas.

O executivo reconhece que a meta é ambiciosa numa área (Agricultura) habituada a perdas acentuadas de produção, mas acredita que “com esforços combinados é possível”.

É por isso que o sector privado é instado a estar perto dos agricultores e a praticar preços justos. Já aos produtores, o apelo é feito no sentido de se garantir qualidade dos produtos “para que também sejam absorvidos pelo mercado externo”.

Para além da Campanha de Comercialização Agrícola 2021, o Primeiro-ministro, orientou, igualmente a abertura do II Fórum Nacional de Comercialização Agrícola, sob o lema “Comercialização Agrícola Dinamizadora do Agro-negócio e Industrialização”, evento que decorre virtual e presencialmente e está a ser replicado em todo o país.

A Comercialização agrícola desempenha um papel importante na economia nacional, constituindo uma das principais fontes de rendimento das populações, sobretudo das zonas rurais e um mecanismo de ligação entre as zonas de produção e os centros de consumo, bem assim um instrumento indutor para o aumento da produção e produtividade agrícola.

“A nós, sector privado, interessa ouvir que as taxas de juro reduziram”, disse Agostinho Vuma, presidente da CTA, reagindo à variação positiva que a moeda nacional registou em relação à norte-americana.

O banco central norte-americano injectou cerca de 2,2 trilhões de dólares para activar a economia dos Estados Unidos, devido à pandemia da COVID-19, o que, por um lado, precipitou uma queda expressiva das bolsas mundiais e, por outro lado, permitiu a apreciação de algumas moedas, tais como o metical que apreciou em 17%, depois do dólar ter caído dos cerca de 75,2 meticais em finais de Janeiro para 74,9 em Fevereiro, 68,7 em Março e 58,6 meticais na presente data.

Entretanto, o sector privado nacional diz que a valorização do metical em relação ao dólar cria oportunidade para o Banco de Moçambique baixar as taxas de juro no país, de modo a estimular os investimentos e a produção interna, para fazer face ao défice da conta corrente.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) considera que, devido à paralisação dos grandes projectos da indústria extractiva, o país reduziu as importações e, consequentemente, a demanda interna por divisas.

Mesmo com a apreciação da moeda nacional, o presidente da CTA, Agostinho Vuma, considera que Moçambique continua sem capacidade para comprar o dólar a 60 meticais por unidade. “Para o sector privado moçambicano, o mais importante, agora, é a redução das taxas de juro, dos custos de produção e aumento de investimentos para fazer face ao défice balança de pagamentos”, enfatizou Vuma.

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