O País – A verdade como notícia

O Governo investe, por ano, no país cerca de 421 milhões de Meticais em vacinas, medicamentos e drogas carraceiras, para a protecção do efectivo pecuário. Neste ano, está previsto que sejam vacinados 90 por cento dos mais de dois milhões de cabeças de gado bovino no país.

De acordo com Américo da Conceição, director nacional da pecuária, com a despesa, o Executivo quer garantir o contínuo crescimento do gado no país. No ano passado, a produção global no sector da pecuária foi de cerca de 159 mil toneladas de carne, contra 141 mil toneladas registados em 2020. O aumento da produção deveu-se, sobretudo, à vacinação dos animais.

“A campanha de vacinação animal constitui um momento ímpar e serve para garantir a defesa da saúde do animal e da economia do país”, director nacional da pecuária.

Américo da Conceição falava, ontem, no distrito do Búzi, província de Sofala, durante o lançamento da campanha de vacinação animal. Referiu ainda, na ocasião, que os dados do ano passado indicam que o país possui um efectivo de dois milhões e 219 mil cabeças de gado bovino. E a vacinação no ano passado cobriu cerca de 87% do efectivo contra 62% no ano de 2020.

“Contribuíram para o alcance destes resultados citados, a realização das campanhas de vacinação obrigatória, os banhos carraceiras, o aumento da produção nacional da vacina e também as medidas de implementação do controlo do movimento animal, seus produtos e subprodutos”, disse Américo da Conceição.

Tendo em conta a obrigação legal de prover os serviços públicos de vacinação e banhos em regime gratuito, são realizados programas de acordo com o calendário anual e técnicos especializados.

Segundo a fonte que temos vindo a citar, as vacinas são contra várias doenças, com destaque para o carbúnculo e a febre aftosa que afectam o gado bovino; newcastle em galinhas; e raiva em cães e gatos. O investimento do Governo na produção de vacinas alegra os criadores de gado.

“A campanha de vacinação é bem-vinda para nós. Os nossos animais têm sido afectados por diversas doenças e infelizmente estamos desprovidos de meios financeiros para comprar medicamentos. Como as vacinas são gratuitas, a iniciativa do Governo é bem-vinda”, saudou Armando Chimbote, um dos criadores de gado do distrito do Búzi.

Com o apoio dos parceiros de cooperação neste quinquénio está previsto, neste sector, a criação de 6.500 empregos.

“A cadeia de valor da pecuária possui um grande potencial para a geração de renda, criação de emprego seguro e contribuição significativa na economia nacional e que assegura a resiliência das populações às mudanças climáticas que o país sofre”, referiu Américo da Conceição.

O governador de Sofala desafiou os criadores dos animais a aumentarem a produção e a produtividade no sub-sector da pecuária. “Com vista ao alcance da segurança alimentar e nutricional, a nossa intervenção como Governo no sector da pecuária visa, essencialmente, aumentar a cobertura de vacinação nas principais doenças de notificações obrigatórias”, disse.

A empresa multinacional italiana, Saipem, foi adjudicada pela Coral FLNG um contrato de 150 milhões de dólares (USD) para a prestação de serviços de manutenção na plataforma flutuante “Coral Sul FLNG”, localizada na Área 4, offshore, da Bacia do Rovuma.

Ultimamente, em Moçambique, os debates sobre a indústria extractiva são tomados pela fraca participação do empresariado nacional nos mega-projectos, com destaque para o de exploração de gás natural na Bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado.

Desta vez, mais uma empresa foi adjudicada um contrato. Trata-se da Saipem, firma italiana de engenharia, que deverá prestar serviços de manutenção da plataforma flutuante Coral Sul FLNG e para o efeito prevê encaixar, nos seus cofres, 150 milhões de dólares.

Segundo a Further Africa, o contrato tem uma duração de cerca de nove anos, mais um ano opcional. As actividades abrangem a manutenção de toda a instalação FLNG e a supervisão a bordo, bem como a criação de uma base logística onshore.

O empreendedorismo feminino ganha a cada dia mais destaque. O sector privado lançou, recentemente, uma plataforma online por forma a aumentar o índice de mulheres empresárias com negócios sustentáveis a longo prazo, no país, bem como promover acções de capacitação para aceder a financiamentos por parte das empreendedoras.

Nos últimos tempos, a quantidade de negócios criados por mulheres cresceu e espera-se que haja mais avanços. Mesmo em meio a desafios, o empreendedorismo feminino ganha espaço, no mundo em geral, e no território nacional, em particular.

E para fazer face aos desafios que as mulheres empreendedoras enfrentam no ramo de negócios surge a ideia de criar a plataforma CTA Mulher e Negócios, recentemente lançada.

Aumentar o índice de mulheres empresárias com negócios sustentáveis a longo prazo , bem como criar mudanças inovadoras na cultura empreendedora desta classe foram as principais linhas que nortearam o surgimento desta plataforma, segundo a presidente do pelouro da Mulher Empresária e Empreendedorismo da CTA, Sofia Cassimo.

“A plataforma CTA Mulher e Negócios é uma plataforma digital que nós trazemos como uma solução para as mulheres empreendedoras que buscam informação sobre, afinal, o que se passa no mundo dos negócios em Moçambique. Uma plataforma que tenha foco nas mulheres ou que possa-lhes permitir melhorar de alguma forma o acesso, onde elas têm a oportunidades de negócios, o acesso a oportunidades de financiamento e de capacitação”, explicou a presidente do pelouro da Mulher Empresária e Empreendedorismo da CTA.

Sofia Cassimo diz ainda que a plataforma vem para responder algumas indagações feitas, muitas vezes, pelas mulheres que apostam na área do empreendedorismo, tais como: como é que vou registar o meu negócio? Começo de onde? Vou pagar quanto? Tenho que me dirigir para onde? E depois é muito na tentativa do erro, pois vamos ouvindo daqui ou dali, vou me dirigir para aqui ou ali, mas não sem ter nenhum espaço onde seja possível encontrar essas respostas”.

Dessa forma, a plataforma serve então como uma ferramenta que permite a criação de um ambiente favorável para responder essas indagações, mas também visa, sobretudo, expandir os negócios, aumentar a visibilidade de mulheres empresárias a nível nacional e não só.

“A COVID-19 veio mostrar-nos que muitas pessoas fizeram a transição digital. Então, hoje em dia, ter informação através de smarthphone, através do computador ou do tablet já não é uma coisa que os empreendedores ou as empreendedoras vão achar difícil. As pessoas ficaram mais proactivas nessa busca digital, por isso, em vez de sintetizar informações que procuram recorrendo às brochuras, colocamos toda essa informação nesta plataforma digital”, explicou Sofia.

Pretende-se ainda que a plataforma seja uma, inclusive, de acesso não só às mulheres com literacia digital, mas para as que se situam também nas localidades mais recônditas.

“A ideia é nós garantirmos que as mulheres tenham uma plataforma digital super interessante e de simples acesso, que não seja pesada, onde à distância de um “click” elas percebam o que estão à procura e possam ter essa informação. Mas também elas podem fazer um registo dentro da plataforma e a gente aí já sabe que, por exemplo, existe a senhora Albertina no Chókwè que produz 30 toneladas de arroz. Então, quando nós virmos uma oportunidade de negócio para esta mulher com facilidade fazemos a ligação e ela tem acesso a essa oportunidade de negócio”, esclareceu a presidente do pelouro da Mulher Empresária e Empreendedorismo da CTA.

A fonte garante, igualmente, que a plataforma servirá para criar oportunidades de networking e desenvolvimento organizacional para mulheres empreendedoras. “Porque temos alguns parceiros a nível do mercado cá, como a banca, etc, e de vez em quando existe alguns tipos de produtos financeiros que também não chegam como deve ser a essas pessoas, como concursos, por aí, então aí vai ser mais fácil nós divulgarmos essa informação através desta plataforma para quem estiver registado”, disse.

Em suma, a CTA Mulher e Negócios existe como mais uma solução para transformar uma ideia em um negócio sustentável, sem esquecer todos os desafios existentes no mercado.

O Presidente do Conselho de Administração da Vodacom, Nuno Quelhas, diz que as operadoras de telefonia móvel devem trabalhar em conjunto para melhor expansão de serviços para as zonas rurais, principalmente porque o país enfrenta escassez de recursos financeiros.

A Vodacom apresentou, hoje, o seu novo director-geral, Simon Karikari. O tanzaniano é bacharel em Contabilidade pela University of Botswana e membro da Association of Chartered Certified Accountants (ACCA) e, antes da sua actual nomeação, foi CEO do Grupo Milicom na Tanzânia.

O novo líder da equipa operativa da empresa de telefonia móvel substitui Jerry Mobbs, que liderou a Direcção-Geral da Vodacom por mais de nove anos.

Na sua primeira intervenção pública, o dirigente desafiou-se a melhorar, cada vez mais, os serviços da operadora para satisfazer os seus clientes.

“Em primeiro lugar, queremos transformar a Vodacom Moçambique numa organização centralizada no cliente, estabelecer a melhor rede para o país e criar uma linha financeira inclusiva para o povo, como forma de contribuir positivamente para a economia desta terra”, prometeu Simon Karikari, director-geral da Vodacom Moçambique.

Para o PCA da Vodacom, Nuno Quelhas, as companhias de telefonia móvel devem unir esforços para expandir os seus serviços às zonas rurais.

“Não temos uma capacidade financeira avultada para nos darmos ao luxo de cada um tentar fazer sozinho. Temos de tentar encontrar alinhamento entre os operadores, não só de telefonia móvel, mas também bancários para podermos partilhar infra-estruturas”, instou o PCA da Vodacom, Nuno Quelhas.

Quelhas acrescentou que existe pressão enorme por parte dos bancos para financiar soluções que sejam ambientalmente neutras. Para além da união, o PCA levantou a necessidade de as empresas do sector reforçarem as suas capacidades tecnológicas para fazer face aos desafios actuais.

No evento, a Vodacom fez saber que, até 2025, mais sete milhões da população moçambicana estará interligada através da sua rede, totalizando 21 milhões em todo o país.

O volume de negócios no país caiu em 9,8 por cento em Janeiro deste ano, comparativamente ao mês de Dezembro de 2021. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a variação negativa resulta do decrescimento verificado nos principais sectores da economia nacional.

Depois de os resultados dos inquéritos de Janeiro de 2021 às empresas, relativamente ao mês de Dezembro de 2020, terem indicado uma variação negativa de 4,6 por cento, o decrescimento mais que duplicou, comparativamente ao mesmo período de 2022.

Os resultados das actividades económicas de Janeiro deste ano, face ao mês de Dezembro de 2021, revelam redução dos índices de volume de negócios, de remunerações e de emprego em 9,8%, 6,9% e 6,5%, respectivamente.

Segundo o INE, a variação negativa do volume de negócios resulta do declínio verificado nos sectores de transportes e armazenagem, de produção industrial, de alojamento, restauração e similares, bem como outros serviços não financeiros, com 20,6%, 19,1%, 11,3% e 5,9%, respectivamente.

Já os sectores de comércio e electricidade e energia contribuíram, de forma positiva, com 2,1% e 0,6%, respectivamente.

A queda do emprego no mês de Janeiro foi influenciado pelo decrescimento do indicador nos sectores de outros serviços não financeiros, de produção industrial, alojamento, restauração e de similares e comércio, com 21,9%, 3,5%, 3,1% e 1,0%, respectivamente. O sector de transportes registou uma estabilização.

Segundo escreve o INE, “a variação negativa do índice de remunerações no período em referência resultou da queda registada nos sectores dos transportes e armazenagem, de produção industrial, de comércio, e de alojamento, restauração e similares, com 15,8%, 11,8%, 6,3% e 5,1%, respectivamente. O sector de outros serviços não financeiros cresceu em 13,0 %”.

Os índices globais do mês de Janeiro de 2022, quando comparados com os do período homólogo de 2020, revelam queda do volume de negócios e emprego em 14,7% e 4,1%, respectivamente, enquanto as remunerações registaram uma variação positiva de 6,8%.

As gasolineiras querem aumento dos preços do combustível em mais de 10 Meticais. Os operadores entendem que a subida não precisa de ser de uma vez só. Por isso, sugerem que reajustes ocorram mensalmente para reduzir os prejuízos que têm estado a registar.

Ainda não passaram 30 dias depois que os combustíveis ficaram mais caros em Moçambique e parece que mais subidas podem chegar. Isto se a Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas conseguir convencer à Autoridade Reguladora de Energia sobre este aumento.

Ricardo Cumbe, em representação da AMEPETROL, explicou que, desta vez, “de acordo com os cálculos que fizemos, a variação devia ser acima de dois dígitos”, ou seja, acima de dez Meticais.

Entretanto, as gasolineiras sabem que, no bolso dos moçambicanos, não há dinheiro suficiente para suportar uma subida tão brusca e, principalmente, num contexto em que o impacto da última subida ainda está a afectar vários sectores.

Como solução, os operadores sugerem que o Governo, através da Autoridade Reguladora de Energia, faça a aplicação da lei, que prevê que se actualize a tabela mensalmente, tendo-se como base a variação, a nível internacional, dos últimos dois meses.

Todavia, Cumbe alerta que a medida pode ser sufocante já que “não sabemos quanto tempo vai levar esta tendência crescente. Por isso, temos de ter a consciência de que há um desafio relacionado com o preço dos combustíveis”.

Segundo as gasolineiras, essa tendência não está ligada apenas aos preços que estiveram em alta devido ao conflito russo-ucraniano, até porque, neste momento, o Brent, que é o que usamos em Moçambique, está a ser vendido a 100 dólares por barril, com os 130 atingidos nos primeiros dias do ataque russo à Ucrânia.

O facto é que, tal como explicou Cume, “desde Outubro que os preços, ao consumir, se mantiveram estáticos, porém havia condições para variação”.

Não ocorreu a actualização, porque as gasolineiras e o Governo fizeram um acordo com base no qual os operadores manteriam o preço estável a nível doméstico e o Executivo pagaria pela diferença. Uma espécie de subsídio, na verdade. Nada disso aconteceu.

Esse contexto originou que o Governo acumulasse dívidas de cerca de 120 milhões de dólares com a AMEPETROL. Com isso, há um risco de os moçambicanos serem as grandes vítimas das dívidas.

O que pode suceder é que, mesmo que o preço do barril no mercado internacional continue a baixar, como está a acontecer, o Governo pode não baixar os preços, como forma de compensar a dívida que tem com as petrolíferas.

Mas essa é uma decisão que a AMEPETROL diz que caberia ao próprio Governo tomar. “Aí é que vem, na verdade, o papel do Governo, na decisão, no sentido de o que pretende manter no país nos próximos dias, se a redução pode ocorrer ou manter o preço para fazer a compensação do período de desde Outubro”.

Ademais, “O País” sabe que das 29 gasolineiras filiadas à AMEPETROL, apenas abaixo de 20 é que estão a importar combustíveis para vender em Moçambique, outras só importam para trânsito, o que dá menos receitas ao Estado.

E a Autoridade Reguladora de Energia prometeu falar ao jornal “O País” esta quarta-feira, para dizer qual deverá ser o futuro dos preços dos combustíveis em Moçambique. Em todo o caso, o Presidente do Conselho de Administração da ARENE, Paulo da Graça, já tinha reconhecido, em Março, que a subida tinha sido abaixo do que era de se esperar.

AS ISENÇÕES NA IMPORTAÇÃO DE COMBUSTÍVEIS

Um dia antes do anúncio dos novos preços, em Março, o Governo decidiu pela redução das taxas de manuseamento portuário em 5% para o gasóleo e para a gasolina; a redução de custos de infra-estrutura logística do combustível destinado aos postos de abastecimento em 60%; a redução dos custos para o fundo de estabilização em 50%; a redução do valor das margens de instalações centrais de armazenagem em 30%; a redução das margens do distribuidor em 15%; e a redução das margens do retalhista em 15%.

Trata-se de custos que têm impacto directo nos preços de combustíveis praticados no país. São taxas que reduzem a pressão às empresas importadoras de combustíveis.

 

COMBUSTÍVEL BARATO PRESSIONA CÂMBIO

Na última conferência de imprensa, dada pelo Banco de Moçambique, o governador, Rogério Zandamela, explicou que a prática de preços baixos em Moçambique tem estado a pressionar o nível das reservas internacionais e isso pode fazer com que a nossa moeda perca o seu valor.

Sucede que, enquanto em Moçambique os preços são geridos para não estarem excessivamente acima do que é a real capacidade dos moçambicanos, os outros países da região aplicam preços do mercado.

Com isso, os transportadores dessas regiões vêm a Moçambique comprar combustível e isso faz com que o país gaste as suas reservas e divisas a favor de outros, o que pode criar escassez de dólares no país e, assim, o Metical perder o seu valor.

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) disponibilizou, hoje, 11,48 milhões de dólares para a Capacitação Institucional da União Africana em Adis Abeba, Etiópia. O protocolo de acordo para o projecto foi assinado por Monique Nsanzabaganwa, vice-presidente da Comissão da União Africana, e Yacine Fal, vice-presidente interino do BAD para o Desenvolvimento Regional, Integração e Entrega de Empresas.

Espera-se que o projecto reforce os esforços da União Africana para implementar a Agenda 2063. Adoptada em 2015, a Agenda 2063 é a visão da União Africana para uma África integrada, próspera e pacífica, impulsionada pelos seus próprios cidadãos e representando uma força dinâmica na arena global.

O custo do projecto, no montante que acima referimos, está a ser apoiado com uma subvenção da janela de financiamento concessional do banco e foi aprovado pelo Conselho de Administração em Fevereiro de 2022. A assinatura do protocolo assinala o início da fase de implementação do projecto.

A vice-presidente Nsanzabaganwa aludiu ao processo de consulta que levou à assinatura do acordo. “Como sabem, esta cerimónia e a assinatura do protocolo de acordo representam o culminar de uma série de interacções e consultas que ocorreram entre a Comissão da União Africana, o Banco Africano de Desenvolvimento e várias partes interessadas desde o ano passado”, disse.

O projecto irá actualizar e automatizar vários sistemas da União Africana, incluindo os de gestão de informação, de aprovisionamento e gestão financeira, de recursos humanos e de gestão de resultados. Também abordará as lacunas no sistema de alerta precoce continental da União, um instrumento crítico na prevenção e gestão de conflitos e fragilidade no continente.

Nas suas observações, o vice-presidente interino do Banco, Fal, afirmou que “hoje é um marco histórico. Alcançá-lo não teria sido possível sem a confiança mútua e colaboração que as nossas respectivas instituições têm demonstrado historicamente e ao longo de todo o processo”.

Entre as principais prioridades que as duas instituições partilham, estão a promoção da integração regional e o reforço da capacidade das empresas africanas.

“Não só os investimentos bancários estão a colmatar as lacunas regionais em infra-estruturas, como também estão a reforçar as capacidades institucionais da União Africana, das comunidades económicas regionais, do Secretariado do Acordo de Comércio Livre Continental Africano, e de outros mecanismos regionais”, referiu Fal.

Fal chefiou uma delegação do BAD para a cerimónia de assinatura. A comitiva incluía o director-geral adjunto para a região da África Oriental, Abdul Kamara, o director interino do Gabinete de Coordenação da Integração Regional, Jean-Guy Afrika, entre outros.

O custo de vida aumentou 6,67%, em Março passado, quando comparado ao período homólogo de 2021. Dados do Instituto Nacional de Estatística apontam que a cidade de Nampula liderou, com 7,96%, a tendência de subida de preços.

Os preços dos principais produtos têm vindo a disparar como consequência da guerra na Ucrânia, mas as análises do Instituto Nacional de Estatística mostram, no seu Índice de Preços ao Consumidor, que não só aumentaram os preços dos combustíveis como também dos diversos bens e serviços. De Fevereiro a Março deste ano, a inflação foi de 0,70%, quando comparado com o mesmo mês de 2021.

“Em relação à variação mensal por produto, é de destacar o aumento dos preços da gasolina (5,8%), do óleo alimentar (8,0%), da cebola (8,7%), do gasóleo (7,2%), do peixe seco (2,8%), do gás butano em botija (11,1%) e do sabão em barra (4,2%). Estes contribuíram no total da variação mensal com cerca de 0,72pp positivos”, avança o Índice de Preços no consumidor do INE.

O documento realça que alguns produtos com destaque para o tomate, o coco, as motorizadas, a alface, o amendoim, o carvão vegetal e o pepino contrariaram a tendência de aumento, ao contribuírem com cerca de 0,19 pontos percentuais negativos.

Analisando a inflação homóloga, o Índice do Preço ao Consumidor revela que, na subida do custo de vida em 6,67 %, as divisões de transportes, de restaurantes, hotéis, cafés e similares e de alimentação e bebidas não alcoólicas foram as que registaram maior variação de preços com cerca de 10,04%, 8,45% e 7,80%, respectivamente.

Ainda na mesma variação, consta do relatório do Instituto Nacional de Estatística que a cidade de Nampula liderou a tendência de subida de 7,96%, seguida pela Cidade de Maputo com cerca de 6,63% e, por último, a cidade da Beira com 5%.

Durante o primeiro trimestre do ano em curso, o país registou um aumento de preços na ordem de 3,34%. As repartições de alimentação e bebidas não alcoólicas e de transportes foram as de maior destaque, ao contribuírem, no total da variação acumulada, com cerca de 1,80 e 0,90 pontos percentuais positivos, respectivamente.

“Importa destacar o aumento dos preços do tomate, da gasolina, dos transportes semi-colectivos urbanos e suburbanos de passageiros, do óleo alimentar, de veículos automóveis ligeiros em segunda mão, da cebola e do peixe fresco. Estes comparticiparam com cerca de 2,09pp positivos na total variação acumulada.”

Ainda sobre a variação acumulada, a cidade da Beira teve a maior subida do nível geral de preços, com cerca de 5,44%, seguida pela cidade de Nampula, com 3,02%, e de Maputo com 2,78%.

Banco Mundial disponibilizou 12 milhões de dólares para a criação de um seguro de desastres naturais em Moçambique. A informação foi avançada ontem pela Empresa Moçambicana de Seguros, que diz que, com o valor, estaria em condições de cobrir até quatro milhões de dólares por ano, em caso de danos no país.

Que o país está cada dia mais propenso a desastres naturais não é novidade. Basta que nos recordemos dos estragos que, em 2019, o país teve em Sofala e Cabo Delgado, devido aos ciclones Idai e Kenneth, respectivamente.

Nas duas situações, várias infra-estruturas públicas foram destruídas e o Estado não esteve em condições de lidar de forma atempada. Para reconstrução pós-idai, por exemplo, o Governo precisava de um valor de cerca de dois mil milhões de dólares. Fonte para isso? Doadores e o Orçamento do Estado, um orçamento já pressionado.

Ontem, falando aos deputados da Comissão de Plano e Orçamento, o Presidente do Conselho de Administração da Emose, Joaquim Langa, disse que a solução está na criação dum seguro de Desastres Naturais, a ser pago pelo Estado.

O projecto, na verdade, não é novo e já está a ser desenhado pela própria Emose e pelo INGD, em coordenação com o Ministério da Economia e Finanças. Joaquim Langa adiantou, primeiro, que “não é um seguro barato. Tivemos o apoio, por exemplo, do Banco Mundial, que disponibilizou 12 milhões de dólares para apoiar o seguro e, neste momento, decorrem processos documentais para que Moçambique possa beneficiar-se deste seguro”.

Com o valor dos 12 milhões de dólares, a Emose diz que estaria em condições de cobrir até quatro milhões de dólares norte-americanos em casos de danos no país. “Nós vamos cobrir sempre de acordo com o que estiver disponível.”
Outra proposta que a seguradora avança é a criação de um seguro agrícola. Nada novo, na verdade. Este é também o anseio dos empresários moçambicanos do sector agrícola, que sabem que, com o seguro, o nível de risco baixa e, com isso, o financiamento fica mais barato.

E esta proposta tem muito a ver com a vulnerabilidade do país aos desastres naturais. Por exemplo, com os recentes ciclones, vários campos com culturas foram perdidos e os empresários ficaram de mãos atadas, até porque grande parte das seguradoras disseram que não cobririam danos causados pelas intempéries.

Joaquim Langa, PCA da EMOSE, entende que é preciso que se criem instrumentos que obriguem as seguradoras a fazer este tipo de pacote. E só assim é que se atinge o verdadeiro objectivo de tornar a agricultura a base do desenvolvimento do país.
“Normalmente, são seguros subsidiados e o que temos estado a fazer é tentar um seguro agrícola sustentável e que possa também abarcar os pequenos agricultores. Como disse, não é um seguro rentável, mas é determinante para Moçambique”.

E os deputados entendem ser instrumentos importantes para o país, daí que se mostram abertos a colaborarem no que lhes compete, que é legislar. “Há necessidade de elevarmos a fasquia, porque a lei já prevê o seguro de infra-estruturas, mas, neste momento, abaixo de 5% do património do Estado está assegurado. Temos de fazer isto para que as intempéries não nos apanhem em contramão”, explicou António Niquice.

Sobre a saúde da empresa, a Emose informou aos deputados que, no último exercício económico, canalizou 300 dos 600 milhões de Meticais de lucros aos accionistas, dos quais o Estado detém 70%. De 2017 a esta parte, o volume de negócios tem estado a crescer, anualmente, 16%, sendo que, no ano passado, transacionou negócios em torno de 500 mil milhões de Meticais.

 

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