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A COVID-19 agravou o custo de vida a nível mundial, mas a guerra na Ucrânia vai criar mais “danos” ainda. Segundo o Standard Bank, o nível geral dos preços no país poderá aumentar 9,4% este ano, uma previsão de agravamento mais pessimista que a do Governo (5,3%) e do Fundo Monetário Internacional (9,0%).

Quando começou o ano 2022, em Janeiro, a expectativa do banco era de a inflação em Moçambique fechar o ano em torno dos 6%. Em Março, por causa do aumento dos preços dos combustíveis, a previsão de subida do custo de vida subiu para 7,6% e, como a situação tende a piorar, a previsão passou para 9,4%.

“Moçambique não é imune ao que está a acontecer no resto do mundo. Nós tivemos, hoje, uma conversa à volta da inflação a nível global e sobre as causas da inflação. É, claramente, uma situação de choque de oferta”, explicou Fáusio Mussa, economista-chefe do Standard Bank Moçambique.

Segundo Mussa, que falava durante o Economic Briefing do banco, a pandemia causou perturbações na oferta, que criaram uma aceleração de preços desde o final do ano passado a nível das economias mais avançadas, tendência de aceleração da inflação que se agravou com a situação da guerra na Ucrânia.

“A guerra na Ucrânia aumentou o preço das commodities, sobretudo aquelas ligadas à energia, nomeadamente, o preço do petróleo e do gás natural. Também estamos a falar de importantes produtos alimentares, não só porque a Ucrânia e Rússia produzem uma importante quantidade de trigo consumido no mundo, mas por causa da sua contribuição para a agricultura, uma vez que são grandes fornecedores a nível global de fertilizantes”, referiu o economista-chefe do Standard Bank em conferência de imprensa.

O responsável ainda aprofunda que, com a limitação da oferta de produtos a nível mundial e consequente subida dos preços, a resposta dos bancos centrais a nível global tem sido aumentar as taxas de juro para ajudar a conter a procura, uma vez que não se consegue aumentar a oferta no prazo que se pretende.

“É preciso reduzir a procura a nível global e a grande questão que se coloca é: será que a redução da procura a nível mundial, induzida por um aumento de taxas de juro, vai levar a economia mundial para uma recessão outra vez?”, questionou o economista, também um dos oradores do fórum do banco.

No entender de Fáusio Mussa, por ser um país que importa combustíveis com base nos preços locais, Moçambique não irá escapar da inflação elevada, mas também porque importa grande parte dos alimentos que consome.

Para o economista-chefe do Standard Bank, o Banco de Moçambique manteve uma política monetária apertada ao aumentar, recentemente, a taxa de juro em 200 pontos base para ajudar a reduzir a pressão sobre a subida generalizada dos preços, mesmo assim, os riscos na economia mantêm-se ainda altos.

Entretanto, Fáusio Mussa diz estar convencido de que a inflação vai manter-se ainda a um dígito este ano, sobretudo olhando para um período que Moçambique vai experimentar agora, que é alguma recuperação na produção agrícola, depois das chuvas intensas e ciclones que devastaram diversas culturas.

“O primeiro trimestre foi caracterizado por chuvas acima do normal, ciclones que destruíram culturas e, provavelmente, agora haverá uma retoma da produção que pode ajudar a baixar o preço dos alimentos”, sublinhou o economista.

Outro aspecto a não ser ignorado, segundo Mussa, é que “alguns mercados que substituem a oferta de produtos locais pela importação de produtos da África do Sul” também enfrentam preços altos de produtos da terra do rand, uma vez que o país vizinho também foi afectado negativamente por chuvas intensas que resultaram em grandes perdas na produção agrícola.

E, há mais um elemento que, segundo Mussa, provavelmente irá permitir um novo recomeço para a economia nacional: a retoma do Investimento Directo Estrangeiro (IDE). No seu entender, sem tal investimento externo vai ser difícil para o país experimentar uma grande aceleração do crescimento.

“Ao mesmo tempo que se espera que aumente o Investimento Directo Estrangeiro, primeiro relacionado com os projectos de gás, mas depois um conjunto de outros projectos na economia que têm o potencial para avançar em simultâneo, espera-se, a qualquer momento, que o board do FMI aprove um programa de financiamento para Moçambique”, lembrou Mussa.

Essa retoma do Fundo Monetário Internacional, no entender do economista, poderá ajudar o país a ter acesso a fontes de financiamento que ajudem a mitigar o impacto negativo de Moçambique não ter acesso aos mercados internacionais para financiar certos projectos.

“Nossa expectativa é de que este programa [do FMI], claramente, com foco em reformas fiscais, vai ajudar a melhorar a governação, o uso eficiente dos recursos do Estado e restaurar a confiança e, sem dúvidas, que o país pode experimentar um avanço nos indicadores macroeconómicos, mas é preciso sermos ainda muito cautelosos”, alertou o economista.

Segundo previsões do Standard Bank, o Produto Interno Bruto (PIB), instrumento usado para medir o crescimento económico do país, vai crescer, em média, 3,7% de 2022 a 2025.

“Este nível de crescimento ainda é muito inferior em relação ao que Moçambique precisa para reduzir a pobreza e as desigualdades sociais”, alertou o economista-chefe do Standard Bank e lembra que “o crescimento que Moçambique tem experimentado nos últimos anos não tem sido muito bem-sucedido do ponto de vista de criação de emprego”.

Para as projecções de crescimento económico, o banco diz ter excluído dos seus pressupostos o projecto da Exxon Mobil que ainda não atingiu a decisão final de investimentos.

O pressuposto usado é de que o projecto de gás Coral Sul começa a operar dentro de dois meses na Bacia do Rovuma, e que em algum momento a situação de segurança no norte do país permita que a Total retome a construção do projecto de gás que lidera em Cabo Delgado.

Para incentivar certos sectores da economia, é preciso, na óptica de Fáusio Mussa, criar programas e reformas que sejam mais propensas a gerar empregos do que os grandes projectos.

“Os grandes projectos são importantes para ajudar na estabilização macroeconómica, para ajudar a trazer a moeda externa de que o país precisa. Mas, o impacto dos grandes projectos do ponto de vista de criação de empregos ainda é muito reduzido. Penso que o país está a entrar numa fase de reformas estruturais para essencialmente ajudar a tornar o crescimento mais inclusivo”, considerou.

Para Fáusio, enquanto as taxas de juro altas impactam num segmento da economia, que é pequeno por abranger apenas os que têm acesso ao financiamento, a inflação é mais preocupante por impactar na vida da maior parte dos moçambicanos.

“Eu acredito que a preocupação das autoridades é garantir que, neste ambiente global de inflação elevada, a inflação em Moçambique se mantenha controlada e, por esta via, minimize o impacto pelos mais vulneráveis, que representam a maioria da população. A maior parte dos moçambicanos são pobres, vivem com menos de dois dólares por dia”, recordou o economista.

 

A dívida pública moçambicana agravou-se em 8% no ano passado, comparativamente ao período homólogo de 2020, posicionando-se em quase 14 mil milhões de dólares. Entretanto, o Governo argumenta, num relatório publicado pelo Ministério da Economia e Finanças, que o valor a ser pago já é sustentável.

O Ministério da Economia e Finanças publicou, esta quarta-feira, o relatório da dívida pública no exercício fiscal de 2021. Consta do documento que a persistência de uma conjuntura doméstica e internacional difícil gerou pressões fiscais que conduziram o aumento do endividamento público.

A dívida do Governo agravou-se em 8% ano passado, comparativamente ao período homólogo de 2020, posicionando-se em cerca de 14 mil milhões de dólares (78,6% do PIB), enquanto a do sector empresarial do Estado (SEE) cresceu cerca de 30% para um montante na ordem dos quatro mil milhões de dólares.

Somando as duas parcelas, “o stock da dívida do sector público em 2021 cresceu para 18 mil milhões de dólares, o correspondente a 102% do Produto Interno Produto (PIB)”, sintetiza o documento.

O documento do ministério que chancela as finanças argumenta que, não obstante o aumento do stock nominal, as análises preliminares sugerem que o desempenho do quadro de sustentabilidade da dívida pública do Governo evoluiu favoravelmente.

Uma evolução justificada pelo crescimento do PIB subiu 2,16% em 2021 e pelo aumento das exportações, factores destacados, ainda que “numa magnitude por quantificar”.

De acordo com o relatório visado, este nível de agravamento do stock da dívida foi largamente impulsionado pelo incremento em 26% da dívida interna. Num contexto de baixo nível de desembolsos e de novas contratações de empréstimos externos, o agregado da dívida externa aumentou em apenas 3%, mantendo-se relativamente estável.

A dívida interna compreende os títulos, os empréstimos do Banco de Moçambique, as operações financeiras de reestruturação e a consolidação das dívidas do sector empresarial do Estado e o financiamento bancário. Já a dívida externa abrange os empréstimos multilaterais e bilaterais oficiais.

Consta do relatório que, nos últimos anos, a evolução da dívida pública tende cada vez mais a reflectir o efeito de um crescimento acelerado do endividamento interno. Enquanto a dívida externa aumenta a uma média de 4% anualmente, o endividamento interno tem crescido 22% em média ao ano, impulsionada pelo aumento do financiamento interno mobiliário.

Quanto à composição do stock da dívida pública do Governo por tipo de credor e instrumento, “a carteira da dívida continuava a ser maioritariamente composta por empréstimos contratados junto de credores multilaterais (36%) seguidos dos bilaterais (32%), sendo de destacar que os credores multilaterais e bilaterais apresentaram uma redução do seu peso na ordem de 8pp e 2pp, respectivamente em 2021, face a 2020”.

Houve também o adiamento da despesa de 176 milhões de dólares graças à Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida do G20, para amortecer os impactos da pandemia da COVID-19, melhorando os rácios de liquidez.

O aumento da dívida pública na parcela que diz respeito ao Governo cobriu o défice do Orçamento do Estado, explica-se no relatório, no contexto das pressões fiscais causadas pela COVID-19, violência armada no Norte e desastres naturais (ciclones nas regiões Norte e Centro e seca no Sul).

Já no sector empresarial do Estado, o relatório refere que o incremento na dívida diz respeito, sobretudo, ao financiamento da comparticipação estatal, por via da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) nos projectos de gás, pelo que a trajectória da dívida do país pode, a longo prazo, ser considerada sustentável.

A dúvida reside em saber quão longo será o prazo, uma vez que a insurgência em Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, obrigou à suspensão dos mega-projectos de gás e ainda não se sabe quando serão retomados.

A relação com o exterior pode crescer em 2021 depois do sinal dado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que vai retomar, este ano, a ajuda financeira a Moçambique, através de um programa específico, modalidade suspensa desde a descoberta do escândalo das dívidas ocultas, em 2016.

O Relatório da Dívida publicado pelo Governo moçambicano inclui, pela primeira vez, uma análise ao desempenho das parcerias público-privadas (PPP), avaliando 19 contratos com o nível de risco contingente entre baixo e baixo-médio, concluindo que estas parcerias não representam um significativo risco fiscal.

Por fim, o relatório afirma que a persistente volatilidade da conjuntura económica e do ambiente de negócios remete para a necessidade de aprofundamento das medidas de monitorização e mitigação dos passivos contingentes, com vista a reduzir os impactos de possíveis choques adversos sobre a estabilidade da economia.

Refira-se que, em 2020, a dívida do Governo registou um incremento de 4.7%, fixando-se nos 12.27 mil milhões de dólares, dos quais 10,15 mil milhões (78%) de dívida externa e 2,82 mil milhões de dólares (22%) de dívida interna.

O gás de Moçambique tem potencial para satisfazer a procura regional e internacional, segundo a Câmara Africana de Energia, que afirma, igualmente, que os atrasos no desenvolvimento de projectos de gás causados pela instabilidade política no país continuam a travar a expansão do mercado visado.

O crescimento do mercado de gás de Moçambique em 2022 e anos seguintes será uma mudança de jogo para o mercado africano de hidrocarbonetos e ajudará a colocar o continente numa trajectória de se tornar um centro energético global, de acordo com as Perspectivas da Câmara Africana de Energia 2022.

Numa altura em que a produção de gás em toda a África precisa de aumentar para satisfazer a crescente procura de energia, factores, como o financiamento inadequado em novas actividades de exploração e produção (E&P) e a diminuição da produção em projectos antigos, estão a desafiar a capacidade dos países africanos produtores de hidrocarbonetos para expandir a produção de gás.

Contudo, projectos e investimentos de grande escala realizados em Moçambique, com os seus 100 triliões de pés cúbicos de reservas, podem ajudar a expandir o mercado do gás em África.

Segundo a Câmara Africana de Energia, os níveis de oferta e procura entre 2022 e 2025 sugerem que existe oferta suficiente de Gás Natural Liquefeito (GNL), para satisfazer a procura crescente, à medida que novos projectos entram em linha no ano corrente, assim como o projecto de Gás Natural Liquefeito Flutuante de Coral (FLNG) em Moçambique.

A Coral FLNG, compreendendo aproximadamente 450 mil milhões de metros cúbicos de gás no Campo Sul de Coral na Área 4 na Bacia do Rovuma ao largo da costa de Moçambique, permitirá ao país produzir 3,4 milhões de toneladas por ano (mtpa) de gás para exportar à Europa e Ásia em 2022.

Além disso, os projectos de 12,8 mtpa de GNL da TotalEnergies Moçambique e de 15,2 mtpa de GNL da Eni e ExxonMobil Rovuma têm o potencial de transformar o mercado regional de gás, posicionando Moçambique como um exportador de gás altamente competitivo. Apesar de ambos os projectos terem sido adiados, estão a ser feitos progressos para que regressem ao bom caminho.

De acordo com o Centro de Energia para o Crescimento, o gás de Moçambique poderia trazer 50 mil milhões de dólares em investimentos estrangeiros e permitir ao Governo colher 95 mil milhões de dólares em receitas nos próximos 25 anos, com as políticas e investimentos correctos em vigor, bem como um ambiente político atractivo para o capital.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento avança que Moçambique pode, também, utilizar as suas reservas de energia para reduzir a pobreza energética, uma vez que a percentagem da sua população, que vive sem acesso à energia fiável, continua a aumentar de 19,6 milhões em 2007 para mais de 21 milhões em 2017.

Segundo o presidente-executivo da Câmara Africana de Energia, NJ Ayuk, as reservas de gás de Moçambique têm o potencial para combater a pobreza energética em toda a região da África Austral, ajudando os países vizinhos, como o Zimbabwe, Botswana, Malawi e África do Sul, a satisfazer a procura pelo gás.

“No entanto, a instabilidade política no país e a falta de investimento em infra-estruturas facilitadoras terão de ser abordadas para que Moçambique se torne num dos 10 maiores exportadores mundiais de GNL”, declarou NJ Ayuk, presidente-executivo da Câmara Africana de Energia.

Apesar de possuir vastas reservas de gás, o progresso de Moçambique no desenvolvimento e na monetização continua a ser lento. Isto realça uma necessidade crescente de o Governo criar um ambiente político favorável que permita aos investidores e às grandes empresas internacionais participarem no mercado. A este respeito, a cimeira anual de investimento da Câmara Africana de Energia (AEC), African Energy Week (AEW), que terá lugar na Cidade do Cabo de 18 a 21 de Outubro de 2022, irá discutir medidas que o Governo de Moçambique pode implementar para acelerar o desenvolvimento da sua indústria do gás.

A African Energy Week 2022 acolherá painéis de discussão e reuniões de alto nível sobre o papel da indústria de gás de Moçambique no combate à pobreza energética em todo o continente africano e como o país pode criar um regime de capital atractivo para impulsionar o seu mercado.

A African Energy Week 2022 é a conferência anual da Câmara Africana de Energia, exposição e evento em rede. Este evento une as partes interessadas africanas na energia com investidores e parceiros internacionais para impulsionar o crescimento e desenvolvimento da indústria e promover África como destino de investimentos energéticos.

Organizações-chave, como a Organização Africana de Produtores de Petróleo, bem como pesos pesados africanos, incluindo a Guiné Equatorial e a Nigéria, estabeleceram parcerias com a African Energy Week, reforçando o papel que o evento irá desempenhar no futuro energético de África.

A Eni Rovuma Basin e o Governo assinaram um memorando de cooperação para a implementação, no distrito de Mecufi, de um projecto integrado de resiliência que visa fortalecer habilidades das comunidades na protecção e restauração dos mangais, contribuindo, deste modo, para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

O projecto inclui, também, o desenvolvimento de um programa sustentável de agricultura e acesso à água e à higiene. O programa de restauração e conservação dos mangais vai consistir no replantio de mudas nos distritos de Zaulane A, Muaria e Muinde e vai abranger uma área de 10 hectares ao longo da costa de Mecúfi.

De acordo com um comunicado, citado pelo jornal Diário Económico, serão também promovidas actividades alternativas para a diversificação económica. A apicultura e aquacultura servirão de fontes de renda alternativa para as comunidades, o que vai ajudar a proteger os mangais e os ecossistemas que estão em risco.

O projecto prevê também a implementação de campanhas educativas e de sensibilização nas áreas de conservação ambiental nas escolas da comunidade.

Já o programa de agricultura sustentável vai cobrir uma área de 40 hectares e consiste na implementação de um sistema combinado de conservação florestal e agricultura, o que vai permitir a produção de alimentos, bem como a recuperação das áreas degradadas e a transmissão de boas práticas na gestão e uso dos recursos naturais. Este projecto vai abranger cerca de 500 pequenos agricultores.

No acesso à água potável, serão construídos seis furos de água nas localidades de Muária, Sambene e Natuco, com o objectivo de garantir acesso à disponibilidade de água potável e melhorar as condições de saneamento destas comunidades.

O projecto integrado de resiliência reafirma o compromisso da Eni Rovuma Basin com os objectivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas e enquadra-se na estratégia da ENI de atingir o nível de zero emissões até 2050. Este projecto é parte do plano de sustentabilidade do projecto Coral-Sul da Área 4 e será executado em parceria com a Universidade Lúrio (UniLúrio).

O projecto Coral-Sul será o primeiro a colocar em produção consideráveis recursos de gás natural de Moçambique, a partir da segunda metade de 2022. É operado pela Eni Rovuma Basin em nome dos Parceiros da Área 4, nomeadamente a Eni, ExxonMobil, CNPC, Galp, Kogas e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).

O Primeiro-Ministro diz que não há subsídio sustentável, porque, quando aplicado na generalidade, acaba por beneficiar pessoas de que não necessitam. Adriano Maleiane afasta, assim, a hipótese de se subsidiar o preço dos combustíveis e do pão, apesar da crise que já abala milhares de famílias.

A actual escalada de preços das principais commodities no mercado internacional está a baralhar as contas do Governo na gestão da economia nacional e o combustível é o principal motor dessa crise. O decreto n.º45/2012, de 28 de Dezembro, prevê a actualização do preço dos combustíveis sempre que as variações no mercado internacional forem relevantes, e o Executivo de Filipe Nyusi congelou o preço por muito tempo, o que implicou a acumulação de perdas para as gasolineiras.

Tendo em conta os custos do barril do petróleo no mercado internacional, as gasolineiras estimam que a gasolina, por exemplo, devia custar 97,19 Mt/litro, mas está a ser vendida ao público a 77,39 Mt. O gasóleo, dizem os importadores, devia custar 97,26 Mt/litro, mas é vendido a 70,97 Mt.

Face a esta situação, o Governo é que está ou deve pagar a diferença e, neste momento, tem uma factura de mais de 120 milhões de dólares por compensar às gasolineiras.

O Primeiro-Ministro está na província de Nampula para uma visita de trabalho de três dias e foi perante empresários que deixou claro que os subsídios não são sustentáveis. “Temos que saber como é que gerimos a crise, que é esta coisa de subida do preço do combustível. Uns dizem que o Estado deve fazer subsídio, mas vamos ser honestos: não há subsídio sustentável porque para dar tem que sair do imposto e como é que vai buscar o imposto se as empresas também não funcionam. Dar subsídio a gasolineiras não é solução porque naquela bomba compramos todos nós – ricos, pobres, compram ao mesmo preço -, mas não isso que a gente quer. O Estado quer dar o subsídio a aquele que efectivamente precisa. O mesmo também tem a ver com o pão, por causa do trigo. Subsidiar a padaria não é sustentável porque toda a gente vai comprar aquele pão subsidiado, mas não é isso que o Governo quer. O Governo quer subsidiar àquele que não pode”

Subsidiar os preços para os mais vulneráveis implica reforçar a assistência social, outro desafio para o Governo. E porque Adriano Maleiane está na chamada “capital do norte”, dos empresários ouviu mais queixas.

Yonus Gafur actua em várias áreas do comércio e da indústria de processamento da castanha de cajú em Nampula. A sua preocupação tem a ver com a demora no reembolso do IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado): começando pela tristeza de pagarmos vários impostos e reavermos do negócio feito que é o ministério do reembolso. Já era altura de sentirmos este conforto e apelo, por favor, para se ver este assunto.

Adriano Maleiane conhece muito bem o assunto porque até há bem pouco tempo era ministro da Economia e Finanças, sendo que garantiu que está na lista de prioridade das prestações que o Governo deve fazer, só que lembrou que é preciso que a Assembleia da República legisle sobre o prazo para a remissão dos pedidos de reembolso do IVA, porque até aqui não há prazos legalmente estipulados para a prescrição do direito a esse pedido, o que faz com que alguns empresários deixem passar anos sem exercerem esse direito, deixando um passivo por muito tempo para o Governo.

A direcção das Linhas Aéreas de Moçambique ainda não tem um plano para a reestruturação da dívida e espera que venha do IGEPE. João Pó Jorge assumiu, hoje, um compromisso de melhorar as contas da empresa até 2023.

Nas suas habituais visitas às empresas públicas e participadas pelo Estado, a Comissão de Plano e Orçamento da Assembleia reuniu-se, ontem, com a direcção da LAM para ouvir dela que estratégias serão aplicadas para tirar a empresa da falência técnica há muito assumida.

Sucede que, na verdade, a LAM não parece ter isso no seu controlo, sobretudo no que à dívida diz respeito. Na visita que a mesma Comissão efectuou ao Instituto de Gestão das Participações do Estado, foi noticiado que a LAM tem uma dívida avaliada em sete mil milhões de Meticais. E é sobre isso que a LAM não sabe o que fazer.

“Parte dessas dívidas temos estado a pagar, mas o grande volume dessa dívida não estamos a conseguir sanear, porque ainda não temos um plano de reestruturação, mas estamos a trabalhar com o IGEPE para reestruturar a dívida para fazer o pagamento em prazo mais longo e depois suportar essa dívida com os nossos próprios recursos”, explicou o director-geral da LAM, depois do encontro com os deputados.

Pó Jorge foi empossado em 2018, na altura, com a clara missão de salvar a LAM em três anos. Não fez e a culpa é atribuída à COVID-19. Aliás, em 2020, com o primeiro pico da COVID-19, no segundo trimestre, houve uma queda nas receitas de 72%.

“Quando começou a reestruturação, em 2018, nós queríamos em cerca de três anos atingir o break even, devido à COVID-19, isso não foi possível e pensamos que, em 2023, dependendo da velocidade com que a economia se vai recuperar, podemos atingir esse break even e isso exige muita disciplina financeira e muita regra na operação da empresa”, comprometeu-se.

E por falar em planos, a empresa tem em perspectiva aumentar a sua frota até 2030. Neste momento, a empresa opera com sete aeronaves. São dois Boeing 737-700 e três Embraer ERJ145. Há mais dois Bombardier Dash 8-Q400 e mais dois da mesma marca que deverão chegar na segunda metade do ano, quando as aeronaves deverão ser nove, distribuídas entre a própria LAM e as subsidiárias.

Mas, lançando um olhar para mais adiante, a direcção tem um plano mais ambicioso. Até 2030, a LAM deverá contar com 21 aeronaves. Até lá, deverá ser descontinuado o uso de Embraer e vai optar-se por Boeing (12) e Bombardier Dash (9). Com isso feito, a perspectiva é, também, entrar nas rotas há muito não exploradas pela LAM, como Lisboa e Dubai.

Para além da gestão do tesouro, os deputados fizeram grandes críticas à qualidade dos serviços que a companhia de bandeira tem estado a prestar aos seus passageiros.

A África Subsaariana protagoniza em Rimini, na Itália, de amanhã até sexta-feira, a 39ª edição do Macfrut, exposição global dedicada às frutas e legumes.

O sector das frutas e legumes do continente africano estará no centro de muitos eventos durante os “Dias de África” e Moçambique vai marcar presença através de sete empresas do ramo, à frente do Quénia e Senegal, com seis, respectivamente.

O Macfrut constitui uma oportunidade única para empresários africanos encontrarem a excelência italiana na cadeia de fornecimento, estabelecerem uma rede com clientes e investidores internacionais, apresentarem os seus produtos numa importante montra, expandirem as suas oportunidades de exportação e acederem a tecnologias melhoradas.

Sob a coordenação da sede em Roma, a Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) em Nairobi, Dakar e Maputo trará ao salão internacional de frutas e vegetais os mais emblemáticos sabores africanos, desde as mangas, às líchias e aos cajus do Quénia, Moçambique e Senegal.

Das sete empresas moçambicanas presentes no evento, quatro foram seleccionadas em colaboração com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNIDO), duas em colaboração com o Fundo de Fomento Agrário e Extensão Rural (Fundo Público) FAR-FP e uma em parceria com a NOVAMONT S.p.A.

Trata-se de empresas que se dedicam à transformação e comercialização de sementes e frutos como o abacate, a líchia e a manga.

Um pesquisador do Instituto de Investigação Agrícola de Moçambique (IIAM) e um professor do Instituto Politécnico de Manica (SPM) estarão também presentes.

“Actualmente, estamos empenhados com cerca de 69 milhões de euros no sector, incluindo iniciativas em curso (também em colaboração com actores internacionais, como a UNIDO) e as que serão lançadas em breve, com uma abordagem sinérgica para uma melhor gestão das principais cadeias de abastecimento agrícola local (em particular, frutas e legumes). A participação de entidades públicas e privadas de Moçambique em Macfrut é uma importante oportunidade de crescimento, não só para as pessoas directamente envolvidas, mas sempre numa abordagem sinérgica para todos os actores que trabalham com a Cooperação Italiana para o Desenvolvimento no sector, particularmente na província de Manica”, disse Paolo Enrico Sertoli, chefe do Gabinete da AICS em Maputo.

Por ocasião do Dia Internacional do Trabalhador, a Confederação das Associações Económicas (CTA) de Moçambique redigiu uma mensagem na qual incentiva as empresas, que têm capacidade, a pagarem mais do que o salário mínimo aprovado.

“Sendo as taxas de reajuste salarial as possíveis e máximas a que os empregadores poderiam comprometer-se, e tendo em conta que há alguns que declaram capacidade de pagar, a CTA incentiva estas empresas a não ficarem pela taxa de reajuste salarial aprovada e que possam reajustar de acordo com as suas capacidades”, lê-se na mensagem da CTA, enviada à nossa Redacção.

As taxas de reajuste salarial recentemente aprovadas variam de 3,09% para o Subsector de Segurança Privada, que foi a mais baixa, e 7%, no Sector 1, da Agricultura, que foi a mais alta. Em média, a taxa de reajuste salarial foi de 5,4%.

De acordo com o representante do sector privado, estes reajustes mostram o contexto difícil pelo qual passam as empresas, “e constitui um grande esforço para, por um lado, corrigir os efeitos de corrosão do poder de compra dos trabalhadores, e, por outro lado, manter os postos de trabalho”.

A CTA refere, ainda, que o reajuste salarial poderá afectar toda a estrutura salarial das empresas, dada a necessidade de ajustar os salários das posições cimeiras.

Governo vê o aumento dos preços do gás como uma oportunidade para projectos acelerados, disse o ministro da Economia e Finanças, Max Tonela, numa entrevista realizada semana finda em Washington, nos Estados Unidos da América.

Moçambique planeia estabelecer um fundo soberano de riqueza no final deste ano, uma vez que se prepara para iniciar as exportações de gás natural que, segundo o Governo, poderá gerar 96 mil milhões de dólares de receitas para a terceira nação mais pobre do mundo.

Segundo o ministro da Economia e Finanças, Max Tonela, para garantir o sucesso do plano, há necessidade de o país assegurar que a governação do fundo seja suficientemente robusta.

As autoridades estão em vias de finalizar o projecto de legislação que irá reger a gestão do fundo, acrescentou o ministro numa entrevista realizada, na semana finda, em Washington.

Segundo escreve o jornal Further África, o Governo espera que o fundo esteja operacional antes que as primeiras exportações de gás natural liquefeito de Moçambique comecem a fluir até Outubro a partir de um projecto offshore que a Eni SpA está a desenvolver.

O Banco Africano de Desenvolvimento publicou, em Outubro de 2020, uma proposta de modelo para o fundo, o qual, segundo a instituição, iria acumular poupanças e contribuir para a estabilidade fiscal quando os preços das mercadorias flutuam. Ao abrigo deste plano, metade das receitas do Estado deveria ir para o fundo e o resto para o orçamento do Governo durante as duas primeiras décadas de produção de gás natural liquefeito.

Desde então, os dois maiores projectos de exportação desenvolvidos pela TotalEnergies SE e pela ExxonMobil Corporation estagnaram devido a uma insurgência estatal islâmica, enquanto os preços do combustível subiram desde que a Rússia invadiu a Ucrânia.

A TotalEnergies deverá retomar o seu projecto de 20 mil milhões de dólares para produzir 13,1 milhões de toneladas de GNL anualmente até ao final do ano, uma vez que a situação de segurança melhorou na província de Cabo Delgado, onde está sediada, disse Tonela. A ExxonMobil deverá estar pronta para tomar uma decisão final de investimento no seu projecto ainda maior assim que a TotalEnergies levante a força maior do seu trabalho, disse.

 

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