O País – A verdade como notícia

A produção de carnes no país cresceu 17 por cento no primeiro trimestre deste ano, relativamente ao período homólogo de 2021. O leite e os ovos para o consumo registaram um incremento de 7,9 e 12,6%, respectivamente.

Entre Janeiro e Março de 2021, a produção de carnes, no país, situou-se em 29 mil toneladas, cifra que este ano subiu para 33 mil, o que corresponde a 17%, em comparação com igual período do ano passado. Entretanto, a taxa de execução da produção visada situou-se nos 18,5%.

Para o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, o aumento deve-se ao controlo do movimento dos animais e a intensificação das acções de fiscalização no sector.

A instituição refere ainda que a carne de ovino registou maior aumento, com 18,6%, ao atingir uma produção de 143 toneladas.

A carne de frango não esteve muito longe, ao registar um incremento de 18,1%, ou seja, 28.147 toneladas. A produção da carne bovina subiu 13.2%, situando-se nas 4,140 toneladas.

Já a carne suína observou um incremento de 6,4%, posicionando-se nas 784 toneladas, de Janeiro a Março. Nos caprinos, houve um acréscimo de 10,3%, com 773 toneladas.

O leite e os ovos para o consumo tiveram um crescimento assinalável de 7,9 e 12,6%, situando-se nas 660 367 e 6 648 981 toneladas, respectivamente.

Até ao fim do ano, o Governo projecta a produção de cerca 183 mil toneladas de carnes em todo o território nacional.

As exportações de Moçambique para a União Europeia cresceram em mais de três mil milhões de dólares, de 2020 para 2021. O facto, segundo o ministro da Indústria e Comércio, deve-se ao incremento da produção interna através de projectos governamentais e investimentos directos, envolvendo investidores privados de 18 países da União Europeia, avaliados em 300 milhões de dólares.

A informação foi tornada pública esta quinta-feira, durante a realização da quarta mesa-redonda económica entre a União Europeia e Moçambique, evento este realizado anualmente, fruto de uma parceria entre o Ministério da Indústria e Comércio e a Associação das Câmaras de Comércio Europeias (EUROCAM).

Durante o seu discurso, o responsável pela pasta da Indústria e Comércio destacou o facto de os eventos externos terem desafiado a continuidade de muitos empreendimentos, com destaque para a COVID-19 e a instabilidade nas zonas Centro e Norte.

Factor directo ou não, o facto é que o nível de transacções comerciais entre Moçambique e os países africanos tem sido bastante fraco, havendo registo de cerca de 2%, sendo a sua maioria concentrada na SADC, que corresponde a 24% do total das exportações e 29% das importações.

Porém, contrariamente a este factor, as relações entre Moçambique e os países da União Europeia têm sido cada vez mais fortes, principalmente nos últimos cinco anos.

“Particularmente em 2021, as exportações cifraram-se em mais de 16 mil milhões de dólares, o que corresponde a 38% sobre o total das exportações de Moçambique, com um crescimento de 3% em relação ao ano 2020, que foi de cerca de 13.5 mil milhões de dólares”, disse o ministro da Indústria e Comércio, Silvino Moreno.

O dirigente disse ainda que, no mesmo período, foram aprovados 219 projectos de investimento envolvendo investidores privados de 18 países da União Europeia, avaliados em mais de 320.9 milhões de dólares.

Tal crescimento, segundo Silvino Moreno, deveu-se ao incremento dos investimentos directos provenientes daquele bloco económico em mais de 320 milhões de dólares, principalmente nas áreas de agricultura, pecuária, agro-processamento, indústria extractiva e energética.

“Ancorados no Made In e no Created In Mozambique, o nosso Governo definiu prioridades sectoriais económicas existentes no mosaico e ecossistema competitivo do país, que estão abertos à capitalização e parcerias externas, numa abordagem integrada e sustentável que vai desde a dinamização das cadeias de valor agrícolas através do Sustenta, os projectos-piloto do PRONAI, alguns dos quais têm uma abordagem local no recém- lançado Projecto da Zona Especial de Processamento e Agro-indústria do Corredor de Desenvolvimento Integrado de Pemba-Lichinga (ZEPA), onde a energia, turismo, infra-estruturas e logística são a maior base”, referiu o governante.

Sobre estes projectos governamentais, o Governo diz que já há resultados inquestionáveis, mas pretende-se fazer mais, com o envolvimento de vários actores sociais.

“A partir do Sustenta e do PRONAI, elegemos os condomínios agrícolas e a aposta no modelo de infra-estruturas de rápido crescimento industrial, através da implantação em regime de parceria público-privada das Zonas Francas e Parques Industriais, sempre privilegiando a sustentabilidade em linha com o nosso compromisso de assegurar o cumprimento do Objectivo de Desenvolvimento Sustentável número 9, dentro da agenda 2063.”

O ministro da Indústria e Comércio apelou para o envolvimento do sector privado para a revitalização e alavancagem da economia nacional após a COVID-19 e eventos climáticos, com recurso a inovações tecnológicas.

 

UE VAI DISPONIBILIZAR MAIS DE 200 MILHÕES DE EUROS PARA FINANCIAR PROJECTOS 

A União Europeia, no âmbito da parceria económica com Moçambique, prometeu disponibilizar mais de 200 milhões de euros, para projectos ecológicos, com foco na transformação de energias renováveis, um valor a ser aplicado em Moçambique, nos próximos quatro anos.

O facto é avançado pelo Embaixador e Chefe da Delegação da União Europeia em Moçambique, António Sánchez-Benedito Gaspar, que indica, porém, que este valor ainda será mobilizado junto dos países-membros da UE.

“O programa de cooperação da União Europeia para Moçambique, nos próximos quatro anos, tem um impacto importante no pacto ecológico verde, com estes mais de 200 milhões de euros que vão ser destinados, por exemplo, na protecção do capital natural, transformação ecológica, nos sectores da agricultura, pesca, silvicultura, também para uma infra-estrutura mais resiliente”, declarou António Sánchez-Benedito Gaspar.

Gaspar fala ainda de um programa, chamado Global Gataway, a ser concebido para o continente africano, que vai ajudar a encontrar apoios e fundos, orçado em mais de 300 mil milhões de euros, sendo a metade (150 mil milhões de euros), destinada a projectos na África Subsaariana e apelou ao Governo de Moçambique para ficar atento às oportunidades que podem surgir.

E para que o país consiga tirar proveito destes projectos, apela-se para o envolvimento do sector privado, mas este fala de barreiras.

“Neste momento, o acesso ao financiamento é um desafio para as empresas, então a transição tecnológica é uma plataforma que pode ajudar ou facilitar o acesso ao financiamento”, disse o Presidente da Associação das Câmaras de Comércio Europeias (EUROCAM), Simone Santi, tendo acrescentado que “o desenvolvimento do sector energético precisa de um sector privado que tem benefícios, com um sistema com legislação clara e fora de sistemas de controlo difíceis de cumprir”.

A mesa-redonda entre a União Europeia e Moçambique acontece no âmbito da Semana da Europa e está subordinada ao tema “Oportunidades para o sector privado numa sociedade em transição ecológica e digital”.

Cerca de 58% das pequenas e médias empresas (PME), localizadas nas três principais capitais provinciais do país – Maputo, Beira e Nampula –, ainda não iniciaram o processo de transformação digital, revela um estudo tornado público, hoje, pela PHC Softwere.

A pesquisa foi realizada pela Intercampus, uma empresa especializada na recolha de informação, e tornado pública pela PHC Softwere. Consta do relatório que grande parte das PME nacionais tem falta de formação digital e carece de recursos humanos capacitados.

A pesquisa, que envolveu 150 PME localizadas nas principais capitais provinciais – Maputo, Beira e Nampula –, conclui que 58% das destas instituições ainda não iniciaram o processo de transformação digital.

“Quanto ao processo de digitalização dos seus negócios, podemos constatar que a maioria (79,3%) não tem nenhuma estratégia delineada, mas já pensou no tema, o que demonstra que a digitalização das empresas está cada vez mais presente na mente dos empresários moçambicanos”, lê-se no documento.  

Este atraso no processo de digitalização é, de acordo com a observação, motivado pelas limitações económicas e financeiras, tendo em conta que 71,3% das empresas abrangidas pela pesquisa têm níveis de facturação anual situados entre os 1.2 milhões e 10 milhões de Meticais.

“As empresas, que estão abrangidas pela obrigação legal das máquinas fiscais, são as que se encontram com um intervalo de facturação entre os 1.2 milhões e os 10 milhões de Meticais. Destas, 75,7% não ouviram falar nesta obrigação legal ou não têm informação suficiente e apenas 24.3% das firmas afirmam ter conhecimento.”

No intervalo de facturação, a pesquisa explica que se encontra a maioria das empresas que ainda não iniciou o processo de digitalização do seu negócio. Entretanto, 76% delas não vendem on-line e apenas 24% aderiram à modalidade.

“Dos inquiridos que vendem on-line, 66,7% referem que o e-commerce tem um peso de até 25% da sua facturação e 33,3% referem que o e-commercerepresenta mais de 25% da sua facturação”, detalha o documento.

Com a eclosão da pandemia da COVID-19, no que diz respeito à actividade comercial, muitas empresas tiveram de se reinventar para continuar no mercado, modificando os seus canais de venda e os seus modelos de negócio.

Neste contexto, o estudo concluiu que apenas 34% das empresas moçambicanas investiram em tecnologias durante os dois últimos anos, devido à pandemia da COVID-19.

“Quando questionados sobre a implementação do teletrabalho durante o confinamento, pudemos constatar que 61,3% das 150 empresas inquiridas não implementaram a solução durante o confinamento, apesar de ser uma realidade cada vez mais evidente”, avança o estudo.

A análise indica, ainda, que a aposta nos softwares de gestão tem sido um forte aliado das empresas no cumprimento dos deveres fiscais, ajudando-as a exercer boas práticas e a satisfazer as exigências legais e tributárias, particularmente as impostas pelas máquinas fiscais,apesar de as pequenas e médias empresas que estão abrangidas por esta obrigatoriedade fiscal afirmarem não conhecer a norma.

“A escolha de um software de gestão traz dificuldades acrescidas, das quais a adaptação, saber se é adequado às necessidades da empresa é, sem dúvida, a mais frequentemente destacada pelos inquiridos (42%), o que se relaciona com a falta de literacia na área.”

Por outro lado, 77% das 150 empresas não utilizam software de gestão por desconhecimento, 17% devido ao custo inerente do processo de digitalização e 6% porque os programas informáticos oferecem aquilo de que supostamente precisam.

Assim, o estudo diz que as empresas nacionais têm uma necessidade de integração neste ecossistema que se caracteriza pelo seu dinamismo, de forma a permanecerem competitivas e rentáveis e devem aplicar o pensamento digital em todos os seus processos, tanto internos como externos.

Refira-se que os softwares de gestão empresarial são ferramentas essenciais no processo de digitalização das empresas, permitindo criar um ecossistema no qual os colaboradores têm uma melhor experiência de trabalho e os clientes têm melhores produtos. Fomentam, também, um maior rigor e transparência nas organizações, factores fundamentais nas diferentes áreas de investimento.

 

Já estão reabertas as portas para Moçambique voltar a ter acesso ao mercado financeiro internacional, do qual o Governo vai buscar dinheiro, preferencialmente, a taxas de juro relativamente baixas para cobrir o défice do Orçamento do Estado.

Depois de cerca de seis anos na lista negra do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e de outras instituições e países, o Executivo voltou a receber, na última segunda-feira, um voto de confiança do seu principal parceiro financeiro, o FMI.

Numa primeira fase, o Fundo Monetário aprovou um financiamento global para Moçambique de cerca de 456 milhões de dólares norte-americanos, dos cerca de 470 milhões de dólares que estavam disponíveis, segundo a instituição financeira internacional.

Do valor global aprovado, cerca de 91 milhões de dólares ficaram imediatamente disponíveis para o desembolso ao Executivo moçambicano.

Segundo o FMI, o novo programa inclui mais reformas de governança, reforçando a estrutura de combate à lavagem de dinheiro e criando um fundo soberano.

No fundo, o objectivo do acordo entre o Governo e o FMI é permitir a recuperação da economia nacional e a introdução de políticas para a reduzir a dívida pública, actualmente insustentável, criando espaço para investimentos em capital humano, adaptação ao clima e infra-estruturas.

“O programa apoia a ambiciosa agenda de reformas das autoridades, com as principais acções políticas focadas no estabelecimento de um fundo soberano para gerir, de forma transparente, a riqueza do gás natural liquefeito (GNL)”, refere uma nota do Fundo Monetário Internacional.

No entanto, o Fundo considera que os riscos permanecem significativos no país, inclusive devido a questões de segurança, altos níveis de dívida e vulnerabilidade a desastres naturais.

O Fundo Monetário espera que o crescimento do país, excluindo a indústria extractiva, aumente para cerca de 4,0% ao ano. Incluindo os grandes projectos de gás natural liquefeito (GNL) que devem começar a produção no fim deste ano, as taxas de crescimento irão aumentar ainda mais.

Um dos pressupostos tomados em conta pelo FMI para a retoma do financiamento ao Orçamento do Estado é o facto de a economia ter regredido 1,2% em 2020, a primeira recessão em 30 anos. Entretanto, o crescimento foi retomado em 2021 e agora está a tornar-se mais amplo.

“Embora os casos e as mortes por COVID-19 tenham ficado abaixo das médias regionais, três grandes ondas de infecções em 2021 e 2022 abrandaram a força da recuperação”, diz o FMI e adiciona que a crise agravou a pobreza que atingia 61,9% da população em 2019 e 63,3% em 2020.

O FMI entende que mais progressos na governação e reformas que reduzam as vulnerabilidades à corrupção são importantes para melhorar o ambiente empresarial e promover uma redução duradoura e inclusiva dos desequilíbrios existentes na sociedade.

“Dada à alta vulnerabilidade de Moçambique a desastres naturais, o foco na construção de resiliência climática também será crítico”, defende a instituição financeira internacional.

Para o economista Elcídio Bachita, a retoma do FMI é uma oportunidade para o Governo usar os recursos desembolsados para criar alguma auto-suficiência dentro da economia, reduzindo, assim, a dependência externa, particularmente no sector da agricultura e nos combustíveis.

“Esses recursos devem ser usados para diversificar a economia, apostando mais na agricultura, um sector que precisa de investimentos em todas as áreas, tais como, pesquisa, construção de vias de acesso, sementes melhoradas, maquinaria e o escoamento”, disse o economista.

Para Elcídio Bachita, é necessário que o Governo garanta não só a produção do trigo a nível local, mas também condições para que os próximos projectos de gás natural não estejam virados apenas para a exportação, como a Eni, mas para o abastecimento da economia nacional, reduzindo, assim, a dependência externa existente em relação aos combustíveis.

“Isso vai permitir que o Estado não só se beneficie das receitas provenientes dos projectos de gás natural liquefeito, mas do gás também para o consumo doméstico e para o desenvolvimento industrial. Isso iria reduzir os choques assistidos no mercado internacional que acabam por impactar a nível interno nos preços dos combustíveis”, disse Elcídio Bachita.

O apoio às pequenas e médias empresas, afectadas pela pandemia da COVID-19, é outra área que, segundo o economista Elcídio Bachita, devia ser efectivamente aposta do Governo, conforme prevê o novo programa financeiro do FMI, para uma rápida recuperação da economia nacional.

O valor a ser desembolsado ao país deve ser pago dentro de 10 anos, a uma taxa de juro de zero por cento. “O juro a ser pago é basicamente zero. Existem algumas taxas e isso também é uma questão transparente que pode ser vista na página (electrónica) do Fundo”, explicou o representante residente do FMI em Moçambique, Alexis Meyer-Cirkel.

O valor emprestado ao Estado moçambicano será disponibilizado a partir do próximo mês de Junho, e vai durar um período de três anos, acompanhados de reformas a serem feitas pelo Governo moçambicano, que, na verdade, são a condição do empréstimo.

O primeiro pagamento da dívida pública que acabou de ser contraída deve acontecer daqui a cinco anos e meio, segundo o representante residente do FMI em Moçambique, Alexis Meyer-Cirkel, que falava à imprensa, segunda-feira, em Maputo, após a aprovação da retoma do apoio.

Por seu turno, o Governo espera que o Banco Mundial recomece a financiar o Orçamento de Estado ainda este ano, depois da paragem de seis anos. O valor inicial a ser disponibilizado, de acordo com o ministro da Economia e Finanças, poderá ser de 300 milhões de dólares, quantia confirmada pela directora do banco para Moçambique na última quarta-feira.

“Esperamos para breve que o Banco Mundial já venha directamente apoiar o Orçamento do Estado com o pacote inicial de 300 milhões de dólares, a partir deste ano, e também estamos em processo de mobilização de mais parceiros que precisavam deste sinal para formalizarem os apoios que temos em carteira”, referiu Tonela.

Antiga Primeira-Ministra, Luísa Diogo, defende que o país deve avançar para medidas de aperto mais fortes, mas isso deve ser feito com transparência para garantir maior entendimento dos cidadãos.

Depois de seis anos, Moçambique voltou, em 2022, a beneficiar-se de apoio directo ao Orçamento do Estado, vindo das instituições da Bretton Woods, o FMI e o Banco Mundial.

O FMI é visto como o sinalizador para se aferir o nível de confiabilidade dos países para créditos, daí que, na sequência, o Banco Mundial também anunciou 300 milhões de apoios directos. A condição para isso era que se fizesse uma gestão mais rigorosa da economia moçambicana.

Hoje, a antiga Primeira-Ministra e ministra da Economia, Luísa Diogo, disse não ter dúvida de que, doravante, o Governo vai introduzir reformas rigorosas que podem “ser dolorosas”.

“É melhor anteciparmo-nos que há medidas que são dolorosas, mas cujos resultados valem a pena”, disse Luísa Diogo, incentivando o Governo a continuar com as reformas.

E mais, o retorno do FMI coincide com um momento difícil para o mundo inteiro, com a Rússia e a Ucrânia em guerra, o que implica restrições na exportação do petróleo da Rússia.

Com o facto, começa a haver cada vez menos combustível disponível nos países ou, na melhor das hipóteses, o preço tende a aumentar. Em Moçambique, as gasolineiras já até ameaçaram parar de fornecer combustíveis se o preço não for aumentado este mês.

Luísa Diogo entende que este é um risco que o país não pode correr, porque “seria a pior situação que passaríamos enquanto país”.

Assim sendo, “muitas vezes, o Governo tem de encontrar formas de saber equilibrar as coisas entre os consumidores, os distribuidores e os importadores deste produto fundamental para a nossa economia”, sugeriu a antiga governante.

Ou seja, Luísa Diogo entende que a subida do preço do combustível se integra no rigor da gestão macro-económica, que implica apertos: é inevitável.  Porém, a antiga governante diz que cada uma das medidas deve ser devidamente explicada, isto é, deve-se ser transparente quando o momento da austeridade chegar.

“E não nos cansarmos de explicar, porque é preciso explicar muito. Explicar à e na Assembleia da República e ao público através dos meios de comunicação”, essa é a recomendação que para Diogo tem vantagens, quando se explica o que está a ser feito, ajuda-nos a pensar melhor, ajuda-nos a encontrar melhores soluções e, quando encontramos melhores soluções, corrigimos aqui e acolá e isso ajuda a que o país continue a caminhar”.

E um dos caminhos a serem trilhados agora é procurar financiamentos, aproveitando-se da luz verde dada pelo FMI, mas deve ser um endividamento responsável. O primeiro passo, de acordo com Diogo, é definir uma estratégia de endividamento, na qual “devemos esquecer a dívida comercial, porque não estamos em condições de pagar”. Neste momento, por exemplo, “nós estamos estrangulados por uma dívida comercial terrível, que não tem perdão”.

Ademais, “se nós quiséssemos ir atrás da dívida comercial, não precisávamos do FMI. Agora, temos de nos endividar de acordo com a nossa capacidade de pagar. Temos de potenciar financiamentos do FMI e Banco Mundial, com muitos anos para pagarmos e baixas taxas de juros”, propôs Luísa Diogo.

Luísa Digo falava, hoje, à margem da cerimónia de anúncio dos três vencedores do concurso de startups, promovido pela Total Energies, do qual Diogo é madrinha. A antiga governante mostrou-se orgulhosa em participar e disse acreditar que os projectos têm pernas para andar, olhando para rigor na selecção.

 

Incentivar o pensamento focado na transformação digital com base na realidade moçambicana é a aposta da Movitel na nona edição da Moztech, para qual também traz exposição dos seus serviços e produtos.

A Movitel é uma operadora de telecomunicações móveis que opera no país desde 2012, com sede na Cidade de Maputo. Possui 13 filiais distribuídas pelas 11 províncias, 157 centros distritais e conta com mais de 1.500 trabalhadores directos.

Conhecida por dispor de serviços de internet com alta velocidade, a Movitel está, mais uma vez, na lista dos participantes da feira tecnológica Moztech. E não podia ser diferente, a empresa quer, através da Moztech, despertar a sociedade moçambicana sobre a importância da transformação digital,

“A nossa expectativa como sempre e como temos vindo a dizer nas edições anteriores é trazer o nosso contributo para o país. Estamos a falar aqui do contributo tecnológico que a Movitel traz numa perspectiva de inclusão digital. E, como sabemos, estamos numa era digital e temos que garantir que, com os serviços e produtos que trazemos, garantimos inclusão digital para toda a sociedade moçambicana”, disse Helder Cassimo, director de Marketing e Comunicação da Movitel.

Hélder Cassimo considera que, tal como em outras edições, esta feira tecnológica tem grande contributo para o país em diferentes vetores.

“Sem dúvidas, traz uma grande valia para o país. Vem abrir portas para todos stakeholders apresentarem aquilo que são as suas acções, as suas actividdes, o seu contributo para o país e também vem facilitar o conhecimento ao público e aos diferentes grupos de interesse, que precisem ou necessitem desses serviços inovadores, que são trazidos por esses participantes da feira”, frisou.

No momento em que a transformação digital se configura como uma realidade no mundo em geral, e no país em particular, a fonte destaca ser fundamental envidar mais esforços nas estratégias de divulgação de tudo que facilite a sociedade a inteirar-se nesta dinâmica.

“Há várias formas de continuarmos a fazer com que o público saiba que isto é uma realidade. Os principais factores a considerar é a questão da expansão da infra-estrutura, como forma de facilitar o acesso às tecnologias digitais. Contudo, tendo infra-estrutura disponível em todo o território nacional, conseguimos obviamente garantir que todos tenham acesso às novas tecnologias e, consequentemente, garantirmos que a digitalização atinja todo público moçambicano”, disse.

E é por isso mesmo que Hélder Cassimo considera oportuna a participação da Movitel nesta que é a maior feira tecnológica do país.

“Como uma empresa de sector de comunicações, nós viemos trazer mais-valia ao país, sobretudo para garantir que o público-alvo que atendemos tenha conhecimento dos serviços inovadores que trazemos para o mercado, sobretudo fazer com que os participantes da feira tenham conhecimento e adiram também a esses diferentes serviços. E também é uma forma de estimular a questão da digitalização, a questão da migração digital e, sobretudo, a questão da inclusão para as comunidades moçambicanas”, perspectivou.

Para além de debates, a nona edição da Moztech servirá como um espaço para exposição de ideias, produtos e serviços dos participantes.

A presente edição tem a particularidade de ser a primeira com presença física de espectadores e expositores, depois da interrupção, entre 2020 e 2021, devido às restrições impostas no âmbito da prevenção e combate à pandemia da COVID-19.

O nível de poupança medida pelos depósitos totais efectuados em instituições financeiras a nível nacional situou-se em torno dos 53,0% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano 2021, uma queda face ao ano de 2020, em 1,1 pp, revela o Relatório de Inclusão Financeira 2021 produzido pelo Banco de Moçambique.

De acordo com o documento, a poupança financeira analisada em termos demográficos não fugiu da moda, ao situar-se em 30,2 milhões de Meticais por cada mil pessoas adultas em 2021, contra 32,4 milhões de Meticais observados em 2020, representando, assim, uma redução de 2,9%.

“Com excepção da Província de Maputo, a província de Sofala mostra-se com os níveis elevados, na ordem de 30,8% dos depósitos totais em percentagem do PIB, seguido da província de Manica e Nampula, ambas com 17,1% dos depósitos totais em percentagem do PIB. Os níveis mais baixos evidenciam-se nas províncias da Zambézia e Inhambane, com níveis de poupança financeira de 7,8% e 8,7%, respectivamente”, indica o Relatório de Inclusão Financeira 2021.

Por sua vez, a inclusão financeira, ou seja, o número de pessoas com acesso aos serviços financeiros reduziu no país. Cálculos do Banco de Moçambique indicam que o Índice de Inclusão Financeira Global se situou em 12,76 pontos, em 2021, contra os 13,93 pontos em 2020, uma redução de 1,2 pontos.

“Esta queda resulta, fundamentalmente, da redução dos pontos de acesso (agências bancárias, microbancos e cooperativas de crédito, agentes bancários, ATM e POS), com especial enfoque na Cidade de Maputo, bem como da retracção da actividade económica ao longo do período em análise (efeito COVID-19)”, refere o documento do banco central.

Segundo o regulador do sistema financeiro, a inclusão financeira é essencial para um desenvolvimento económico sustentável, já que estimula a poupança financeira, o financiamento à economia e, consequentemente, a expansão da actividade económica, geração de renda e redução da pobreza.

É também através da inclusão financeira que um país regista o desenvolvimento económico, reduz as desigualdades sociais e melhora o bem-estar da população, considera o Banco de Moçambique.

O documento avança ainda que, em 2021, se observou uma tendência descendente do financiamento bancário no país, avaliado em termos demográficos. Com efeito, por cada mil pessoas adultas, foram concedidos cerca de 14,3 milhões de Meticais, contra 14,7 milhões de Meticais em 2020.

No tocante ao número de agências, agentes e demais representações das instituições financeiras, observou-se uma redução de 2,8% agências bancárias, 11,5% agências de microbancos, 50% de sociedades de investimento e 42.9% cooperativas de crédito, sendo que os agentes de moeda electrónica registaram um aumento considerável de 36.2%, segundo dados recolhidos pelo banco central.

Já o número total de contas bancárias passou de 5,116,741, em 2020, para 5,293,240, em 2021, ou seja, uma subida de 3.4%. Em termos de segregação por género, observa-se uma tendência decrescente na bancarização em ambos os géneros.

“O número total de adultas detentoras de contas bancárias passou de 196 mulheres por 1.000 adultas, em 2020, para 194, em 2021, ou seja, uma redução em duas contas para cada 1000 adultas; já, a população masculina passou a contar com 426 contas por cada 1000 adultos, em 2021, contra 427, em 2020, o que constitui uma redução de uma conta em cada 1000 adultos face a 2020”, refere o relatório.

Segundo o documento, a Cidade de Maputo, como sempre, lidera o nível de bancarização, com 2.153 contas, seguida das províncias de Maputo, Sofala e Gaza, com 413, 352 e 324 contas bancárias, respectivamente, por cada 1000 adultos, em 2021, contra 2.079, 417, 352 e 320 contas por 1000 adultos, em 2020, apontando para uma tendência ascendente de bancarização na Cidade de Maputo e Gaza.

“Zambézia, Nampula e Niassa, com 115, 163 e 183 contas por 1000 adultos, respectivamente, foram as províncias com baixos níveis de bancarização, em 2021, com Niassa a observar ainda uma redução do seu nível de bancarização de 192 contas por 1000 adultos, em 2020, para 183, em 2021, quando as outras duas províncias tiveram um incremento”, lê-se no Relatório de Inclusão Financeira 2021.

 

A empresa de software, PHC vai para a feira de tecnologias, Moztech, apresentar soluções que permitam acelerar o processo da transformação digital no país e conquistar cada vez mais o mercado nacional.

Trata-se da PHC, uma multinacional portuguesa que se dedica ao desenvolvimento de software de gestão. Fundada em 1989, a firma conta com 227 colaboradores e mais de 400 parceiros certificados.

Não é a primeira vez que a PHC participa da feira de tecnologias, Moztech, mas, como sempre, espera que a nona edição supere as anteriores.

 

“Esperamos muita aderência a nível de expositores e público em geral. Que este factor se traduza em soluções, discussões e inovações que permitam acelerar processos da transformação digital em Moçambique no mundo. Esperamos conquistar cada vez mais o mercado nacional”, disse Victor Cau, representante da PHC.

 

Na conferência, a empresa provedora de Software espera conseguir mostrar ao mercado o melhor dos seus produtos e serviços. “Há alguns dados importantes que queremos partilhar aqui, na Moztech, como, por exemplo, o facto de a maior parte, quase 78 por cento das empresas, não ter conhecimento das tecnologias e isso é um grande entrave. A literacia digital está muito fraca no mundo empresarial”, avançou Victor Cau.

 

A IX edição da maior feira tecnológica do país será realizada nos dias 18 e 19 deste mês, em formato híbrido. Deste modo, contará com participações presenciais e virtuais.

Nesta conferência, pretende-se promover a partilha de conhecimentos e experiências sobre os caminhos que poderão contribuir para a aceleração da transformação digital em Moçambique, impactando na economia e na sociedade, tornando-as mais competitivas e rentáveis.

Segurança cibernética, 5G motor da indústria do futuro, cloud computing e plataformas digitais são os principais pontos que serão levados para reflexão.

Além de debates, nos dias 18 e 19 deste mês, a Moztech vai apresentar reportagens, entrevistas e exposição digital sobre várias soluções tecnológicas.

O Presidente da República inaugurou, hoje, quatro cais no Porto de Maputo, recentemente reabilitados e ampliados. Com a reabilitação, os pontos passam a poder receber navios de 140 mil toneladas. Filipe Nyusi desafiou a empresa Portos e Caminhos de Ferros de Moçambique a fazer uma abordagem integrada para aliviar as estradas.

A reinauguração é resultado de um investimento de mais de 70 milhões de dólares que o Porto de Maputo alocou para a reabilitação dos cais 6,7, 8 e 9. O plano era permitir que o porto passasse a receber navios de grande calado em simultâneo. Já é um facto, o Porto de Maputo pode, agora, receber navios de 140 mil toneladas.

Terminadas as obras, que iniciaram em 2021, o Presidente da República, Filipe Nyusi, fez a inauguração. Mas, antes, foi-lhe explicada a importância de cada um dos pontos, numa passeata que fez pelo Porto com o Administrador Delegado do MPDC, Osório Lucas.

Feito isso, Filipe Nyusi deu considerações sobre o que acabara de ver. O Presidente elogiou, e de que maneira, a imponência dos cais, destacando que vai trazer vários ganhos para a economia moçambicana, principalmente por garantir o fluxo de mercadorias, como minérios.

Ainda assim, o Chefe de Estado não ignorou o facto de que, associado à inauguração de cais ampliados no Porto de Maputo, se impõem novos desafios. Por isso, “quero chamar atenção à empresa Portos e Caminhos de Ferros para viabilizar este empreendimento, significa trazer e exportar mais carga e isso é fundamental, se não, será um investimento dependente dos ventos da economia, enquanto o que queremos é a regularidade no nosso funcionamento”, disse Filipe Nyusi.

Mas, mais do que o trabalho do Porto de Maputo, Nyusi exigiu que o sector de logística procure funcionar de forma integrada. Isso tem razão de ser no facto de as estradas estarem a ser pressionadas pela carga que é manuseada pelo Porto de Maputo e outros.

Por exemplo, de acordo com os dados do Ministério dos Transportes e Comunicações, das 22.3 mil toneladas de carga manuseada no ano passado, 70% foi transporte rodoviário, ficando apenas 30% para o ferroviário.

Ainda no discurso de ocasião, o Presidente da República disse que é preciso que se adopte uma nova abordagem, à luz da qual as modalidades de transportes são elementos de integração no corredor de Maputo e nas cadeias de valor nacionais.

“Eu falei da necessidade de integração, porque há vezes que pensamos que ‘isso é do município, aquilo é do Governo ou do Porto’, esquecemos que essas coisas se interligam. Maputo é uma cidade, assim como Matola o é. Então, tem de haver actividades bem pensadas e conjuntas e talvez comparticipadas para melhorar a própria produção nesta cidade, na Beira e em Nacala”, disse Nyusi.

Com a nova capacidade instalada no Porto de Maputo, Filipe Nyusi acredita que se abre uma janela para que Moçambique continue a ser um actor cada vez mais relevante na área de logística a nível da região e não só. Por isso mesmo, deve-se “manter a nossa posição geoestratégica, trazendo soluções logísticas atractivas em comparação com outros portos que enfrentam problemas de congestionamento”, frisou.

A perspectiva do Presidente da República surge numa situação em que o Porto de Maputo é o maior do país e um dos mais relevantes da região. Desde 2003, o Porto de Maputo é gerido pelo MPDC e, ainda hoje, Nyusi destacou a aprovação, em Março, do decreto que alarga a área de concessão para o MPDC, passando de 140 para 238 hectares.

A ideia é garantir uma série de investimentos que estão em linha com a estratégia do porto, nomeadamente, o aumento da capacidade ferroviária para manuseamento de crómio de 2.2 para 4.2 milhões de toneladas por ano, novas áreas de armazenamento, através da reclamação de terra ao mar, expansão da área para armazenamento de carvão e magnetite na Terminal de Carvão da Matola dos actuais 7.3 para 12 milhões de toneladas/ano e a harmonização do terminal de cabotagem, aumentando a disponibilidade de cais ao serviço da navegação de cabotagem.

“Foi difícil ceder apenas a uma empresa para que não seja monopólio, mas acreditamos que tem sido impressa, vai ser mais-valia para Moçambique”, explicou o Presidente da República.

E mais, o Chefe de Estado reconhece que, num cenário em que o país saiu dos efeitos nefastos da COVID-19 e mesmo assim há investimentos a serem feitos, é importante que o Governo se faça presente.

“Queremos, por isso, reiterar o papel orientador do Ministério dos Transportes e Comunicações e vivamente manifestar a nossa saudação à MPDC e aos CFM pelo empreendimento, pois emite o sinal claro de uma gestão orientada para resultados de médio e longo prazos, numa óptica de desenvolvimento estrutural, a despeito de situações conjunturais adversas”, disse. 

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