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Já estão reabertas as portas para Moçambique voltar a ter acesso ao mercado financeiro internacional, do qual o Governo vai buscar dinheiro, preferencialmente, a taxas de juro relativamente baixas para cobrir o défice do Orçamento do Estado.

Depois de cerca de seis anos na lista negra do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e de outras instituições e países, o Executivo voltou a receber, na última segunda-feira, um voto de confiança do seu principal parceiro financeiro, o FMI.

Numa primeira fase, o Fundo Monetário aprovou um financiamento global para Moçambique de cerca de 456 milhões de dólares norte-americanos, dos cerca de 470 milhões de dólares que estavam disponíveis, segundo a instituição financeira internacional.

Do valor global aprovado, cerca de 91 milhões de dólares ficaram imediatamente disponíveis para o desembolso ao Executivo moçambicano.

Segundo o FMI, o novo programa inclui mais reformas de governança, reforçando a estrutura de combate à lavagem de dinheiro e criando um fundo soberano.

No fundo, o objectivo do acordo entre o Governo e o FMI é permitir a recuperação da economia nacional e a introdução de políticas para a reduzir a dívida pública, actualmente insustentável, criando espaço para investimentos em capital humano, adaptação ao clima e infra-estruturas.

“O programa apoia a ambiciosa agenda de reformas das autoridades, com as principais acções políticas focadas no estabelecimento de um fundo soberano para gerir, de forma transparente, a riqueza do gás natural liquefeito (GNL)”, refere uma nota do Fundo Monetário Internacional.

No entanto, o Fundo considera que os riscos permanecem significativos no país, inclusive devido a questões de segurança, altos níveis de dívida e vulnerabilidade a desastres naturais.

O Fundo Monetário espera que o crescimento do país, excluindo a indústria extractiva, aumente para cerca de 4,0% ao ano. Incluindo os grandes projectos de gás natural liquefeito (GNL) que devem começar a produção no fim deste ano, as taxas de crescimento irão aumentar ainda mais.

Um dos pressupostos tomados em conta pelo FMI para a retoma do financiamento ao Orçamento do Estado é o facto de a economia ter regredido 1,2% em 2020, a primeira recessão em 30 anos. Entretanto, o crescimento foi retomado em 2021 e agora está a tornar-se mais amplo.

“Embora os casos e as mortes por COVID-19 tenham ficado abaixo das médias regionais, três grandes ondas de infecções em 2021 e 2022 abrandaram a força da recuperação”, diz o FMI e adiciona que a crise agravou a pobreza que atingia 61,9% da população em 2019 e 63,3% em 2020.

O FMI entende que mais progressos na governação e reformas que reduzam as vulnerabilidades à corrupção são importantes para melhorar o ambiente empresarial e promover uma redução duradoura e inclusiva dos desequilíbrios existentes na sociedade.

“Dada à alta vulnerabilidade de Moçambique a desastres naturais, o foco na construção de resiliência climática também será crítico”, defende a instituição financeira internacional.

Para o economista Elcídio Bachita, a retoma do FMI é uma oportunidade para o Governo usar os recursos desembolsados para criar alguma auto-suficiência dentro da economia, reduzindo, assim, a dependência externa, particularmente no sector da agricultura e nos combustíveis.

“Esses recursos devem ser usados para diversificar a economia, apostando mais na agricultura, um sector que precisa de investimentos em todas as áreas, tais como, pesquisa, construção de vias de acesso, sementes melhoradas, maquinaria e o escoamento”, disse o economista.

Para Elcídio Bachita, é necessário que o Governo garanta não só a produção do trigo a nível local, mas também condições para que os próximos projectos de gás natural não estejam virados apenas para a exportação, como a Eni, mas para o abastecimento da economia nacional, reduzindo, assim, a dependência externa existente em relação aos combustíveis.

“Isso vai permitir que o Estado não só se beneficie das receitas provenientes dos projectos de gás natural liquefeito, mas do gás também para o consumo doméstico e para o desenvolvimento industrial. Isso iria reduzir os choques assistidos no mercado internacional que acabam por impactar a nível interno nos preços dos combustíveis”, disse Elcídio Bachita.

O apoio às pequenas e médias empresas, afectadas pela pandemia da COVID-19, é outra área que, segundo o economista Elcídio Bachita, devia ser efectivamente aposta do Governo, conforme prevê o novo programa financeiro do FMI, para uma rápida recuperação da economia nacional.

O valor a ser desembolsado ao país deve ser pago dentro de 10 anos, a uma taxa de juro de zero por cento. “O juro a ser pago é basicamente zero. Existem algumas taxas e isso também é uma questão transparente que pode ser vista na página (electrónica) do Fundo”, explicou o representante residente do FMI em Moçambique, Alexis Meyer-Cirkel.

O valor emprestado ao Estado moçambicano será disponibilizado a partir do próximo mês de Junho, e vai durar um período de três anos, acompanhados de reformas a serem feitas pelo Governo moçambicano, que, na verdade, são a condição do empréstimo.

O primeiro pagamento da dívida pública que acabou de ser contraída deve acontecer daqui a cinco anos e meio, segundo o representante residente do FMI em Moçambique, Alexis Meyer-Cirkel, que falava à imprensa, segunda-feira, em Maputo, após a aprovação da retoma do apoio.

Por seu turno, o Governo espera que o Banco Mundial recomece a financiar o Orçamento de Estado ainda este ano, depois da paragem de seis anos. O valor inicial a ser disponibilizado, de acordo com o ministro da Economia e Finanças, poderá ser de 300 milhões de dólares, quantia confirmada pela directora do banco para Moçambique na última quarta-feira.

“Esperamos para breve que o Banco Mundial já venha directamente apoiar o Orçamento do Estado com o pacote inicial de 300 milhões de dólares, a partir deste ano, e também estamos em processo de mobilização de mais parceiros que precisavam deste sinal para formalizarem os apoios que temos em carteira”, referiu Tonela.

Antiga Primeira-Ministra, Luísa Diogo, defende que o país deve avançar para medidas de aperto mais fortes, mas isso deve ser feito com transparência para garantir maior entendimento dos cidadãos.

Depois de seis anos, Moçambique voltou, em 2022, a beneficiar-se de apoio directo ao Orçamento do Estado, vindo das instituições da Bretton Woods, o FMI e o Banco Mundial.

O FMI é visto como o sinalizador para se aferir o nível de confiabilidade dos países para créditos, daí que, na sequência, o Banco Mundial também anunciou 300 milhões de apoios directos. A condição para isso era que se fizesse uma gestão mais rigorosa da economia moçambicana.

Hoje, a antiga Primeira-Ministra e ministra da Economia, Luísa Diogo, disse não ter dúvida de que, doravante, o Governo vai introduzir reformas rigorosas que podem “ser dolorosas”.

“É melhor anteciparmo-nos que há medidas que são dolorosas, mas cujos resultados valem a pena”, disse Luísa Diogo, incentivando o Governo a continuar com as reformas.

E mais, o retorno do FMI coincide com um momento difícil para o mundo inteiro, com a Rússia e a Ucrânia em guerra, o que implica restrições na exportação do petróleo da Rússia.

Com o facto, começa a haver cada vez menos combustível disponível nos países ou, na melhor das hipóteses, o preço tende a aumentar. Em Moçambique, as gasolineiras já até ameaçaram parar de fornecer combustíveis se o preço não for aumentado este mês.

Luísa Diogo entende que este é um risco que o país não pode correr, porque “seria a pior situação que passaríamos enquanto país”.

Assim sendo, “muitas vezes, o Governo tem de encontrar formas de saber equilibrar as coisas entre os consumidores, os distribuidores e os importadores deste produto fundamental para a nossa economia”, sugeriu a antiga governante.

Ou seja, Luísa Diogo entende que a subida do preço do combustível se integra no rigor da gestão macro-económica, que implica apertos: é inevitável.  Porém, a antiga governante diz que cada uma das medidas deve ser devidamente explicada, isto é, deve-se ser transparente quando o momento da austeridade chegar.

“E não nos cansarmos de explicar, porque é preciso explicar muito. Explicar à e na Assembleia da República e ao público através dos meios de comunicação”, essa é a recomendação que para Diogo tem vantagens, quando se explica o que está a ser feito, ajuda-nos a pensar melhor, ajuda-nos a encontrar melhores soluções e, quando encontramos melhores soluções, corrigimos aqui e acolá e isso ajuda a que o país continue a caminhar”.

E um dos caminhos a serem trilhados agora é procurar financiamentos, aproveitando-se da luz verde dada pelo FMI, mas deve ser um endividamento responsável. O primeiro passo, de acordo com Diogo, é definir uma estratégia de endividamento, na qual “devemos esquecer a dívida comercial, porque não estamos em condições de pagar”. Neste momento, por exemplo, “nós estamos estrangulados por uma dívida comercial terrível, que não tem perdão”.

Ademais, “se nós quiséssemos ir atrás da dívida comercial, não precisávamos do FMI. Agora, temos de nos endividar de acordo com a nossa capacidade de pagar. Temos de potenciar financiamentos do FMI e Banco Mundial, com muitos anos para pagarmos e baixas taxas de juros”, propôs Luísa Diogo.

Luísa Digo falava, hoje, à margem da cerimónia de anúncio dos três vencedores do concurso de startups, promovido pela Total Energies, do qual Diogo é madrinha. A antiga governante mostrou-se orgulhosa em participar e disse acreditar que os projectos têm pernas para andar, olhando para rigor na selecção.

 

Incentivar o pensamento focado na transformação digital com base na realidade moçambicana é a aposta da Movitel na nona edição da Moztech, para qual também traz exposição dos seus serviços e produtos.

A Movitel é uma operadora de telecomunicações móveis que opera no país desde 2012, com sede na Cidade de Maputo. Possui 13 filiais distribuídas pelas 11 províncias, 157 centros distritais e conta com mais de 1.500 trabalhadores directos.

Conhecida por dispor de serviços de internet com alta velocidade, a Movitel está, mais uma vez, na lista dos participantes da feira tecnológica Moztech. E não podia ser diferente, a empresa quer, através da Moztech, despertar a sociedade moçambicana sobre a importância da transformação digital,

“A nossa expectativa como sempre e como temos vindo a dizer nas edições anteriores é trazer o nosso contributo para o país. Estamos a falar aqui do contributo tecnológico que a Movitel traz numa perspectiva de inclusão digital. E, como sabemos, estamos numa era digital e temos que garantir que, com os serviços e produtos que trazemos, garantimos inclusão digital para toda a sociedade moçambicana”, disse Helder Cassimo, director de Marketing e Comunicação da Movitel.

Hélder Cassimo considera que, tal como em outras edições, esta feira tecnológica tem grande contributo para o país em diferentes vetores.

“Sem dúvidas, traz uma grande valia para o país. Vem abrir portas para todos stakeholders apresentarem aquilo que são as suas acções, as suas actividdes, o seu contributo para o país e também vem facilitar o conhecimento ao público e aos diferentes grupos de interesse, que precisem ou necessitem desses serviços inovadores, que são trazidos por esses participantes da feira”, frisou.

No momento em que a transformação digital se configura como uma realidade no mundo em geral, e no país em particular, a fonte destaca ser fundamental envidar mais esforços nas estratégias de divulgação de tudo que facilite a sociedade a inteirar-se nesta dinâmica.

“Há várias formas de continuarmos a fazer com que o público saiba que isto é uma realidade. Os principais factores a considerar é a questão da expansão da infra-estrutura, como forma de facilitar o acesso às tecnologias digitais. Contudo, tendo infra-estrutura disponível em todo o território nacional, conseguimos obviamente garantir que todos tenham acesso às novas tecnologias e, consequentemente, garantirmos que a digitalização atinja todo público moçambicano”, disse.

E é por isso mesmo que Hélder Cassimo considera oportuna a participação da Movitel nesta que é a maior feira tecnológica do país.

“Como uma empresa de sector de comunicações, nós viemos trazer mais-valia ao país, sobretudo para garantir que o público-alvo que atendemos tenha conhecimento dos serviços inovadores que trazemos para o mercado, sobretudo fazer com que os participantes da feira tenham conhecimento e adiram também a esses diferentes serviços. E também é uma forma de estimular a questão da digitalização, a questão da migração digital e, sobretudo, a questão da inclusão para as comunidades moçambicanas”, perspectivou.

Para além de debates, a nona edição da Moztech servirá como um espaço para exposição de ideias, produtos e serviços dos participantes.

A presente edição tem a particularidade de ser a primeira com presença física de espectadores e expositores, depois da interrupção, entre 2020 e 2021, devido às restrições impostas no âmbito da prevenção e combate à pandemia da COVID-19.

O nível de poupança medida pelos depósitos totais efectuados em instituições financeiras a nível nacional situou-se em torno dos 53,0% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano 2021, uma queda face ao ano de 2020, em 1,1 pp, revela o Relatório de Inclusão Financeira 2021 produzido pelo Banco de Moçambique.

De acordo com o documento, a poupança financeira analisada em termos demográficos não fugiu da moda, ao situar-se em 30,2 milhões de Meticais por cada mil pessoas adultas em 2021, contra 32,4 milhões de Meticais observados em 2020, representando, assim, uma redução de 2,9%.

“Com excepção da Província de Maputo, a província de Sofala mostra-se com os níveis elevados, na ordem de 30,8% dos depósitos totais em percentagem do PIB, seguido da província de Manica e Nampula, ambas com 17,1% dos depósitos totais em percentagem do PIB. Os níveis mais baixos evidenciam-se nas províncias da Zambézia e Inhambane, com níveis de poupança financeira de 7,8% e 8,7%, respectivamente”, indica o Relatório de Inclusão Financeira 2021.

Por sua vez, a inclusão financeira, ou seja, o número de pessoas com acesso aos serviços financeiros reduziu no país. Cálculos do Banco de Moçambique indicam que o Índice de Inclusão Financeira Global se situou em 12,76 pontos, em 2021, contra os 13,93 pontos em 2020, uma redução de 1,2 pontos.

“Esta queda resulta, fundamentalmente, da redução dos pontos de acesso (agências bancárias, microbancos e cooperativas de crédito, agentes bancários, ATM e POS), com especial enfoque na Cidade de Maputo, bem como da retracção da actividade económica ao longo do período em análise (efeito COVID-19)”, refere o documento do banco central.

Segundo o regulador do sistema financeiro, a inclusão financeira é essencial para um desenvolvimento económico sustentável, já que estimula a poupança financeira, o financiamento à economia e, consequentemente, a expansão da actividade económica, geração de renda e redução da pobreza.

É também através da inclusão financeira que um país regista o desenvolvimento económico, reduz as desigualdades sociais e melhora o bem-estar da população, considera o Banco de Moçambique.

O documento avança ainda que, em 2021, se observou uma tendência descendente do financiamento bancário no país, avaliado em termos demográficos. Com efeito, por cada mil pessoas adultas, foram concedidos cerca de 14,3 milhões de Meticais, contra 14,7 milhões de Meticais em 2020.

No tocante ao número de agências, agentes e demais representações das instituições financeiras, observou-se uma redução de 2,8% agências bancárias, 11,5% agências de microbancos, 50% de sociedades de investimento e 42.9% cooperativas de crédito, sendo que os agentes de moeda electrónica registaram um aumento considerável de 36.2%, segundo dados recolhidos pelo banco central.

Já o número total de contas bancárias passou de 5,116,741, em 2020, para 5,293,240, em 2021, ou seja, uma subida de 3.4%. Em termos de segregação por género, observa-se uma tendência decrescente na bancarização em ambos os géneros.

“O número total de adultas detentoras de contas bancárias passou de 196 mulheres por 1.000 adultas, em 2020, para 194, em 2021, ou seja, uma redução em duas contas para cada 1000 adultas; já, a população masculina passou a contar com 426 contas por cada 1000 adultos, em 2021, contra 427, em 2020, o que constitui uma redução de uma conta em cada 1000 adultos face a 2020”, refere o relatório.

Segundo o documento, a Cidade de Maputo, como sempre, lidera o nível de bancarização, com 2.153 contas, seguida das províncias de Maputo, Sofala e Gaza, com 413, 352 e 324 contas bancárias, respectivamente, por cada 1000 adultos, em 2021, contra 2.079, 417, 352 e 320 contas por 1000 adultos, em 2020, apontando para uma tendência ascendente de bancarização na Cidade de Maputo e Gaza.

“Zambézia, Nampula e Niassa, com 115, 163 e 183 contas por 1000 adultos, respectivamente, foram as províncias com baixos níveis de bancarização, em 2021, com Niassa a observar ainda uma redução do seu nível de bancarização de 192 contas por 1000 adultos, em 2020, para 183, em 2021, quando as outras duas províncias tiveram um incremento”, lê-se no Relatório de Inclusão Financeira 2021.

 

A empresa de software, PHC vai para a feira de tecnologias, Moztech, apresentar soluções que permitam acelerar o processo da transformação digital no país e conquistar cada vez mais o mercado nacional.

Trata-se da PHC, uma multinacional portuguesa que se dedica ao desenvolvimento de software de gestão. Fundada em 1989, a firma conta com 227 colaboradores e mais de 400 parceiros certificados.

Não é a primeira vez que a PHC participa da feira de tecnologias, Moztech, mas, como sempre, espera que a nona edição supere as anteriores.

 

“Esperamos muita aderência a nível de expositores e público em geral. Que este factor se traduza em soluções, discussões e inovações que permitam acelerar processos da transformação digital em Moçambique no mundo. Esperamos conquistar cada vez mais o mercado nacional”, disse Victor Cau, representante da PHC.

 

Na conferência, a empresa provedora de Software espera conseguir mostrar ao mercado o melhor dos seus produtos e serviços. “Há alguns dados importantes que queremos partilhar aqui, na Moztech, como, por exemplo, o facto de a maior parte, quase 78 por cento das empresas, não ter conhecimento das tecnologias e isso é um grande entrave. A literacia digital está muito fraca no mundo empresarial”, avançou Victor Cau.

 

A IX edição da maior feira tecnológica do país será realizada nos dias 18 e 19 deste mês, em formato híbrido. Deste modo, contará com participações presenciais e virtuais.

Nesta conferência, pretende-se promover a partilha de conhecimentos e experiências sobre os caminhos que poderão contribuir para a aceleração da transformação digital em Moçambique, impactando na economia e na sociedade, tornando-as mais competitivas e rentáveis.

Segurança cibernética, 5G motor da indústria do futuro, cloud computing e plataformas digitais são os principais pontos que serão levados para reflexão.

Além de debates, nos dias 18 e 19 deste mês, a Moztech vai apresentar reportagens, entrevistas e exposição digital sobre várias soluções tecnológicas.

O Presidente da República inaugurou, hoje, quatro cais no Porto de Maputo, recentemente reabilitados e ampliados. Com a reabilitação, os pontos passam a poder receber navios de 140 mil toneladas. Filipe Nyusi desafiou a empresa Portos e Caminhos de Ferros de Moçambique a fazer uma abordagem integrada para aliviar as estradas.

A reinauguração é resultado de um investimento de mais de 70 milhões de dólares que o Porto de Maputo alocou para a reabilitação dos cais 6,7, 8 e 9. O plano era permitir que o porto passasse a receber navios de grande calado em simultâneo. Já é um facto, o Porto de Maputo pode, agora, receber navios de 140 mil toneladas.

Terminadas as obras, que iniciaram em 2021, o Presidente da República, Filipe Nyusi, fez a inauguração. Mas, antes, foi-lhe explicada a importância de cada um dos pontos, numa passeata que fez pelo Porto com o Administrador Delegado do MPDC, Osório Lucas.

Feito isso, Filipe Nyusi deu considerações sobre o que acabara de ver. O Presidente elogiou, e de que maneira, a imponência dos cais, destacando que vai trazer vários ganhos para a economia moçambicana, principalmente por garantir o fluxo de mercadorias, como minérios.

Ainda assim, o Chefe de Estado não ignorou o facto de que, associado à inauguração de cais ampliados no Porto de Maputo, se impõem novos desafios. Por isso, “quero chamar atenção à empresa Portos e Caminhos de Ferros para viabilizar este empreendimento, significa trazer e exportar mais carga e isso é fundamental, se não, será um investimento dependente dos ventos da economia, enquanto o que queremos é a regularidade no nosso funcionamento”, disse Filipe Nyusi.

Mas, mais do que o trabalho do Porto de Maputo, Nyusi exigiu que o sector de logística procure funcionar de forma integrada. Isso tem razão de ser no facto de as estradas estarem a ser pressionadas pela carga que é manuseada pelo Porto de Maputo e outros.

Por exemplo, de acordo com os dados do Ministério dos Transportes e Comunicações, das 22.3 mil toneladas de carga manuseada no ano passado, 70% foi transporte rodoviário, ficando apenas 30% para o ferroviário.

Ainda no discurso de ocasião, o Presidente da República disse que é preciso que se adopte uma nova abordagem, à luz da qual as modalidades de transportes são elementos de integração no corredor de Maputo e nas cadeias de valor nacionais.

“Eu falei da necessidade de integração, porque há vezes que pensamos que ‘isso é do município, aquilo é do Governo ou do Porto’, esquecemos que essas coisas se interligam. Maputo é uma cidade, assim como Matola o é. Então, tem de haver actividades bem pensadas e conjuntas e talvez comparticipadas para melhorar a própria produção nesta cidade, na Beira e em Nacala”, disse Nyusi.

Com a nova capacidade instalada no Porto de Maputo, Filipe Nyusi acredita que se abre uma janela para que Moçambique continue a ser um actor cada vez mais relevante na área de logística a nível da região e não só. Por isso mesmo, deve-se “manter a nossa posição geoestratégica, trazendo soluções logísticas atractivas em comparação com outros portos que enfrentam problemas de congestionamento”, frisou.

A perspectiva do Presidente da República surge numa situação em que o Porto de Maputo é o maior do país e um dos mais relevantes da região. Desde 2003, o Porto de Maputo é gerido pelo MPDC e, ainda hoje, Nyusi destacou a aprovação, em Março, do decreto que alarga a área de concessão para o MPDC, passando de 140 para 238 hectares.

A ideia é garantir uma série de investimentos que estão em linha com a estratégia do porto, nomeadamente, o aumento da capacidade ferroviária para manuseamento de crómio de 2.2 para 4.2 milhões de toneladas por ano, novas áreas de armazenamento, através da reclamação de terra ao mar, expansão da área para armazenamento de carvão e magnetite na Terminal de Carvão da Matola dos actuais 7.3 para 12 milhões de toneladas/ano e a harmonização do terminal de cabotagem, aumentando a disponibilidade de cais ao serviço da navegação de cabotagem.

“Foi difícil ceder apenas a uma empresa para que não seja monopólio, mas acreditamos que tem sido impressa, vai ser mais-valia para Moçambique”, explicou o Presidente da República.

E mais, o Chefe de Estado reconhece que, num cenário em que o país saiu dos efeitos nefastos da COVID-19 e mesmo assim há investimentos a serem feitos, é importante que o Governo se faça presente.

“Queremos, por isso, reiterar o papel orientador do Ministério dos Transportes e Comunicações e vivamente manifestar a nossa saudação à MPDC e aos CFM pelo empreendimento, pois emite o sinal claro de uma gestão orientada para resultados de médio e longo prazos, numa óptica de desenvolvimento estrutural, a despeito de situações conjunturais adversas”, disse. 

O Banco Mundial afirmou, hoje, durante uma reunião com o ministro da Economia e Finanças, que o primeiro pacote de financiamento ao Orçamento do Estado deverá ser aprovado até 30 de Junho do ano corrente. Segundo a instituição, as reformas a serem feitas pelo Governo é que vão ditar a amortização da dívida.

Depois do Fundo Monetário Internacional, esta quarta-feira foi a vez de o Banco Mundial vir a público confirmar um pacote inicial de 300 milhões de dólares, que já este ano serão alocados ao financiamento directo ao Orçamento do Estado.

De acordo com a directora da instituição no país, o valor deverá ser aprovado pelo Conselho de Administração do Banco até ao fim de Junho deste ano. Embora acredite que o apoio seja autorizado, Idah Pswarayi destacou a importância da conclusão das reformas que o Governo moçambicano tem estado a desenvolver para recuperar a confiança dos parceiros internacionais.

“A continuidade em torno da transparência e da governação. Este é o aspecto muito questionado pela sociedade civil e pelas pessoas. A segunda reforma é sobre como localizar e apoiar aquelas pessoas vulneráveis. Aquela população que vive em situação de extrema pobreza e que nós queremos ajudar e dar a direcção”, informou Idah Pswarayi, directora do Banco Mundial para Moçambique.

A representante do banco regulador internacional informou ainda que estão em discussão mais dois financiamentos directos ao Orçamento do Estado nos próximos dois anos (2023-2024), num valor ainda não especificado, e que será definido em função das reformas do Governo, com destaque para transparência nas contas e governação.

O Banco Mundial avançou que está a finalizar um projecto em coordenação com o Governo que visa promover o desenvolvimento do país.

“Nós temos vários projectos através dos quais ajudamos a população e o Governo, para promover o desenvolvimento. Neste momento, estamos no processo de finalizar o nosso compromisso com o país, especificamente Moçambique, que nós chamamos de ‘Trabalho de Enquadramento da Parceria Nacional’”, avançou a directora.

Na ocasião, a directora do Banco Mundial afirmou, também, que tem mais 550 milhões de dólares norte-americanos para investir em vários sectores, com destaque para infra-estruturas, educação, energia e saúde.

O Banco Mundial faz parte dos parceiros internacionais que suspenderam ajuda financeira ao país, na sequência do escândalo das dívidas ocultas.

Arranca no dia 18 de Maio corrente a nona edição da maior feira nacional de tecnologia. A empresa de informática especializada em programação, BCX vai, mais uma vez, participar na Moztech para apresentar a eficiência dos seus serviços no mercado nacional.

Já passaram oito edições, nas quais vários participantes trouxeram reflexões que contribuíram para o desenvolvimento do país. E, na sua IX edição, a maior feira nacional de tecnologia, Moztech, contará com a participação física e virtual de inúmeros intervenientes em debates e exposição de ideias, produtos e serviços.

Consta da lista dos participantes a Business Connexion, uma empresa sul-africana que promove serviços de terceirização, outsourcing e garantia do fornecedor ao usuário final, que actua no mercado nacional desde 2005 e conta com uma vasta experiência na maior feira nacional de tecnologia. Para esta nona edição, a corporação já há expectativas.

“É uma feira que vai servir de janela para ver aquilo que acontece no mundo sob o ponto de vista tecnológico e a BCX tem de participar. A nossa expectativa é estar lá e fazer um showcase sobre o que está a acontecer em Moçambique e no mundo”, disse Emilio Jorge, director-geral da BCX Mozambique.

A Moztech destaca-se pelo contributo para o ramo da tecnologia no país e, por isso, a empresa defende a necessidade de explorar ao máximo a oportunidade.

“As empresas têm que tomar uma decisão muito profunda. Aceitar e encarrar a transformação digital como uma forma de alavancar os seus processos de negócios ou então ficar por trás e perder as oportunidades que o mercado possa trazer”, reiterou o director-geral.

A IX edição da maior feira de tecnologias de Moçambique, a MOZTECH, realizada pela FUNDASO, terá lugar de 18 a 19 de Maio corrente.

Cerca de 1,1 mil milhões de dólares serão investidos no Porto de Maputo, o que vai aumentar a carga manuseada na infra-estrutura de 22,3 milhões de toneladas registadas em 2021 para cerca de 54 milhões de toneladas em 2043.

Face às dinâmicas actuais do mercado, o Porto de Maputo decidiu actualizar o seu Plano Director e o documento que vai guiar a evolução da infra-estrutura foi apresentado, hoje, numa conferência realizada na Cidade de Maputo.

De agora até 2043, as ambições do Porto de Maputo aumentam, e espera-se que o volume de carga manuseada mais do que duplique.

“O cenário provável projecta um crescimento na ordem de 42 milhões de toneladas para o ano de 2033 e 54 milhões de toneladas para serem manuseadas em 2043”, explicou o director de Desenvolvimento do MPDC, Paulo Mata, concessionária do Porto de Maputo.

Em termos de investimentos, daqui até 2033, estão projectados cerca de 700 milhões de dólares nas infra-estruturas portuárias, enquanto de 2033 até 2043, espera-se que os investimentos atinjam 442 milhões de dólares norte-americanos.

Segundo o Porto de Maputo, a taxa média de crescimento da carga manuseada na infra-estrutura durante o período em análise será de 4%.

O Plano Director do Porto de Maputo prevê, ainda, a continuação do uso das estradas por camiões de carga, mas com alguma melhoria no congestionamento.

“Há uma perspectiva de envolver os parceiros logísticos do Porto de Maputo, nomeadamente, os municípios, da concessionária responsável pela gestão da estrada que liga o Porto de Maputo e a África do Sul. Dá para perceber que existem planos de expansão e intervenção ao longo da EN4, o que vai garantir maior fluidez e menos congestionamento na ligação entre o porto e os países do interland”, referiu Mata.

No evento no qual foi apresentado o Plano Director, o ministro dos Transportes e Comunicações disse que o crescimento da carga manuseada no Porto de Maputo não pode ser feito à custa das estradas do país e da sobrecarga das infra-estruturas rodoviárias.

Segundo o ministro Janfar Abdulai, em 2019, o Porto de Maputo recebia 15% da carga ferroviária e, hoje, a carga transportada através da mesma via totaliza quase 30% da total manuseada no local.

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