O País – A verdade como notícia

O ministro da Economia e Finanças anunciou, ontem, um subsídio de 50 milhões de dólares para travar a subida da tarifa do transporte semi-colectivo de passageiros durante seis meses. Max Tonela avançou, também, que o Governo mobilizou 85 milhões de dólares para as famílias desfavorecidas face ao actual custo de vida.

A informação foi avançada no âmbito da visita do director para o departamento africano no Fundo Monetário Internacional a Moçambique.

O representante da instituição manteve, ontem, um encontro com o Presidente da República. Na ocasião, Filipe Nyusi manifestou a sua preocupação em relação à situação da Estrada Nacional Número Um, apontando-a como uma via prioritária para a dinamização da economia nacional.

Depois de o presidente do Conselho de Administração da Agência Metropolitana de Transportes ter anunciado 40 milhões de dólares para subsidiar o transporte público, o ministro da Economia e Finanças trouxe novos dados.

“O Governo mobilizou recursos para assegurar que haja uma estabilidade dos preços nos transportes públicos. Temos já 50 milhões de dólares para este fim e, em resultado, esperamos que, mesmo na eventualidade, incrementos internacionais em termos de preços estejam a ser voláteis e que as populações estejam protegidas”, disse Max Tonela, ministro da economia e finanças.

E é pensando na protecção das populações que o Executivo foi à busca de financiamento para as famílias menos favorecidas.

“Temos cerca de 85 milhões de dólares norte-americanos para aumentar o espaço fiscal para o Estado financiar as famílias mais desfavorecidas, aumentado o número de agregados familiares, bem como o valor atribuído por famílias”, avançou Max Tonela, ministro da Economia e Finanças.

O Ministro da Economia e Finanças falava, no seu gabinete, numa conferência de imprensa conjunta, com o director para o departamento africano no Fundo Monetário Internacional, que visita o país no âmbito do reconhecimento de reformas que estão a ser feitas pelo Governo.

Terminou, hoje, a quarta edição da Mozgrow. A secção de exposição continuou a ser a grande atracção desta quarta edição da feira. Havia de tudo, desde sementes, passando por tecnologia agrícola até produtos prontos para a degustação no local. O espaço também serviu para firmar parcerias. No último dia do evento, o Governo da Província de Maputo quis ir ver de perto.

Júlio Parruque, governador da Província de Maputo, decidiu não perder a oportunidade de ver as potencialidades expostas na feira. À chegada, antes de mais nada, decidiu visitar a exposição. Interagiu com produtores de diferentes províncias. Uma frase que era sua tónica é: “façam intercâmbio com a Província de Maputo”. Fê-lo quando foi falar com produtores de tomate de Gaza.

Visitada a exposição, Júlio Parruque mostrou-se satisfeito e esperançoso em relação ao futuro de Moçambique. É que, para ele, “feiras como esta ajudam a fazer com que Moçambique cumpra o que está plasmado na Constituição da República, que é que a agricultura seja a base do desenvolvimento de Moçambique”.

Júlio Parruque fez-se também ao interior da tenda, visitou vários stands e foi até à sala onde decorriam os grandes debates.

EXPOSIÇÃO DA MOZGROW: A GRANDE ATRACÇÃO DESTA EDIÇÃO

De cima, via-se um parque cheio de viaturas e embaixo encontra-se a razão que atraiu tanta gente à Arena 3D, na KaTembe, nos últimos dois dias. É a quarta edição da maior montra do agro-negócio no país e os expositores não quiseram defraudar, levaram o melhor que fazem e não fazem pouco.

Havia, na KaTembe, produtores de todas as idades. Encontrámos um jovem de 24 anos de idade. Ele é técnico agro-pecuário.

Depois da formação, Álvaro Abudo não teve emprego e decidiu juntar-se a uma parceira para abrir a Agrota, uma empresa de jardinagem e consultoria agrícola. No mercado há oito meses, a Agrota ganhou maior relevância nesta exposição da Mozgrow. “Conseguimos mais clientes para jardinagem e outros serviços que temos.”

Porém, não é só o jovem Álvaro, há outros produtores que, ainda no decorrer da exposição, já colhiam frutos da sua participação. Prova disso era a troca de cartões e compras que eram feitas no grande pátio da Arena 3D.

Uma das grandes atracções era um sistema de irrigação da Honda, montado de tal maneira que pareça não ter nenhum ponto de suporte. Isso atraiu vários curiosos. A fabricante, a Honda, diz que mais do que atrair curiosos, o seu stand teve um grande impacto na criação de novas parcerias. “As pessoas procuram quase todo o nosso equipamento, desde motobombas, motorizadas e outros.”

Ligado também à irrigação, estava a Savannah, empresa de produção de tubos que colhe bons frutos. E não são só eles que firmam boas parcerias. A TECAP e a AQI também se mostraram satisfeitas, já que conseguiram reunir grande parte do que precisaram.

O evento atraiu diferentes tipos de apreciadores. Exemplo disso é a administradora de Boane, que tomou um tempo para apreciar o que de melhor se faz no seu distrito. Interagiu com os produtores e ficou a saber do que mais se faz na zona que dirige.

O deputado Samo Gudo também decidiu interagir com a maior conferência do agro-negócio no país e gostou do que viu, mas há algo em particular que o impressionou. “Vi muita juventude envolvida na produção agrícola, isso é uma boa promessa para o futuro.”

Mas a exposição não termina no pátio da Arena 3D. Quem transpõe a porta, encontra um novo mundo. Por exemplo, o presidente do Conselho de Administração da Fundação SOICO, Daniel David, descobriu um bolo e dele deliciou-se e, até, convidou os que estivessem nas proximidades para também provar.

A acompanhar o bolo de arroz de Chókwè, um café também descoberto na Mozgrow, o Café Chimanimani. Essa também foi uma das grandes atracções da feira. Aliás, a administradora do distrito de Magude provou o café. No final, recomendou que fosse a aposta do país por ser “muito bom e sem muita cafeína”.

Houve quem procurasse mais do que os produtos disponíveis. Afinal, Mozgrow também é um espaço de novas parcerias. Por exemplo, o administrador do Millennium bim, Moisés Jorge, visitou a feira com o objectivo de resolver um dos maiores problemas do agro-negócio: o financiamento. “Já vi algumas coisas interessantes. Agora é só fazer a recolha de informações para saber em que apostarmos.”

Já o BCI, que já tem uma linha de financiamento ao agro-negócio, tinha um stand, nesta edição, onde trazia consigo os maiores beneficiários dos seus fundos. Quem passeia pelos corredores da feira encontra também soluções como seguro agrícola… Um problema que vários dos empresários agrícolas levantam devido à exposição aos desastres naturais em Moçambique. As opções são várias.

Para os problemas de comercialização, há quem quis ajudar e foi interagir com as diversas empresas que expunham na Mozgrow. Tinham visitantes de diferentes idades e vindos de diferentes pontos do mundo.

Os diferentes stands, que eram frequentemente visitados por várias pessoas, tinham lá de tudo, incluindo máquinas de última geração, com as empresas a explicarem como cada parte funciona.

Em cada um dos lados, é possível ver várias pessoas em conversações… Na verdade, esta foi a área que, por excelência, era usada para o networking.

Mais do que os primeiros contactos entre fornecedores e potenciais clientes, houve quem arrecadou consumidores dos seus serviços. Por exemplo, a Wise Up on-line, que inscreveu alguns novos estudantes… Esta é uma plataforma que ensina Inglês on-line, o que facilita a escalabilidade dos negócios, por isso foi também uma das atracções.

Com os primeiros contactos feitos, chegou o momento de fazer o seguimento e captar potenciais negócios através dos cartões-de-visita recolhidos

Os especialistas agrários que participaram, hoje, na feira de agro-negócios Mozgrow, na Cidade de Maputo, consideraram que a grande fonte de apropriação de riqueza no sector da agro-pecuária é o acesso à tecnologia. Por isso, segundo entendem, os tomadores de decisão devem ser mais proactivos na busca e na disponibilização de informação tecnológica.

A Arena 3D, na KaTembe, Cidade de Maputo, foi, pelo segundo dia consecutivo, palco de uma série de reflexão sobre temas importantes para o desenvolvimento social e económico, a nível nacional. Na manhã do dia de encerramento da feira de agro-negócios Mozgrow, o tema proposto ao debate foi precisamente “Inovação e transferência de tecnologia na agro-pecuária”. Nesse painel, fizeram parte quatro especialistas do sector, nomeadamente, António Magaia, representante comercial da Syngenta em Moçambique; Joaquim Milagre Cuna, director nacional dos Agentes de Desenvolvimento de Agro-negócios – IDE Moçambique; Daniel Bolla, director da Olga Rural; e Fungayi Simbi, engenheiro agrónomo sul-africano.

O primeiro a intervir na sessão muito concorrida e comentada foi António Magaia, para quem o desenvolvimento do sector agro-pecuário depende, essencialmente, da proactividade dos decisores e do acesso eficiente à informação tecnológica. “Precisamos de ser proactivos nesta procura de informação, por parte dos tomadores de decisão. Nós, empresas, temos informação e conhecimento. Mas, como foi dito ontem, estamos aqui para fazer dinheiro. Nós precisamos de investir onde temos retorno do investimento que fazemos”.

Para os oradores da Mozgrow, Moçambique precisa de investir na procura e disponibilização da informação relevante para o sector agro-pecuário, porque o mundo está em constante actualização de conhecimentos inerentes à produção. Não sendo Moçambique um caso à parte, a ciência deve ser usada a favor dos produtores.

Esta, igualmente, foi a abordagem de Joaquim Cuna, que, concordando com Magaia, acrescentou o seguinte: “Há alguns anos, a principal fonte de apropriação de riqueza nas zonas rurais era a terra. As pessoas esmeravam-se para adquirir grandes extensões de terra. Hoje, a fonte de apropriação de riqueza é conhecimento e tecnologia. Independentemente de ser pequeno, médio ou grande, tem que ter acesso às tecnologias”. Logo, actualmente, muitas vezes, pouco importa o tamanho da propriedade do produtor. O conhecimento e a capacidade de utilização ou reutilização do espaço revela-se crucial para a produtividade no sector agro-pecuário.

Considerando “tecnologia” uma palavra-chave no debate da manhã desta quinta-feira, Daniel Bolla explicou o que isso significa: “Quando falamos de tecnologias para o sector agro-pecuário, devemos considerar dois aspectos: uma coisa são tecnologias de insumos e a outra são tecnologias de processos. É um erro querer entrar nas tecnologias de insumos enquanto as de processos ainda não estão bem tomadas”.

Para Bolla, criar bases de conhecimento e produtividade é indispensável. Por isso, no capítulo das transferências de tecnologias, deve-se considerar a parte que transfere conhecimento e a que recebe. “Se a parte que recebe está fechada, podemos dar tudo, mas não irá captar nada. Ou por outra, se a parte que recebe está aberta, mas a pessoa que está a trazer a tecnologia não entende do contexto de produção ou quem está a produzir, de nada valerá.”

No debate sobre a “Inovação e transferência de tecnologia na agropecuária”, houve uma contribuição proveniente do engenheiro agrónomo sul-africano Fungayi Simbi. Resumidamente, Fungayi Simbi defendeu a tese de que as tecnologias essenciais para o desenvolvimento do sector existem no país e que as exposições da feira Mozgrow são exemplos disso. “O que eu tenho notado é que, se nós olharmos para o número de empresas que estão a expor aqui (os seus produtos), vemos que a tecnologia está disponível em Moçambique”.

No último dia da feira de agro-negócios, houve muitas contribuições do público. Um dos participantes que contribuiu com ideias foi o empreendedor Rui Gomes, que explora um aviário no distrito de Boane, na Província de Maputo. Entre os problemas apontados, o participante destacou o seguinte: “As tecnologias de que precisamos são financiáveis. Temos é que importar, mas, quando as importamos, temos custos acrescidos”. E deu exemplos, referindo que o país não cria políticas favoráveis para a importação de material que estimule o uso de energias renováveis, como os que são usados para a instalação de painéis solares, com taxas de importação altas.

Do público, houve ainda uma contribuição que mereceu aplausos, a de Michaque Sacanhane. O empreendedor denunciou a falta de comunicação entre as autoridades governamentais e o sector-privado, o que acontece há anos no sector da agro-pecuária. “Não há comunicação entre o sector-privado e os governos. Eles expõem-se como dirigentes, mas não nos dirigem nem nos abraçam. Esta ainda é altura de importarmos da Europa carroças para transportar lixo, num país como este? Mas nós estamos aí com maquinaria”.

A feira de agro-negócios Mozgrow decorreu de quarta à quinta-feira e, nos dois dias de actividade, a Arena 3D, na KaTembe, acolheu o evento.

Os administradores dos distritos de Marracuene, Namaacha, Magude, Chókwè e Mabote defendem que a aposta no desenvolvimento das tecnologias avançadas, o aprovisionamento de sementes aperfeiçoadas aos agricultores e a melhoria das vias de acesso são elementos-chave para a dinamização do agro-negócio.

Falando na quarta edição da Mozgrow, integrando o terceiro painel, que tinha como tema “as dinâmicas locais do desenvolvimento do agro-negócio”, os cinco oradores venderam as potencialidades que cada distrito possui, assim como abordaram os desafios que têm. Apesar das enormes potencialidades nas suas diversas especificidades, há muitos pontos em comum.

Os cinco distritos enfrentam as mesmas dificuldades, no que diz respeito à falta das tecnologias avançadas, elemento que entendem que é fundamental para um ambiente saudável de agro-negócio. Mas as dificuldades não param por aí. Todos enfrentam, ainda, o problema da fraca disponibilidade de sementes melhoradas, assim como vias de acesso em boas condições para o escoamento dos produtos agrícolas.

O administrador de Marracuene, Shafee Sidat, diz que o distrito que dirige está a incentivar a criação de cooperativas, como forma de permitir que os agricultores tenham acesso ao apoio que o Governo distrital tem disponibilizado.

Mas ainda, a aposta no associativismo, segundo Sidat, é uma das saídas encontradas para resolver o problema de tecnologia que o sector familiar tem enfrentado, na medida em que fica difícil apoiar de forma individual a cada agricultor.

Com um enorme potencial na agricultura, sobretudo na produção de arroz e hortícolas, Marracuene tende a dar passos significativos, tendo em vista o melhoramento do agro-negócio. Para o efeito, o Governo distrital tem estado a interagir com diversos investidores que pretendam implantar as suas infra-estruturas neste ponto da Província de Maputo. Os sinais já são visíveis. Shafee Sidat garante que há condições para toda a produção dos agricultores.

“Já está em construção uma empresa que irá absorver toda a produção dos agricultores. Tudo indica que esta unidade fabril poderá entrar em funcionamento em Dezembro próximo”, garante Sidat, que também explicou que essa fábrica não só irá absorver a produção, como também irá processar e colocar no mercado nacional e internacional.

Em tempos, considerado “celeiro da Nação”, o distrito de Chókwè tenta reerguer-se para voltar a ostentar esse estatuto. A rentabilização e posterior sustentabilidade do Regadio de Chókwè, por sinal um dos maiores de África e do país, é, neste momento, uma das apostas para a revitalização do sector agrícola.

Disse ainda que, no seu distrito, os agricultores têm-se beneficiado de sementes melhoradas. Com efeito, o Instituto de Investigação Agrária tem contribuído significativamente no campo da investigação científica, através da produção de sementes melhoradas de diversas variedades. Entretanto, Eceu Muianga lamentou o facto de haver muita produção e pouca procura. Segundo disse, há muito arroz nos armazéns, desde a época agrícola passada, por falta de compradores.

O distrito de Magude é uma referência na produção pecuária. Ainda assim, a agricultura tem merecido especial atenção por parte do Governo distrital. O administrador de Magude, Lázaro Bambamba, explicou que o seu Executivo está a empreender esforços no sentido de aperfeiçoar os níveis de produção.

Nesse sentido, o Governo distrital alocou motobombas, reabilitou e construiu regadios. Esse facto reduziu a procura de hortícolas noutros pontos por parte da população de Magude.

“Por causa da nossa aposta na agricultura, reduzimos a dependência. Ou seja, agora somos autónomos”, disse Lázaro Bambamba, sublinhando que o desejo é que Magude seja um mercado de referência nas hortícolas.

O distrito de Mabote tem sido assolado ciclicamente pela seca, facto que contribui negativamente na produção. A aposta na revitalização do agro-negócio, segundo Bambamba, passa por dotar os produtores de gado bovino para a melhoria das espécies, tendo em conta que o distrito é o maior criador e fornecedor de carnes.

Localizado a Norte da província de Inhambane, Mabote tem um enorme potencial na criação de gado bovino, de cerca de 33 mil e 12 mil cabeças de gado caprino. O distrito está a apostar, ainda, na linha da castanha de caju, estando a produzir, por época, quatro a cinco mil toneladas. Para melhorar o agro-negócio, de acordo com Carlos Mussanhane, o distrito está a implementar uma iniciativa denominada “produza Mabote”. A iniciativa tem como um dos pilares o envolvimento da população, visto que ela é o maior activo nesse processo.

Sem dificuldades para o escoamento da produção, o distrito de Namaacha produz um pouco de tudo, mas, por causa do clima fresco predominante naquele ponto da Província de Maputo, tem apostado na fruticultura e nas hortícolas.

Para a administradora daquele distrito, Suzete Dança, a melhoria do agro-negócio neste ponto passa por potenciar o pequeno agricultor, trazendo mais conhecimento para o mesmo, justificando que esta camada não precisa de porções enormes de terra para produzir para auto-consumo, assim como para a comercialização. 

Segundo Suzete Dança, persiste, em Namaacha, a falta de provedores de insumos agrícolas, daí que aproveitou a ocasião para convidar os investidores dessa área a implantarem lojas de referência neste distrito, facto que, na sua opinião, poderia reduzir o sofrimento dos agricultores.

Arrancou, esta quarta-feira, a quarta edição da feira Mozgrow. Na abertura, o PCA da Fundação SOICO, Daniel David, defendeu que o Governo deve criar políticas favoráveis a investimentos. Já a vice-ministra da Indústria e Comércio garante que está em curso um conjunto de reformas para industrializar o país.

O arranque da quarta edição da feira Mozgrow esteve repleto de pessoas que queriam acompanhar o calor dos debates e das exposições de forma presencial.

E não é para menos. As anteriores duas edições foram virtuais, por conta das restrições impostas pela COVID-19.

Antes mesmo de se iniciarem os debates, o presidente do Conselho de Administração (PCA) da Fundação SOICO (FUNDASO), Daniel David, foi chamado a deixar algumas notas introdutórias. E nelas, lembrou o papel de cada interveniente para a promoção do agro-negócio.

 “Muitas vezes, tem dominado o conceito de ‘centralização’, apenas, no papel do Governo, como se o Governo tivesse que produzir. Quem tem que produzir são os empresários. O Governo tem que facilitar. O Governo tem que ajudar, colocando políticas favoráveis ao investimento dos empresários”, defende o PCA da FUNDASO.

Para Daniel David, com adesão à Mozgrow, os empresários transmitem uma mensagem de prontidão para continuar a competir e a inovar, mesmo diante de adversidades.

A vice-ministra da Indústria e Comércio é que esteve na abertura a representar o Governo. Ludovina Bernardo diz que o Executivo está ciente da importância de uma indústria forte para reduzir a dependência. Aponta a Inglaterra como exemplo, que deixou de ser um mero exportador de matérias-primas para se transformar num país industrialmente avançado.

“Para conseguir tal desígnio, colocou em marcha uma série de legislação para proteger e apoiar as indústrias nacionais da concorrência estrangeira e, acima de tudo, para a melhoria do ambiente de negócio como um factor principal”, detalha Ludovina Bernardo, para depois explicar que, no contexto de Moçambique, o caminho “para a industrialização se chama Programa Nacional Industrializar Moçambique, que pretende dar foco ao desenvolvimento rural inclusivo” por via da expansão das oportunidades do mercado para os produtores agrícolas.

“Igualmente, o programa tem como finalidade a diversificação da estrutura económica do país, a melhoria da balança comercial através de importações e agregação de valor aos produtos nacionais, transformados em produtos diferenciados de alto valor”, acrescenta Bernardo.

A governante reconhece que a indústria precisa de infra-estruturas de padrão internacional, aposta no conteúdo local, o agrupamento de indústrias e a aposta em laboratórios para o avanço do agro-negócio no país.

 

Ludovina Bernardo aproveitou a ocasião para visitar a exposição e, de perto, ver o que o país melhor produz. A governante foi-lhe oferecido, por um produtor, um saco de arroz produzido em Magude, Província de Maputo. Deu ainda tempo para saborear o café Chimanimani, produzido em Sussundenga, província de Manica.  

Ludovina Bernardo diz ainda que a Mozgrow encoraja a criação de um ambiente favorável ao investimento e diz mesmo que a feira é oportuna, relevante e actual.

Expositores presentes na feira Mozgrow consideram que o primeiro dia foi produtivo, pois conseguiram fazer parcerias e vender diversos produtos. Convidam, ainda, as pessoas a participarem no evento, pois estão a vender alguns produtos a preços promocionais.

Hoje, todos os caminhos de homens e mulheres que actuam na cadeia do agro-negócio, no país, davam à Arena 3D, em KaTembe. De regresso às exposições presenciais, os participantes, levaram à feira o seu melhor em termos de produtos e serviços. De Chókwè, o Instituto Superior Politécnico de Gaza foi à Mozgrow mostrar que, mais do que teoria, tem a componente prática no processo de ensino e aprendizagem.

“Conseguimos fazer intercâmbio com a Universidade Pedagógica de Maputo. Eles aproximaram-se ao nosso local de exposição e ficaram impressionados com o processamento de alimentos. Conseguimos vender quantidades significativas de ovos frescos, vendemos, ainda, repolho, feijões entre outros produtos que trouxemos para a exposição”, regozijou Salimo Muchecua, tendo avançado que “há muitos outros produtos que não trouxemos por causa de espaço e dificuldade de movimentação de animais como suínos, mas temos em abundância.”

Da Faculdade de Engenharias e Tecnologias da Universidade Pedagógica de Maputo também foram apresentadas soluções: “Trazemos, aqui, uma capoeira automatizada, através da qual se podem controlar a humidade e a temperatura para garantir que os animais não morram. Temos um sistema de produção de aves e apresentamos galinhas poedeiras, cujos ovos são fertilizados”, referiu António Maquil.

Mas a grande atracção do stand da UP-Maputo foi um bolo feito à base de batata-doce por estudantes. “Escolhemos a batata-doce porque é um tubérculo muito rico em nutrientes. Por ser natural e não ter passado por algum tipo de processamento, faz com que seja benéfico para a saúde. Este bolo é até benéfico para os diabéticos”, disse a estudante Érica Massingue.

No primeiro dia, os produtos frescos estiveram em abundância e a preços aliciantes. Moamba foi um dos distritos que mostraram o seu potencial agrícola. “Apresentamos as nossas riquezas agrícolas e muita gente esteve aqui para comprar os nossos produtos. Esperamos fazer parcerias com supermercados, para que os nossos produtores possam fornecer-lhes esses produtos”, esperançou Maria Elena.

Há quem esteja na feira e tem ambições para além dos limites territoriais de Moçambique. É o caso da Cooperativa de Desenvolvimento Agrário do Sul de Incomáti, que está baseada na Manhiça e Marracuene.  

Uma vez que as mudanças climáticas têm impactado na agricultura, a Syngenta apresentou sementes toleráveis a eventos extremos, mas, mais do que isso, a empresa mostrou a qualidade das plantas oriundas das suas sementes. “Quisemos mostrar para que os agricultores tenham a prova da qualidade dos nossos produtos. Eles ficaram muito felizes e pediram os nossos contactos. Esperamos que, nos próximos tempos, possamos sentir o feedback”, disse Carmona Cossa.

Quem também não escondeu a sua felicidade em participar na feira é Agribusiness System que já começou a fazer parcerias e vendas com os agricultores. “Os produtores gostaram da nossa tecnologia de produção de mudas. Eles já sabem que, com as nossas mudas, a sua produção melhora e tem maiores ganhos”, destacou Gabriel António, da Agribusiness System.

Esta é uma parte de um leque de produtos e serviços que podem ver e adquirir nos diversos stands da IV edição da Mozgrow a preços promocionais.

Oradores da feira Mozgrow defenderam, hoje, que o país deve apostar na agricultura baseada na ciência e nas tecnologias. Outro desafio apresentado é a formação de pequenos agricultores, com vista a transformar o sector produtivo e tornar o agro-negócio mais competitivo.

Com as atenções viradas para a “transformação e competitividade do agro-negócio”, discutiram-se os principais desafios que Moçambique enfrenta no sector produtivo.

Para a Bayer, multinacional que presta assistência na área agrícola, a agricultura deve ser baseada na ciência e nas tecnologias, como resposta aos mais recentes desafios do ramo de agro-negócio em Moçambique, e estimular o desenvolvimento local.

“Eu acredito que a agricultura é, sem dúvidas, a base para o desenvolvimento do país. Nós não temos uma agricultura baseada na ciência e nas tecnologias, o que constitui o maior problema. Dedicamos a maior parte das nossas energias a trabalhar na agricultura, mas não incorporamos insumos baseados na ciência nem nas tecnologias modernas”, avançou Norberto Mahalambe, country manager da Bayer Moçambique.

Atendendo que 90% da produção, no país, vem dos pequenos produtores, a Socodevi defende a capacitação deste grupo, por via de cooperativas, como solução para o problema da produtividade.

“O exemplo mais clássico que existe é a semente usada, hoje em dia, na agricultura. Os nossos produtores não sabem diferenciar semente de grão. Ir ao mercado Xipamanine ou Fajardo, comprar grão e semear não é vantajoso como pensam. Há necessidade de formar este grupo, por isso a Socodevi acredita na capacitação dos produtores em relação ao uso das sementes”, referiu Rui Vasco, director das Operações da Socodevi Moçambique.

A ideia de uma formação é, igualmente, sustentada pela Agra. Para a organização, é exemplo disso o facto de os produtores optarem pelo grão em vez de sementes. Entretanto, segundo Paulo Mole, uma lei específica solucionaria o problema.

“É importante que haja a lei que possibilite maior investimento nesta indústria de sementes, o que se aplica, também, aos fertilizantes. O país não tem uma lei, apenas tem regulamentos acerca disso. Esta situação inibe investimentos e, consequentemente, a capacidade de produzir, suficientemente, sementes para o país, o que dá espaço para que o grão circule no lugar da semente”, alertou Paulo Mole, country manager da AGRA Moçambique.

Da AQI, Rui Brandão afirmou que o país deve substituir a importação de produtos pela produção local, com vista a transformar o mercado nacional e, posteriormente, desenvolver o país.

“Normalmente, a razão principal é a ausência de mercado e a não disponibilidade de insumos nas zonas rurais. Se eu fosse o ministro da Agricultura, começaria por substituir o processo de importações pela produção local”, propôs Rui Brandão, director-executivo da AQI.

Moçambique é um país agrícola e possui, aproximadamente, 36 milhões de hectares de terra arável. A maior parte deste espaço é explorada pelo sector familiar.

A economia informal está a crescer e não há controlo no país. Foram perdidos cerca de 10 milhões de Meticais, nos primeiros dois meses deste ano, o que exige medidas para contornar a situação. Uma delas é estimular o cooperativismo, segundo a Autoridade Tributária, que defende o alargamento de pessoas que pagam impostos para aumentar o rendimento médio até 2035.

Moçambique tem estado a perder dinheiro devido à proliferação da economia informal e ilegal. Em 2021, por exemplo, o país perdeu, de acordo com a Autoridade Tributária, 11,6 milhões de Meticais e, só nos primeiros dois meses do ano em curso, o fisco não conseguiu captar 9,7 milhões de Meticais. Para inverter esta situação, está em marcha o Programa Nacional de Desenvolvimento Cooperativo.

A Presidente da Autoridade Tributária de Moçambique defende a inclusão do sector informal num modelo que possa permitir o alargamento da base tributária e transformar Moçambique num país de rendimento médio. “Temos, ao nível da Cidade de Maputo, muitas associações de importadores, de vendedores, de produtores, e o que queremos é que essas associações se transformem numa organização com um modelo económico compatível com a nossa realidade e que possa contribuir para a transformação da nossa economia.”

O Instituto Nacional de Estatística diz que 90% da população com força economicamente activa está no sector informal, e a Cidade de Maputo é um dos centros de proliferação desse sector. O secretário de Estado da Cidade de Maputo, Vicente Joaquim, que orientou a cerimónia de lançamento, defendeu e incentivou as associações informais a aderirem à iniciativa.

A cerimónia de lançamento do cooperativismo moderno contou com a presença de representantes de várias  associações de comerciantes informais.

A sessão de debates da quarta edição da feira de agro-negócios, Mozgrow, começou, hoje, na Arena 3D, em KaTembe, Cidade de Maputo, de forma incisiva. O grande protagonista do painel que reflectiu sobre “Agricultura e sustentabilidade ambiental” foi Faruk Tavares, para quem as práticas agrícolas comprometidas com a conservação da biodiversidade são imprescindíveis.

O gestor de Recursos Naturais e Mudanças Climáticas, Faruk Tavares, foi o principal orador do primeiro painel desta quarta edição da MOZGROW. Na sua intervenção, o especialista agrícola explicou que as práticas agrícolas comprometidas com a conservação da biodiversidade dependem de um factor importante: a consciencialização dos produtores agrícolas em matérias inerentes ao tema.

“É necessário que se pense na transformação dos hábitos dos agricultores familiares. Eles têm um paradigma que é antigo, que diz que a floresta só serve para o corte de árvores e produção agrícola. Nós queremos mudar esse hábito”, e reforçou: “O sucesso de todos os projectos estão baseados na população-alvo com quem trabalhamos. Não podemos falar da biodiversidade sem incluir o produtor familiar. Para que um projecto agrícola dê certo, é necessário que se olhe, primeiro, para as características da nossa agricultura”.

Portanto, num contexto em que vários produtores agrícolas contribuem para infertilidade do solo, com queimadas descontroladas ou para a erosão, devido ao desflorestamento desmedido, transformar a agricultura familiar em eco-agricultura, integrando a produção e a conservação, é urgente pela seguinte razão: “Se continuarmos a uma velocidade de 267 mil hectares por ano, numa província como a Zambézia, por exemplo, Moçambique vai transformar-se num deserto. As províncias que se encontram na zona costeira já começaram a ressentir-se dos efeitos das mudanças climáticas. Não é castigo de Deus, somos nós que estamos a causar esses fenómenos. Por isso, precisamos de entender qual é a importância dos recursos naturais para nós”.

Ao alcançar-se uma prática agrícola pró-ambiente, segundo Faruk Tavares, a sustentabilidade financeira será uma realização certa, até porque, actualmente, aumenta o número de pessoas e instituições interessadas em adquirir produtos conforme o modelo de produção. Quem argumentou esta visão foi a auditora para a Agricultura Sustentável, Sabine Lydia Mueller. “Há muita gente que gosta de comprar produtos seguros, que são cultivados em locais que não estão a destruir a natureza e que não comprometem a saúde das pessoas. Por exemplo, existe uma empresa moçambicana que está a produzir moringa de forma orgânica, isto é, sem utilizar pesticidas, mas com manejos orgânicos”.

A partir de Niassa, via zoom, participou, neste dia inaugural da Mozgrow, o gestor de Agronomia Ivans Popinsky, para quem “um dos nossos grandes desafios é, realmente, mudar a agricultura através de introdução de novos sistemas, incluindo a agricultura sintrópica, que não é fácil, mas é um dos passos importantes. “A interacção entre culturas e este modelo de reconhecer que, em áreas pequenas, os produtores conseguem produzir mais e melhor, é importante para garantirmos a sustentabilidade”, reforçou Popinsky.

No mesmo painel subordinado ao tema “Agricultura e sustentabilidade ambiental”, interveio José Carlos Marques, engenheiro agrícola português, que, via zoom, se referiu às práticas que devem ser abandonadas, quando se fala de desenvolvimento da agricultura. “Sabe-se, hoje, que a utilização da charrua em solos tropicais ou de clima mediterrânico tem um impacto negativo nos solos e na vida dos solos.”

Em geral, portanto, Faruk Tavares, Sabine Lydia Mueller, Ivans Popinsky e José Carlos Marques estiveram de acordo no que diz respeito à necessidade de investir numa actividade agrícola comprometida com a conservação da biodiversidade, pois as vantagens são claras para o produtor e para o ambiente.

A quarta edição da Mozgrow foi aberta hoje, na Arena 3D, em Maputo, e termina amanhã.

+ LIDAS

Siga nos