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O volume de negócios decresceu 2,2% em Julho de 2022, em relação ao mês de Junho, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas. O Índice de Actividades Económicas no período em análise revela que as áreas de emprego e de remunerações registaram crescimentos de 1,0% e 0,2%.

Moçambique atingiu, em Julho, novo recorde no aumento de preços. O valor está na ordem dos 11,77%. A cidade de Nampula foi a mais cara nas áreas de transportes, alimentação e bebidas não-alcoólicas.

O incremento no custo de vida surgiu como resultado das constantes subidas dos preços dos combustíveis. Segundo o banco central, este factor afectou, de forma directa, a economia nacional.

A ideia é, agora, sustentada pelo Instituto Nacional de Estatística, através do Índice de Actividades Económicas do mês de Julho de 2022. O relatório revela uma queda no volume de negócio no período em análise.

“Os resultados dos Índices de Actividades Económicas do mês de Julho de 2022, quando comparados com os do mês anterior, revelam um decrescimento do índice de volume de negócios em 2,2%. Os índices de emprego e de remunerações registaram crescimentos de 1,0% e 0,2%, respectivamente”, revela o Instituto Nacional de Estatística (INE).

A variação negativa do volume de negócios, segundo o Instituto Nacional de Estatística, deveu-se ao decrescimento verificado nos sectores da Produção Industrial (7,7%), de Electricidade e Energia (1,8%) e de Outros Serviços não Financeiros (0,1%).

Contrariamente, os sectores de Alojamento, Restauração e Similares e de Transportes e Armazenagem cresceram na ordem dos 9,2% e 1,8%, respectivamente.

O INE argumenta que o crescimento ligeiro do emprego no mês de Julho foi resultado da variação positiva do indicador nos sectores da Produção Industrial (7,4%) e de Transportes e Armazenagem (0,1%).

No mesmo período, o sector de comércio observou decrescimento ligeiro de 0,6%, enquanto os sectores de Alojamento, Restauração e Similares e Outros Serviços não Financeiros registaram uma estabilização.

Sobre a variação positiva do índice de remunerações no período em referência, o órgão responsável pela informação estatística no país explica que foi resultado do incremento das remunerações nos sectores de Alojamento, Restauração e Similares e da Produção Industrial com 1,2% e 0,9% respectivamente.

Nos sectores de comércio e de transportes e armazenagem, verificaram-se quedas de 0,1% e 0,7%, respectivamente, enquanto no sector de outros serviços não financeiros houve uma estabilização.

Comparando os índices globais do mês de Julho de 2022 com os do período homólogo de 2021, os índices de volume de negócios e de remunerações registaram crescimentos de 7,9% e 10,0%, respectivamente, enquanto o índice de emprego observou variação negativa de 2,8%.

 

PRODUÇÃO DE ENERGIA SOLAR CRESCEU NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS

A energia solar foi a fonte de eletricidade que mais cresceu em Moçambique no período de 2017 até 2021, anunciou o Instituto Nacional de Estatística (INE).

A produção anual cresceu de 1,5 para 69 gigawatts entre 2017 e 2021, lê-se no boletim de Indicadores Básicos de Energia, Gás e Petróleo. Ainda assim, a energia obtida com os painéis solares representa menos de 1% da eletricidade produzida no país, que continua a estar centrada na barragem de Cahora Bassa – responsável por 83%.

A central solar de Metoro, a maior do país, foi inaugurada em Abril, com 125 000 painéis fabricados na China, uma capacidade de 41 megawatts (MW) e capaz de injectar até 69 gigawatts/hora por ano na rede da Electricidade de Moçambique (EDM).

Outra central vai ser construída no distrito de Dondo, província de Sofala, junto à cidade da Beira, com uma potência de 30 megawatts (MW).

O projecto está orçado em 47,3 milhões de euros e resulta de uma parceria entre a EDM, com 25%, e a empresa francesa Néon, com 75%.

O financiamento do projecto foi prestado pela Agência Francesa de Desenvolvimento, com um empréstimo de 40 milhões de dólares e o remanescente pelo Governo moçambicano.

De acordo com o INE (citando dados da EDM), a taxa de acesso a energia eléctrica tem vindo a subir todos os anos e em 2021 a electricidade já chegava a 38,6% da população moçambicana.

No mesmo ano, a empresa pública EDM faturou 3,5 milhões de megawatts/hora em todo o país, quase metade na Província e Cidade de Maputo.

O Governo moçambicano estabeleceu como meta alcançar o acesso universal à energia até 2030.

Prevê-se electrificar cerca de 300 vilas com recurso à energia hídrica a que se deverão juntar outros tantos projectos de energia solar, de acordo com dados do Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

O Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável (FNDS) entregou, esta quinta-feira, 44 tractores, com as respectivas alfaias agrícolas, a famílias de doze distritos da província de Zambézia, entre os quais Morrumbala, Derre, Mocuba, Namacurra e Nicoadala.

A entrega foi feita através do projecto Sustenta, liderado pelo Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER), para impulsionar a agricultura mecanizada na campanha 2021/2022 e contribuir para a mitigação da pobreza através da inclusão das famílias rurais, com destaque para os pequenos agricultores comerciais emergentes (paces).

Igualmente, foram alocados 12 camiões para os comerciantes. Fundamentalmente, os meios são utilizados para escoar produtos agrícolas das zonas de produção até ao mercado, contribuindo, assim, para que os agricultores tenham mercado assegurado.

Isabel Caetano, beneficiária de tractor, fez saber que a sua produção passará a ser através de meios tecnológicos fornecidos pelo sustenta. “Se antes eu utilizava enxada de cabo curto para lavrar a terra, hoje passo a utilizar tractor, com as respectivas alfaias. Isso vai permitir o alargamento dos campos de produção, o que vai aumentar a minha renda familiar e fazer com que eu me torne uma empresária, na base da agricultura. Não faço mais nada se não dedicar a produção de comida na machamba”, disse a beneficiária, visivelmente emocionada.

Rogério Sabão, outro beneficiário, residente no distrito de Derre, recebeu um camião. O grande constrangimento, segundo explica, tem sido o escoamento de produtos agrícolas. “Com este meio, vou desenvolver a comercialização com muito mais qualidade. Vou entrar nas zonas recônditas para buscar produtos para o mercado. Isso vai ajudar muito aos produtores que, muitas vezes, produzem para o mercado, mas viam-se impossibilitados de escoar os seus produtos para o mercado. Estou muito feliz, porque a minha renda familiar vai ganhar alguma visibilidade”, disse.

Na cerimónia de entrega dos meios, a secretária de Estado em Zambézia destacou a intervenção do sustenta, que, desde a sua implementação em 2017 a esta parte, já gerou mais de 10 mil postos de trabalho.

“Actualmente, no âmbito do programa sustenta, a província conta com 176 “paces” e 10 mil produtores. Neste período de implementação do Sustenta, de 2020 a 2021, foram alocados 56 tractores e seus implementos e 17 camionetas, para o aumento da produção e produtividade, assim como para promover o uso da mecanização agrícola ao nível da nossa província, contribuindo, assim, para o aumento de parques de máquinas com capacidade de prestar serviços de mecanização agrária”, disse Judith Mussacula aos beneficiários presentes na cerimónia.

Os meios são adquiridos pelos produtores através de esquema de subvenções comparticipadas, ou seja, a título de crédito.

O Governo quer começar a depositar dinheiro no Fundo Soberano a partir das receitas de 2022, provenientes da plataforma flutuante. A informação consta da proposta final da lei que deverá criar o Fundo Soberano de Moçambique (FSM).

De um lado, começa a produção de gás; do outro, o Governo já conta com as receitas do mesmo para fazer os primeiros depósitos no Fundo Soberano.

No documento a que “O País” teve acesso, definem-se dois momentos para a poupança das receitas do gás. O primeiro diz respeito aos primeiros 15 anos, período durante o qual 60% do que se encaixar do gás deverá ser canalizado ao Orçamento do Estado e os 40% restantes à Conta Única do Fundo; depois deste período, a partir do 16º ano, a repartição será pela metade.

Esta proposta difere-se da anterior, vinda do Banco de Moçambique, pelas percentagens. Enquanto o Banco Central sugeria que a divisão, entre o Orçamento do Estado e o Fundo fosse de 50%, a do Governo entende que o Orçamento merece 60% durante os primeiros 15 anos.

Assim sendo, já que a lei fala de 30 milhões de dólares a encaixarem-se este ano, o primeiro depósito deverá ser de 12 milhões de dólares.

A projecção das receitas anuais é feita tendo em conta os seguintes elementos:

  1. a) A receita bruta proveniente da exploração dos recursos petrolíferos, incluindo: i. Imposto sobre a Produção do Petróleo; ii. Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas, incluindo o resultante da tributação de mais-valias.
  2. b) Bónus de Produção, nos termos a regulamentar;
  3. c) Partilha de produção a partir do Petróleo-Lucro, nos termos a regulamentar;

Depois de feita a projecção, faz-se a divisão percentual e, depois, obtém-se um valor real a ser encaixado ao Orçamento do Estado. Nos anos em que se arrecade menos do que o esperado, a proposta sugere que se cubra, primeiro, a quota do Orçamento e o que restar canaliza-se à Conta do Fundo.

A gestão do Fundo será feita por três entidades, nomeadamente, a Assembleia da República, a quem, em última instância, se prestam todas as contas; é uma espécie de dono do Fundo.

A seguir, vem o Governo, que tem papel de gestor global, a quem o Gestor operacional presta contas. O gestor Operacional deverá ser o Banco de Moçambique, contratado pelo Governo e a ser pago, anualmente, pela gestão. Sua remuneração não pode ser acima de 0,1% das receitas geradas pela gestão.

Os gestores podem fazer investimentos com o dinheiro do Fundo, porém não no sector de petróleos. Além disso, podem-se fazer transferências para o Orçamento do Estado se, num determinado ano ocorrer uma calamidade pública que leve à declaração de Estado de Sítio, Estado de Emergência e/ou de Guerra

O que não pode acontecer, de forma nenhuma, é utilizar os recursos do FSM para: a) concessão de garantias na contratação de empréstimos pelo Estado ou outras entidades; b) pagamento de dívidas e serviço de dívida sem passar pelo orçamento de Estado; c) financiamento de actividades políticas e partidárias; e d) contratação de dívida

Outra coisa que é proibida é: A celebração de qualquer contrato, acordo ou acto unilateral que onere ou imponha encargos aos activos do FSM, quer seja por meio de garantia, caução, hipoteca ou qualquer outro tipo de ónus.

A proposta indica que se se teimar e firmarem-se tais acordos, serão anulados e não produzirão quaisquer efeitos. A proposta ainda não foi submetida à Assembleia da República.

O Banco de Moçambique comunicou, ontem, que, entre Junho de 2021 e Agosto de 2022, sancionou cinco instituições de crédito, com multas que variam de 40 mil meticais a 9 050 000, por violação de normas de conduta, nomeadamente, a Lei n.º 20/2020, de 31 de Dezembro – Lei das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras (LICSF), o Aviso n.º 11/GGBM/99, de 13 de Dezembro – Normas de Controlo Interno (NCI), o Aviso n.º 2/GBM/2018, de 16 de Abril – Código de Conduta das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras (CCICSF), o Aviso n.º 9/GBM/2020, de 31 de Dezembro – Regulamento de Tratamento das Reclamações (RTR) e o Aviso n.º 1/GBM/2003, de 28 de Fevereiro – Regulamento de Valorização do Uso de Cheques (RC).

Entre as irregularidades detectadas pelo Banco Central, destaca-se o fornecimento de produtos financeiros sem solicitação ou acordo prévio e expresso do cliente (LICSF); Registo indevido de nome de cliente na Central de Registo de Crédito (LICSF); Inobservância do prazo regulamentar de resposta à reclamação de clientes (RTR); Inobservância do prazo de resposta às notificações do Banco de Moçambique no âmbito de processos de reclamações de clientes (RTR).

Há, ainda nas irregularidades, a cobrança de prestações de crédito a entidade que não é cliente da instituição (NCI); Violação do dever de correcta administração de crédito (NCI); e devolução de cheques de clientes sem menção, no verso dos cheques, dos motivos da devolução (RC).

Banco de Moçambique decidiu aumentar a taxa de juro de política monetária para 17,25%, com o objectivo de controlar os preços de produtos, através da redução da circulação do dinheiro no mercado.

O Banco de Moçambique decidiu, na última sexta-feira, aumentar a taxa de juro de política monetária para 17,25%, um aumento de dois pontos percentuais. A entidade diz que a medida visa controlar os preços de produtos, através da redução da circulação do dinheiro no mercado. A decisão foi feita através de um comunicado de imprensa.

Segundo o governador da instituição, Rogério Zandamela, a medida visa controlar os níveis de inflação no país. “Esta decisão visa assegurar, a médio prazo, o retorno da inflação para um dígito, num contexto em que se prevê a volatilidade dos preços dos produtos energéticos e alimentares a nível internacional, com potencial impacto no aumento sustentado a nível doméstico”.

Esta é a segunda vez em que o Banco de Moçambique aumenta a taxa de juro de política monetária para travar a subida galopante do preço dos produtos. Entretanto, mesmo com incertezas na economia global, a instituição diz que se mantém optimista quanto ao crescimento da economia este ano e no próximo.

O Banco de Moçambique informou, ainda, que a dívida pública interna aumentou para 263,1 mil milhões de Meticais, o que representa um aumento de 44,3 mil milhões em relação a Dezembro de 2021.

Moçambique busca parcerias de negócio nas áreas de turismo, agro-negócios, recursos minerais e energia junto da Nigéria. O ministro da Indústria e Comércio, Silvino Moreno, reitera que o fórum bilateral de negócios que arrancou, esta quinta-feira, vai alargar a cooperação económica entre os dois países.

O investimento da Nigéria em Moçambique entre 2016 e 2021 está avaliado em mais de 44 milhões de dólares americanos, com maior destaque no sector bancário no país, o caso do United Bank for Africa, Access Bank e outras instituições bancárias.

Entretanto, o Governo entende que é imperioso alargar a margem de cooperação económica noutros sectores.

De acordo com o ministro da indústria e Comércio, Silvino Moreno, existem outras áreas que merecem maior destaque e que podem servir como elemento catalisador para ter acesso a mercados internacionais, e contribuir no desenvolvimento dos dois países.

“As cadeias de valor e nichos produtivos agrícolas com potencial agro-ecológico, a implantação de parques industriais e mercados abastecedores, na transformação e adição de valor de produtos agro-alimentares, incluindo pesqueiros, no sector de energia e recursos minerais e na exploração do gás natural na Bacia do distrito de Búzi e no sector das infra-estruturas e corredores logístico, bem como no sector do turismo”, detalhou Silvino Moreno, durante a abertura do Fórum de Negócios e Investimentos entre Nigéria e Moçambique.

Mas o apelo do ministro da Indústria e Comércio aos empresários moçambicanos não está apenas limitado nas potencialidades de Moçambique. Para o governante, o quadro legal do país e as medidas de estímulo à economia, anunciadas em Agosto, pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, também servem de chamariz para os investidores estrangeiros.

“O Governo concede igualmente um conjunto de garantias e benefícios fiscais aos investimentos em função da sua natureza e sector de actividade e possui um quadro legal que promove e protege o investimento directo estrangeiro e nacional e permite a exportação ou repatriamento de capitais e dividendos ligados ao investimento”, vincou o governante titular das pastas na área da Indústria e Comércio.

Entre as várias medidas anunciadas, está a revisão da Lei de Vistos que, junto ao processo de revisão da Lei de Investimentos em vigor desde 1993 em curso, de acordo com Silvino Moreno, vai contribuir para uma “melhor e maior mobilidade, facilitação e protecção de investimento”.

Para o alto-comissário da Nigéria, o fórum vai abrir espaço na arena das trocas comerciais para que mais negócios possam surgir e, assim, consolidar a economia dos dois países.

“Estamos a usar este fórum para convidar empresários privados nigerianos para que possam vir e explorar as oportunidades de negócio em Moçambique, porque há muitas potencialidades e muitos recursos que precisam de investidores estrangeiros e para que possam servir de fonte de financiamento a diversos investimentos no país e, também, mostrar as potencialidades da Nigéria”, explicou o alto comissário da República Federal da Nigéria em Moçambique, Yamah Mohammed Musa.

Um dos principais objectivos do fórum de negócios é dinamizar o crescimento das pequenas e médias empresas (PME) e, para materializar este propósito, já existem estratégias por parte de alguns empresários moçambicanos.

“Queremos, primeiro, levar os empresários da Nigéria a conhecerem a potencialidades de Moçambique, segundo, promover o intercâmbio entres os empresários dos dois países, terceiro, promover parcerias de negócio e trocas de serviços entre os empresários nigerianos e moçambicanos, promover o investimento e impulsionar o desenvolvimento económico das micro, pequenas e médias empresas de Moçambique e da Nigéria, através da internacionalização dos seus produtos e serviços, por fim, estimular negócios entre os africanos, ou seja, negócios intra-africanos”, especificou o presidente da Câmara do Comércio de Moçambique, Álvaro Massingue.

Um empresário nigeriano que trabalha em Moçambique entrevistado pelo “O País Económico” reitera que o país tem um ambiente de negócio, daí que vale a pena continuar a investir.

“Para mim, Moçambique tem um bom ambiente de negócios e pode aproveitar a Nigéria nas áreas de óleo e petróleo, uma vez que desenvolveu nestas áreas, e acredito que se pode aproveitar nestas áreas, e bem como, na agricultura”, salientou Otieno Salimu, empresário nigeriano residente em Moçambique.

O Fórum de Negócios, que junta empresários da Nigéria e Moçambique, decorre sob o lema “Criar Oportunidades de Parceria, Investimento e Crescimento Económico”, decorre até esta sexta-feira, na Cidade de Maputo.

Em comunicado de imprensa, o sector privado avança, após ter feito uma monitoria dos preços de produtos alimentares praticados no mercado, que constatou que o óleo alimentar e o sabão estão 21,25 e 10,71 Meticais mais baratos.

O comércio do açúcar, óleos alimentares e sabões passou a gozar de um benefício fiscal consubstanciado na isenção do Imposto de Valor Acrescentado (IVA), incluindo os respectivos bens e prestações de serviços, matérias-primas, produtos intermédios, peças, equipamento e componentes para a indústria nacional após a aprovação da Lei n.˚ 16/2020, de 23 de Dezembro, com o prazo de 31 de Dezembro de 2020.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) diz, no seu comunicado, que, tendo sido uma das promotoras da medida, e sendo aglutinadora do sector privado, decidiu fazer monitoria do impacto da isenção aplicada. Nestas avaliações sobre o impacto da isenção do IVA, foram comparados os dados das duas componentes do negócio: custos e receitas (preços ao consumidor). Aliás, na opinião dos empresários, uma avaliação dos preços, sem tomar sequer em consideração o custo, quer da matéria-prima quer de produção, pode conduzir a resultados pouco realísticos.

Como resultado desta monitoria e, olhando para todas as componentes, nota-se que, sem a isenção do IVA, o preço médio ao consumidor do óleo estaria a 146,25 Meticais contra os 125 Meticais praticados no mercado, havendo um benefício claro de 21,25 Meticais por litro; na componente dos sabões, nota-se que o preço médio, sem isenção, estaria a 73,71 contra os actuais 63 Meticais praticados, um benefício estimado em 10,71 Meticais.

Os benefícios são também evidentes no custo da cesta básica, estimado em 3469,39 Meticais contra os 4059,18 Meticais que custaria, sem isenção do IVA, o que se consubstancia numa poupança estimada em 589,79 para o consumidor.

“Estas estimativas de benefícios ocorrem, mesmo com a subida do custo das matériaS-prima registada no período em análise, em cerca de 371,5% para os óleos e 62,2% para os sabões. Tendo em conta que, no mesmo período os preços de mercado destes produtos subiram, respectivamente, 68% e 33,0%, pode-se concluir que esta subida dos custos das matérias-primas não foi repassada na totalidade para os preços do mercado”, lê-se no comunicado da CTA .

O sector privado avança que a tendência de subida dos bens alimentares é um fenómeno global, intensificado pelo conflito russo-ucraniano. “Aliás, na região, temos exemplos da elevação dos preços destes bens, conforme atesta o caso da África do Sul, que viu o preço do óleo alimentar aumentar em cerca de 59% entre Julho de 2021 e Julho de 2022”, indica.

Ainda sobre a competitividade da indústria moçambicana, note-se que o custo de transformação do açúcar em Moçambique é quase semelhante ao dos outros países da região. O que difere são os custos de transporte e armazenagem (que em Moçambique são mais altos). Com efeito, olhar apenas para uma componente pode-se consubstanciar em uma abordagem tendenciosa e confundir a sociedade e o Governo sobre o real impacto das medidas de reformas fiscais adoptadas, visando estimular a economia e assegurar o bem-estar social e económico do país.

A avaliação em curso iniciada pela CTA e seus membros inclui a possibilidade de estabelecimento de um regime especial do IVA para o sector, bem como a definição de uma estratégia de transição gradual dos actuais benefícios fiscais para o novo regime sem distorcer o mercado e a estabilidade do sector, em particular. Portanto, existem instituições estatais e mecanismos legais em vigor no país que permitem ao Governo ter o controlo real dos custos de importação da matéria-prima, bem como fiscalizar os benefícios reais da Isenção Fiscal do IVA, quer através do controlo do custo médio da cesta básica, bem como dos preços aplicados sobre esses produtos que se beneficiam da Isenção Fiscal.

Cabe ao Governo, através do Ministério da Indústria e Comércio, fiscalizar para verificar o alinhamento da isenção com a prática. Apesar de tudo, e com as medidas tomadas, estes subsectores da indústria continuam a crescer. Por exemplo, em 2021 o consumo doméstico do açúcar (que inclui o consumo das famílias e para uso industrial) atingiu 200 mil toneladas e em 2022 espera-se atingir as 220 mil toneladas. Neste momento o interesse da indústria é produzir para o consumo local, até porque o mercado internacional é altamente volátil e com preços induzidos por subsídios nos outros países produtores. A normalização desta situação vai levar algum tempo.

A contribuição sócio-económica continua relevante, onde, por exemplo, a indústria açucareira emprega directamente 26.500 trabalhadores e indirectamente 5.300 trabalhadores. Estes, em conjunto, suportam aproximadamente 140 mil pessoas (considerando uma família média de 4,4 pessoas por trabalhador). A indústria de óleos e sabões empregam directamente cerca 5000 trabalhadores, suportando aproximadamente 22 mil pessoas.

Ao Governo, para além da fiscalização da implementação da isenção, solicitamos que tenha uma mão firme sobre as importações não controladas a partir de países onde os custos de produção são “camuflados” com subsídios, o contrabando devido a porosidade das nossas fronteiras, que afectam o equilíbrio do mercado. Sobre isto, já enviamos cartas ao Primeiro-Ministro, Ministro da Indústria e Comércio bem como o Ministro da Economia e Finanças, incluindo o Director Geral das Alfândega.

O Ministro das Finanças, Max Tonela, reafirmou, hoje, que o Governo fez um trabalho exaustivo para sanar as inconformidades que existiam na lei que cria a Tabela Salarial Única. Para o governante, estão criadas as condições para o parlamento aprovar o instrumento. Tonela respondia assim, as perguntas feitas, hoje, pelos deputados na Assembleia da República.

Os ventos da pandemia da COVID-19 ainda atormentam a indústria de processamento da castanha de caju, sendo que milhares de trabalhadores foram ao desemprego e houve encerramento de fábricas.

O Instituto de Amêndoas de Moçambique lidera o processo de pulverização dos cajueiros contra doenças e pragas, constituindo uma acção determinante para o aumento do nível de produtividade das plantas. Um cajueiro tratado com insecticida produz quatro vezes mais do que um cajueiro não tratado, o que justifica o investimento do Governo nesta componente.

“Desses tratados, esperamos a contribuição de cada cajueiro com cerca de 12 quilogramas. E fazendo as contas, estamos a estimar que, só nesse grupo, possamos chegar a 55 mil toneladas. Agora, indo aos cajueiros não tratados, esperamos que cada cajueiro possa contribuir com cerca de três quilogramas”, explica Halahala Abdurremane, técnico de investigação do Instituto de Amêndoas de Moçambique, referindo-se às projecções para a presente campanha somente na província de Nampula, que espera, no global, atingir 85 mil toneladas.

No fundo, a província de Nampula é a maior produtora de castanha de caju no país, contribuindo com mais de 50%. Neste momento, conta com cerca de 15 milhões de plantas, mas a pulverização em curso só cobre 27% desse universo.

E com a castanha de caju, abre-se uma cadeia que vai da investigação de plantas melhoradas, produção no campo, processamento, até à comercialização.

No ano 2000, Xavier Lopes embarcou no plantio de cajueiros em três blocos, na província de Nampula. Agora conta com 7815 plantas. “No ano passado, consegui 12 toneladas e consegui vender a 60 Meticais o quilo e rendeu-me acima de 513 mil Meticais.”

A indústria do caju emprega milhares de trabalhadores por não exigir mão-de-obra especializada. Já foi um dos sectores fortes da economia do país. A amêndoa de castanha produzida em Moçambique foi uma referência no mundo, na década de 70, tendo-se posicionado ao lado de grandes produtores como a Índia, com um recorde histórico de 700 mil toneladas, entretanto, nos últimos anos, a produção raramente ultrapassa as 150 mil toneladas.

“Por vários factores, a indústria retrocedeu e está a trabalhar com muitas indústrias inoperantes, por várias razões”, diz Yunus Gafar da Associação dos Industriais do Caju.

Na actual política do sector do caju, quando se abre a campanha de comercialização desta amêndoa, deve dar-se prioridade às fábricas nacionais para que possam ter matéria-prima para operarem durante o ano. Entretanto, a Associação dos Industriais do Caju denuncia a existência de uma forte rede de contrabando da castanha bruta, o que deixa algumas fábricas de processamento sem matéria-prima.

“Tínhamos protecção, mas ausentou-se e privilegiou em paralelo o mercado de exportação que é concorrido pelo mercado informal, que passa por meios sem ganhos para o previsto”, avança Gafar.

Cinco fábricas de processamento continuam em funcionamento no país. Outras foram encerradas, com a crise trazida pela pandemia da COVID-19, e mesmo as que estão em actividade tiveram que reduzir o número de trabalhadores.

“Temos cerca de 300 trabalhadores que, neste momento, estão a trabalhar. Antes, tínhamos 1400”, esclarece Martins Eliane, responsável dos recursos humanos numa das fábricas de processamento, arredores da cidade de Nampula.

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