O País – A verdade como notícia

O Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Instituto Nacional das Comunicações (INCM) visitou, hoje, as instalações do Grupo Soico. O objectivo é reforçar as relações institucionais entre as partes.

O líder máximo da Autoridade Reguladora das Comunicações, acompanhado pelo Presidente do Conselho de Administração do Grupo Soico, Daniel David, percorreu alguns compartimentos do Grupo de media, onde se inteirou das actividades. De seguida, Tuaha Mote referiu que a instituição pretende com essa aproximação destruir a ideia de falta de transparência e abertura por parte das instituições do Estado.

“Procuramos estabelecer uma parceria com a Soico para que usemos o Grupo para a divulgação das nossas acções regulatórias e também para mostrar que estamos abertos para abraçar os projectos da área tecnológica, que nós regulamos, que o Grupo Soico tem levado a cabo e muito bem. E achamos que não poderíamos estar alheios ao esforço que esse Grupo está a fazer, quer para a digitalização da economia, quer para a divulgação das TIC”, explicou Tuaha Mote, PCA do INCM.

E já há algumas perspectivas para o futuro. “Os próximos passos passam pela materialização dos compromissos que aqui assumimos, e também por explorar novas áreas de cooperação. Durante a nossa conversa, tivemos acesso a uma série de projectos muito ambiciosos e que nós não tínhamos conhecimento e queremos fazer parte desses projectos”, referiu Tuaha Mote.

O Instituto Nacional das Comunicações tem, por finalidade, a regulação, supervisão, fiscalização, sancionamento e representação dos sectores postal e de telecomunicações, bem como a gestão do espectro de frequências radioeléctricas.

O Banco Mundial aprovou um crédito de 300 milhões de dólares para o Projecto de Acesso a Finanças e Oportunidades Económicas em Moçambique. O objectivo é apoiar o Fundo de Garantia de Crédito criado pelo Governo e promover a inclusão financeira, ao abranger grupos de poupança informais.

O projecto em causa é denominado “Mais Oportunidades”. Tem a duração de seis anos e é financiado pela Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), um dos braços do Banco Mundial.

“O Banco Mundial irá apoiar o Governo de Moçambique a enfrentar múltiplos choques económicos e os constrangimentos de mercado que impedem as micro, pequenas e médias empresas e indivíduos, incluindo trabalhadores informais, de aceder e usar serviços financeiros e aproveitar oportunidades económicas”, disse Idah Z. Pswarayi-Riddihough, directora do Banco Mundial para Moçambique.

Com o crédito de 300 milhões de dólares, ora aprovado, o projecto pretende apoiar, directamente, o Pacote de Medidas de Aceleração Económica do Governo, e outras medidas, através da criação de um Fundo de Garantia de Crédito nacional – o primeiro deste género em Moçambique.

O fundo visa promover liquidez no sistema bancário e desbloquear financiamento para as pequenas e médias empresas, incluindo empresas pertencentes ou lideradas por mulheres, ou que operam em regiões ou sectores vulneráveis aos choques climáticos.

“O projecto também irá aumentar as oportunidades económicas através do aprofundamento de reformas no ambiente de negócios, expansão ao acesso aos mercados, capacitação e financiamento. Espera-se que o projecto ajude a criar mais de 26 mil novos empregos ao longo de seis anos”, lê-se no comunicado de imprensa do Banco Mundial a que “O País” teve acesso.

Segundo o Banco Mundial, estima-se que a população do país venha a alcançar 50 milhões até 2040. Para acompanhar este crescimento demográfico, a economia deve gerar 500 mil novos empregos por ano, isto é, 20 vezes mais do que os 25 mil empregos formais gerados actualmente, a cada ano.

Empreendedor, escritor e religioso brasileiro, Tiago Brunet recorre à personagem bíblica Moisés para explicar que, quando este estava a guiar o povo de Israel, saindo para a terra prometida, resolveu vários problemas que não criou. “O líder é um intercessor entre os liderados. Liderança não é um título, é um reconhecimento”, explicou o mentor. Brunet aconselhou os empreendedores a sempre gastarem menos do que ganham. “As pessoas começam a ganhar dinheiro e já querem aumentar o seu padrão de vida. Fazer tudo por um propósito e nunca fazer por dinheiro”, alertou um dos escritores com mais livros vendidos no Brasil.

 

Como é que foi relacionar-se directamente com os seus fãs e seguidores em Moçambique?

Foi uma alegria muito grande, porque a nossa recompensa, como mensageiros, comprova que a mensagem chegou. Quando a gente vem de um país que é do outro lado do mundo, no meu caso, o Brasil, e vê que a mensagem ficou, essa é a nossa recompensa. Por isso, eu sinto-me recompensado em ver que várias pessoas são leitoras dos nossos livros e que deram o testemunho de que a mensagem não só chegou como também transformou a vida de muitas pessoas. Eu agradeço apenas a Deus, por ser mais um mensageiro e poder partilhar a mensagem com os demais.

 

E por falar em transformação, a sua vida começou a transformar-se rumo a um bom porto em 2014. Foi praticamente neste período em que tudo deu errado e decidiu começar do zero, abriu uma página da sua vida e mostrou que é possível recomeçar. Como é que foi, exactamente nesse momento, começar a escrever e a dar palestras?

Independentemente da sua região e da sua crença, todo o ser humano precisa de ter fé. Em 2014, eu quebrei-me total, financeira e emocionalmente. Tive crises seríssimas de pressão e ataque de pânico. Fui processado judicialmente, várias vezes, por causa da empresa que estava a dever muito dinheiro. A pressão emocional estava quase impossível de suportar.

 

Qual foi o ponto de partida para a mudança?

Quando não tinha mais escolha, comecei a concentrar-me no que realmente possuía, aquilo que nem a quebra emocional e financeira conseguiu roubar de mim: o meu dom. Às vezes, o teu pequeno sucesso financeiro ou na vida social faz com que você se desconcentre do seu dom. Eu estava desconcentrado de um dom, que era entregar a palavra.

 

Foi um exercício de introspecção ou contou com alguém para o despertar?

Fomos eu e Deus trancados no quarto durante nove meses. Nesse período, não houve intervenção de ninguém. Depois, sim. Comecei a procurar mentores, porque não tinha quem me orientasse. Percebi que era orgulhoso, achava que sabia todas as coisas, que não precisava de perguntar nada a ninguém. Hoje, para mim, é fácil entender porque, em 2014, eu me quebrei financeira e emocionalmente. O orgulho e a ignorância fazem qualquer ser humano quebrar-se e, nesse ano, eu tomei uma decisão importante, que foi sair do orgulho, buscar humildade, sair da ignorância e buscar conhecimento. Daí, as coisas começaram a mudar fortemente na minha vida. Se você não acreditar, não tiver fé de que Deus está consigo, dificilmente vai resistir.

 

E foi com fé que escreveu o seu primeiro livro rumo ao lugar desejado, que descreve, exactamente, o momento em que se encontrava quando escreveu e decidiu publicar e tornar-se palestrante?

Foi um grande desafio para mim, porque eu tive que o escrever estando quebrado. Eu perguntava-me, sempre, quem vai ter a vontade de ler um livro de alguém que não tem resultado. Eu decidi escrever sobre como você sai do lugar onde está e ir para o lugar onde sonha, baseando-me não só nas atitudes que eu estava tomando naquele momento, mas no conselho dos grandes mentores a que eu me estava aproximando na época. Um deles é o doutor Augusto Cury, que é psiquiatra mais lido do mundo. Ele foi mentor para melhorar a minha inteligência emocional, inclusive prefaciou o livro. Ninguém quis publicar o meu livro. É bom lembrar que, hoje, eu sou um dos escritores mais lidos do Brasil. Temos milhões de livros vendidos, mas o meu primeiro livro ninguém quis publicar. Ainda assim, não desisti.

 

Se tivesse que reescrever o livro, hoje, com o mesmo título, mesmo conteúdo, do ponto de vista da abordagem que traz, escreveria do mesmo jeito ou com outros olhos viria a forma como encarou a situação?

Por mais que hoje eu tenha mais sabedoria, mais experiência, há pessoas que só entendem aquela parte que eu escrevi. Se eu escrevesse o livro de novo, seria de uma forma que só atingiria um único grupo de pessoas e, naquela época, escrevi de uma forma mais básica que atinge pessoas também do nível básico. Cada livro meu foi uma evolução das fases. Para quem está a começar a vida nos negócios ou desenvolver pessoalmente, o “Rumo ao lugar desejado” vai ensinar exactamente sobre isso. Agora, estou a escrever um livro mais complexo, sobre os princípios espirituais, que é a fase que estou vivendo. Todos os livros que eu escrevi atingem pessoas de classes diferentes.

 

E com esta sabedoria que adquiriu com o passar do tempo, aconselharia alguém, numa fase ainda inicial do empreendedorismo, a apostar em ser palestrante, mentor ou escritor?

O que aconteceu comigo foi particular. Primeiro, eu carregava o sonho de ser escritor. Segundo, encontrei um mentor que tinha livros mais lidos no Brasil naquela altura; foi quem me ajudou a escrever a minha primeira obra. A minha história, naquele momento, era forte. As pessoas, por vezes, quando vão dar uma palestra sem ter experiência, acabam mentindo, e a mentira, em breve, é revelada. Tudo o que não é de verdade tem prazo de validade! O meu conselho geral é: você deve esperar ter experiência para poder ser palestrante ou mentor. Em casos raros, você pode lançar um livro no início da carreira e dar certo. Em regra, a experiência é importante.

 

E por falar nesta fase da sua vida, Tiago Brunet defende que toda a dor tem um propósito e que a dor é um treinamento para que se tenha autoridade em alguma coisa. Com esta crença, como é que explica que existam muitas pessoas que passam por esta fase da dor, mas não conseguem libertar-se dela e muito menos apropriar-se desta experiência para que, de facto, consigam alcançar algum resultado?

Imagina uma mãe que teve os seus filhos mortos numa tragédia. Isso eu chamo de dor verdadeira. E existe uma dor que a nossa mente fabrica. Por exemplo, uma adolescente de 12 anos que acha que vai morrer porque o namorado a abandonou. Primeiro, o ser humano tem a dificuldade de reconhecer os níveis de dor, se é uma dor verdadeira ou é uma que está a ser fabricada no seu pensamento. Quando você está debaixo de uma dor, de verdade, aí sim, precisa tomar alguma decisão. A dor precisa de ser o motivo da sua força. E quando a dor é falsa, aí é só lutar contra ela. O tempo ajuda muito, mas também a sabedoria aniquila todas as dores que não são verdadeiras e você deixa de sofrer à toa. Não tem como evitar as dores da vida, pois elas são necessárias para a gente crescer.

 

Tiago Brunet tem uma particularidade de trazer uma mensagem muito profunda. É teólogo e usa a Bíblia para interpretar a vida com muito pragmatismo. No Makagui Fórum, fê-lo com mestria, trazendo a história de Davi, o pastor que ascendeu a rei. O que lhe fez optar por este modelo de financiamento?

Tenho contacto com a Bíblia desde que nasci. Sou filho e neto de pastores, porém eu não entendia a Bíblia, porque a religião era muito pesada para mim. À medida que fui crescendo, precisava de tomar uma decisão – se seria religioso ou não. Por muito tempo, tive a dúvida disso, até que, nesse processo, em 2014, quando eu fiquei quebrado, decidi não acreditar mais em Deus. Na verdade, eu conheci a Deus ao tentar desacreditá-lo. Comecei a ler a Bíblia para descobrir os supostos erros e falar que Deus não existia.

 

E com que olhos passou a olhar para a Bíblia?

Eu comecei a ver a Bíblia, não como um livro religioso, mas sim um manual prático de vivência. Se você quiser viver bem, já está tudo escrito há mais de dois mil anos.

 

O que o induziu a esta conclusão?

Antigamente, eu só escutava a Bíblia e não praticava, por isso era chato. Quando comecei a levar sério, por exemplo, quando a Bíblia diz que “não mintais uns aos outros”, aí eu disse que não vou mais mentir. A vida fica mais difícil quando você não mente, porque passa por alguns constrangimentos, mas, depois, a vida fica melhor. A Bíblia diz para a gente amar as pessoas, e é muito difícil amar quem lhe fez mal, quem fala mal de si por trás ou que demonstra inveja. Mas, quando você começa a praticar o que está escrito, fica muito bem emocionalmente e na sua vida.

 

Esta forma de interpretar a Bíblia é a única que adoptou na sua abordagem para levar uma mensagem eficaz ou existe uma outra?

Em princípio, esta é a única estratégia que eu tenho de me comunicar com todo o tipo de público. Eu tive muitas oportunidades de ir a Israel por causa do meu trabalho como guia de turismo. Eu tento levar os ensinos bíblicos da forma mais prática possível.

 

Por falar em Israel, revelou que viajou quarenta e oito vezes para este país e que tem alguma paixão profunda por Israel. Estando lá, teve a oportunidade de estudar a forma de ser e estar do povo de Israel e aprender a sabedoria judaica. Foi o lugar que definiu Tiago Brunet que conhecemos hoje?

A minha forma de olhar para a Bíblia está totalmente ligada ao número de vezes que fui a Israel. Com tantos anos de estudo, ninguém conseguiu desmentir uma vírgula na Bíblia. Aumentou a minha fé e a minha inteligência. A geografia foi fazendo eu comprovar pelas medidas, ou seja, pela inteligência. Comecei a ver que tudo era verdade, por isso, hoje, eu acredito na Bíblia, não só pela inteligência, mas também pela fé, e isso eu devo a Israel.

 

Podemos dizer que Israel é o seu combustível?

Eu não digo que é combustível, mas que é uma fonte. Você, quando bebe água do rio, pode beber água misturada, mas, quando você vai a uma fonte, a água é sempre pura.

 

Como é que integra os seus conhecimentos de teologia no trabalho que faz, de desenvolvimento pessoal?

Tudo o que dá certo hoje, na ciência, foi tirado da Bíblia. A Universidade de Harvard comprovou que a felicidade é você compartilhar com quem não tem. Isso foi tirado da Bíblia. Comecei a perceber que você pode estudar a ciência, mas é muito importante beber da fonte, que é a Bíblia. Comecei a ver a Bíblia como fonte principal e percebi que todos os conteúdos dos livros de desenvolvimento pessoal estão na Bíblia.

 

E pratica todos ou selecciona alguns?

Eu não sou perfeito. Digo que sou um ser humano em fase de construção. Daqui a cinco anos, você vai conhecer um Tiago Brunet muito melhor do que o de hoje. Luto, diariamente, para cumprir os princípios bíblicos. Ou seja, tudo o que faço, como ser humano, é para me tornar alguém melhor, para ajudar mais pessoas. Ensinei, agora, no Makagui Fórum, que Davi também cometeu erros, mas a diferença é que ele se arrependia imediatamente. Uma das formas de perceber quem pratica a sabedoria milenar ou não é pelo arrependimento. A sabedoria milenar, além de ensinar princípios, leva, imediatamente, a reconhecer os próprios erros e concertá-los para nunca mais voltar a cometer esse erro.

 

Como é que Tiago Brunet vê a relação entre a espiritualidade e o sucesso?

O verdadeiro sucesso exige espiritualidade. Hoje, dos 15 melhores bilionários do Brasil, oito são meus amigos pessoais e nem todos são felizes de verdade. Não têm amor dos filhos, nem todos têm casamentos felizes, mas têm muito dinheiro. Podemos dizer que eles têm sucesso profissional, mas não têm sucesso na vida. As pessoas com sucesso financeiro, geralmente, praticam a espiritualidade porque têm fé. Há pessoas que não têm religião e, tecnicamente, não conhecem a Bíblia, mas inconscientemente praticam esses princípios.

 

Tiago Brunet é um homem que vive com essência da espiritualidade. Considera-se um homem de sucesso?

Considero-me um homem de sucesso. Não pelos seguidores ou pela vida financeira, mas por três coisas: Deus gosta de mim. Segundo, a minha família me ama e eu amo a minha família, meus filhos me admiram e eu admiro os meus filhos, minha esposa me admira e eu admiro minha esposa. Terceiro, eu não me desvio do meu propósito de entregar a mensagem às pessoas de todo o mundo.

 

Quando diz que Deus gosta de si, lembro-me de já ter ouvido Tiago Brunet a dizer que Deus falou consigo em algum momento da sua vida em que esteve nos Estados Unidos e depois voltou para o Brasil. Pode explicar, de forma muito simples, como é que acontece esta comunicação com Deus?

Você só reconhece a voz que escuta todos os dias. Se você começar a praticar através da oração, Deus procura uma maneira de falar com você. Nem sempre vai escutar uma voz audível. Às vezes, vai ser o sentimento, sonho, mensagem, através de uma outra pessoa, mas Deus sempre vai encontrar uma forma de falar consigo e você vai entender. No meu caso, porque tenho a prática de escutar a Deus desde muito jovem, em uma oração que estava fazendo, escutei a voz de Deus me direccionando a voltar para o Brasil. Era algo completamente fora dos planos. Éramos felizes nos Estados Unidos, vivendo uma vida que sonhamos ter, e não tinha sentido voltar para o Brasil. O que não sabia é que tudo o que aconteceu na minha vida, nos últimos três anos, aconteceu quando voltei. Quanto mais alinhados estivermos com Deus, mais alinhados ao nosso destino estaremos.

 

E há sinais?

Deus fala através de sinais. Eu casei com a minha esposa por causa dos sinais que pedi a Deus.

 

Qual é a sua visão sobre a liderança aos olhos da teologia?

A liderança, à luz da sabedoria milenar, é algo muito simples. Um bom líder precisa estar disposto a resolver problemas que não criou. Moisés, quando estava guiando o povo de Israel, saindo para a terra prometida, resolveu vários problemas que não criou. O líder é um intercessor entre os liderados e o grande objectivo. Liderança não é um título, é um reconhecimento. Imagina um avião cair numa floresta e, apesar de se ter destruído, todos sobreviverem. No primeiro minuto após a queda, você vai saber quem é o líder. Vai ser a pessoa que dará iniciativas, vai ser proactivo e cuidar das outras pessoas.

 

Tiago Brunet diz que a Bíblia é o manual de instrução de um ser humano. Enquanto mensageiro, como é que se protege da má interpretação da Bíblia?

Quando você compra um electrodoméstico para sua casa, um televisor, por exemplo, vem sempre com um manual de instrução, e Deus foi muito justo ao criar o homem e deixar um manual de instrução. Mas tudo o que está escrito pode ser interpretado de formas diferentes. Hoje em dia, por causa das redes sociais, você pode escrever um texto e as pessoas entenderem que você está nervoso enquanto não está. É por isso que existe a teologia para os estudos bíblicos, para equilibrar as interpretações. Existem interpretações que são diferentes, mas são certas, e algumas contra a verdade. O mais aconselhável é que você escute a palavra por pessoas equilibradas, por pessoas que você sabe que têm frutos. A Bíblia diz que maldito é o homem que confia no homem. Não coloque toda a esperança num homem, coloque toda a sua esperança em Deus, mas quando você quer ouvir um homem precisa, primeiro, analisar os seus frutos.

 

Sendo a Bíblia um manual de instrução para os seres humanos, como entender que ela surja depois de Deus ter criado os homens?

A Bíblia é um livro cem por cento inspirado por Deus e escrito pelas mãos dos homens. Se você pegar qualquer cientista ou historiador, não vai conseguir desmentir a Bíblia por causa da coerência desde Gênesis até Apocalipse. Imagina um livro que foi escrito com milénios de distância e cada história complementa a outra. Um livro que foi lançado há mais de dois mil anos e é mais actual que o jornal de amanhã. É incontestável o poder da palavra e para acreditar, espiritualmente, você precisa ter fé. Quanto mais entender o que está escrito, mais vida de paz e prosperidade terá.

 

Diz que os princípios valem mais que os sentimentos e que eles nos fazem saber respeitar as autoridades. Como compreender que neste momento estou a ser guiado por princípios e não por emoções?

Por exemplo, o princípio de honrar pai e mãe é milenar, mas nem todos os pais foram bons para os seus filhos. Teve pai que abandonou, mãe que maltratou e, quando este filho cresce pergunta-se como vou honrar os pais se eles me abandonaram? Mas a Bíblia não diz para honrar os seus pais porque eles fizeram o bem consigo, diz apenas para os honrar. O seu sentimento de raiva não pode ser maior que o seu princípio de honra. Essa é a única forma de ter paz e prosperidade.

 

Algumas pessoas são incoerentes, inconsequentes e depois clamam por resultados que não produziram. Olhando para esta forma de ver a vida, a educação pode ser a chave para alterar os resultados que as pessoas gostavam de ter e que, na maior parte das vezes, não cultivam para colher?

Educação é a única chave, só que não necessariamente a educação formal. Às vezes, a vida vai ser o seu treinamento; às vezes, os livros podem remodelar as pessoas. Fui muito remodelado por leitura e mentores. Apesar de eu ter concluído a escola formal, considero que foi muito mais importante o meu conhecimento empírico, através das experiências da vida do que o académico. Nada se transforma sem educação ou sem treinamento.

 

Tiago Brunet tem a particularidade de ser especialista em treinar pessoas e criou projectos como Instituto Destino e Café com Destino. Tem contacto diário com as pessoas neste percurso empresarial. Quais são as convicções que mudou e hoje tem como experiência de vida?

Se tivesse alguém para me treinar emocionalmente, antes de ter a quebra financeira, eu jamais teria passado pelas dificuldades que passei. Eu comecei o Instituto Destino com uma só intenção: ser a pessoa que faltou em mim em 2014, ou seja, ser um líder espiritual, um mentor para que as pessoas não passem pelo que eu passei. A miséria financeira é reflexo da sua mente. Se você muda a sua forma de pensar, automaticamente, muda os seus resultados financeiros.

 

Tiago Brunet é um bom criador de conteúdos. Considera-se também um bom gestor ou um bom farejador de negócios?

Eu não sou um bom administrador. Por incrível que pareça, essa é a função da minha esposa. Eu sou um bom canalizador de negócios. Consigo entender onde há negócio e consigo gerar riqueza do zero em qualquer lugar para onde eu for, mas, a partir do momento que eu ganho, minha esposa administra.

 

Como é que fareja oportunidades de negócio?

Entendo que negócio bom é aquele que ajuda pessoas. Apesar de a minha missão na terra ser de um mensageiro, o meu trabalho é ser empreendedor. Tenho negócios, tenho o meu instituto. Quando se trata de um negócio, você tem que analisar algo muito importante, que é a margem, o quanto desse trabalho sobra para si. Porque há gente que consegue facturar muito dinheiro, mas não sobra nada. Aí eu aprendi da vida que é melhor você facturar menos sobrando mais do que facturar muito sobrando nada.

 

Qual é o melhor conselho, na componente empresarial, que já recebeu na sua vida?  

O conselho que mais me ajudou é de sempre gastar menos do que ganho. As pessoas começam a ganhar dinheiro e já querem aumentar o seu padrão de vida. Fazer tudo por um propósito e nunca fazer por dinheiro. Invista na sua missão na terra e aí é impossível o dinheiro não vir atrás.

 

 

Quais são as habilidades que os aspirantes a palestrantes devem ter em conta para desenvolver e poder singrar?

É muito importante aprender a falar em público, ser um bom contador de histórias, e Jesus fazia muito isso. Ele era um mestre da comunicação. É preciso, também, falar sempre a verdade. Uma coisa muito importante para os palestrantes é ter um conhecimento através de livros, mas as pessoas acreditam no conhecimento empírico.

 

Como é que Tiago Brunet lida com a crítica?

No início, era difícil para mim, porque eu achava que estava a fazer o bem para as pessoas e muitas pessoas criticavam de várias formas. Hoje, entendo que há dois tipos de pessoas: a que te repreende e a que te critica. Quem repreende tem autoridade sobre você. São os seus pais, a sua família. E a Bíblia diz que quem ama a repreensão é sábio. E crítica na vida, hoje em dia, eu não escuto nenhuma. Nunca respondi a um crítico na internet.

 

Qual é a razão?  

A minha vida emocional é muito cara para eu negociar com assuntos baratos. Ou seja, é muito carro ter paz. Como é que vou negociar a paz por uma crítica barata? Se você sonha em crescer na vida, vai ter de aprender a lidar com a crítica.

 

A questão é seleccionar a origem da crítica?

Não é o que a pessoa está falando é quem está falando. Descubra o seu propósito e viva por ele que nada lhe será impossível.

O ministro da Indústria e Comércio, Silvino Moreno, diz que a crise do milho reportada por moageiras em Nampula resulta da fraca produção e de produção retida devido a problemas nas vias de acesso causados pelo ciclone Freddy. A referida produção está retida em Niassa. Trata-se de cerca de 80 mil toneladas.

“Nampula produz quantidades suficientes para as moageiras locais. A estas alturas do ano, antes da próxima colheita, normalmente, os industriais, as moageiras e outros recebem matérias-primas de outras províncias – são os stocks da época anterior. O que aconteceu agora é que, por causa do Freddy, o transporte dessa matéria-prima não chegou a Nampula; ficamos duas semanas sem ligação com Niassa, onde existem stocks de milho e foi isso que criou a crise”, esclareceu o ministro.

Silvino Moreno entende, no entanto, que é preciso haver maior controlo do consumo e uma maior coordenação entre as entidades governamentais e os operadores dessa área (os industriais). Diz ainda que é preciso melhorar a planificação para que crises iguais não voltem a acontecer. “Não faz sentido que uma província onde o milho é dos produtos que mais se colhe, tenha problemas de farinha de milho.”

Para já, o ministro da Indústria e Comércio diz que o preço do milho já começou a baixar e diz que, nestes dias da crise, houve certo aproveitamento por parte de alguns comerciantes. “O milho cujo preço subiu de 900 para 2 000 Meticais não foi moído na mesma semana. É um aproveitamento dos comerciantes. O preço do milho já baixou. Estava ontem a 1200 Meticais, mas ainda não é o preço óptimo. O milho do saco de 25 quilogramas deve ser vendido, no máximo, a 800 Meticais”, concluiu Moreno.

Para impedir que tal aproveitamento continue a acontecer, o ministro diz que já foi accionada a Inspecção das Actividades Económicas.

Dados partilhados pelo Governo mostram que muitos alimentos consumidos no país são pouco nutritivos, o que está a criar problemas crónicos de desnutrição, principalmente em crianças. Por exemplo, cerca de 69% das crianças menores de cinco anos consomem alimentos com falta de vitamina A e são anémicas.

“As deficiências em micronutrientes, em particular a anemia, a deficiência em vitamina A e em iodo, para mencionar algumas, ainda afectam uma grande parte da população moçambicana e contribui para os índices elevados de desnutrição crónica, este último afectando a pelo menos uma em cada três crianças abaixo de cinco anos de idade no país”, disse a representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Moçambique.

Diante da situação, o ministro da Indústria e Comércio lançou, esta quarta-feira, a segunda fase da Estratégia Nacional de Fortificação de Alimentos 2023–2027, um instrumento que tem como objectivo proporcionar a 80% da população alimentos mais seguros durante o período.

“Esta estratégia apresenta um plano de acção estratégico que contempla a apresentação e novas abordagens, como a fortificação de farinha de milho para moageiras de pequena escala; a expansão da fortificação para as zonas rurais; a consolidação de modelos de negócios para produtores de sal”, revelou Silvino Moreno, ministro da Indústria e Comércio.

Para tal, já existe um valor a ser usado pelo Ministério da Indústria e Comércio para ajudar as indústrias nacionais a melhorarem a qualidade dos alimentos. Segundo Eduarda Mungoi, coordenadora do Programa Nacional de Fortificação Alimentar, há disponível para a implementação da estratégia pelo menos dois milhões de dólares norte-americanos.

Um dos constrangimentos encontrados na fase 1 da estratégia, que vigorou de 2016 a 2020, é a falta de controlo de produtos sem qualidade, que entram no país. Por isso, o sector privado quer mudanças.

“Por forma a permitir que todo o produto que não cumpra o regulamento de fortificação seja retirado do mercado. O que temos estado a constatar é que os produtos importados têm estado a ocupar uma taxa bastante significativa no nosso mercado e reduz a nossa capacidade de crescimento”, defendeu João Matlombe, um dos representantes das empresas industriais do sector privado.

Segundo a Estratégia Nacional de Fortificação de Alimentos, os produtos básicos a serem fortificados são óleo alimentar, sal, açúcar, farinha de milho, trigo e, nesta segunda fase, pretende-se incluir o arroz.

A dívida pública interna agravou-se, de acordo com dados do Banco de Moçambique. O endividamento público interno, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 301,3 mil milhões de Meticais, o que representa um aumento de 9,4%, o correspondente a 26,1 mil milhões, em relação a Dezembro de 2022.

O Banco Central não avança com dados sobre a dívida no seu todo (incluindo a dívida externa) nem revela o rácio da dívida em relação ao Produto Interno Bruto. Entretanto, a dívida do país continua insustentável, segundo informações mais recentes sobre a situação financeira do Estado.

Ainda hoje, o Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 17,25%. “Esta decisão é sustentada pela manutenção das perspectivas de uma inflação de um dígito, no médio prazo, não obstante a materialização e agravamento de alguns riscos associados às projecções de inflação, com destaque para a ocorrência de desastres naturais e o aumento da pressão sobre a despesa pública”, lê-se no comunicado do Banco Central.

A autoridade monetária diz que os riscos e incertezas subjacentes às projecções de inflação agravaram-se. A nível interno, destacam-se as incertezas em relação aos impactos dos recentes choques climáticos sobre os preços de bens e serviços, no curto prazo, assim como ao aumento da pressão sobre a despesa pública. Na envolvente externa, destacam-se as incertezas relativamente aos efeitos da volatilidade nos mercados financeiros globais e do prolongamento do conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

 

INFLAÇÃO DE UM DÍGITO A MÉDIO PRAZO

Perspectiva-se, de acordo com o Banco de Moçambique, uma inflação de um dígito no médio prazo. Em Fevereiro de 2023, a inflação anual acelerou de 9,78% para 10,30%, a reflectir, sobretudo, o incremento dos preços dos bens alimentares em face da ocorrência de choques climáticos, e o aumento dos preços dos bens e serviços administrados. Entretanto, a inflação subjacente, que exclui as frutas e vegetais e bens administrados, manteve-se estável. Para o médio prazo, mantêm-se as perspectivas de inflação de um dígito, decorrente do impacto das medidas tomadas pelo CPMO, da estabilidade cambial e da tendência de redução dos preços das mercadorias no mercado internacional.

O supervisor do sistema financeiro antevê um crescimento económico mais moderado para 2023.Estas perspectivas reflectem, sobretudo, a prevalência de condições financeiras globais mais restritivas, resultando numa menor expansão da actividade económica global e consequente redução dos preços internacionais das mercadorias de exportação”, disse o Governado do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela.

Excluindo os projectos energéticos em curso na Bacia do Rovuma, prevê-se um crescimento do PIB mais lento, devido, essencialmente, ao impacto dos recentes choques climáticos sobre a produção agrícola e diversas infra-estruturas.

Flávio Augusto, empreendedor e bilionário brasileiro, defende, em Grande Entrevista, que um país que tem jovens empreendedores é um país que cresce, porque quem produz para a sociedade é o empreendedor. Na sua opinião, o Estado tem que ser um tutor dos negócios e deixar que a sociedade, de forma livre e facilitada, realize negócios. Por outro lado, o fundador da Wise Educação deu lições de venda e encorajou potenciais empreendedores a saírem do lugar-comum para terem resultados diferentes e de sucesso. “Se você faz o que todo o mundo faz, terá os mesmos resultados que os outros têm”, vaticina o também docente universitário.

 

Quando decide ser empresário? Quando iniciou essa carreira empreendedora, tinha noção de onde queria chegar?

Eu tinha intenção de ser e não tinha noção de onde chegaria. Isso é muito típico de cada empreendedor, porque nem sempre você tem a visão completa, mas tem alguma visão. E a visão que você tem é a que é suficiente para você caminhar. Vai subindo alguns degraus e, à medida que isso acontece, você vai ampliando a sua visão e, à medida que você amplia a sua visão, você tem a opção de continuar a avançar em direcção àquela visão ou, simplesmente, parar e desfrutar daquilo que já conquistou. Estou já há 28 anos avançando e desfrutando ao mesmo tempo.

 

Podemos dizer que Flávio Augusto tem um bom faro nos negócios, olhando para o seu percurso de vida, a história da Wise Up Online? É um homem essencialmente de negócios?

É o que a gente busca ter. A gente não acerta todos os dias, mas acerta a maioria até hoje. Temos prosseguido avançando e expandindo para novas oportunidades.

 

Qual é a formação para isso?

Penso que a formação para esse avanço é a formação da vida e não uma formação académica. Infelizmente, dentro da academia a gente não aprende essas habilidades. Eu, até dentro da academia, contribuo como professor de alguns MBA (mestrados em gestão de negócios) e pós-graduação dentro do Brasil, onde a gente procura dar essa visão mais prática. Mas eu penso que a formação no campo de batalha é a formação que é necessária para esse avanço.

 

Costuma-se dizer que a sorte é uma deusa altiva, que não perde tempo com quem não está preparado. A facilidade e a naturalidade com que faz negócios é fruto de uma análise profunda ou de uma pesquisa para tomar decisões, estando claro dos riscos que possam estar associados?

O risco é inerente a qualquer negócio. O risco faz parte. Mas existe uma relação directa entre o risco e o retorno. Ou seja, para você ter o maior retorno você vai ter o maior risco envolvido. Eu digo isso até do ponto de vista filosófico. A metáfora que eu gosto de dar é a do pássaro fora da gaiola. O pássaro, dentro da gaiola, não tem liberdade, mas, de certa forma, a gaiola protege-o de predadores. A gaiola, de certa maneira, oferece alguma protecção, mas aquilo lhe tira a liberdade. Mas, para você ter liberdade, tem que sair da gaiola. Ora, fora da gaiola você tem mais riscos.

 

Isso para dizer que Flávio Augusto sempre preferiu estar fora da gaiola?

Sempre fui um pássaro fora da gaiola. Nunca abri mão de estar fora da gaiola. Eu penso que o risco de estar fora da gaiola, na verdade, é muito menor do que a frustração que a gaiola traz pela perda da liberdade. Há uma outra coisa. Eu penso também que a protecção dentro da gaiola é um pouco ilusória. Até a suposta segurança oferecida dentro da gaiola é questionável e, se nós trouxermos isso para a vida, há carreiras, há modelos de vida, de emprego e de trabalho que oferecem uma suposta segurança. O empreendedorismo é a actividade para quem queira estar fora da gaiola. No final das contas, o que de facto representa maior risco? A frustração de você não ter realizado o seu sonho em troca de uma suposta segurança dentro da gaiola ou o próprio risco de você estar voando do lado de fora?

 

Todos os governos têm uma máquina, o aparelho do Estado, e precisam de ter gente lá para pôr essa máquina a funcionar. Como é que estes indivíduos podem empreender dentro da função pública?

É possível empreender sendo um empregado público, mas não espere retorno financeiro. Você pode empreender, pode contribuir para o turismo, por generosidade, por mero patriotismo ou por desejo de ter uma contribuição pública. Acredito que existam pessoas que tenham um desejo sincero de contribuir.

 

Na sua visão é estar na zona de conforto ou estar na gaiola?

Penso que para quem queira resultados maiores, na minha visão, é absolutamente legítimo você querer ganhar mais. Você quer enriquecer, ter mais retorno para oferecer uma vida melhor à sua família e até para ajudar outras pessoas. É preciso ser altruísta, porque eu não conheço, em nenhum lugar do mundo, alguém que enriqueceu honestamente sendo servidor público. Ser um servidor público, empreender e contribuir com o país mesmo não tendo retorno financeiro está tudo certo. Essa pessoa vai ser feliz. Para quem queira mais da vida, para quem queira enriquecer, o empreendedorismo é o caminho.

 

Voltando para a sua veia empreendedora, como é que identifica as oportunidades de negócio?

Não planeie ser empreendedor. Tudo começou na minha vida quando eu me apaixonei por uma menina de 15 anos e eu tinha 18 anos. E aí a gente vê o que é que uma mulher faz na vida de um homem, porque foi a primeira vez em que eu pensei que precisava de ganhar dinheiro. Comecei a vender, tive uma actividade natural para vender relógios. Foi a primeira vez em que eu vendi um relógio e ganhei dinheiro. Depois, comecei a trabalhar vendendo curso de inglês. Arrumei um emprego num curso de inglês. E aprender a vender deu-me um sentimento de que eu poderia ganhar o que eu quisesse. Eu poderia progredir financeiramente, então melhorei bastante vendendo. Fui gerente de vendas, fui director de vendas, trabalhei como alto executivo de uma empresa de inglês e gostei desse resultado.

 

Em termos concretos, foi a partir dos 18 anos que a palavra “venda” passou a estar no topo da lista da sua vida…

De facto, aos 18 anos eu conheci as vendas. Dos meus 19 aos 23, vendi profissionalmente. Só que a venda me trouxe uma visão maior e uma ambição maior e aí o empreendedorismo entrou como uma nova ferramenta que a venda me proporcionou. O empreendedorismo deu-me muita coisa, muitas oportunidades. Por isso, sou defensor do empreendedorismo. Penso, inclusive, que um país que tem jovens empreendedores é um país que cresce, porque quem produz para a sociedade é o empresário. O empresário é que gera emprego e não o político nem o Estado. O Estado tem que ser um tutor dos negócios. Ele pode ser um fomentador dos negócios, mas quanto mais livre é a sociedade para realizar negócios mais próspera ela se torna. Os indivíduos sentem-se mais empoderados para realizarem negócios a construir negócios. O mundo em que nós vivemos é o resultado do empreendedor.

 

E que habilidades ou competências são necessárias para se ser um bom empreendedor de sucesso?

O empreendedor é um inconformado. É alguém que quer transformar a realidade e, acima de tudo, transformar a sua própria realidade. O desejo individual de crescimento – o desejo do indivíduo – é a origem de tudo. Alguns chamam isso de egoísmo. Ora, não podemos confundir individualidade com individualismo. Segundo, ele tem de ter uma visão que passa por solucionar problemas. Eu venho de um país em desenvolvimento, o Brasil, cheio de problemas e quanto mais problemas um país tiver mais oportunidades tem. A solução de um problema tem um valor. Terceiro, é preciso ter coragem. O empreendedor precisa de coragem para investir. Se você tiver uma boa ideia, uma boa visão, mas se não tiver coragem, a sua ideia fica presa dentro da gaveta. Quarto, precisa de competência. Precisa saber de fazer, vender, operar e contratar.

 

E veio a Moçambique mesmo para partilhar esse conhecimento. São praticamente quase 30 anos como empreendedor e domina esta componente de venda. Ao subir ao palco do fórum Makagui partilhou com os moçambicanos esse conhecimento que tem nesta matéria e sentiu-se uma adrenalina muito positiva. Pessoalmente, como é que se sentiu nessa proximidade com os moçambicanos?

Eu amo compartilhar o que aprendi, porque isso transformou a minha vida. Faço isso há 12 anos na internet. Falo todos os meses com cerca de 20 milhões de pessoas na internet, compartilhando conhecimento. Gosto de fazer isso e, cada vez que subo ao palco para poder dar uma aula, seja “online” ou pessoalmente, tenho um prazer muito grande. Mas falando especificamente sobre Moçambique já há alguns anos eu tenho um público muito grande deste país, que me acompanha nas redes sociais, e a interacção sempre foi muito boa. Quando conheci Daniel David, há cerca de um ano, a nossa interacção sempre foi muito positiva, o que acabou redundando numa parceria de negócios muito importante. Vir pessoalmente a Moçambique foi muito importante para materializar essa minha percepção sobre este país, por sinal, muito jovem. Um país em que eu percebo muita fome, muita vontade de aprender e desenvolver-se. Fui recebido com muito carinho e foi bom cá estar pessoalmente e ver esse calor humano que Moçambique tem. Surpreendeu-me o facto de ver muita gente querendo fazer negócios e querendo construir empresas. Penso que existe um futuro muito promissor aqui neste país.

 

A sua imagem catapultou-se em Moçambique com a chegada da Wise Up Online. Essa parceria Makagui e Wise Educação tornou mais conhecido o Flávio Augusto em Moçambique. Vir a Moçambique foi parte da estratégia de marketing também deste produto?

Penso que quanto mais nos aproximamos do público final fortalecemos a relação e acaba-se tornando um ingrediente forte para catapultar ainda mais os nossos negócios neste país. Aprender inglês promove o desenvolvimento pessoal e amplia oportunidades pessoais. Não tenho nenhuma dúvida de que, assim como no Brasil, onde temos hoje centenas de milhares de alunos, aqui em Moçambique, onde também já temos alguns milhares de alunos, as pessoas vão melhorar muito de vida aprendendo a falar inglês.

 

Já definiu aqui o perfil de um bom vendedor. O que deve ser a essência da estratégia do marketing de um negócio, tomando como exemplo os seus negócios?

Todas as nossas estratégias de marketing buscam apresentar as características dos nossos produtos sempre com muita transparência. E tudo começa com o planeamento ao posicionamento que a gente tem em relação a cada produto. Sempre posicionamos cada produto desenvolvendo-o com muita qualidade, com uma comunicação muito clara e de um nível muito bom e com uma forma de pagamento muito acessível. Costumo dizer que nós temos um produto de classe A, que embalamos de maneira acessível para a classe B, mas cria uma maneira de pagamento facilitado para gente de classe C que possa ter acesso.

 

Flávio Augusto é um homem de mão na massa, é um homem de acção que, apesar de ser um bilionário, não pára. Está sempre a descobrir novos negócios e também está muito presente nos negócios que tem. Olhando para esta característica e para o facto de Flávio Augusto dizer que não trabalha pelo dinheiro, mas sim por ser um homem que busca a prosperidade. Pode descodificar esta mensagem de prosperidade?

Muitas pessoas me perguntam porque é que eu ainda trabalho tanto. Mas fazem-me essa pergunta sempre com o tom de surpresa, porque elas supõem que eu não preciso de trabalhar do ponto de vista financeiro. Ou seja, eu não dependo de um salário ou de ganhar algum dinheiro para viver, por supostamente eu já ter ganhado muito dinheiro. Elas estão certas. Já faz mais de 20 anos que não preciso mais de trabalhar do ponto de vista financeiro. Mas é um engano muito grande alguém supor que a única razão pela qual alguém trabalha é pagar as suas contas. Essa não é a única razão. A gente sabe que grande parte da humanidade depende de um salário para sobreviver. Não é o meu caso, pelo menos nos últimos 20 anos. Eu preciso de trabalhar porque preciso de ter significado. Eu preciso de me sentir útil, porque eu gosto de me sentir assim. É parte da minha missão de vida impactar pessoas. Eu preciso disso. Geralmente, pessoas que estranham isso, ou é porque desconhecem a outra forma de vida, o que é muito compreensível, ou porque não gostam de trabalhar.

 

Disse aos moçambicanos que gosta de abraçar projectos sociais, mas quando se trata de investir é para ganhar dinheiro?

Eu faço muitos projectos sociais e estou muito envolvido nisso. Quando eu faço negócios, tem que haver lucro. O lucro é belo e moral. É por causa do lucro que a gente gera emprego. É por causa do lucro que eu pago impostos e o Estado pode pagar as suas contas com os impostos que eu contribuo. É por causa do lucro que a sociedade se desenvolve.

 

Recordo-me de que iniciou a sua intervenção no fórum Makagui, na interacção com os moçambicanos, sublinhando o quanto é importante ter referências. Ao longo da sua carreira, quais foram as suas maiores referências?

A referência é mesmo muito importante. A primeira experiência de referência que eu tive foi quando estudei em escolas públicas no Brasil e quando a minha mãe deu todo o salário que tinha para eu me preparar para um concurso numa escola privada. Quando entrei na escola privada, percebi que o nível de ensino era muito elevado que as escolas públicas do Brasil e, com esta mudança, eu senti-me muito abaixo do nível dos outros alunos. Percebi que devia melhorar e ter contacto com outros alunos que tinham melhor nível educacional. Tinha que me dedicar mais, estudar mais. Levei três anos para poder competir de igual para igual com os outros alunos. Mas antes disso, na escola pública, eu era um dos melhores alunos, mas quando entrei na escola privada era um dos piores. Percebi que devia correr mais para evoluir. Estava prestes a ser contratado numa empresa em 1991. O treinamento foi feito por uma mulher. Ela tinha 26 anos e eu tinha dezanove. Achei incrível a forma como ela falava, a segurança que tinha, a influência que ela tinha sobre um grupo de 40 pessoas e eu percebi que estava muito atrás.

 

Esta necessidade de correr quando se tem referências acima das suas é que lhe faz concluir que “o melhor não é ser melhor mas estar entre os melhores”?

Certíssimo. O lugar onde você está conta muito. Quando você está num ambiente em que você é o melhor, muito provavelmente, está no lugar errado. A gente deve buscar sempre um ambiente em que existam pessoas melhores que nós e não há nenhum problema em fazer comparações. Todas as vezes em que a gente vê que está abaixo, há duas alternativas: a primeira, é não nos sentirmos vítimas da sociedade, pensar que não conseguimos. A segunda hipótese é observar que estou abaixo mas não se vitimizar, olhar para o nível dessas pessoas e correr até alcançar. Nasci numa família pobre. Gastava cinco horas por dia dentro de ónibus lotado de passageiros. Tive que correr muito para tirar essa diferença social. Contudo, as referências devem servir de estímulo para a nossa evolução.

 

Lembro que, no fórum Makagui, Flávio Augusto enfatizou muito a importância de não se viver na insegurança e buscar algo sempre maior que possa acrescentar valor à intelectualidade de cada indivíduo. Mas usou uma expressão que diz que: “a segurança é como uma armadilha para os nossos sonhos”. Isso diz muito da personalidade de Flávio Augusto. Quais foram os maiores desafios que teve como empreendedor e como é que foi superando, tendo como força motriz essa ideia de que “no mesmo ponto não posso ficar”?

O maior desafio de um jovem que está iniciando a sua vida é tomar o seu próprio caminho fora da linha de montagem da sociedade. De forma geral, existe um senso comum na sociedade. Sem dúvida alguma, a educação é muito fundamental na sociedade. No entanto, a gente segue um caminho, que passa pelo ensino fundamental, médio, universidade e depois disso, supostamente, vamos a um emprego e, no final da vida, você recebe uma aposentadoria. Na minha opinião, essa é a maior armadilha e o maior perigo. O grande desafio é você entender que esse não é o único caminho, ou seja, o único caminho para um jovem não é conseguir a vida numa empresa até se aposentar. Até pode ser um bom caminho, algo que realiza muita pessoas, mas não é o único caminho. Alguém pode seguir um caminho, ser bem-sucedido sendo atleta, artista plástico, ou seja, existem muitos outros caminhos. Hoje, a internet, por exemplo, é uma das áreas que mais forma milionários no mundo. Temos jovens com milhões de seguidores e ganhando milhões de dólares em várias plataformas. Ou seja, não existe apenas o caminho convencional e, para mim, um dos maiores desafios é um jovem ter a coragem de sair deste caminho convencional, quando certamente for criticado ou, em alguns casos, for chamado de louco. Sair de um lugar-comum é um desafio muito grande, principalmente no início de uma caminhada. Vamos voltar: quando tinha 23 anos, tive que interromper a faculdade de ciências da computação numa universidade federal do Brasil para vender o curso de inglês. Depois desta decisão, fui muito criticado. Pessoas achavam que tudo fosse uma loucura, até mesmo na família. Todas as vezes em que você sair do curso convencional, que a maioria das pessoas segue, você será tomado como louco. Indo pela lógica, se você faz o que todo o mundo faz, terá os mesmos resultados que os outros têm. No meu caso, os resultados que todos tinham naquela altura já não me agradavam. Queria algo melhor, algo grande e, por isso, se eu quero ter algo diferente, preciso de fazer algo diferente dos outros. Quando um jovem sai desta linha comum da sociedade e começa a ter sucesso, o primeiro reconhecimento vem de fora e nunca de dentro. As pessoas mais próximas são as últimas a reconhecer, mas isso não é por mal. Os nossos pais, os nossos parentes, querem o nosso bem. Então, qualquer movimento que pareça arriscado tomam uma atitude reactiva e protectora. No entanto, nós também temos das pessoas mais próximas aquelas que invejam. Quando as pessoas mais próximas percebem que você começa a evoluir, elas até gostam, mas não gostam que evolua mais que elas.

 

Voltando a esta questão de desafios. Tendo alcançado a prosperidade muito cedo, em que momento se sentiu desafiado e como é que lidou com a situação?

Depois dos desafios iniciais, tudo começa a dar certo e a gente começa a ter o reconhecimento de várias pessoas. Fiz o meu primeiro milhão com 23 anos de idade, e aí começa um segundo desafio de ter que administrar a riqueza que está produzindo e manter a sanidade mental. Há pessoas que, quando começam a ganhar muito dinheiro, enlouquecem. Já vimos casos de muitos jogadores de futebol que não estavam preparados para o recurso que chegou às suas mãos. Manter a humildade é muito fundamental quando começamos a ter sucesso e não transformar isso em algo negativo. Mas algumas pessoas têm medo do sucesso com alguma razão, pois o sucesso pode embriagar algumas pessoas. Eu completei 30 anos de casado no ano passado com a minha primeira namorada. Isso te protege para que mantenha a sua sanidade, independentemente da sua conta bancária.

 

Na plataforma de vendas da Wise Up, a formação e vendas é uma componente-chave. Flávio Augusto tem a disciplina de se manter presente nesta plataforma. Explique-nos melhor como é que funciona, qual é a estratégia de negócio assente nesta ferramenta de desenvolvimento de competências para a venda?

Formação de pessoas é fundamental e formação de vendedores, mais ainda! Todas as quartas-feiras eu dou uma aula ao vivo para todos os vendedores que estão no mundo inteiro conectados com ela. Nós temos vendedores em vários países do mundo. Nós estamos sempre em busca de novos talentos.

 

Os ganhos monetários são um bom incentivo para fazer parte da equipa?

Com certeza. Uma característica em vendas é que quem é bom tem que ganhar bem. Então, nós temos integrantes da nossa plataforma ganhando 40 mil dólares por mês, 30 mil ou mesmo 10.

 

Como especialista, tem habilidade de ser bom olheiro de pessoas com potencial de alta performance para a venda?

A metodologia para identificar talentos tem menos a ver com a minha capacidade de olhar, de observar e tem muito a ver com a minha capacidade de treinar e dar a oportunidade de a pessoa mostrar. É muito mais um processo de tentativa e erro do que escolha. Na verdade, todos têm potencial, cabe a cada um mostrar e quando mostrar temos que ter os mecanismos para reconhecer.

 

Quais são as grandes barreiras para a venda?

Primeiro é o preconceito. A sociedade treina as pessoas para ter um emprego para, no final do mês, ganhar um salário. Tudo na vida é uma rosa linda cheia de espinhos. A medicina é linda, mas tem espinhos também. Não tem como um médico fazer uma cirurgia e não sujar com sangue. Assim, tudo volta para o preconceito. As pessoas acham que vender é feio, não é glamouroso, mas, no final, toda a empresa que não vende quebra-se.

 

E vender, hoje, é sinónimo de usar a tecnologia para alcançar muitos mercados. Esta ferramenta quebra um aspecto essencial da venda, que é de proximidade de relacionamento. Que equilíbrio é que se pode criar entre a tecnologia e a necessidade de desenvolvimento de relacionamento interpessoal?

A tecnologia alcança mais pessoas e ela acaba sendo uma ferramenta para atrair novos clientes, mas, no final das contas, a presença de um vendedor vai ser sempre importante para garantir os resultados e a escalabilidade.

 

Também se pode dizer que a tecnologia, hoje, está intrinsecamente ligada à inovação e impulsiona esta mesma inovação?

Com certeza, é muito importante perceber que a tecnologia não está somente ligada à tecnologia de informação ou aquilo que está nos nossos aparelhos, nossos celulares. Existem muitos tipos de tecnologia. Por exemplo, uma técnica de venda, uma forma de converter mais interessados em cliente é uma tecnologia. O somatório da tecnologia humana e das redes sociais, por exemplo, é muito poderoso para vender. Usamos todo e qualquer tipo de tecnologia na Wise Up Online para vender mais!

 

Gostaria de falar de forma muito breve sobre as suas obras, começando por “Ponto de inflexão”. Nesta obra, Flávio Augusto traz a ideia de que a vida é feita de escolhas e cada decisão que tomamos pode levar-nos a um ponto de inflexão, num momento crucial em que o rumo da nossa vida pode mudar de forma significativa. Qual foi o seu ponto de inflexão?

Este livro conta dez momentos de inflexão da minha vida que tive que tomar decisões que mudaram o rumo da minha vida. A gente toma decisões todos os dias, mas às vezes existem decisões que são definitivas e é importante perceber quais são essas decisões.

 

Flávio Augusto também destaca a importância de se encontrar a nossa paixão e propósito de vida, de construir a mentalidade empreendedora, mesmo que não sejamos necessariamente empreendedores no sentido tradicional. Como é que isto acontece?

Eu acredito muito na liberdade de escolha, até mesmo na questão de definição de propósitos, eu acredito que nós escolhemos os nossos propósitos. Eu, por exemplo, tenho duas coisas que escolhi para a minha vida: aproveitar a vida com as pessoas que eu amo e impactar as pessoas.

 

Tem um livro com este foco de identificar o propósito ou vivendo com propósito. Na verdade, a questão que muitos jovens se colocam quando ouvem essa expressão é “como fazer”?

Nós nascemos com algumas pistas no nosso interior. São vocações, dons, coisas que fazem a gente chorar, mas que são pistas de não fazer por si só escolhas que somente nós podemos fazer. Em poucas palavras, é a escolha que conta para o nosso sucesso.

O banco UBS comprou o Credit Suisse, seu maior concorrente na Suíça, por três mil milhões de francos suíços, equivalentes a 3,23 mil milhões de dólares. O negócio foi fechado este domingo, segundo escreve a Bloomberg.

Um negócio fechado ao preço menos esperado. Até à última sexta-feira, segundo a Bloomberg, o banco Credit Suisse podia ter sido vendido a 7,4 mil milhões de dólares. Entretanto, no último domingo, o banco UBS comprou a quase metade do preço.

É que, à medida que aumentavam as preocupações sobre a saúde financeira do banco, os clientes do Credit Suisse retiraram das suas contas mais de 100 mil milhões de dólares em activos, nos últimos três meses do ano passado.

No presente ano, a retirada de dinheiro continuava. A transação inclui extensas garantias do Governo suíço. O preço por acção caiu em cerca de 99% face ao pico do Credit Suisse em 2007, segundo cálculos da Bloomberg.

O negócio foi apressado, para conter os danos envolvendo a crise de confiança com potencial de se espalhar por todo o mercado financeiro mundial. No início, o banco UBS pretendia comprar o Credit Suisse por cerca de mil milhões de dólares.

Um dia após o anúncio, as acções do Credit Suisse caíram 60% e a do UBS chegaram a cair 16% na manhã desta segunda-feira.

O Federal Reserve – Fed, o banco central dos EUA e o Departamento do Tesouro americano saudaram o acordo, assim como o Banco Central Europeu.

Segundo escreve O Globo, em conferência de imprensa, o presidente do Banco Nacional da Suíça, Thomas Jordan, afirmou que “era indispensável que agíssemos rapidamente e encontrássemos uma solução o mais rápido possível”.

Recentemente, o banco central suíço tentou conter a retirada de investimentos no Credit Suisse com apoio de liquidez, que suspendeu temporariamente a fuga de capitais. No entanto, o drama do mercado continuava arriscado.

Segundo o Banco Central Europeu, a “acção rápida” tomada pelas autoridades suíças “são fundamentais para restaurar as condições de mercado e garantir a estabilidade financeira”, disse a presidente do BCE, Christine Lagarde, em comunicado citado pelo O Globo.

“O sector bancário da área do euro é resiliente, com fortes posições de capital e liquidez”, disse Lagarde, para depois acrescentar que o BCE “está totalmente equipado para fornecer suporte de liquidez ao sistema financeiro da zona do euro, se necessário, e para preservar a transmissão suave de política”.

Importa lembrar que, em Outubro de 2021, o Credit Suisse se viu mergulhado no “caso dívidas ocultas” em Moçambique. Como consequência, os EUA e o Reino Unido impuseram multas ao banco no valor de 475 milhões de dólares.

O Credit Suisse estava envolvido em subornos a seus funcionários avaliados em 50 milhões de dólares em troca de melhores condições em quase 1,3 mil milhões de dólares em empréstimos concedidos ao Estado moçambicano entre 2012 e 2016.

Os empréstimos serviriam para financiar projectos de vigilância marítima, pesca e estaleiros, mas foram parcialmente desviados para pagamento de subornos.

Otília Pelembe é a grande vencedora da primeira edição do concurso “Elas No Negócio”, inserido no programa Mais Mulher, uma iniciativa da Fundação Soico (FUNDASO).

A grande vencedora foi anunciada ontem, domingo, depois de sete episódios, durante os quais 10 mulheres de diferentes áreas do empreendedorismo, seleccionadas pela FUNDASO e TechnoServe e colocadas em formação, eram desafiadas a aplicar, a cada semana, as técnicas aprendidas, nos seus negócios.

Quem melhor se destacasse passava para a fase seguinte, mas quem não conseguia ficava pelo caminho.

Foi neste grupo que Otília Pelembe conseguiu destacar-se. A cada semana mostrava ao júri o seu desempenho e a capacidade que tinha de aplicar, no seu negócio, tudo o que aprendia na formação.

A proprietária de uma ferragem, com diverso tipo de material de construção, saiu do programa com o prémio de 100 mil Meticais, mas, segundo disse, o maior prémio foi a aprendizagem.

“Quando cheguei aqui, não sabia nada, só fazia negócio apenas, mas, quando as aulas começaram, fui vendo que tinha que melhorar muita coisa na minha ferragem e na relação com os clientes para poder melhorar. E é o que fiz, sempre que aprendesse algo novo, ia implementar, deu certo e vou continuar a aplicar tudo que aprendi”, celebrou a grande vencedora.

Conforme disse, o seu negócio é feito, normalmente, por homens, mas conseguiu quebrar o preconceito e, hoje, depois do programa, é espelho para muitas mulheres e a solução para o problema dos clientes.

Com os 100 mil Meticais, Otília Pelembe diz que vai aumentar o stock dos produtos e melhorar ainda mais o espaço onde trabalha.

À grande final, chegaram outras duas mulheres: Adélia Arão em segundo lugar e Luísa Faquene em terceiro.

“Não esperava que fosse chegar até aqui, saio daqui com 30 mil Meticais, mas este dinheiro não é nada ao pé do que aprendi. Sei que, com todo o conhecimento, vou multiplicar muito mais este dinheiro, pois aprendi como arrumar a minha mercadoria, como fazer as promoções, como dedicar-me e estar em frente ao cliente”, exaltou a vencedora do segundo lugar, Adélia Arão, vendedeira de artigos plásticos.

Luísa Faquene, proprietária de salão de beleza, participante mais nova, com 22 anos de idade, ficou em terceiro lugar e disse que o programa a ajudou a perceber que o género e a idade há muito que deixaram de ser barreiras.

A missão de seleccionar as que melhor implementavam o que era ensinado era do júri, com experiência na área do empreendedorismo. Diana Marques, Iva Nhaca e José Samu Gudo dizem que a tarefa não foi fácil, pois a cada programa as participantes se mostravam mais profissionais, o que dificultava o processo de selecção.

Ter um concurso apenas com mulheres foi propositado, segundo Deyzes Pereira da Techno Serve, parceira da FUNDASO.

“As mulheres foram o passado, são o presente e o futuro; elas têm um papel muito grande e a ideia desta rubrica foi de inspirar cada vez mais mulheres a entrarem para o empreendedorismo, a adoptarem as técnicas certas de negócio, para com isso elas conseguirem alcançar uma melhor receita de negócios e para que a sociedade mude a forma como vê as mulheres e o seu potencial”, referiu.

A iniciativa é da FUNDASO, que olha para trás e vê que o objectivo foi alcançado e do programa saíram bons frutos, por isso, para o futuro há novidades, conforme revelou Patrício Manjate, director-executivo da fundação.

“Existe toda abertura do lado da fundação para que este programa possa continuar; hoje fizemos com a TechnoServe, mas amanhã temos total vontade de nos juntarmos a qualquer parceiro que acredita no papel da mulher na sociedade e que acredita no contributo que esta mulher pode ter nas diversas áreas.”

Apenas três chegaram à final, mas todas outras continuaram com a formação até ao fim.

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