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O presidente da petrolífera Puma em África alerta que Moçambique está à beira de uma “grave crise energética” por não permitir que os postos subam o preço dos combustíveis, que assim podem acabar dentro de dois a três meses.

“Moçambique está hoje à beira de uma grave crise energética no que respeita a hidrocarbonetos, por duas razões: o preço é muito baixo face ao custo real do produto e quem subsidia esta situação são as empresas do mercado petrolífero”, referiu Fadi Mitri em conferência de imprensa, esta semana, em Maputo.

“O Governo deve cerca de 25 mil milhões de Meticais (350 milhões de euros) à indústria das gasolineiras e esta é uma situação insustentável”, referiu o líder de uma das operadoras no mercado.

Impossibilitadas de ajustar os preços, tabelados pelo Governo, Mitri contou que, no primeiro trimestre, as distribuidoras de produtos petrolíferos reduziram a importação de combustíveis em 54% face ao mesmo período de 2022. “Logo, dentro de dois a três meses não vai haver combustíveis em Moçambique”, avisou.

De acordo com o presidente da Puma em África, o aumento mensal da dívida de Moçambique coloca em causa a reputação das gasolineiras junto da banca, que começa a rejeitar propostas para novos empréstimos, principalmente entre as distribuidoras moçambicanas de menor robustez.

“Quando a dívida se prolonga, os bancos começam a rejeitar este pedido. As gasolineiras moçambicanas são as que mais sofrem, na medida em que as internacionais têm maior robustez financeira”, explicou o responsável.

Para aquele responsável, a solução para travar uma crise de combustíveis em Moçambique é simples: “Os preços devem subir, no gasóleo, em 4,55 Meticais por litro. Na gasolina, não é necessário. Isso não significa que haverá um reembolso imediato dos 25 mil milhões de Meticais que o Governo deve, mas, com esta medida, a dívida começa a cair”.

Desde 1 de Julho de 2022, data do último ajuste, a gasolina passou a custar 86,97 Meticais e o gasóleo passou para 87,97 Meticais por litro.

Moçambique surge na 16ª posição do ranking dos países com mais milionários em África, elaborado pela consultora Henley & Partners. O pódio é ocupado pela África do Sul; em segundo lugar surge o Egipto e em terceiro a Nigéria. Dos 52 milionários nascidos em África, apenas 23 vivem no continente.

Designado “Africa Wealth Report 2023”, o documento revela que Moçambique registou um crescimento do número de milionários – pessoas com mais de um milhão de dólares – em 18% nos últimos 10 anos. Estão referenciados 1100 milionários, dos quais dois multimilionários, isto é, que tenham mais de 100 milhões de dólares em património.

Angola, outro país lusófono, é o 11º país de África com mais milionários. Angola possui 2400 milionários, dos quais quatro multimilionários, de acordo como os dados da Henley & Partners, que têm como fonte a New Word Health. As estatísticas revelam que a crise também afectou os níveis de riqueza pessoal em alguns países do continente africano.

No caso de Angola, a crise traduziu-se numa descida de 28% no número de milionários existentes no país no ano passado, em comparação com os existentes em 2012.

Segundo a Henley & Partners, o número de milionários em África deverá crescer 42% na próxima década, e há países que irão ainda mais além. Na Mauritânia, Ruanda e República Democrática do Congo, o número de milionários aumentará 60% no período referenciado.

Actualmente, África contabiliza 138 mil milionários, 328 multimilionários e 23 bilionários (pessoas com mais de mil milhões de dólares). A Henley & Partners estima que o continente chegue a 2032 com 195 mil milionários.

O “Africa Wealth Report 2023” exibe as discrepâncias existentes no continente. Por exemplo, o Gana tem mais 24% de milionários (2400) do que há uma década, mas prepara-se para realizar cortes nos serviços públicos, no âmbito da negociação com o Fundo Monetário Internacional (FMI) de um resgate de três mil milhões de dólares.

Já a Zâmbia deverá ter mais 60% de milionários em 2032 (actualmente tem 600), mas entrou em incumprimento em 2020, registando uma dívida de 17 mil milhões de dólares. A reestruturação da mesma colocou a China contra o Banco Mundial e outras instituições multilaterais.

A África do Sul conta com 37 800 milionários, 98 multimilionários e 5 bilionários; o Egipto tem 16 100 milionários, dos quais 54 são multimilionários e oito bilionários; e a Nigéria tem 9800 milionários, dos quais são 27 multimilionários e quatro bilionários. Os três países registam uma quebra do número de milionários, em comparação com 2012, de 21%, 25% e 30%, respectivamente.

RUANDA COM MAIS CRESCIMENTO DE MILIONÁRIOS

Ruanda foi o mercado com melhor desempenho em África, nos últimos 10 anos, em termos de crescimento de milionários com 72%, seguido pelas Maurícias, Seychelles, Uganda e República Democrática do Congo. No Marrocos e Quênia, o crescimento do património individual dos milionários foi sólido.

Etiópia e Gana, cuja população de milionários vinha crescendo rapidamente até 2019, têm enfrentado dificuldades nas suas economias, por isso a taxa de crescimento dos milionários caiu nos últimos 10 anos.

As Maurícias aparecem na sexta posição e o relatório elogia a forma como a economia é diversificada. “Com sua economia competitiva e de base ampla, a nação insular das Maurícias no Oceano Índico tem atraído investimentos estrangeiros consideráveis. Maurícias é conhecido por sua política de paz, estabilidade económica, ambiente seguro, clima tropical agradável, multiculturalismo, alta qualidade de vida, economia dinâmica, regimes fiscais atraentes e competitivos, além de cenário de negócios que reforçaram a estatura global de um país que está a atrair indivíduos e famílias de alto património líquido de ao redor do globo”, lê-se no documento.

Muitos empresários estrangeiros tornam-se mauricianos com facilidade e de uma maneira eficiente, ao permitir-se que façam um investimento imobiliário no país, candidatando-se automaticamente a obter uma autorização de residência e tornar-se mauricianos residentes em seis ou oito meses.

FUGA DE MILIONÁRIOS EM ÁFRICA

Aproximadamente 18 500 milionários africanos abandonaram o continente entre 2012 e 2022. Segundo o “Africa Wealth Report 2023” da Henley & Partners, a maior parte fixou residência no Reino Unido, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos.

Um número significativo, ainda de acordo com o mesmo relatório, mudou-se para Austrália, Canadá, Portugal, França, Israel, Mónaco, Nova Zelândia e Suíça.

Dos 52 milionários nascidos em África, apenas 23 vivem no continente.

Um deles é o nigeriano Aliko Dangote, de 66 anos, considerado o homem mais rico de África, com uma fortuna avaliada em 12,4 mil milhões de dólares. Os seus negócios estendem-se a outros países do continente, casos do Benim, África do Sul, Togo e Gana, e vão do sector da alimentação ao dos seguros, passando pelo dos cimentos.

Moçambique está a trabalhar para a expansão da sua capacidade logística de transporte de combustíveis para atender à crescente demanda destes produtos por parte dos países do hiterland, anunciou esta terça-feira, o ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, no final da visita de trabalho efectuada à Companhia do Pipeline Moçambique – Zimbabwe (CPMZ), na cidade da Beira.

Mateus Magala trabalhou na CPMZ, na sequência da orientação saída do encontro entre os chefes de Estado de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi, e da Zâmbia, Hakainde Hichilema, no dia 04 de Abril corrente, durante a qual a República da Zâmbia apresentou a necessidade de melhoria da logística do transporte dos combustíveis importados a partir dos portos moçambicanos.

Para responder a esta preocupação, Magala orientou a Companhia do Pipeline Moçambique–Zimbabwe (empresa gestora do oleoduto que transporta combustíveis, do Porto da Beira ao Zimbabwe), e a empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (entidade gestora do terminal de combustíveis do Porto da Beira) a trabalharem juntos para o aumento da capacidade de manuseamento e transporte de combustíveis para atender à crescente demanda dos países do hiterland, nomeadamente o Zimbabwe, a República Democrática do Congo, o Malawi e a Zâmbia, com especial atenção na preocupação apresentada pelo Governo da República da Zâmbia.

No trabalho a ser feito para a expansão da capacidade do corredor da Beira no manuseamento e transporte de combustíveis, o ministro sublinhou que deverá ser numa abordagem integrada para permitir que a capacidade de recepção do Porto corresponda às necessidades do consumidor final e da capacidade das infra-estruturas de transporte do pipeline.

Refira-se que o pipeline Moçambique–Zimbabwe possui uma capacidade de cerca de 2,2 milhões de metros cúbicos por ano, havendo perspectivas do aumento gradual desta capacidade para três milhões em Junho de 2023 e cinco milhões de metros cúbicos anuais, dentro de poucos anos. Em 2022, o Porto da Beira manuseou cerca de 1,7 milhões de metros cúbicos de combustíveis, em trânsito para o Zimbabwe, 97% dos quais transportados através do pipeline e os restantes 3% foram transportados através de camiões.

Acompanharam o ministro na visita à companhia pipeline Moçambique–Zimbabwe, o director executivo centro, da Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, António Bié, e quadros do sector, do nível central e provincial.

Moçambique está a esboçar estratégias visando atrair recursos financeiros necessários para explorar o elevado potencial de produção de energia hidroeléctrica e verde e, por via disso, contribuir para a implementação da agenda nacional e regional neste domínio.

Falando em Washington, numa palestra sob o lema “Unidos pela Segurança Energética e Sustentabilidade, Vitória Tripla do Comércio Regional de Energia”, realizada no âmbito das reuniões de Primavera do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI), o ministro moçambicano da Economia e Finanças, Max Tonela, avançou que o Governo pretende investir cerca de 34 mil milhões de dólares na geração de mais de 3000 MW de energia até 2030.

De acordo com o governante, trata-se de investimentos que vão permitir também que a região da África Austral tenha energia a menor custo, sendo, por isso, relevante trabalhar com instituições financeiras que dispõem de “competências e background neste tipo de processos, tal como o Banco de Moçambique”.

Segundo o ministro, mais de 560 milhões de pessoas vivem sem acesso à energia na África Austral, facto que representa um desafio e uma oportunidade para o país, frisando que Moçambique tem exportado quantidades superiores a 1000 MW de energia, estando, ao mesmo tempo, a investir no aumento da capacidade de transferência.

“Somos um país que dispõe de um elevado potencial energético e hídrico, assim como detemos fontes renováveis e gás natural, ainda pouco explorados, mas que podem responder às necessidades internas e externas”, secundou.

No encontro, o governante moçambicano fez saber que, no país, existem projectos de infra-estruturas de electrificação com a África do Sul e o Zimbabwe, frisando também que foi reforçada a ligação com o eSwatini, no âmbito do projecto Motraco.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e um grupo de 12 países africanos alertaram, hoje, que a dívida pública na África Subsaariana se agravou para níveis acima de 60% e que dois terços da região está com endividamento excessivo, segundo escreve a RTP.

“O impacto das múltiplas crises, o abrandamento do crescimento económico e a depreciação das taxas de câmbio estão a alargar os défices orçamentais em muitos países na região e a evidenciar as vulnerabilidades preexistentes”, lê-se na declaração da directora-executiva do FMI e o presidente do grupo africano, o Primeiro-ministro de Cabo Verde.

“O rácio de dívida sobre o PIB está agora, em média, acima dos 60%, um nível registado pela última vez no princípio dos anos 2000, o que levanta preocupações sobre a sustentabilidade da dívida em muitos países”, lê-se ainda na declaração assinada por Kristalina Georgieva e Olavo Correia, na qual se dá conta de que “quase dois terços dos países de baixo rendimento da região estão com elevado risco ou já em situação de sobre-endividamento [debt distress, no original em inglês] em 2022.”

A declaração deste grupo de 12 países africanos, o African Caucus, que inclui Angola e Cabo Verde, entre outros, surge no final dos Encontros da Primavera do FMI e do Banco Mundial, que decorreram durante a semana passada em Washington, no âmbito dos quais o FMI reviu a previsão de crescimento da África Subsariana para 3,6% este ano.

“O grupo reiterou a necessidade de lidar com as vulnerabilidades da dívida e continuar a fortalecer a arquitectura mundial de resolução da dívida, incluindo através de melhorias no enquadramento comum para o tratamento da dívida”, escreveu o instrumento criado no seguimento da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI), criada no início da COVID-19, em 2020, para dar espaço orçamental aos países para combaterem os efeitos económicos e sanitários da pandemia.

A mesa-redonda sobre a Dívida Soberana Global foi o passo seguinte, trazendo também a China, um dos principais credores dos países africanos, para as discussões sobre como reestruturar a dívida dos muitos países africanos sem margem para investir no desenvolvimento económico e na mitigação dos efeitos das alterações climáticas.

“Os desequilíbrios macroeconómicos tornaram-se mais proeminentes; a depreciação das taxas de câmbio, o aumento das taxas de juro a nível mundial e elevadas taxas de juro da dívida soberana tornaram o financiamento mais caro ou até inacessível, o que, junto ao declínio dos orçamentos para ajuda oficial e fluxos mais reduzidos de investimento, deixou a região confrontada com um severo aperto no financiamento”, acrescenta o FMI e os países africanos, defendendo mais investimento do scetor privado na mitigação dos efeitos das alterações climáticas e mais financiamento.

As estimativas do FMI para 2023 em relação aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), anunciadas na sexta-feira, referentes ao rácio de dívida pública versus o Produto Interno Bruto (PIB), indicam que Cabo Verde é o país mais endividado (120,2%), seguindo-se Moçambique (102,8%), Guiné-Bissau (76,5%), Angola (63,3%), São Tomé e Príncipe (54,8%) e Guiné Equatorial (26,4%).

Reduziu em 2,4 por cento a exportação total de energia eléctrica de Moçambique de 2020 a 2021. Uma das principais razões é a crise de água que reduziu a produção. Contudo, a vizinha África do Sul continua a ser o maior comprador da energia eléctrica gerada em Moçambique.

Em termos globais, a produção de energia eléctrica em Moçambique registou uma ligeira queda de 0,6 por cento em 2021, se comparado ao ano de 2020. Tal quer dizer que, depois de ter atingido cerca de 18,8 milhões de megawatt hora em 2020, a produção caiu para 18,7 milhões em 2021.

Como consequência da baixa produção devido à crise de água, a venda de energia de Moçambique para outros países reduziu em 2,4% no ano 2021 face a 2020. Os dados constam do Relatório Estatístico de Energia 2020–2021 do Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

Assim, a energia que o país vende à África do Sul, que se destaca por ser o maior comprador da energia de Moçambique, reduziu de cerca de 9,4 milhões de megawatt hora em 2020 para cerca de nove milhões em 2021, um corte na ordem de 3,7 por cento.

Embora com compras relativamente inferiores às da África do Sul, a queda percentual mais acentuada de exportação de energia de Moçambique foi de Malawi, de 2967 megawatt hora para 800 megawatt hora, o equivalente a um abrandamento na ordem de 73,1 por cento.

Entretanto, de 2020 a 2021, destaca-se, na produção de electricidade, a energia gerada a partir da fonte térmica que obteve um desempenho positivo de 4,3%.

Economistas dizem que o mundo vai deixar de depender do dólar para as transacções internacionais em breve, com a moeda chinesa a passar a ser opção para compras fora do país. É consenso que o processo vai levar tempo, mas o que divide opiniões é se isso é ou não bom para os países.

Já há muito que a força do dólar é contestada. A Rússia, por exemplo, passou a obrigar a que se usasse a sua moeda para compra do seu petróleo. E esta semana, a China fez a primeira transacção transfronteiriça em moeda chinesa com o Brasil. Será este o fim do dólar? “É um sinal”, responde o economista Mukhtara Abdulcarimo, que entende ser um bom momento para o mundo.

No centro desta mudança, estão o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul, ou seja, BRICS. Curiosamente, os maiores parceiros económicos estão neste bloco, nomeadamente a África do Sul, a China e a Índia. É assim em vários países do mundo. A China é o maior parceiro comercial e a Índia, o maior fornecedor de medicamentos. Por isso, juntos, poderiam impor esta nova ordem.

O economista Egas Daniel diz que “uma vez que os BRICS lideram as relações comerciais do mundo, podem fazer esta pressão para que os países usem a sua moeda nessas operações”.

Os dois economistas concordam que isso é um processo que, em todo o caso, levaria muito tempo. O facto é que, como anota Muhktar Abdul Carimo, enquanto isso não se efectivasse, o comércio interncional teria duas moedas disponíveis e isso exigiria uma resposta, no sentido de escolher a moeda a ser usada para estas mesmas transacções.

“Eu acho que essa resposta teria de ser única: ou Moçambique alia-se a essa nova ordem ou fica de fora”, defende. Aqui importa recordar que, no mundo, mais de 140 países têm na China o principal parceiro comercial.

Em todo o caso, Egas Daniel chama a necessidade de cautela, porque a China não é uma economia tão confiável como os Estados Unidos, o que a torna mesmo confiável é o seu regime político, que é “autocático”, ou seja, uma pessoa só pode decidir o rumo do país inteiro.

Assim sendo, “os bancos centrais desses países não são tão independentes quanto é o FED, dos Estados Unidos, e fazer nossas reservas internacionais em moeda chinesa seria expor-nos às imprevisibilidades decorrentes da autocracia do país”, defende Egas Daniel.

Enquanto isso, Mukhtar Abdul Carimo não vê da mesma maneira, aliás, como o havíamos antes dito, ele considera bom “porque o mundo passa a ter mais opções e isso evita que o único país para o qual a balança pesa se sinta no direito de mandar nos outros”.

Para todos os efeitos, neste momento, o dólar ainda é utilizado em 84,3% das trocas comerciais a nível mundial. Porém, a participação do Yuan aumentou desde a invasão russa à Ucrânia, de menos de 2% para 4,5%.

Moçambique regista progressos na corrida para sair da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional. De acordo com uma fonte do Ministério da Economia e Finanças, o país submeteu 15 recomendações, das quais nove foram aprovadas.

O Guia Internacional de Risco do País (ICRG, sigla em inglês) colocou, em Outubro do ano passado, Moçambique na lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), por não ter eliminado deficiências na luta contra o branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo.

A 17 de Março deste ano, o país submeteu o primeiro relatório de avaliação à entidade que elabora políticas nacionais e internacionais de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento ao terrorismo e da proliferação das armas de destruição em massa.

Na sequência da avaliação, a organização internacional referiu que o país regista progressos assinaláveis, tendo submetido ao Grupo de Luta Contra a Lavagem de Dinheiro da África Oriental e Austral (ESAAMLG, sigla em inglês) 15 recomendações, das quais nove foram positivamente classificadas.

No dia 7 de Abril, o Guia Internacional de Risco do País enviou a sua avaliação preliminar sobre o desempenho de Moçambique desde que o país foi colocado sob vigilância.

Os Estados Unidos da América, a União Europeia e o Banco Mundial apoiam Moçambique para, nos próximos dois anos, sair da chamada lista cinzenta do GAFI.

Para sair da lista cinzenta, Moçambique terá de realizar, até 2024, uma avaliação nacional de risco para organizações não-governamentais, instalar um sistema de identificação do beneficiário efectivo e desenvolver acções de cooperação nacional e internacional em matéria de branqueamento de capitais e combate ao terrorismo.

Os parceiros nacionais têm também sugerido aos órgãos competentes, nomeadamente o Banco de Moçambique, o Ministério da Economia e Finanças (MEF) e o Ministério da Justiça a análise do papel do poder judicial na prevenção e combate ao fenómeno. Da mesma forma, também sugerem analisar o papel das instituições não financeiras e a aplicação de sanções.

Os parceiros nacionais têm também sugerido aos órgãos competentes, nomeadamente o Banco de Moçambique, o Ministério da Economia e Finanças (MEF), e o Ministério da Justiça, a análise do papel do poder judicial na prevenção e combate ao fenómeno. Da mesma forma, também sugerem analisar o papel das instituições não financeiras e a aplicação de sanções.

Refira-se que, em Março, o Banco Mundial (BM) alertou para o risco de o país ter dificuldades de acesso aos mercados, pelo facto de estar na chamada “lista cinzenta” do GAFI.

Além de Moçambique, RDC e Tanzânia, integram a lista cinzenta o Burkina Faso, Mali, Marrocos, Senegal, Sudão do Sul e Uganda, num total de nove Estados africanos. Os outros países são a Albânia, Barbados, Cambodja, Ilhas Caimão, Gibraltar, Haiti, Jamaica, Jordânia, Panamá, Filipinas, Síria, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Yemen. Nicarágua e Paquistão saíram da lista cinzenta na terceira avaliação do ano passado, enquanto o Irão e a Coreia do Norte passaram a integrar a lista negra.

A “lista negra” integra países ou jurisdições de alto risco e que têm deficiências estratégicas significativas nos seus regimes jurídicos para o combate aos crimes, obrigando a diligências reforçadas. Em Março de 2022, quando divulgou a primeira avaliação do ano, o GAFI retirou o Zimbabwe da “lista cinzenta”, por registar melhorias que deixam de justificar um maior controlo.

Empresários indianos dizem ter grandes expectativas de reforço da cooperação entre Moçambique e Índia, como resultado da visita do seu ministro das Relações Exteriores ao país. São empresários experientes, que operam no país há cerca de 20 anos.

Um deles é Santosh Shetty. O empresário trabalha em Moçambique desde o ano 2005 e, actualmente, é gestor do grupo Aditya Birla, que importa e vende arroz a nível nacional. De 2021 até agora, a firma investiu 25 milhões de dólares, ainda assim tem planos de crescer mais.

“O nosso grupo também começou a exportar feijão de Moçambique. E o grupo Aditya Birla faz parte da iniciativa de segurança alimentar desde Julho de 2021”, explicou o gestor da firma, Santosh Shetty. O grupo fornece cerca de 90 mil toneladas de arroz por ano a todo o país.”

“Tem sido uma experiência muito boa fazer negócio aqui, em Moçambique, e vejo um enorme potencial, especialmente na área do agro-negócio”, referiu. Com a visita do ministro indiano dos Negócios Estrangeiros a Moçambique, Shetty espera ver as relações bilaterais reforçadas.

“A minha expectativa, com essa visita do ministro, Doutor Jaishankar, é ajudar a fortalecer ainda mais as relações vibrantes e robustas entre a Índia e Moçambique”, disse o gestor do grupo Aditya Birla.

Para tirar mais proveito dos investimentos em Moçambique, Santosh Shetty sugere que o Governo aposte mais nas infra-estruturas e na digitalização tecnológica. “Isso vai ajudar muito a área do agro-negócios, que tem muito potencial aqui, em Moçambique”, considerou.

Outra empresa de capitais indianos relevante a operar em Moçambique é a Afri Farmácia. Importa e vende medicamentos em grandes quantidades para o sector público e privado. Tem como director geral Nandkumar Nair.

“Nós temos sucursais em Maputo, Beira e Nampula. Essas empresas ajudam-nos a fornecer a todo Moçambique, desde hospitais, clínicas, e todo o lado. Depois, nós temos participado nos concursos do Ministério [da Saúde] e o medicamento é alocado para todo o país”, garantiu.

Há 20 anos que a Afri Farmácias opera no país e já investiu 20 milhões de dólares. Com a visita do ministro indiano dos Negócios Estrangeiros ao país, a firma diz estar ansiosa por ver melhorias.

“Ele é muito respeitado a nível internacional. Consta da lista dos líderes mundiais como ministro dos Negócios Estrangeiros. Índia é hoje uma nação muito importante para o Mundo e Moçambique é uma nação muito importante para toda África, com os seus recursos naturais e as suas diversidades culturais. Portanto, devemos aproveitar essa oportunidade para fortalecer os laços entre as nossas nações”, defendeu o gestor empresarial, Nandkumar Nair.

Para o futuro, a empresa tem planos de construir um hospital e instalar uma fábrica de medicamentos em Moçambique, como forma de encurtar as distâncias e reduzir os custos.

“Estamos à procura de fundos de desenvolvimento para alguns dos nossos projectos em Moçambique. Gostaríamos de ver uma inflação estável e a taxa de juro controlada, isso porque a taxa de juro de mais de 20 por cento torna os custos do projecto muito onerosos”, sugeriu.

Os medicamentos fornecidos pela empresa Afri Farmácias são provenientes de várias partes do mundo, com destaque para a Índia e Europa, e há 15 anos que o grupo fornece medicamentos ao Estado moçambicano.

O negócio de medicamentos em Moçambique é alimentado mais pelas compras do Estado (80%) contra 20% das aquisições feitas pelo sector privado. Neste momento, a Afri Farmácias opera em 10 países africanos. Em Moçambique, fornece mais de 200 medicamentos diferentes e emprega cerca de 100 trabalhadores (homens e mulheres).

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