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O Banco Mundial aconselha os países africanos a maximizarem as receitas obtidas dos recursos naturais, podendo gerar grandes dividendos fiscais e ambientais. Para a instituição financeira internacional, os governos ricos em recursos naturais da África Subsaariana têm a oportunidade de aproveitar melhor os seus recursos para financiarem os seus programas públicos, diversificar a sua economia e aumentar o acesso à energia.

Intitulado “O Futuro dos Recursos de África”, o relatório do Banco Mundial, lançado ontem, constata que, em média, os países captam apenas cerca de 40% das receitas que poderiam potencialmente obter dos seus recursos naturais. A instituição financeira avança que, num momento em que os países estão sobrecarregados por um crescimento lento e um elevado endividamento, os governos poderiam mais do que duplicar as receitas provenientes dos recursos naturais, como minerais, petróleo e gás, adoptando um melhor conjunto de políticas, implementando reformas e investindo numa melhor administração fiscal.

“A tributação integral dos recursos naturais também é importante para cobrar o custo total dos impactos ambientais e sociais, nem sempre totalmente cobertos pelos produtores, incluindo os recursos petrolíferos. Não o fazer pode funcionar como um subsídio implícito à produção e aumentar as emissões de carbono. Maximizar as receitas dos governos sob a forma de royalties e impostos pagos pelas indústrias privadas que exploram os recursos naturais, tal como atrair novos investimentos, constituiria um duplo benefício para as pessoas e para o planeta, aumentando o espaço orçamental e removendo subsídios implícitos à produção”, considera James Cust, economista sénior da Região de África do Banco Mundial e co-editora do relatório.

O documento avança que a transição global para acabar com a utilização dos combustíveis fósseis está a criar uma procura sem precedentes por diversos minerais e metais, como cobalto, lítio, cobre, níquel e elementos de terras raras, necessários para o desenvolvimento das tecnologias verdes, como turbinas eólicas, painéis solares e baterias, alertando que muitos desses recursos existem em abundância em toda a África.

“No entanto, a experiência mostra que a riqueza dos recursos naturais não se traduz automaticamente num crescimento inclusivo e em prosperidade. Os minerais, o petróleo e o gás representam um terço ou mais das exportações da maioria dos países da África Subsaariana, mas os países têm enfrentado dificuldades para converter essa riqueza em crescimento sustentável. A dependência regional dos preços globais das mercadorias levou a uma gestão não optimizada dos recursos públicos, quando os preços estão altos, e a crises económicas e fiscais quando os preços descem”, lê-se no relatório.

O Banco Mundial lamenta o facto de, no geral, os países ricos em recursos naturais serem menos resilientes aos choques económicos do que os países com menos recursos, lembrando os riscos de uma “maldição dos recursos” nos países africanos.

“O Futuro dos Recursos de África” recomenda os decisores políticos a transformarem a “maldição dos recursos numa oportunidade de recursos”, em que os países, além de capturar o valor total das receitas obtidas dos recursos, atraiam investimentos do sector privado, devendo os governos preparar-se para os ciclos de “boom” e queda, investindo as receitas obtidas dos recursos em capital produtivo, na saúde e na educação das pessoas e em infra-estruturas que possam apoiar a diversificação da economia.

Ademais, o relatório destaca oportunidades relacionadas à implementação do acordo da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA), que prevê a eliminação de 90% das tarifas nos próximos 5 a 10 anos.

“A promoção da integração regional e a harmonização dos impostos e royalties da exploração mineira em toda a região também ajudariam. Uma abordagem regional para o sector extractivo permitiria criar cadeias de valor que adicionem mais valor e criem mais empregos para as pessoas que vivem em países ricos em recursos do que apenas a extracção”, avança o documento do Banco Mundial, alertando que uma boa governação e uma sólida gestão macroeconómica das receitas dos recursos desempenham um papel central na transformação económica para o futuro de África.

O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) querem melhorias na gestão dos recursos canalizados ao Orçamento do Estado moçambicano. Para tal, sugerem a aprovação de uma nova lei de gestão da administração pública.

Para o efeito, uma missão das duas instituições financeiras internacionais esteve, hoje, na Assembleia da República, para discutir reformas que visem a melhoria da gestão dos recursos canalizados ao Orçamento de Estado.

Num breve encontro com a Comissão Parlamentar do Plano e Orçamento, sem a presença de jornalistas, as partes debateram os caminhos a serem seguidos pelo Estado para a melhoria das políticas de administração pública.

“O objectivo final é que Moçambique tenha um quadro fiscal cada vez mais forte, no âmbito dos melhoramentos que já vêm sendo levados a cabo, como a aprovação de uma nova lei de gestão da administração pública, a melhoria do quadro de gestão do investimento público e toda uma série de gestão de risco público”, disse Fernanda Massarongo, analista de pesquisas do Banco Mundial.

Segundo Fernanda Massarongo, o papel das instituições financeiras internacionais é dar assistência. No tocante ao Fundo Soberano, a economista diz que é preciso que este torne sustentável a dívida pública de Moçambique.

“O objectivo final da assistência que se tem feito ao Governo é, essencialmente, garantir que a política fiscal é sustentável, que o quadro de política fiscal garanta que Moçambique, por exemplo, retorne para níveis de dívida cada vez mais sustentáveis, com menos risco e possa mandar para o mercado uma ideia de uma política fiscal mais responsável, mais credível e disciplinada”, disse a analista de pesquisas do Banco Mundial, em representação da missão conjunta.

Em relação ao debate sobre a proposta do Fundo Soberano no Parlamento, o presidente da Comissão do Plano e Orçamento, António Niquice, está optimista.

“Estamos a finalizar, para colhermos e vermos em que medida os aspetos que foram levantados em sede da interação que fizemos com a sociedade civil, com os demais actores das forças vivas da sociedade possam acrescentar valor no documento final que se pretende que seja a lei sobre o Fundo Soberano de Moçambique”, afirmou Niquice, presidente da Comissão do Plano e Orçamento.

No geral, a expectativa da Comissão do Plano e Orçamento é que, ao longo da sessão em curso na Assembleia da República, a lei do Fundo Soberano ultrapasse as discórdias, seja aprovada e entre em vigor.

O valor compara com o lucro de 49 milhões de euros registados no primeiro trimestre de 2021. Resultado em Portugal mais do que duplicou. Em Moçambique, o BCI aumentou o contributo para o resultado consolidado, de sete milhões para 11 milhões de euros.

O BPI registou um lucro de 85 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, o que representa uma subida de 75% face ao período homólogo. “São bons resultados que mostram que o BPI está preparado”, sublinhou o presidente-executivo, João Pedro Oliveira e Costa, na apresentação de resultados da instituição financeira, citado pelo Jornal de Negócios.

Em Portugal, o resultado disparou 164%, subindo de 28 para 73 milhões de euros. A actividade doméstica foi fortemente beneficiada pela evolução do produto bancário comercial que cresceu 50% para 284 milhões de euros, incluindo um aumento da margem financeira de 82%, que resultou num encaixe de 206 milhões de euros.

O angolano BFA contribuiu com apenas um milhão de euros face aos 14 milhões verificados há um ano. Em Moçambique, a evolução foi em sentido contrário: o BCI aumentou o contributo para o resultado consolidado, de sete milhões para 11 milhões de euros.

A margem financeira aumentou 82%, impulsionada pela subida das taxas de juro, atingindo 206 milhões de euros. As comissões líquidas renderam 73 milhões de euros, mais 3% do que entre Janeiro e Março de 2022. A carteira de crédito aumentou 4%, para 29,2 mil milhões de euros.

O volume de empréstimos no crédito à habitação cresceu 6% para 14,3 mil milhões de euros, evolução que o banco não previa: “Estamos surpreendidos com a contratação de crédito à habitação”, disse o CEO, enfatizando que “estamos a contratar aos mesmos níveis de 2019”.

O BPI renegociou 1900 contratos de crédito à habitação desde a entrada em vigor do decreto-lei do Governo que estabeleceu novas regras. O presidente-executivo do banco realça, no entanto, que o ritmo de pedidos de análise por parte de clientes tem vindo a diminuir: “No início, eram 700 pedidos por semana, agora temos 100”, afirmou.

A solução proposta pelo banco para a vasta maioria (1800 dos 1900 contratos renegociados) foi a carência de capital: “durante um ano, só pagam juros”, afirmou o administrador Francisco Matos.

Os créditos renegociados representam, em valor, 1,7% do total da carteira de crédito à habitação de 14,3 mil milhões de euros.

João Pedro Oliveira e Costa afirmou ainda que a procura por crédito à habitação tem aumentado. “Mais de 50% da contratação é feita à taxa fixa, enquanto antes era 30%.”
O crédito ao consumo decresceu 2%. O crédito às empresas cresceu 1% para 10,9 mil milhões de euros.

A carteira de depósitos, por seu lado, sofreu uma diminuição de 4% face ao primeiro trimestre de 2021, de 29,7 mil milhões de euros para 28,4 mil milhões de euros.

 

NOVA SUBIDA DO RESULTADO

No primeiro trimestre de 2022, o BPI tinha registado um lucro de 49 milhões de euros, resultado que representava uma queda de 18% face aos 60 milhões obtidos entre Janeiro e Março de 2021.
Em Portugal, a instituição financeira detida pelo grupo espanhol Caixabank obteve 28 milhões de euros.

No ano de 2022, o BPI registou um lucro de 365 milhões de euros, melhorando em 19% o resultado do ano anterior. Na actividade em Portugal nesse ano, o banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa obteve 235 milhões, mais 31% do que em 2021. O angolano BFA contribuiu com 96 milhões (menos 9% do que em 2021) e a contribuição do moçambicano BCI cresceu para o dobro, com 34 milhões de euros.

A gigante italiana Eni pode iniciar, em breve, os seus trabalhos de pesquisa na Área A5-A, ao largo do distrito de Angoche, na província de Nampula. A multinacional deve executar o primeiro poço de pesquisa na referida região, com recurso à plataforma de perfuração West Capella, que já se encontra nas águas nacionais.

A empresa Eni Mozambico S.p.A prepara-se para executar o primeiro poço de pesquisa na área A5-A, ao largo do distrito de Angoche, província de Nampula. Para o efeito, já se encontra em águas nacionais a plataforma de perfuração West Capella, propriedade da Aquadrill, contratada pelos concessionários da área, estando, no momento, prestes a atingir o local do poço de pesquisa.

Este desenvolvimento ocorre, segundo o Instituto Nacional de Petróleos (INP), na sequência da conclusão dos trabalhos de avaliação do potencial petrolífero na área concessionada, uma actividade integrada no Programa de Trabalhos acordado com o Governo, no âmbito do Contrato de Concessão para Pesquisa e Produção (CCPP), assinado em Dezembro de 2018, na sequência do quinto concurso de concessão de áreas para pesquisa e produção de hidrocarbonetos, o qual se tornou efectivo em Janeiro do ano seguinte.

A avaliação do potencial petrolífero, durante este primeiro subperíodo de pesquisa da área, culminou com a identificação do prospecto, Raia. Consequentemente, a petrolífera italiana e os seus parceiros decidiram executar o poço Raia.

O INP avança ainda que um dos propósitos da perfuração do poço é investigar a presença de hidrocarbonetos em complexos turbidíticos do terciário.

Refira-se que este é o primeiro poço de pesquisa nesta parte da Bacia de Moçambique que terá a particularidade de permitir a recolha de informação geológica e avaliar o potencial petrolífero da região.

A área A5-A localiza-se ao largo da costa de Angoche, na província de Nampula, a uma profundidade de lâmina de água que varia dos 300 aos 1800 metros. Com uma extensão de 4,612 km2, esta dista a aproximadamente 50 km de Angoche, e 220 km de Nacala.

O consórcio que opera na área é, actualmente, formado pela Eni Mozambico S.p.A. que detém 49,5% de interesse participativo; a Qatar Energy Mozambique, Limitada com 25,5%; a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos E.P. com 15,0% e a Sasol Petroleum Mozambique Exploration Lda, com 10,0% respectivamente.

O Reino Unido é o terceiro maior comprador de produtos moçambicanos na Europa, segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio. As trocas comerciais entre os dois Estados foram de mais de 270 milhões de dólares, em 2022.

Os dados sobre as trocas comerciais foram tornados públicos no fórum de negócios, realizado ontem, entre Moçambique e Reino Unido que juntou empresários dos dois Estados, em Maputo. Na ocasião, o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Carlos Zacarias, disse que o Reino Unido é um parceiro privilegiado de Moçambique na Europa.

“A capacidade competitiva que o Reino Unido tem em termos de capital, tecnologia, experiência e parceria faz dele um parceiro privilegiado de Moçambique, o terceiro maior da Europa a nível das nossas exportações, razão por que a sua tradição de investir tenha crescido nos últimos cinco anos, com 45 projectos avaliados em 323,2 milhões de dólares, dos quais 106,1 milhões de dólares constituem investimento directo”, revelou Carlos Zacarias.

Os dados do Ministério da Indústria e Comércio (MIC) indicam ainda que a balança comercial dos últimos cinco anos com o Reino Unido é favorável para Moçambique e registou um crescimento assinalável a nível do total das exportações, cifradas em 2,2 mil milhões de dólares, contra 567,4 milhões de dólares de importações.

Em representação do Governo, o ministro dos Recursos Minerais e Energia avançou inclusive que a localização estratégica de Moçambique deve ser equacionada como um polo e plataforma logística pelo facto de não apenas ser a porta de entrada para seis países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que é um mercado regional com cerca de 380 milhões de consumidores e também a Zona de Comércio Livre Continental Africana, que dispõe de 1,3 biliões de consumidores.

Citando o Programa Nacional Industrializar Moçambique, o governante moçambicano convidou os empresários do Reino Unido a investirem na implantação de parques industriais, indústria de fertilizantes e farmacêutica e na transformação e adição de valor de produtos agro-alimentares, incluindo pesqueiros das águas interiores, grafite, bauxite, madeira, alumínio, aço, ferro e mármore, recursos abundantes no país.

O Reino Unido mostrou a pretensão de duplicar as trocas comerciais com Moçambique nos próximos três anos. “Este fórum irá concentrar-se principalmente na promoção e desenvolvimento de parcerias bilaterais de comércio e de investimento entre Moçambique e o Reino Unido. Em 2022, as trocas comerciais entre Moçambique e o Reino Unido atingiram 220 milhões de libras esterlinas (o equivalente a pouco mais de 270 milhões de dólares), e tendo em conta os planos em curso na área de energia, mineira e na indústria do gás, esperamos que estas trocas comerciais possam duplicar para 400 milhões de libras nos próximos três anos”, disse Helen Lewis, Alta-Comissária do Reino Unido em Moçambique.

A diplomata apontou ainda que o fórum de negócios cria mais confiança no país e atrai mais empresas britânicas como Globeleq, Solar Century, Gridworks, Arc Power, MicroGen Renewables e Winch Energy que estão a desenvolver projectos focados em geração de energia a gás, solar e eólica avaliados em mais de 700 milhões de libras esterlinas, no total, e que estão em conformidade com as políticas de conteúdo local, permitindo a entrega de serviço local e transferência de tecnologia.

Ademais, a diplomata britânica revelou que, através do programa de desenvolvimento denominado “BRILHO”, mais de um milhão de moçambicanos têm acesso a energias limpas e renováveis. Por outro lado, a britânica a Globeleq está a desenvolver um projecto de 460 Megawatts (Gas to Power Project), que está alinhado com o acordo de Paris e que fornecerá electricidade para atender a uma demanda de 1,5 milhão de residências. “Esses são alguns exemplos paradigmáticos que indicam claramente o nosso senso de direcção e que tem trazido resultados substantivos em termos de transformação económica e social, garantido, desta forma, o progresso e a prosperidade mútua”, realçou Helen Lewis.

A Alta-Comissária do Reino Unido recordou que uma delegação liderada pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, participou na Cimeira de Investimento África-Reino Unido, realizada em Janeiro de 2020, em Londres, num evento em que houve a oportunidade de interagir com membros da indústria da energia e potenciais investidores britânicos no sector de agricultura. Esta missão, de acordo com a diplomata, resultou em mais de 45 milhões de libras de investimento directo privado britânico em projectos de açúcar, banana e macadâmia e mais de 300 milhões de libras esterlinas no sector de energia. “O que podemos fazer mais juntos? É uma honra anunciar que a Segunda Edição da Cimeira de Investimento Reino Unido–África está marcada para 23-24 de Abril de 2024”, anunciou Helen Lewis.

Trata-se da VW Virtus o novo modelo da marca Volkswagen lançada, hoje, na Cidade de Maputo, numa cerimónia bastante concorrida. A viatura é dotada de tecnologia de ponta e um sistema de segurança modernizado.

A Caetano Moçambique apresentou, hoje, a mais recente aposta da Volkswagen para os seus clientes e apreciadores de viaturas. Chama-se VW Virtus.

De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Caetano Moçambique, Paulo Oliveira, a viatura é dotada de alta tecnologia de ponta.

“O Volkswagen Virtus e destaca-se pela questão tecnológica, vem equipada com um ecrã de 10 polegadas, com uma caixa electrónica, que faz a diferenciação da Volkswagen e também com um motor 1.6, com uma potência de 110 HP, movido a gasolina”, explicou Paulo Oliveira.

A VW Virtus é ainda equipado com dois airbags, de condutor e passageiro.

Por seu turno, os participantes do lançamento dizem estar impressionados com a máquina apresentada ao público.

Palmira Mucavel diz que, além de ser uma boa aposta para o trabalho, é uma alternativa segura para o uso familiar.

“O Virtus é fantástico, eu amei o carro, tem a minha cara. Tem muito conforto e é um carro familiar; as crianças podem ter conforto atrás, o espaço confere comodidade”, detalhou Mucavel.

Já Rofino fontes, ex-piloto, destacou a questão de segurança, que foi muito preconizada na viatura.

Durante o evento organizado pela Caetano Moçambique, foram também apresentadas duas Pikups VW Amaroc.

 

Há muitas boas intenções do Governo de Moçambique para o subsector do caju. Algumas estão expressas na lei que, hoje, foi aprovada na generalidade pelo Parlamento. Uma delas é a criação de uma linha de financiamento em dois anos e a outra é subsidiar o preço do caju.

O Executivo moçambicano quer lançar um novo olhar a um sector cujo produto tem estado a crescer no mundo: a castanha de caju. Embora o Banco Mundial refira, num estudo realizado em 2020, que Moçambique não está a aproveitar tanto quanto podia, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, na apresentação da lei, começou por mostrar os ganhos que a cadeia de valor deu ao país na campanha 2021/2022.

Os produtores, agregados, tiveram um rendimento bruto de cerca de 5,7 mil milhões de Meticais, 6,7 mil milhões de Meticais da exportação da amêndoa da castanha bruta. O sector industrial de processamento, segundo Celso Correia, tem “cerca de 20 mil empregos directos e é responsável por cerca de 20% do volume nacional de exportação agrícola”.

Mas há alguns problemas que são apresentados pelos intervenientes deste subsector. Por exemplo, na actual lei, ninguém mais pode exportar castanhas de caju em bruto, a não ser que tenha licença de exportar. Isso vai mudar. Segundo o responsável da agricultura no Governo, essa limitação inibia os processadores de ganharem alguma renda extra com a possível exploração. Com a mudança, a indústria ganha maior expressão na capitalização das suas empresas.

Capitalizada a indústria e com a comercialização mais adequada, o Governo puxa para si a responsabilidade de resolver um dos grandes problemas, não só dos que lidam com o caju, como também com toda a agricultura. Daí que é a lei importante.

Se a condição para isso era a aprovação da lei, então o financiamento vai acontecer, porque a lei foi aprovada na generalidade. Outra revisão de lei aprovada é a do investimento privado em Moçambique, que deverá ser aplicada, também, para as parcerias público-privadas.

As duas leis deverão ainda ser analisadas na especialidade.

O CONTRABANDO CORRÓI O SECTOR

O programa O País Económico, da STV, teve como tema de fundo a cadeia de valor do caju em Moçambique. Eram convidados produtores, processadores, uma consultora e o Instituto de Amêndoas de Moçambique.

Para os produtores, o grande problema tem a ver com a dificuldade que existe no acesso ao financiamento para entrar neste mercado. Enquanto para os processadores, sobretudo do sector secundário, o grande problema é o contrabando.

O que sucede é que o Governo fixa um preço mínimo para a castanha de caju. Chegam pessoas, alegadamente clandestinas, a praticarem preços mais altos, o que levam os produtores a venderem para estes que, por sua vez, vendem fora do país.

A consultora para o desenvolvimento desta cadeia de valor, Julina Harculete, explicou que isso só acontece porque há pessoas coniventes na estrutura do Estado. Por exemplo, revelou que, afinal, as estatísticas que são usadas para as quantidades exportadas incluem a exportação clandestina.

Um dado prontamente desmentido pelo Instituto de Amêndoas, que disse que há um sistema de controlo bem organizado. Ainda assim reconhece que o contrabando existe e que, provavelmente, poderá reduzido pela entrada em vigor da lei e dos respectivos regulamentos.

O Governo convidou empresários japoneses a investirem na produção de baterias de carros eléctricos em Moçambique. O objectivo é que as baterias complementem um outro de montagem de carros eléctricos, que se pretende instalar no país.

O ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, foi quem convidou os empresários japoneses a investirem numa fábrica de baterias para carros eléctricos em Moçambique, num evento de promoção de comércio e investimentos entre os dois países, onde estiveram também o ministro da Economia e Finanças, Max Tonela, e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Yoshimasa Hayashi.

Referindo-se à grafite produzida na província de Cabo Delgado, Magala disse que, neste momento, já está a ser fornecida para uma empresa norte-americana vocacionada à produção de baterias para carros eléctricos e que Moçambique pretende que as baterias sejam produzidas aqui para responder ao programa de importação de autocarros eléctricos ainda este ano, mas também responder ao projecto de montagem de carros eléctricos que se pretende instalar em Moçambique.

Para Max Tonela, o Japão pode transferir o conhecimento tecnológico para Moçambique, sublinhando o facto de o Japão ser uma potência tecnológica, ao mesmo tempo que há muitos moçambicanos que precisam de ser formados em matérias de Tecnologia de Informação e Comunicação.

Por seu turno, o ministro japonês disse que a delegação de empresários tem interesses em investir em diversos sectores da economia moçambicana.

Há interesse dos empresários que fazem parte desta delegação de investir na indústria, comércio, agricultura e outros sectores, em Moçambique, como forma de explorar o mercado local, mas também garantir a exportação dos produtos acabados para outros países”, disse o governante nipónico.

O Japão co-financiou as obras de reabilitação do Porto de Nacala, uma infra-estrutura que o Governo considera estratégica para a logística interna e para os países do interland na África Austral.

As obras de reabilitação do Porto de Nacala, em Nampula, terminam em Maio próximo, e deverá tornar-se no mais moderno do país. Os investimentos em curso totalizaram cerca de 300 milhões de dólares americanos. A intervenção vai facilitar a entrada e saída de veículos do Porto, dado que haverá faixas específicas para esse movimento, bem como um espaço melhorado para o manuseio de carga.

A reabilitação vai permitir o aumento de carga manuseada, de 100 mil para 250 mil contentores anuais, ao mesmo tempo que as cargas passarão a ser manuseadas 24h por dia.

Tomás Matola é o novo Presidente do Conselho de Administração da empresa Hidroeléctrica de Cahora Bassa, eleito em mais uma sessão do Conselho de Administração. No cargo, Tomás Matola sucede a Boaventura Mahambe, que exercia a função desde Março de 2021.

Assim, Tomás Matola, de 44 anos de idade, sai do Banco Nacional de Investimentos, onde exerceu vários cargos de direcção nos últimos 11 anos, com destaque para o de Presidente da Comissão Executiva. Recentemente, o BNI apresentou o seu relatório e contas, anunciando lucros de mais de 200 milhões de Meticais e que tinha pago ao seu accionista, o Estado Moçambicano, 60 milhões de Meticais em dividendos.

Compõem ainda o Conselho de Administração da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, Aida Magaia, Nilton Trindade, Hermínio Chiau e José Munice.

A HCB é a maior empresa de capitais públicos em Moçambique, tendo o Estado com 85%, 7,5% da empresa portuguesa REN e 3,5% capitais próprios da empresa e 4% nas mãos de diversos cidadãos e empresas nacionais.

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