O País – A verdade como notícia

A produção de petróleo bruto no mundo vai reduzir em 1,2 milhões de barris por dia a partir de Maio. A situação poderá obrigar a novos agravamentos de preços de combustíveis no país nos próximos meses.

Os países exportadores de petróleo anunciaram uma redução dos níveis de produção do petróleo bruto, de cerca de 1,2 milhões de barris, o correspondente a 190 milhões de litros. A medida da Opep+ já se fez sentir nos mercados internacionais, provocando um incremento de 8% sobre os preços do petróleo BRENT.

Segundo escreve a imprensa internacional, a medida, que já está a provocar agravamento do preço de combustíveis no mundo, é destinada a apoiar a estabilidade do mercado petrolífero. Da lista dos países produtores que adoptaram os cortes constam a Arábia Saudita, que anunciou que irá realizar um corte voluntário de 500 mil barris por dia, de Maio até o final de 2023.

Esta acção irá acontecer em coordenação com os países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e não membros da organização (Opep+) que participam da declaração de cooperação.

“As reduções serão feitas no Iraque (211 mil bpd), Emirados Árabes Unidos (144 mil bpd), Kuwait (128 mil bpd), Cazaquistão (78 mil bpd), Argélia (48 mil bpd), Omã (40 mil bpd) e Gabão (8 mil bpd). Além disso, a Rússia, que integra a Opep+, estenderá o actual corte de 500 mil bpd em sua produção até o fim de 2023, trazendo a redução total na oferta a 1,66 milhão de bpd”, detalhou a Opep.

Com isso, o contrato futuro do petróleo Brent com vencimento em Junho fechou com alta nesta segunda-feira, de 6,31%, a US $84,93 o barril, após chegar a subir mais de 8% no início da sessão”, lê-se na página internacional de economia – Infomoney.

A Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas (AMEPETROL) acompanhou o anúncio e mostrou-se preocupado, pois entende que, por Moçambique não ser uma Ilha, poderá ser afectado de alguma forma.

“Este anúncio já se fez sentir nos mercados internacionais, provocando um incremento imediato de 8% sobre os preços do petróleo BRENT e com perspectivas de uma escalada ascendente nas próximas semanas. Chamamos especial atenção aos nossos clientes e público em geral que os próximos meses serão mais desafiantes, no que tange ao preço de combustíveis no mercado interno”, apelou o secretário-geral da AMEPETROL, Ricardo Cumbe.

Segundo a fonte, que falava à nossa reportagem, o país poderá ser afectado em função das encomendas que forem feitas no âmbito dos novos tarifários praticados, o que, pelos cálculos, pode ser dentro de três a quatro meses.

O sector privado quer que o Fundo de Garantia Mutuária esteja operacional até Junho deste ano. O Fundo foi anunciado pelo Presidente da República para aliviar o custo de financiamento às empresas.

A taxa de juro de referência para os empréstimos bancários foi agravada de 22,60% para 23,5% a partir deste mês de Abril, o que significa que o dinheiro ficou mais caro para quem solicita novos créditos nos bancos comerciais ou então quer renegociar.

O empresariado diz-se aliviado com a aprovação do crédito de 300 milhões de dólares pelo Banco Mundial, na quinta-feira passada, que vai beneficiar as empresas.

“Além de emitir garantias às empresas nacionais para aceder a financiamentos na banca comercial nacional, também poderá ajudar de forma particular a mulher empresária e comerciante a aceder ao financiamento de forma mais fácil, alocar fundos às micro-finanças que deverão repassar aos pequenos produtores e micro, pequenas e grandes empresas a aceder ao financiamento de forma mais fácil e em condições muito competitivas e vantajosas”, disse Agostinho Vuma, presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA).

Para o sector privado, o projecto de acesso ao financiamento vai permitir acelerar a implementação do Fundo de Garantia Mutuária.

“O Fundo de Garantia Mutuária que o Governo lançará é o primeiro do género em Moçambique, e a sua importância para o sector privado, economia nacional e a sociedade no geral será imensurável, na medida em que ajudará as micro, pequenas e grandes empresas a resolver os problemas derivados das sucessivas crises, nacionais e globais, que o país viveu, alguns anos para cá. Ajudará no reforço de liquidez no sistema bancário e desbloqueará financiamento para micro, pequenas e grandes empresas, mulheres e pequenos produtores que operam em regiões ou sectores vulneráveis ​​a choques climáticos”, esclareceu Vuma.

O projecto a ser financiado pelo Banco Mundial tem duração de seis anos e surge no âmbito do Pacote de Medidas de Aceleração Económica, anunciado pelo Governo.

O Banco de Moçambique diz que há elementos que constavam da sua proposta técnica do Fundo Soberano omitidos na proposta final do Governo. Face a suspeitas da falta de integridade do banco, a instituição diz ter capacidade técnica e integridade para gerir o Fundo.

Depois de o Governo ter sido ouvido pelo Parlamento, há uma semana, sobre o Fundo Soberano, hoje foi a vez de o Banco Central prestar esclarecimentos aos deputados.

Na sessão, deputados do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) contestaram a ausência do Governador do Banco de Moçambique, que mandatou um administrador para o representar.

“Devíamos cancelar esta audição e, eventualmente porque não fomos informados com alguma antecedência sobre a ausência do Senhor Governador. Há passos a seguir à luz do regimento da Assembleia da República. Não faz sentido que este órgão de soberania seja subalternizado e desrespeitado pelo Governador do banco central ”, Fernando Bismarque, deputado do MDM.

Por isso, os deputados do MDM abandonaram a sala. Mesmo assim, a sessão teve lugar, com apenas deputados da Frelimo e da Renamo. O Banco de Moçambique começou por esclarecer que a sua proposta inicial de Fundo Soberano não coincide taxativamente com a que o Governo submeteu ao Parlamento.

“Nem todos os aspectos que constam da proposta técnica inicial que foi preparada pelo Banco de Moçambique estão na sua íntegra na proposta de lei e há aspectos que estão na proposta de lei que não constam da proposta técnica preparada pelo Banco de Moçambique”, referiu o administrador do Banco de Moçambique, Jamal Omar, um dos principais responsáveis pela elaboração da proposta do banco.

Jamal Omar explicou, ainda, que o Fundo Soberano é uma conta e não uma instituição, que deverá ser gerida por uma instituição já existente e explica o porquê de se criar uma conta dedicada.

“Se nós tivermos uma instituição e não uma conta, corremos o risco de ter dois orçamentos no país, um gerido pelo Governo no dia-a-dia, com todas as despesas que são feitas no Orçamento e outro gerido por uma instituição que é a que vai fazer a gestão do Fundo Soberano, porque, nesse caso, essa instituição teria de fazer investimentos domésticos. Então, a questão aqui é que nós separamos aquilo que são os investimentos domésticos e esses serão da responsabilidade do Governo em sede do Orçamento e a outra parte que seria de poupança iria para uma conta que seria gerida pelo gestor operacional”, explicou o administrador do Banco de Moçambique.

Quanto à remuneração do banco central como gestor do Fundo Soberano, o administrador diz tratar-se de uma prática internacional e que o valor não é para pagar aos funcionários do banco.

“A gestão do Fundo Soberano tem aspectos um pouco mais complexos e isto nós sabemos pelo nosso papel como gestor de reservas internacionais, porque esses investimentos que são feitos no mercado internacional são mercados complexos, em alguns casos e em muitos deles exigem especialidade e é exactamente para essas especialidades que é preciso ter algum fundo para poder contratar essa especialidade”, esclareceu Omar Jamal.

Em relação à integridade do banco, colocada em causa por alguns deputados, o administrador diz não ter dúvidas sobre a capacidade técnica de gestão do Banco de Moçambique.

“O banco central passa a ser o gestor operacional do Fundo Soberano. Nós achamos que o Banco de Moçambique tem capacidade técnica, credibilidade e transparência suficientes para poder cumprir esta missão com sucesso. É nossa convicção, mas, como eu disse, as experiências internacionais sobre quem gere o fundo são variadas e nós, como moçambicanos, podemos tomar aquela que melhor acharmos que vai ajustar-se à nossa realidade”, referiu o governador do Banco de Moçambique.

O Fundo Soberano será uma conta de poupança e rentabilização de parte do dinheiro a ser arrecadado dos projectos de exploração de petróleo e gás natural em Moçambique.

O Estado deve ao Banco de Moçambique 90,3 mil milhões de Meticais resultantes de intervenções da instituição para estabilizar o Metical no mercado cambial. A lei obriga que o Estado emita títulos de dívida em relação ao dinheiro que o banco usou para estabilizar a moeda nacional, mas isto não ocorre desde 2005.

A dívida do Estado ao Banco de Moçambique consta do relatório anual de 2022 do banco central, no qual o auditor externo, a empresa BDO, alerta que o Estado não assumiu a responsabilidade de emitir títulos de dívida pública desde 2005 a favor do Banco de Moçambique, no valor acumulado de 90,3 mil milhões de Meticais, nem este reconheceu os proveitos associados a esta dívida no valor acumulado de 17,2 mil milhões de Meticais.

O artigo 2 da Lei Orgânica do Banco de Moçambique determina que “caso se verifique, no final do exercício económico do banco, um saldo devedor na conta especial de flutuações de valores, o Estado regularizará esse saldo por emissão de títulos de dívida pública a favor do banco ou outra modalidade proposta pelo Conselho de Administração do Banco”.

Há 18 anos que isto não acontece, de acordo com a BDO. “Em 2021, em resultado da apreciação do Metical, e de modo a manter os resultados das transaccões dos exercícios anteriores, em dólares e euros, o banco efectuou um ajustamento nos custos médios ponderados líquidos das reservas em moeda estrangeira num montante de 20,1 mil milhões de Meticais por contrapartida da rubrica de flutuação de valores. Uma vez que o ajustamento não foi revertido durante o exercício corrente, afectou também o custo médio ponderado líquidos das operações de 2022. Deste modo, as rubricas de flutuações de valores, resultados transitados e resultados de operações em moeda estrangeira encontram-se sobreavaliadas num montante que não nos foi possível quantificar”, escreveu o auditor externo no relatório anual do Banco de Moçambique.

No que se refere a créditos e adiantamentos concedidos ao Governo, o relatório anual do Banco de Moçambique revela que, em 2022, o Banco concedeu empréstimos ao Estado num total de 58,5 mil milhões de Meticais, dos quais 12,7 mil milhões de Meticais foram concedidos a uma taxa de juro anual de 3%. O montante de 37 323,768 milhares de Meticais foi concedido nas condições estabelecidas pelo artigo 18 da Lei n.º 1/92, de 3 de Janeiro, Lei Orgânica do Banco de Moçambique, e o remanescente de 8 436,737 milhares de Meticais é referente a juros.

De referir que o artigo 18 estabelece, no seu número 1, que o Banco “poderá conceder anualmente ao Estado crédito sem juros sob a forma de conta corrente, em moeda nacional, até ao montante máximo de 10% das receitas ordinárias do Orçamento Geral do Estado, arrecadadas no penúltimo exercício”.

O número dois do mesmo artigo refere que “os levantamentos do Estado na mesma conta serão feitos unicamente em representação das receitas orçamentais do respectivo exercício e o crédito deverá estar liquidado até ao último dia do ano económico em que tiver sido aberto, e, não o sendo, o saldo vencerá juros à taxa de redesconto do Banco”.

O relatório anual do Banco de Moçambique mostra que os lucros da instituição financeira caíram a pique no ano passado. Em 2021, o banco central obteve lucros de 575,7 milhões de Meticais contra 171,7 milhões de Meticais, em 2022, o que representa uma queda de cerca de 70%.

No geral, o documento revela que os activos do Banco de Moçambique aumentaram 11% no ano passado. Em 2022, terminou com activos avaliados em 626,3 mil milhões de Meticais contra 562,3 mil milhões de Meticais em 2021.

 

CONTROLO DE RISCO E POLÍTICAS DE MITIGAÇÃO

No relatório, o banco assume, na sua actividade, um determinado nível de exposição ao risco de crédito, ou seja, ao risco de incumprimento efectivo por parte da contraparte. A Administração regula, criteriosamente, a exposição do banco ao risco de crédito e risco do país, estabelecendo: (i) as classificações de crédito mínimas (ratings) por cada tipo de instrumento elegível; (ii) os prazos máximos por rating para os depósitos a prazo; (iii) os limites de concentração por rating das contrapartes; (iv) os limites de concentração por país; e (v) os limites de risco por emissor.

“Estes riscos são revistos anualmente. O Departamento de Mercados e Gestão de Reservas verifica, numa base diária, o cumprimento dos limites. Para a gestão e aplicação das reservas internacionais, a Administração define, igualmente, quais as entidades externas habilitadas a prestar estes serviços. Os activos financeiros, que potencialmente expõem o banco à concentração de risco de crédito, consistem, essencialmente, nas disponibilidades e aplicações sobre outras instituições de crédito, nas obrigações e outros títulos de rendimento fixo”, lê-se no documento.

O Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Instituto Nacional das Comunicações (INCM) visitou, hoje, as instalações do Grupo Soico. O objectivo é reforçar as relações institucionais entre as partes.

O líder máximo da Autoridade Reguladora das Comunicações, acompanhado pelo Presidente do Conselho de Administração do Grupo Soico, Daniel David, percorreu alguns compartimentos do Grupo de media, onde se inteirou das actividades. De seguida, Tuaha Mote referiu que a instituição pretende com essa aproximação destruir a ideia de falta de transparência e abertura por parte das instituições do Estado.

“Procuramos estabelecer uma parceria com a Soico para que usemos o Grupo para a divulgação das nossas acções regulatórias e também para mostrar que estamos abertos para abraçar os projectos da área tecnológica, que nós regulamos, que o Grupo Soico tem levado a cabo e muito bem. E achamos que não poderíamos estar alheios ao esforço que esse Grupo está a fazer, quer para a digitalização da economia, quer para a divulgação das TIC”, explicou Tuaha Mote, PCA do INCM.

E já há algumas perspectivas para o futuro. “Os próximos passos passam pela materialização dos compromissos que aqui assumimos, e também por explorar novas áreas de cooperação. Durante a nossa conversa, tivemos acesso a uma série de projectos muito ambiciosos e que nós não tínhamos conhecimento e queremos fazer parte desses projectos”, referiu Tuaha Mote.

O Instituto Nacional das Comunicações tem, por finalidade, a regulação, supervisão, fiscalização, sancionamento e representação dos sectores postal e de telecomunicações, bem como a gestão do espectro de frequências radioeléctricas.

O Banco Mundial aprovou um crédito de 300 milhões de dólares para o Projecto de Acesso a Finanças e Oportunidades Económicas em Moçambique. O objectivo é apoiar o Fundo de Garantia de Crédito criado pelo Governo e promover a inclusão financeira, ao abranger grupos de poupança informais.

O projecto em causa é denominado “Mais Oportunidades”. Tem a duração de seis anos e é financiado pela Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), um dos braços do Banco Mundial.

“O Banco Mundial irá apoiar o Governo de Moçambique a enfrentar múltiplos choques económicos e os constrangimentos de mercado que impedem as micro, pequenas e médias empresas e indivíduos, incluindo trabalhadores informais, de aceder e usar serviços financeiros e aproveitar oportunidades económicas”, disse Idah Z. Pswarayi-Riddihough, directora do Banco Mundial para Moçambique.

Com o crédito de 300 milhões de dólares, ora aprovado, o projecto pretende apoiar, directamente, o Pacote de Medidas de Aceleração Económica do Governo, e outras medidas, através da criação de um Fundo de Garantia de Crédito nacional – o primeiro deste género em Moçambique.

O fundo visa promover liquidez no sistema bancário e desbloquear financiamento para as pequenas e médias empresas, incluindo empresas pertencentes ou lideradas por mulheres, ou que operam em regiões ou sectores vulneráveis aos choques climáticos.

“O projecto também irá aumentar as oportunidades económicas através do aprofundamento de reformas no ambiente de negócios, expansão ao acesso aos mercados, capacitação e financiamento. Espera-se que o projecto ajude a criar mais de 26 mil novos empregos ao longo de seis anos”, lê-se no comunicado de imprensa do Banco Mundial a que “O País” teve acesso.

Segundo o Banco Mundial, estima-se que a população do país venha a alcançar 50 milhões até 2040. Para acompanhar este crescimento demográfico, a economia deve gerar 500 mil novos empregos por ano, isto é, 20 vezes mais do que os 25 mil empregos formais gerados actualmente, a cada ano.

Empreendedor, escritor e religioso brasileiro, Tiago Brunet recorre à personagem bíblica Moisés para explicar que, quando este estava a guiar o povo de Israel, saindo para a terra prometida, resolveu vários problemas que não criou. “O líder é um intercessor entre os liderados. Liderança não é um título, é um reconhecimento”, explicou o mentor. Brunet aconselhou os empreendedores a sempre gastarem menos do que ganham. “As pessoas começam a ganhar dinheiro e já querem aumentar o seu padrão de vida. Fazer tudo por um propósito e nunca fazer por dinheiro”, alertou um dos escritores com mais livros vendidos no Brasil.

 

Como é que foi relacionar-se directamente com os seus fãs e seguidores em Moçambique?

Foi uma alegria muito grande, porque a nossa recompensa, como mensageiros, comprova que a mensagem chegou. Quando a gente vem de um país que é do outro lado do mundo, no meu caso, o Brasil, e vê que a mensagem ficou, essa é a nossa recompensa. Por isso, eu sinto-me recompensado em ver que várias pessoas são leitoras dos nossos livros e que deram o testemunho de que a mensagem não só chegou como também transformou a vida de muitas pessoas. Eu agradeço apenas a Deus, por ser mais um mensageiro e poder partilhar a mensagem com os demais.

 

E por falar em transformação, a sua vida começou a transformar-se rumo a um bom porto em 2014. Foi praticamente neste período em que tudo deu errado e decidiu começar do zero, abriu uma página da sua vida e mostrou que é possível recomeçar. Como é que foi, exactamente nesse momento, começar a escrever e a dar palestras?

Independentemente da sua região e da sua crença, todo o ser humano precisa de ter fé. Em 2014, eu quebrei-me total, financeira e emocionalmente. Tive crises seríssimas de pressão e ataque de pânico. Fui processado judicialmente, várias vezes, por causa da empresa que estava a dever muito dinheiro. A pressão emocional estava quase impossível de suportar.

 

Qual foi o ponto de partida para a mudança?

Quando não tinha mais escolha, comecei a concentrar-me no que realmente possuía, aquilo que nem a quebra emocional e financeira conseguiu roubar de mim: o meu dom. Às vezes, o teu pequeno sucesso financeiro ou na vida social faz com que você se desconcentre do seu dom. Eu estava desconcentrado de um dom, que era entregar a palavra.

 

Foi um exercício de introspecção ou contou com alguém para o despertar?

Fomos eu e Deus trancados no quarto durante nove meses. Nesse período, não houve intervenção de ninguém. Depois, sim. Comecei a procurar mentores, porque não tinha quem me orientasse. Percebi que era orgulhoso, achava que sabia todas as coisas, que não precisava de perguntar nada a ninguém. Hoje, para mim, é fácil entender porque, em 2014, eu me quebrei financeira e emocionalmente. O orgulho e a ignorância fazem qualquer ser humano quebrar-se e, nesse ano, eu tomei uma decisão importante, que foi sair do orgulho, buscar humildade, sair da ignorância e buscar conhecimento. Daí, as coisas começaram a mudar fortemente na minha vida. Se você não acreditar, não tiver fé de que Deus está consigo, dificilmente vai resistir.

 

E foi com fé que escreveu o seu primeiro livro rumo ao lugar desejado, que descreve, exactamente, o momento em que se encontrava quando escreveu e decidiu publicar e tornar-se palestrante?

Foi um grande desafio para mim, porque eu tive que o escrever estando quebrado. Eu perguntava-me, sempre, quem vai ter a vontade de ler um livro de alguém que não tem resultado. Eu decidi escrever sobre como você sai do lugar onde está e ir para o lugar onde sonha, baseando-me não só nas atitudes que eu estava tomando naquele momento, mas no conselho dos grandes mentores a que eu me estava aproximando na época. Um deles é o doutor Augusto Cury, que é psiquiatra mais lido do mundo. Ele foi mentor para melhorar a minha inteligência emocional, inclusive prefaciou o livro. Ninguém quis publicar o meu livro. É bom lembrar que, hoje, eu sou um dos escritores mais lidos do Brasil. Temos milhões de livros vendidos, mas o meu primeiro livro ninguém quis publicar. Ainda assim, não desisti.

 

Se tivesse que reescrever o livro, hoje, com o mesmo título, mesmo conteúdo, do ponto de vista da abordagem que traz, escreveria do mesmo jeito ou com outros olhos viria a forma como encarou a situação?

Por mais que hoje eu tenha mais sabedoria, mais experiência, há pessoas que só entendem aquela parte que eu escrevi. Se eu escrevesse o livro de novo, seria de uma forma que só atingiria um único grupo de pessoas e, naquela época, escrevi de uma forma mais básica que atinge pessoas também do nível básico. Cada livro meu foi uma evolução das fases. Para quem está a começar a vida nos negócios ou desenvolver pessoalmente, o “Rumo ao lugar desejado” vai ensinar exactamente sobre isso. Agora, estou a escrever um livro mais complexo, sobre os princípios espirituais, que é a fase que estou vivendo. Todos os livros que eu escrevi atingem pessoas de classes diferentes.

 

E com esta sabedoria que adquiriu com o passar do tempo, aconselharia alguém, numa fase ainda inicial do empreendedorismo, a apostar em ser palestrante, mentor ou escritor?

O que aconteceu comigo foi particular. Primeiro, eu carregava o sonho de ser escritor. Segundo, encontrei um mentor que tinha livros mais lidos no Brasil naquela altura; foi quem me ajudou a escrever a minha primeira obra. A minha história, naquele momento, era forte. As pessoas, por vezes, quando vão dar uma palestra sem ter experiência, acabam mentindo, e a mentira, em breve, é revelada. Tudo o que não é de verdade tem prazo de validade! O meu conselho geral é: você deve esperar ter experiência para poder ser palestrante ou mentor. Em casos raros, você pode lançar um livro no início da carreira e dar certo. Em regra, a experiência é importante.

 

E por falar nesta fase da sua vida, Tiago Brunet defende que toda a dor tem um propósito e que a dor é um treinamento para que se tenha autoridade em alguma coisa. Com esta crença, como é que explica que existam muitas pessoas que passam por esta fase da dor, mas não conseguem libertar-se dela e muito menos apropriar-se desta experiência para que, de facto, consigam alcançar algum resultado?

Imagina uma mãe que teve os seus filhos mortos numa tragédia. Isso eu chamo de dor verdadeira. E existe uma dor que a nossa mente fabrica. Por exemplo, uma adolescente de 12 anos que acha que vai morrer porque o namorado a abandonou. Primeiro, o ser humano tem a dificuldade de reconhecer os níveis de dor, se é uma dor verdadeira ou é uma que está a ser fabricada no seu pensamento. Quando você está debaixo de uma dor, de verdade, aí sim, precisa tomar alguma decisão. A dor precisa de ser o motivo da sua força. E quando a dor é falsa, aí é só lutar contra ela. O tempo ajuda muito, mas também a sabedoria aniquila todas as dores que não são verdadeiras e você deixa de sofrer à toa. Não tem como evitar as dores da vida, pois elas são necessárias para a gente crescer.

 

Tiago Brunet tem uma particularidade de trazer uma mensagem muito profunda. É teólogo e usa a Bíblia para interpretar a vida com muito pragmatismo. No Makagui Fórum, fê-lo com mestria, trazendo a história de Davi, o pastor que ascendeu a rei. O que lhe fez optar por este modelo de financiamento?

Tenho contacto com a Bíblia desde que nasci. Sou filho e neto de pastores, porém eu não entendia a Bíblia, porque a religião era muito pesada para mim. À medida que fui crescendo, precisava de tomar uma decisão – se seria religioso ou não. Por muito tempo, tive a dúvida disso, até que, nesse processo, em 2014, quando eu fiquei quebrado, decidi não acreditar mais em Deus. Na verdade, eu conheci a Deus ao tentar desacreditá-lo. Comecei a ler a Bíblia para descobrir os supostos erros e falar que Deus não existia.

 

E com que olhos passou a olhar para a Bíblia?

Eu comecei a ver a Bíblia, não como um livro religioso, mas sim um manual prático de vivência. Se você quiser viver bem, já está tudo escrito há mais de dois mil anos.

 

O que o induziu a esta conclusão?

Antigamente, eu só escutava a Bíblia e não praticava, por isso era chato. Quando comecei a levar sério, por exemplo, quando a Bíblia diz que “não mintais uns aos outros”, aí eu disse que não vou mais mentir. A vida fica mais difícil quando você não mente, porque passa por alguns constrangimentos, mas, depois, a vida fica melhor. A Bíblia diz para a gente amar as pessoas, e é muito difícil amar quem lhe fez mal, quem fala mal de si por trás ou que demonstra inveja. Mas, quando você começa a praticar o que está escrito, fica muito bem emocionalmente e na sua vida.

 

Esta forma de interpretar a Bíblia é a única que adoptou na sua abordagem para levar uma mensagem eficaz ou existe uma outra?

Em princípio, esta é a única estratégia que eu tenho de me comunicar com todo o tipo de público. Eu tive muitas oportunidades de ir a Israel por causa do meu trabalho como guia de turismo. Eu tento levar os ensinos bíblicos da forma mais prática possível.

 

Por falar em Israel, revelou que viajou quarenta e oito vezes para este país e que tem alguma paixão profunda por Israel. Estando lá, teve a oportunidade de estudar a forma de ser e estar do povo de Israel e aprender a sabedoria judaica. Foi o lugar que definiu Tiago Brunet que conhecemos hoje?

A minha forma de olhar para a Bíblia está totalmente ligada ao número de vezes que fui a Israel. Com tantos anos de estudo, ninguém conseguiu desmentir uma vírgula na Bíblia. Aumentou a minha fé e a minha inteligência. A geografia foi fazendo eu comprovar pelas medidas, ou seja, pela inteligência. Comecei a ver que tudo era verdade, por isso, hoje, eu acredito na Bíblia, não só pela inteligência, mas também pela fé, e isso eu devo a Israel.

 

Podemos dizer que Israel é o seu combustível?

Eu não digo que é combustível, mas que é uma fonte. Você, quando bebe água do rio, pode beber água misturada, mas, quando você vai a uma fonte, a água é sempre pura.

 

Como é que integra os seus conhecimentos de teologia no trabalho que faz, de desenvolvimento pessoal?

Tudo o que dá certo hoje, na ciência, foi tirado da Bíblia. A Universidade de Harvard comprovou que a felicidade é você compartilhar com quem não tem. Isso foi tirado da Bíblia. Comecei a perceber que você pode estudar a ciência, mas é muito importante beber da fonte, que é a Bíblia. Comecei a ver a Bíblia como fonte principal e percebi que todos os conteúdos dos livros de desenvolvimento pessoal estão na Bíblia.

 

E pratica todos ou selecciona alguns?

Eu não sou perfeito. Digo que sou um ser humano em fase de construção. Daqui a cinco anos, você vai conhecer um Tiago Brunet muito melhor do que o de hoje. Luto, diariamente, para cumprir os princípios bíblicos. Ou seja, tudo o que faço, como ser humano, é para me tornar alguém melhor, para ajudar mais pessoas. Ensinei, agora, no Makagui Fórum, que Davi também cometeu erros, mas a diferença é que ele se arrependia imediatamente. Uma das formas de perceber quem pratica a sabedoria milenar ou não é pelo arrependimento. A sabedoria milenar, além de ensinar princípios, leva, imediatamente, a reconhecer os próprios erros e concertá-los para nunca mais voltar a cometer esse erro.

 

Como é que Tiago Brunet vê a relação entre a espiritualidade e o sucesso?

O verdadeiro sucesso exige espiritualidade. Hoje, dos 15 melhores bilionários do Brasil, oito são meus amigos pessoais e nem todos são felizes de verdade. Não têm amor dos filhos, nem todos têm casamentos felizes, mas têm muito dinheiro. Podemos dizer que eles têm sucesso profissional, mas não têm sucesso na vida. As pessoas com sucesso financeiro, geralmente, praticam a espiritualidade porque têm fé. Há pessoas que não têm religião e, tecnicamente, não conhecem a Bíblia, mas inconscientemente praticam esses princípios.

 

Tiago Brunet é um homem que vive com essência da espiritualidade. Considera-se um homem de sucesso?

Considero-me um homem de sucesso. Não pelos seguidores ou pela vida financeira, mas por três coisas: Deus gosta de mim. Segundo, a minha família me ama e eu amo a minha família, meus filhos me admiram e eu admiro os meus filhos, minha esposa me admira e eu admiro minha esposa. Terceiro, eu não me desvio do meu propósito de entregar a mensagem às pessoas de todo o mundo.

 

Quando diz que Deus gosta de si, lembro-me de já ter ouvido Tiago Brunet a dizer que Deus falou consigo em algum momento da sua vida em que esteve nos Estados Unidos e depois voltou para o Brasil. Pode explicar, de forma muito simples, como é que acontece esta comunicação com Deus?

Você só reconhece a voz que escuta todos os dias. Se você começar a praticar através da oração, Deus procura uma maneira de falar com você. Nem sempre vai escutar uma voz audível. Às vezes, vai ser o sentimento, sonho, mensagem, através de uma outra pessoa, mas Deus sempre vai encontrar uma forma de falar consigo e você vai entender. No meu caso, porque tenho a prática de escutar a Deus desde muito jovem, em uma oração que estava fazendo, escutei a voz de Deus me direccionando a voltar para o Brasil. Era algo completamente fora dos planos. Éramos felizes nos Estados Unidos, vivendo uma vida que sonhamos ter, e não tinha sentido voltar para o Brasil. O que não sabia é que tudo o que aconteceu na minha vida, nos últimos três anos, aconteceu quando voltei. Quanto mais alinhados estivermos com Deus, mais alinhados ao nosso destino estaremos.

 

E há sinais?

Deus fala através de sinais. Eu casei com a minha esposa por causa dos sinais que pedi a Deus.

 

Qual é a sua visão sobre a liderança aos olhos da teologia?

A liderança, à luz da sabedoria milenar, é algo muito simples. Um bom líder precisa estar disposto a resolver problemas que não criou. Moisés, quando estava guiando o povo de Israel, saindo para a terra prometida, resolveu vários problemas que não criou. O líder é um intercessor entre os liderados e o grande objectivo. Liderança não é um título, é um reconhecimento. Imagina um avião cair numa floresta e, apesar de se ter destruído, todos sobreviverem. No primeiro minuto após a queda, você vai saber quem é o líder. Vai ser a pessoa que dará iniciativas, vai ser proactivo e cuidar das outras pessoas.

 

Tiago Brunet diz que a Bíblia é o manual de instrução de um ser humano. Enquanto mensageiro, como é que se protege da má interpretação da Bíblia?

Quando você compra um electrodoméstico para sua casa, um televisor, por exemplo, vem sempre com um manual de instrução, e Deus foi muito justo ao criar o homem e deixar um manual de instrução. Mas tudo o que está escrito pode ser interpretado de formas diferentes. Hoje em dia, por causa das redes sociais, você pode escrever um texto e as pessoas entenderem que você está nervoso enquanto não está. É por isso que existe a teologia para os estudos bíblicos, para equilibrar as interpretações. Existem interpretações que são diferentes, mas são certas, e algumas contra a verdade. O mais aconselhável é que você escute a palavra por pessoas equilibradas, por pessoas que você sabe que têm frutos. A Bíblia diz que maldito é o homem que confia no homem. Não coloque toda a esperança num homem, coloque toda a sua esperança em Deus, mas quando você quer ouvir um homem precisa, primeiro, analisar os seus frutos.

 

Sendo a Bíblia um manual de instrução para os seres humanos, como entender que ela surja depois de Deus ter criado os homens?

A Bíblia é um livro cem por cento inspirado por Deus e escrito pelas mãos dos homens. Se você pegar qualquer cientista ou historiador, não vai conseguir desmentir a Bíblia por causa da coerência desde Gênesis até Apocalipse. Imagina um livro que foi escrito com milénios de distância e cada história complementa a outra. Um livro que foi lançado há mais de dois mil anos e é mais actual que o jornal de amanhã. É incontestável o poder da palavra e para acreditar, espiritualmente, você precisa ter fé. Quanto mais entender o que está escrito, mais vida de paz e prosperidade terá.

 

Diz que os princípios valem mais que os sentimentos e que eles nos fazem saber respeitar as autoridades. Como compreender que neste momento estou a ser guiado por princípios e não por emoções?

Por exemplo, o princípio de honrar pai e mãe é milenar, mas nem todos os pais foram bons para os seus filhos. Teve pai que abandonou, mãe que maltratou e, quando este filho cresce pergunta-se como vou honrar os pais se eles me abandonaram? Mas a Bíblia não diz para honrar os seus pais porque eles fizeram o bem consigo, diz apenas para os honrar. O seu sentimento de raiva não pode ser maior que o seu princípio de honra. Essa é a única forma de ter paz e prosperidade.

 

Algumas pessoas são incoerentes, inconsequentes e depois clamam por resultados que não produziram. Olhando para esta forma de ver a vida, a educação pode ser a chave para alterar os resultados que as pessoas gostavam de ter e que, na maior parte das vezes, não cultivam para colher?

Educação é a única chave, só que não necessariamente a educação formal. Às vezes, a vida vai ser o seu treinamento; às vezes, os livros podem remodelar as pessoas. Fui muito remodelado por leitura e mentores. Apesar de eu ter concluído a escola formal, considero que foi muito mais importante o meu conhecimento empírico, através das experiências da vida do que o académico. Nada se transforma sem educação ou sem treinamento.

 

Tiago Brunet tem a particularidade de ser especialista em treinar pessoas e criou projectos como Instituto Destino e Café com Destino. Tem contacto diário com as pessoas neste percurso empresarial. Quais são as convicções que mudou e hoje tem como experiência de vida?

Se tivesse alguém para me treinar emocionalmente, antes de ter a quebra financeira, eu jamais teria passado pelas dificuldades que passei. Eu comecei o Instituto Destino com uma só intenção: ser a pessoa que faltou em mim em 2014, ou seja, ser um líder espiritual, um mentor para que as pessoas não passem pelo que eu passei. A miséria financeira é reflexo da sua mente. Se você muda a sua forma de pensar, automaticamente, muda os seus resultados financeiros.

 

Tiago Brunet é um bom criador de conteúdos. Considera-se também um bom gestor ou um bom farejador de negócios?

Eu não sou um bom administrador. Por incrível que pareça, essa é a função da minha esposa. Eu sou um bom canalizador de negócios. Consigo entender onde há negócio e consigo gerar riqueza do zero em qualquer lugar para onde eu for, mas, a partir do momento que eu ganho, minha esposa administra.

 

Como é que fareja oportunidades de negócio?

Entendo que negócio bom é aquele que ajuda pessoas. Apesar de a minha missão na terra ser de um mensageiro, o meu trabalho é ser empreendedor. Tenho negócios, tenho o meu instituto. Quando se trata de um negócio, você tem que analisar algo muito importante, que é a margem, o quanto desse trabalho sobra para si. Porque há gente que consegue facturar muito dinheiro, mas não sobra nada. Aí eu aprendi da vida que é melhor você facturar menos sobrando mais do que facturar muito sobrando nada.

 

Qual é o melhor conselho, na componente empresarial, que já recebeu na sua vida?  

O conselho que mais me ajudou é de sempre gastar menos do que ganho. As pessoas começam a ganhar dinheiro e já querem aumentar o seu padrão de vida. Fazer tudo por um propósito e nunca fazer por dinheiro. Invista na sua missão na terra e aí é impossível o dinheiro não vir atrás.

 

 

Quais são as habilidades que os aspirantes a palestrantes devem ter em conta para desenvolver e poder singrar?

É muito importante aprender a falar em público, ser um bom contador de histórias, e Jesus fazia muito isso. Ele era um mestre da comunicação. É preciso, também, falar sempre a verdade. Uma coisa muito importante para os palestrantes é ter um conhecimento através de livros, mas as pessoas acreditam no conhecimento empírico.

 

Como é que Tiago Brunet lida com a crítica?

No início, era difícil para mim, porque eu achava que estava a fazer o bem para as pessoas e muitas pessoas criticavam de várias formas. Hoje, entendo que há dois tipos de pessoas: a que te repreende e a que te critica. Quem repreende tem autoridade sobre você. São os seus pais, a sua família. E a Bíblia diz que quem ama a repreensão é sábio. E crítica na vida, hoje em dia, eu não escuto nenhuma. Nunca respondi a um crítico na internet.

 

Qual é a razão?  

A minha vida emocional é muito cara para eu negociar com assuntos baratos. Ou seja, é muito carro ter paz. Como é que vou negociar a paz por uma crítica barata? Se você sonha em crescer na vida, vai ter de aprender a lidar com a crítica.

 

A questão é seleccionar a origem da crítica?

Não é o que a pessoa está falando é quem está falando. Descubra o seu propósito e viva por ele que nada lhe será impossível.

O ministro da Indústria e Comércio, Silvino Moreno, diz que a crise do milho reportada por moageiras em Nampula resulta da fraca produção e de produção retida devido a problemas nas vias de acesso causados pelo ciclone Freddy. A referida produção está retida em Niassa. Trata-se de cerca de 80 mil toneladas.

“Nampula produz quantidades suficientes para as moageiras locais. A estas alturas do ano, antes da próxima colheita, normalmente, os industriais, as moageiras e outros recebem matérias-primas de outras províncias – são os stocks da época anterior. O que aconteceu agora é que, por causa do Freddy, o transporte dessa matéria-prima não chegou a Nampula; ficamos duas semanas sem ligação com Niassa, onde existem stocks de milho e foi isso que criou a crise”, esclareceu o ministro.

Silvino Moreno entende, no entanto, que é preciso haver maior controlo do consumo e uma maior coordenação entre as entidades governamentais e os operadores dessa área (os industriais). Diz ainda que é preciso melhorar a planificação para que crises iguais não voltem a acontecer. “Não faz sentido que uma província onde o milho é dos produtos que mais se colhe, tenha problemas de farinha de milho.”

Para já, o ministro da Indústria e Comércio diz que o preço do milho já começou a baixar e diz que, nestes dias da crise, houve certo aproveitamento por parte de alguns comerciantes. “O milho cujo preço subiu de 900 para 2 000 Meticais não foi moído na mesma semana. É um aproveitamento dos comerciantes. O preço do milho já baixou. Estava ontem a 1200 Meticais, mas ainda não é o preço óptimo. O milho do saco de 25 quilogramas deve ser vendido, no máximo, a 800 Meticais”, concluiu Moreno.

Para impedir que tal aproveitamento continue a acontecer, o ministro diz que já foi accionada a Inspecção das Actividades Económicas.

Dados partilhados pelo Governo mostram que muitos alimentos consumidos no país são pouco nutritivos, o que está a criar problemas crónicos de desnutrição, principalmente em crianças. Por exemplo, cerca de 69% das crianças menores de cinco anos consomem alimentos com falta de vitamina A e são anémicas.

“As deficiências em micronutrientes, em particular a anemia, a deficiência em vitamina A e em iodo, para mencionar algumas, ainda afectam uma grande parte da população moçambicana e contribui para os índices elevados de desnutrição crónica, este último afectando a pelo menos uma em cada três crianças abaixo de cinco anos de idade no país”, disse a representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Moçambique.

Diante da situação, o ministro da Indústria e Comércio lançou, esta quarta-feira, a segunda fase da Estratégia Nacional de Fortificação de Alimentos 2023–2027, um instrumento que tem como objectivo proporcionar a 80% da população alimentos mais seguros durante o período.

“Esta estratégia apresenta um plano de acção estratégico que contempla a apresentação e novas abordagens, como a fortificação de farinha de milho para moageiras de pequena escala; a expansão da fortificação para as zonas rurais; a consolidação de modelos de negócios para produtores de sal”, revelou Silvino Moreno, ministro da Indústria e Comércio.

Para tal, já existe um valor a ser usado pelo Ministério da Indústria e Comércio para ajudar as indústrias nacionais a melhorarem a qualidade dos alimentos. Segundo Eduarda Mungoi, coordenadora do Programa Nacional de Fortificação Alimentar, há disponível para a implementação da estratégia pelo menos dois milhões de dólares norte-americanos.

Um dos constrangimentos encontrados na fase 1 da estratégia, que vigorou de 2016 a 2020, é a falta de controlo de produtos sem qualidade, que entram no país. Por isso, o sector privado quer mudanças.

“Por forma a permitir que todo o produto que não cumpra o regulamento de fortificação seja retirado do mercado. O que temos estado a constatar é que os produtos importados têm estado a ocupar uma taxa bastante significativa no nosso mercado e reduz a nossa capacidade de crescimento”, defendeu João Matlombe, um dos representantes das empresas industriais do sector privado.

Segundo a Estratégia Nacional de Fortificação de Alimentos, os produtos básicos a serem fortificados são óleo alimentar, sal, açúcar, farinha de milho, trigo e, nesta segunda fase, pretende-se incluir o arroz.

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