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As vendas de bens do país para o mercado internacional aumentaram em 2,6 mil milhões de dólares, ano passado, quando comparado com o igual período de 2021. A informação é avançada pelo Banco de Moçambique.

No seu mais recente relatório anual da balança de pagamentos, o Banco de Moçambique avança que as exportações da economia nacional em 2022 renderam ao país 8,2 mil milhões de dólares, o correspondente a 49,2% do Produto Interno Bruto.

O rendimento das vendas de bens de Moçambique para o mercado internacional subiu, ano passado, 2,6 mil milhões de dólares, quando comparado com 2021.

“A evolução positiva registada nas receitas de exportação é justificada pelo incremento das vendas dos produtos exportados, tanto pelos GP, como pelo resto da economia, em USD 2 136,9 milhões e USD 561,4 milhões, respectivamente. Do lado dos GP, os sectores que mais se evidenciaram foram a indústria extractiva, com um incremento de USD 1 776,4 milhões (carvão mineral, areias pesadas, gás natural, rubis, safiras e esmeraldas)”, lê-se no documento do Banco de Moçambique.

E mais, as receitas provenientes da exportação de gás natural registaram uma evolução positiva na ordem dos 99,5% e de areias pesadas de 19,5%.

“O acréscimo nas receitas do gás natural foi justificado pelo incremento, tanto do volume exportado, como do preço médio no mercado internacional, em 3,5% e em mais de 100%, respectivamente”, detalha o boletim, sublinhando que “no caso das areias pesadas, contribuiu, essencialmente, o impulso dado pelos preços médios no mercado internacional que aumentaram 36%, num contexto de estabilidade nos volumes de produção.”

Os produtos agrícolas também se destacaram com receitas de 562,3 milhões de dólares, no período em análise.

A Índia foi o principal destino dos bens de Moçambique, com uma factura de 1 744,7 milhões de dólares, que tem um peso de 21,1%.

“A Índia, com USD 1 744,7 milhões, ocupou a primeira posição como principal destino das exportações, com um peso de 21,1% no total das exportações, destacando-se o carvão mineral, legumes de vagem secos ou em grão, areias pesadas, castanha de caju, soja, entre outros”, avança o Banco de Moçambique.

A África do Sul incrementou as suas compras em 18,3%, tendo somado 1 120,6 milhões de dólares, o que lhe conferiu a segunda posição, com um peso de 13,5% sobre o total das exportações, “apresentando-se como o principal consumidor de gás natural, energia eléctrica, perucas, banana, carvão, entre outros”.

O Banco de Moçambique considera que a subida dos preços no mercado internacional e o aumento do volume exportado para alguns produtos foram as principais razões da evolução positiva das receitas dos principais produtos dos grandes projectos em 2022, com destaque para “o carvão mineral que rendeu ao país cerca de 2,8 mil milhões de dólares contra 1,3 mil milhões de dólares de 2021”.

O alumínio é um dos produtos que também mereceram destaque, por através dos qual se ter arrecadado 1,6 mil milhões de dólares em receitas, contra os 1,2 mil milhões de dólares registados no ano 2021.

Já as importações de bens, excluindo o valor da plataforma flutuante da Coral-Sul FLNG, mantiveram o registo de crescimento, fixando-se em 9 128,5 mil milhões de dólares, 54,2% do PIB, um acréscimo de 16,5% face ao ano 2021.

Este registo foi influenciado, fundamentalmente, pelo aumento na importação de bens intermédios, com destaque para os combustíveis, devido à subida dos preços no mercado internacional e os efeitos da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

Nas importações, os bens de capital tiveram um peso de 41%, seguidos de bens intermediários com 27,6% e, por último, bens de consumo com 16,4%.

Dados do banco central revelam que a Coreia do Sul ocupou a primeira posição como principal país de origem das importações moçambicanas, com um peso de 32% do total das importações, cuja factura se situou em 4 268,5 milhões de dólares, o que representa um incremento em mais de 100% face ao ano de 2021.

A África do Sul, com um peso de 15,6% sobre o total das importações, também ganhou destaque, ocupando a segunda posição como o principal fornecedor de bens para Moçambique.

As principais trocas foram nos ramos da energia eléctrica, automóveis para transporte de mercadorias, aparelhos eléctricos para telefonia e telegrafia e barras de ferro.

No período em análise, a factura com a importação de bens foi influenciada, essencialmente, pelo registo da chegada, no primeiro trimestre, da plataforma flutuante da Coral-Sul FLNG na área 4 da bacia do Rovuma, avaliada em 13 337,3 milhões de dólares (79,2% do PIB), o que incrementou os gastos dos grandes projectos em 70,2%, comparativamente ao ano de 2021, num contexto em que a economia tradicional aumentou as suas compras ao exterior em 12,1%.

Nos últimos cinco anos, a China investiu, em Moçambique, cerca de um bilião de dólares norte-americanos, principalmente em infra-estruturas. A informação foi avançada, hoje, pelo ministro da Indústria e Comércio, durante a abertura da promoção da terceira exposição económica e comercial China–África.

Moçambique vai participar, de 29 de Junho a 2 de Julho, na província de Wuhan, na China, na 3ª Exposição Económica e Comercial China–África, dois anos depois da pandemia da COVID-19.

A participação do país neste evento resulta da forte cooperação existente entre Moçambique e aquele país asiático, segundo defendeu Silvino Moreno, ministro da Indústria e Comércio.

“A nossa participação como país parceiro também assinala a importância das relações económicas e comerciais entre Moçambique e a China como um dos três maiores parceiros bilaterais a nível do comércio. O Governo tem vindo a edificar um ambiente e clima atractivo ao investimento através de um portfólio de reformas estruturais à competitividade de Moçambique em muitos domínios, designadamente na revisão da Lei de Investimentos, Regime da Mera Comunicação e alguns incentivos fiscais no Código de IVA, Imposto de Consumo Específico e Imposto de Rendimento de Pessoas Colectivas”, disse o governante.

O ministro da Indústria e Comércio referiu que o Governo continua na busca de acesso a mercados internacionais para exportação, mas também para investimentos em infra-estruturas diversas.

“A China tem vindo a investir no país em áreas estratégicas e prioritárias, designadamente a agricultura, recursos minerais, transportes e comunicações, turismo e indústria, sendo, por isso, nosso interesse a partir da CAETE incrementar e diversificar a carteira de investimentos. Nos últimos seis anos (de 2017 a 2022), a China esteve entre os países com maior Investimento Directo Estrangeiro em Moçambique, tendo investido cerca de um bilião de dólares norte americanos”, disse.

Já a Câmara do Comércio de Moçambique apela aos empresários moçambicanos, dos sectores público e privado, para aderirem a este evento internacional.

“A Terceira Feira Económica e de Comércio China–África vai ser, sem dúvida, um momento ímpar para a exposição de Moçambique ao mundo e ao mercado chinês em particular. Também vai ser um momento para reforçar a nossa parceria nos sectores da indústria, agro-processamento, recursos minerais, energia, infra-estruturas, fintech, construção e turismo”, explicou Yolanda Fernandes, vice-presidente da Câmara de Comércio de Moçambique

O foco, segundo a gestora, é a busca de estratégias de trabalho conjunto, por forma a incrementar “exportações de produtos de valor acrescentado em vários sectores da nossa economia, com destaque para a agricultura e recursos minerais”.

Os intervenientes falavam, hoje, em Maputo, por ocasião da visita da delegação chinesa da província de Wunan, no âmbito da promoção da Terceira Exposição Económica e Comercial China–África.

Os trabalhadores da Tmcel dizem que só a gestão do Instituto de Gestão das participações do Estado (IGEPE) já está a dar bons frutos e que, por isso, podem avançar sem a intervenção da comissão liderada por Mateus Magala, anunciada na última semana, na Assembleia da República

Não é de hoje, desde a sua criação, na fusão da Mcel e TDM, por decisão do Governo, a Tmcel é descrita como uma empresa problemática. No mês passado, o ministro dos Transportes e Comunicações anunciou uma nova decisão em relação à gestão da firma, que passava por esta ser gerida, no dia-a-dia, pelo IGEPE.

Isso era enquanto se esperava uma segunda opinião de especialistas, já que a primeira não fora acolhida pelo Governo. Na última semana, em sessão de respostas aos deputados, Magala falou também da LAM, outra empresa problemática, mas descreveu-a como melhor que a Tmcel. Por isso, esta última passaria à gestão de uma comissão composta por si, pelo ministro da Economia e Finanças e pela presidente do IGEPE.

“A Tmcel está a perder a sua quota no mercado e a percepção dos clientes em relação à sua marca está em declínio”, assim como as suas receitas.

É aqui onde começa o problema. Os trabalhadores não têm a mesma percepção em relação ao estado da Tmcel. Até convocaram uma reunião geral entre ele e uma conferência de imprensa para falar do que eles sentem no dia-a-dia da operadora de telefonia. “Temos sentimento de esperança e de que a situação está a melhorar e sentimos as mudanças a todos os níveis, por isso acreditamos em nós e achamos que podemos avançar com esta intervenção do IGEPE.”

Ou seja, sem a comissão que Mateus Magala anunciou no Parlamento, composta por si, ministro dos Transportes e Comunicações, pelo ministro da Economia e Finanças e pela presidente do IGEPE. Ademais, há investimentos que correm e que sustentam a esperança.

Dizem mais, que “se não sentíssemos essas mudanças poderíamos estar em condições de dizer que a empresa está em vias de colapso”, disse Fausto Maurício, secretário-geral do Comité de Empresa, que é a representante dos interesses dos trabalhadores da empresa.

A outra questão que criou agitação nos trabalhadores é a possível redução da força de trabalho em 60%, que o governante falou como sendo uma das possíveis saídas. “É que nós não sabemos que critérios serão usados até que se atinja essa meta.”

Bom, o facto é que os 60% não são ainda o dado adquirido, aliás foi uma sugestão de um possível parceiro que queria comprar 80% das acções da Tmcel, passar a dívida de 300 milhões de dólares ao Estado e fazer a diminuição dos trabalhadores. Sobre o que vai acontecer com a empresa, o ministro disse, no Parlamento, que a comissão que ele dirige vai dar o veredicto até ao fim deste mês.

O diesel custa cerca de sete Meticais mais caro a partir de amanhã. O preço sobe de 87,97 para 94,75 Meticais. Já o preço da gasolina reduziu em 1,48 Meticais. Os novos preços são para Maputo, Matola, Beira, Nacala e Pemba.

Os novos preços de combustíveis foram anunciados esta quinta-feira pela Autoridade Reguladora de Energia, em comunicado de imprensa.

Assim, o preço do diesel dispara em 6,78 Meticais para 94,75 Meticais e do gás para viaturas aumenta em 1,43 Meticais para 45,16 Meticais por cada litro equivalente.

Já o da gasolina baixa dos actuais 86,97 para 85,49 Meticais por litro, sendo que o preço do gás de cozinha se mantém.

“Refira-se que o ajustamento do preço do gasóleo não terá influência na tarifa de transporte público e semicolectivo, visto terem sido aplicados instrumentos de gestão para garantir protecção dos cidadãos utentes”, refere a nota.

Segundo a AREN, a subida do preço do diesel, num contexto em que o preço do crude tende a baixar no mercado internacional, é justificada pelo agravamento dos custos de importação dos produtos petrolíferos.

“Esta situação tem gerado operação deficitária das empresas distribuidoras de combustíveis, uma vez que o preço praticado não cobre os custos necessários para a sua importação, podendo originar uma situação de insegurança no abastecimento de combustível no mercado nacional”, lê-se no documento

Como tem sido habitual, os preços são válidos para Maputo, Matola, Beira, Nacala e Pemba, cidades que possuem portos. Nas outras partes do país, os agravamentos serão diferenciados.

O Banco Mundial aconselha os países africanos a maximizarem as receitas obtidas dos recursos naturais, podendo gerar grandes dividendos fiscais e ambientais. Para a instituição financeira internacional, os governos ricos em recursos naturais da África Subsaariana têm a oportunidade de aproveitar melhor os seus recursos para financiarem os seus programas públicos, diversificar a sua economia e aumentar o acesso à energia.

Intitulado “O Futuro dos Recursos de África”, o relatório do Banco Mundial, lançado ontem, constata que, em média, os países captam apenas cerca de 40% das receitas que poderiam potencialmente obter dos seus recursos naturais. A instituição financeira avança que, num momento em que os países estão sobrecarregados por um crescimento lento e um elevado endividamento, os governos poderiam mais do que duplicar as receitas provenientes dos recursos naturais, como minerais, petróleo e gás, adoptando um melhor conjunto de políticas, implementando reformas e investindo numa melhor administração fiscal.

“A tributação integral dos recursos naturais também é importante para cobrar o custo total dos impactos ambientais e sociais, nem sempre totalmente cobertos pelos produtores, incluindo os recursos petrolíferos. Não o fazer pode funcionar como um subsídio implícito à produção e aumentar as emissões de carbono. Maximizar as receitas dos governos sob a forma de royalties e impostos pagos pelas indústrias privadas que exploram os recursos naturais, tal como atrair novos investimentos, constituiria um duplo benefício para as pessoas e para o planeta, aumentando o espaço orçamental e removendo subsídios implícitos à produção”, considera James Cust, economista sénior da Região de África do Banco Mundial e co-editora do relatório.

O documento avança que a transição global para acabar com a utilização dos combustíveis fósseis está a criar uma procura sem precedentes por diversos minerais e metais, como cobalto, lítio, cobre, níquel e elementos de terras raras, necessários para o desenvolvimento das tecnologias verdes, como turbinas eólicas, painéis solares e baterias, alertando que muitos desses recursos existem em abundância em toda a África.

“No entanto, a experiência mostra que a riqueza dos recursos naturais não se traduz automaticamente num crescimento inclusivo e em prosperidade. Os minerais, o petróleo e o gás representam um terço ou mais das exportações da maioria dos países da África Subsaariana, mas os países têm enfrentado dificuldades para converter essa riqueza em crescimento sustentável. A dependência regional dos preços globais das mercadorias levou a uma gestão não optimizada dos recursos públicos, quando os preços estão altos, e a crises económicas e fiscais quando os preços descem”, lê-se no relatório.

O Banco Mundial lamenta o facto de, no geral, os países ricos em recursos naturais serem menos resilientes aos choques económicos do que os países com menos recursos, lembrando os riscos de uma “maldição dos recursos” nos países africanos.

“O Futuro dos Recursos de África” recomenda os decisores políticos a transformarem a “maldição dos recursos numa oportunidade de recursos”, em que os países, além de capturar o valor total das receitas obtidas dos recursos, atraiam investimentos do sector privado, devendo os governos preparar-se para os ciclos de “boom” e queda, investindo as receitas obtidas dos recursos em capital produtivo, na saúde e na educação das pessoas e em infra-estruturas que possam apoiar a diversificação da economia.

Ademais, o relatório destaca oportunidades relacionadas à implementação do acordo da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA), que prevê a eliminação de 90% das tarifas nos próximos 5 a 10 anos.

“A promoção da integração regional e a harmonização dos impostos e royalties da exploração mineira em toda a região também ajudariam. Uma abordagem regional para o sector extractivo permitiria criar cadeias de valor que adicionem mais valor e criem mais empregos para as pessoas que vivem em países ricos em recursos do que apenas a extracção”, avança o documento do Banco Mundial, alertando que uma boa governação e uma sólida gestão macroeconómica das receitas dos recursos desempenham um papel central na transformação económica para o futuro de África.

O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) querem melhorias na gestão dos recursos canalizados ao Orçamento do Estado moçambicano. Para tal, sugerem a aprovação de uma nova lei de gestão da administração pública.

Para o efeito, uma missão das duas instituições financeiras internacionais esteve, hoje, na Assembleia da República, para discutir reformas que visem a melhoria da gestão dos recursos canalizados ao Orçamento de Estado.

Num breve encontro com a Comissão Parlamentar do Plano e Orçamento, sem a presença de jornalistas, as partes debateram os caminhos a serem seguidos pelo Estado para a melhoria das políticas de administração pública.

“O objectivo final é que Moçambique tenha um quadro fiscal cada vez mais forte, no âmbito dos melhoramentos que já vêm sendo levados a cabo, como a aprovação de uma nova lei de gestão da administração pública, a melhoria do quadro de gestão do investimento público e toda uma série de gestão de risco público”, disse Fernanda Massarongo, analista de pesquisas do Banco Mundial.

Segundo Fernanda Massarongo, o papel das instituições financeiras internacionais é dar assistência. No tocante ao Fundo Soberano, a economista diz que é preciso que este torne sustentável a dívida pública de Moçambique.

“O objectivo final da assistência que se tem feito ao Governo é, essencialmente, garantir que a política fiscal é sustentável, que o quadro de política fiscal garanta que Moçambique, por exemplo, retorne para níveis de dívida cada vez mais sustentáveis, com menos risco e possa mandar para o mercado uma ideia de uma política fiscal mais responsável, mais credível e disciplinada”, disse a analista de pesquisas do Banco Mundial, em representação da missão conjunta.

Em relação ao debate sobre a proposta do Fundo Soberano no Parlamento, o presidente da Comissão do Plano e Orçamento, António Niquice, está optimista.

“Estamos a finalizar, para colhermos e vermos em que medida os aspetos que foram levantados em sede da interação que fizemos com a sociedade civil, com os demais actores das forças vivas da sociedade possam acrescentar valor no documento final que se pretende que seja a lei sobre o Fundo Soberano de Moçambique”, afirmou Niquice, presidente da Comissão do Plano e Orçamento.

No geral, a expectativa da Comissão do Plano e Orçamento é que, ao longo da sessão em curso na Assembleia da República, a lei do Fundo Soberano ultrapasse as discórdias, seja aprovada e entre em vigor.

O valor compara com o lucro de 49 milhões de euros registados no primeiro trimestre de 2021. Resultado em Portugal mais do que duplicou. Em Moçambique, o BCI aumentou o contributo para o resultado consolidado, de sete milhões para 11 milhões de euros.

O BPI registou um lucro de 85 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, o que representa uma subida de 75% face ao período homólogo. “São bons resultados que mostram que o BPI está preparado”, sublinhou o presidente-executivo, João Pedro Oliveira e Costa, na apresentação de resultados da instituição financeira, citado pelo Jornal de Negócios.

Em Portugal, o resultado disparou 164%, subindo de 28 para 73 milhões de euros. A actividade doméstica foi fortemente beneficiada pela evolução do produto bancário comercial que cresceu 50% para 284 milhões de euros, incluindo um aumento da margem financeira de 82%, que resultou num encaixe de 206 milhões de euros.

O angolano BFA contribuiu com apenas um milhão de euros face aos 14 milhões verificados há um ano. Em Moçambique, a evolução foi em sentido contrário: o BCI aumentou o contributo para o resultado consolidado, de sete milhões para 11 milhões de euros.

A margem financeira aumentou 82%, impulsionada pela subida das taxas de juro, atingindo 206 milhões de euros. As comissões líquidas renderam 73 milhões de euros, mais 3% do que entre Janeiro e Março de 2022. A carteira de crédito aumentou 4%, para 29,2 mil milhões de euros.

O volume de empréstimos no crédito à habitação cresceu 6% para 14,3 mil milhões de euros, evolução que o banco não previa: “Estamos surpreendidos com a contratação de crédito à habitação”, disse o CEO, enfatizando que “estamos a contratar aos mesmos níveis de 2019”.

O BPI renegociou 1900 contratos de crédito à habitação desde a entrada em vigor do decreto-lei do Governo que estabeleceu novas regras. O presidente-executivo do banco realça, no entanto, que o ritmo de pedidos de análise por parte de clientes tem vindo a diminuir: “No início, eram 700 pedidos por semana, agora temos 100”, afirmou.

A solução proposta pelo banco para a vasta maioria (1800 dos 1900 contratos renegociados) foi a carência de capital: “durante um ano, só pagam juros”, afirmou o administrador Francisco Matos.

Os créditos renegociados representam, em valor, 1,7% do total da carteira de crédito à habitação de 14,3 mil milhões de euros.

João Pedro Oliveira e Costa afirmou ainda que a procura por crédito à habitação tem aumentado. “Mais de 50% da contratação é feita à taxa fixa, enquanto antes era 30%.”
O crédito ao consumo decresceu 2%. O crédito às empresas cresceu 1% para 10,9 mil milhões de euros.

A carteira de depósitos, por seu lado, sofreu uma diminuição de 4% face ao primeiro trimestre de 2021, de 29,7 mil milhões de euros para 28,4 mil milhões de euros.

 

NOVA SUBIDA DO RESULTADO

No primeiro trimestre de 2022, o BPI tinha registado um lucro de 49 milhões de euros, resultado que representava uma queda de 18% face aos 60 milhões obtidos entre Janeiro e Março de 2021.
Em Portugal, a instituição financeira detida pelo grupo espanhol Caixabank obteve 28 milhões de euros.

No ano de 2022, o BPI registou um lucro de 365 milhões de euros, melhorando em 19% o resultado do ano anterior. Na actividade em Portugal nesse ano, o banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa obteve 235 milhões, mais 31% do que em 2021. O angolano BFA contribuiu com 96 milhões (menos 9% do que em 2021) e a contribuição do moçambicano BCI cresceu para o dobro, com 34 milhões de euros.

A gigante italiana Eni pode iniciar, em breve, os seus trabalhos de pesquisa na Área A5-A, ao largo do distrito de Angoche, na província de Nampula. A multinacional deve executar o primeiro poço de pesquisa na referida região, com recurso à plataforma de perfuração West Capella, que já se encontra nas águas nacionais.

A empresa Eni Mozambico S.p.A prepara-se para executar o primeiro poço de pesquisa na área A5-A, ao largo do distrito de Angoche, província de Nampula. Para o efeito, já se encontra em águas nacionais a plataforma de perfuração West Capella, propriedade da Aquadrill, contratada pelos concessionários da área, estando, no momento, prestes a atingir o local do poço de pesquisa.

Este desenvolvimento ocorre, segundo o Instituto Nacional de Petróleos (INP), na sequência da conclusão dos trabalhos de avaliação do potencial petrolífero na área concessionada, uma actividade integrada no Programa de Trabalhos acordado com o Governo, no âmbito do Contrato de Concessão para Pesquisa e Produção (CCPP), assinado em Dezembro de 2018, na sequência do quinto concurso de concessão de áreas para pesquisa e produção de hidrocarbonetos, o qual se tornou efectivo em Janeiro do ano seguinte.

A avaliação do potencial petrolífero, durante este primeiro subperíodo de pesquisa da área, culminou com a identificação do prospecto, Raia. Consequentemente, a petrolífera italiana e os seus parceiros decidiram executar o poço Raia.

O INP avança ainda que um dos propósitos da perfuração do poço é investigar a presença de hidrocarbonetos em complexos turbidíticos do terciário.

Refira-se que este é o primeiro poço de pesquisa nesta parte da Bacia de Moçambique que terá a particularidade de permitir a recolha de informação geológica e avaliar o potencial petrolífero da região.

A área A5-A localiza-se ao largo da costa de Angoche, na província de Nampula, a uma profundidade de lâmina de água que varia dos 300 aos 1800 metros. Com uma extensão de 4,612 km2, esta dista a aproximadamente 50 km de Angoche, e 220 km de Nacala.

O consórcio que opera na área é, actualmente, formado pela Eni Mozambico S.p.A. que detém 49,5% de interesse participativo; a Qatar Energy Mozambique, Limitada com 25,5%; a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos E.P. com 15,0% e a Sasol Petroleum Mozambique Exploration Lda, com 10,0% respectivamente.

O Reino Unido é o terceiro maior comprador de produtos moçambicanos na Europa, segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio. As trocas comerciais entre os dois Estados foram de mais de 270 milhões de dólares, em 2022.

Os dados sobre as trocas comerciais foram tornados públicos no fórum de negócios, realizado ontem, entre Moçambique e Reino Unido que juntou empresários dos dois Estados, em Maputo. Na ocasião, o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Carlos Zacarias, disse que o Reino Unido é um parceiro privilegiado de Moçambique na Europa.

“A capacidade competitiva que o Reino Unido tem em termos de capital, tecnologia, experiência e parceria faz dele um parceiro privilegiado de Moçambique, o terceiro maior da Europa a nível das nossas exportações, razão por que a sua tradição de investir tenha crescido nos últimos cinco anos, com 45 projectos avaliados em 323,2 milhões de dólares, dos quais 106,1 milhões de dólares constituem investimento directo”, revelou Carlos Zacarias.

Os dados do Ministério da Indústria e Comércio (MIC) indicam ainda que a balança comercial dos últimos cinco anos com o Reino Unido é favorável para Moçambique e registou um crescimento assinalável a nível do total das exportações, cifradas em 2,2 mil milhões de dólares, contra 567,4 milhões de dólares de importações.

Em representação do Governo, o ministro dos Recursos Minerais e Energia avançou inclusive que a localização estratégica de Moçambique deve ser equacionada como um polo e plataforma logística pelo facto de não apenas ser a porta de entrada para seis países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que é um mercado regional com cerca de 380 milhões de consumidores e também a Zona de Comércio Livre Continental Africana, que dispõe de 1,3 biliões de consumidores.

Citando o Programa Nacional Industrializar Moçambique, o governante moçambicano convidou os empresários do Reino Unido a investirem na implantação de parques industriais, indústria de fertilizantes e farmacêutica e na transformação e adição de valor de produtos agro-alimentares, incluindo pesqueiros das águas interiores, grafite, bauxite, madeira, alumínio, aço, ferro e mármore, recursos abundantes no país.

O Reino Unido mostrou a pretensão de duplicar as trocas comerciais com Moçambique nos próximos três anos. “Este fórum irá concentrar-se principalmente na promoção e desenvolvimento de parcerias bilaterais de comércio e de investimento entre Moçambique e o Reino Unido. Em 2022, as trocas comerciais entre Moçambique e o Reino Unido atingiram 220 milhões de libras esterlinas (o equivalente a pouco mais de 270 milhões de dólares), e tendo em conta os planos em curso na área de energia, mineira e na indústria do gás, esperamos que estas trocas comerciais possam duplicar para 400 milhões de libras nos próximos três anos”, disse Helen Lewis, Alta-Comissária do Reino Unido em Moçambique.

A diplomata apontou ainda que o fórum de negócios cria mais confiança no país e atrai mais empresas britânicas como Globeleq, Solar Century, Gridworks, Arc Power, MicroGen Renewables e Winch Energy que estão a desenvolver projectos focados em geração de energia a gás, solar e eólica avaliados em mais de 700 milhões de libras esterlinas, no total, e que estão em conformidade com as políticas de conteúdo local, permitindo a entrega de serviço local e transferência de tecnologia.

Ademais, a diplomata britânica revelou que, através do programa de desenvolvimento denominado “BRILHO”, mais de um milhão de moçambicanos têm acesso a energias limpas e renováveis. Por outro lado, a britânica a Globeleq está a desenvolver um projecto de 460 Megawatts (Gas to Power Project), que está alinhado com o acordo de Paris e que fornecerá electricidade para atender a uma demanda de 1,5 milhão de residências. “Esses são alguns exemplos paradigmáticos que indicam claramente o nosso senso de direcção e que tem trazido resultados substantivos em termos de transformação económica e social, garantido, desta forma, o progresso e a prosperidade mútua”, realçou Helen Lewis.

A Alta-Comissária do Reino Unido recordou que uma delegação liderada pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, participou na Cimeira de Investimento África-Reino Unido, realizada em Janeiro de 2020, em Londres, num evento em que houve a oportunidade de interagir com membros da indústria da energia e potenciais investidores britânicos no sector de agricultura. Esta missão, de acordo com a diplomata, resultou em mais de 45 milhões de libras de investimento directo privado britânico em projectos de açúcar, banana e macadâmia e mais de 300 milhões de libras esterlinas no sector de energia. “O que podemos fazer mais juntos? É uma honra anunciar que a Segunda Edição da Cimeira de Investimento Reino Unido–África está marcada para 23-24 de Abril de 2024”, anunciou Helen Lewis.

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