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O País – A verdade como notícia

A Liga Moçambicana de futebol adiou para 7 de Março, a realização da assembleia-geral ordinária que, entre vários assuntos, vai oficializar o figurino do principal campeonato nacional para este ano.

Deste modo, o figurino para o Moçambola 2019, só será conhecido daqui há uma semana.

O Presidente da Liga Moçambicana de futebol, Ananias Couana, tem esperança que até à data da assembleia geral mude muita coisa a favor do modelo “todos contra todos em duas voltas”

A Liga Moçambicana de Futebol sublinha que o actual modelo é o melhor e ideal para a disputa do campeonato nacional de futebol.

 

 

 

Inicialmente agendada para esta quinta-feira, 28 de Fevereiro, a assembleia-geral ordinária da Liga Moçambicana de Futebol (LMF) foi remarcada para 7 de Março, data em que será anunciado aos associados o novo modelo da prova.

Ainda sem dinheiro para viabilizar o Campeonato Nacional no actual figurino de todos contra todos em duas voltas,  a Liga Moçambicana de Futebol poderá, caso não consiga dinheiro dos parceiros, anunciar o regresso aos "regionais", ou seja, as equipas estão divididas por " séries" nas zonas  sul, centro e norte do país.

Ainda no dia 7 de Março, a Liga Moçambicana de Futebol irá realizar o sorteio do Moçambola 2019. Está prevista ainda a gala do Moçambola, na qual serão premiados os melhores de 2018.

À oitava jornada, campeão (Ferroviário de Maputo) e vice-campeão (Costa do Sol) batem-se na Engen Maputo Basket em seniores masculinos, num jogo entre as duas equipas mais “musculadas” financeiramente nesta prova.

É um jogo que desperta algum interesse pois, ano passado, Ferroviário de Maputo e Costa do Sol proporcionaram alguns jogos emocionantes e equilibrados nos play-offs da final da Engen Maputo Basket. E este equilíbrio estendeu-se a Liga Nacional de Basquetebol, na Beira, onde as duas equipas bateram-se bem na fase regular assim como nos play-offs das meias-finais, com o Ferroviário de Maputo a levar a melhor qualificando-se para a final.

Esta temporada, o Ferroviário de Maputo manteve a estrutura do ano passado para além de ter garantido a contratação de Hugo Martins, ex-Desportivo de Maputo, e Milton “Mitó” Caifaz, ex-Costa do Sol e com passagem pelo Imortal de Portugal onde foi campeão da 1ª divisão.   

Milagre “Mila” Macome assegura a manutenção de Orlando “Nando” Novela e Hermelindo “Mindo” Novela, dois jogadores que eram cobiçados pelo Ferroviário da Beira. Do plantel da época passada, transitam ainda Manuel “Mango” Uamusse, Dércio “Dado” Mula, Stélio Rodrigues, Octávio “Maguila” Magoliço e Pio “Lingras” Matos.
Detentores do troféu, os “locomotivas” da capital terão no Costa do Sol, uma vez mais, o seu adversário directo na luta pela revalidação do título.

Há, esta temporada, um Costa do Sol bastante focado na quebra da hegemonia do Ferroviário de Maputo. Após falhar ano passado a conquista da prova, caindo numa final em que deu bastante réplica, o Costa do Sol parte para esta temporada reforçado para fazer face a um adversário que tem dominado as provas da capital do país.

O conjunto de Miguel Guambe reforçou-se com Augusto “Gordo” Matos, actualmente a evoluir em Portugal sendo que irá integrar a equipa por alturas da Liga Mozal; Ivan Cossa, base que ano passado representou o Ferroviário da Beira; Amarildo Matos, ex-Desportivo; Asmilton Ribeiro, jovem poste que jogava na A Politécnica; e…Fernando “Nandinho” Mandlate, craque que há dois anos deixou o Ferroviário da Beira.

Nandinho, um dos melhores jogadores na sua posição e com grandes momentos no Maxaquene, está a treinar na equipa canarinha há sensivelmente duas semanas.
Espera-se que Nandinho volte aos grandes momentos a que nos habituou fazendo o público vibrar com o seu talento nato.

Na segunda linha nesta competição, vem o A Politécnica, uma equipa que poderá ressentir-se esta temporada do facto de ter perdido Edilson Tivane, base que se transferiu para o Ferroviário da Beira, e Asmilton Ribeiro para o Costa do Sol.
 
Quadro de jogos
Masculinos:
1ª jornada
Maxaquene       vs UP
Ferroviário “A” vs Ferroviário “B”
A Politécnica     vs Matolinhas
Atlético              vs  Desportivo
 
2ª jornada
A Politécnica     vs Costa do Sol
Atlético               vs UP
Ferroviário “B”    vs  Matolinhas
Ferroviário “A”    vs Desportivo
 
3ª jornada
Matolinhas    vs UP
Desportivo     vs Costa do Sol
Ferroviário “A”  vs Maxaquene
Ferroviário “B”  vs A Politécnica
 
4ª jornada
Costa do Sol vs Matolinhas
Maxaquene  vs Desportivo
A Politécnica  vs Ferroviário “A”
Atlético           vs  Ferroviário “B”
 
5ª jornada
UP                 vs Costa do Sol
Matolnhas   vs  Maxaquene
Desportivo vs A Politécnica
Ferroviário “A”  vs Atlético
 
6ª jornada
Desportivo         vs Matolinhas
Ferroviário “A”   vs UP
Ferroviário “B”    vs Costa do Sol
Atlético                 vs  Maxaquene
 
7ª jornada
Costa do Sol   vs Maxaquene
UP                     vs  A Politécnica
Matolinhas      vs Atlético
Desportivo      vs  Ferroviário “B”
 
 
8ª jornada
UP                    vs Desportivo
Costa do Sol    vs Ferroviário “A”
Maxaquene      vs   Ferroviário “B”
A Politécnica     vs Atlético
 
 
9ª jornada
Maxaquene   vs A Politécnica
UP                    vs   Ferroviário “B”
Matolinhas     vs    Ferroviário “A”
Costa do Sol    vs   Atlético

Moz girls on fire nos EUA. É um facto, que transpira o grande impacto em termos referenciais para o basquetebol indígena na terra do tio Sam: o Seward County Community College continua a ser talismã para basquetebolistas moçambicanas que se têm revelado determinantes nesta instituição.

Domingo, 24 de Fevereiro de 2019, foi dia para aferir e confirmar isso. Sílvia Veloso, Carla Covane, Bernardete Cuamba e Aquila Mucubaquire sagraram-se campeãs da conferência.  

Pois é: os números não mentem, estas têm marcado a diferença e ajudado o Seward County Community College a arrancar bons resultados. Destaque para a conquista, domingo, da conferência após o Seward County Community College vencer o Hutchinson Blue Dragons, por 77-69.

Para não variar, Silvia Amadeu Veloso deu cartas. A base liderou o Seward County Community College no prolongamento, marcando nove de seus 14 pontos nesta etapa levando as “Lady Saints” a um vitória de oito pontos.

Em 34 minutos na quadra, Veloso colectou ainda seis ressaltos defensivos e contabilizou sete roubos de bola e duas assistências.

A basquetebolista nascida na Beira teve um aproveitamento de quatro em oito lançamentos de campo, zero em dois lançamentos exteriores e seis lances livres convertidos em nove tentados.

Outrossim, destaque neste jogo para Carla Covane que arrancou um duplo-duplo: 15 pontos e 17 ressaltos dos quais dez ofensivos e sete defensivos nos 37 minutos em que esteve na quadra.

Covane registou sete em 18 lançamentos de campo, um em dois na linha de lances livres e quatro “turnovers”.

Seward County Community College também contou com o contributo de outra base moçambicana, no caso Aquila Mucubaquire que marcou 12 pontos aos quais junta a oito ressaltos (quatro ofensivos e igual número defensivos).  
Mucubaquire, que contabilizou 38 pontos, concretizou cinco em sete lançamentos de campo, dois em dois na linha de lances livres e zero em um lançamento exterior.

Num jogo em que esteve 20 minutos na quadra, Bernardete Cuamba fez cinco pontos, uma assistência e um roubo de bola.
 Dois em cinco lançamentos de campo, um em dois na linha de lances livres e zero em um tiro exterior foram os registos de Bernardete Cuamba.

Destaque para Lexi Hernandez que contabilizou 17 pontos neste jogo. As “Lady Saints”, que ampliaram a sua série de vitórias para 22 jogos, melhoram o seu registo para 20-1 em jogo da conferência e 28-2 no geral.

O Seward County Community College venceu 50 partidas seguidas em casa e 42 jogos seguidos em casa contra adversários do Jayhawk.

Seward County Community College mostrou agressividade desde cedo e liderou em oito pontos no primeiro quarto e aumentou sua vantagem para 15 no segundo.
As “Blue Dragons” acertaram um tiro exterior, no segundo quarto, que permitiu reduzir para oito pontos a desvantagem ao cabo dos dois primeiros quartos: 36- 28.
O “conjunto” das moçambicanas não conseguiu abalar Hutchinson, que aproveitou o quarto período para fazer um parcial de 16/11 e empatar o jogo 62-62.

As moçambicanas irão jogar, sábado, com o vencedor do jogo Dodge City-Cloud County nos quartos-de-final do torneio “Region VI womens division one” no sábado às 19h00 de Maputo, na Hartman Arena

Ferroviário de Maputo e Costa do Sol protagonizam, sexta-feira, no pavilhão da Universidade Eduardo Mondlane, o jogo de destaque da primeira jornada da Engen Maputo Basket em seniores femininos, segundo ditou o sorteio realizado esta terça-feira.

Jogo grande na abertura da Engen Maputo Basket em seniores femininos. Reedição das finais dos últimos quatro anos, duas das melhores equipas da actualidade na quadra do pavilhão da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), ex-quartel general da competente equipa feminina da Académica.
É um jogo a ser seguido com muita atenção, porquanto estamos em presença de duas das melhores equipas da actualidade no panorama do basquetebol feminino. Mais: duas equipas que mais contribuem com atletas para a selecção nacional de basquetebol sénior feminino.

Na ressaca da conquista do tão almejado título africano de clubes, em Novembro de 2018, o Ferroviário de Maputo parte para a Engen Maputo Basket com responsabilidades acrescidas até porque é o actual detentor do troféu.

Do outro lado, estará um motivadíssimo e reforçadíssimo Costa do Sol que quer acabar com a hegemonia do Ferroviário de Maputo.

Orientado pela ex-craque Deolinda Carmen Ngulela, o Costa do Sol ganhou este ano reforços de peso quais Elizabeth Pereira e Deonilde Cuamba, duas atletas que ano passado representaram o seu maior adversário na luta pelo título: Ferroviário de Maputo. Há ainda a destacar os regressos de Sandra Muthemba e Valerdina Manhonga, duas atletas experientes.

Ainda na primeira jornada, segundo ditou o sorteio realizado esta terça-feira, o Maxaquene joga com o Ferroviário das Mahotas, enquanto a A Politécnica bate-se com o Desportivo de Maputo.  Esta prova será disputada no sistema de todos contra todos em três voltas, sendo que os quatro primeiros classificados apuram-se para as meias-finais que se disputam num play-off à melhor de cinco jogos.  

De acordo com o calendário, a competição inicia a 1 de Março e termina a 8 de Junho com a disputa da final. Haverá, segundo as previsões da Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo, uma interrupção de 1 a 7 de Abril, sendo que a segunda volta deverá começar a 12 de Abril.

1ª jornada
Desportivo        vs A Politécnica
Maxaquene      vs Fer. Mahotas
Costa do Sol      vs  Fer. Maputo

2ª jornada
A Politécnica   vs Maxaquene
Fer. Maputo    vs Desportivo
Fer. Mahotas    vs Costa do Sol

3ª jornada
Costa do Sol   vs A Politécnica
Maxaquene   vs  Desportivo
Fer. Maputo    vs  Fer. Mahotas

4ª jornada
A Politécnica  vs Fer. Mahotas
Desportivo      vs Costa do Sol
Maxaquene      vs Fer. Maputo

5ª jornada
Costa do Sol   vs Maxaquene
Fer. Mahotas  vs Desportivo
Fer. Maputo  vs A Politécnica

 

Tal como em 2017 e 2018, os canais STV e STV Notícias irão transmitir a Engen Maputo Basket, Campeonato da Cidade de basquetebol em seniores femininos e masculinos.

O acordo para o efeito foi assinado esta terça-feira entre a Associação de Basquetebol da Cidade (ABCM) e o Grupo Soico. A Stv e Stv Notícias deverão transmitir um jogo  às sexta-feiras e dois aos sábados.

 

Faz hoje 5 anos que perdemos o Monstro Sagrado. Um grande futebolista e um patriota. Ele faria agora 84 anos. Felizmente, há 14 anos em Maputo, um grupo de bons amigos, decidiu “juntar forças” e homenageá-lo, pelos 70 anos de vida. Após alguns anos de mágoa no regresso ao país, entrevistado no final da cerimónia, com lágrimas nos olhos, Coluna afirmou: “estou limpo”!

A noite do dia 7 de Agosto de 2005, foi “dura” para Mário Coluna. Os pés firmes, a voz grossa de comando, já não eram os mesmos de outrora. Uma homenagem, no antigo Mini-Golf, fizeram chegar as lágrimas aos olhos do grande capitão, treinador dos Mambas e Presidente da Federação Moçambicana de Futebol. Houve então mesmo quem receasse pelo coração do Monstro, perante tantas surpresas.
No final da noite, ele tinha poucas mas elucidativas palavras:

– Estou limpo. Vocês sabem que sempre fui um patriota, sempre pensei em viver no meu país e algumas coisas não iam correndo bem. Agora, esta homenagem superou todas as expectativas. Não tenho palavras para descrever a minha gratidão. Só posso dizer que, em relação às mágoas que vinha referindo, estou limpo. Esta festa de reconhecimento limpou tudo. Estou feliz por ver toda esta nova família, unida à minha família mais chegada!
No seu discurso, um forte Khanimambo provocou aplausos.

EMOÇÕES AO RUBRO
De uma forma original e com Coluna a respirar saúde e a sentir-se feliz, Óscar Monteiro, Presidente da Comissão Coluna 70, sintetizou desta forma, a razão da homenagem:
– “Os grandes homens devem ser reconhecidos em vida, devem sentir o reconhecimento pelo que fizeram por todos nós”.

Qual terá sido então o ponto mais alto de uma cerimónia com tantas emoções para o septuagenário Mário Coluna? A entrada/surpresa na festa, das suas duas filhas a residirem no estrangeiro? A oferta do Mercedes Benz, zero quilómetros? Os 70 jogos de infantis com a sua “patente”? A exposição da sua vida e obra, ou as milhares de mensagens vindas de todo o Mundo, inclusive de Joseph Blatter, o então  Presidente da FIFA?
O jantar de encerramento foi de tão grandes emoções, que o Monstro chorou. Sobretudo quando entre as bailarinas, apareceram infiltradas na “passerelle” as suas duas filhas mais velhas, a residirem em Portugal.

Coluna, no centro de uma das maiores homenagens até hoje realizadas no país a um compatriota, resumiu assim o seu sentimento:
– Após muitas conquistas em inúmeros estádios pelo Mundo fora, esta é uma das mais importantes, por ser a vitória da gratidão e do coração.

A MONTANHA SAGRADA
25 de Abril de 1974. Acordos de Lusaka, Governo de Transição, Independência de Moçambique. É aqui que o passado e o presente de Mário Coluna se entrecruzam. Depois de (per)correr o planeta… a correr, depois de registar, com letras de ouro, a sua imagem de marca como “manda chuva”, na Europa e no Mundo, graças aos pés, mas sobretudo à cabeça que ditava a liderança por onde passava, finalmente a não enjeitada oportunidade de regressar e servir a sua Pátria.

Numa entrevista em Portugal, o Monstro já havia revelado uma mágoa que o acompanhou por toda a vida: a de não ter podido vestir, como jogador, a camisola da Selecção de Moçambique Independente. Viria mais tarde a ter o privilégio de ser internacional pela terra que o fez nascer, mas como seleccionador. Porém, antes disso, uma conquista irrepetível: a de primeiro campeão nacional, pelo Textáfrica.

Em tempo de “debandada” em direcção à ex-metrópole, Coluna cruzou os céus no sentido contrário. Para trás ficava a lógica do conforto, a segurança que o seu nome lhe permitia, criado com suor e sacrifício, granjeado numa das mais belas actividades: o desporto. O bichinho do amor à pátria e às origens, obrigou-o a regressar, de forma a contribuir para que os meninos da sua terra tenham esperança num sol mais brilhante

UM ESTILO EM EXTINÇÃO
Tudo nele era solene. O andar, o falar e até o comemorar. Ritmo morno, fala suave e lenta, mas incisiva. No interior das quatro linhas, funcionava como um GPS, uma placa giratória por onde o jogo passava, para ser pensado quanto à alternância para os flancos e aproveitamento dos espaços vazios.
Actuando pelo Benfica ou pela Selecção de Portugal, como meio-campista, passou a fazer parte de uma galeria de estrelas muito restrita, cabendo nela apenas jogadores como Eusebio, Didi, Beckenbauer, Platini, Ronaldo e Messi. Uma espécie em extinção. A sua importância para o desenvolvimento do desporto-rei, foi reconhecida pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol, um departamento da FIFA que incluiu o seu nome nos 100 melhores jogadores do Século.

O PATRIOTISMO TRANQUILO
– Por Óscar Monteiro
Este é o extracto de um texto lido na abertura da exposição alusiva aos 70 anos do Coluna.

Na história do nacionalismo, nós tendemos a falar dos momentos caracterizadamente políticos, como criação de partidos, de frentes, grandes acontecimentos políticos. Esquecemos outras fontes do nacionalismo e de momentos que incluíram sentimentos, emoções que aparentemente sem ligação com a política e o nacionalismo, mas que constituíram um pano de fundo no qual ele se desenvolve. Uma destas áreas é a do desporto. Nas nossas memórias estão Matateu e o seu valor simbólico, está Coluna e outros como Mário Wilson, Hilário, Vicente, Eusébio, Sheu e Costa Pereira.

NACIONALISMO SEM ÓDIOS
Era o tempo do Mundial de 1966. À medida que o campeonato decorria tomávamos, estranhamente, o partido da equipa portuguesa. A equipa tinha na altura se não erro sete dos nossos compatriotas entre moçambicanos e angolanos. Sempre me perguntei o que estávamos a aplaudir? A equipe de Portugal contra quem estávamos a lutar? Nossos conhecidos? Um nacionalismo sereno não tem ódios cegos.

Mas estas palavras só tem sentido nos dias de hoje, porque um homem, Mário Coluna as tornou exactas e verdadeiras quando, proclamada a Independência nacional, se veio juntar aos seus na Pátria libertada. Deixou um reconhecimento e um respeito permanente.

Mensagem da Comissão Organizadora

Monstro das Seis Colunas

1. Um nome, uma profecia
Os nomes, por vezes transportam consigo profecias. Mário Coluna, que em 20 anos correu o Mundo, a correr, trouxe do berço a sua imagem de marca: a “coluna” direita, o ar imperturbável, tanto dentro como fora dos relvados.

2. O disciplinador
Da mistura do sangue beirão do senhor José Maria Coluna, com o sangue machangana da senhora Lúcia Chibure, nasceu Mário Coluna. Pontual. Irritantemente pontual. Disciplinado e disciplinador; carregou às costas o Benfica e a Selecção portuguesa. A sua grande mágoa: não ter um dia podido jogar pela Selecção do seu país independente.

3. O nacionalista, patrão na era dos patrões
Foi “patrão” no tempo dos “patrões”. Desafiou a PIDE, mantendo contactos com os movimentos nacionalistas. O prestígio conquistado e as qualidades de treinador dentro do campo, fizeram com que a grossa braçadeira de capitão fosse a sua imagem de marca, mesmo quando actuou pela Selecção da Europa. Pelo Mundo, espalhou o seu perfume de líder, mas sempre com o pensamento na terra que o fez nascer.

4. O comandante
Na sua torre de comando, era a placa giratória por onde tudo passava, tanto no Benfica campeão europeu, como na Selecção portuguesa. Daí, o jogo saiu ´´descodificado´´, com alternância de flancos, ou aproveitamento dos espaços vazios. Não raras vezes, soltava a bomba, com veneno “letal”, que apenas dava aos guarda-redes a possibilidade de a irem buscar nu fundo das redes.

5. O Senhor FIFA
Foi uma ligação quase “on-line”. Assumia a Direcção da Federação Moçambicana de Futebol e de imediato os convites para altos “fóruns” continentais e mundiais começaram a chover. Do seu nome e prestígio, muito se tem beneficiado o nosso desporto.

6. O Pai extremoso
Lúcia e Isabel, as filhas mais novas, tardaram a vir ao Mundo para adocicar a vida do Monstro. Mas não se perdeu pela demora. Metade pai, metade avô, extremoso, Coluna recebe delas e da esposa, os carinhos e as atenções que tornam mais fácil enfrentar as duras tarefas que decidiu abraçar, em benefício do seu país.
Portanto…

Qual destes seis Colunas, mais merece ser homenageado? E como homenagear, numa só pessoa, “tantos colunáveis”?
Amigo Coluna, “mais velho”:

Depois de percorreres o Mundo e registares, a letras de ouro, a imagem de um “manda-chuva”, temos-te aqui, em carne e osso, a partilhares connosco os difíceis momentos da reconstrução desta nossa querida pátria.

Tu, Monstro, em 1975, indiferente à debandada em direcção à ex-metrópole, encetaste o caminho inverso, deixando para trás a lógica do conforto, que o teu nome garantiria. O sonho de ajudar os meninos da tua terra e terem um sol mais brilhante, uma bola para brincarem, falou mais alto.

O impressionante BI
Mário Esteves Coluna nasceu a 6 de Agosto de 1935, em Magude e faleceu em 25 de Fevereiro de 2014.
Começou a jogar a ponta de lança, no João Albasini e no Desportivo de Lourenço Marques, praticando também atletismo. Na Europa, actuou no Benfica, de 1954 a 70; fechou a sua carreira no Olympique de Lyon, em 1971.

Nas 16 temporadas na equipa principal do Benfica, participou em 677 jogos, num total de 59.702 minutos, marcando 150 golos. Foi 10 vezes campeão (55, 57, 60, 61, 63, 64, 65, 67, 68, 69). Venceu seis vezes a Taça de Portugal.
Foi bicampeão europeu pelo Benfica (61 e 62) e três vezes finalista vencido (63, 65, 68).

Actuou 60 vezes pela selecção portuguesa, tendo sido capitão em 21 jogos. O ponto mais alto foi o 3º lugar, no “Mundial” de Inglaterra, em 1966.

Como treinador: Orientou as equipas Sport Lisboa e Huambo, Textáfrica do Chimoio, Ferroviário de Maputo, Maxaquene, Desportivo de Maputo e Ferroviário da Beira. Foi seleccionador nacional de Moçambique e Presidente da FMF.

Distinções: Sete louvores da Federação Portuguesa de Futebol: Medalha de Ouro ao Mérito Desportivo, Medalha de Prata da Ordem do Infante D. Henrique (a mais alta condecoração portuguesa), pelo brilhante comportamento no Campeonato do Mundo de 1966. Louvor da Direcção-Geral dos Desportos, em atenção a toda a sua exemplar carreira desportiva, e Medalha Nachingweia.

 

O selecionador nacional de futebol, Abel Xavier, divulga na próxima quinta-feira a convocatória para o jogo com a Guiné-Bissau, referente a sexta jornada do grupo K de apuramento ao CAN -2019, no Egipto.

VENCER OU…VENCER
Faltam 26 dias para o jogo decisivo com a Guiné-Bissau de qualificação para o Campeonato Africano das Nações em futebol, que terá lugar no Egipto.
Só vitória interessa aos Mambas se quiserem se juntar aos melhores, facto que não acontece desde 2010, última vez em que disputaram a competição.
Para o embate decisivo, Abel Xavier vai divulgar a convocatória na próxima quinta-feira, dia 28.   

As escolhas de Xavier não deverão fugir da última convocatória. É dado adquirido que Clésio Baúque não fará parte dos convocados. O jogador do Istanbul da Turquia já viu duas cartolinas amarelas nesta campanha de qualificação.

Os convocados vão se juntar na próxima semana, antes de seguirem viagem para África do Sul, local onde irá decorrer o estágio pré-competitivo.
Os Mambas ocupam a terceira posição do grupo K com 7 pontos menos 1 em relação aos primeiros dois colocados, nomeadamente a Guiné-Bissau e Namíbia que contabilizam 8.

 

 

Encantos e desencatos na primeira pessoa
Foi numa palestra, há uns anos, que a Menina de Ouro disse o que lhe ia na alma. O assunto parece actual, sobretudo porque têm sido frequentes os convites para que a ex-campeã olímpica e mundial espalhe pelo mundo o seu perfume, que é o de uma das maiores atletas que o planeta conheceu. Mas essa transmissão de experiências, não têm sido vividas entre nós, de forma a que os talentos nacionais recolham benefícios. Há episódios nesta explanação que nos sugerem um repensar de várias coisas, sobretudo pelo facto de irem para outros países, os benefícios da experiência de uma atleta que nasceu no Chamanculo. Foi designada – a par de Cândido Coelho e José Magalhães – a Atleta do Século. Parece agora merecer o título de “Esquecida do Século”. Na primeira pessoa, aí vai uma importante e exaltante comunicação de Mutola.

Renato Caldeira (compilação)
Falando de medalhas e do desporto em si, é um bocadinho triste que no desporto, aquilo que vivi durante anos, tenha sido esquecido. O meu empresário e minha treinadora diziam-me: Na alta competição as pessoas, só se recordam da medalha de ouro. É triste, mas é verdade. Raramente se recordam de um segundo, ou terceiro lugar.

Depois de alguns anos, a medalha de prata e de bronze, ficam apagadas. Digo isso, porque se esqueceram de mim, também aqui no meu país. Consegui uma medalha de bronze nos Jogos de Atlanta, embora estivesse doente, com  gripe. Fui à primeira eliminatória, à segunda e à final. Depois fiquei com gripe, mas consegui a medalha de bronze, o que não esperava. O país já se esqueceu.

SÓ O OURO É QUE BRILHA?
A minha treinadora, já me havia dito: Lurdes podes ganhar dez mundiais, mas se não ganhas o ouro, nos jogos Olímpicos, vais ficar apagada.

Sonhava com a medalha de ouro. Vivi nos Estados Unidos de América 17 anos, treinava lá, mas para a minha última Olimpíada, tivemos que mudar para a Austrália. Tive que fazer as malas para ficar lá seis meses. A minha treinadora dizia: Este ano não podemos falhar.

Tive que me dedicar muito a sério aos treinos. Sacrificar muitas coisas. Por exemplo: não dormir tarde, alimentar-me como deve ser, massagem duas vezes por semana, por causa de lesões e… treinar muito duro. Até três vezes por dia, porque a alta competição exige isso. Numa semana, de segunda a sábado, só descansava ao domingo. Acordava segunda-feira, fazia de manhã 40 minutos de longa distância. À tardinha fazia ginásio, porque sem ginásio o atleta não tem força. Ao fim da tarde, entrava na pista. Não foi fácil o que passei, como atleta. Mas, como queria chegar onde muita gente achava impossível, tentei e  consegui.

SEUL: PRIMEIRA ETAPA
Isso tudo levou-me até onde não esperava chegar porque fazia sem saber bem do que se tratava. Era tudo através dos amigos, mas acabei conseguindo um lugar para os Jogos Olímpicos de Seul, na Coreia do Sul. Ainda hoje guardo o “crachá”.

No regresso das Olimpíadas de 1988, ganhei uma bolsa de estudos, mas não saí do país  nesse ano. Muitos diziam que não podia ir para os EUA, porque não falava inglês, teria que ir para Portugal. Isso fez atrasar a minha saída  porque o que eu queria mesmo era ir para a América. Tinha criado uma paixão, porque aquando da Olimpíada de Seul, embora que não entendesse inglês, alguns americanos disseram-me que corri bem e que deveria ir para os EUA. Nasceu a minha primeira paixão  para ir treinar lá.

NA AMÉRICA, GRAÇAS A MARCELINO DOS SANTOS
Porém, só saí em 1991, graças a Marcelino dos Santos, que perante o atraso da minha saída, mandou-me chamar, perguntando-me para onde eu queria ir. Eu disse: EUA. Ele disse ponto final, vais para lá!

Fui então para Oregon, cidade muito pequena, mas que tem uma tradição no atletismo muito séria. É lá onde foi fundada a Nike. Tive a sorte de conhecer pessoas daquela companhia. Ali, há uma competição anual. Consegui ficar na cidade a estudar, na escola secundária.

Não foi fácil, porque corria pela escola e ninguém me conhecia. Nesse ano, havia uma competição em Nova Iorque. A minha treinadora disse: Temos uma menina que pode correr aí, mas os organizadores da competição negaram. Diziam que não me conheciam, que não tinha qualidade, nem grandes marcas.

PRIMEIRO GRANDE TRIUNFO
Eu já havia baixado dos dois minutos, nos 800 metros, nos treinos. Graças a Deus que os donos da Nike estavam em Oregon e mandaram-me lá para competir. Só me recordo que a minha treinadora me disse para ficar atrás, na “boleia”, para tentar tudo nos últimos 100 metros. Assim fiz e consegui a vitória.  Havia um prémio de 5 mil dólares. Negaram em  me dar o prémio porque eu era uma estudante de escola secundária. Chorei muito, mas mais tarde entendi. É que nos EUA, tentam proteger os mais novos, para poderem concluir o nível secundário. Porque senão, todo o mundo que tem talento vai para o profissionalismo e a pessoa fica sem educação.

NO MUNDIAL DE TÓQUIO SEM EQUIPAMENTO
Passada essa fase, voltei para Oregon e continuei a treinar. Participei nos meu primeiro Mundial, a representar Moçambique. Aí foi mais triste ainda. É que em 1991, saí dos EUA para o Mundial de Tóquio. Era a única moçambicana, e não tinha equipamento. Isso quer dizer que o desporto no nosso país, está  sem bons dirigentes, pelo que dificilmente iremos triunfar. Digo isto porque chego a Tóquio, não tenho nem equipamento e nem um dirigente a acompanhar.

A minha treinadora não entendia, porque para ela também foram os primeiros mundiais. Tive que correr com um fato de banho florescente. De Moçambique, a mensagem era sempre amanhã e havia um limite para apresentar o seu equipamento. Não consegui medalha alguma, mas bati o recorde do mundo de juniores.

A partir daí, comecei a sonhar mais alto, uma vez que vi que se consegui bater o recorde de juniores, dedicando-me mais… posso chegar lá. A minha treinadora começou a separar-me do grupo de atletas da escola, colocando os melhores de lado. Éramos dez, treinávamos  duro com ela. O meu objectivo era alcançar o título Mundial. Ela também dizia, que se me dedicasse iria conseguir.

A minha primeira medalha nos mundiais foi mesmo em Toronto, Canadá. Recordo-me de ter ficado muito emocionada, mas sonhava com  mais porque medalha de pista coberta, não é considerada da mesma maneira que a de pista aberta.

Continuei a treinar duro durante 1993, antes do Mundial de Estugarda, na Alemanha. O objectivo era ser a primeira moçambicana a conseguir uma medalha de ouro. Sabia que não era fácil, porque na altura havia grandes atletas de outros países. As russas, por exemplo, correm em grupo. Havia a minha grande rival, de Cuba, a Ana Quirot e outras.

Quando fui aos jogos, estavam lá o senhor Marcelino dos Santos, e José Craveirinha. Senti-me com mais força, porque não há melhor coisa que um atleta estar num estádio, cheio de gente e saber que tem representantes. Muitos moçambicanos na Alemanha organizaram-se para apoiar. Em Estugarda consegui a medalha de ouro de pista aberta. Assim, só faltava a dos Jogos Olímpicos, que consegui mais tarde.

As medalhas não me pertencem

Os anos forma passando, conquistei muitas medalhas. Acho que essas medalhas não me pertencem. É pena, porque não temos onde as deixar, pois essas medalhas foram ganhas em nome do país.

Conforme podem ver, saí de um bairro pobre, mas rico noutras coisas. Chamanculo está no meu coração, representa aquilo que sou, levei-o  para o mundo. Consegui levar o meu bairro e Moçambique para o pódio.

Como sempre tive paixão pelo futebol, nos Jogos Africanos representei Moçambique no futebol feminino.

Também, joguei no Sundowns, da África do Sul, quando me reformei no atletismo e ganhámos o campeonato.

Faltam-nos dirigentes conhecedores
Temos que melhorar na direcção, porque o nosso desporto pode vir a sobressair. Agora, em Moçambique temos pistas, mas não temos atletas. Naquela altura, não tínhamos pistas, mas tínhamos muitos atletas. Na olimpíada de Seul, só no atletismo éramos cinco. Então, como é que os moçambicanos já não conseguem fazer mínimos? Não tem explicação. Qualquer coisa está a falhar.

Moçambique é um país carinhoso de uma maneira diferente. Temos que entender que a vida do desportista moçambicano não é fácil. Há muitos obstáculos. Eu também tive dificuldades. Apanhava o “chapa” do Xipamanine para o Desportivo e voltava. Às vezes não tinha dinheiro, cortava do bairro indígena a pé. Temos que nos sacrificar.

Hoje, a vida ficou um pouco mais fácil para os nossos desportistas, mas há alguma coisa que falta. Por exemplo, no futebol, temos muitos atletas a jogar fora do país, mas quando vem, qualquer coisa falha.

Não sei onde é que está o problema, só posso falar daquilo que eu passei. Nas escolas tem que se melhorar. Nos EUA quando se trata de competições entre escolas, é inacreditável aquilo o que acontece, parece um campeonato mundial. Em Moçambique só temos os jogos escolares e depois não há continuidade. Não estou a falar em termos financeiros, mas de motivação. A minha treinadora trabalhou mais a minha cabeça do que as pernas.

Não adianta ser dirigente e dirigir aquilo que os outros criaram. Tem que se dirigir aquilo que a pessoas sabe. Às vezes, nas nossas Federações, a pessoas entra para dirigir modalidades que não conhecem.

CONTINUADORES: PROJECTO POR ÁGUA ABAIXO
Costuma-se a dizer que o tempo não volta para trás. Eu tinha um projecto, no Parque dos Continuadores, porque no nosso atletismo, falta um ginásio. A Nike disponibilizado 660 mil dólares, para reabilitar o Parque dos Continuadores. Fazia ali uma piscina dos 50 metros, o edifício da Federação com um ginásio em cima. Mas, isso não foi possível. Não quero apontar o dedo a ninguém, porque na verdade não sei o que aconteceu. Só sei que havia dinheiro disponível. Fez-se a apresentação do projecto, depois surgiram obstáculos e acabei dizendo à Nike para cancelar tudo. Seria triste levar o dinheiro de alguém e não o aplicar no projecto.

DESÂNIMO
Desanimada, fiquei alguns anos fora do país, a treinar a Caster Semenya, na África do Sul.  Voltei para apoiar o atletismo, peguei no dinheiro que ganhei com Semenya, para investir no atletismo do país. Conversei com alguns dirigentes, comprei uma casa na África do Sul, que era para servir de centro de alto rendimento. Foram alguns atletas a partir do meu bolso. Só que não é fácil porque modalidade individual também é colectiva. As vezes nós esquecemo-nos disso. Posso ser  atleta de uma modalidade individual, mas se não tenho equipa, na funciona.

Como tudo começou
Na altura tinha apenas 12 anos, fui aprender a nadar, no Desportivo de Maputo. E como ficava longe de Chamanculo, acabei desistindo. Comecei a jogar futebol, minha paixão. Só que não havia futebol feminino. Por isso jogava com os rapazes, no bairro.

Um dia passou um treinador, a quem chamávamos de “mister” Dias. Ele dava treinos aos iniciados do Águia D'Ouro e convidou-me. Eu disse: como vou jogar com rapazes? Ele respondeu: como jogas bem, vem treinar com os rapazes, vamos ver o que a gente faz.

ESTRELA… ENTRE OS RAPAZES
Comecei então a praticar futebol num clube federado, em 1988, durante um ano. Depois tive problemas, quando marquei o golo do empate contra o Ferroviário de Maputo, que  não gostou e protestou. A minha equipa  perdeu pontos e o Ferroviário avançou. Tratava-se de um jogo das semi-finais, pelo que fomos desqualificados.

CRAVEIRINHA  “NA JOGADA”
Foi então que o José Craveirinha viu a história, na primeira edição do Jornal Desafio. Dirigiu-se ao Chamanculo à procura da minha casa, falou com os meus pais e convenceu-os de que eu teria que mudar para o atletismo.

Na altura, eu não sabia o que é ser atleta do atletismo. O poeta levou-me à sua casa, mostro-me vídeos dos Jogos de Los Angeles e Campeonatos mundiais. Comecei a entender  do que se tratava e ele convenceu-me a praticar a modalidade.

Recordo-me que nas primeiras duas semanas, desloquei-me ao Parque dos Continuadores onde ele me apresentou ao filho, Stélio, que  era treinador do Desportivo. Nas primeiras duas semanas de treino, nunca tinha sentido tantas dores na vida. Desisti.

Porém, o falecido Craveirinha – que para mim foi um herói – voltou à minha procura e tentou convencer-me de novo, falando com os meus pais. Recordo-me das suas palavras: "miúda agarra-te ao atletismo, que vais longe".

Na altura não entendia do que é que se tratava. Mas ele disse que neste ano teríamos a Olimpíada da Coreia e o Africano da Zona VI, no Botswana e que eu teria que fazer os mínimos. Assim, comecei a dedicar-me um pouco mais.

Em 1988, tive a minha primeira viagem para o Botswana, a representar Moçambique nos Jogos da Zona VI. Não sabia, na realidade, o que era a alta competição. Mesmo assim, fui escolhida. Graças a Deus, consegui a medalha de ouro, nos 800 metros.

Quando voltei, já tinha outras ideias, outros pensamentos, queria crescer. Disse para mim: tenho que chegar aos Jogos Olímpicos, mas como, se não tenho mínimos?

A partir dessa altura, comecei a treinar muito a sério. Recordo-me que o Stélio, que foi o meu primeiro treinador, puxou por mim. Mesmo assim, eu fazia também treinos secretos, isto é, treinava no Parque dos Continuadores e nos dias em que não ia ao Parque, exercitava-me com as minhas amigas. Saíamos do Chamanculo até à Toyota, Bairro Fajardo e voltávamos para o Chamanculo.

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