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O País – A verdade como notícia

Kamo-Kamo é oficialmente jogador dos sub-23 do clube português Vitória de Setúbal. A contratação foi anunciada nesta sexta-feira, e o jogador poderá viajar neste sábado para as terras de Camões, Portugal.
As palavras faltaram. Na despedida da joia do Ferroviário de Maputo, a última palavra que se ouviu daquele que poderá dar mais “graça” ao futebol português, foi “obrigado a todos”.

Mas essa coisa de despedida é sempre complicada para todos, e para Kamo-Kamo (certamente que) não seria diferente, e não foi. Esteve tímido (como é habito) durante a conferência de imprensa. Sempre que falou, mostrou motivação, mas a voz deixava claro que é um “miúdo” que vai para a “tuga” tentar a sorte nos sadinos.

E é essa tal “sorte” que o acompanhou desde miúdo que o fez “agradecer muito mais ao mister Sebastião Sitóe que foi quem me recebeu, cultivou e me acompanhou nas camadas de formação” revelou Kamo-Kamo.

Mas há mais pessoas a quem reconhecer. “Agradecer aos meus colegas de equipa, ao mister Carlos, ao Treinador Nelson Santos” reconheceu o atleta de 20 anos de idade descoberto no bairro Polana Caniço.

Na despedida, (como não podia deixar de ser) o ala direito, ao estilo Roben, não se esqueceu do pai, aquele a quem o atleta reconhece influência no desenvolvimento do amor que tem pelo Ferroviário de Maputo.  

À lista de agradecimentos adiciona-se Chiquinho Conde, figura chave para a sua contratação pelo Vitoria de Setúbal, num negócio que ainda não se fala de encaixes financeiros.

“O encaixe financeiro vira depois do Vitória de Setúbal potencia-lo” disse o Presidente do Ferroviário de Maputo, Sancho Quipisso, que explicou seguidamente que “vamos negocia-lo depois de Kamo ser potenciado”, contudo, nas futuras transferências os locomotivas ficam com cerca de 30 por cento do passe do atleta.    

Enquanto não se fala em dinheiro, fala-se, doutro lado, de novas oportunidades para exportar jogadores. “Será aberta uma porta para futuros talentos não só do ferroviário mas também de outros clubes, para poderem ser preparados no Vitória de Setúbal”.
Na lista de espera para juntar-se a Kamo-Kamo que viaja em princípio neste sábado, estão entre outros talentos da formação locomotiva, Tununo, Xaquil e Mário.

O Vitória Futebol Clube, também conhecido como Vitória de Setúbal,  ou pela sigla V.F.C, é um clube multi-desportivo português fundado em 20 de Novembro de 1910 e sediado na cidade de Setúbal, em Portugal.

A modalidade principal do clube é o futebol, sendo que os principais feitos conquistados são 3 Taças de Portugal  (1964-65, 1966-67, 2004-05), uma Taça da Liga  (2007-08), uma Mini-Copa do Mundo (1970), dois Troféus Ibéricos (1968, 1974), uma Supertaça Ibérica (2005), três Taças Ribeiro dos Reis (1962-63, 1968-69, 1969-70) e um Troféu Teresa Herrera (1968).

 

 

 

Os três atletas que se encontravam em solo pátrio e que fazem parte da selecção nacional de hóquei em patins, equipa que vai disputar o internacional de Barcelona, partiram esta quinta-feira para a integrar o conjunto que já está na Espanha.

O rugido dos Ngonhamas já está preparado. A djuba também. E quem tem a dura missão de testar estes preparativos são os Egípcios, num encontro marcado para domingo, em Barcelona, durante o Campeonato Internacional de Hoquei. Para o embate, parte da seleção nacional de Hóquei partiu nesta quinta-feira do Aeroporto Internacional de Maputo, rumo ao que pode significar o regresso dos “Ngonhamas” a fina flor do Hóquei mundial.

Trata-se de Alfredo Mandlate, Ivan Esculudes e Kevin Pimentel, que permaneciam em solo pátrio, e que se irão juntar aos outros sete escolhidos por Pedro Nunes para integrar a selecção moçambicana de Hóquei.

O Egipto é uma equipa aguerrida e motivada, mas como se diz na gíria popular, o “osso duro de roer” para o combinado nacional, será a Inglaterra, admite Kevin Pimentel, uma das joias do hóquei moçambicano, que evolui no Desportivo de Maputo. Quem também vai “sentir o gostinho” da seleção nacional de Hoquei no grupo B da Serie A é a Inglaterra e a Andora, duas grandes equipas, mas nada que assusta o combinado nacional que já traçou o seu objectivo: ganhar a prova, atira Alfredo Mandlate, outra joia do Hóquei nacional a evoluir no Desportivo.

Mas há mais objectivos definidos, como revelou Nicolau Manjate, o Presidente da Federação Moçambicana de Patinagem. “Queremos dignificar a nação e melhorar os nossos índices competitivos” disse.

Caso os “Ngonhamas” terminem na primeira posição da sua serie, vão bater-se nos quartos-de-final com o primeiro da Serie B do Grupo A, que em princípio será Portugal ou a Argentina, que estão no grupo de Elite.

 

Muitos torciam o nariz pela sua escolha. A avaliar, claro, pela falta de expressão do futebol albanês no concerto das nações. A sua passagem pelo Nacional da Madeira e Santa Clara de Portugal, clubes para o qual se projectara pela porta da Liga Desportiva de Maputo, fazia crer que pudesse dar o salto para ligas mais expressivas.

Mas na Albânia, com a humildade e cultura de trabalho que lhe é característica, venceu.

Pela porta do Laçi, há três anos, deu os primeiros passos numa aventura de três anos que culminaria com a conquista da Taça da Albânia e a bota de ouro, referente à melhor marcador do campeonato com 14 golos na temporada.

Uma época de sonhos para o avançado que, a meio do percurso, viu os Mambas serem afastados do CAN-2019, após um empate com a Guiné-Bissau a duas bolas num jogo em que tinham tudo para vencer.

O golo por si marcado no dia 18 de Novembro de 2018, que mais do que ditar a vitória sobre a Zâmbia, por 1-0, fez renascer as esperanças de apuramento pela quinta vez a uma fase final de um campeonato africano. Mas debalde!
 
“Não foi fácil conquistar esta bota de ouro. Estava a lutar há muito tempo para poder conquistá-la. Na época antepassada, estava na disputa da bota de ouro.  E, posso dizer, a conquista esta temporada foi o culminar de muito trabalho”, regozijou-se o goleador.  

Reginaldo não se esqueceu de onde veio. Aliás, recorda que teve que se aplicar a fundo desde que em 2016 integrou o Laçi, clube com o qual foi finalista vencido da Taça da Albânia.

“É culminar deste trabalho árduo ao longo de três temporadas na Albânia. Foram temporada de muito sucesso e, acima de tudo, de muito sacrifício. Estou muito feliz por conquistar a bota de ouro”, notou.

Em Junho, Reginaldo esteve em grande plano ao marcar (77 minutos, quando o jogo estava empatado a uma bola) o golo que ditou a vitória do Kukesi (2-1) diante o Tirana FC e levar  à sua equipa a conquista da Taça da Albânia.
Já nas meias-finais havia sido determinante ao marcar um dos golos que ditaram a vitória do Kukesi, por 3-1, diante do Skenderbeu.

“Sinceramente, foi um momento especial porque desde que sai de Quelimane a minha família vinha acompanhando os meus jogos. Desde que saí de Quelimane, nunca tive por perto a minha família. Minha filha nasceu na Albânia. Eu disse para a minha namorada que ela tinha que se deslocar ao estádio porque era um jogo muito especial”, recordou o matador.
O avançado diz ainda que, mesmo depois de perder na final com a sua antiga equipa na última temporada, não baixou os braços. Pelo contrário: continuou a trabalhar arduamente para conquistar o troféu.

“Nós havíamos perdido na final da Taça na época passada. Ano passado, quando chegamos a final, eu disse para mim mesmo que devia levar a minha família. Foi um momento inesquecível ainda para mais por ter marcado um golo. Foi uma noite especial que ficará marcada para sempre na minha carreira”, explicou.
 
Afinal, Reginaldo, qual foi o segredo para uma época de muito sucesso?
“Tudo na vida temos que fazer com muito amor e sacrifício, sobretudo. Só estar fora do país já é uma dificuldade. E, depois, é chegarmos fora e vencer e conquistar o que eu conquistei. Para mim, é algo que não se explica porque trabalhei muito para isso”.

E há que trabalhar, trabalhar e trabalhar: “Temos que nos sacrificar muito para atingir grandes patamares porque somos transferidos para fora do país para fora para termos rendimento. E, como sabemos, sem rendimento tudo sai mal. Pessoalmente, sou um jogador com objectivos traçados e com foco. Foi o que eu fiz: cheguei lá e trabalhei bastante e quem trabalha conquista o que eu conquistei”, assegurou.
 
Novos voos…
A aventura pela Albânia terminou. Reginaldo vai seguir outro caminho, ou seja, ruma a outro campeonato.  Esse é um facto, ainda que não revele o nome do clube com o qual assinou um novo contrato.

“Já tive outras propostas, claro. Quando se faz uma prova como eu fiz, há sempre clubes interessados. Há clubes interessados em mim. Eu escolhi. Eu decidi partir da Albânia porque o que eu queria conquistar lá já conquistei. Assinei por um novo clube. Não posso avançar agora o nome do novo clube porque ainda vou viajar. Estou muito feliz porque assinei o  contrato da minha carreira e da minha vida”.

Ficam, para já e para sempre, os agradecimentos a direcção e a massa associativa do Kukesi. Afinal, sem estes não seria possível chegar tão longe ao nível colectivo e individual.

“Agradecer ao meu clube na Albânia pela aposta. O Kukesi queria que eu continuasse mas o futebol é uma carreira. Eu preferi colocar o ponto final na minha carreira na Albânia. Agradeço a todos que me apoiaram”.
 
 Momentos de amargura
Numa noite de 23 de Março de 2019 que era para ser de alegria, os Mambas transformaram-na num pesadelo.

Estiveram a vencer por 2-1 (com golos de Ratifo, aos 59 minutos, e Nelson Divrassone, no minuto 89) mas deixaram-se empatar já no período de compensação (Mendy, aos 90+4 minutos, fez o golo frustrou os moçambicanos).

Um momento que ficará, de forma negativa, gravado na memória dos jogadores, equipa técnica e…dos moçambicanos no geral.
 
“A nossa eliminação foi algo muito triste.  Foi triste para todos os moçambicanos porque todos queríamos estar no CAN. Eu, principalmente, não estou a acompanhar o CAN porque tinha a certeza que estaria na prova agora”, frisou.

Para o avançado, este é um momento “que temos que tentar ultrapassar e seguir em frente todos juntos”.
Temos que ver aquilo que falhou e tentarmos na próxima eliminatória.

Terminou a participação de Moçambique no campeonato do mundo de voleibol de praia, que decorre em Hamburgo, na Alemanha. A dupla moçambicana, composta por Délcio Soares e Aldevino Nuvunga somou por derrota os três jogos que disputou na fase de grupos, onde estavam juntamente com a Itália, Brasil e Áustria.

Na primeira partida, disputada no sábado passado, a dupla moçambicana defrontou a dupla italiana e vice-campeã olímpica da modalidade, constituída por Paolo Nicolai e Daniele Lupo. Sem contemplações, os moçambicanos sucumbiram por dois sets a zero, com parciais de 21-12 e 21-4, já sem pernas para andar.

Dia seguinte, domingo, Soares e Nuvunga cruzou caminho dos brasileiros, que são fortes candidatos a conquistarem a prova final, conquanto são os detentores do troféu. Desta feita, mais concentrados, diante de André Loyola e George Soto Maior conseguiram somar mais pontos que primeiro jogo, mesmo tendo perdido novamente por dois sets a zero. Mas desta feita os parciais não foram tão estrondosos como no primeiro jogo: 21-13 e 21-11.

A participação da dupla moçambicana terminou esta quarta-feira diante da dupla austríaca, com a qual perdeu, mais uma vez e para não variar, por 2-0. Mais concentrados ainda depois de dois dias de descanso, Délcio Soares e Adelvino Nuvunga perderam por 21-15 e 21-12 diante de Seidl Robin e Phillip Waller.

Esta foi a última partida desta dupla nesta competição que serviu mais para ganhar mais experiência e rodagem, convista a melhor prestação nas provas que vem pela frente, nomeadamente os Jogos Africanos de Marrocos, para além das eliminatórias qualificativas aos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.

Basta salientar que a dupla moçambicana tinha como objectivo, nesta competição mundial, ganhar experiência e como bónus a passagem a fase seguinte, algo que não chegou a acontecer, em virtude de ter terminado na última posição do grupo. Assim, a dupla regressa ao país, onde vai continuar com os trabalhos de preparação, tendo em conta que os Jogos Africanos acontecem dentro de dois meses, em Rabat, no Marrocos, concretamente de 23 de Agosto a 3 de Setembro.

Recorde-se que a dupla moçambicana esteve acompanhado nesta competição pelo secretário-geral da Federação Moçambicana de Voleibol, Pelágio Pascoal.

Resultados de Moçambique no mundial de Hamburgo

Itália 2 – 0  Moçambique
21 – 12 e 21 – 4
Brasil 2 – 0  Moçambique
21 – 13 e 21 – 11
Áustria 2 – 0  Moçambique
21 – 15 e 21 – 12

 

 

Está confirmado. O internacional moçambicano, Reinildo Mandava, irá continuar a evoluir na Ligue 1, campeonato francês de futebol.

Reinildo, emprestado pelo Belenenses ao Lille na segunda metade da última temporada, assinou contrato em definitivo por três temporadas, anunciou o clube francês no site oficial, escreve o jornal “A Bola” na sua edição online.

A publicação refere ainda que o Lille confirma, no comunicado divulgado na página de internet, a opção de compra do defesa de 25 anos, que tinha sido cedido pelo Belenenses em janeiro. Os franceses não divulgaram valores, mas a imprensa portuguesa referiu um possível valor de 4 milhões de euros.

Reinildo jogou no Benfica B em 2015, tendo passado ainda pelo Fafe e Covilhã, antes de ser transferido para o Belenenses. O jogador de Moçambique junta-se agora aos portugueses José Fonte, Xeka, Rui Fonte e Rafael Leão.

 

 

É o quinto título consecutivo diante do Costa do Sol e o sexto na história. Foi, de resto, uma noite em que as “locomotivas” da capital provaram, mais uma vez, a sua hegemonia, tendo sido fortes em todos os sentidos, na quadra. Aliás, a prova disso são as distinções individuais que receberam no fim do triunfo, por 59-45, no jogo dois do “play-off” a melhor de três partidas, com a excepção do título de melhor ressaltadora que coube a poste Ilda Chambe, do Costa do Sol e o de melhor defesa a Nilza Chiziane, da A Politécnica.

Delma Zita, base do Ferroviário de Maputo chamou a si o título de MVP, ou seja, Jogadora Mais Valiosa da prova. Já a experiente poste, Odélia Mafanela, foi distinguida melhor marcadora e o título de melhor triplista foi para Anabela Cossa.
 
O Jogo…
O Costa do Sol entrou a pressionar, tendo estado melhor ofensivamente nos primeiros cinco minutos, obrigando o Ferroviário de Maputo a defender melhor e a usar a sua principal “arma”: o jogo exterior. E resultou, pois as “locomotivas” saíram do primeiro quarto a vencer, por 18-16.

No segundo quarto reinou o equilíbrio no jogo, com as duas equipas a marcarem poucos pontos e a sofrerem perdas de bola. Ao cabo do período o resultado era 28-26, a melhor para o Ferroviário de Maputo.

A entrada da segunda parte o Costa do Sol se mostrava muito nervoso com perdas de bola e a facilitar ofensivamente o Ferroviário, facto que custou à equipa, ao cabo do período, uma desvantagem de 12 pontos, ou seja, 44-32.

No derradeiro quarto o Ferroviário continuou forte, com tiros exteriores e mais concentrado. Já as “canarinhas” continuavam a cometer os mesmo erros, facilitando a vida das campeãs africanas que, mais uma vez, carregaram a taça de campeãs nacionais.

59-45 foi o resultado final do segundo jogo, tendo feito o dois a zero no “play-off”.
Do lado das “locomotivas” a melhor cestinha foi Odélia Mafanela com 13 pontos, já das “canarinhas” Ornília Muhlui esteve em bom plano com 12 pontos.

Na classificação final o terceiro lugar foi para a A Politécnica que derrotou o Ferroviário das Mahotas, por 74-68.

Encerrou hoje o torneio Mini Básquete em todas províncias do país. O torneio envolveu duas mil crianças com idades compreendidas entre seis e 11 de idade, que vem dos bairros, clubes e escolas.

O suor que molhou as camisas, a vibração sentida em cestos que lembram os jogos da NBA, e a gritaria típica de miúdos que tem entre seis e onze anos, ficam para história do 14º torneio Mini Básquete que juntou duas mil crianças.

Uma destas crianças que viu dar passos rumo a concretização do sonho de ser jogadora profissional de basquetebol, e brilhar ao lado de Chanaya Pinto, sua fonte de inspiração, é Lasau, uma menina confiante e determinada. Ela tem 11 anos de idade, é sorridente e espontânea. Conta que aprendeu muito durante as cinco semanas que durou o torneio Mini Básquete, aliás, (o torneio) foi um verdadeiro palco dos sonhos.  
“Aprendi que nós temos de jogar em equipa, e não jogar sozinhas” contou Lassau, acrescentando que na quadra, o mais importante é perceber que é em equipa que se ganha e nunca de forma individual.  

Na quadra, a adversária de Lassau era Angelina, que apesar de jogar na equipa oposta, reconheceu que “é importante termos amizade com os outros, e que para tal precisamos saber perder e saber ganhar”. Mas ganhar, perder, dribles, passes e cestos não foram as únicas coisas que os pequenos atletas tiveram a oportunidade, uns de aprender, outros de aperfeiçoar neste torneio da pequenada. A aprendizagem dos atletas que vieram dos bairros, escolas e clubes “galgou as barreiras da quadra” e foi até a vida social dos pequenos jogadores, aliás este era o grande objectivo da iniciativa.

“Para ter novas amizades não é preciso ter muito, só ter um coração daqueles que não precisam de dinheiro” explicou inicialmente o atleta Yuni, que depois revelou o desejo de “ensinar aos outros para que possam desenvolver mais do que eu”.
Por sua vez Laquicha destacou o facto do desporto da bola ao cesto ser inclusivo, por isso “podemos seguir os nossos sonhos jogando basquetebol com os outros” disse a menina de 12 anos de idade.

Laquiha estava acompanhada pelo tímido Austin, que quando tentamos entrevistá-lo preferiu fugir das Câmeras e microfones, chamando a mãe, Felizarda Pangane, para que falasse em seu nome. A mãe não negou o convite do futuro jogador de basquetebol. Para Felizarda mãe de Laquiha, este torneio tem sido muito importante para divertir-se e aprender, sem contar com os valores ensinados, que aliás, já se fazem sentir no dia-a-dia.

“Eles aprenderam muitas coisas como atravessar a rua, aprenderam a importância de cuidar um do outro” disse Felizarda Pangane, reconhecendo que não esteve presente em todos jogos, mas que vê mudanças no seu filho. Já a servir a pátria na selecção sub 19 de basquetebol, Suzi Cipriano, que também passou pelo torneio Mini Básquete, sabe que aprender na tenra idade faz toda diferença no futuro dos atletas.

“Claramente os treinadores de formação são muito importantes para aquilo que é o desenvolvimento dos atletas” disse, acrescentando que “é necessário que hajam bons treinadores de formação e tudo isso parte do Mini Básquete”.

E no fim, depois de juntar 2000 atletas distribuídos por todas províncias, a avaliação dos organizadores é positiva, explica o Membro da Comissão Executiva do Millenium Bim, Fernando Carvalho.

“Eu acho que estas 14 edições do torneio de Mini basquete do Millenium Bim, vão se repercutir no futuro, e vão ser recordadas, no futuro como uma grande iniciativa, para o desenvolvimento da juventude em Moçambique” explicou.

O último dia do torneio Mini Básquete foi presenteado com um desfile dos atletas em jeito de despedida.

 

A equipa que representa Cabo Delgado no Campeonato Nacional de Básquete, quer resgatar o amor a modalidade naquela província, e diz que as derrotas estão a permitir aprender muito com as equipas mais rodadas.

Estava prestes a morrer, mas um sonho, ou melhor, a “Dream Team” quer dar um novo alento ao basquete em Cabo Delgado.

É este desejo que levou a equipa a participar do torneio nacional de basquetebol a realizar-se em Maputo. Mas apenas desejo não traz resultados, é preciso trabalhar.

A vontade de crescer é herdada das gerações anteriores que, trazem com elas também alguma experiência deste tipo de competições.

Para a equipa que conta nas suas fileiras com a jogadora mais velha do campeonato, o mais importante é preparar as bases para as próximas gerações.

Com os olhos quase a ganharem o azul do mar, e ainda imberbe, desembarcou há quatro anos em Lisboa, num rigoroso inverno a desmentir o  habituê calor infernal da sua terra natal.  Primeiro, estranhou. Depois,  entranhou.
Concentrou-se no essencial. Era, afinal, uma jovem com enorme potencial por explorar. Sabia-o, e muitíssimo bem, José Leite, treinador do Quintas dos Lombos que ficara maravilhado com as suas exibições no Campeonato Africano de basquetebol sub-16, em 2016, no Madagáscar.

Em terras lusas, foi  chegar, ver e vencer. E já contabiliza, ao longo destes quatro anos, igual número de títulos de campeã distrital de Lisboa na categoria sub-19 e indicações para o cinco ideal da prova.
Conta ainda no seu palmarés com o troféu da Taça da Federação, título conquistado após o Quinta dos Lombos derrotar, na final, a União Sportiva (47-44).

Mas há mais: foi preponderante, em 2018, para que a sua equipa se sagrasse vice-campeã da Liga Portuguesa de Basquetebol, tendo perdido com a União Sportiva por 2-0 nos “play-offs da final” (69-67, no jogo 1 e 64-61 no jogo 2) a melhor de três jogos.

Antes da lesão que a impediu de jogar a final, arrasou  no jogo 1  dos “play-offs” das meias-finais  frente ao Benfica, arrancando  14 pontos e quatro ressaltos em 22 minutos na quadra.

Não desistiu. Voltou a carga. Este ano, precisamente em Maio, foi vice-campeã em seniores femininos quando o Quinta dos Lombos perdeu com Olivais por 2-0 (68-61 no jogo 1 e 80-70 no jogo 2) nos “play-offs” da final.
“Faço uma avaliação positiva. Seria injusta comigo e com a minha equipa se fizesse uma avaliação negativa.  Tivemos altos e baixos. Sempre usamos a frase de que quem acredita vai. Tivemos muitas baixas e fomos superando ao longo do campeonato.  Falo de mim também porque só comecei a jogar na segunda fase do campeonato. Mas, feliz ou infelizmente, ficámos na segunda posição tanto nos seniores quanto nos juniores. Fomos finalistas vencidos”, avaliou.

Chanaya diz  ainda que a Quinta dos Lombos que a equipa soube superar os momentos menos bons para fazer uma época assinalável. “Este foi um factor muito grande nos últimos jogos da final à melhor de três. A outra equipa estava melhor fisicamente e já vinha com mais jogos e bagagem. Para nós, que tivemos algumas paragens e lesões durante a época, era complicado”, complementou.  

Outrossim, sagrou-se vice-campeã no escalão de sub-19, tendo sido indicada para o cinco ideal da prova. Motivo, naturalmente, de orgulho pelo reconhecido das suas qualidades.

“É sempre bom poder participar da equipa das cinco melhores jogadoras. Isso prova que o nosso trabalho é reconhecido e é notável. Mas não é aquilo que eu queria. Eu queria mesmo era ganhar o campeonato e sair de Portugal com o título de tricampeã nacional”, destacou.

Fazer o melhor no Mundial
Com apenas 17 anos, estreou-se na selecção sénior feminina que ocupou o quarto lugar no Campeonato Africano, em 2017, em Bamako, Mali. Terminou a prova com média de 3.8 pontos e 1.9 ressaltos/jogo.

Mas uma ruptura nos ligamentos cruzados impediu a valorosa extremo-poste de representar Moçambique no Campeonato Africano de sub-18, em 2018, momento que a marcou pela negativa.  

Viu, numa noite de sonho, Moçambique bater Angola (53-49) e qualificar-se para  final e assegurar a presença, pela primeira vez na sua história, de um Mundial de basquetebol sub-19.

“Foi uma ferida que, felizmente e graças a Deus, sarou com a nossa qualificação ao Mundial. Mas sempre costuma-se a dizer que, na vida, a gente não tem sempre o mesmo papel. E eu senti que, naquele momento, o meu papel não era como jogadora, ou seja, ajudar as minhas colegas dentro do campo. O meu papel era ajudar fora do campo e foi o que eu fiz. Felizmente, conseguimos a qualificação para o Mundial”, narra.

Recuperada e, em forma, sente-se pronta para ajudar  Moçambique a ter boa prestação no Campeonato do Mundo, em que as “guerreiras” estão inseridas no grupo “A” juntamente com a Tailândia, Lituânia e Canadá.   Com optimismo e calma que lhe são características, respira fundo e projecta esta competição planetária.
“As minhas perspectivas são muito elevadas.  Temos trabalhado afincadamente para alcançar os nossos objectivos de levar a bom porto, como é óbvio. Infelizmente, não estamos a trabalhar dentro das condições que almejávamos. Mas não é por isso que vamos deixar de dar à cara a luta. Estamos com a Lituânia, Tailândia e Canadá. Eu acredito que, contra a Tailândia, podemos ganhar o nosso adversário. Diante da Lituânia, se estivermos concentradas e jogarmos taco a taco, podemos ganhar este jogo”, observou.

Para esta empreitada, o seleccionador nacional de basquetebol sub-18, Leonel “Mabê” Manhique chamou 23 atletas das quais sete evoluem no estrangeiro. Trata-se de Carla Budane e Shana Paxixi Sport Lisboa e Benfica), Chanaya Pinto, Soraya dos Santos e Célia Sumbane (Quinta dos Lombos), Noémia Massingue, Tylee Manuel Tyraa Manuel (EUA).

São jogadoras experientes e com outro traquejo competitivo quando comparado ao quadro nacional, pelo que há perspectivas de serem uma grande valia.
“Este leque de jogadoras pode trazer mais experiência à selecção nacional visto que participamos em condições, podemos assim dizer, muito mais fortes comparativamente as provas nacionais. Acreditamos que podemos trazer esta experiência e transmitir as colegas o sentimento de que as coisas não são tão fácies quanto parecem”.

Espanha: onde tudo acontece!

Atenções viradas para o Mundial, agora. Mas os olhos já piscam o futuro. Futuro, esse, que pode passar pela Liga Dia, ou seja, liga espanhola de basquetebol, onde já lá jogam as compatriotas Leia Dongue e Tamara Seda.
“Chanaya Pinto fez quatro anos em Portugal. Eu procuro, agora, sair de Portugal e atingir e deixar a minha marca. O meu sonho é jogar na Liga Dia, ou seja, Liga Espanhola de basquetebol. Na minha óptica, é a competição mais forte do Mundo”, manifestou o desejo a extremo-poste.

Sobre o seu regresso à competição, após vários meses no “estaleiro”, a valorosa basquetebolista diz ter sido marcada pela auto-superação.

“Foi renascer outra vez. No princípio, pensei que não seria fácil porque estava ansiosa em voltar a competir. Foi uma sensação muito estranha readaptar-me a minha equipa, enfim, as coisas que eu sabia fazer e que já não me saiam naturalmente. É uma fase de auto-superação minha. Acima de tudo, com o apoio das minhas colegas consegui voltar ao mesmo ritmo”, finalizou.  

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