Artur Semedo deu cara a crise do Desportivo e falou de uma situação crítica que se vive nos alvinegros. Semedo diz que há mais de seis meses que não tem salário, que o clube não treina fazem duas semanas porque não tem campo, e que tem sido prejudicado pelos árbitros.
“Frustrado” com a situação crítica que se vive no Desportivo Maputo, passando pela “passividade” dos dirigentes quanto a um mandatário “indisciplinado”, e com a perseguição pela “mão externa”, sem esquecer das duvidosas arbitragens, Artur Semedo decidiu “despejar” tudo.
Tudo isso, desde a relação agridoce com um membro do clube Desportivo Maputo, e com a “mão externa” como ele apelida o grupo de pessoas que acredita estarem a persegui-lo) começa no princípio do ano (pelo menos enquanto treinador dos alvinegros).
“Sei que os clubes foram convidados para participar de um programa de Televisão, em que o Desportivo arrolou também o seu representante, indicado pela direcção, e que logo na 1ª jornada foi capaz de vilipendiar o treinador e a equipa do desportivo” deplorou Artur Semedo.
O técnico alvinegro e a sua equipa não sabiam o porquê dos ataques, mas o desconhecimento não evitou novos ataques. “Os impropérios, a falta de respeito para com o treinador e com a equipa foi se repetindo vezes sem conta”.
E nestas repetições Semedo diz que pautou apenas por responder defendendo a equipa alvinegra nas conferências de imprensa depois do jogo, mas tal atitude não era bem recebida pela direcção, e nem queriam se pronunciar.
“Não houve nunca uma reacção, não houve nenhuma manifestação de qualquer elemento da direcção do desportivo”, garantiu, num tom revoltado pela atitude, o técnico.
E se a situação já estava de tal modo insustentável, a mesma agravou-se algum tempo depois do início dos “vilipêndios”, pois para além do clube não se pronunciar, o mesmo passou recentemente a não ter campo para treino, facto que tem condicionado os resultados da equipa.
Artur Semedo revela que a sua equipa não treina a sensivelmente duas semanas (quando faltavam dias para o jogo diante do HCB do Songo), assim como não teve qualquer contacto com a direção alvinegra no mesmo lapso de tempo.
O problema da falta de campo estava minimizado até o fim da primeira volta do Moçambola, mas, com a chegada do Papa, o Estádio Nacional do Zimpeto (seu campo temporário para treino para jogo) foi interdito.
Na conferência de imprensa, Semedo agradeceu a disponibilidade e a boa vontade do vizinho Clube Desportos da Maxaquene por, de quando em vez, disponibilizar metade do campo para que a equipa treine.
O técnico falou igualmente da falta de salário, e garantiu que tal situação não põe em causa a sua posição como treinador. Semedo desmentia, assim, a premissa de que ele e a sua equipa tem os salários em dia.
“Os treinadores do Desportivo e sobretudo o treinador principal tem mais de meio ano sem salário” revelou.
Na conferência de Imprensa, Semedo deixou claro que a posição em que se encontra na tabela classificativa tem uma forte influência da terceira equipa em campo, a de arbitragem.
O técnico alvinegro não esqueceu de elencar os grupos externos na longa lista de factores que impedem os bons resultados dos alvinegros. Devido a lista apresentada, Semedo diz ter uma única certeza.
O Desportivo não esta preparado para disputar o Moçambola, aliás nem o Desportivo nem muitas outras equipas.
Faltam apenas sete jornadas para o fim do Moçambola, e o principal objectivo de Artur Semedo passa agora a ser a manutenção na principal prova de futebol disputada em Moçambique, o Moçambola.