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O País – A verdade como notícia

Enquanto jogador, tinha em si bem entranhado o “vírus” alvi-negro. Porém, a partir da altura em que aceitou dirigir o órgão máximo do nosso futebol, a sua paixão passou para a FMF. Manuel Jorge viveu, no nervo, na carne e na pele, o parto do nosso futebol, quando o país abria os olhos para África e para o Mundo.

Foi, sem dúvida, um dos nossos mais competentes e respeitados dirigentes desportivos, em situações extremamente difíceis, nos velhos tempos do desporto jogado por amor à camisola. De futebolista de pé (esquerdo) cheio, a respeitadíssimo dirigente. Quis o destino que aos 80 anos, o fundador da “Nação FMF nos deixasse.

Tudo era novo e desconhecido naquela altura. O país vivia ainda a efervescência da Independência Nacional e o futebol, enfrentando um mar de dificuldades era, apesar disso, uma das formas de afirmação do nosso surgimento no Continente Africano e não só.

Adepto confesso do Desportivo de Maputo, a quem dedicou uma grande parte do seu saber, primeiro como futebolista e depois como dirigente, acabou sendo a “lanterna” que iluminou e abriu espaço para a caminhada do nosso país no pós-independência. Organizou e fez convergir para Moçambique os olhos de África e do Mundo, nos primeiros (e difíceis) passos do desporto-rei desta Pérola do Índico.

Manuel Jorge, poliglota, com uma posição e um cargo numa empresa de prestígio, sacrificou muitas horas do seu descanso, usou toda a sua capacidade para (re)conciliar vontades e adversidades entre clubes, árbitros e dirigentes, colocando sempre em lugar próprio a sua paixão pelo clube “alvi-negro”.
 

HOMEM DO FUTEBOL

Como presidente da FMF, Manuel Jorge orientou um elenco que criou as actuais associações provinciais de futebol, para além de ter participado na estreia de Moçambique nas fases finais dos Campeonatos Africanos de Futebol (CAN), em 1986 no Egipto. Foi uma das maiores referências desportivas de sempre do nosso país, marcando um período que será sempre recordado pelas suas qualidades de liderança e pela sua ambição de vitória.

Sócio número 1 do Grupo Desportivo Maputo, Manuel Jorge Carvalho da Silva perdeu a vida dia 19 de Setembro de 2014 deixando para trás um percurso de entrega, bravura e infinitas lições de gestão desportiva.
 

CAN 1986, DE MÁ MEMÓRIA

Recordemos o que disseram algumas figuras do nosso desporto, que com ele conviveram:

–      João de Sousa, jornalista
De Manuel Jorge ficam gratas recordações, sobretudo das viagens que fizémos, ele como dirigente da FMF e eu como jornalista. A mais marcante foi, sem dúvida, em 1986, quando pela primeira vez a nossa Selecção participou numa fase final da Taça das Nações, no Cairo. Perdemos os 3 jogos: 0/2 frente ao Egipto, 0/2 diante do Senegal e 0/3 no confronto com a Costa do Marfim. Sofrer 7 golos e não marcar um único, é para constar na história dos altos e baixos dos nossos “Mambas” que ao tempo de Manuel Jorge ainda nem sequer sonhavam em ser essa serpente africana venenosa. Foi duro e pesado o trabalho que teve de ser desenvolvido, não tínhamos então a Liga Moçambicana de Futebol, mas um campeonato com uma dimensão completamente diferente da actual, por força dos problemas e vicissitudes que o país atravessava. Considero Manuel Jorge uma das figuras que criou as condições para que a nossa Federação, mesmo antes de ele ser presidente, se firmasse internacionalmente.

 
Uma referência para sempre
–      Joel Libombo, antigo Ministro da Juventude e Desportos

 
Cruzou caminhos com Manuel Jorge, tendo trabalhado na edificação do desporto nacional. São dele as palavras que que se seguem:
Foi sempre uma referência, quando nos iniciamos nos processos de liderança, estando sempre connosco, desde a federação de basquetebol, passando depois para a de futebol. Na elaboração da Lei do Desporto, foi sempre meu assessor. Um dos embondeiros que apoiaram o Governo.
 
 
Ajudou a construir a actual FMF
–      Amir Gafur, vice-presidente da federação

 
Descreve o malogrado como homem do futebol moçambicano, grande jogador e dirigente.
– Pela sua competência na direcção do seu clube, foi escolhido para dirigir o futebol nacional. Ajudou com todo o seu saber a construir o que é hoje a Federação de Futebol. Contribuiu e dirigiu a criação das associações provinciais, contribuindo e dirigindo a formação das Selecções, o que culminou com a presença, pela primeira vez, de Moçambique no CAN do Egipto.
 
 
Deixa uma grande obra
–      Calton Banze

 
Lembro-me dele como um homem de poucas palavras e de muito trabalho. Infelizmente não nos preparamos para a sua partida, senão teríamos ido buscar muita história do desporto com ele. O seu legado está connosco, cabe-nos continuar a sua grande obra, sobretudo pela atitude.
Granjeou amizades por todo lado, foi sempre um senhor nas suas atribuições, como futebolista, dirigente do Desportivo e da Federação, pautando por muita simplicidade e humildade. Deixa uma grande obra, que temos a obrigação de homenagear.

 

 

As atletas de vela qualificadas aos Jogos Olímpicos de Tóquio, nomeadamente Deysi Nhaquila, Denise Paruque e Maria Machava, iniciaram os trabalhos de preparação, depois do relaxamento das medidas de prevenção para modalidades de alto rendimento. 

As três velejadoras asseguram que o momento é oportuno para iniciar com os treinos, por forma a atingir o nível das adversárias que terão pela frente em Tóquio, que já estão a velejar

O retorno aos treinos já era esperado pelas atletas de vela que garantiram a qualificação aos Jogos Olímpicos. A apreensão e nostalgia pelos treinos caseiros já incomodavam Deysi Nhaquila, Denise Paruque e Maria Machava, que contavam os dias para que a pandemia fosse controlada, ou, pelo menos, o relaxamento das medidas para elas fosse possível, tal como aconteceu na semana passada.

Mas as três sabem que para chegar a Tóquio é preciso ter saúde, e por isso, as medidas de prevenção, para evitar contágios do novo coronavírus, são necessárias. É assim que a desinfecção das mãos, o uso de máscaras e o distanciamento social são sempre a prioridade antes, durante e depois dos treinos.

Até mesmo para Maria Machava e Denise Paruque, que tem que partilhar o mesmo barco, tanto para os treinos como para as competições, as medidas de prevenção são necessárias.

“É difícil para nós porque somos uma dupla. Então trabalharmos separadas não faz muito sentido”, lamenta Maria Machava, que acrescenta ainda que “o barco é nosso e não só meu, também pertence a ela”. Mas assegura que mesmo assim é possível prevenir a contaminação da COVID-19 porque “além de ficarmos juntas no barco, não ficamos muito tempo a conversar próximas”.

Enquanto não iniciavam os treinos no mar, as atletas exercitavam em casa e conversavam, como forma de preparar melhores estratégias para o início, bem como coordenar os treinos a fazerem.

 

Expectativa pelo início dos treinos

Já Denise Paruque, que também diz que todas medidas serão levadas em conta para evitar possíveis contágios, tanto dentro como fora do local de treinamento, diz que foi importante iniciar os trabalhos a esta altura, uma vez que “assim vamos estar no ritmo que a gente precisa e acertar o que estava errado para podermos melhorar”.

O essencial mesmo, para as três, foi iniciar os treinos, mesmo faltando cerca de 14 meses para os Jogos Olímpicos, que acontecem em Julho de 2021. Deysi Nhaquila diz que já estava nas expectativas o início dos treinos, porque “esperar a pandemia acabar, não sabemos quando será possível e precisamos nos preparar para os jogos”. Até porque depois da qualificação aos Jogos Olímpicos de Tóquio, “temos que estar no nível das outras que já estão a treinar, porque não vamos lá para brincar, mas sim para representar o nosso país da melhor forma possível”.

E assegura que as medidas de prevenção emanadas pelo Governo são para serem seguidas.

Aliás, não só as medidas de prevenção serão uma prioridade, mas também a entrega nos treinos, porque quem quer atingir o topo do mundo, tem que dar muito de si para lá chegar. “O ginásio ainda abriu e por isso estamos a treinar apenas no mar”, disse Maria Machava.

Já Deysi Nhaquila disse que este início é uma mais-valia não só para a manutenção da performance, mas também “para melhorar ainda mais e podermos representar da melhor forma o nosso país”.

O tempo, esse, parece longo, mas Denise Paruque diz que pode ser curto se não houve dedicação. “Basta nos dedicarmos bastante nos treinos, podemos chegar a Tóquio com bom ritmo”, assegura.

 

Nem a chuva apaga a vela

Faça sol ou chuva, frio ou calor, o trabalho não para! Sem as respectivas treinadoras principais, tendo em conta que a treinadora da Deysi está em Cuba e da dupla Denise e Maria está em Portugal, onde elas esperam poder ir estagiar, com o barco da sua especialidade. Por ora, sob batuta de Ernesto Sumunguila, as atletas esmeram-se no mar, buscando as melhores estratégias de suplantar as adversárias.

O maior adversário neste momento é a falta de vento, tal como refere Ernesto Sumunguila, o que não permite melhor performance das atletas.

Mesmo já em treino, as meninas não deixam de apoiar quem ainda sonha em chegar a Tóquio. Para estas três, é importante que não desistam, que não temam ninguém nas provas onde vão procurar os mínimos e, o mais importante, que se previnam da contaminação da COVID-19, que seria a maior desilusão para eles mesmos.

Vela foi a primeira modalidade a garantir o passaporte para Tóquio e é a primeira a retomar os treinos para os Jogos Olímpicos.

Recorde-se que Moçambique tem cinco atletas apuradas para os Jogos Olímpicos de Tóquio, nomeadamente Deyse Nhaquile, Denise Parruque e Maria Machava, na vela; Alcinda Panguana e Rady Gramane, no boxe.

Estão na rota de apuramento a maior festa do desporto mundial os atletas de voleibol de praia, atletismo, natação, karaté, boxe e judo. Nesta última modalidade, Airton Siquire, Kevin Loforte, Jacira Ferreira e Carlos Júnior ainda lutam por um lugar em Tóquio.

 

 

Balizas, areia, bandeirolas e relva sintéctica, que estavam retidas desde 2015 nos armazéns da Autoridade Tributária de Moçambique, e que foram encomendadas pela Federação Moçambicana de Futebol, foi entregue à Secretaria de Estado do Desporto, através do Fundo de Promoção Desportiva, esta quarta-feira, por autorização do Ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane

Foi preciso esperar cinco anos para que a Autoridade Tributária de Moçambique agisse positivamente aos apelos da Federação Moçambicana de Futebol de desalfandegar o material encomendado para a implantação da relva sintéctica nos campos de futebol, com destaque para os distritos. De lá para cá, nem os apelos dos desportistas foram suficientes para a Autoridade Tributária entregar o material e foi preciso que fosse o Ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, a autorizar a Autoridade Tributária de Moçambique a proceder à entrega do material desportivo à Secretaria de Estado do Desporto.

O acto de entrega do material teve lugar na tarde da última quarta-feira, e coube a Directora do Fundo de  Promoção Desportivo, Amélia Cabral, receber os 8 contentores contendo material desportivo, entre eles as balizas, areia e bandeirolas.

O comunicado da Autoridade Tributária refere que “em cumprimento do Despacho Ministeral, a Autoridade Tributária de Moçambique (AT) procedeu, na tarde desta quarta-feira, 20 de Maio, a entrega de 8 contentores contendo material desportivo, especificamente, balizas, areia e bandeirolas. Trata-se de uma mercadoria importada em nome da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), que, no entanto, não cumpriu com o tempo de desembaraço aduaneiro (25 dias) previsto para os processos do género, o que abre espaço para o processo administrativo, que passa, necessariamente, pela venda em hasta pública. Porque a mercadoria em alusão não obteve lance na 3ª praça, a AT através das Alfândegas, à luz do seu Estatuto Orgânico, procedeu à entrega a Secretaria do Estado de Desporto, cumprindo deste modo, o despacho exarado pelo Ministério da Economia e Finanças, Adriano Maleiane”, autoridade competente para autorizar a entrega do material, ao abrigo do Estatuto Orgânico das Alfândegas de 29 de Setembro de 1960, aprovado pelo Decreto nº 43199, no seu Artigo 681.

De referir que os 08 contentores ora entregues, fazem parte de um lote de 12 contentores importados em 2015 pela mesma agremiação, dos quais 04, contendo relva sintética foram regularizados dentro dos prazos estabelecidos para os processos de importação, segundo ainda o mesmo comunicado.

Na ocasião Amélia Cabral referiu que o Governo vai definir o destino deste material importado pela Federação Moçambicana de Futebol para a montagem de Campos com relvado sintético. 

As federações nacionais das modalidades de alto rendimento defendem que a melhor forma de controlar os atletas que estão a preparar-se para os Jogos Olímpicos é juntá-los todos no mesmo local. Esta proposta foi levantada durante o encontro que tiveram com o Comité Olímpico de Moçambique para estudar as modalidades do início dos treinos.

 

O presidente da República relaxou as medidas de prevenção para atletas de alto rendimento e estes agradeceram. Agora estudam as melhores medidas a tomar para o retorno aos treinos com vista a sua participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021. Mas a maior proposta de todas é de usar a vila olímpica como centro de estágio para um melhor controlo, bem como para melhor avaliação do rendimento dos atletas.

A ideia do centro de estágio é comungada pelo gabinete médico do Comité Olímpico de Moçambique que considera ainda que há necessidade de cumprimento das recomendações.

Os atletas do alto rendimento já começaram com os treinos com vista a participação nos Jogos olímpicos de Tóquio.

Alguns clubes nacionais que vão disputar o Moçambola 2020 dizem que arranque tardio da época compromete a sua funcionalidade financeira, tendo em conta que devem fazer esforços para continuar a pagar salários dos jogadores. Costa do Sol e Ferroviário de Maputo estão numa fase de reabilitação das suas infra-estruturas antes do início das competições.

A situação do Coronavírus continua a trazer dessabores ao futebol moçambicano. Sem competições, os clubes já se ressentem das dificuldades financeiras e consideram que toda estrutura funcional começa a ficar comprometida, até porque o início do Moçambola é ainda uma incógnita, em face do que a pandemia continua a fazer no país.

Costa do Sol, Ferroviário de Maputo e Textáfrica do Chimoio, três clubes que vão disputar o Moçambola, mostram-se cépticos quanto ao arranque do campeonato nacional de futebol e consideram que indecisão prejudica as suas actividades. 

Jeremias da Costa, presidente do Costa do Sol, diz a situação é fácil e que a sua direcção está a “fazer contas à vida” e a torcer para que a situação melhore o mais rápido possível. “Nós somos positivos e fazemos fé para que a partir de 15 de Junho a gente possa retomar os trabalhos”, disse da Costa.

Já o presidente do Ferroviário de Maputo, Ângelo Jerónimo, diz que o que pode se fazer neste momento é se esperar pelo curso dos acontecimentos e que “melhor definição será dada na hora certa” para que o arranque seja efectivo.

Por seu turno, Quinito Todo Jr., presidente do Textáfrica do Chimoio, prefere rezar para que a situação possa ser ultrapassada. Quinito todo diz mesmo que “o futebol é o ópio do povo e quando não há desporto tudo fica parado” e por isso há necessidade de se cumprir todas medidas de prevenção para que a situação possa ser ultrapassada.

Os três clubes assumem que esta indefinição vai ainda prejudicar as suas finanças, tendo em conta que terão que pagar atletas sem que estejam a competir. Ângelo Jerónimo que a estratégia da sua colectividade foi de procurar manter os contratos dos atletas, em número de quase dois mil, para todas modalidades que o clube movimenta.

“Fizemos o esforço possível de manter os contratos, de modo que logo que seja reaberta a actividade desportiva termos os atletas a mão e já a trabalharem”, reiterando que não foi fácil negociar esta continuidade de pagamento de salários, com a empresa integradora.

Pelo lado dos “canarinhos”, a situação é um pouco diferente, uma vez que a colectividade “sobrevive” graças ao apoio dos parceiros, mas Jeremias da Costa não garante que o pagamento de salários possa continuar por mais tempo, caso a actividade desportiva não regresse o mais rápido possível, uma vez que a bilheteria e os activos do clube, casos de camisetes, bonés e outros materiais com símbolo do clube, não são adquiridos, o que faz com que as receitas sejam diminutas. 

“Vamos depender de até onde vão os nossos parceiros, ou seja, se os parceiros estiverem disponíveis a nos apoiarem até Dezembro, vamos continuar a pagar, caso não, vamos ver o que acontece”, disse o presidente dos “canarinhos”, mostrando-se confiante que a situação passe o mais rápido possível.

Já o primeiro campeão nacional de futebol no pós-independência, o Textáfrica do Chimoio, não se fica atrás e também ressente-se de dificuldades financeiras para pagar o salário dos atletas. O seu presidente, Quinito Todo diz haver incertezas em relação a continuidade de pagamento de salários, uma vez que não tem apoios e apela a todo empresariado de Manica e o governo local para que apoie a equipa a ultrapassar esta fase menos boa, por falta de jogos, que minimizariam as finanças, tendo em conta que a bilheteira é uma das fontes do clube.

 

“Canarinhos” e “locomotivas” olham para infraestruturas desportivas

O Costa do Sol está numa fase de reabilitação do seu campo, com a melhoria de iluminação, mudança da relva sintéctica pela natural, bem como cobertura do seu pavilhão. Ainda assim, Jeremias da Costa diz que o processo é longo e sinuoso “dadas as dificuldades financeiras”.

“Neste momento a prioridade é a iluminação do campo, a substituição do relvado sintéctico e a colocação de um piso com relva natural até nos espaços adjacentes ao campo”, esclareceu da Costa que disse que o orçamento para estes trabalhos todos não é pouco para o orçamento do clube, com destaque para a substituição do relvado sintéctico pelo natural, que está orçado em cerca de 100 a 120 mil dólares.

Mas não é somente o campo de futebol que está na orbita dos “canarinhos”. A Arena do Matchiki Txiki é outra infraestrutura que está no horizonte para ser concluído. “Neste momento estamos a envidar todos os esforços no sentido de encontramos um parceiro para financiar a cobertura do nosso pavilhão”, disse Jeremias da Costa.

Já o Ferroviário de Maputo está ainda numa fase de avaliação do orçamento para as melhorias recomendadas pela CAF para que o Estádio da Machava acolha jogos internacionais.

Jerónimo esclareceu que a demora no início dos trabalhos deveu-se a falta de clareza nas recomendações da CAF, onde estava tudo subjectivo e só depois do esclarecimento da Federação Moçambicana de Futebol é que foi possível iniciar com o processo. “Neste momento estamos a seguir ao detalhe o levantamento de necessidades, que é para poder definir o que se deve fazer, quanto custa e quando se deve fazer a obra”, disse Ângelo Jerónimo, presidente dos “locomotivas” da capital do país.

O Moçambola 2020 ainda não tem data para o seu arranque e a Liga Moçambicana de Futebol já pensa num cenário pessimista de não realização da prova, caso a situação da COVID-19 perdure por mais tempo no país.

 

As federações nacionais das modalidades de alto rendimento defendem que a melhor forma de controlar os atletas que estão a se preparar para os Jogos Olímpicos é juntá-los todos no mesmo local.

Esta proposta foi levantada durante o encontro que tiveram com o Comité Olímpico de Moçambique para estudar as modalidades do início dos treinos.

O presidente da República, Filipe Nyusi, relaxou, na sexta-feira passada, as medidas de prevenção para as atletas de alto rendimento poderem regressar aos treinos, com vista a sua participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio, bem como para aquelas que procuram mínimos para a sua participação nesta competição planetária, que terá lugar próximo ano.

Os atletas e federações agradeceram o gesto do chefe do estado e já tem as setas apontadas para o início dos treinos. 

Mas o Comité Olímpico de Moçambique prefere que este início dos treinos seja feito com muita cautela, por forma a evitar que haja propagação da contaminação da pandemia e os próprios atletas sejam contaminados. Foi dai que esta terça-feira reuniu as federações para estudarem em conjunto as melhores medidas a tomar para um retorno aos treinos sem contratempos, convista a participação dos atletas nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021.

Até porque algumas federações já tem propostas de como iniciar com os trabalhos, mesmo antes de entrarem para a fase de contacto físico ou mesmo em actividades sem distanciamento social. O boxe, por exemplo, apesar de ser uma modalidade de contacto, há etapas para se chegar a essa fase, segundo disse Lucas Sinóia, seleccionador nacional de boxe feminino. “Nós vamos seguir as regras de não contacto para manter os atletas saudáveis e quando chegar o momento do contacto físico, vamos fazer. Por ora estamos a fazer a preparação física e das posições de combate, para além da parte psicológica”, disse Lucas Sinóia.

Na praia também não há diferença. “Uma das questões importantes é a precaução e a segurança no local do treino”, disse Pelágio Pascoal, Secretário-geral da Federação Moçambicana de Voleibol, que diz mesmo que a maior preocupação de todas é a segurança em termos de trajecto casa-local do treino-casa, por forma a garantir que os atletas não sejam infectados durante esse percurso.

Para as atletas de vela e canoagem os treinos iniciaram e nesta segunda-feira estiveram a receber informações sobre como devem agir e as regras que deverão seguir. “Todos os locais de treinamento devem estar higienizados porque para nós é importante que o corona não chegue ao local de treinamento dos atletas”

Mas a maior proposta de todas é de usar a vila olímpica como centro de estágio para um melhor controlo, bem como para melhor avaliação do rendimento dos atletas.

Lucas Sinoia diz que seria mais fácil controlar os atletas estando no mesmo local e que era uma proposta colocada antes mesmo do início da COVID-19.

O Secretário-geral da Federação Moçambicana de Voleibol, Pelágio Pascoal, diz que uma das medidas seria subsidiar os atletas para terem melhores condições de seguir o trajecto em segurança, mas caso não “arranjar-se uma forma de concentrar os atletas num único ponto, para que o controlo seja rígido, uma vez que vamos saber de onde é que os atletas saem, fazem um trajecto conjunto, ou numa hora específica para os locais de treinos e vice-versa e assim as questões de segurança vão estar acauteladas”.

Pascoal fala da Vila Olímpica como local ideal para essa concentração dos atletas, mesmo não conhecendo o estágio actual das casas.

Vila Olímpica é também defendida pelo presidente da Federação Moçambicana de Vela e Canoagem, Hélio da Rosa, que considera que é um local já conhecido pelos atletas, uma vez que estiveram naquele espaço durante os Jogos Africanos de 2011, embora a realizada actual possa ser outra.

Mas da Rosa está seguro que todos atletas no mesmo local seria mais fácil controlar a sua rotina. “Se continuarmos a ter atletas dispersos será complicado geri-los, uma vez que alguns deles apanham chapa durante o percurso que fazem das suas casas até ao local de treinamento podem ser infectados pelo coronavírus”, alega Hélio da Rosa.

A ideia do centro de estágio é comungada pelo gabinete médico do Comité Olímpico de Moçambique que considera ainda que há necessidade de cumprimento das recomendações.

De acordo com Carolina Araújo, do gabinete médico do Comité Olímpico de Moçambique, o encontro serviu mesmo para juntos das federações elaborar-se um protocolo de treinamento, com regras rígidas para salvaguardar a saúde dos atletas, dos seus treinadores e de todos os componentes dos treinos desses atletas qualificados aos Jogos olímpicos. Esta defende que do ponto de vista médico seria mais fácil controlar os atletas se estes estivessem juntos. “Fazes testes aos atletas e treinadores e se eles estiverem todos num centro de estágio vais ter sempre os médicos e pessoal de saúde lá para cuidar da saúde deles”, disse Carolina Araújo que esteve a liderar o encontro desta segunda-feira, juntamente com o Secretário-geral do Comité Olímpico de Moçambique, Penalva César.

Para já, os atletas do alto rendimento já começaram com os treinos com vista a participação nos Jogos olímpicos de Tóquio.

 

O nadador do Sporting de Portugal, o moçambicano Igor Mogne, diz que continua a trabalhar arduamente para marcar presença nos Jogos Olímpicos Tóquio 2021. Igor Mogne diz que a Covid-19 limitou o processo de treinamento e espera voltar em breve a competir.

Longo período a treinar a seco, face ao Estado de Emergência em Portugal. Longo período de incerteza. Longo tempo a treinar condicionado, sem acesso a piscina e muito menos ginásio.

Esta é a realidade vivida por Igor Mogne, nadador moçambicano que evolui no Sporting, em Portugal. Mogne, que  “pisca o olho” aos mínimos oliímpicos que garantem a segunda presença nos Jogos Olmpicos (ndr: estreiou-se há quatro anos no Rio de Janeiro), cumpre ate hoje um plano de treino traçado pelo seu treinador. Força e resistência na ordem do dia.

“É tudo um esforço que tem que ser feito. Não foi fácil fazer porque as pessoas perdem vontade. Queriam continuar a treinar e não sabiam o que fazer, visto que os jogos já haviam sido adiados e não haveriam provas esta temporada. Mas não podia parar pois não pretendia ficar dois ou três meses sem treinar e, depois, começar tudo completamente do zero”, notou o nadador moçambicano.

O futuro é agora! Cada segundo, cada minuto, cada hora e cada dia são fundamentais para se manter em forma.

Portugal anunciou há dias as medidas de desconfinamento. O desporto, ou melhor, os atletas de alto rendimento naquele país tem já autorização para, a partir de hoje, voltar a treinar na piscina e fazer uso do ginásio do Centro de Alto Rendimento (CAR) de Natação do Jamor, em Oeiras, depois do encerramento das instalações, em 14 de março, devido à pandemia de covid-19.

“Agora que o Estado de Emergência acabou, abriram algumas piscinas no país para ver se os atletas de alta competição que estão em preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio possam começar a entrar, podemos dizer, em preparação ou retornar à actividade para não se perder mais do que já se perdeu. Já se perdeu imenso trabalho. A ideia é, em princípio, começar a treinar o mais breve possivel”, comentou, a prosito, Igor Mogne.

Individualmente, quais são os seu planos a partir de agora para treinar? “Não sei. Não consigo lhe dar uma ideia de como vai ser e do plano que o treinador tem porque não sabemos como é que vai ser. O que vai mudar e o que se vai fazer. O primeiro plano é ter acesso à piscina e começar a treinar. Depois, ver como é que pode ser”, frisou um dos mais promissores nadadores da actualidade.
Há dias, o Comité Olímpico de Moçambique (COM) irá continuar a apoiar os atletas nacionais bolseiros até Junho de 2021.

Mogne diz que a agremiação tem dado o seu suporte até o momento. “O Comité Olímpico de Moçambique tem me apoiado o suficiente. Tem feito todos os possiveis para para que eu consiga manter-me em actividade ou começar a actividade com os que estao em preparação olímpica cá em Portugal com o Comité  Olímpico de Portugal e Federação de Natação”, esclareceu.

O nadador bolseiro acresceu: “Eu não faço parte do programa deles, sou mais um atleta. Sou um atleta estrangeiro para eles. Então, eles fizeram um pedido para ser integrado no plano deles para que, quando se começasse a treinar,  ponderarem a minha situação. Isto é: se estao disponíveis ou não a integrarem-me”.

Estar entre a nata do desporto mundial e fazer melhor do que em 2016, no Brasil, é a grande aposta de um dos melhores nadadores do país. A vontade de superar as adversidades é grande.

“Agora que os Jogos Olímpicos foram adiados, as minhas expectativas não mudam. Vão ser as mesmas: é continuar a representar Moçambique ao mais alto nível que eu consiga. Agora que terei mais um ano para me preparar, tentar estar melhor do que estaria se os jogos se realizassem este ano. Isso tendo em conta que ainda não obtive o minimo olímpico e essse é o objectivo para Tóquio”.

O presidente da Associação Black Bulls diz que o complexo desportivo do clube que está a ser erguido na Matola vai beneficiar, não só a sua colectividade, mas a todos os clubes do país, bem como da região austral, que poderão usar o local como centro dos seus estágios. Já o Secretário de Estado do Desporto mostrou-se satisfeito com o andamento das obras que estão perto do seu final.

O monstro da Matola está a erguer-se a olhos vistos. A cidadela desportiva, ora denominada Matola Stadium está a ficar composto a cada dia que passa, quase dois anos depois do lançamento da primeira pedra.

Os compartimentos que fazem parte da estrutura principal, nomeadamente o campo principal, o campo de treinos, as dependências dos balneários, das reuniões técnicas e dos encontros entre os treinadores e jogadores para estudarem os adversários, bem como as residências para os jogadores da colectividade, estão num ritmo bastante agradável.

E foi para dar mais incentivo aos proprietários da infraestrutura, nomeadamente a Associação Black Bulls, que o Secretário de Estado do Desporto, Gilberto Mendes visitou o empreendimento, esta segunda-feira, e disse estar satisfeito com a forma como a infraestrutura está a ser construída. 

Alías, Gilberto Mendes fazia-se acompanhar dos presidentes do Ferroviário, Costa do Sol e Desportivo, ambos de Maputo, bem como do Textáfrica do Chimoio, como forma de incentivar essas clubes, e outros do nosso país, a não descansar na sombra da bananeira, mas arregaçar as mangas e colocar as suas infraestruturas no mesmo nível, “o nível internacional”.

A impotência do Matola Stadium não impressionou apenas ao Secretário de Estado do Desporto, mas a todos os presentes, que dois anos depois viam um enorme monstro a ser levantado.

São quatro campos de futebol projectados, sendo dois já na fase terminal, nomeadamente o de jogos oficiais e de treinos, ambos de relva natural, enquanto os outros dois estão ainda a ser “cozinhados”, com a limpeza do espaço onde vão ser construídos, e estes outros dois terão relva sintéctica.

As bancadas terão capacidade para dez mil pessoas sentadas e numa primeira fase será somente a bancada central, com a tribuna de honra, o palanque presidencial, espaço para jornalistas e para os espectadores. Só mais tarde serão construídas as bancadas laterais e da bancada sol.

 

Inspirado pelo projecto ambicioso

Juneid Lalgy, presidente da Associação Black Bulls, esclareceu, na ocasião, que ganhou coragem para erguer a infraestrutura movido pelo desejo de dirigir um clube com projectos ambiciosos. Disse que este pensamento surgiu quando ainda era dirigente do Clube do Chibuto e percebeu que “qualquer projecto na área desportiva é preciso ter infraestruturas e de contrário, dificilmente poderá singrar”. E foi o que pensou e fez, para ver a Associação Black Bulls a singrar no mundo do futebol.

Para o presidente desta colectividade dona do empreendimento, a infraestrutura vai beneficiar a muitos clubes nacionais, que poderão realizar naquele espaço os seus estágios pré-competitivos, bem como os da região, também para os seus estágios, para além de poder ser um espaço para torneios internacionais das camadas de formação.

Por isso mesmo, no projecto, há ideia de construção de um hotel para as equipas visitantes e estagiárias. 

Em termos de custos de construção, o presidente da Black Bulls preferiu não orçar no início, pois “se tivesse feito assim, não teria feito nada. Teria desistido!” E diz que prefere esperar pelo final da construção para fazer as contas, uma vez que “valerá o produto final que vai beneficiar o futebol moçambicano”, disse.

 

Acompanhantes satisfeitos com a infraestrutura

Os presidentes das colectividades desportivas nacionais, nomeadamente do Ferroviário, Costa do Sol e Desportivo, ambos de Maputo, e do Textáfrica do Chimoio, bem como os capitães da selecção nacional, que acompanharam o Secretário de Estado do Desporto nesta visita, mostraram-se impresionados com a infraestrutura da Black Bulls.

Para estes, esta é uma forma de provar que “quando há vontade de fazer, tudo pode ser possível”, para além de que “vai engrandecer o futebol moçambicano”. 

Aliás, segundo estes, há espaço para mais clubes copiarem o projecto e se guiarem com o mesmo espírito de ver infraestruturas desportivas atingirem o nível internacional.

A ideia da Associação Black Bulls é colocar a infraestrutura num patamar que permita que a colectividade seja conhecida e reconhecida internacionalmente, para o bem do futebol moçambicano.
 

Domingues e Mexer lamentam paragem do futebol devido a pandemia da COVID-19Os capitães dos Mambas, Domingues e Mexer, dizem que a paragem do futebol derivado da pandemia do coronavírus foi um duro golpe nas suas carreiras, mas asseguram que não vai prejudicar a sua forma física.

A pandemia do novo coronavírus paralizou a disputa dos principais campeonatos nacionais de futebol em quase todos países, isto há sensivelmente um mês e meio, e na França e na África do sul não houve excepção.

Uma paragem que obrigou Domingues, jogador do Bidvest Wits da África do Sul e capitão dos Mambas, a interromper a época, que ainda não tem data para retomar, e Mexer, jogador do Bordéus da França e também um dos capitães dos Mambas, a terminar mais cedo a sua época. Os dois jogadores assumem que foi um momento triste e negativo para o futebol e para os respectivos campeonatos, já que “tudo ficou parado, nenhuma equipa está a praticar o futebol e isso prejudicou a todos”, tal como disse Domingues. 

Já Mexer diz mesmo que não foi fácil terminar o campeonato do jeito como terminou, ainda mais sem saber como ficou a situação do seu clube, em função da classificação que foi feita pela federação francesa de futebol, para acomodar equipas que vão disputar as competições europeias e as que vão descer de divisão. “Nunca fiquei tanto tempo sem competir e tem sido difícil para mim, mas é preciso manter o profissionalismo”, assegura Mexer.

Os dois jogadores assumem que está paragem não vai prejudicar a sua forma física, por estarem a realizar treinos caseiros com orientações das respectivas equipas técnicas e isso ajuda a manter a forma física.

Relativamente à selecção nacional, com a remarcação da dupla jornada diante dos Camarões para Setembro, de qualificação ao CAN 2021, pela CAF, e os capitães da equipa de todos nós dizem aguardar com ansiedade a partida. “Penso que todo mundo apreciou o ritmo da selecção, os resultados que tínhamos e a não disputa dos jogos em Março pode ter desestabilizado um pouco a confiança, mas vamos dar continuidade ao que fazíamos de bom”, disse Mexer, tendo Domingues acrescentado que “os objectivos não mudam, são sempre os mesmos, de jogo-pós-jogo tentar ganhar e qualificar a selecção ao CAN”.

Domingues e Mexer encontram-se no país desde a paragem dos respectivos campeonatos, há sensivelmente 45 dias e esta segunda-feira acompanharam o Secretário de Estado do Desporto, Gilberto Mendes, na visita que efectuou ao Matola Stadium, infraestrutura da Associação Black Bulls.

 

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