O País – A verdade como notícia

Texto: FLM

Os herdeiros do poeta e nacionalista Rui de Noronha – a sua filha, Elsa de Noronha, e seus netos, André de Noronha e Magda de Noronha – vão doar o espólio do poeta à Biblioteca Municipal Central de Maputo, uma oferta que será formalizada sexta-feira, com a entrega de um primeiro lote de documentos, entre os quais se contam os apontamentos e notas, revistas, jornais, poemas, correspondências, crónicas, cadernos e álbuns de música, que futuramente serão disponibilizados “online”.

 O espólio do poeta Rui de Noronha vai ser doado no dia 28 à Biblioteca Municipal Central de Maputo, cumprindo-se uma vontade da família, revelou à coordenação da Feira do Livro de Maputo.

A coordenação da Feira do Livro de Maputo refere que esta será uma doação “sem contrapartidas”, ficando a Biblioteca Municipal Central de Maputo responsável pelo “tratamento, gestão, conservação e disponibilização do espólio literário para leitores, pesquisadores e munícipes”.

“Rui de Noronha possuiu, em alto grau, o desejo de perfeição formal, uma verdadeira consciência de artista e do seu ofício o que, aliado ao pendor esteticista, pode explicar algumas alterações que têm sido contestadas como autênticas traições aos originais”, afirmou Fátima Mendonça, professora de literatura moçambicana, pesquisadora e organizadora da obra completa de Rui de Noronha reunida em Os meus versos, publicada pela Textos Editores, 2006.

A sessão formal de doação acontece no dia 28, com as presenças do Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Eneas Comiche, membros do Governo, corpo diplomático acreditado em Moçambique e a representante da família, Magda de Noronha, no ano em que se comemoram os 80 anos da morte do poeta Rui de Noronha.

“Ao examinar pela primeira vez o espólio, que me foi facultado em 1987 por Elsa Noronha, pude verificar a existência das alterações manuscritas, atribuídas ao Dr. Reis Costa, sobre os dactiloescritos, tendo grande parte dos sonetos ficado praticamente ilegível. À margem, e com a mesma caligrafia apareciam por vezes anotações do tipo Bom ou Fraco que confirmam o espírito classificativo que animaria o seleccionador e prefaciador dos poemas…”, sublinha a crítica literária Fátima Mendonça.

 

 

Esta quarta-feira, às 18 horas, os actores Sufaida Moyane e Miguel Nunes (Portugal) vão dinamizar uma noite de leitura no Camões – Centro Cultural Português em Maputo.

Durante o momento, os actores vão ler excertos de livros seleccionados, como por exemplo “O medo”, de Al Berto, “A importância do pequeno almoço”, de Francisca Camelo, e “Marizza”, de Mélio Tinga, e debater com o público o que mais os inspira nestes títulos.

Segundo a nota de imprensa do Camões, os dois atores integram, neste momento, o elenco do espectáculo As areias do imperador, com encenação de Victor de Oliveira, uma adaptação livre do romance homónimo de Mia Couto, com ensaios a decorrer entre a cidade de Maputo e a cidade de Aveiro. Esta é uma produção da En Votre Compagnie, Paris e do Teatro Nacional Dona Maria II, Teatro Nacional de São João, e com o apoio do Centro Cultural Franco-Moçambicano, do Camões – Centro Cultural Português de Maputo e Paris.

Sufaida Moiane, de 28 anos de idade, natural e residente em Maputo. Actriz recém-formada em Teatro pela Escola de Comunicação e Artes, da Universidade Eduardo Mondlane,  onde inicia a sua experiência nas artes cénicas. Tem trabalhado como actriz e contadora de histórias (para crianças) desde 2014. Participou em festivais e intercâmbios culturais no Brasil e na Alemanha, no Festlip e no Framewalk, respectivamente; trabalhou como actriz no projeto e espectáculo Identity, a blood romance do encenador alemão Jeans Vilela Neumman; participou em filmes nacionais tais como O dia dos homens e nada para nós sem nós, e em séries de radionovelas nacionais: Fatias da vida e uma geração na encruzilhada.

Recentemente, esteve no projeto Netos de Ngungunyane, uma co-produção do Teatro O Bando, de Portugal, Teatro do Instante, do Brasil, e, da Fundação Fernando Leite Couto, de Moçambique. Deste projecto nasceram três versões de espectáculos que foram apresentados nos três respetivos países participantes, entre Outubro de 2018 e Fevereiro de 2019. Actualmente, Sufaida Moyane faz também parte do projecto Incêndios, de Victor de Oliveira, espectáculo que foi a apresentando numa primeira fase no Centro Cultural Franco-Moçambicano.

Para além de actuar, Sufaida Moyane também dirige espectáculos infantis, alguns com “actores infantis”; é, actualmente, professora de português e teatro infanto-juvenil, na Nyoxani Centro de Desenvolvimento Pessoal, que é uma escola inclusiva. Um dos maiores sonhos da Sufaida é realizar um “festival de teatro de crianças para crianças”.

Miguel Nunes nasceu em Lisboa, é actor Licenciado em Teatro-Actores pela Escola Superior de Teatro e Cinema em 2012. Concilia os estudos com o início do seu percurso no cinema sob a direcção de Alberto Seixas Santos no filme E o tempo passa, e mais tarde com a realizadora Teresa Villaverde em Cisne, filme que lhe valeu o Prémio Jovem Talento no LEFFEST.

Em 2016, protagoniza o filme Cartas da guerra, de Ivo M. Ferreira, aclamado pela crítica internacional na sua estreia na Berlinale, no qual interpreta António Lobo Antunes. Filmou ainda com realizadores como Rita Nunes, Mavi Phillips, João Botelho, Mónica Lima, entre outros. Realiza o seu primeiro filme curta-metragem Anjo, com estreia nacional na competição nacional do Indielisboa, em 2018, e marcou presença também em diversos festivais internacionais de cinema.

Em televisão e no streaming, protagonizou, recentemente, a série Glória para a Netflix, onde interpreta o agente do KGB João Vidal. Trabalho este que lhe valeu o reconhecimento com a premiação de melhor actor de ficção nos Globos de Ouro de 2022 da SIC. Integrou ainda os elencos de séries e novelas como Dentro, Codex 632, SUL, Filhos do Rock, Paixão, Na corda bamba e a série francesa Yes I Do para o Canal+.

Brevemente, poderá ser visto no cinema como Alberto Caeiro em Não sou nada, filme de Edgar Pêra sobre os heterónimos de Fernando Pessoa, e também na última longa metragem de Rita Nunes O melhor dos mundos.

Em Teatro, o seu trabalho inicia-se com espectáculo infantil de Jorge Amado, O gato malhado e a andorinha sinhá. Prosseguindo o seu percurso profissional, actuou na peça Os marginais e a revolução de Bernardo Santareno, e, mais recentemente, em Pela água no Teatro Aberto, Teoria da Relatividade no Teatro Meridional, Arquivo Presente no Teatro Oficina de Guimarães e com os criadores Tiago Vieira, André Uerba e Rita Morais.

 

 

A Editorial Fundza vai lançar, às 17 horas desta quarta-feira, 26 de Julho, na Biblioteca Central da Universidade Pedagógica de Maputo (Museu), Padecer das rosas, de Emerson Job Mapanga. O livro será apresentado pelo actor e encenador Joaquim Matavel.

A obra Padecer das rosas retrata a história de Rosita, uma personagem que personifica o drama por que passam várias mulheres moçambicanas condenadas ao sofrimento por não conseguirem conceber. Em três actos, o texto teatral representa a realidade nacional com originalidade, fazendo de Albazine, o marido de Rosita, o reflexo de uma atitude preconceituosa generalizada.

Através do livro Padecer das rosas, Emerson Job Mapanga participa no debate público sobre o impacto do patriarcado na definição do destino das raparigas e das mulheres. Os diálogos entre as personagens centrais do enredo apontam uma reflexão que se pretende profunda e abrangente.

A cerimónia de lançamento vai incluir a apresentação de alguns episódios da história encenadas pelo Grupo Teatral Mintso.

O Padecer das rosas é um livro seleccionado na primeira Chamada Literária Fundza 2021/22.

Emerson Job Mapanga nasceu em 1982, em Maputo. É licenciado em Teatro pela Universidade Eduardo Mondlane e pós-graduado em Psicopedagogia pela Universidade Pedagógica de Maputo. Trabalhou como professor nas aldeias de Pfukwe e Chinhequete, no Distrito de Mabalane, em Gaza. Também trabalhou na Escola Comunitária Ntwananu, onde, para além de ser professor, desempenhou a função de Director da Escola, na Cidade de Maputo. Participou na elaboração dos módulos para o Ensino à Distância PESD2. Fez estágio profissional como docente na disciplina de Didáctica de Educação e Expressão Dramática no curso de Licenciatura em Ensino Básico, na Universidade Pedagógica. Teve participação como actor e encenador na Associação Girassol. Participou da formação de vários grupos como encenador, dramaturgo e actor. Actualmente, é professor primário no Distrito de Boane, na Província de Maputo.

 

 

Às 13 horas do próximo sábado, será apresentada, na Galeria do Porto de Maputo, a peça teatral infantil “A formiga Juju e a Borboleta Mwarusi”.

Segundo uma nota de imprensa, a peça retrata a história de uma formiga e dos seus amigos de infância, um grilo e uma borboleta, com os quais passa horas a conversar sobre sonhos. O que a Borboleta Mwarusi mais quer é saber voar. Para isso, deve se focar em aprender, apesar das distrações.

O evento é parte das propostas semanais para os mais novos – pensadas numa parceria entre a Xiluva Artes e a Galeria. “A participação das crianças neste tipo de actividades lúdicas é fundamental para o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colaborando para uma saúde mental estável”, lê-se na nota de imprensa.

 

Mama´s eleeping scarf é o título da escritora nigeriana, Chimamanda Ngozi Adichie, que será editado em português, changana, sena, macua e braile, pela Trinta Zero Nove. O infanto-juvenil chega às livrarias moçambicanas em Setembro.

 A editora Trinta Zero Nove possui, no seu catálogo, títulos relativos a diferentes géneros literários. Entre os quais, feeling e feio, de Danai Mupotsa (poesia, África do Sul); O céu é um disco azul, de Carolina Schutti (romance, Áustria); Eu não tenho medo, de Niccolò Ammaniti (romance, Itália); Beirute Noir, de Iman Humaydan (conto, Líbano); Bagdade Noir, de Samuel Shimon (conto, Iraque); O menino e a velhinha das flores, de Samira Weng e Silvia Toson (infanto-juvenil, Moçambique); e Fazia-se cá esqui?, de Raymond Antrobus e Polly Dunbar (infanto-juvenil, Reino Unido).

Na verdade, depois de lançar O caderno sem rimas da Maria, de Lázaro Ramos (Brasil); e Sulwe, de Lupita Nyong’o (Estados Unidos), desta vez, a editora propôs-se editar o infanto-juvenil Mama´s eleeping scarf, da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Em Moçambique, o livro terá uma edição em português, changana, sena, macua e braile, pois o interesse da editora é que, num projecto inclusivo, mais pessoas possam ter a possibilidade de ler histórias sem que o factor língua seja um constrangimento.

De igual modo, com a tradução de Mama´s eleeping scarf para changana, sena e macua, a Trinta Zero Nove pretende contribuir para, pelo menos, minimizar a escassez de literatura escrita naquelas três línguas bantu faladas em Moçambique.

“A grande novidade é que nós estaremos a publicar, nos PALOP, a estreia literária de Chimamanda Ngozi Adichie no infanto-juvenil. Mama´s eleeping scarf sairá pela Trinta Zero Nove e, simultaneamente, será disponibilizado nos Estados Unidos e no Reino Unido”, disse Sandra Tamele, que, neste momento, se encontra a trabalhar na tradução do texto original do inglês para português.

Considerando o alcance linguístico que se perspectiva com a tradução de Mama´s eleeping scarf, a Trinta Zero Nove espera que a obra literária da escritora nigeriana tenha adesão em Moçambique, até porque, segundo afirmou Sandra Tamele, de nada vale editar bons livros se ninguém os ler.

A aquisição dos direitos autorais para edição de Mama´s eleeping scarf, de Chimamanda Ngozi Adichie, foi anunciada pela Trinta Zero Nove, semana passada, em Maputo, num ano em que a instituição foi laureada Editora do Ano em África, para área do infanto-juvenil, durante a Feira Internacional de Bologna, Itália, em Março. “Num universo de cinco mil editoras em que estiveram presentes na Feira do Livro de Bologna, o maior voto, para África, foi para Trinta Zero Nove. É um orgulho, como moçambicana e como editora dos PALOP. Somos um projecto com cinco anos e que há ano e meio trabalha com o infanto-juvenil. É uma honra e uma grande responsabilidade, ao mesmo tempo”, reconheceu a tradutora Sandra Tamele.

A edição portuguesa, changana, sena, macua e braile de Mama´s eleeping scarf, de Chimamanda Ngozi Adichie, pela chancela da Trinta Zero Nove, chega às livrarias em Setembro deste ano.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Texto: FLM

Ana Paula Tavares (Angola), João Rasteiro (Portugal), Cristiane Sobral (Brasil) e Filimone Meigos, Dama do Bling, Hirondina Joshua, Francisco Noa, Lourenço do Rosário e Priscila Sithole (Moçambique) são alguns nomes confirmados para a presente edição da Feira do Livro de Maputo.

 

A programação de mesas e debates em torno do tema central da 9ª edição da Feira do Livro de Maputo, “Surge et ambula: a literatura na construção da cidadania”, traz importantes escritores e intelectuais dos países falantes da língua portuguesa. Durante os três dias de Feira – 27 a 29 de Julho –, mais de 30 convidados compartilharão suas experiências, obras e pesquisas nos debates que terão lugar no Paços do Município e serão transmitidos pelos canais digitais da Feira do Livro de Maputo com acesso gratuito.

 

Francisco Noa, ensaísta, pesquisador e professor de literatura moçambicana, um dos críticos literários de maior destaque no país, conversa com o embaixador Ademar Seabra da Cruz Júnior, da República Federativa do Brasil em Moçambique, o embaixador da Republica de Portugal em Moçambique, António Costa Moura, o escritor homenageado Mia Couto e o professor, pesquisador e crítico literário Lourenço do Rosário, na mesa de abertura do evento subordinada ao tema “Diplomacia cultural em questão: Desafios e perspectivas de uma integração comunitária por meio da cultura ”, na quinta-feira (27/07), às 17 horas. No mesmo dia (27/07), às 19 horas, o destaque para a mesa “Literatura escrita em língua(s) portuguesa(s): Entre a palavra e o mistério”, com a participação da poeta e pesquisadora angolana Ana Paula Tavares, que estará em boas mãos dos poetas João Fernando André (Angola) e João Rasteiro de Portugal, sob a condução da professora e pesquisadora brasileira Simone Schmidt.

Um dos encontros confirmados para a sexta-feira (28/07), às 10 horas, vai abordar o assunto “Globalização e multiculturalidade: a língua e a literatura como instrumentos de cooperação”, com os convidados Filimone Meigos e Lupwishi Mbuyamba, sob a mediação de Sarita Monjane Henriksen. Ainda na sexta, às 11 horas, a mesa “Literatura e Direitos Humanos: que caminhos para democratizar o livro e a leitura?” traz ao Paços do Município, como convidados do debate juristas que se dedicam a escrita literária, nomeadamente, Carlos Mondlane, Custódio Duma e Dama do Bling.

Pelas 13 horas, do mesmo dia (28/07), o destaque é para a apresentação com o assessor especial do Gabinete da Secretaria da Educação do Estado da Bahia, “A experiência de nacionalização e internacionalização das Feiras Literárias da Bahia”, Jocivaldo dos Anjos. E, às 14 horas, os destacados escritores da nova geração das letras moçambicanas premiados recentemente em Portugal e coordenadores do “Objecto oblíquo”, o poeta David Bene e o prosador Mélio Tinga participam de uma conversa no Centro Cultural Moçambicano-Alemão, sobre o futuro do projecto cuja moderação estará sob o comando do poeta e ensaísta português António Cabrita.

Já no Paços do Município, à mesma hora (14), o jornalista José dos Remédios dirige a mesa cujo o mote do debate é uma frase de Mia Couto, “A minha pátria é outra e ela está ainda por nascer”, na companhia dos poetas moçambicanos Armando Artur, Hirondina Joshua e da escritora brasileira Cristiane Sobral. Ainda na sexta-feira, pelas 15h50, a Ethale Publishing orienta uma oficina no Átrio do Município intitulada “ Digitalização e Indústria do Livro em Moçambique”.

De seguida, os escritores Felisberto Botão e Valério Maunde sob os auspícios da Ethale Publishing protagonizam uma sessão de conversa sobre os seus livros “Ser espiritual: o poder do seu eu invisível” e “Ausências, intermitências e outras incompletudes”.

Teresa Manjate e Gustavo Cerqueira, pesquisadores e professores de literaturas moçambicana e brasileira, respectivamente, apresentam o livro por eles coordenados “Estórias para além do tempo: Paulina”, às 15 horas. E o Presidente do Conselho Municipal, Eneas Comiche, fecha a programação do dia, com Homenagem ao poeta e nacionalista Rui de Noronha (a título póstumo), às 17 horas.

O último dia da Feira do Livro, sábado (29/07), a programação de debates tem abertura às 09 horas e 30 minutos, com a mesa virtual “Minha pátria é minha língua”. E, às 9 horas e 45 minutos, a escritora Priscila Sitole apresenta o seu livro de estreia “Amor? Às vezes sim. Outras vezes não”.

As 11 horas, o Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Eneas Comiche e a Ministra da Educação e Desenvolvimento Humano, Carmelita Namashulua, dirigem a Cerimónia de entrega de prémios aos vencedores do Concurso Literário de Prosa e Poesia. De seguida os escritores brasileiros Rómulo Neves e Cristiane Sobral apresentam seus livros, nomeadamente, “Terminal e Ponto Cego” (poesia) e “Caixa Preta” (conto) e ás 16 horas, o Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Eneas Comiche, fecha o certame, com a Homenagem ao escritor moçambicano Mia Couto.

 

 

Boleia à chave da felicidade, da autoria de Roberto Savanguanni, é o título do mais recente livro da Editorial Fundza, que será lançado às 17 horas desta sexta-feira, na Biblioteca Central da Universidade Pedagógica de Maputo (Museu).

Com aproximadamente duzentas páginas, o livro de Roberto Savanguanni é constituído por sete capítulos, designadamente: Apresentação; O despertar da iluminação do sonho; A esperança alimenta o sonho; A persistência cria ideias; Relatórios especiais; Resumo relatórios 16: os três diamantes; e Resumo do relatório: conclusivo.

Conforme sugerem os capítulos, trata-se de um livro que, não obstante o seu carácter literário, pretende ser um exercício motivacional, capaz de apoiar o leitor rumo a uma postura positiva em relação aos eventos diários e à vida em sociedade. Por isso mesmo, na Boleia à chave da felicidade, o amor é um belo complexo que se constrói no solo insubstituível do próximo.

No livro de Roberto Savanguani, é com o amor que a vida se torna útil para nós e para o outro, pois nos protege da erosão do coração e da mente. Tal fundamento proporciona condições mais do que suficientes para a edificação do bem-comum ao nível individual e social.

Roberto Savanguanni, pseudónimo de Roberto Armando Savanguane, nasceu a 06 de Dezembro, em Maputo. É escritor, poeta, empreendedor e estilista moçambicano. Estudou Gestão de Transportes. Foi actor de teatro e gestor.

São ao todo mais de 500 alunos que deixam de estudar ao ar livre e sentados no chão com a entrega, terça-feira, da Escola Primária de Senga, distrito de Palma, província de Cabo Delgado, requalificada pelo projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies.

Aos cânticos e aplausos, as crianças da aldeia de Senga, distrito de Palma, província de Cabo Delgado, olhavam o movimento anormal de pessoas e para a sua escola que estava com a entrada isolada de fitas e com uma flor.

Não faziam ideia do que podia estar a acontecer. Mas era um prenúncio de que estava na hora de abandonar as árvores, tendas improvisadas e salas de construção precária para salas de alvenaria e mais modernas.

As memórias que os alunos têm das aulas no passado não são das melhores, sobretudo em dias de chuva. “Quando chovesse, nós não tínhamos aulas porque nem nós nem os professores nos fazíamos presentes na escola. Ainda que as condições não fossem das melhores, tentávamos estudar”, contou Elsa Jaime, aluna da Escola Primária Completa de Senga.

E nos dias de sol, as crianças eram nómadas em função da posição da sombra das árvores, aliás, das suas salas. Sem carteiras, os alunos escreviam as linhas do seu futuro sentados no chão.

“Estudar daquela maneira era um grande sofrimento para nós. Mas, agora que temos uma nova escola, estamos mais motivados e pedimos aos professores que estejam firmes porque as coisas melhoraram”, revelou Ernesto Duve, também aluno da Escola Primária de Senga.

Se a educação era um sofrimento para os alunos, para os que se dedicam a ensinar era incontáveis vezes pior. “Era muito difícil porque, no tempo chuvoso, obrigávamos os alunos a abandonar para ir à casa porque não é possível dar aulas numa mangueira. Com a nova escola, vai mudar muita coisa. Faça chuva, faça sol, estaremos sempre a trabalhar”, disse Morez Abai, professor da Escola Primária de Senga, num tom entusiasmado.

E o corte de fita, que parece simples, é que abre a porta para a mudança na Escola Primária Completa de Senga, distrito de Palma, em Cabo Delgado.

A infra-estrutura escolar entregue, esta terça-feira, pelo governador da província de Cabo Delgado, foi requalificada com o financiamento do projecto Mozambique LNG, liderado pela multinacional TotalEnergies.

São quatro salas com carteiras e a parte administrativa devidamente equipada. A escola tem corrente eléctrica com base na energia solar. O investimento é de cerca de 500 mil dólares.

“Tudo o que vamos fazer, queremos fazer juntos. Cada passo que damos, cada obra que fazemos, eu acho que é justo e é necessário que sejam as pessoas de Cabo Delgado, de Palma, de Senga que se beneficiem e tenham trabalho, também”, indicou o director-geral da TotalEnergies, Maxime Rabilloud.

Com o regresso da população às zonas de origem, depois de deslocadas pelos ataques terroristas, o governador da província de Cabo Delgado destacou a importância da infra-estrutura escolar.

“As obras que aqui foram erguidas vão aliviar a fadiga de muitas das nossas crianças que o distrito de Palma tem, num total de 18 892 alunos, onde destes 8692 são raparigas”, sublinhou Valige Tauabo, governador da província de Cabo Delgado.

Os habitantes da aldeia da Maganja, ainda no distrito de Palma, já andam com os pés bem assentes sobre um passadiço, mas nem sempre foi assim. “Para fazer a travessia, tinha que ser de barco ou tirar a roupa para poder mergulhar”, descreveu Faizal Momade, residente da Maganja, Cabo Delgado.

E nem é passar por lazer. A população da Maganja tem na pesca a sua fonte de sustento e este é o único caminho que as leva ao mar.

“Estamos felizes com o passadiço e vamos fazer a travessia sem medo de sermos atacados por crocodilos. Nos dias de chuva, atravessávamos mesmo com a água perto do pescoço”, afirmou Zenabu Momade, também residente de Maganja.

Também inaugurado esta terça-feira, a construção do passadiço foi financiado pelo projecto LNG, no valor de 300 mil dólares.

Com uma extensão de mais de 100 metros, a vida útil da infra-estrutura é de mais de 15 anos. E em dias de muito calor, a descida para um banho refrescante também está facilitada.

Luís Nhachote lançou, esta terça-feira, no Sindicato Nacional de Jornalistas, na Cidade de Maputo, Phambeni – cartas ao presidente Chissano. O livro de crónicas tem o prefácio assinado pelo antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, e foi apresentado por Ungulani ba ka Khosa.

No espaço reservado à nota do autor do seu livro, Luís Nhachote afirma o seguinte: “Decidi, vinte anos depois, ir aos arquivos do mediaFax buscar as 40 crónicas que escrevi ao então Presidente da República, Joaquim Chissano, e que dão corpo a este pequeno livro, com a intenção de preservar a ‘memória histórica’ da nossa democracia embrionária. Fi-lo com a intenção de não deixar, no esgoto da memória, que a cidadania activa pode – e deve continuar – a ser exercida dentro dos limites da decência e urbanidade”.

Durante 40 semanas, Luís Nhachote escreveu 40 crónicas ao Presidente da República, Joaquim Chissano. Ao publicá-las em livro, esta terça-feira, na Cidade de Maputo, uma vez mais, o jornalista percebeu que o seu exercício foi um acto de cidadania, dito e argumentado pelo apresentador do livro Ungulani ba ka Khosa: “Foi uma alegria, para mim, apresentar o livro de Nhachote, porque representa, quer para a classe jornalística, quer para a classe dos escritores e toda a classe intelectual, um exercício de cidadania que, há 20 ou 30 anos, já se vinha exercendo”.

Segundo Ungulani ba ka Khosa, numa altura em que se verificam pressões de alguns poderes sobre os cidadãos, o livro de Luís Nhachote demonstra, de uma vez por todas, que o exercício da cidadania tem de estar presente em todos os moçambicanos.

Concordando com o apresentador do seu livro, Luís Nhachote, primeiro, confessou que Ungulani ba ka Khosa fez uma análise do seu projecto muito além do que antes tinha imaginado. De seguida, assumiu que, de facto, Phambeni – cartas ao presidente Chissano, “É um dos principais exercícios de cidadania que eu tive como moçambicano jovem que até teve o privilégio de votar em todas as eleições realizadas em Moçambique”.

Apesar desse necessário exercício de cidadania, Luís Nhachote lembrou, no Sindicato Nacional de Jornalistas, que as suas crónicas foram vistas, pelos mais velhos do seu tempo, colegas alguns, como um acto de ousadia. Firme nos seus processos, com efeito, o então jovem jornalista continuou a trilhar veredas consciente de que, o que quer que escrevesse, a cordialidade deveria sempre manter-se como um factor presente nas crónicas. “Eu escrevi as minhas cartas com muito respeito à figura do então Estadista e não tive nenhum problema até ao fim do seu consulado, tanto que, no fim das cartas, eu me despedi e desejei-lhe boa sorte”.

20 anos depois, entretanto, quem se considera sortudo é o autor do livro, Luís Nhachote, porque, afinal, mereceu o prefácio de Joaquim Chissano. “Nem consigo descrever. Ter o prefácio do próprio visado das minhas cartas é uma bênção. Penso que o Presidente insuflou nos moçambicanos que é possível fazer coisas com base no respeito e nos princípios”.

Phambeni – cartas ao presidente Chissano é um livro constituído por 101 páginas e foi lançado em cerimónia no Sindicato Nacional de Jornalistas, na Cidade de Maputo, sob a chancela da Gala Edições.

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