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O Espaço Cultural 16 Neto realiza a terceira edição do Hot November, que vai decorrer no dia 18 deste mês, das 10h às 22h.
Hot November é um evento que conta com uma colectânea de actividades como: feira, workshops, performances e diversos.

As apresentações musicais do Hot November terão início às 15h. Shelcia Mac fará o concerto de abertura, apresentando a sua mais recente obra musical intitulada “Regalia”, cuja composição deriva do estilo alternativo mesclado a vários géneros musicais. Em seguida, às 16h10 do dia 18 de Novembro, no 16Neto, Lenox Cambula tomará conta do palco apresentando o “Sentimento proibido”, onde por meio da sua voz contará histórias prazerosas e dolorosas como fases que compõem um relacionamento.

Quando forem 17h20, The Rose tomará o controle do palco apresentando a sua performance intitulada “BitterSweet”, uma jornada musical que explora nuances da vida, alternando entre momentos agridoces. Com essa obra, avança a nota de imprensa, a artista convida o público a explorar o seu verdadeiro eu e a evolução constante que busca como ser humano. Sua performance ao vivo busca reconhecer as complexidades da existência humana, abordando várias perspectivas e facetas dessa experiência.

A performance de Cynthia Soares, a ser apresentada este sábado, às 18:30, terá como tema “Etapas”, uma narrativa de um relacionamento que terminou em decepção, tendo como foco os sentimentos da pessoa que foi magoada. Cada música irá representar uma etapa do relacionamento desde o início até o término.

Para encerrar em grande estilo, Mano Keyce dará o seu “O último canto”, uma experiência musical misturada entre easy listening e groove, apresentando os géneros Chill-out, Lo-fi, e PandzaLove, que é uma versão “romântica” do pandza.

Dois programas financiados pela União Europeia no sector cultural, PROCULTURA PALOP-TL e ACP-EU Culture, vão apoiar a participação de cinco artistas no Festival Internacional de Dança Contemporânea KINANI, em Maputo.

Os programas da União Europeia, avança uma nota de imprensa, estão a organizar conjuntamente um painel de discussão sobre o tema “Dançar em África: mobilidade internacional, formação e parcerias”. Os artistas Bibiana Figueiredo, luso-angolana residente em São Tomé e Príncipe, Bruno Amarante (Djam Neguim) de Cabo Verde, e Osvaldo Passirivo, moçambicano, beneficiários do PROCULTURA, mais Khodia Touré, senegalesa e Taurai Moyo, do Zimbabwe, beneficiários do ACP-EU Culture, vão partilhar as suas experiências promovendo o diálogo e a reflexão sobre os desafios actuais enfrentados pelos profissionais da dança e da coreografia em África.

A discussão será conduzida pela especialista e curadora polaca Julia Asperska. Além disso, os artistas terão a oportunidade de participar em todas as actividades do festival, promovendo a internacionalização do seu trabalho e ao mesmo tempo estabelecendo ligações com outros artistas e instituições do sector da dança.

O Kinani é uma bienal internacional criada em 2005 em Maputo, que figura entre os principais eventos de dança contemporânea do continente africano. É conhecido pela consistente inovação, mobilizando um público cada vez mais amplo. Este ano, o festival acolhe a ‘Biennale de Danse en Afrique’, o maior evento de dança no continente, que reúne personalidades internacionais de destaque no sector. Estes artistas representam vários países unidos pelo desejo de desenvolver a dança contemporânea em África.

“A participação conjunta do PROCULTURA e do ACP-EU Culture representa uma oportunidade única para fomentar ligações internacionais entre bailarinos, coreógrafos, produtores e outros profissionais da dança. Serve também para sublinhar a relevância dos dois programas financiados pela União Europeia, das suas acções, projectos e dos artistas”, lê-se na nota de imprensa.

Por Alexandre Chaúque

Será neste mês de Novembro que Aurélio Furdela, escritor moçambicano recentemente premiado no concurso “Eugénio Lisboa”, assinala vinte anos de carreira literária. É um marco importante, uma espécie de desapertar dos cintos na altitude, ou seja, de respeitados e reconhecidos estudiosos, nomeadamente Ana Mafalda Leite e o brasileiro João Olinto, chega o reconhecimento de que Furdela atingiu o amadurecimento no seu romance Saga d’ouro, onde avulta a habilidade do escritor na combinação da história e ficção, feitos numa prosa de proa. E era isso que faltava ouvir dos críticos autorizados, para que sobre Furdela não houvesse mais dúvidas.

Torna-se ainda mais reconfortante e importante, não só para o escritor, como para a própria literatura moçambicana, que no alto patamar onde é colocado Ungulani Ba ka Khosa e Mia Couto, esteja Aurélio Furdela. Então não faltarão motivos de sobra para que a celebração dos vinte anos de trabalho feito com denodo, tenha um condão especial.

Aurélio Furdela vem de um percurso que jamais passou despercebido. Para além de escritor, é dramaturgo, guionista e letrista, com livro de estreia De medo Morreu o Susto (conto), publicado pela AEMO. Em 2003, lança a colectânea de crónicas O Golo que Meteu o Arbitro (AEMO) 2006. Em 2012 publica o segundo livro de contos, As Hienas Também Sorriem (AEMO). Em 2018 publicou o Romance Saga d’Ouro, pela Imprensa Nacional Casa da Moeda Portugal, obra traduzida e pblubicada na Espanha pela Editorial ECU, em 2022. Está representado nas antologias “Lusofônica La Nuova Narrativa in Língua Portoghese” (2005), com o conto “Da mocidade à Velhice de Lacrina” traduzido para italiano e “A Minha Maputo” (2012), com o conto “Um Homem com 33 Andares na Cabeça”, também inserido na revista brasileira Macondo. Como dramaturgo escreveu e publicou várias peças originais para o programa de teatro radiofónico “Cena Aberta”, da Rádio Moçambique, nas quais destaca-se “Gatsi Lucere”, publicada posteriormente em livro pela AMOLP, 2005. Autor de duas radionovelas, no âmbito do programa N’weti em Moçambique. Como letrista, salienta-se da sua lavra a autoria da canção oficial da X Edição do Festival Nacional da Cultura -2018.

Distinguido com Prémio Revelação de Literatura AEMO/Instituto Camões – 2003; Prémio Revelação de Texto Dramático AMOLP/Instituto Camões – 2003; Prémio Revelação da Revista TVZINE, 2003, Prémio Nacional de Texto Dramático Sobre HIV-2003, promovido pelo Ministério da Cultura. Em 2017 Prémio Literário 10 de Novembro, instituído em homenagem a Cidade de Maputo, Prémio Literário Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM)/ Eugénio Lisboa. É licenciado em História, pela Universidade Eduardo Mondlane.

Esta quinta-feira, às 17 horas, está agendada a apresentação da terceira edição do Programa Itinerários, pelos intérpretes moçambicanos Amélia Socovinho, Carolina Manuel e Diogo Igor Amaral. A sessão vai acontecer no Teatro Avenida, na Cidade de Maputo, no âmbito da 10ª edição do KINANI e da Biennale de la Danse em Afrique.

Pelo terceiro ano consecutivo, realizou-se o programa de incentivo à criação artística Itinerários, dirigido a criadores moçambicanos da área da dança. Este ano o colectivo de artistas que viajou para Portugal foi composto por Amélia Socovinho, Carolina Manuel e Diogo Igor Amaral, com a mediação de Panaibra Canda (Moçambique) e David Marques (Portugal). Esta é uma parceria entre os Estúdios Victor Córdon e o Camões – Centro Cultural Português em Maputo.

Itinerários pretende criar uma rede entre Moçambique, Portugal e outros parceiros na Europa, desenvolvendo iniciativas que relacionem os vários territórios entre si, com o intuito de promover a internacionalização na criação artística.

Desta vez, a primeira fase deste programa aconteceu em parceria com o Festival Materiais Diversos, materializando-se numa Residência Artística em Alcanena de uma semana. O primeiro momento do programa Itinerários levou os três artistas residentes até à nascente do Rio Alviela, em particular ao Centro de Ciência Viva do Alviela, onde participaram no seminário Companheirismo e colaboração – práticas artísticas para a sustentabilidade, orientado por Carolina Cifras, Simone Frangi e Clara Antunes. Tiveram ainda a oportunidade de assistir a vários espetáculos da programação do Festival Materiais Diversos, no âmbito do qual foi organizado o seminário.

Depois de conhecerem e participarem no Festival Materiais Diversos, os três artistas seguiram para Guimarães, onde teve lugar a segunda residência do programa, em parceria com A Oficina. O início do trabalho da residência de criação aconteceu no Centro de Criação do Candoso. A coreógrafa Piny acompanhou os artistas em estúdio em vários momentos.

No fim de Outubro, os artistas chegaram à terceira e última fase de residência artística dos Itinerários, que aconteceu em Lisboa, numa das casas fundadoras do programa: os Estúdios Victor Córdon. Na capital, os artistas continuaram a desenvolver o seu trabalho, que foi partilhado com o público na fase final da residência, a 9 de novembro. Durante o período em que estiveram em residência, também dirigiam três aulas abertas, naquela que foi uma oportunidade de conhecerem pessoas interessadas em dança e profissionais desta área em Lisboa.
Na última semana de residência artística da terceira edição do programa Itinerários, realizou-se uma segunda mostra informal do trabalho dos três artistas convidados, desta vez nos Estúdios Victor Córdon, em Lisboa.

O final do programa Itinerários culmina com a apresentação do resultado da residência dos três artistas em Maputo, a 16 de Novembro, no âmbito do Festival KINANI.

Sobre os artistas
Amélia Socovinho é bailarina profissional e performer. Iniciou a sua carreira nas danças tradicionais em 2003, enquanto frequentava o ensino secundário. Em 2006, entrou para o projecto Independência, um grupo de dança inclusivo criado no seio da CulturArte e dirigido pelo coreógrafo Panaibra Canda. Desde aí, foi colaborando com este último em vários projetos, tais como Incomat, Borderlines, Poema de gestos, ou Mentiras Aplaudidas entre outros. Como intérprete das peças de Panaibra Canda, tem viajado pelo mundo e dançado em festivais internacionais como, por exemplo, Panorama (Brasil), Euro-scene (Alemanha), Danse L’Afrique Danse (África do Sul), Festival Di Art Integrante (Suíça), Global Dance (EUA), KIKANI (Moçambique) ou Alkantara (Portugal), entre outros. É também locutora, comunicadora e professor de dança. Entre 2009 e 2014 trabalhou como voluntária na inclusão das crianças com deficiência na área da dança. Já participou em diversos workshops com artistas moçambicanos e estrangeiros, e foi bolseira de residências artísticas na África do Sul, no Brasil e em Portugal.

Carolina Manuel é acrobata e bailarina profissional. Iniciou-se na expressão corporal em grupos de dança tradicional em Maputo. Beneficiou de uma bolsa de intercâmbio artístico entre Moçambique-Noruega da Associação MoNo (2017) e lá participou no FK Youth Camp. Estudou e aprimorou técnicas de circo, acrobacia e dança na Kultursholen Fredrikstad School (Noruega, 2018). Também treinou como professora e assistente de classe, e, além de arte circense, estudou balé, dança contemporânea, dança jazz e hip-hop. Em 2019, foi artista associada da CulturArte, participando na formação em dança contemporânea e na residência de criação RIR-PALOP e também no programa de residências de intercâmbio regional Kanda Yetu (2019-2020). Ainda na CulturArte, participou na remontagem da performance Ponto de Intersecção, de Panaibra Gabriel Canda, apresentada em Moçambique e no Mali (2019 e 2020). Em 2020, participou no espectáculo infanto-juvenil Era uma vez: uma história com Princesa Cenoura, que junta dança, acrobacia aérea e o contar de histórias para crianças e adolescentes. Em 2021, participou no projecto “África no circo”, e integrou “os jovens africanos do cabaré pan-africano 100% feminino”, em parceria com Le prato (Lille-França) e Fekat Circus (Adis Abeba-Etiópia). Desenvolveu o projeto Vertige, entre Moçambique e Madagáscar, com a bailarina e coreógrafa Malgas Judith Olivia. O projecto teve apoio do Instituto Francês de Paris. Em 2022, desenvolveu um programa de formação para crianças no bairro, com aulas de acrobacias e dança, através no núcleo “circo-lar”.

Diogo Igor Amaral tem como expressão artística a Dança. A sua carreira começou em 2013, momento em que começou a praticar danças de rua por diversão. Nesse mesmo ano, fez parte de dois grupos de dança em Maputo, nomeadamente, Grupo radical e Grupo maquinista. Com essas experiências, teve a oportunidade de aprofundar mais o interesse pela área, tendo desenvolvido uma paixão pela dança tradicional Moçambicana, que se tornou a sua principal área de pesquisa. Em 2018, entrou para a Associação Cultural Mono, onde estudou, durante dois anos, dança jazz, contemporânea, tradicional e ballet. Foi nessa altura que se aproximou da dança contemporânea, percebendo que podia expressar em movimento, no palco, tudo o que pensava e sentia. Nesse sentido, começou a participar em workshops com profissionais da área a nível nacional e internacional, a saber, Ídio Chichava, Horácio Macuácua, Lulu sala, Edvaldo Ernesto, Irmelin Robertsen (Noruega), Sonya Dahle (Noruega), Juliane Soli (Noruega), José Agudo, Allyne Dance, Laura Aris, German Jauregui, Anita Diaz Otero, Kira Kirsch, Marta Coronado, Joe Alegado, Andrew Harwood, Alexander Vantournhout. Em 2022, participou no Festival Impulstanz (Viena) como membro do Projecto Dance Web. Como intérprete, já dançou nos festivais KINANI (Moçambique) e ONE DANCE WEEK (Bulgária). Enquanto bailarino, Diogo tem como fonte de inspiração as interações e diferenças culturais existentes nas culturas mais tradicionalistas que existem pelo mundo fora.

O artista plástico Tsenane vai proceder à inauguração da exposição individual intitulada “Diálogos transcendentais”, pelas 16 horas do dia 18 deste mês de Novembro, na Galeria Arte de Gema, na Cidade de Maputo.

Para Galeria Arte de Gema, “Diálogos transcendentais” desenha preocupações internas, entrelaçando as delicadas teias da fé, da identidade cultural, da compreensão mútua e do amparo. As telas e cerâmicas de Tsenane são palcos, que em si enceram outros multifacetados palcos da existência que não apenas exploram as intricadas tramas da cultura, existencialismos e antropologia, mas também os transformam em espaços vibrantes, repletos de vida, lugares dinâmicos e provocativos.

A nota de imprensa da Galeria Arte de Gema avança ainda que o artista cria cenários onde as narrativas se desdobram, desafiando tabus sociais e ou religiosos, enquanto mergulha no sincretismo religioso e na hibridez cultural da sociedade. Nos entrançados palcos de Tsenane, várias vidas se entrecruzam e ou co-existem num espaço. Aprecia-se a terra, metaforizada como um palco, representando os desafios, experiências, relações e transformações que enfrentamos na jornada diária.

“Há também o palco da ancestralidade que captura a essência da interconexão espiritual e cultural entre as gerações, proporcionando um espaço para honrar, aprender e se inspirar nas tradições ancestrais e o palco da mente que representa os vários territórios do pensamento onde as ideias e sonhos ganham vida. Em aglutinação se faz fortemente presente o palco do aconchego, que evoca uma sensação de calor humano, onde a alma encontra refúgio nas ternas conexões emocionais humanas”, lê-se na nota de imprensa sobre a exposição que conta com a curadoria de Élia Gemuce e Ventura Mulalene.

“Diálogos transcendentais” é o título da sua segunda exposição individual de Tsenane.

Tsenane nasceu a 24 de Maio de 1979, em Maputo, e iniciou a sua actividade artística em 1994, na ADPP-Cidadela das Crianças. Em 2003, ingressou na Escola Nacional de Artes Visuais, onde cursou cerâmica. É licenciado em Artes Visuais pelo Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC) – 2013. Actualmente, frequenta o Mestrado em Design e Multimédia na Universidade Pedagógica de Maputo. É Professor Assistente nas cadeiras de Escultura e Projecto no ISArC e de Arte e Cultura de Moçambique no Instituto Superior Maria Mãe de África. Participa em exposições desde 1997, tendo efetuado a sua primeira individual em 2008. Foi laureado com vários prémios ao longo da sua carreira nas diversas categorias, tais como terceiro Prémio de Pintura no Cine África, 2001; primeiro Prémio de Cerâmica Bienal TDM – Museu Nacional de Arte, 2001; Menção Honrosa de Pintura na Bienal TDM – 2009 – Museu Nacional de Arte; Menção Honrosa de Cerâmica na Bienal TDM – Museu Nacional de Arte; Menção Honrosa de Cerâmica na Bienal TDM – 2011 – Museu Nacional de Arte.

A Fundação Fernando Leite Couto inaugura, eesta quarta-feira, às 18 horas, a exposição colectiva intitulada “Daqui e dali”, juntando os artistas plásticos, António Mucavele, Bruno Chichava, Miguel Levy, Nhongwene e Simbraz.

Na nota de imprensa da Fundação Fernando Leite Couto, lê-se que os cinco artistas se reúnem na exposição para levantar reflexões sobre o contexto social moçambicano em diferentes perspectivas. Todos eles, de diferentes passados e presentes, até divergentes nos anos de experiência e de vida, têm como factor de interesse os desencontros ou as discordâncias entre as cenas representadas.

A temática escolhida, de acordo com a curadora Yolanda Couto, embora abordada em diferentes vertentes quer na técnica utilizada quer ainda na forma de interpretação pessoal é, contudo, nesta exposição a sociedade em geral numa uni-multiplicidade de aspectos daqui e dali. Por isso o título escolhido que procura conferir a liberdade de interpretação que nos desafia nesta mostra eclética, mas também a maturidade do que persegue cada um dos artistas, enquanto narrativa e estilo.

António Mucavele (n.1997) apresenta um trabalho curioso de aplicação de técnicas mistas e materiais para a construção das suas esculturas. Utilizando o carvão vegetal como “matéria-prima”, as suas esculturas ganham formas que representam verdadeiras personagens em plena acção.

Bruno Chichava (n.1990), conhecido pelas paredes transformadas em telas, suas obras gravitam numa combinação de cores e símbolos que nos remetem para as relações com o imaginário, mas com a natureza em diálogo com uma África mítica.

Miguel Levy (n. 1957, Portugal) é tem no pincel as texturas da cidade, do dia-a-dia das pessoas nos passeios, nas ruas e até na sua intimidade. Na sua pintura destacam-se personagens que se aproximam de imediato das nossas curtas memórias e relações com espaços e personagens.
Nhongwene (n.1978) as suas obras fazem uma introspecção sobre o sujeito artístico, os dilemas e meditações do interior que se socorrem da inspiração artística para representar “retratos” ou figuras anónimas, mas que deambulam na mente e na alma do artista.
Simbraz (n.1992) apresenta as cores e as gentes quase como elas são, cabe a nós conferir-lhes narrativas. Fica o desafio, diante da inspiração e do talento artístico.

 

A mais recente criação do coreógrafo português Victor Hugo Pontes, “Bantu”, chega a Maputo, com apresentação agendada para esta quarta-feira, 19h, no auditório do Centro Cultural Franco-Moçambicano, no âmbito da 10ª edição do KINANI e da Biennale de la Danse em Afrique.
O espectáculo “Bantu” teve origem num convite endereçado a Victor Hugo Pontes pelos Estúdios Victor Córdon (EVC) e pelo Camões – Centro Cultural Português em Maputo, para o desenvolvimento de uma nova criação de dança com intérpretes moçambicanos e portugueses. Os Estúdios Victor Córdon e o Camões – Maputo são parceiros numa programação conjunta para três temporadas, que visa criar pontes entre Portugal e Moçambique, e promover a circulação e internacionalização da dança. BANTU resulta desta parceria.

“Bantu” tem múltiplos significados: designa uma família de línguas faladas na África subsariana, mas pode nomear uma linguagem própria que sobreviveu à imposição das línguas europeias, um mecanismo identitário, um signo que permaneceu intacto. Da língua que falamos vê-se o mundo.

“Das diferentes geografias, num país ou num palco, temos perspectivas diversas, não falamos a mesma língua. Em ‘Bantu’, Victor Hugo Pontes explora o caminho inverso, aquele que conduz à linguagem universal da dança. O espectáculo desenha um ponto de encontro entre dois continentes e dois países com afinidades e memórias comuns”.

Victor Hugo Pontes (1978) é um dos coreógrafos e encenadores portugueses com mais sólido e inventivo percurso nas últimas décadas em Portugal, segundo avança a nota de imprensa do Camões. Em 2023, assinala 20 anos de criação artística. Entre os espectáculos que criou, destaque para Corpo Clandestino (2022), Meio no Meio (2021), Os Três Irmãos (2020), Drama (2019), Margem (2018, Prémio SPA Melhor Coreografia), Se Alguma Vez Precisares da Minha Vida, Vem e Toma-a (2016), Fall (2014), Zoo (2013) e A Ballet Story (2012, Melhor Espectáculo do Ano Público e Expresso).

O espectáculo de dança conta com direcção artística de Victor Hugo Pontes, cenografia de F. Ribeiro, Música de Throes + The Shine, Direção técnica e desenho de luz de Wilma Moutinho, Desenho e operação de som de João Monteiro, Figurinos de Cristina Cunha e Victor Hugo Pontes, Construção de máscaras de Cristina Cunha, Confecção de figurinos de Emília Pontes e Domingos Freitas Pereira, Assistência de direcção de Cátia Esteves, Consultoria artística de Madalena Alfaia, Dirceção de produção de Joana Ventura, Produção executiva de Mariana Lourenço, Assistência de produção de Inês Guedes Pereira, Interpretação de Dinis Abudo Quilavei (MZ), Dinis Duarte, João Costa (bailarino gentilmente cedido pela CNB), José Jalane (MZ), Maria Emília Ferreira, Marta Cardoso, Osvaldo Passirivo (MZ) e Intérprete estagiário Francisco Freire.

Já a produção é de Nome Próprio, uma estrutura residente no Teatro Campo Alegre, no âmbito do programa Teatro em Campo Aberto e tem o apoio da República Portuguesa – Cultura / Direcção-Geral das Arte.

O Conselho Municipal de Maputo apresentou projectos de editores e organizaçōes parceiras da Feira do Livro de Maputo. Trata-se da Alcance Editores, Ethale Publishing, Fundação Fernando Leite Couto, Catalogus, AEMO, Escola Portuguesa de Moçambique, Kulera e TPC.

Ao longo da terceira edição do Mercado de Indústrias Criativas do Brasil (MICBR23) foram aguardados mais 400 empreendedores de 17 nacionalidades no Hangar Centro de Convenções, em Belém (PA). Juntos participaram, entre os dias 9 e 11 deste mês, de rodadas de negócios com perfis de compradores ou vendedores, realizando cerca de dois mil reuniões até o final do evento. A primeira rodada aconteceu na quinta-feira (9), de 9h às 17h30.

Além de Moçambique, estiveram presentes compradores, gestores, editors, curadores, escritores, pesquisadores, empresários dos seguintes países: África do Sul, Alemanha, Argentina (país convidado de honra), Chile, Congo, Equador, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, México, Noruega, Polônia, Portugal e Uruguai. Os encontros – pré-agendados e com duração de até 25 minutos – tiveram o objectivo de gerar networking  e impulsionar o crescimento dos negócios.  Com o desdobramento das rodadas de negócios do MICBR 2023, a estimativa é que sejam gerados 20 milhões de dólares em negócios até o final de 2024.

No primeiro e segundo dia de Rodadas de Negócios do Mercado de Indústrias Criativas do Brasil (MICBR) 2023, centenas de empreendedores se encontraram no Pavilhão A, do Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém. As actividades ocorreram na quinta-feira e nesta sexta-feira (10), entre 9h às 18h30. Ao todo, foram 713 reuniões de exposição de produtos e serviços.

As 15 categorias presentes no evento, tiveram representantes nas mesas para dialogar sobre o mercado cultural moçambicano de forma directa e objectiva. Além disso, empreendedores de diversos lugares do mundo também estiveram presentes. As rodadas reúnem profissionais dos seguintes sectores criativos: artesanato; audiovisual e animação; circo; dança; design; editorial; hip-hop; jogos electrónicos; moda; museus e património; música; teatro; e um sector voltado às áreas técnicas afeitas à economia criativa cujo objectivo desse momento é a troca de informações e conhecimentos sobre serviços e produtos, se tornado facilitador para novos contactos e contratos.

“O MICBR é isso, é uma feira de negócios do sector cultural e criativo. A expectativa da Feira do Livro de Maputo é de oferecer toda cadeia de produção editorial, cultural e criativa da Cidade de Maputo. Para o Conselho Municipal de Maputo, a indústria cultural é uma indústria produtiva que pode trazer oportunidades de emprego para o nosso país e estamos à disposição para continuar a promover as artes e letras moçambicanas além fronteiras”, avaliou o Coordenadora-Adjunta da Feira do Livro de Maputo e Directora Municipal-Adjunta de Bibliotecas e Arquivos, Verónica Chiquele.

Na quinta-feira, Verónica Chiquele manteve encontros com Noélia de Sá, editora argentina e coordenadora da Feira de Editores (FED) em Buenos Aires e com Guida Gomes, coordenadora da Casa Astral (Brasil). Ambas têm interesse em explorar o mercado editorial moçambicano e participar da Feira do Livro de Maputo.

“A internacionalização da literatura moçambicana é um passo fundamental para ampliar o alcance e a influência de nossos autores e nossas editoras”, afirma Verónica Chiquele. “também aproveitamos as rodadas de negócios para estabelecer pontes, expandir e vender a marca Feira do Livro de Maputo, a literatura e artes moçambicanas ganham visibilidade global neste mega evento”, concluiu.

 

O lançamento oficial de “Pintar incongruências”, de Angelina Neves, está marcado para dia 16 de Novembro, às 17:30h, no Instituto Guimarães Rosa/Centro Cultural Brasil-Moçambique, na Cidade de Maputo.

Angelina Neves estreia-se com um livro para adultos. Intitulado “Pintar incongruências”, a obra é constituida por 112 páginas e está dividido em sete partes.
“Com uma biografia fecunda dedicada à poesia, à literatura infantil e à educação, Angelina Neves emana um extracto humano que vibra naturalmente com a sua arte. A artista e a cidadã se anelam e formam uma expressão única, a da poetisa que aqui se neste novo livro”, lê-se na nota de imprensa da editora gala-gala.

No prefácio do livro, o escritor e cineasta brasileiro Escobar Franelas, avança a mesma nota, faz uma associação entre Angelina Neves e Fernando Pessoa, afirmando que assim como Pessoa se tornou poeta através de vários poetas, Neves se torna poeta por meio do arco solar.
A obra faz parte da colecção de poesia “Biblioteca de poesia Rui de Noronha”, da Gala-Gala Edições.

A apresentação do livro será feita pela professora brasileira (UEM) Izzy Gomes.

Angelina Neves nasceu na capital moçambicana, em 1951. Escreveu mais de 40 livros infantis. Trabalhou ligada a projectos de divulgação e defesa dos Direitos das Crianças. As tentativas de fazer poesia vêm da infância. Um dia, aos 16 ou 17 anos, a Angelina enviou, para um jornal que tinha uma página cultural onde se publicava poesia, um poema que foi “ignorado”, e aí decidiu que “não tinha entendimento suficiente para ser poeta”, e que a poesia só servia para ela brincar de poeta consigo mesma.

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