O País – A verdade como notícia

Albano Brito e Zainabo Amisse são dois estudantes moçambicanos que se encontram a formar na Ilha Reunião. Segundo constatam, o intercâmbio com aquele departamento francês é importante porque permite consolidar aspectos socioculturais comuns que concorrem para o desenvolvimento dos povos das duas regiões do Oceano Índico.

Geopolítica – Geografia Política é o curso frequentado por Albano Brito na Universidade da Reunião. Na Ilha Reunião, o estudante moçambicano encontrou uma oportunidade para ampliar os seus conhecimentos aprendidos ao nível da licenciatura e do mestrado. Uma das suas paixões é pensar o seu país e o seu continente através das relações internacionais desses territórios. Por isso mesmo, fixou-se em Saint-Denis, capital da Ilha Reunião, em Setembro de 2021. “Mas não tenho ficado todo o ano cá”, esclarece. Afinal, a sua formação exige que viaje a Paris, França, onde encontra pesquisadores e melhores bibliotecas, e ao Centro e Norte de Moçambique.

Com os conhecimentos consolidados na área de Geopolítica – Geografia Política, Albano Brito quer, sobretudo, ampliar a percepção sobre questões internas moçambicanas, com leitura mais informada e crítica, considerando o espaço geográfico e estratégico onde Moçambique empresta as suas identidades culturais com desafios. Também por isso, para Brito, o intercambio entre Moçambique e Reunião é importante, primeiro, devido ao passado comum. Vários moçambicanos, ou melhor, várias pessoas oriundas do actual território moçambicano contribuíram para povoar a ilha. Logo, há um passado histórico e cultural comum.

Segundo, a Ilha Reunião oferece uma formação de excelência que Moçambique precisa aproveitar para os seus estudantes e profissionais. Assim, acredita Albano Brito, criam-se condições para uma leitura mais cuidada e partilhada sobre o espaço comum que é o Índico. “Acho que o que está a acontecer agora é devolver as bases das relações do Índico, as afinidades sociopolíticas e espaciais desta parte do continente”.

Quem comunga das ideias de Albano Brito é Zainabo Amisse, estudante do Ciclo de Engenharia Agroalimentar na Universidade da Reunião – Escola Superior de Engenheiros da Reunião Oceano Índico. Para a mestranda, “O intercambio entre Moçambique e Reunião é um exercício que nos leva a essa ligação com o nosso povo que foi parar àquela ilha. Ir a Reunião é uma forma de conhecer a minha história, as minhas origens e assim aproximar-me de África, até porque Reunião é uma ilha de muitas misturas de identidade.

A formação em Ciclo de Engenharia Agroalimentar na Universidade da Reunião faz parte das realizações pessoais de Zainabo Amisse. “Sempre coloquei a formação como algo prioritário. Estudar sempre foi um prazer e espero alcançar os meus objectivos como profissional, honrar a minha família e desmistificar que o espaço da mulher, na nossa sociedade, é nos cursos diferentes de engenharia”.

Ao apoiar a formação dos estudantes moçambicanos no seu departamento, a Embaixada da França em Moçambique enfatiza a cooperação existente com a Ilha da Reunião, ao nível universitário e científico. Deste modo, a Embaixada espera estreitar os laços entre os povos na região do Índico, oceano que também banha Moçambique.

 

Sobre os estudantes

Albano Brito nasceu na Cidade da Beira, onde, desde cedo, desenvolveu o interesse pela política e pela dinâmica internacional. Iniciou a sua jornada acadêmica na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, onde obteve a licenciatura em Ciência Política. A sua busca pelo conhecimento levou-lhe a atravessar fronteiras, rumando à França, onde graduou no curso de mestrado em Ciência Política, com especialidade em Assuntos Internacionais, pela renomada Science Po Bordeaux. Actualmente, é doutorando na Universidade da Reunião, focado na geografia e espacialidade geopolítica. A sua pesquisa concentra-se em temas cruciais, como conflitos, paz, segurança e reconstrução pós-conflito, bem como justiça de transição, especialmente em países com instituições frágeis. Esta jornada acadêmica representa a sua dedicação em contribuir para o entendimento e a resolução de questões prementes no cenário global. Na Reunião também é professor, e, para si, a sala de aula tornou-se um espaço dinâmico onde pode partilhar não apenas conceitos acadêmicos, mas também a sua paixão por questões críticas que moldam as relações internacionais.

Zainabo Amisse  nasceu em Maputo. É licenciada em Ciência e Tecnologia de Alimentos, pela Universidade Eduardo Mondlane. Possui experiência de trabalho em Gestão de Qualidade,  treinada em matéria de Gestão de Auditorias, Legislação Alimentar, o que contribuiu para alavancar as suas qualidades de monitoria, inspecção a nível da cadeia alimentar e desenvolvimento de estratégias de Garantia de Segurança Alimentar. Actualmente, estuda o ciclo de engenharia Agroalimentar na Universidade de Reunião – Escola Superior de Engenheiros da Reunião Oceano Índico (ESIROI), em Saint-Pierre. Escolheu o curso porque sempre teve uma paixão pela saúde humana, e ao abraçar esta componente engenharia Agroalimentar poderá também cuidar dos humanos, ainda que indirectamente. Com o mestrado espera agregar valor ao sistema de produção alimentar e contribuir para redução dos principais problemas de desnutrição e saúde pública em Moçambique. Além disso, estar em França representa uma das suas maiores aspirações, pois aprecia a maneira como o sistema francês é comprometido com a qualidade de ensino e a componente prática bastante presente.

 

 

 

 

 

 

Por: Grácio Antonio Mucuecuessa

Caros convidados, aqui presentes, minhas senhoras, meus senhores.

E com grande honra e jubilo que presencio esta cerimónia de lançamento do livro baseado na história real, por tanto minha história.

O menino serpente é uma história de ficção inspirado da vida do senhor Grácio António Mucuecuessa. Uma história de vida que não cabe somente numa página. Poderíamos ficar um dia inteiro a contar a história emocionante nas minhas diversas etapas de vida desde nascimento, primeira infância, idade escolar, fase de adolescência, fase académica, fase profissional até os dias de hoje nos momentos altos e baixos ou sucessos e fracasso. Hoje vamos nos concentrar somente numa parte da vida do Menino Serpente.

Falar do menino serpente, é falar de uma criança de campo ou da cidade que tem dificuldades de locomoção e rasteja pela barriga ou pelos joelhos com as mãos no chão sem condições para adquisição de uma cadeira de roda que lhe facilite a locomoção de um lugar para outro.
Bento é somente uma amostra da criança com deficiência, pois como ele, existem muitos outros meninos serpentes. Até posso me riscar a dizer que o menino serpente, pode ser privilegiado pois pelo menos rasteja, fala, ouve e pode assegurar algum objeto e pode fazer as suas necessidades básicas sem precisar de tanta dependência. Imagine o menino prisioneiro, imagine o menino cágado virado para cima, imagine o menino monstro.

O menino serpente com a sua história de superação decidiu criar uma organização denominada FACD Fundação para apoio de crianças com deficiência por forma unir as sinergias junto de pessoas de boa vontade e instituições para encontrar mecanismo de aliviar o sofrimento desta camada social que muitas vezes são também órfãos de pais e mães ou foram abandonados pelos seus progenitores em razão da sua deficiência ou estado físico.

O menino prisioneiro, menino cagado virado e o menino monstro, são personagens mais excluídos e ignorados pela família e a sociedade no geral pois para eles, olha-se como se de um fardo se tratasse.

São isolados dentro das casas, são até enforcados com almofadas pelos próprios pais, morrem de sede e fome dentro das suas casas, não tem direito de passeio, nem brincadeiras com amigos, muito menos com as famílias, não tem direito a escola e até o direito a vida é negado. São muitos dentro das nossas cidades, bairros, vilas, zonas, distrito, províncias deste belo pais, e dia apos dia, tem vindo a nascer devido a vários fatores que merecem um estudo aprofundado. Neste momento o FACD, mapeio, identificou e está a dar seguimento a pelo menos 500 crianças dentro da cidade e distrito de Quelimane e Nicoadala.

Somos todos chamados a dar uma atenção especial a esta camada social. A FACD assume o papel de embaixador destes meninos que não podem por si, soltar a sua voz ou ser ouvidos.

Queremos aqui aproveitar esta oportunidade para convidar a toda sociedade moçambicana, instituições do governo, Sociedade civil, nacional e internacional a se juntar a esta causa, cuja sede localiza-se na província da Zambézia, cidade de Quelimane. Contamos com dois centros de reabilitação física, nutricional, psiquiátrica e ensino especial na cidade de Quelimane nos bairros de Sangariveira e Manhaua para crianças com deficiência.

O nosso sonho é de alargar as atividades um pouco por todo o país, ate pelo mundo fora, onde reside situações similares por forma de dar apoio psicossocial, moral e material se possível.

Vamos todos realizar o sonho dos meninos: serpente, prisioneiro, menino cagado virado e o menino monstro que é de ter um futuro promissor através de ações concretas que tragam qualidade de vida desta camada social.

Por último quero agradecer ao escritor Rafo Diaz, Dra Madalena, Dr. Teodato e todos que de forma direta ou indireta, tudo fizeram com que este evento tivesse lugar hoje e convidar a todos presentes a ser parte da família FACD.

Comprar o livro, é também forma de apoiar a causa.

Juntos somos mais fortes.

Quelimane, 21 de novembro de 2023.

*Discurso pela ocasião da apresentação do livro “O menino serpente”, de Rafo Diaz.

O escritor e editor Dany Wambire vai participar, sexta-feira, no IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos, realizado na Venezuela. A iniciativa integra as comemorações do centenário do nascimento do poeta Eugénio de Andrade.

Desde ontem até sábado, decorre o IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos, na Cidade de Caracas, capital da Venezuela. Conforme esclarece a organização, o encontro está “integrado nas comemorações do centenário do nascimento do poeta português Eugénio de Andrade e reúne escritores de diferentes nacionalidades, que escrevem sobre realidades e temas diversos, todos utilizando o português como língua comum.

Entre os autores convidados ao IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos, de Itália, Portugal, Macau, Moçambique e Brasil, faz parte Dany Wambire. Para o escritor e editor, “O IV encontro Virtual de Escritores Lusófonos na Venezuela é uma oportunidade para quebrar fronteiras à busca deste espaço comum, que é a língua portuguesa, ingrediente com o qual temos estado a confeccionar a nossa literatura. O número de falantes da língua portuguesa tem estado a crescer imenso no mundo, ampliando-se por via disso o campo de circulação da literatura”.

Durante a sua participação no evento venezuelano, o autor de A mulher sobressalente falará do lugar da literatura na sua trajectória e da possibilidade que a arte literária lhe dá de converter em coisas comuns uma data de fenómenos estranhos ou incompreensíveis. “Falarei, ainda, do crescimento que a literatura está a registar, com o surgimento de novas editoras e de novas vozes literárias, que chegam ao mercado já como uma certeza. Por fim, falarei do contributo que outras línguas nacionais têm dado à língua portuguesa, para o seu enriquecimento”, sublinhou Dany Wambire.

No IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos, Dany Wambire vai intervir às zero horas de Maputo de sexta-feira, num painel com Ana Cristina Silva (Portugal), Frederico Bertolazzi (Itália), Luiz Eduardo de Carvalho (Brasil) e Shee Vá (Macau).

O IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos será inaugurado pelo professor italiano Federico Bertolazzi, professor de literatura portuguesa na Universidade de Roma “Tor Vergata” e especialista na obra de Eugénio de Andrade, e conta com o apoio da Embaixada de Portugal em Caracas, do Instituto Camões, da Coordenação para o Ensino do Português na Venezuela, do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços), do Correio da Venezuela e dos Centros de Língua Portuguesa de Maracay y de Caracas.

A Editorial Fundza lançou, no passado mês de Novembro, a terceira chamada literária. A iniciativa anual pretende dar oportunidade de publicação aos jovens autores talentosos, moçambicanos, sem nenhum custo para a publicação do livro.

Nesta terceira edição, segunda avança a editora, foram inscritos 104 projectos literários, entre os quais 11 seleccionados, designadamente: Marina, é hora de voar!, de Silmério Uaquessa e Obedes Lobadias, Jornada do rei alfabeto, de Stélio Felipe (infanto-juvenil); A boca negra-a seiva, de Kafir Enes, A promessa do mentiroso, de Natércia Chicane (romance); O filosofar dos corpos, de Atanásio Mutoropa, O endereço para dentro do segredo, de Baptista Américo, Metapolimorfose do ar, de Beni Chaúque, Locus-corpus, de Jeremias Francisco Jeremias, Poemas do breve, Lex mucache, Tocar o ser, de Sánia Iacuti, e O prazer ao chorar de dor, de Whaskety Fernando (poesia).

Das 104 propostas literárias inscritas na terceira chamada da Fundza, revela a editora sedeada na Beira, 30 são de poesia, 29 romances e 45 contos e/ou crónicas.

Nas duas anteriores chamadas literárias, a Fundza lançou aproximadamente 30 livros de autores de praticamente todo o país, o que se insere no plano de a editora descentralizar as oportunidades de publicação.

Um dos livros seleccionados na segunda chamada literária da Fundza, Pétalas negras ou a sombra do inanimado, de Belmiro Mouzinho, foi distinguido na primeira edição do Prémio Literário Mia Couto, no género poesia.

 

A turma 2023 da Academia MultiChoice Talent Factory (MTF) para África Austral encerrou recentemente. Na turma deste ano, com efeito, foram graduados mais dois jovens moçambicanos, nomeadamente, Genilson Matuca e Dulany Sedemo.

Uma nota de imprensa informa que, para o cineasta Nelson Faquirá, graduado da turma MTF 2022 e produtor da série “Kuga Munu”, esta é uma notícia empolgante, “É uma optima notícia para a indústria e para o público em geral. É inspirador ver como a Academia MTF ajuda a promover novos talentos, porque o resultado final são mais histórias para contar e mais talentos para trazê-las aos nossos ecrãs”, sublinhou Faquirá.

Ao recordar a sua passagem na Academia MTF, Faquirá diz que foi uma oportunidade para transformar a sua paixão em uma habilidade refinada. “Agora, sou um produtor mais completo, equipado com as ferramentas e conhecimentos necessários para liderar um elenco e trazer narrativas envolventes e impactantes para o público”, refere, acrescentando que é “incrível ver como a Academia MTF criou uma base fundamental para o desenvolvimento da minha carreira.”

A MTF permite, por exemplo, a importância da colaboração, técnicas avançadas de produção e, acima de tudo, a arte de contar histórias autênticas. “As experiências compartilhadas com mentores internacionais de renome e os meus colegas pan-africanos na Academia, foram inestimáveis”, afirma, orgulhoso.

Mais do que abrir novos horizontes, conta o cineasta, a Academia MTF deu-lhe acesso a uma rede global de profissionais do sector. Essa abertura de horizontes, realça, é evidente no seu trabalho, permitindo-lhe explorar narrativas diversas.

As habilidades aprendidas na Academia MTF notam-se claramente em ‘Kuga Munu’, conseguindo tornar a série um sucesso e, por isso, bem-recebida pelo público. “Os conhecimentos obtidos lá e a dedicação da minha equipa, a AfroCinemakers, foram o alicerce sólido que sustentou o sucesso da série”, salienta.

Aliás, a AfroCinemakers é a produtora vencedora do Pitch de Seriados ao canal Maningue Magic, com o projecto “Ex-Amicíssimas”, que está em fase de pré-produção. Trata-se de uma série centrada em torno de um grupo de amigas que se reúnem após muitos anos para lidar com questões pessoais e profissionais. O enredo cruza drama e comédia, com personagens bem desenvolvidos e histórias envolventes.

“Estou a trabalhar em estreita colaboração com meus colegas da AfroCinemakers para garantir que a série seja um sucesso”, conta Faquirá sobre os primeiros instantes do projecto que caiu nas graças do júri.

De acordo com Faquirá, a iniciativa de Pitch público é uma oportunidade emocionante para cineastas e produtores de televisão, pois permite que novos talentos sejam descobertos e que novas histórias sejam contadas em Moçambique.

O edil da Beira, Albano Carige, diz que há falta de vontade política do Governo para pagar os três meses em atraso do fundo de compensação autárquica àquele município. Carige diz que o não desbloqueio dos fundos compromete projectos da edilidade, como o de protecção costeira.

Os municípios do país continuam a ressentir-se dos atrasos do Governo na disponibilização dos fundos de compensação financeira.

O edil da Beira diz que que o município não recebe o fundo autárquico há cerca de três meses e conclui que o atraso se deve à pouca vontade das lideranças centrais.

“Quem politicamente não querer que as coisas aconteçam “ignora tudo” porque este governo faz a transferência ao seu bel-prazer. estamos há três meses em receber a transferência do fundo de compensação, do fundo de investimento autárquico ”, queixou o autarca.

De acordo com Albano Carige, que falava em conferência de imprensa convocada para fazer o balanço da governação municipal durante o ano 2023, a ausência de fundos compromete a implementação de projectos de desenvolvimento na autarquia.

“Como sabem, o projecto de protecção costeira e o projecto de Valas de drenagem tinham que arrancar este ano”, lembrou.
Esta é a segunda vez que o autarca fala dos atrasos de fundo de compensação autárquica, cuja disponibilização é da responsabilidade do Governo Central. Em Junho passado, o município denunciou um atraso que já durava desde Outubro de 2022, ou seja, de nove meses.

Várias lojas de venda de roupas estiveram extraordinariamente abertas este Domingo, na Cidade de Maputo. As compras de última hora e ressurgimento de negócios típicos da época, marcaram as vésperas do natal.

Era um movimento não habitual, quando se fala de Domingo. Mas, porque o natal está à porta, a avenida Guerra Popular, na baixa da Cidade de Maputo, esteve com os passeios quase que intransitáveis e lojas aglomeradas.

A azáfama era pela procura de roupa nova e a mais bonita para passar o 25 de Dezembro, onde os comerciantes prepararam um pouco de tudo, para todos os gostos, tal como disse a nossa equipa de reportagem, Jesus Janeiro.

“Temos variado as marcas e as posições de venda para poder suprir com todas as necessidades dos nossos clientes”.

Mesmo com falta de tempo, nalguns casos, e de dinheiro noutros, a procura pela melhor roupa não ficou para trás.

Depois de muita procura e indecisão, Maria Joaquina, finalmente decidiu que a cor do natal e do dia da família para este ano é verde.
O habitual branco e vermelho, ficaram para a história, no natal de muitas famílias. Judite Carlos, outra cliente,explicou que “o verde representa esperança”.

Com o natal à porta, surgem também novos negócios, para dar cor e vida à tradição, tal é o caso da venda de lacos e chapéus de natal, por isso, a habitual troca de presentes, característica desta época, fez com que Isidro Fernando visse uma oportunidade de negócio.
Apesar da agitação, o ambiente mantinha-se ordeiro.

As várias lojas na Cidade de Maputo estiveram abertas este Domingo para responder às compras de última hora.

 

Por: Helio Guiliche

Olá Pai Natal!!!

Como de costume nestas alturas do ano, dedico um tempo e escrevo a minha cartinha, e faço alguns pedidos – alguns meio extravagantes e outros talvez utópicos. Porém, imagino que pela sua idade e experiência perceberá o alcance de muitos dos pedidos.

Imagino que pela minha faixa etária não seja mais elegível nem prioritário para ver meus pedidos satisfeitos, mas como deveis saber, eu raramente peço para mim, mas tento interceder pelos menos favorecidos.

Escrevo a partir de Moçambique – um país extenso e muito belo; também apelidado de Pérola do Índico. País com uma riqueza de dar inveja a qualquer um, mas com níveis de pobreza alarmantes e muito preocupantes. É conhecido por uns como a terra do gás que jorra pela bacia do Rovuma; como a terra dos rubis localizados maioritariamente em Namanhumbir; da grafite de Balama; das areias pesadas de Moma; e a terra que hospeda uma biodiversidade marítima, faunística e florestal única. Por outros é conhecido como o país que vive horrores do terrorismo que grassa a província de Cabo Delgado desde 2017 e, também como o caminho das tempestades tropicais devastadores, sejam elas de alta, média e baixa intensidade.

Mas o escopo da minha carta não é publicitar as riquezas e potencialidades do meu belo país, tampouco sugerí-lo às apetências dos senhores do mundo. É sim, deixar ficar um pedido muito nosso, para que interceda a favor do nosso país junto ao concerto das nações e faça o grito dos moçambicanos ser ouvido e respeitado além-fronteiras.

Na carta que escrevi no ano passado, acabei me empolgando e fiz muitos pedidos. Será perceptível que não tenha dado cobro a todos, todavia escrevo de forma convicta e com alguma esperança no coração. Lembro-me de forma clara, que dos vários pedidos que fizera, destacou-se o de pedir mais responsabilidade e assertividade por parte dos que governam e “decidem” o futuro do país.

Do Índico surge um pedido normal e algo ainda muito cortinado – mas que a meu ver deve ser visto como um direito inalienável e inegociável – O Direito a sermos um país uno e indivisível; com a autodeterminação e um lugar audível e respeitado nos holofotes do mundo.
Nesta carta trago pedidos de índole político-social. E acredito que pela sua versatilidade podes tornar-te um actor relevante e um campeão que carrega mensagens aos políticos e decisores. Quero usar deste canal de influência que é “a carta”, para levar a voz de todo um povo sofrido mas esperançado, que clama por mais justiça social, mais empatia, mais inclusão e mais respeito pela dignidade humana.

Por veleidade, podia aqui acrescentar alguns pedidos que tenho em mente – chamarei de pedidos de ocasião, mas com um alcance muito realístico pois, preocupam a mim enquanto cidadão ordinário, e a todos enquanto actores e sujeitos activos e passivos da ação climática. Sem egocentrismo, olho para o mundo como um todo e vejo que a crise climática é uma realidade e está cada vez mais severa. Suas consequências são nefastas e seus efeitos tem se mostrado avassaladores. Nunca antes o agora e o hoje foram tão prementes e convidativos a uma ação global urgente, coordenada e sem precedentes. Nenhuma outra geração teve em mãos o poder para pensar, decidir e fazer o que deve ser feito – nenhuma outra geração poderá ter melhor chance de mudar o hoje e deixar um amanhã melhor para as gerações futuras. O relógio climático da terra esta disparado, e os ponteiros do clima aceleram a uma velocidade quase que incontrolável – tudo o que devemos fazer é dar uma chance ao clima (give a chance to climate). Feliz ou infelizmente, o efeito das mudanças climáticas não tem sul global nem norte global; eles afectam ao globo como um todo. Todavia o sul global é o que mais perdas e danos sofre e daí vem um clamor para que se olhe mais pelo Sul.

Pai Natal!!!

Irá perceber que as mudanças climáticas estão a acelerar o degelo na Antártida e noutros pontos cruciais do nosso planeta, e em breve, até a neve que tanto o caracteriza irá começar a escassear. Não nos vai espantar que o seu trenó puxado por Renas seja substituído por barcaças ou que as Renas sejam substituídas por camelos. – Aí, talvez tenhas que reinventar e recriar toda amalgama em torno do enredo secular que gira em torno de ti e do Senhor barbudo que faz maravilhas ao mundo.

As mudanças climáticas não eram parte da sua agenda, e disto estou certo. Mas esteja mais certo que irão a breve trecho afectar o seu status de velho barbudo que faz a alegria de milhares de crianças pelo mundo. Por isso Pai Natal, faça uso dos seus corredores nas Nações Unidas e faça chegar este pedido sobre desbloqueio do financiamento climático, sobre o fundo para perdas e danos, para adaptação e mitigação, energias limpas e renováveis, bem como para a tão propalada transição justa. Por falar em transição justa, tente falar que o Sul Global precisa desenvolver-se, criar bases sólidas e atingir os standards no Norte Global – e quando estiver num nível de desenvolvimento sustentável haverá sentido falar em justiça climática.

Acabei me empolgando na ressaca da COP28, e trouxe aspectos globais que espero que sejam também globalizantes e ligados a agenda climática que a todos diz respeito e a nós toca de forma muito particular a cada evento extremo. Mas, descendo a minha petição, diria que no meu país – Moçambique – o ano foi um dos mais desafiadores e marcantes. Uma data de acontecimentos varreu o país e inaugurou um novo paradigma social e político – a marcha progressiva de repúdio e aos discursos vazios e sem materialização factual. Talvez seja cedo para apelidar de um novo amanhecer, mas a aurora parece ter dado sinais.

Velhas formas de pensar e olhar a sociedade, outrora relegadas a velha esperança, deram lugar a novas formas de agir social e vários movimentos espontâneos de mobilização social liderados por jovens, agitaram o panorama político-social do país.

Estas formas de pensar e de agir, degeneraram em manifestações muito concorridas onde milhares de jovens maioritariamente das gerações 1980, 90 e 2000, saíram às ruas para mostrar o seu descontentamento e seu desejo de ver a mudança há muito anunciada e propalada, mas nunca vista.

Estas manifestações e passeatas pacíficas, foram sempre acompanhadas por uma carga e uso desproporcional de força da força por parte das autoridades.

Se em 2020 na minha carta de natal, pedi mais vacinas e máscaras para a COVID19, entenda Pai Natal que o contexto pandémico assim o exigiu.

Hoje, em 2023, troco as máscaras da COVID pelas máscaras ANTI-GÁS lacrimogénio. Cancele os brinquedos e toda a gama de entretenimento da época e invista mais em saúde do nosso povo provendo máscaras anti-gás, pois o contexto também o exige.

No encontro anual que tem com os estadistas e governantes, faça chegar de forma leve, breve e objectiva esta máxima que é sobejamente conhecida: Nada é mais forte que o POVO!!! E que usar a força e brutalidade contra o povo é perder a base de apoio deste que é o maior recurso social, político e humano da nossa nação.

Não quero politizar a minha carta, tampouco ser associado a alguém que esta perverter a ordem social e o status quo, por isso Pai Natal, peço anonimato, e a minha assinatura será ilegível.

Escrevo porque sei que existes, e acredito veementemente como tantas outras pessoas que tu podes e vais fazer chegar nossa prece aos devidos destinatários.

Mais esperança para Moçambique.

Feliz Natal!!!

Na segunda fase de seleção de projectos artísticos do MASA, o Festival AZGO foi representado pela Directora-Geral, Júlia Novela, em Abidjan, Costa do Marfim, este mês, para a composição da 13ª edição do Festival das Artes da Costa do Marfim (MASA) que decorrerá de 13 a 20 de Abril de 2024.

O MASA busca promover a diversidade cultural, estimulando o diálogo entre diferentes formas de arte e valorizando o potencial criativo dos jovens.

O evento será realizado em Abidjan e terá como tema “Juventude, Inovação e Empreendedorismo”. A comissão responsável pela escolha dos projectos foi composta por renomados representantes do cenário artístico internacional.

Na categoria de música, a comissão contou com a participação de Moçambique, Marrocos, Estados Unidos da América e Costa do Marfim. Ao todo, foram seleccionados 69 projectos, distribuídos nas seguintes categorias: 20 de música; 06 de teatro; 14 de dança contemporânea; 06 de Slam; 06 de humor; 12 de artes circenses e de fantoches; e 05 de conto. Os projectos seleccionados representam 22 países.

A 13ª edição do MASA será uma oportunidade para artistas de diversas regiões, culturas e ritmos de se reunir e compartilhar suas performances com o público. O tema “Juventude, Inovação e Empreendedorismo” pretende reflectir a importância da criatividade e da expressão artística como motores para o desenvolvimento social e económico.

De moçambique foram seleccionados duas candidaturas, na música a Banda Kakana e na dança contemporânea a dançarina Janet Mulapha.
O Festival das Artes da Costa do Marfim (MASA) é um evento bienal que celebra a diversidade cultural e a criatividade artística. Desde a sua criação em 1993, o MASA promove o diálogo intercultural e a valorização das artes africanas e tornou-se um dos festivais mais importantes da África, atraindo artistas, profissionais do sector cultural e amantes das artes de todo o mundo, através de uma extensa programação de dança, música, teatro, artes visuais e outras expressões artísticas.

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