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O académico e ensaísta, Francisco Noa, irá lançar, próximo mês, no Brasil, a sua mais recente obra literária. Intitulada Uns e outros na literatura moçambicana, o livro que sai sob a chancela da editora Kapulana, daquele país, é uma colectânea de textos que se insere na série “Ciências e Artes”.

Em Uns e outros na literatura moçambicana Francisco Noa traz comunicações feitas em congressos e colóquios, apresentações de livros, entrevistas, artigos para jornais, além de ensaios inéditos, nos quais o autor analisa a formação da literatura moçambicana e seus caminhos de identidade.

Para a construção deste livro, Noa reuniu importantes referências de autores que fundamentam o cenário literário do país. São os casos de João Albasini, José Craveirinha, Noémia de Sousa, Eduardo White, Luís Bernardo Honwana, Rui Knopfli, Luís Carlos Patraquim, Mia Couto, Suleiman Cassamo, Paulina Chiziane, Adelino Timóteo, Aldino Muianga, Clemente Bata, Sangare Okapi, Lucílio Manjate e João Paulo Borges Coelho.

De acordo com a editora Kapulana, os textos de Noa levam o leitor para uma viagem pelos trilhos matriciais de uma literatura marcada, como sempre, pela história do país.

Ainda em Julho, Francisco Noa participará do 27º Encontro da AULP (Associação das Universidades de Língua Portuguesa) – Confluências de cultura no mundo lusófono, que reúne reitores do mundo inteiro. O encontro será no Centro de Convenções da Unicamp (Campinas), entre os dias 10 e 12 de Julho. Noa também será recebido por uma comissão na Câmara Brasileira do Livro (CBL), em São Paulo, para troca de ideias sobre o intercâmbio cultural entre países de língua portuguesa.
Além de ensaísta, Francisco Noa é, actualmente, Reitor da Universidade Lúrio (UniLúrio). Doutorou-se em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa (2001) pela Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, e é professor de Literatura Moçambicana na Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e Investigador Associado na Universidade de Coimbra, em Portugal.

Francisco Noa também publicou Império, mito e miopia: Moçambique como invenção literária; Perto do fragmento, a totalidade: olhares sobre a literatura e o mundo; A escrita infinita; Literatura Moçambicana: memória e conflito – itinerário poético de Rui Knopfli; e A letra, a sombra e a água.
 
 

 

 

A peça “Nós Matámos o Cão-Tinhoso”, da Companhia João Garcia Miguel (Cia JGM), vai ser apresentada no Festival Internacional Teatro de Inverno (FITI), em Maputo, nos dias 23 e 24, às 19h30, no Teatro Gil Vicente e no Teatro Avenida, respectivamente.

“Nós Matámos o Cão-Tinhoso” é uma peça inspirada no livro homónimo de Luís Bernardo Honwana. Escrito em 1964, este livro é considerado um projeto literário primordial da literatura moçambicana moderna. Apesar das várias situações e emoções de incompreensão, injustiça social, alienação/desalienação de sonho e realidade, as “estruturas sociais violentas” conseguem envolver e mover o leitor numa energia afectiva, pela sua extraordinária capacidade de persuasão.

Em Maputo, a Cia JGM vai ainda dar uma acção de formação na área de Encenação e Representação, em conjunto com Rute Alegria, na Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane.

Fundada há 15 anos, em 2002, a Companhia João Garcia Miguel é uma companhia de criação artística contemporânea que pesquisa o desenvolvimento artístico e criativo em artes performativas, exploradas no teatro.

As criações do grupo foram por várias vezes distinguidas e premiadas, sendo a mais recente em 2014 com o Prémio SPA para o Melhor Espetáculo de Teatro, com a peça Yerma.

A Cia JGM é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal, pela Secretaria de Estado da Cultura e pela Direcção Geral das Artes.

A deslocação da Cia JGM a Moçambique para participar no Festival de Teatro de Inverno conta com o apoio do Camões – Centro Cultural Português em Maputo e da Fundação Calouste Gulbenkian.

A direção e encenação da peça adaptada da obra de Luís Bernardo Honwana esteve na responsabilidade de João Garcia Miguel. A interpretação e co-criação contou com Sara Ribeiro e António Pedro Lima, e a música esteve a cargo de Ricardo Martins e Joana Guerra
 

 

A manhã do último sábado (17), na “cidade das acácias”, foi marcada por um desfile incomum. Mães de crianças com doenças raras e necessidades especiais, ou simplesmente mães especiais, tomaram o palco do Conselho Municipal da Cidade de Maputo para advogar pelas causas dos seus filhos e dizer basta à discriminação.

Ao todo, foram 12 mulheres – membros da Cooperativa Semeia Sorrisos (CSS) – que, trajadas de roupas africanas e carregando os seus filhos ao colo, mostraram muita ginga, garra e força.

Em meio a tantas histórias de superação, encontrámos a de Cornélia Cristina e sua filha Wendy. A pequena Wendy nasceu com má formação congénita e, por conta disso, Cornélia teve que experimentar a dor da exclusão. Alguns meses após o nascimento da filha, foi “convidada” a abandonar o seu emprego. Ciente de que o mais importante naquele momento era a saúde do seu bebé, Cornélia abriu mão de lutar pelos seus direitos e aceitou a demissão.

Hoje, passados alguns anos, diz não estar arrependida de ter largado a carreira, mas reconhece que foi injustiçada. Exactamente por isso, decidiu juntar-se ao desfile das “mães especiais”, para chamar atenção da sociedade e incentivar outras mulheres a lutarem pelos seus direitos.

As mães especiais dizem que desfilaram não apenas pelos seus filhos, mas por todas as crianças com necessidades especiais. “Este momento foi muito importante para mim. Estou aqui para incentivar outras mães a levarem os seus filhos ao hospital e cumprirem os tratamentos. Ter uma criança especial não pode ser motivo de vergonha”, declarou emocionada Rosalina, outra mãe especial.

Além das mães, subiram ao palco alunos da Escola primária 3 de Fevereiro, o poeta Leco Nkhululeko, a banda Mazu, bem como os músicos Roberto Chitsondzo, Miguel Xabindza e Xixel Langa. As roupas foram produzidas pelo estilista Luiggi Júnior, sendo que a coordenação artística do evento ficou a cargo bailarino e coreógrafo Lulu Sala.

O desfile foi organizado pela Cooperativa Semeia Sorrisos (CSS) e contou a colaboração vários agentes culturais e sociais. Segundo a co-fundadora da CSS, Benilde Mourana, alguns dos objectivos desta organização sem fins lucrativos são: lutar pelos direitos das crianças especiais, garantir a reintegração familiar das mesmas e dar suporte às famílias, em particular as mães.

A partir de quarta-feira, Luís Bernardo Honwana não será mais um escritor de apenas único livro publicado, mas continuará sendo de único livro de ficção. Cinquenta e três anos depois, “Nós matámos o Cão-tinhoso” ganha um “irmão”. Ainda não se sabe se é o fim da crise de obras na prateleira do escritor. O que importa, segundo disse hoje aos jornalistas, é que o seu foco neste momento está para “A velha casa de madeira e zinco”.
Luís Bernardo Honwana partilha, em forma de livro, ensaios, crónicas, depoimentos e testemunhos, uns já publicados em livros, jornais e revistas nacionais e estrangeiras, e outros ainda inéditos.

“Estes textos que estão agora reunidos neste livro são textos que se referem a várias discussões: discussões com pessoas, discussões que decorrem de apresentações que fiz em vários momentos e discussões comigo próprio”, contou Honwana, acrescentando também que são discussões que se referem a temas relevantes, por isso a ideia de trazê-las à luz do dia e para alimentarem uma discussão mais alargada.

A este conjunto de textos, o autor chamou de “A velha casa de madeira e zinco”. E a razão é simples: “este livro finalmente discute coisas que se passam com as pessoas que viviam em casas de madeira e zinco ou são coisas tomadas a partir da perspectiva de pessoas que viveram naquelas casas. Mas passa-se que as casas de madeira e zinco já estão velhas. Estou trazendo coisas que são tão velhas como essas casas.

Questionado a razão pela qual não mais escreveu ficção, Honwana disse, em poucas palavras, que não havia outra razão. Entretanto, recordou que ao longo do período que esteve ausente dedicou-se a outras tarefas.

Quem partilhou a mesa com Honwana foi Calane da Silva. Para o escritor, a simbologia que aparece na capa (a imagem de uma casa de madeira e zinco) tem a ver não só com a história, com a cultura, com o renascimento de um pensamento até protonacionalista, depois nacionalista e depois revolucionário. “Uma casa de madeira e zinco para nós simboliza muita coisa. E estes textos são extraordinários sob ponto de vista de todo um conjunto de questões e de ideias para todo o país”, disse.    

Além do lançamento do livro, a Estação Central dos CFM, em Maputo, vai acolher a exposição “Madeira e Zinco”. Trata-se de um conjunto de obras que estará patente na galeria Kulungwana e que vai acompanhar a narrativa escrita.

 

No âmbito da comemoração do 81.? aniversário de Malangatana, um grupo de amigos e admiradores do artista, reunidos à volta do projecto da Fundação Malangatana Valente Ngwenya, organizou um conjunto de eventos com o objectivo de evocar a memória do pintor Moçambicano de maior projecção e de maior reconhecimento Internacional.

Esse conjunto de eventos, organizados ao longo do corrente mês, culminará com a primeira exposição de Pintura de Malangatana realizada em Moçambique após a sua morte.

O conjunto de pinturas seleccionadas para esta mostra tem como tema “A Mulher em Malangatana” e estará patente ao público no átrio de entrada do Conselho Municipal de Maputo entre os dias 22 e 26 de Junho de 2017.

Contudo, este conjunto de iniciativas não se confina apenas a assinalar o aniversário do mestre Malangatana, uma vez que pretende instituir uma prática durável no futuro, a realização anual de exposições: todos os meses de Janeiro, para artistas plásticos nacionais; e em todos de Junho, o festival internacional de arte, recordando a memória de Malangatana.

 

O músico Moreira Chonguiça está desde o dia 12 em Cuba, onde tem reunido com artistas e diversas  organizações ligadas à cultura. Moreira Chonguiça está em Cuba integrando a comitiva presidencial a convite do presidente da República Filipe Jacinto Nyusi, no âmbito da sua visita oficial àquele país.

Da agenda do etnomusicólogo em Havana, constam reuniões com o Centro de Investigação da Música Cubana, Coro Nacional de Cuba e actuações conjuntas com músicos cubanos.

“É sempre um prazer estar em Cuba para o fortalecimento da amizade entre os povos, representando o sector privado na promoção da sustentabilidade das indústrias criativas e culturais – olhando a arte como negócio. Desta vez a viagem acontece no âmbito da visita presidencial do nosso presidente, Filipe Nyusi, onde faço parte da sua delegação”, afirma Moreira Chonguiça.

 

“Amor é cego”, agora estampado na nova aventura discográfica do músico angolano Anselmo Ralph, é um dos ditados mais antigos e que inspirou uma data de obras artísticas, sobretudo músicas e filmes. No universo cinematográfico destaca-se a comédia romântica norte-americana lançada em 2001 e dirigida por Peter e Bobby Farrelly. Mas não só, ainda que outros tantos não ostentem um título igual, expõem um enredo parecido, tal é o caso do famoso filme “Titanic”.

Quando parecia que o ditado já tinha sido usado abusivamente e de forma desnorteada, eis que um dos músicos mais sonantes da lusofonia arrisca para intitular o seu mais recente álbum.

As 15 músicas que compõem o seu quinto “bebé”, em termos de abordagem, não surpreendem, mas não são tão óbvias quanto o título que lhes embrulha. Ralph carimba a marca indelével do homem romântico. Sempre foi assim e nunca escondeu o seu “coração em chamas”, mas os defeitos típicos dos homens assombravam suas boas acções. Já neste recente álbum, mesmo a justificar à pertinência do título, revela-nos um homem maduro e determinado.

No “Amor é cego”, não vemos aquele marido que chega de manhã, que trai a parceira, dividido entre tantas mulheres, ou que é abanado por “um rabo de saia”. Muito pelo contrário, é abandonado e “faz festa” com a volta do seu amor. E quando há festa, há sempre um brinde: “Chin Chin”, diz uma das músicas.

Mas não é apenas a oitava música que nos leva a este pensamento, a faixa número quatro, num perfeito cruzamento de vozes e conteúdo com Paulo Flores confirma-se a cegueira do amor e a maturidade. Nesta música, Anselmo Ralph encarna um jovem que pede a mão da filha de um pai em casamento, este que aqui é Paulo Flores. O “Pedido”, em si, não é motivo de muitos comentários, mas o que se arrasta nele é digno de atenção. A conclusão desta conversa entre futuro genro e sogro concluem-se com a importância do amor. Sim, os dois, em profundo acordo, assumem que o amor é mais que tudo e é o único trunfo que o proponente deve ter para ganhar a mão da filha. Tudo para além do amor não é chamado a debate.

E quando os momentos de tensão chegam, é importante que os casais digam um ao outro que é o amor que lhes une e porque “não há amor sem drama, miúda tenha calma que tudo vai passar”. O rapper Manda Chuva, com uma estética dos novos ventos do rap, reitera no enredo de Ralph que esse amor não vai acabar. A ideia que se vinca é de que mesmo aqueles que têm uma postura avessa ao amor, rendem-se aos seus vícios. Se com Paulo Flores o autor de “Amor é cego” revela-nos uma imagem adulta e de conselheiro, com Manda Chuva – como o nome não mente – um imaturo que, entretanto, não escapa aos golpes deste sentimento.

Ou seja, o autor do álbum não cruza gerações a toa. Assim, confirma que independentemente da idade, o amor, poderoso que é, cega. Aliás, essa ideia é bem evidenciada no cartão-de-visita deste trabalho: “Por favor dj”. Esta música conta-nos a história de um jovem que no meio da festa, como se de um tiro se tratasse, é obrigado a recordar-se da namorada através de uma música que escapou na mistura do dj.

“(…) mulher que vale mais que ouro”. Esta é uma das frases que revela a tão sublime amada que percorre por quase todas as músicas. Os ritmos variados – o acústico, o r&b, pop, soul e bossa nova – compõem a arquitectura deste trabalho que, na última semana deste mês, chega a Moçambique numa digressão que vai até 8 de Julho.

Esta é uma das presenças mais esperadas este ano. Afinal, o amor exaltado pelo artista também contagia os moçambicanos. À todos seus seguidores de Moçambique (e do mundo), Anselmo Ralph promete um espectáculo inédito como também, através da sua última música, aconselha-os à recorrer a Jesus para aprenderem a amar.

É a partir de hoje que o “Comboio de Sal e Açúcar” vai apitar nas telas das cidades de Maputo e Matola. O filme estreado há cerca de um ano, só agora encontrou espaço para que os legítimos “donos” possam reviver alguns dramas da guerra de desestabilização que durou “eternos” 16 anos. Esta é uma oportunidade para que os moçambicanos possam fazer as pazes com um dos momentos tristes da história moçambicana, onde centenas de civis vincaram a sua heroicidade a bordo num comboio constantemente sabotado por aqueles que detinham armas.

Só chega agora ao país, como justifica o realizador do filme, Licínio Azevedo, devido à escassez de salas para exibição de cinema.

“O País” vivenciou a anti-estreia do filme, momento reservado a pessoas próximas dos envolvidos no projecto. E antes que as portas da Lusomundo escancarassem, o jornal procurou alguns protagonistas para saber da sua sensibilidade agora que o público vai testemunhar esta longa-metragem que já soma três grandes prémios e uma data de menções honrosas.

“O país sem cinema é um país sem memória”, disse na tarde ontem Azevedo, ao lado de Mário Mabjaia (maquinista), Abdil Juma (chefe do comboio) e Hermelinda Simela (Amélia) – alguns actores que dão a alma a esta trama. Azevedo justificava assim o facto de ter transportado esta história às telas. O realizador disse também que por onde o filme passou teve boa recepção e espera que o mesmo aconteça a partir de hoje e convida a todos a testemunhar esta obra magnífica.

Para os actores foi uma experiência única, que acrescentou muito conhecimento não só pelo enredo, mas pela aprendizagem nos bastidores.

Um “festival” de prémios

No dia em que filme estreou a nível internacional, em Agosto passado, foi agraciado com o prémio de Melhor Produção, por ter movimentado em Locarno, na Suíça, o maior número de espectadores naquela edição. O outro prémio não menos importante foi de Melhor Realizador, recebido no Festival Internacional de Cairo, já em Novembro. “Comboio de Sal e Açúcar” arrancou ainda o prémio de Melhor Filme na vizinha África do Sul, em Joanesburgo, entre diversas menções honrosas.  

 

Luís Bernardo Honwana volta às livrarias. O autor de “Nós matamos o Cão-Tinhoso” regressa com o livro “A Velha Casa de Madeira e Zinco”, a ser apresentado publicamente no dia 21, na associação Kulungwana (Estação central CFM), em Maputo.

À vontade de fazer ficção, Honwana juntou sempre a necessidade de escrever textos de análise e reflexão. O livro ora editado contém textos de elevado interesse cultural e político, entre ensaios, crónicas, depoimentos e testemunhos, uns já publicados em livros, jornais e revistas nacionais e estrangeiras, e outros ainda inéditos.

Os temas abordados são vários, desde os que interessam à história recente do país ao sempre actual debate da língua portuguesa versus línguas bantu, passando pela questão da identidade, pela análise literária e pela produção artística em Moçambique.

A novidade que o livro traz, diz o autor, é fazer os seus escritos funcionarem juntos e “ver o que nessa reconfiguração poderão eventualmente trazer de interessante” e também, acrescente-se, de valor literário, que realmente têm, além da sua actualidade inquestionável para a compreensão da realidade moçambicana.

Luís Bernardo Honwana nasceu em Maputo, em 1942, numa família com longas tradições nacionalistas. Escritor e jornalista, tornou-se figura incontornável da intelectualidade moçambicana. Bem cedo ganhou notoriedade como activista cultural, envolvendo-se com outros jovens, na disseminação do ideal da libertação nacional.

Como jornalista colaborou nos principais jornais do país. Era membro da redacção do jornal Notícias, quando em 1964 viu a sua carreira interrompida pela PIDE, a polícia política do colonialismo português. Foi preso num grupo que incluía outras figuras públicas como José Craveirinha, Rui Nogar e Malangatana, com a acusação de envolvimento no processo da luta de libertação. Isto aconteceu no justo momento em que Luís Bernardo Honwana publicava o seu livro “Nós Matamos o Cão-Tinhoso”.

Honwana foi condenado a uma pena de três anos de prisão maior mas, em contrapartida, o seu livro foi imediatamente reconhecido como um marco importante da literatura de Moçambique. Hoje figura na lista dos 100 melhores livros publicados em África, e foi já traduzido para as principais línguas europeias.

Além de ficcionista, Luís Bernardo Honwana investiga e escreve sobre temas socioculturais, como atesta “A Velha Casa de Madeira e Zinco”.

Após a independência de Moçambique, Honwana ocupou cargos destacados na administração pública do país, como Director de Gabinete do Presidente Samora Machel e, mais tarde, foi Ministro da Cultura.

Antes de ir servir à UNESCO, primeiro como membro do seu Conselho Executivo e, depois, como representante da organização em alguns países da África Austral, Honwana criou, como projecto pessoal, e foi o primeiro presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa.

De regresso ao país, Honwana passou a dedicar-se profissionalmente a questões ligadas à preservação ambiental e à conservação, sendo neste momento o Director Executivo da Fundação para a Conservação da Biodiversidade – BIOFUND.
    
“A Velha Casa de Madeira e Zinco” sai sob a chancela da Alcance Editores.

 

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