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A Associação Dans’Artes iniciou, sábado, na Matola, uma formação artística denominada “Dança e Artes no Distrito”, que vai durar três meses. A iniciativa conta com apoio da Cooperação Suíça e as áreas de enfoque da formação serão a dança e a música.

O programa inclui 100 crianças e jovens selecionadas dentre mais de 400 das escolas: Djonasse, Nelson Mandela, Instituto Armando Emílio Guebuza e Artes Dans’Artes.

Objectivo do projecto de formação é de levar as artes e a cultura à comunidade, como veículo da formação do Homem. São igualmente parte dos objectivos fomentar a formação de profissionais na área artística e cultural, especificamente da camada infanto-juvenil.

Implementação da formação

Esta acção está relacionada com as aulas efectivas de canto e dança. As aulas terão lugar no estúdio de ensaios e no palco do Teatro em construção, situados na Vila Artística Dans’Artes, donde o projecto é parte integrante.

Para a organização, implementar este programa significa responder à necessidade de promover o saber das artes e da cultura para a formação das crianças com idades compreendidas entre os 7 e 17 anos.

No que concerne ao trabalho da dança, a actividade concentra-se essencialmente na transmissão do património artístico e cultural moçambicano sem descurar a aprendizagem de vocabulários e linguagens modernas, contemporâneas e internacionais.

O enfoque nas danças locais vem responder à questão da preservação do próprio património cultural, rítmico e canções ligadas a estas danças e que constituem um acervo a ser passado às diferentes gerações.

No que tange à música, o programa estará mais virada à intervenção social, incentivando que os alunos escrevam letras ou composições.

Performance pública

A mostra pública será realizada no dia 30 de Setembro, no palco da Vila Artística Dans’Artes. Com início às 16h, devendo durar 2h. Contará com a presença de aproximadamente 100 alunos participantes do projecto de formação artística “Dança e Artes no Distrito”.

Farão igualmente parte da performance final os artistas convidados (10) e seus grupos, das áreas de Teatro e música. A performance englobará um conjunto de 18 números artístico-cénicas das quais 10 coreografias e oito composições musicais com a execução e interpretação feita pelos alunos participantes da formação.

O programa de formação “Dança e Artes no Distrito” contou com apadrinhamento do Ministério da Cultura e Turismo.

 

 

A obra de João Paulo Borges Coelho, Prémio LeYa 2009, vai ser debatida na capital portuguesa. Intitulado “Cartógrafo de Memórias: a poética de João Paulo Borges Coelho”, o encontro literário vai juntar, no dia 13 e 14 de Julho, vários intelectuais versados em letras de vários países de língua oficial portuguesa, incluindo Moçambique.

A sessão inaugural da jornada à volta da escrita do autor moçambicano terá lugar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a partir das 9h, no Anfiteatro III. A conferência de abertura vai contar com a intervenção de Rita Chaves, da Universidade de São Paulo, e com moderação de Nazir Ahmed Can, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Depois, a partir das 10h, o auditório vai acompanhar a reflexão do primeiro painel: “A escrita de João Paulo Borges Coelho e Outros Saberes”, com José Luís Cabaço, da Universidade Técnica de Moçambique; Ana Paula Tavares, da Universidade de Lisboa; Omar Ribeiro Thomaz, da Universidade Estadual de Campinas, e Maria-Benedita Basto, da Centre d'études africaines de l'EHESS (Sorbonne-Paris 4). A moderação do painel está na responsabilidade de Maria Paula Meneses, da Universidade de Coimbra.

Cada um dos painelistas leva consigo um tema específico. O tema de Cabaço é “Outras faces”; de Tavares é “João Paulo Borges Coelho, Literatura, Memória e História. Novas formas de dizer o passado no presente”; de Thomaz é “Campo de trânsito: João Paulo Borges Coelho, Moçambique e o mal do século” e Basto é “Circulações globais, arquivos locais, vozes privadas: escrita e montagem em O Olho de Hertzog de João Paulo Borges Coelho”.

O segundo painel do congresso é intitulado “O tradicional e o moderno: formas, funções, instrumentalizações”, e terá abordagens de outras latitudes. Da Universidade Justus Liebig estará Susanne Jahn, da Universidade do Minho estará Maria do Carmo Mendes, a Brown University estará representada por Sílvia Cabral Teresa e ainda vão intervir Marcela Magalhães de Paula e Alfredo Sorrini, do Centro de Estudos Brasileiros, Embaixada do Brasil em Roma e Universidade de Bolonha (Itália), respectivamente.

O congresso terá um terceiro painel: “Percursos da história e da memória na obra de João Paulo Borges Coelho”, entre 14:30h e 16:30 do dia 13, com os oradores:  Almiro Lobo, da UEM, quem vai intervir com a leitura “As Visitas do Dr. Valdez e Rainhas da Noite: (re)formulações de uma memória”. Além de Lobo, estará no painel Leonor Simas-Almeida, da Brown University, Livia Apa, da Unior-Nápoles e Elena Brugioni, Universidade Estadual de Campinas.

Não se ficará por aí. Em Lisboa, haverá ainda mais painéis, com outros estudiosos da obra do Prémio LeYa 2009. O quarto painel estará subordinado “A memória, o esquecimento e os seus usos políticos” e o quinto ao tema “Do poético ao político: o poder, os centros e as margens”. Neste participará mais um moçambicano: Calane da Silva, com a intervenção voltada a “O retrato de João Albasini pelo olho de João Paulo Borges Coelho”, na companhia do autor português a viver no país, António Cabrita, quem deverá debruçar-se sobre a “Ilusão e Auto-Ilusão: O “Olhar Desdobrado” em Auster e Borges Coelho e a Sua Passagem a um Outro GÉNERO”.

O sexto painel tem como tema “As fissuras identitárias e institucionais em Moçambique” e o sétimo é “Materialidades e viagens teóricas na escrita de João Paulo Borges Coelho”.

No último dia do evento, a Conferência de encerramento será orientada por Fátima Mendonça, da UEM, e com a moderação de José Luís Cabaço.

 

Encontro com o escritor, o lançamento…  
 
O Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, durante os dois dias de congresso, vai acolher um encontro com João Paulo Borges Coelho. Nesse evento estarão Lourenço do Rosário, da Universidade A Politécnica; e Sandra Sousa, da University of Central Florida. E, como se impõe, haverá o lançamento do livro “Visitas a João Paulo Borges Coelho. Leituras, Diálogos e Futuros”, que sai sob a chancela da editora Colibri. Em Lisboa, também será lançada a edição italiana do livro “Indizi indiani”, a ser apresentado por Jessica Falconi.

 

Beyoncé, Bruno Mars e Kendrick Lamar foram os grandes vencedores dos prémios BET, do canal de televisão Black Entertainment Television, cuja cerimónia se realizou domingo à noite no Microsoft Theater, em Los Angeles, EUA.

Beyoncé venceu cinco categorias, designadamente as de Melhor Álbum, Melhor Artista Feminina, e ainda foi a melhor artista de acordo com o público. A artista esteve, no entanto, ausente da cerimónia, visto que voltou a ser mãe há pouco tempo.

O evento contou com actuações de Bruno Mars, Migos, Chris Brown, Mary J. Blige e Khalid, entre outros.

O Prémio Humanitário ficou para Chance the Rapper. Já o Prémio Carreira foi dado a New Edition. Bruno Mars foi agraciado com o prémio de Melhor Artista Masculino R&B/Pop. Melhor Grupo é o Migos e a eles coube a vitória na categoria de Melhor Colaboração com Lil Uzi Vert, na música“Bad and Boujee”. Como já se previa, o Melhor Artista Masculino de Hip-Hop desta edição foi para o rapper Kendrick Lamar. A mesma categoria, mas que agracia pessoas do sexo feminino, valeu a Remy Ma. Bruno Mars voltou a subir no palco para ter a estatueta de Melhor Video com “24 Magic”. A mesma categoria foi conquistada por Beyoncé com o vídeo da música “Sorry”.

O Realizador do Ano é Kahlol Joseph e, porque não, a própria Beyoncé no vídeo “Sorry”. O artista Revelação do Ano é Chance The Rapper. Solange teve Prémio Centric com “Cranes in the Sky”. A Melhor Artista Internacional é Europa Stormzy. E, para fechar, o talentoso Wizkid é o Melhor Artista Internacional do continente africano.

A 24 de Junho de 1953 nascia a escritora e jornalista, Fátima Langa, no distrito de Manjacaze, na província de Gaza. Na celebração do seu 64º aniversário, amigos e familiares esperavam, como de costume, reunir-se para celebrar. Porém, quis o destino que este, também, fosse o dia da sua partida.

Quando o relógio marcava 15 horas, no último sábado (24), avozinha – como era carinhosamente tratada pelos seus netos – sentiu-se mal e foi levada de imediato ao hospital. Porque não se tratava de algo grave, foi medicada e retornou a casa.

No aconchego do lar e as vésperas de apagar as velas do seu aniversário natalício, sentiu-se mal novamente. De regresso ao hospital recebeu todos os tratamentos médicos possíveis, mas o esforço foi em vão. Fátima Langa não resistiu e deu o seu último suspiro.

Segundo o irmão, Alberto Simão, a escritora estava doente já há algum tempo, mas a situação estava controlada e por isso a sua morte foi uma surpresa.

Para os amigos, que a tinham como irmã, o momento é de muita dor e choque. Com os olhos cheios de lágrimas, recordam-se dos momentos partilhados e lamentam a sua partida.

Cientes da sua importância no mundo da literatura, dizem que as crianças não perderam apenas uma contadora de estórias, mas uma avó. “Eu espero que sua alma continue a escrever. As crianças ficaram sozinhas, pois era única que se preocupava em escrever para elas”, disse emocionada a amiga de longa data, Natividade Bule.

Fátima Langa é descrita pelos seus ente-queridos como uma mulher de garra e batalhadora. Um exemplo disso, é que até aos seis anos só falava o cichopi, sua língua materna, tendo aprendido a língua portuguesa mais tarde quando ingressou no ensino primário na Vila de Manjacaze. Por ser uma mãe dedicada, a sua formação superior, em Jornalismo, foi adiada até a altura em que viu os seus filhos formarem-se.

Durante uma entrevista ao programa Mais Mulher da STV, exibido no ano passado, revelou que desde a tenra idade cultivou o hábito de contar estórias à volta da fogueira, na sua língua materna. Contudo, não pensava em publicar. A escritora Lília Momplé foi quem a incentivou a publicar os contos que escrevia e guardava para contar as suas crianças. Ao aceitar o desafio, entregou-se totalmente ao mundo literário.

Em vida, a escritora e jornalista, escreveu vários livros – em português e na sua língua materna – para a pequenada, dentre eles destacam-se: “A Gazela, o Carneiro e O Coelho”, “O galo e o coelho”, “Nhembeti” e “Ndinema vai à escola”.

O seu percurso literário é fortemente influenciado pelas vivências da sua infância passada maioritariamente na terra natal.

Por ser das poucas autoras que se dedicava a literatura infantil, o seu nome é uma referência obrigatória ao se falar da modalidade.
Fátima Langa era a irmã mais velha de 10 irmãos, deixa dois filhos e dezenas de netos – que na sua maioria ganhou contando estórias.

Dança, muita dança… Cor, mas muita cor… assim é o Songo festival, um evento cultural que anualmente junta diversos grupos culturais do distrito de Cahora Bassa e não só, em Tete.

Na terceira edição que decorreu entre os dias 23 e 24, 300 artistas mostraram a riqueza cultural da província. A vila de Songo viveu momentos alegres e de muita euforia. Durante os dois dias, os 31 grupos procuraram convencer o jurado com exibições de tirar o fôlego.

Durante as actuações, o convencional casava-se com o tradicional, a simplicidade à criatividade. Mais do que dança, os grupos espalhavam alegria, o gingado. Enquanto alguns optaram em não fugir do comum, outros ousaram em trazer inovações, como é o caso de dois grupos de Nyau. Um que brindou os presentes com um número de dança feito num poste, sim um poste comumente é usado para suportar os fios de corrente eléctrica; e outro que mostrou o seu gingado numa corda bamba.

Alegria via-se no público que se animava a cada apresentação, até porque não são todos os dias que se assiste a um festival.

Depois da apresentação dos grupos, coube ao jurado escolher os três melhores nas categorias de dança tradicional, dança convencional, teatro entre outras. O momento foi de grande euforia para os grupos vencedores que receberam entre 5 a 15 mil meticais.

No final do evento, o director distrital de Educação e Desenvolvimento Humano de Cahora Bassa, em representação da administradora distrital, disse que a terceira edição foi melhor que a do ano passado. “Estamos felizes porque, mais uma vez, mostramos que somos capazes de organizar um evento dessa dimensão. Esta edição foi melhor que a anterior. Puderam ver as diversas manifestações culturais da nossa província e o empenho de cada grupo em mostrar as suas habilidades. Queremos fazer com que este evento seja uma marca na nossa província e no nosso país em geral”, alegrou-se Nelson Majasse.

Para Itai Meque, membro do conselho de administração da HCB, o evento mostra que a vila está a desenvolver. “Este evento acontece numa altura em que o mundo precisa reaprender não só a importância da cultura, mas como também a cultura de paz. Não temos dúvidas que o distrito de Cahora Bassa é a terra da arte popular, erudita, tradicional e inovadora que é representada pelo Nyau, considerada património mundial entre outras danças”, disse o dirigente que destacou que as celebrações marcavam igualmente os 42 anos da empresa HCB. “Estamos felizes por mais um aniversário. Este ano é particularmente especial, pois estamos a preparar as celebrações dos 10 anos da reversão da nossa hidroeléctrica, uma cerimónia que terá lugar no próximo mês de Novembro”.

Assim foi a III edição do Songo Festival, assim foi a festa de arromba que paralisou esta pequena vila.

 

Moçambique acolhe pela primeira vez o Design Talk, uma plataforma que visa discutir o design feito no país, sob o tema “Reticências do Design em Moçambique”. O Design Talk é uma iniciativa da MED – Comunicação, com apoio da Universidade Pedagógica (UP), entre outras organizações, e terá lugar no dia 29 de Junho de 2017, na Biblioteca Central da UP, em Maputo, entre às 16h00 e 18h30.

O evento vai juntar profissionais da área de design, jornalismo, marketing, publicidade, artes visuais, estudantes, professores, estúdios criativos e curiosos em design, com o propósito de partilhar experiências e conhecimentos em torno do design local e mundial.

O Design Talk é a primeira iniciativa nacional do género e conta com parceria de organizações nacionais e estrangeiras, tais como Design Culture (Brasil), Festival Literatas, Chamanculo Guezi Movement, Maputo Fast Forward, Escola Superior Técnica da UP. Trata-se de uma plataforma física e digital para a promoção de debates, pesquisa, inovação e criatividade sobre design em Moçambique, que pretende contribuir para sua divulgação, dentro e fora do meio académico. Esta plataforma pretende abrir espaço para discussões e partilha, pretende desmistificar o conceito de design e outros a si associados, deseja consolidar o “Design moçambicano” e divulga-lo a nível nacional e internacional. É uma plataforma inédita em Moçambique, e vai abrir espaço para jovens criativos exporem as suas ideias, soluções a nível do design, para empresas e organizações.

No seu arranque oficial, o Design Talk tem como tema “Reticências do Design em Moçambique”, tendo como oradores principais, o comunicólogo Sérgio Langa e o criativo Cláudio Mangujo.

Pretende-se, ao escolher este tema, fazer uma reflexão em torno do design em Moçambique, reflectir sobre a necessidade da existência ou não de um “Design Moçambicano”, buscando referências histórias que originaram o que hoje chamamos de design no País.

O tema estará dividido em três principais eixos, nos quais pretende-se discutir (I) as origens do design em Moçambique – as primeiras tentativas de comunicar através do design, os precursores, referência do espaço geográfico e temporal; (II) o design no período pós-independência – procurando compreender se haverá tendência de unificar o design nesta época, os meios disponíveis para produção e a relação com o design internacional. Por último em discussão estarão as (III) tendências do design actual em Moçambique – o que se tem a nível da produção, a influência tecnológica na produção de objectos e peças de design, o surgimento e a influência das escolas no design.

Neste eixo pretende-se também mostrar ideias criativas do design actual e como é que a fase anterior contribuiu para influenciar as actuais formas de fazer design.

 

A escritora e jornalista Fátima Langa morreu. A autora de “Ndinema vai à escola” não suportou à doença que lhe afligia há algum tempo e partiu na madrugada deste domingo.

Ainda são escassas as informações sobre a morte de Fátima Langa. No entanto, uma fonte próxima à escritora e jornalista disse a Stv que a autora morreu na última madrugada, vítima de doença.
De acordo com a fonte, Fátima Langa tinha problemas de saúde há algum tempo.

Fátima Langa nasceu a 24 de Junho de 1953, na província de Gaza. A sua escrita é muito influenciada pelas experiências da sua infância.
Langa dedicava-se, sobretudo, à literatura infantil. É autora de livros como: “A Gazela, o Carneiro e O Coelho”, “O galo e o coelho” e “Nhembeti”, e era membro efectivo da Associação dos Escritores Moçambicanos.  

 

Será mesmo verdade que morreu o “cão tinhoso”? Foi, se calhar, essa dúvida que conduziu maior parte dos presentes à grande cerimónia do lançamento do mais recente livro de Luís Bernardo Honwana.

“A Velha Casa de Madeira e Zinco” é uma nova maneira de estar deste embondeiro da literatura moçambicana, que, tal o cão tinhoso matou os moçambicanos de saudades. Foi preciso passarem 53 anos para que o escritor se recordasse da “dívida” que esta arte cria. E agora, ainda que não seja necessariamente fruto de uma imaginação, decidiu pagá-la.

Alguns dirão que não a pagou totalmente ou que tenha criado outras dívidas, como os seus netos deixaram transparecer, ao oferecer-lhe dois cadernos, para que escreva mais dois livros. Os netos, esses, são claramente a metonímia de toda família Honwana e, porque não, da família moçambicana. Ainda que esta aventura não seja ficcional, até os leigos em literatura percebem a confusão que este livro cria não só para si como para a literatura moçambicana. Entenda-se o termo “confusão” como uma alusão ao debate, às questões que daí podem advir, como, por exemplo: por que não escreve outro livro? Isso porque, a partir de agora, os que não sabiam questionam-se: afinal, não tinha parado?

Pois, não tinha. Esta obra não compila só escritos recentes. Faz uma radiografia do seu pensamento sobre vários assuntos e momentos, assuntos esses já colocados a debate em várias plataformas. Eis aqui a coragem, referenciada por Aurélio Rocha, que permitiu ao cinquentenário escritor de “Nós Matamos o Cão Tinhoso” lançar outro livro.

A Estação Central dos Caminhos de Ferro de Maputo “rebentou pelas costuras”. Nem nas horas de ponta se nota tamanha enchente. Mas, diga-se, enchente seleccionada. O outro diria: culta. O certo é que foi uma plateia mista, mas reduz-se a uma única palavra: personalidades. Políticos (maioritariamente), artistas, activistas sociais e académicos viam-se em quase todas as filas.

A estação tornou-se, por quase três horas bem corridas, uma instituição política. Ainda que tenha havido uma bela actuação musical de Wazimbo, artista que coube no evento como uma luva, por ser também oriundo das casas de madeira e zinco, Teodato Hunguana levantou uma série de questões sobre o nosso passado colonial que nos fazem reflectir sobre o presente e, quiçá, o futuro.

O apresentador da obra fez um discurso longo, pausado, caracterizado pelas etapas mágicas da construção do país, afinal, esse é o pano de fundo de “A Velha Casa de Madeira e Zinco”.

Entre o apitar do comboio e outros barulhos da Estação, Hunguana recordou uma conversa que teve com o autor, nos últimos três anos, sobre as casas velhas de madeira e zinco como reservatório da memória de um tempo que, com o tempo, se ia irreversivelmente perdendo, se calhar, ao mesmo ritmo em que as casas desapareciam. “Inexoravelmente, depois das casas, seguiremos nós”, disse.

Este livro, no entanto, é para contrariar este dilema. Assim, segundo Hunguana, estes escritos têm por objectivo contribuir para a preservação da memória de um tempo em relação a qual a casa de madeira e zinco encerra um significado importante para a sua geração.

Mas a seguinte pergunta (ainda) não cala: será mesmo que esta “velha casa” absorve o “cão tinhoso”?

“Ruth” não é uma história sobre futebol. Nem será, em momento algum, uma série com futebol. Trata-se de uma série em dois episódios (55min cada) sobre a sociedade portuguesa metropolitana e ultramarina no início da década de 60 à boleia da história de um jovem futebolista moçambicano chamado Eusébio, atleta predestinado do Sporting Clube de Lourenço Marques, que se vê cobiçado e, finalmente, contratado pelo clube rival, o Sport Lisboa e Benfica.

Este é o filme de António Pinhão Botelho, produzido pela Leopardo Filmes, que será apresentado hoje à imprensa, às 15h00, no Conselho Municipal de Maputo.

Estarão presentes na cerimónia o realizador, a produtora e vários actores moçambicanos e portugueses que participaram nas filmagens em Moçambique.

Chantagem, tentativas de rapto, envolvimento de ministros do regime, fugas apressadas, delírio nos jornais e promessas de “dinheiro grande” fazem da história da transferência do futebolista uma saga altamente improvável desenrolada em dois continentes: na pacatez da capital e na agitação de uma colónia africana à beira da sublevação.

Esta mini-série começa em Lourenço Marques, no bairro de lata da Mafalala, e termina nas escadarias de acesso ao relvado do Estádio da Luz no momento em que o jovem jogador as sobe pela primeira vez. O resto é lenda.

O filme “Ruth” conta com o apoio do INAC, do Conselho Municipal de Maputo, Câmara Municipal de Lisboa, Camões – Centro Cultural Português em Maputo e Pestana Rovuma.

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