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O País – A verdade como notícia

A cerimónia de lançamento do livro “O bebedor de horizontes”, de Mia Couto, já começou na Fundação Leite Couto.

Para um dos apresentadores da obra, Lourenço do Rosário, Mia já não é um contador de estórias, é um filósofo das narrativas do passado com uma acutilância que nos toca no presente, por ser actual.

A cerimónia conta com a presença do PR, Filipe Nyusi. O outro apresentador é Severino Ngoenha.

O que este romance nos diz que a História e Antropologia não disseram? A pergunta norteou a dissertação de Severino Ngoenha, na apresentação da obra “O bebedor de horizontes” de Mia Couto.

Para Ngoenha, O bebedor encanta porque reinventa uma nova Gaza, Lourenço Marques e Ngungunyane. É um livro que ensina a sonhar.

"O livro não nos diz tanto o que aconteceu no passado, mas o que nos toca no nosso presente, as nossas preocupações", disse Ngoenha.

Mia Couto entende que “O bebedor de horizontes” é o maior desafio do seu percurso literário. Por isso, sai feliz desta aventura.

Para Mia, esta proposta para encontrar o outro vale a pena, e está representada na figura do Presidente da República, ao tecer pontes, indo a busca da reconciliação. O escritor entende que Nyusi representa esperança para o país.

 

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Um dos leitores que acompanhou o lançamento do livro de Mia Couto, esta noite, foi o Presidente da República, Filipe Nyusi, que revelou que estava ansioso em ter o livro.

O Presidente teve uma intervenção muito breve, mas suficiente para felicitar o escritor por mais uma obra literária, que enriquece o repertório das letras moçambicanas.

Os elogios de Nyusi não se restringiram ao autor. O Chefe do Estado também elogiou a iniciativa de a família Couto transformar a casa que foi de Fernando Leite Couto numa fundação. O Presidente afirmou que se mais famílias seguissem o exemplo, o país sairia a ganhar.

Depois, já no fim da sua intervenção, Nyusi pediu para que Mia Couto não tenha tanta esperança em relação a uma solução breve aos problemas que afectam o país, porque dependem de muita coisa.

 

“Ualalapi Fragments from the End of Empire” é o título da versão em língua inglesa do livro de  Ungulani Ba Ka kHosa,  publicado recentemente nos Estados Unidos da América, três décadas depois do lançamento da primeira edição em Maputo, pela Associação dos Escritores Moçambicanos.

“Ualalapi Fragments from the End of Empire”, foi lançado nos Estados Unidos, sob estampa da  editora Tagus Press, da Universidade de Massachusetts Dartmouth, com tradução para língua inglesa por  Richard Bartlett e Isaura de Oliveira.

Comentando sobre a edição norte-americana de “Ualalapi”, obra cotada entre os cem melhores livros africanos do século XX,  Hilary Owen, das Universidades de Oxford e Manchester, adianta: "a tradução inglesa desta obra-prima indisputável da ficção moçambicana moderna é muito bem-vinda como importante. Tanto a tradução quanto o prefácio fornecem ao leitor anglófono uma excelente introdução ao trabalho de Ungulani Ba Ka Khosa, oferecendo uma visão histórica convincente de povos e culturas no cadinho de conflito ".

A versão americana de “Ualalapi” insere um prefácio do Professor Phillip Rothwell, director do Centro Europeu de Pesquisa em Humanidades, da Universidade de Oxford, na Inglaterra e especialista em literaturas e cultura portuguesa e lusófona, categorizado como líder dos seminários de graduação sobre a literatura, cultura angolana e moçambicana em diversas Universidade europeias, entre universidades de Edimburgo, Liverpool, Bucknell e Bristol.

“Ualalapi Fragments from the End of Empire” integra assim a série Adamastor, coordenada pela professora de literaturas africanas de língua portuguesa da Universidade Massachusetts Dartmouth, Anna M. Klobucka, uma nobre colecção, onde desfilam nomes como Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Eduardo Lourenço, Padre António Vieira, Hélder Macedo e Fernando Gil.

Para Luís Madureira, da Universidade de Wisconsin-Madison, "Ualalapi” perdura como uma das novelas históricas mais convincentes produzidas em Moçambique pós-independente. A narrativa de Khosa exala um presságio e um humor multifacetado do fim do mundo. 

 

 

O músico moçambicano Valdemiro José vai lançar, muito em breve, o quarto álbum da sua carreira.

A viagem de 12 destinos (12 faixas musicais) tem muitas paragens, com músicas gravadas não só no país, mas também em Portugal e no Brasil.

O machuabo promete, no trabalho discográfico, surpresas, com sons que variam desde os tradicionais ritmos moçambicanos, kizomba, música acústica e mais… VJ aventurou-se para o forró universitário, ritmo brasileiro, mas sem esquecer o toque da pérola do Índico, refere.

Na busca pela satisfação, Valdemiro José dedicou um ano e meio a preparar o álbum, o que lhe traz muita satisfação, os resultados alcançados. Para a semana, VJ irá a Portugal para finalizações.

Do álbum, não revela com que músicos colaborou, mas adianta que não são muitos. A aposta, diz, foi mesmo a nível da instrumentalização.

Mas enquanto o álbum não chega, o trabalho não pára. Valdemiro José participou, último final de semana, do décimo Festival de Zalala, em Quelimane, sua terra natal. Quem também participou do Festival, é o músico angolano Don Kikas, radicado em Portugal há mais de 20 anos.

Para os fãs, Don Kikas também tem surpresas. Para este ano, pode-se esperar um single do músico.

E para o próximo, há mais. O dono da eterna “Saquirima” vai lançar um novo álbum, e não só. Os fãs serão igualmente brindados com um CD e DVD, ao vivo, do “Don Kiks & Convidados Show Carreira”, espectáculo realizado em Portugal, para celebrar os 20 anos da sua carreia.

Os convidados são cantores de países de língua oficial portuguesa, um de cada. E de Moçambique não é tão difícil adivinhar o representante: Valdemiro José.

 

O mundo encantado chega a Moçambique. É a primeira vez que se assiste a um espectáculo do género no país. Inspirado pelo conto de fadas dos Irmãos Grimm, o director artístico, Iain MacDonald, trouxe à Moçambique o bailado clássico “Branca de Neve”, do Joburg Ballet. 

O espectáculo, que aconteceu em Maputo, encerrou o ciclo das celebrações do centenário da Revolução de Outubro de 1917, organizado pela Fundação Fernando Leite Couto. 

Segundo Fernando Amado Couto, o evento foi pensado com dois objectivos, para que as pessoas tenham possibilidade de ver bailado clássico e porque decidiram completar o ciclo da Revolução de Outubro de 1917. 

“O bailado clássico já não era representado no nosso país há muitos anos, e porque a Rússia sempre foi a escola mãe do balé clássico em toda parte do mundo”, disse Couto, acrescentando que era necessário que se fizesse no país um bailado de qualidade. 

O evento superou as expectativas dos organizadores, tendo excedido a capacidade da sala com expectadores que continuavam a chegar a cada instante, para ver o Joburg Ballet. 

O mundo encantado deixou os espectadores maravilhados. Para muitos, o evento foi fascinante e deveria repetir-se mais vezes.

“É muito importante em termos culturais, já havia assistido noutros países, aqui é a primeira vez e foi muito bonito”, afirmou Carlos Pereira, espectador.

Para António Coreia, outro espectador, foi uma surpresa agradável. Já havia visto balé a nível internacional, mas “em Moçambique é a primeira vez que vejo é um espectáculo bonito”. 

Para quem não teve oportunidade de assistir ao espectáculo desta vez, a Fundação Fernando Couto promete mais bailado clássico nos próximos anos.

“Temos que marcar periodicidades anuais, esta experiência deu-nos força para que a Fundação que é muito limitada, abarcasse a possibilidade de fazer grandes eventos”, explicou Fernando Amado Couto.

Os bailarinos vão trocar experiências com algumas escolas da cidade de Maputo, para transmitir os seus ensinamentos de anos. E segundo a organização, é possível que dentro de alguns anos tenhamos uma escola de bailado clássico em Moçambique. 

Quelimane acolhe desde ontem até este domingo a décima edição do Festival de Zalala. Para este ano, são esperadas pelo menos 35 mil pessoas dentre cidadão nacionais e turistas estrangeiros no maior evento cultural da Zambézia.

O governador da província, Abdul Razak, diz que o evento é importante, na medida em que a cidade acolhe muitos visitantes, o que pode despertar interesse de possíveis investidores.

Mais de cem músicos dentre nacionais e estrangeiros garante a animação no palco. De Moçambique, o destaque vai para Valdemiro José e do estrangeiro, o angolano Don kikas.

 

Mais uma vez, a Fundação Fernando Leite Couto foi palco de um evento literário, mas, desta vez, foi a entrega de um prémio literário. Esta foi a primeira edição do Prémio Fundação Fernando Leite Couto, de várias que virão.

Num total de 142 obras concorrentes, foi escolhida a obra “Sombras de Silêncio”, de Macvildo Pedro Bonde ou M. P. Bonde como é conhecido.
Segundo o autor, “um prémio é sempre uma surpresa, mas fazer um bom verso, um bom texto é fruto de trabalho e quando alcançamos aquele ponto ficamos ‘wau’ consegui. Quando se consegue desfazer dos mestres e seres autêntico não há melhor satisfação que esta”, explicou.

“Sombras de Silêncio” é uma prosa poética dividida em quatro momentos, na primeira, terceira e quarta, o poeta fala sobre seus “eus”, da meta poesia e sobre aquilo que apoquenta a sociedade. No segundo momento, fala do amor.

“Não vale a pena só falar de mim no meu quarto, mas também olhar para os males que apoquentam a sociedade que também sou membro. E como cidadão tenho também de manifestar a minha simpatia ou não perante a sociedade”, referiu.

Este prémio foi criado para privilegiar e dar espaço para os autores não consagrados. “Uma das várias metas que tínhamos para a Fundação, era a criação do prémio”, disse Mia Couto. Mas a mais importante de todas é a publicação de livro, “sobretudo de gente nova e que de outra maneira teria dificuldade em publicar suas obras”, acrescentou, sem se esquecer de frisar que a Fundação dá a mesma importância às conversas com os autores, às oficinas literárias e à troca de experiências entre autores consagrados e os menos consagrados.

Este evento teve como patrocinador a Trassus Mobiliário. Para ter um vencedor é necessário que haja um avaliador e para a edição pioneira estiveram envolvidos quatro membros de júri: Aurélio Cuna, a estudiosa brasileira Carmen Tindó, escritor angolano José Eduardo Agualusa e o poeta moçambicano Luís Carlos Patraquim.

A maior parte do júri reside fora de Moçambique e, segundo Aurélio Cuna, as análises das obras foram feitas por vídeoconferência. “Estivemos reunidos por três vezes e, nos primeiros seis dias de Outubro, fizemos a selecção final, com a escolha de “Sombras de Silencio”, relatou Aurélio Cuna.

Estabeleceu-se que para a classificação das obras concorrentes devia estabelecer-se três critérios: inovação formal, qualidade semântica e correcção linguística, critérios dos quais a obra de M.P. Bonde conseguiu enquadramento.

“Nada acontece por acaso, tudo é fruto de trabalho”, referiu Bonde, quem lançou seu primeiro livro “Ensaios Poéticos” pela Cavalo do Mar, em Março deste ano.

Começou a escrever poesia nos meados do ano 2000. Fez parte do Arrebenta Xithokozelo no Teatro Avenida, participou em colóquios e saraus que o permitiram perceber mais a poesia. n

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