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O País – A verdade como notícia

O Conselho Municipal da Cidade de Maputo prestou homenagem ao escritor Aldino Muianga pelos 30 anos de produção literária. Veja, na íntegra, o discurso do edil, David Simango, no evento que decorreu na Jardim Tunduru, durante a 3ª edição da Feira do Livro.

“Cabe-nos a honra, nesta majestosa ocasião, de encontrar palavras certas para descrever o quão deslumbrante são, tanto a obra, quanto o próprio autor, o nosso ilustre escritor Aldino Muianga. Porém, quisera ter uma missão que se circunscreve unicamente numa execução honorífica. Mas ter o desplante de falar de Aldino Muianga é tão fascinante quanto desafiador. Aliás, não fosse o nosso exímio autor, um homem pertencente a uma constelação tão selecta quanto restrita de criaturas a quem a natureza dotou de habilidades transcendentes em áreas de conhecimento tão exigentes quanto distintas. O seu percurso eminentemente invejável tanto como clínico e cirurgião, assim como docente em academias nacionais e estrangeiras, acrescido às suas tão prolíficas quanto profusas obras literárias são disso um exemplo inequívoco.

Efectivamente, de um ilustre autor como Aldino Muianga, temos muito a aprender. Ou não estaríamos a falar de quem, em 30 anos de uma cintilante carreira como escritor, brindou os seus leitores; adubou importantes debates e estudos literários, assim como inspirou gerações, contribuindo, deste modo, para o alavancamento da literatura em Moçambique. Na verdade, a criação de um total de 15 obras durante este percurso, a última das quais, intitulada “Asas Quebradas”, recentemente lançada, prova que estamos perante um incansável e inusitado mestre da criação na arte literária. É, pois, por esta razão que, pela fulgurante carreira, e pelo entusiasmo que a sua obra causa diante dos fazedores das artes e das letras, no geral, e dos amantes da arte literária, em particular, Aldino Muianga integra, incontestavelmente, o panteão de ilustres autores da nossa literatura.

Daí que, numa altura em que celebramos os 130 Anos de elevação de Maputo à categoria de Cidade, aliás, a urbe que se orgulha de ser o berço do nosso ilustre escritor, afigura-se de capital importância mostrar, sobretudo às novas gerações, aquelas figuras que, pela sua destreza e engenhosidade, ajudam a moldar a humanidade, tal como o faz o nosso prodigioso escritor.

Esta acção enquadra-se no estrito cumprimento dos nossos compromissos, aquando da assunção dos destinos da edilidade, nomeadamente, promover a cultura, o desporto e a recreação no seio de adolescentes, jovens e adultos.

Ora, a homenagem a um escritor do calibre de Aldino Muianga, paralelamente à Feira do Livro de Maputo, é uma oportunidade fecunda, pois, desta combinação resultam encontros e descobertas indeléveis entre gerações e culturas distintas.

Para terminar, gostaríamos de reconhecer, cordialmente, o esforço empreendido pelos nossos parceiros, apoiando-nos, de modo a valorizarmos os principais fazedores da nossa cultura, tal como o nosso escritor, docente, médico e cirurgião Aldino Muianga, que, acima de tudo, projecta o nome da nossa Cidade além-fronteiras, e a quem desejamos longa vida para continuar a deleitar-nos com as suas suculentas obras e a moldar o homem, hoje, amanhã e sempre”.

 

O Jardim Tunduro, local onde decorre mais uma edição da Feira do Livro de Maputo, foi, uma vez mais, palco de manifestações artísticas, como música, teatro e declamação de poemas. Tudo para celebrar a grandiosidade do escritor, professor e cirurgião, Aldino Muianga.
Depois de ano passado o Conselho Municipal ter homenageado Juvenal Bucuane, nesta edição da Feira foi a vez de Aldino, autor com 30 anos de carreira literária, que o permitiram publicar 15 livros.

Para o autor, porta de entrada para quem quer conhecer Maputo por via da literatura, a homenagem constitui uma grande surpresa. Depois, não deixou de agradecer ao apoio da esposa. "Agradeço à minha esposa, pela inspiração. Com ela partilho este momento porque muito do que que escrevi foi por ela inspirado".

Para o Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo e Ministra da Educação e Desenvolvimento Humano, Aldino Muianga é um homem com um conhecimento invejável e há muito que aprender com o escritor. "Temos muito a aprender do Aldino, que durante os 30 anos e uma cintilante carreira prendeu os seus leitores, assim como inspirou gerações, contribuindo para a literatura moçambicana", David Simango.

"Esta homenagem poderá ajudar as nossas crianças a sentirem-se cada vez mais inspiradas para saber o que é ler e escrever, porque só através da leitura e escrita teremos outros Aldinos Muiangas", disse Conceita Sortane.

Das 15 obras que compõem o reportório literário de Muianga, a última foi lançada terça-feira, pela editora Cavalo do Mar. O romance é intitulado Asas quebradas, e é uma busca pela identidade.

 

 

A Academia justificou a escolha de Kazuo Ishiguro, por ser um escritor que, "em romances de grande força emocional, revelou o abismo sob o sentido ilusório de conexão com o mundo", avançou o Notícias ao Minuto.

O escritor britânico nasceu em Nagasaki, Japão, fixando-se com a família no Reino Unido, no início da década de 1960. Destacou-se com os primeiros contos, publicados na revista Granta, escreveu para cinema e televisão, é autor de canções. Com "Os Despojos do Dia" venceu o Booker Prize, em 1989.

No final da década de 1970, Ishiguro graduou-se em Inglês e Filosofia na Universidade de Kent e estudou, em seguida, Escrita Criativa na Universidade de East Anglia, em Inglaterra.

Kazuo Ishiguro tornou-se desde então escritor a tempo inteiro. Começou por publicar contos na revista literária Granta, e o seu primeiro romance data de 1982, 'A Pale View of Hills', publicado em 1990, em Portugal, pela Relógio d'Água, ao qual se seguiu 'An Artist of the Floating World' (1986), situado em Nagasaki, poucos anos após a II Grande Guerra (1939-1945)

Segundo a Academia Sueca, os temas que Kazuo Ishiguro aborda, a memória, o tempo, a desilusão de si próprio, evidenciam-se já neste romance, editado em Portugal pela Livro Aberto, também em 1990, com o título 'Um Artista no Mundo Transitório'.

A preocupação com a memória e o esquecimento é particularmente notória no seu mais conhecido romance, 'The Remains of the Day' (1989), editado em 1991 em Portugal pela Gradiva, com o título 'Os Despojos do Dia'.

A obra foi adaptada ao cinema, em 1993, pelo realizador James Ivory, com argumento do próprio escritor e de Ruth Prawyer Jhabvala, com Anthony Hopkins e Emma Thompson, por protagonistas.

Segundo a instituição sueca, a escrita de Ishiguro é marcada por uma cuidadosa contenção, independentemente do local da narrativa.

Mauro Brito, poeta e autor da obra “Passos de magia ao sol”, estará em digressão cultural pelo Brasil, desde o dia 14 deste mês até 7 de Novembro. O objectivo é divulgar da sua obra e estabelecer intercâmbios com artistas locais.

Na viagem à terra de Jorge Amado e de Ronaldinho Gaúcho, o enfoque vai para a sua participação na nona edição do Festival de Artes Negras (FAN), a ter lugar na cidade de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Na capital mineira, Mauro Brito tem apresentações entre os dias 15 e 23 do corrente mês, no Instituto Cultural Casarão das Artes, parceiro do festival e também da Prefeitura de Belo Horizonte.

A sua participação terá como foco a apresentação da sua primeira obra de poesia “Passos de magia ao sol”, um livro infanto-juvenil, seguido de rodas de conversas e assinatura de autógrafos. Também está marcada uma conversa sobre a cultura moçambicana aos moradores da cidade de Belo Horizonte.

Ora, a participação de Brito estende-se ainda a outros eventos. No estado de Santa Catarina, na Universidade com o mesmo nome, terá uma “palestra aberta aos estudantes de Pedagogia”. E no dia seguinte, vai participar duma oficina junto do grupo de estudantes do Contarolando, terminando com uma sessão pedagógica.

Dando continuidade à sua digressão, o poeta escala o estado do Ceará, onde toma parte numa mesa de abertura na “UNILAB”, com o Projecto de iniciação à docência; seguindo-se um outro evento denominado Karingana Wa Karingana, “literaturas africanas de língua portuguesa em sala de aula”; e por último participará de uma “Oficina de Criação Literária”, na companhia dos alunos da UNILAB.

O autor encerra a sua digressão no Estado de São Paulo, com a participação do Sarau do Kintal e do Sarau da Cooperifa, onde vai interagir e recitar poemas de sua autoria junto de outros poetas locais.
Mauro Brito é escritor e poeta, iniciou-se no teatro e activismo social, contudo, é na literatura que se sente confortável. Colaborou com vários movimentos: Movimento Humanista, Kuphaluxa e Sociedade Moçambicana de Debates. Desde então escreve para revistas e jornais: Cultura, Missanga, Literatas, participando igualmente em recitais e sessões de poesia. De espírito inquieto e versátil, tem percorrido outros caminhos como piloto de aeronaves. Estreou-se em 2017 com o seu livro “Passos de magia ao Sol”.

 

É a primeira vez que o Trio Arne Jansen se aventura pelo território nacional. Os músicos irão se apresentar ao vivo na Feira do Livro de Maputo, esta quinta-feira, no Jardim Tunduro.

Arne Jansen é um dos guitarristas de Jazz mais versáteis e premiados na Alemanha. Desde os anos 90 que este músico influenciado por nomes como Jimi Hendrix, Mark Knopfler, Pat Metheny ou John Abercrombie tem vindo a afirmar-se na cena musical alemã e no mundo do Jazz a nível internacional.

Montou o Arne Jansen Trio, em 2008, um projecto que oferece ao público o máximo de expressividade e variedade estilística por via de melodias simples que se transformam em harmonias e andamentos que revelam espaços sonoros e aportam para viagens e paisagens.

O trio é composto pelo guitarrista Arne Jansen que se faz acompanhar por Robert Lacaciu na viola baixo e Moritz Baumgärtner na bateria.
A apresentação do trio musical terá como convidada a cantora moçambicana Xixel Langa.

 

“Juntos”. Nem mais, este é o título do novo trabalho discográfico da Banda Kakana. Quatro anos depois do grupo lançar o álbum de estreia “Serenata”, Kakana reaparece com um disco que pretende aproximar moçambicanos de várias origens e de todas as cores.

“Juntos” é um álbum dedicado às famílias moçambicanas, com mensagens que contêm diversas abordagens, destacando-se o amor, louvor à paz, perdão, resgate de valores tradicionais. Para o efeito, Kakana investiu numa sonoridade que traduz continuidade em relação ao que caracteriza “Serenata”.

Ora, porque a tradição, os valores culturais de um país são também representados por via da língua, veículo fundamental no processo da expressão individual e colectivo, os artistas da Banda Kakana procuraram, nas composições, explorar e valorizar o repertório linguístico que Moçambique possui. Assim, “Juntos” apresenta nas suas 17 músicas temas cantados em changana, chope, guitonga, nhungwe e macua.

Quanto às participações, não faltam nomes de peso, como o saxofonista Otis, Wazimbo e o baterista Stélio Mondlane.
O espectáculo de lançamento do álbum está previsto para dia 3 de Novembro, às 20h, no Centro Cultural Universitário da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo. O show contará com a participação da Orquestra Xiquitsi, Wazimbo, Otis e Lemon Pinto.

 

Os escritores brasileiros Andréa del Fuego e Paulo Lins virão a Moçambique, pela primeira vez, para participar da Feira Internacional do Livro de Maputo. Os escritores estarão no país entre os dias 5 e 8 deste mês.

Andréa del Fuego é escritora, formada em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Autora de sete livros de ficção, entre eles o romance “Os Malaquias”, obra vencedora do Prêmio José Saramago cujos direitos foram vendidos para Israel, França, Argentina, Itália, Croácia, Suécia, Romênia, Alemanha e Portugal. Seu último romance, “As Miniaturas”, foi escrito com bolsa de criação literária do Programa Petrobrás Cultural, com direitos vendidos na Argentina, França e Portugal e foi publicado pela editora Companhia das Letras.

Paulo Lins é poeta, romancista, roteirista de cinema e televisão e professor licenciado em Língua Portuguesa e Brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É autor de “Sob o Sol” (poesia), “Cidade de Deus” (romance, adaptado para o cinema com quatro indicações ao Oscar), “Esses Poetas” (poesia, com seleção e organização de Heloisa Buarque de Holanda), “Desde que o Samba é Samba” (romance) e “Era Uma Vez” (poesia). Escreveu o roteiro de diversos longa-metragens para o cinema e de seriados para a televisão, que obtiveram diversos prémios.

Os escritores brasileiros participarão de mesas redondas na Feira Internacional do Livro de Maputo e no Festival Literatas, a realizar-se na Matola.

 

 

Aldino Muianga assinala 30 anos de produção literária com o lançamento de mais uma obra, intitulada “Asas quebradas”. Como é habitual, o escritor continua, neste “voo rasante”, a desfigurar o quotidiano urbano, com uma narrativa inspirada em factos reais que o colocaram face a face com o problema de identidade – individual e social.

Com esta obra, o autor pretende trazer uma reflexão sobre o nosso ser, como cidadão e como membro de uma sociedade.

“‘Asas quebradas’ é um mapa sobre a busca da identidade, disse Muianga, assinalando que uma busca pela identidade é uma grande aventura, é uma grande preocupação para as pessoas que não conseguem inserir-se no seio da família e da sociedade”.

Enquanto escrevia, Muianga pensou em desistir do livro por achar que era muito complexo. “Desde a terceira parte, tive que parrar e pensar qual seria a melhor saída entre uma e outra para o desfecho. Quero, nesta obra, despertar nos leitores a busca de identidade, é uma metáfora sobre uma identidade que queremos redescobrir porque a partir de um certo ponto da nossa história perdemos as coordenadas do nosso destino”.

Para os que se iniciam na carreira literária o autor recomenda o exercício de leitura e escrita e discussão com outros leitores. Além disso, o escritor falou, no Auditório do BCI, em Maputo, onde o livro foi lançado hoje, um pouco mais de si, sobre a experiência de inventar universo fictícios. “É um processo complexo e, ao fim de 30 anos, sinto-me muito feliz porque continuo a produzir obras que muitos críticos consideram de muita qualidade, é um trabalho aturado, intenso, longo e doloroso. Muitas vezes é preciso ter muito sacrifício”.

Em “Asas quebradas”, Muianga conta a história de duas mulheres, uma mãe que é abusada sexualmente pelo seu tio, e de uma filha que, quando adulta, começa uma busca incessante pelas suas origens, depois de nascer numa “casa errada”.

 

 

O escritor português João Tordo, vencedor do Prémio José Saramago em 2009, com a obra “As três vidas”, estará na capital do país, a convite do Camões – Centro Cultural Português, para participar na Feira do Livro de Maputo, iniciativa do Conselho Municipal que inicia próxima quinta-feira, no Jardim Tunduru.  

João Tordo vai participar na abertura da maior Feira do Livro do país no dia 5 de Outubro, às 10h. Nesse mesmo dia, às 15h, João Tordo (Portugal), Lucílio Manjate (Moçambique) e Paulo Lins (Brasil) são os protagonistas da mesa-redonda “A arte de contar histórias”, que será moderada pelo jornalista David Bamo.

Ainda no dia 5 de Outubro, às 18h, no novo espaço criativo DEAL, o autor é convidado a participar numa “Conversa a partir das obras de João Tordo e Aldino Muianga”, que contará com a moderação de Mbate Pedro.

No âmbito do programa paralelo da Feira do Livro de Maputo, no dia 6 de Outubro, às 12h, Tordo tem encontro marcado com estudantes de Português da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane para falar sobre “Caminhos da Escrita e da Leitura Literária”.

Além da presença na Feira do Livro de Maputo, onde João Tordo participará na sessão de autógrafos que deverá marcar o final da iniciativa, no dia 7 de Outubro, às 16h, o escritor português irá participar ainda na 3ª Edição do Festival Literatas que este ano é subordinado ao tema “Pensar Identidades”.

João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. Formado em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa, trabalhou como jornalista freelancer em vários jornais. Viveu em Londres e nos Estados Unidos. Em 2001, venceu o Prémio Jovens Criadores na categoria de Literatura, antes do Prémio Literário José Saramago. Os seus livros estão editados em vários países, como França, Itália, Alemanha, Hungria e Brasil.
 

 

 

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