O País – A verdade como notícia

“Cicatriz Encarnada”. Este é o quinto livro do escritor moçambicano Rogério Manjate que será apresentado, hoje, na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo.

Desengane-se quem pensar que este lançamento vai se parecer com os demais que muito se assistem. Artista que é, Manjate não reduziria seu lado criativo a uma cerimónia tradicional. O também encenador, actor de teatro e cineasta, vai transformar o texto em movimentos, cores, sons e, já agora, em palavras que estarão na representação de Marisa Bimbo, Castigo dos Santos, Assane Cassimo e Venâncio Calisto.

Manjate não deixou que fosse outro a interpretar a sua própria obra. Por que faria, se o teatro corre-lhe nas veias na mesma dimensão que a literatura ou cinema? Para o artista, esta forma transversal de apresentação da sua obra é mesmo com o objectivo de cativar o potencial leitor que, com certeza, acompanhará os 45 minutos preparados para esta “odisseia”.

“Será uma interpretação do que lá está escrito, uma forma de ler o livro e fazer chegar ao leitor”, partilha Manjate, ao mesmo tempo que revela que “há uma imagem que construímos de acordo com o texto”.

Esta é a quinta obra do autor, onde resgata inocentemente anteriores criações, entre contos e poemas, – “Wazi”, “O coelho que fugiu da história”, “Casa em flor”, e “Amor Silvestre” – e dá uma nova identidade as peripécias que lá constam. Na verdade, esta obra faz o retrato do seu percurso como pessoa e como artista e traz à tona aquilo que é o seu olhar, enquanto sujeito poético, perante diversas realizações que o país (e por que não o mundo) nos apresenta.

“Este livro é como se estivesse a escrevê-lo desde o início”, confessa. Mas distancia-se do facto de ser uma poesia autobiográfica, pois não é necessariamente de si que os versos tratam. Para o poeta, nesta “Cicatriz Encarnada” encontram-se também outras entidades que habitam em si.

Noutro momento da entrevista, Manjate disse esperar que os leitores absorvam essa proposta que traz para a leitura do seu livro e que, de facto, mergulhem neste poema que no fundo, pelo seu fio único, é uma narrativa que se constrói do início ao fim do livro.

Escritor é a figura que o artista decidiu hoje tirar da cartola, mas é do teatro que respira ultimamente.

Está patente, desde a semana passada no Auditório do BCI, em Maputo, a 21.ª exposição dos estudantes da Escola Nacional de Artes Visuais (ENAV), intitulada “Processos, Criações e Aprendizagem”.

Esta mostra é, segundo o secretário permanente do Ministério da Cultura e Turismo, Domingos Artur, uma oportunidade para passar em revista as duas décadas de parceria entre o BCI e a ENAV, que permitiu a formação de profissionais de arte e cultura. Aquele responsável salientou ainda que as actividades lectivas e de formação levadas a cabo pela ENAV têm em vista “fazer com que não só tenhamos cada vez mais um acrescido número de graduados anualmente, mas sobretudo que eles sejam capazes de fazer parte do processo de desenvolvimento do nosso país não só no domínio das artes e cultura”.

Num outro desenvolvimento, a autoridade recordou que “o nosso fim não é de formar artistas. Eles serão artistas, mas acima de tudo terão que ser produtores de riqueza nacional. Serão o veículo de comunicação, de transmissão dos valores culturais, através das telas, da cerâmica, dos vestires, da tecelagem e de todos os produtos que eles transformam em matéria de arte”.

A directora da ENAV, Ricardina Marcos, referiu-se igualmente às duas décadas de parceria, nos seguintes termos: “Esta exposição é mais uma entre tantas que vêm sendo realizadas desde 1997, graças à colaboração e apoio inestimável do BCI. Por isso, a Escola Nacional de Artes Visuais, mais uma vez, expressa o seu reconhecimento e gratidão pelo papel do BCI no apoio ao processo de ensino e aprendizagem técnico artístico”.

Já o director de Marketing do BCI, Rogério Lam, afirmou que “esta exposição revela, uma vez mais, o enorme talento que existe em Moçambique. Demonstra também como os jovens artistas no país assumem com determinação e responsabilidade o legado que lhes é transmitido pela geração de mestres que muito orgulha Moçambique, daí o carinho especial que o BCI lhes reserva” e finalizou: “este ano selamos 20 anos de parceria entre as duas instituições. Estes laços permitiram e permitem o lançamento e promoção de talentos que a Escola Nacional de Artes Visuais forma, sendo um dos vários exemplos claros de intervenção social do Banco, no âmbito da sua política de responsabilidade social”.

Recorde-se que esta parceria remonta a 1997, ano em que as duas instituições assinaram um protocolo que prevê o apoio do BCI às actividades da ENAV e a realização de exposições anuais de obras produzidas pelos alunos daquele estabelecimento de ensino técnico-profissional.

Tem mais de 40 anos de carreira, cerca de 20 álbuns originais e um vasto repertório, algumas criações são usadas como trilhas sonoras em filmes. Será um sonho de muitos ver este ícone da música em duas horas de espectáculo.

Billy Ocean já está em Maputo. Foi por volta das 14h00 que o artista aterrou no Aeroporto de Mavalane e, pela primeira vez, respirou o ar do nosso Índico.

Os seus 40 anos de carreira cederam à sua simpatia e alto sentido de amizade. Mesmo cansado com a viagem, Billy Ocean concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal O País. Foi no jardim de um estabelecimento hoteleiro da capital que o artista, num a vontade tal, foi falando tudo um pouco que lhe era questionado. Não só, sorrindo também. Talvez por isso os seus 67 anos apagaram-se por completo e só sobrou um jovem em pleno.

Ocean trazia um goro e um casaco. Escondia o cabelo comprido e o frio. Aliás, queria esconder o frio. Temperaturas baixas, as quais está acostumado, escasseiam em Maputo. Mas não é a primeira vez que o autor de “Caribbean queen” aterra no continente quente. O facto dessa visita a África não ser frequente faz com que se esqueça que se trata de uma região tropical.

“É a primeira vez que venho a Moçambique, mas não é a primeira vez que estou em África. Já estive na Nigéria, Uganda, Etiópia e África do Sul. Gosto de vir a África, apesar de não ser regular”, contou.

Billy Ocean é autor de vários sucessos, músicas que marcaram gerações. Mas para o artista isso não é tudo, promete continuar a cantar até não poder mais. “O meu primeiro sucesso musical foi em 1976, na Europa, e depois em 1983. Fiz sucesso pelo mundo com o tema “Caribbean queen”, e fui gravando outros álbuns. Actualmente, tenho o mais recente álbum intitulado “Here you are”. Gosto de escrever músicas, gravar e cantar para as pessoas. Vou continuar a fazer música e cantar até que Deus mande parar”, confessou.

O repertório do artista, ainda que aborde vários assuntos, tem o amor e os dramas conjugais como as mensagens que mais atraem o autor. E o mesmo confessa: “falar sobre o amor é o meu tópico. Escrevo muito sobre relacionamentos entre homem e mulher”. Mas também diz ser captador do seu meio circundante, aliás, como a maioria dos artistas: “vejo tanta coisa ao meu redor – histórias de pessoas e experiências – porque nós partilhamos mesmas experiências, porque temos sangue a correr em nós”. Basicamente, conclui o artista sobre a temática, as minhas experiências serão parecidas com as de muitos outros, em qualquer parte do mundo.

O amanhã do artista não é uma incógnita, tal como assumem muitos artistas. Billy Ocean foi o mais aberto possível nesse aspecto. O nosso entrevistado prometeu continuar a produzir mais músicas: “Eu sinto-me bem. Adoro escrever minhas canções, gravar… por que parar? Desde que as pessoas gostem que eu as brinde com as minhas músicas, continuarei a fazê-lo. Tenho 67 anos agora, mas vou continuar a cantar”.

Billy Ocean vai actuar esta sexta-feira, no Campus da UEM, em Maputo, em mais uma edição do “Moments of jazz”. O concerto que se prevê memorável, vai reunir as melhores criações do artista durante os 40 anos de carreira. Êxitos como “Get in to my car”, “Lover boy”, “Love zone”, “Mistery lady” e “The color of love” e outras canções familiares ao público serão o destaque para esta festa que também conta com os moçambicanos Dj Sérgio Butler, Fernando Luís, Miguel Xabindza e o artista plástico P Mourana.

As artes moçambicanas sofreram mais um duro golpe ontem. Faleceu na noite deste domingo (17), por volta das 23h00, na sua residência em Maputo, vítima de doença, o renomado artista plástico, Victor Sousa. O mestre, como é tratado nas lides artísticas, deixa viúva e cinco filhos.

Uma das emblemáticas exposições do artista marcava os seus 60 anos de idade, em 2012, por isso intitulado "60", entre 27 de junho e 28 de julho 2012, no Centro Cultural Português, em Maputo.

Segundo Jorge Dias, curador da exposição, Sousa reuniu trabalhos realizados entre 2011 e 2012, de pintura, cerâmica e diferentes técnicas de impressão com diversos recursos de gravação a cores.

As narrativas da mulher e da família continuaram como destaque em diversas mostras.

Em 2015, por exemplo, Victor Sousa expôs “SINOPSE Mulher", no Museu Nacional de Arte, em Maputo. A mostra, criada para homenagear a mulher moçambicana, era composta por quadros e esculturas da autoria deste pintor, litógrafo e ceramista.

Victor Sousa realizou a sua primeira exposição individual de gravura e pintura no Núcleo de Arte, em 1982, na cidade capital. Desde então realizou outras exposições individuais e colectivas no país, na Suécia, Angola, Portugal, Argélia e Zimbabwe, com as participações em mostras como “EXPO'92” em Sevilha, Espanha, e EXPO’98, em Lisboa, em Portugal.

Em 2004 participou na Expo Arte Contemporânea Moçambique e na Feira de Arte Contemporânea de Lisboa, na Galeria do MUVART.

Foi vencedor, em 1991 do Prémio 1º de Maio de Desenho S.E.N.A.I, Brasil, foi Menção Honrosa da Semana da Natureza, Prémio Presença, ambos em Maputo e prémio de pintura no Museu Nacional de Arte.

A sua obra está representada em diversas colecções particulares, dentro e fora do país, com o destaque para as colecções do Museu Nacional de Arte, da TDM, no Instituto Camões, instituições bancárias, sedes de empresas de telefonia móvel, entre outras organizações.

Victor Sousa nasceu na então cidade de Lourenço Marques, actual Maputo, a 17 de Julho de 1952. Frequentou cursos de Desenho Analítico e Publicitário, Desenho Mecânico, Desenho e Pintura, Cerâmica e Gravura. Estagiou no atelier de António Inverno (Pintura e Serigrafia) e foi professor de Arte na Escola de Artes Visuais em Maputo.

2017 é um ano de grande satisfação para os cineastas moçambicanos. Foram apenas suficientes seis dias para que se divulgasse a primeira Lei do Audiovisual e Cinema e, mês passado, divulgado o respectivo regulamento.

Há quarenta anos que os cineastas debatiam-se com a falta de legislação que regulasse o sector. E a última década foi de discussões acesas com diferentes instituições para que o sonho dos criadores de filmes se tornasse realidade. Entretanto, alguns homens do cinema não se revêem com alguns aspectos preconizados na lei, por isso, concluem que existe muita ideia de punir do que de apoiar, fazendo com que este dispositivo não esteja ao serviço do propósito pelo qual foi criado.

João Ribeiro e Sol de Carvalho, cineastas sobejamente conhecidos e com obras premiadas no solo pátrio e pelo mundo, são os que escancaram suas ideias em torno deste dispositivo. Ambos são unânimes em admitir que a lei vai ajudar grandemente no funcionamento desta arte no país, que muito se reclamava ser negligenciada. Entretanto, os cineastas detectam neste instrumento regulador várias incongruências.

Para João Ribeiro, o grande problema desta lei está na necessidade de se usar o roteiro da obra a produzir como um dos requisitos para se adquirir o visto de rodagem. “Não só condicionam a apresentação de um guião, o que quer dizer que o guião é importante para a decisão, porque senão não estava lá, como também põe em força que cada alteração do guião deve ser apresentada ao Instituto Nacional de Audiovisual e Cinema (INAC). Que critério é este? Terei um vigia ao pé de mim para saber se alterei ou não o guião? É um absurdo! A lei não pode cair neste ridículo, porque tem a ver com a liberdade de expressão e artística. E, na minha óptica, há uma intenção clara do legislador fazer uma censura, porque senão não fazia tantas restrições nem reforçava a ideia de que, se não comunicar as alterações, terei uma multa”, condena o cineasta, justificando que um guião se altera várias vezes.

Ribeiro apenas admite existência de um arquivo do guião como se entrega um filme, mas isso, como defende o autor, é a posterior e não como condição para emissão de um visto de rodagem.

O realizador identifica uma contradição na lei, porque mais adiante, no capítulo referente aos fundos do apoio, o regulamento prevê a entrega de guião. Aqui Ribeiro acha justo, uma vez que se trata de um concurso e todos os meios do projecto são necessários para julgar a melhor proposta. Já para um visto de rodagem, acha um absurdo, pois a produtora já está licenciada para produzir filmes.

Sol de Carvalho também identifica a questão da entrega do roteiro (guião) como uma das lacunas da lei e diz que, na negociação feita com o legislador, os cineastas já tinham distanciado quanto a este aspecto. “Se nós temos uma Constituição da República que dá direito à expressão, por que eu preciso de enviar um guião, onde há uma interpretação ambígua que pode significar aprovação de guião?”, questiona. Para o realizador, corre-se o risco dos guiões não serem aprovados, caso firam, por exemplo, uma entidade governamental. “Nunca vão dizer que este filme não pode ser feito, porque o guião não foi aprovado. Nós sabemos que vão ser criadas dificuldades”, desconfia.

Sol de Carvalho diz que se a lei clarificasse que a entrega do guião é um mero detalhe administrativo, só para saber onde se vai filmar e outros aspectos não se opunha. “Mas tem que me dizer claramente que ninguém pode proibir um filme por causa do seu conteúdo, a não ser que agrida a Constituição da República”, acrescenta.

A Lei do Audiovisual e Cinema, na visão do realizador, é boa se for interpretada de uma forma artística e estar de encontro aos seus objectivos, mas se se for interpretada de forma muito restrictiva vai tornar-se o contrário do seu objectivo principal, ou seja, vai prejudicar em vez de ajudar.

Não é só roteiro

A questão do roteiro, ainda que identificada como a maior gralha, não é a única questão que os cineastas apontam. Para João Ribeiro, é inadmissível que se coloque o orçamento para se ter a autorização de rodagem e que se deve pagar 0,5% para se ter a respectiva a autorização. Outra questão é sobre os fundos de apoio que carecem de normas de gestão. Ademais, o fundo não paga uma série de necessidades indispensáveis para uma produção cinematográfica.

Para os cineastas, o fundo não basta. O regulamento, na opinião deles, devia prever incentivos aos cineastas. “Uma pessoa que vem fazer um filme aqui, não devia pagar mais taxas por isso. Devia, antes, ter benefícios das taxas que paga”, defende Ribeiro.

A quota de exibição de conteúdos em canais nacionais de televisão é outro aspecto que não é bem visto. Os cineastas acarinham a ideia, mas questionam as condições das televisões nacionais para esse feito e o tempo dessa preparação.

Quanto à classificação dos filmes, outra nódoa nesta lei, inquieta Sol de Carvalho. O realizador não percebe como essa classificação pode ser feita em função do horário de exibição do filme.

Cineastas traídos?

Os cineastas concordam que houve encontros de auscultação com o legislador, mas várias propostas foram ignoradas. “Qualquer pessoa sabe que uma consulta pública no fim deve ser refinada. Eu acho que o Conselho de Ministros tem todo o direito e toda a autoridade de pegar num projecto de lei e anular os aspectos que acredita não convir”, concorda Sol de Carvalho. Mas a questão que o realizador coloca é que ao longo das conversações houve aspectos aprovados, mas depois foram anulados. “O que está a acontecer é que as pessoas que estão a interpretar concretamente a lei não parecem estar sintonizadas connosco”, acusa. Para o cineasta com mais de 30 anos de carreira, entende que muitos que escreveram a lei não conhecem os mecanismos concretos de como é que se faz um filme e os problemas que existem para fazer o mesmo filme.

A Associação Moçambicana de Cineastas (AMOCINE) não referenciou nenhum aspecto especificamente, mas concorda que a lei traz à tona várias lacunas. Para Gabriel Mondlane, o problema prende-se pelo facto do legislador, aquando da arrumação dos artigos, não ter tido o cuidado de voltar a mostrar aos cineastas como estavam acomodadas as suas contribuições, para ver as partes que eventualmente foram omissas por desconhecimento da área ou por lapso.

INAC distancia-se da crítica dos cineastas

Para Osória Grachane, a reacção dos cineastas, antes de mais, significa que a lei foi bem acolhida e que estão numa fase de leitura e tentar compreender o espírito do legislador. No que tange ao roteiro, a directora-adjunta do INAC diz que é normal que alguns homens do cinema não se sintam confortáveis, mas, garante, foi sob proposta dos cineastas que este constitui um dos requisitos para a obtenção de visto de rodagem. “A nossa intenção é termos a oportunidade de constituirmos a nossa base de dados, porque é a através do roteiro que teremos a informação, por exemplo, dos técnicos envolvidos na filmagem, o local, o investimento e o resumo daquilo que vai constituir o filme”, explica. Para o INAC, esta informação é relevante, porque, caso um filme use material bélico, por exemplo, a instituição vai preparar-se para trabalhar com a produção do filme nesse sentido.

Mais adiante, Grachane diz que admira o facto dos artistas, hoje, contestarem uma prática de há mais de 40 anos. “Nós não solicitamos o roteiro para os fins de censura, mas sim para podermos ter dados. Não temos nenhum caso de um filme que tenha sido objecto de censura”, secunda.

Em relação aos fundos do apoio, a directora-adjunta disse que será regido pelo FUNDAC e quanto aos critérios de gestão, o que para os cineastas não está explicado, a entrevistada diz que a lei está clara. “Desde o artigo 66 ao artigo 106 deste regulamento, fala-se sobre as formas de acesso ao fundo. Por exemplo, posso frisar que haverá um júri e a cada mês de Outubro, haverá uma divulgação prévia do fundo existente para apoio referente ao ano seguinte. A informação será divulgada nas páginas web do INAC e FUNDAC, como também nos jornais.

Entretanto, Grachane entende que é natural que alguns aspectos não estejam de acordo com o desejo de parte de nós, afinal, trata-se da primeira lei.

Apesar das divergências, a Lei de Audiovisual e Cinema foi divulgada e é de cumprimento obrigatório.

O filme moçambicano "Comboio de Sal e Açúcar" venceu dois prémios no Festival de Cinema Africano de Khourigba, que se realizou em Marrocos, desde o passado dia 9 de Setembro, e acabou de encerrar esta noite.

O filme, de Licínio de Azevedo, ganhou o prémio de Melhor Realizador e o prémio Melhor Guião.  

Dos 14 filmes que estiveram em competição no Festival, "Comboio de Sal e Açúcar foi o único  que obteve dois prémios.

O filme vai agora à Europa, onde será exibido na Alemanha de 22 a 27 de Setembro.

De seguida, será lançado em Lisboa, na Cinemateca Portuguesa.

No "Comboio de Sal e Açúcar ", Licínio de Azevedo leva às telas  as consequências da guerra entre o Governo e a Renamo.

O concurso Miss CPLP é uma iniciativa do Comité MISS CPLP em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e a UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa), com carácter intercultural e visa a difusão e promoção de valores socioculturais de inclusão, no âmbito da lusofonia e a partilha do conhecimento sobre a diversidade lusófona. O concurso iniciou em 2013, estando agora na sua quarta edição e a gala irá decorrer amanhã, em Lisboa.

Entretanto, o concurso é pouco divulgado em Moçambique. “O País” chegou a esta constatação após procurar por várias modelos que possivelmente representariam o país, mas nenhuma contactada tinha conhecimento do concurso.

Em conversa, via email, com a comissão do concurso representado por Celso Soares, mentor e presidente do MISS CPLP, percebeu-se que desde o início do concurso Moçambique é dos países que sempre teve dificuldades em participar e a comissão aponta como causas a falta da cultura de “misses” e a dificuldade em identificar parcerias para a realização de castings que permitam a selecção oficial das candidatas e o posterior acompanhamento ou apoio das jovens, a fim de representar o país.

Celso Soares avançou ainda que existem jovens que se inscrevem através da plataforma digital e são seleccionadas através do perfil apresentado, mas depois vêem-se limitadas por não conseguir o devido apoio ou acompanhamento, como por exemplo bilhetes de viagens do seu país de origem até Portugal, acrescentado que algumas candidatas se inscrevem, mas depois não reagem em sequência, revelando alguma dificuldade de comunicação e de apoios.

“O País” contactou também com a Moz Celeb, uma das agências conceituadas no que concerne a modelos em Moçambique. A Moz Celeb confirmou o contacto com a comissão do Miss CPLP, mas para eles existe sim a cultura de Miss no país, citando alguns nomes das modelos que têm participado em vários concursos, como é o caso da Madina Chume que participou do “Miss of África”, porém reconhecem que houve um período morto, onde estes concursos passavam despercebidos, mas actualmente as modelos correm atrás.

A nossa investigação despertou o interesse da modelo Madina Chume, que ganhou recentemente o prémio “Face of Africa” do concurso “Mrs. Africa 2017”. Ela é a única moçambicana que conseguiu se inscrever-se e passou automaticamente do casting.

“Talvez por se tratar de uma dissertação de mestrado, este livro apresenta-nos um Jeremias pouco conhecido, um Jeremias pouco comum, um Jeremias académico, com todos os adjectivos – bons ou maus – que costumam rotular a esse tipo de pessoas (os académicos) ”, disse Nataniel Ngomane nos primeiros instantes de apresentação da obra “Tendências da Crítica Literária em Moçambique”.

Embora não assumisse a apresentação como tal, Ngomane, através da sua leitura interpretativa, referenciou os aspectos que tornam o livro pertinente. O primeiro aspecto que o professor de literatura destacou é a “densidade discursiva, incomum, fortemente apoiada no repertório de livros e autores canônicos, muitíssimo pouco conhecidos do seu público habitual ou mesmo bastante desconhecidos” e o segundo aspecto que o acadêmico citou é o “rigor analítico, próprio da academia, e uma boa dose de erudição”.

Ngomane recordou ao auditório que esse não é o Jeremias Langa que conhecemos, pelo qual nos habituamos através da tela da televisão.

Por isso, prossegue o apresentador, este livro é de leitura árdua, porque está prenhe de preceitos teóricos muitas vezes aos não iniciados na crítica académica.

“Este é um livro de facto de crítica académica, embora o seja também de crítica jornalística, porquanto aborda essa vertente da critica literária (a jornalística) ”, sustentou Ngomane.

Este livro tem como objecto de estudo os textos críticos, ou seja, a metacrítica: a crítica que analisa a crítica. Ngomane não tem dúvida de que se trata de um livro recomendável aos estudantes de letras, muito em particular aos de literatura; mas não exclui os estudantes de jornalismo, sobretudo aqueles que se interessam pelo jornalismo cultural com ênfase à crítica literária ou a crítica da arte.

Para Ngomane, um dos maiores méritos do livro é levantar diferentes aspectos que para si suscitam comentários. O primeiro aspecto por ele comentado é a presença da literatura na imprensa e o facto da literatura ser vista muitas vezes de fora para dentro. O aparecimento deste livro vem preencher um vazio no que concerne a obras que abordam sobre a nossa literatura, sugerindo, deste modo, a contribuição para a formulação de uma teoria poética africana, cuja modesta do professor preferiu reduzir para a poética moçambicana.

Jeremias Langa, na sua explanação, também referenciou um dos últimos aspectos que Ngomane levantou na sua apresentação, a questão da teoria poética africana ou moçambicana; deixando que a análise sobre a nossa literatura não venha apenas de fora. Para o autor essa foi uma das questões que lhe fez abordar esta temática. Não só, desta forma, Langa mostra que a imprensa “desempenha um papel fundamental como um espaço de legitimação do discurso crítico, porque a crítica enquanto um processo construtivo e analítico, ela se assume como um instrumento de regulação e de orientação do leitor, ao fazer esta mediação entre quem escreve e quem lê, evitando que se torne literário o que não é”.

A cerimónia de lançamento do livro decorreu ontem, em Maputo e foi testemunhada por diferentes personalidades, com destaque para o ministro da Juventude e Desportos, Alberto Nkutumula; magnífico reitor da Universidade Pedagógica, Jorge Ferrão; PCA do grupo SOICO, Daniel David, entre amigos e familiares do autor.

A música de Valdemiro José ajudou para que a viagem literária do jornalista fosse amena. Menos mal!

 

Fotografias e textos diversos ilustram a história dos 10 anos do projecto musical TP50 na sala de exposições do Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), em Maputo, até ao dia 16 deste mês.

Essencialmente estão ilustrados diferentes concertos em que a banda dirigida por António Prista apropriou-se de obras de músicos e escritores brasileiros, portugueses e moçambicanos para contar diferentes histórias por meio da música, teatro, cinema e, porque não, da fotografia.

Este fim-de-semana (15 e 16), os TP50 vão resgatar todos os espectáculos já realizados e, por via disso, contar a história do grupo e exaltar os valores da música e de outras artes num palco com mais de 50 artistas. Segundo Prista, os que acorrerem ao CCFM encontrarão uma orgia de emoções: “vamos exaltar a tristeza, a alegria, o humor, a frustração, a raiva; que é o que nós tentamos… ser um palco de emoções, usando a arte. Vão sair muito felizes e vão despender uma noite agradável e útil”, sublinhou Prista.

TP50 é um agrupamento em que fazem parte mais de 200 artistas. A razão de um grupo com vários membros é simples, é que os artistas apenas entram e nunca despegam, são os casos dos artistas internacionais que vão participar do concerto: Maria João e João Farinha (Portugal), Guilherme Sparapan, Sérgio Castanheira, Manoela Pamploma, Santiado Galdino e Julian Malhães (Brasil).

A grande lição que Prista diz ter assimilado nesses 10 anos dos TP50 é de que é possível, apesar da auto-estima baixa de muita gente, fazer coisas bonitas e com muito valor e que há gente que quer.

Os TP50, ainda que formalizem apenas os 10 anos, são fruto da convivência de mais de 40 anos de amizade de alguns membros. Prista revela que nunca foi planificado que assim fosse, mas é com muita alegria que agora a banda celebra esta efeméride com um álbum de temas inéditos e fotografias.

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