O País – A verdade como notícia

O auditório da nova sede do BCI, em Maputo, será o palco de apresentação de mais um livro científico, que tem como principal objecto a literatura, ou melhor, a crítica literária.

O diferencial desta obra pertencente ao renomado jornalista Jeremias Langa, e que sai pela Alcance Editores é o facto de surgir da preocupação de os jornais moçambicanos carecerem de textos literários ou de estudos sobre a literatura.

Outro aspecto a destacar, é o facto de ser uma obra que sai sem necessariamente um objectivo académico, ainda que tenha sido resultado de uma dissertação de mestrado na área de literatura.

“As Tendências da Crítica Literária de Moçambique” é um livro preocupado com a forma como é feita a crítica das obras literárias nos jornais moçambicanos e, ao mesmo tempo, coloca a preocupação de a imprensa voltar a assumir o seu papel na promoção da literatura.

O livro será apresentado pelo académico Nataniel Ngomane e contará com um momento cultural protagonizado por Valdemiro José.

O jornalista Jeremias Langa a partir de amanhã passa a figurar nas lides literárias do país. “Tendências da Crítica Literária em Moçambique” é o passaporte de entrada para o universo literário moçambicano e, quiçá, mundial. A obra que será lançada no Centro Cultural Camões, pelas 17h30, é fruto da sua dissertação de mestrado e, essencialmente, aborda a questão da crítica literária no país, que no entender do autor, actualmente, é inexistente na imprensa: “os espaços literários minguaram”.

Langa disse ter optado por este tema pela sua fraca exploração, em termos de obras, em Moçambique. Ao autor interessa-lhe, sobretudo, a forma como a crítica literária é produzida no contexto local, tendo em conta  o seu papel de regulador da indústria literária.

Desengane-se quem julgar que, como jornalista, Langa está distante da literatura. Muito pelo contrário, afinal, as primeiras manifestações literárias socorreram-se da imprensa para chegarem ao público. É desde sempre que a literatura e o jornalismo andam de mãos dadas. Aliás, a ideia de publicar esta obra é também uma função jornalística que o autor cumpre, como forma também de incentivar que a nova vaga de jornalistas volte a colocar conteúdos literários nas páginas dos jornais.

Para o autor, a imprensa moçambicana devia voltar a publicar crítica literária, justificando que embora sejam trabalhos produzidos nas universidades, é necessário que se alargue o seu espaço e só a media é capaz de a difundir com mais profundidade.

A grande lição da obra que conta com o prefácio do académico Francisco Noa é de que a vitalidade de uma literatura está ligada com a forma como a imprensa pública a crítica, pois no entender do, agora, escritor não é possível desenvolver uma indústria literária sem a crítica.  
A obra “Tendências da Crítica Literária em Moçambique” sai sob chancela da Alcance Editores e concentra-se no estudo das tendências da crítica literária no país, analisando os escritos publicados em jornais desde o período colonial.
 

 

Li, de forma desinteressada, o artigo Reflexões em torno da literatura moçambicana, da Professora Fátima Mendonça,  publicado no Jornal O País,  dia 05 Setembro. Apesar da aparente clareza de ideias  que costuram o corpo do texto, a um leitor atento ao processo de crescimento  da literatura moçambicana, sobressai de imediato que o mesmo foi escrito  sob a nublada da  pressa que sempre rouba espaço a uma boa pesquisa ou intenção de ludibriar a memória da mais recente história literária. Uma terceira hipótese indica que a autora  desconhece uma série de aspectos ligados à matéria que se propôs tratar, na medida em que o texto em apreço está ferido de imprecisões e distorções que acabam por prestar um falso testemunho à verdade histórica.

Ignorando as hipoteses já avançadas, provavelmente a reflexão tenha sido nublada  por acontecer na óptica  de um Caleidoscópio assente na Península Ibérica, causando um gravíssimo erro de paralaxe. Pois, apesar de colorido, o efeito da visão que produz é notoriamente assimétrico aos factos do processo que, de forma sumária, procura descrever. Misturando no mesmo saco o fenómino literário emergente nos anos 90, onde já dominava a impressão offset para divulgação de textos, e o embrionário  nestes últimos sete anos, marcado pelo suporte electrónico, à partida, a Professora comete um erro metodológico de que a conduz inevitavelente a um logro.

Iniciemos a contra-argumentação, que espero seja entendida como mero exercício de “cidadania literária”, atentos à afirmação  “no início desta década a situação evoluiu para outro patamar mercê de um fenómeno que se vinha manifestando desde os anos 90  com surgimento de grupos de jovens escritores que de alguma forma se afirmavam fora do quadro da protecção institucional de que tinham beneficiado os seus antecessores através da AEMO.” Não há dúvidas de que esta colocação insere uma meia verdade, se atendermos o facto de, em 1997, durante a vigência do Secretariado de Suleimane Cassamo, a Associação dos Escritores Moçambicanos ter convidado jovens, através de um anúncio, publicado numa edição do Jornal Notícias da época, com objectivo de criar uma nova revista. Num encontro bastante concorrido, a futura revista seria denominada Oásis, sob proposta do poeta Sangare Okapi. Nessa reunião, havida na AEMO,  surgiram outras propostas, como “Arena”, ou “Makalelo”. Entre dezenas de jovens desta nova etapa da literatura moçambicana, destacamos o envolvimento de Osvaldo Jaime , Chagas Levenne, Celso Manguana, Domi Chirongo, Hélder Faife, Jorge Matine, Rui Ligeiro, Sangare Okapi e, por extensão, Amin Nordine, Leo Cote, Lucílio Manjate, Jorge de Oliveira, pois embora estes não tenham publicado algum texto na revista, associaram-se intelectualmente ao núcleo oásis, mais tarde chamada “Geração Oásis”. Mas, também surgiram outras revistas, fora do espaço físico da AEMO, das quais destacamos, de Xai-Xai, a revista Xitende (1998). A Revista Xitende foi a antecâmara da aparição, em 2005, Edições Fundac, do  livro “A Febre dos Deuses”, de Andes Chivangue.  Dom Midó das Dores lança “A Bíblia dos Pretos”, edição da Índico ( 2008). Mas,  daí a afirmação de que “a  intensa actividade cultural e nalguns casos editorial de outro tipo de instituições nomeadamente  a Fundação Fernando Leite Couto e a Escola Portuguesa em Maputo,  a Casa do Artista na Beira e os vários  Centros Culturais ligados a diferentes embaixadas principalmente em Maputo e Beira abrem espaço para que estes grupos encontrem reconhecimento próprio  quer através de edições quer através de iniciativas culturais de índole diversa, tomando a seu cargo diversas formas de estimular a recepção das obras que editam,” a Professora Fátima começa a confundir perigosamente os factos, assarapantando as circunstâncias e o momento de  reconhecimento de duas gerações  completamente distintas.

O  surgimento de grupos de escritores,   com caminhos abertos pela Internet corresponde, de facto, a esta década e não deve, de modo algum, ser metido no mesmo saco com o dos grupos acima descritos. Como que a seguir uma verdadeira marcha pelo eixo do tempo , depois do primeiro número da revista Charrua, (1984),  passaram 13 anos para a publicação da  Oásis (1997), e daqui transcorreram outros 14 (2011), até surgir a primeira revista electrónica, Literatas, feita por um grupo de jovens,  o Movimento Kuphaluxa. Surpreendentemente,  sobre a matéria, a Professora Fátima sugere:

São uma geração das novas tecnologias, aberta a um mundo em que as fronteiras se tornam porosas, que conscientemente aproveita as vantagens dos caminhos abertos pela Internet, no Facebook, nos blogs em todo esse aparato tecnológico que integra soluções culturais para o nosso presente e que no caso de países como Moçambique em que existe uma hipertrofia dos  grandes centros urbanos, permite colmatar as assimetrias existentes.

O surgimento paralelo neste ambiente, dos  romances de João Paulo Borges Coelho, ele que do ponto de vista etário e social provém de um Tempo onde se sucederam regime colonial, guerra de libertação e toda a Utopia trazida por um discurso que se pretendia libertador, não deixa de ser um fenómeno que rompe com a uniformidade criada por esta nova geração em ascensão.

Qualquer paralelismo a estabelecer entre a “Geração Internet” e o surgimento dos romances de João Paulo Borges Coelho conduz a um anacronismo que deturpa a imagem do processo. Como é que este escritor, que publicou o seu primeiro livro em 2003, “As duas sombras do rio”, pode ser arrogado força que  rompe com a uniformidade criada por esta nova geração em ascensão, que surge em 2011, oito anos depois da sua estreia em livro? A “Geração Internet”, a das novas tecnologias, tem erupção nesse ano, com a publicação da revista Literatas. Anote-se, em 2011, Borges Coelho estava o nono livro, “Cidade dos Espelhos”.  Da geração dos anos 90, difícil apontar um sequer que, pelo menos, tivesse um aparelho celular. Grosso modo,  computadores eram pertença de instituições aos olhos dos jovens literatos de então, hoje na faixa etária dos quarenta e três anos, em média. Tentando fazer a reposição histórica dos factos, este autor, embora distante da interacção dos jovens que publicaram as principais revistas nos anos 90 até os primeiros dois ou três anos do Século XXI, em suporte de papel , surge em livro a coincidir com a publicação dos primeiros livros de autores da efervescência do último decénio do século XX; “Amor Silvestre” (2001), de Rogério Manjate, Inventário de Angústias ou Apoteose do Nada (2005), de Sangare Okapi, excluindo um de 2003, para evitar o risco da parecença com pretensiosismo. Tendo-nos referido ao Rogério Manjate, é lícito questionar: Como é que um escritor atribuído o Prémio Guimarães Rosa/RFI, em 2002, pode ser associado, como se, pretende à esta recentíssima “Geração Internet”?  

Apenas para demonstrar o nível de deturpação derivada deste anacronismo, a  Professora Fátima adianta; “São jovens com formação superior e ocupação profissional estável o que lhes retira alguma da aura boémia os seus antecessores mas lhes confere em contrapartida capacidade para as engenhosas soluções editoriais e de marketing que praticam.”, no ano de surgimento do primeiro romance de João Paulo Borges Coelho, 2003, o coordenador da revista Literatas,  Eduardo Quive,  tinha 12 anos,  frequentando a Escola Primária Patrice Lumumba.  Dany Wambire, da revista Soletras, contava 14 anos.

Uma ressalva chama aqui alguma razão ao  papel de alguns Centros Culturais ligados a diferentes embaixadas, pois dois autores do fenómeno literário dos anos 90, publicaram os seus primeiros livros mercê prémios instituídos pelo Centro Cultural Português, na altura Instituto Camões, em parceria com a AEMO e AMOLP. Todavia seria esticar demasiadamente a corda, para os situar nesta década em que a “Geração Internet” se  mostra  em ascensão, atendendo que foram laureados com o Prémio Revelação AEMO/ICA  e Prémio Revelação de Texto Dramático AMOLP/ICA, em 2003 e 2005.  

Outrossim, apontar uma “intensa actividade cultural e nalguns casos editorial de outro tipo de instituições nomeadamente  a Fundação Fernando Leite Couto e a Escola Portuguesa em Maputo, a Casa do Artista na Beira”, é no mínimo estranho, sobretudo quando nos fixamos a actividade editorial desta década, na qual as edições da Editora Alcance foram muito acentuadas . Admito a possibilidade de, por hipótese mesmo, ter andado algo distraído, não tendo assim me apercebido do impacto da nova dinâmica editorial nos anos mais recentes. Tendo a Professora se referido a uma intensa actividade editorial, alguém pode actualizar-me dos títulos publicados pela Fundação Fernando Leite Couto, ou a Escola Portuguesa em Maputo ou a Casa do Artista na Beira?  

A concluir, procurando entender as razões deste desastre de ideias, desastre porque reconheço grande mérito aos estudos anteriores da Professora Fátima Mendonça, primeiro chamamos à análise o facto de a professora Fátima ter escrito o texto Reflexões em torno da literatura moçambicana para apresentação num determinado fórum, circunstância que, provavelmente, poderá ter exigido alguma pressa, roubando assim o tempo necessário ao trabalho de pesquisa, mesmo a altura dos créditos que detém. Por outro lado, este despiste prende-se ao facto de os estudiosos de literatura em Moçambique terem ficado distantes do processo criativo dos movimentos literários iniciados nos anos 90, reconhecida hoje por muitos como “Geração Oásis”, sendo esse o preço que muitos académicos irão pagar nos próximos tempos, fazendo leituras apressadas para responder a aspectos circunstanciais, sobretudo quando os seus próprios estudantes já apresentam sugestões de temas para monografias de fim de curso, buscando obras de autores desta geração, que permaneceu quase que esquecida, ignorada por um período de quase vinte anos. Para simplificar o trabalho, na sua reflexão, a Professora Fátima juntou duas gerações distintas, a fim de construir a sua tese de ruptura de um paradigma, por parte de João Paulo Borges Coelho. Nesse corta-mato, ficamos diante da chefe de cozinha que, na mesma panela, confecciona  carne de lebre e gato, agora, apenas quem conhece a anatomia de cada bicho saberá que pedaço levar à boca na madrugada deste convívio literário. Raras excepções,  os primeiros estudos sobre alguns autores da “Geração Oásis” advêm do Brasil. De Portugal, e cá entre nós, depois de negligenciada, não havendo tempo para pesquisa, melhor o silêncio de sempre que a deturpação.

Aurélio Furdela

Obras literárias de novos autores não param de chegar às prateleiras nacionais. Há poucos dias, foi a vez de “Na terra dos sonhos”, de Agnaldo Bata, um convite, de acordo com escritor, para uma viagem rumo a um plano ideal para a sociedade moçambicana. O principal interesse nisso, recorrendo à ficção, é fazer entender que, mais do que nunca, é preciso que os homens e as mulheres partilhem direitos iguais. “Então, ‘Na terra dos sonhos foi a saída que encontrei para poder materializar o anseio de chegar a um universo onde podemos gozar esses direitos, lembrando que continua a ser preciso caminharmos em direcção a uma terra ideal”, confessou o escritor.

Para que o livro que tem como protagonista Ângela, Agnaldo Bata teve que recorrer a experiências particulares, apoiadas em pesquisas concretizadas entre 2011 e 2013. Mas, mais do que isso, o maior desafio, na escrita do livro, foi distanciar-se das realidades para que a obra não se tornasse apenas num mero testemunho de mulheres que ouviu ao longo do tempo.

Ainda sobre as mulheres, bem representadas no seu livro de estreia por via de uma personagem lutadora, Bata defende que elas têm particularidades que nenhum homem será capaz de compreender. “E eu entendo que, no mínimo, deveria haver um esforço nesse sentido, aceitando-se como elas são sem as impor o que a sociedade gostaria que elas fossem”.

“Na terra dos sonhos”, prémio ex-aequo pelo Banco de Moçambique, em 2015, por ter sido distinguido, permitiu a Agnaldo Bata chegar com mais à vontade aos editores. De acordo com o escritor, vencer concursos literários é importante porque o autor, por exemplo iniciático, adquiri a possibilidade de ser levado a sério pelas editoras. “É difícil ter a legitimidade de escritor para quem ainda pretende estrear-se em livro”.

Em relação à arte literária em geral, Agnaldo Bata vê nas letras a possibilidade de falar sem ser interrompido, do início até ao fim, sempre com tempo suficiente de pensar naquilo que vai “falar”, de modo que o que se diz não seja algo dito de forma banal. “E outra maior vantagem da escrita é essa de podermos idealizar um mundo melhor. Para o efeito, temos de investir muito do diálogo interior, de modo que, ao partirmos para o dialogo exterior, consigamos nos impor ao mundo cruel, que quase nunca nos sede nada”.

O que mais atraiu Agnaldo Bata na escrita de “Na terra dos sonhos”, que teve como primeiro título “Ângela”, tem que ver com o desejo de fazer com que os seus leitores possam apaixonar-se pela estória, e, com isso, deixarem-se levar por uma revolta que lhes permita mudar alguma coisa em si, na forma como olham para a sociedade.

O livro levou quatro anos para estar pronto, algo que custou páginas rasuradas e deitadas fora. Nesta edição pela Alcance Editores, sobreviveram 87 páginas

 

A cantora moçambicana, Xixel Langa, apresentou ontem o seu primeiro CD. O espectáculo que teve lugar no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo, faz a trajectória dos dezanove anos de carreira num álbum que cruza jazz e ritmos moçambicanos, onde o amor é a mensagem principal.

Embora a sua carreira tenha iniciado muito antes, o surgimento do álbum “Inside me” marca o seu nascimento como artista. A história que se contou, na noite de ontem, tem quase vinte anos, por isso muitas peripécias.

Nos primeiros minutos do concerto, Xixel Langa priorizou músicas que exploram ritmos tradicionais, por isso o traje devia condizer. E ela, sempre eléctrica, não poupou nos movimentos.
Mas também houve espaço para criações mais serenas, em nome do amor. O seu jeito ousado não foi dispensado nesta história contada em forma de concerto, ainda que a mensagem fosse pertinente e muito séria. 

Mas não só, a falta de dinheiro nos lares também a inquieta.

O espectáculo não podia terminar sem uma homenagem. E o escolhido foi Xidiminguana. 

A galeria de exposição da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), em Lisboa, acolheu, na noite desta terça-feira, a inauguração da exposição “Artistas Unidos Contra a Fome”. 

As obras estarão expostas até 28 de Setembro, data prevista para o leilão das mesmas. A exposição reúne peças doadas por vários artistas dos estados membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). E Moçambique contribui com obras de arte de Frank Ntaluma e Malenga, quadros pertencentes a José Pádua (artista plástico já falecido), Lívio de Morais, Roberto Chichorro e uma fotografia de Sérgio Santimano – todas obras doadas em prol dos necessitados. 

Segundo Frank Ntaluma, escultor maconde, o evento teve muita afluência e contou com a participação da Secretária Executiva da (CPLP), Maria do Carmo Silveira, e do Secretário-geral da UCCLA, Vitor Ramalho, e de todos artistas envolvidos com a causa.

“Amor ao próximo” é o nome que Ntaluma apelidou à escultura que doou, esculpida em pedra Onix. “Antes de jogar a comida fora, fica a saber que a escassos quilómetros existe alguém que necessita”, essa é a mensagem que o escultor makonde pretende transmitir com a sua obra. 

A Exposição é uma iniciativa da Campanha “Juntos Contra a Fome” da CPLP, que tem por objectivo a angariação de fundos para viabilização de projectos que contribuam para a erradicação da fome nos países membros. 

O Ministro da Cultura e Turismo, Silva Dunduro, disse, durante a cerimónia destinada à divulgação da Lei do Audiovisual e Cinema, que o país conta, neste momento, com um instrumento legal de luta contra a contrafação ou pirataria.

Para o Ministro, a campanha contra a pirataria iniciada em Julho, reduziu os níveis de pirataria, estando a trabalhar para a criação de um Instituto de promoção das indústrias culturais e criativas, que vai se dedicar à promoção de artes e cultura com uma visão direccionada à produção de riqueza. “Todas as outras formas de expressão artística caberão no Instituto e daqui a alguns anos Moçambique poderá responder de forma mais eficaz para o desenvolvimento socio-cultural”.

A Lei 1/2017 de 6 de Janeiro, primeira lei do Audiovisual e Cinema do país, foi aprovada ano passado e aplica-se à actividade audiovisual cinematográfica com fins comerciais ou de interesse público, em todo o território nacional, e abrange a todos os profissionais da área, organizados de uma forma individual ou colectiva, nacionais ou estrangeiros que queiram operar no país, bem como aos órgãos e Serviços da Administração Pública e demais entidades públicas e privadas.

“A lei abrirá certamente um espaço para investimentos público-privado, para a melhoria da imagem do nosso país e contribuirá para o rendimento dos cofres do Estado”, assegurou o governante, acrescentando que, nos próximos momentos, o Gabinete de Informação (GABINFO) vai introduzir a lei para proteger os músicos de tal forma que cada música possa atrair receitas aos autores e aos cofres do Estado.

Com a aprovação, este ano, do decreto 41/2017 de 4 de Agosto, o Ministro espera que o instrumento legal seja um elemento fundamental para o desenvolvimento do cinema, para potenciar investimentos e poder tornar o país referência ao nível da sétima arte. Nesse sentido, “a nossa meta é estarmos próximos da Índia e Nigéria”.

Com esta lei, Silva Dunduro quer que o país consiga ocupar um lugar cimeiro no contexto das receitas e mobilização de apoio, para que se crie produções com conteúdos baseados em saberes e práticas da comunidade moçambicana como fazem muitos países africanos. “Queremos um cinema que reflecte a realidade e a cultura moçambicana, sem nos fecharmos ao mundo”.

A cerimónia de divulgação da Lei do Audiovisual e Cinema decorreu no Instituto Nacional de Audiovisual e Cinema (INAC), na manhã desta quarta-feira, em Maputo.

 

 

 

 

 

 

 

Como se conquistam duas categorias do Prémio Literário TDM? Esta é daquelas perguntas que nem Armindo Mathe sabe responder, embora tenha alcançado tal proeza. Seja como for, para o autor que lançou as suas duas primeiras obras literárias ontem, no Centro Cultural Brasil-Moçambique: “Romaria: três dimensões do vento” e “(Des)Contos do tempo”, a finalidade da escrita não é vencer o que quer que seja, antes pelo contrário, o foco do escritor ou do poeta deve ser um conjunto de actividade que garante qualidade, “e isso foi o que eu fiz desde o princípio”, garantiu Mathe, sublinhando que boa escrita advém de uma boa leitura.  Mas só isso não basta, também é preciso muita convivência, o que ficou garantido com a amizade resultante do Movimento Literário Kuphaluxa, impulsionada por poetas como Álvaro Taruma e Nelson Lineu.

No acto da escrita, o que mais atrai Armindo Mathe é a possibilidade de contribuir para a sociedade de algum modo, em harmonia com o que sente e o que vê, sempre apoiado na possibilidade de os seus sentimentos poderem alcançar vários públicos e de maneira diferente. “Na verdade, o que eu pretendo com todo o jogo de palavra que construo é fazer com que as pessoas entendam que há uma dimensão além desta em que nos encontramos. A maior a parte da população moçambicana está a viver aquilo que não deseja. Há um outro patamar que as pessoas esperam alcançar. Com a minha poesia, por exemplo, quero contribuir para que as pessoas possam voar até atingir o horizonte dos seus sonhos”. Para o efeito, assim entende Mathe, as pessoas devem aprender a enfrentar o futuro de forma nua, só nesse estado é possível atingir a outra dimensão.

 

 

Lançar um livro no país não é fácil. Que o diga Cremilde Fernandes, autora da obra “Saltos e Punhos de Aço” (poesia – não publicada ainda), que, a vários meses, tenta publicar o seu primeiro livro. E nada. As dificuldades financeiras para costear a produção de uma obra literária aliadas ao desinteresse das editoras vão adiado o sonho de ver os seus saltos pulando no papel.

Para a publicação dos poemas, Cremilde Fernandes precisa de 200 mil meticais, o necessário para produzir quinhentas cópias. Algo complicado, apesar de fazer apresentações em cerimónias que divulgam as suas criações: “Tenho feito algumas apresentações em casamentos, em eventos culturais como forma de chamar atenção para ver se aparece alguém que me ajude”.

“Saltos e Punhos de Aço” é um exemplo de determinação, que representa a luta por via dos punhos e do poder interior, explorando a elevação da auto-estima, as potencialidades da mente, da força e do desejo.

 

 

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