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O País – A verdade como notícia

Muitos amantes de teatro, no país e no estrangeiro, já viram a peça “Nkatikuloni”, do grupo teatral Girassol. Mas nem todos. Por isso, os que já viram e os que, por alguma razão, ficaram na vontade, têm mais uma oportunidade de viver a peça.

Desta vez, “Nkatikuloni” será exibida na Fundação Fernando Leite Couto, na cidade de Maputo. O encontro entre os artistas e o público está marcado para as 18 horas da próxima quarta-feira.

“Nkatikuloni” do grupo Girassol conta com actuação de dois actores: Sheila Verónica Nhachengo e Júlia Eduardo Novela. O texto e a encenação contam com Joaquim Sebastião Matavel, quem afirma que levar a peça à Fundação Fernando Leite Couto é garantir que a peça seja vista num outro palco, que não seja apenas o do FITI, com o interesse de fazer com que mais pessoas conheçam a obra, sempre numa perspectiva que concilia as componentes formação e promoção – grandes pilares do grupo.

“Nkatikuloni” é uma reflexão em torno da condição de se ser esposa e, simultaneamente, a outra esposa de um marido, numa sociedade confrontada por valores ocidentais.

 

 

Foi lançado, ontem, em Maputo, o livro história das lutas de libertação na África Austral do projecto Hashim Mbita, um herói da luta de libertação na África.

O livro faz parte do projecto organizado pela Comunidade de Desenvolvimento da África Austral- SADC e tem 9 volumes. Foi escrita por cerca de 22 autores da África Austral. O manual traz vários depoimentos sobre a luta de libertação de vários países da SADC.

A apresentação do segundo volume do livro que traz a contribuição de Moçambique, e Angola, no processo da luta de libertação na África Austral, coube a historiadora e uma das autoras, Alda Saúte, que sublinhou que era missão de Moçambique escrever a sua história que começa dos anos 50 até 1990 e está dividida em vários capítulos.

A cerimónia de lançamento do livro foi bastante concorrida, com destaque para individualidades politicas, académicos, estudantes e demais personalidades.

Foi apenas uma hora e meia… Mas o suficiente para matar saudades, recordar momentos e reviver emoções. Afinal, Billy Ocean celebrizou-se na década 80, e foram esses êxitos que marcaram mais uma edição do “Moments of jazz”, evento que reuniu os amantes do artista no Campus da UEM, em Maputo.

Antes disso, o espectáculo recebeu artistas moçambicanos. Coube a Fernando Luís a tarefa de aquecer a noite fria. A brisa cruzou-se com os seus dedilhos… era a representação da moçambicanidade.

Já Miguel Xabindza fez uma viagem a outras latitudes, trazendo sonoridades do mundo e um pouco do seu repertório.

Estava feita a parte moçambicana. Billy Ocean encontrou um público mais composto e disposto a cantar…

Músicas como “Love zone”… “lover boy”… e o sucesso dos sucessos “Caribbean queen” misturaram-se a outros êxitos que provocaram delírios a plateia composta maioritariamente por pessoas, que em tenra idade escutaram essas músicas.

Os telemóveis levaram para casa a imagem de um jovem em pleno já com 67 anos, mais de 40 entregues à música e uma grande lista de distinções. Mas também fica na memória mais um espectáculo fora do comum que a cidade de Maputo testemunha.  

A Associação Centro de Recriação Artística vai apresentar mais uma peça de teatro infantil. O espectáculo que se segue está marcado para o dia 30 de Setembro, pelas 10h00, no Centro Cultural Brasil-Moçambique (CCBM).

Desta vez, o grupo teatral fará as crianças e os seus acompanhantes mergulharem no muno da “Melissa e o Arco-íris”, uma peça inspirada no conto infantil do livro da cantora Dama do Bling, lançado em 2011.

Ao som do piano e do violino, Deuscio Vembane e Célia Madime vão abrilhantar os pequenos com seus talentos, tal como aconteceu em outras peças que sempre há presença de um instrumentista a acompanhar a encenação.

Sem fugir da sua linha – o acto de transportar os contos infantis de escritores moçambicanos aos palcos -, a associação já encenou “O Rei Mocho”, de Ungulane Ba Ka Kosa e “O Gato e o Escuro”, de Mia Couto.   

Este evento faz parte de um projecto denominado “Oficina de teatro e contos infantis”, que foi criado com o objectivo de incentivar a leitura e escrita através de actividades lúdicas e o seu impacto na educação das crianças em idade escolar. Estas histórias e mitos de tradição oral são recriados e ilustrados para revelar a riqueza do imaginário moçambicano e aproximá-lo das suas crianças em formato de conto e/ou teatro.  

A apresentação da peça “Melissa e o Arco-íris” conta com o apoio da Embaixada do Brasil e do Centro Cultural Brasil-Moçambique, no âmbito da sua programação anual.

A peça conta com a direcção de Gigliola Zacara (mentora do projecto), encenação de Fernando Macamo e interpretação e co-criação de António Sitoi, Buanamade Amade, Eduardo Tembe, Fernando Macamo, Maria Clotilde, Malua Saveca e a música estará a caro de Deuscio Vembane.

É na obra “A arbitrariedade da prisão preventiva” que o jurista moçambicano Hermenegildo Chambal chama atenção aos fazedores da justiça, sobre as questões a ter em conta no acto da restrição da liberdade de um acusado.

Para o jurista, ainda que alguém seja acusado criminalmente, não pode a partir dessa altura ser tratado como culpado.

Chambal sugere que o regime da prisão preventiva seja reformulado à luz da Constituição da República, pois se trata de uma medida meramente excepcional.

A cerimónia de lançamento do livro, que é o culminar do seu curso de mestrado em Direitos Humanos, contou com operadores da administração da justiça em Moçambique, entre juízes, procuradores e advogados. 

“Cicatriz Encarnada”. Este é o quinto livro do escritor moçambicano Rogério Manjate que será apresentado, hoje, na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo.

Desengane-se quem pensar que este lançamento vai se parecer com os demais que muito se assistem. Artista que é, Manjate não reduziria seu lado criativo a uma cerimónia tradicional. O também encenador, actor de teatro e cineasta, vai transformar o texto em movimentos, cores, sons e, já agora, em palavras que estarão na representação de Marisa Bimbo, Castigo dos Santos, Assane Cassimo e Venâncio Calisto.

Manjate não deixou que fosse outro a interpretar a sua própria obra. Por que faria, se o teatro corre-lhe nas veias na mesma dimensão que a literatura ou cinema? Para o artista, esta forma transversal de apresentação da sua obra é mesmo com o objectivo de cativar o potencial leitor que, com certeza, acompanhará os 45 minutos preparados para esta “odisseia”.

“Será uma interpretação do que lá está escrito, uma forma de ler o livro e fazer chegar ao leitor”, partilha Manjate, ao mesmo tempo que revela que “há uma imagem que construímos de acordo com o texto”.

Esta é a quinta obra do autor, onde resgata inocentemente anteriores criações, entre contos e poemas, – “Wazi”, “O coelho que fugiu da história”, “Casa em flor”, e “Amor Silvestre” – e dá uma nova identidade as peripécias que lá constam. Na verdade, esta obra faz o retrato do seu percurso como pessoa e como artista e traz à tona aquilo que é o seu olhar, enquanto sujeito poético, perante diversas realizações que o país (e por que não o mundo) nos apresenta.

“Este livro é como se estivesse a escrevê-lo desde o início”, confessa. Mas distancia-se do facto de ser uma poesia autobiográfica, pois não é necessariamente de si que os versos tratam. Para o poeta, nesta “Cicatriz Encarnada” encontram-se também outras entidades que habitam em si.

Noutro momento da entrevista, Manjate disse esperar que os leitores absorvam essa proposta que traz para a leitura do seu livro e que, de facto, mergulhem neste poema que no fundo, pelo seu fio único, é uma narrativa que se constrói do início ao fim do livro.

Escritor é a figura que o artista decidiu hoje tirar da cartola, mas é do teatro que respira ultimamente.

Está patente, desde a semana passada no Auditório do BCI, em Maputo, a 21.ª exposição dos estudantes da Escola Nacional de Artes Visuais (ENAV), intitulada “Processos, Criações e Aprendizagem”.

Esta mostra é, segundo o secretário permanente do Ministério da Cultura e Turismo, Domingos Artur, uma oportunidade para passar em revista as duas décadas de parceria entre o BCI e a ENAV, que permitiu a formação de profissionais de arte e cultura. Aquele responsável salientou ainda que as actividades lectivas e de formação levadas a cabo pela ENAV têm em vista “fazer com que não só tenhamos cada vez mais um acrescido número de graduados anualmente, mas sobretudo que eles sejam capazes de fazer parte do processo de desenvolvimento do nosso país não só no domínio das artes e cultura”.

Num outro desenvolvimento, a autoridade recordou que “o nosso fim não é de formar artistas. Eles serão artistas, mas acima de tudo terão que ser produtores de riqueza nacional. Serão o veículo de comunicação, de transmissão dos valores culturais, através das telas, da cerâmica, dos vestires, da tecelagem e de todos os produtos que eles transformam em matéria de arte”.

A directora da ENAV, Ricardina Marcos, referiu-se igualmente às duas décadas de parceria, nos seguintes termos: “Esta exposição é mais uma entre tantas que vêm sendo realizadas desde 1997, graças à colaboração e apoio inestimável do BCI. Por isso, a Escola Nacional de Artes Visuais, mais uma vez, expressa o seu reconhecimento e gratidão pelo papel do BCI no apoio ao processo de ensino e aprendizagem técnico artístico”.

Já o director de Marketing do BCI, Rogério Lam, afirmou que “esta exposição revela, uma vez mais, o enorme talento que existe em Moçambique. Demonstra também como os jovens artistas no país assumem com determinação e responsabilidade o legado que lhes é transmitido pela geração de mestres que muito orgulha Moçambique, daí o carinho especial que o BCI lhes reserva” e finalizou: “este ano selamos 20 anos de parceria entre as duas instituições. Estes laços permitiram e permitem o lançamento e promoção de talentos que a Escola Nacional de Artes Visuais forma, sendo um dos vários exemplos claros de intervenção social do Banco, no âmbito da sua política de responsabilidade social”.

Recorde-se que esta parceria remonta a 1997, ano em que as duas instituições assinaram um protocolo que prevê o apoio do BCI às actividades da ENAV e a realização de exposições anuais de obras produzidas pelos alunos daquele estabelecimento de ensino técnico-profissional.

Tem mais de 40 anos de carreira, cerca de 20 álbuns originais e um vasto repertório, algumas criações são usadas como trilhas sonoras em filmes. Será um sonho de muitos ver este ícone da música em duas horas de espectáculo.

Billy Ocean já está em Maputo. Foi por volta das 14h00 que o artista aterrou no Aeroporto de Mavalane e, pela primeira vez, respirou o ar do nosso Índico.

Os seus 40 anos de carreira cederam à sua simpatia e alto sentido de amizade. Mesmo cansado com a viagem, Billy Ocean concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal O País. Foi no jardim de um estabelecimento hoteleiro da capital que o artista, num a vontade tal, foi falando tudo um pouco que lhe era questionado. Não só, sorrindo também. Talvez por isso os seus 67 anos apagaram-se por completo e só sobrou um jovem em pleno.

Ocean trazia um goro e um casaco. Escondia o cabelo comprido e o frio. Aliás, queria esconder o frio. Temperaturas baixas, as quais está acostumado, escasseiam em Maputo. Mas não é a primeira vez que o autor de “Caribbean queen” aterra no continente quente. O facto dessa visita a África não ser frequente faz com que se esqueça que se trata de uma região tropical.

“É a primeira vez que venho a Moçambique, mas não é a primeira vez que estou em África. Já estive na Nigéria, Uganda, Etiópia e África do Sul. Gosto de vir a África, apesar de não ser regular”, contou.

Billy Ocean é autor de vários sucessos, músicas que marcaram gerações. Mas para o artista isso não é tudo, promete continuar a cantar até não poder mais. “O meu primeiro sucesso musical foi em 1976, na Europa, e depois em 1983. Fiz sucesso pelo mundo com o tema “Caribbean queen”, e fui gravando outros álbuns. Actualmente, tenho o mais recente álbum intitulado “Here you are”. Gosto de escrever músicas, gravar e cantar para as pessoas. Vou continuar a fazer música e cantar até que Deus mande parar”, confessou.

O repertório do artista, ainda que aborde vários assuntos, tem o amor e os dramas conjugais como as mensagens que mais atraem o autor. E o mesmo confessa: “falar sobre o amor é o meu tópico. Escrevo muito sobre relacionamentos entre homem e mulher”. Mas também diz ser captador do seu meio circundante, aliás, como a maioria dos artistas: “vejo tanta coisa ao meu redor – histórias de pessoas e experiências – porque nós partilhamos mesmas experiências, porque temos sangue a correr em nós”. Basicamente, conclui o artista sobre a temática, as minhas experiências serão parecidas com as de muitos outros, em qualquer parte do mundo.

O amanhã do artista não é uma incógnita, tal como assumem muitos artistas. Billy Ocean foi o mais aberto possível nesse aspecto. O nosso entrevistado prometeu continuar a produzir mais músicas: “Eu sinto-me bem. Adoro escrever minhas canções, gravar… por que parar? Desde que as pessoas gostem que eu as brinde com as minhas músicas, continuarei a fazê-lo. Tenho 67 anos agora, mas vou continuar a cantar”.

Billy Ocean vai actuar esta sexta-feira, no Campus da UEM, em Maputo, em mais uma edição do “Moments of jazz”. O concerto que se prevê memorável, vai reunir as melhores criações do artista durante os 40 anos de carreira. Êxitos como “Get in to my car”, “Lover boy”, “Love zone”, “Mistery lady” e “The color of love” e outras canções familiares ao público serão o destaque para esta festa que também conta com os moçambicanos Dj Sérgio Butler, Fernando Luís, Miguel Xabindza e o artista plástico P Mourana.

As artes moçambicanas sofreram mais um duro golpe ontem. Faleceu na noite deste domingo (17), por volta das 23h00, na sua residência em Maputo, vítima de doença, o renomado artista plástico, Victor Sousa. O mestre, como é tratado nas lides artísticas, deixa viúva e cinco filhos.

Uma das emblemáticas exposições do artista marcava os seus 60 anos de idade, em 2012, por isso intitulado "60", entre 27 de junho e 28 de julho 2012, no Centro Cultural Português, em Maputo.

Segundo Jorge Dias, curador da exposição, Sousa reuniu trabalhos realizados entre 2011 e 2012, de pintura, cerâmica e diferentes técnicas de impressão com diversos recursos de gravação a cores.

As narrativas da mulher e da família continuaram como destaque em diversas mostras.

Em 2015, por exemplo, Victor Sousa expôs “SINOPSE Mulher", no Museu Nacional de Arte, em Maputo. A mostra, criada para homenagear a mulher moçambicana, era composta por quadros e esculturas da autoria deste pintor, litógrafo e ceramista.

Victor Sousa realizou a sua primeira exposição individual de gravura e pintura no Núcleo de Arte, em 1982, na cidade capital. Desde então realizou outras exposições individuais e colectivas no país, na Suécia, Angola, Portugal, Argélia e Zimbabwe, com as participações em mostras como “EXPO'92” em Sevilha, Espanha, e EXPO’98, em Lisboa, em Portugal.

Em 2004 participou na Expo Arte Contemporânea Moçambique e na Feira de Arte Contemporânea de Lisboa, na Galeria do MUVART.

Foi vencedor, em 1991 do Prémio 1º de Maio de Desenho S.E.N.A.I, Brasil, foi Menção Honrosa da Semana da Natureza, Prémio Presença, ambos em Maputo e prémio de pintura no Museu Nacional de Arte.

A sua obra está representada em diversas colecções particulares, dentro e fora do país, com o destaque para as colecções do Museu Nacional de Arte, da TDM, no Instituto Camões, instituições bancárias, sedes de empresas de telefonia móvel, entre outras organizações.

Victor Sousa nasceu na então cidade de Lourenço Marques, actual Maputo, a 17 de Julho de 1952. Frequentou cursos de Desenho Analítico e Publicitário, Desenho Mecânico, Desenho e Pintura, Cerâmica e Gravura. Estagiou no atelier de António Inverno (Pintura e Serigrafia) e foi professor de Arte na Escola de Artes Visuais em Maputo.

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