O País – A verdade como notícia

Depois de participar na quinta edição do Festival Tropical Zouk, em 2015, o cantor angolano Kyaku Kadaff volta mais uma vez ao país para abrilhantar o maior festival de música tropical de Moçambique.

O autor do sucesso “Mónica”, muito tocada nas rádios nacionais, diz sentir-se preparado para o espectáculo. Por isso mesmo, espera que o público adira o festival e deixe-se vibrar ao som tropical. “Estou preparado e acredito que o povo vai vibrar comigo, a expectativa é quemuitos espectadores apareçam para podermos fazer uma grande festa”, disse o mangolê.

Kyaku Kadaff aproveitou ainda para felicitar e agradecer aos organizadores do Festival Tropical Zouk por valorizarem o seu trabalho, convidando-o uma vez mais para o evento.

Kadaff disse ainda que para este show preparou sucessos passados e actuais, mas que, para além disso, o público pode esperar surpresas.

Sobre a relação do angolano com Moçambique, este admite: “O calor do povo moçambicano é igual ao que sinto em Angola, não sinto diferença alguma, é um povo amigo, é um povo irmão e não tenho razão de queixa porque estar aqui é uma alegria positiva”, disse Kadaff.
O cantor angolano falou do Festival Tropical Zouk, depois de ter participado no programa Big Box Show, da Stv, na tarde desta terça-feira.

Além de Kyaku Kadaff, vão participar também deste evento Euridse Jeque, Gasso, Twenty Fingers, Mimae, Celso Notiço, Ronald Robinel et Jeux de Dames, Thierry Cham, Jocelyn Deloumeaux, Djodje, Livity, Filho de Zua, Edmázia, C4 Pedro, João Paulo & Sáldicos, Gabriela, Cef, Phil Control, Dj Dario Valy, Dj Gerson, Dj Sérgio Butler, Tabou Combo e Zouk Machine.

O Festival Tropical Zouk acontece uma vez por ano e tem o propósito de unir no mesmo palco os melhores fazedores de Zouk, de diversas partes do mundo.
Este ano, o espectáculo vai acontecer em Maputo, nos dias 28 e 29 do mês em curso.

 

 

O Camões – Centro Cultural Português em Maputo acolhe, esta segunda-feira, a iniciativa “Karingana wa karingana: à volta da fogueira ou do telemóvel? Ler e contar estórias na era do smartphone”, por ocasião do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor que hoje se assinala.

Segundo a organizadora da sessão, Sandra Tamele, citada pela Agenda Cultural Online, EMO, “os novos modelos de leitura digital, originados pela proliferação da tecnologia móvel, tiveram um enorme sucesso na Ásia, que agora repercute nos países anglo-saxónicos com o aparecimento de aplicativos que oferecem aos leitores a conveniência das estórias na ponta dos dedos, acessíveis de qualquer lugar, a qualquer momento, em formato de mensagens ‘SMS’. Como pode Moçambique, país onde a tradição oral ainda prevalece, acompanhar estes desenvolvimentos?” Celso Muianga, Paulo Guerreiro e Tavares Cebola irão debater este tema numa mesa redonda moderada por Sandra Tamele.

No âmbito desta celebração do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, serão partilhadas de sugestões literárias oriundas de Angola, Brasil, Espanha, França, Itália, Moçambique, Portugal, Reino Unido, Rússia e Suíça.

A celebração do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor será acompanhada por intérpretes de língua de sinais.

Esta iniciativa conta com a colaboração das Embaixadas de Angola, Brasil, Espanha, França, Itália, Portugal, Reino Unido, Rússia e Suíça.

 

100 páginas fazem a quarta obra literária de Dany Wambire: A mulher sobressalente. A coleccção de 10 contos será lançada em Minas Gerais, no Brasil, a 1 de Maio, no âmbito da 13ª edição do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços). Na verdade, Wambire volta a participar no festival depois de, ano passado, lá ter estado acompanhado por outros autores moçambicanos: Paulina Chiziane, Ungulani Ba Ka Khosa, Mbate Pedro, Sangare Okapi e Lucílio Manjate.

Ainda que já tenha lançado o seu primeiro livro no Brasil, A adubada fecundidade e outros contos, desta vez, o escritor leva um título inédito, com uma mão cheia de contos que retratam a mulher, enlevando a condição do eu feminino enquanto poder de resistência, de força e de busca pela liberdade. Com a temática que envolve alguns textos e mesmo com o título da obra, Dany Wambire problematiza a ideia de a mulher ser, muitas vezes, tratada como um sujeito secundário, ou seja, sobressalente, numa clara analogia com o pneu que é guardado apenas para determinadas circunstâncias.

Ao questionar uma realidade, nas narrativas da obra, a personagem feminina consegue superar-se, em alguns casos. Mas noutros, nem por isso. Algo propositado. Com certos desfechos, o que mais excita Dany Wambire é a possibilidade de deixar ficar um espaço de reflexão à volta do qual os leitores podem pensar sobre um conjunto de situações que muitos julgam ser normais. Para contrariar essa normalidade quase institucionalizada, o escritor investe na inserção de passagens que revelam como se perpetuam a subjugação da mulher.

A mulher sobressalente (cujos títulos de alguns contos são “O linchamento dos dólares”, “O bêbado corrigível”, “Melissa”, “O analista drogado”, “Casal de brincadeira”) foi escrita em três meses, logo depois da participação no Flipoços do ano passado. A obra foi escrita na Beira, onde o autor vive, mas há uma influência de perspectivas adquiridas no Brasil.

Além de lançar sua obra mais recente no Flipoços, e, claro, na sede da editora Malê, a que chancela o livro, Dany Wambire vai envolver-se em mais actividades literárias no Brasil, como palestras e conversas (sobre o seu percurso literário, seu envolvimento na Associação Kulemba e na revista Soletras) com estudantes de algumas universidades: de Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Tudo isto faz parte de uma eterna luta, a de levar o livro a mais leitores. “Estas oportunidades dão-nos força para continuarmos a produzir, porque, às vezes, ficamos divididos, interrogados sobre se vale ou não a pena escrever. Este tipo de eventos dá-nos a sensação de que o que produzimos tem algum valor. Por essa razão, sinto-me sortudo por, sendo tão jovem, estar a gozar este tipo de oportunidade, afinal, eventos como Flipoços ajudam-me na construção do meu processo de escrita. Nestes eventos recebo mais do que partilho”, confessa Dany Wambire, que vai ficar duas semanas na América.

Depois de gozar o Flipoços, Wambire regressa à pátria amada, onde vai lançar o mesmo livro no Centro Cultural Brasil-Moçambique, em Maputo, no dia 15 de Maio, no entanto, sob a chancela da editora Fundza, sedeada na Beira.

 

A mulher sobressalente nas vozes de Mia Couto e Paulina Chiziane

Mesmo antes de ser publicado, já há leituras feitas à nova obra de Dany Wambire. Sobre os contos de A mulher sobressalente, Mia Couto escreve: “A pretexto de um retrato do quotidiano da chamada “periferia”, Dany Wambire constrói uma narrativa leve mas atenta, irónica mas profundamente crítica, universal mas profundamente enraizada. Nestes contos está uma nação inteira”.

Paulina Chiziane também não resistiu a comentar A mulher sobressalente. Na óptica da escritora, Dany Wambire é um imbondeiro que brotou nas margens do Rio Chiveve, cujas raízes crescem gradualmente e já começam a atravessar as fronteiras do mundo. “Dany Wambire constrói os seus contos com suavidade, como quem tece as frágeis pétalas das flores. Muito cedo descobriu-se intérprete dos sonhos mais profundos da sua gente. O grande alcance de Dany é tanger, com olhar crítico, os eternos dilemas do ser humano, sempre gravitando entre a ordem e o caos, sonhos e ilusões, conflitos e preconceitos com que a sociedade foi construída. (…) Em cada página do seu livro, vai narrando os enganos e desenganos da sociedade, mas sempre na perspectiva de construir um mundo mais humano”.

Martins Mapera, poeta e ensaísta, a exercer, actualmente, a função de Director da Faculdade de Ciências Sociais e Humanidades da UniZambeze, no prefácio do livro é categórico: “A mulher sobressalente é, no mais sensato pensamento crítico, uma grande sala de aula onde se aprendem as principais lições de cosmogonia social”.

 

Outras participações no Flipoços

A 13ª edição do Flipoços, com o lema “A literatura & outros saberes” pretende homenagear a língua portuguesa, e vai ainda contar com a presença de mais um autor moçambicano, Manuel Mutimucuio, quem irá lançar seu livro de estreia: Visão, publicado em Moçambique ano passado, pela Fundza.

Além de Moçambique, estarão ainda os autores João Pinto Coelho e Patrícia Portela (Portugal), a documentarista Ana Ventura Miranda, que vai apresentar o documentário “Portugueses no SoHo”, sobre os portugueses que vivem em Nova Iorque.

A 5 de Maio, Dia da Língua Portuguesa, Dany Wambire e Manuel Mutimucuio participam de uma roda de conversa especial, com os autores João Pinto Coelho e a brasileira Andréa Del Fuego, vencedora do Prêmio José Saramago com o romance “Os Malaquias” e que ano passado participou na Feira do Livro de Maputo, organizado pelo Conselho Municipal local. A mediação será feita pela escritora e pesquisadora Susana Ventura.

O Flipoços é realizado pela GSC Eventos Especiais e acontece de 28 deste mês a 6 de Maio.

 

Perfil

Dany Wambire nasceu em 1989. É mestrado em Comunicação e licenciado em Ensino de História. É autor de A adubada fecundidade e outros contos, distinguido com menção honrosa no Prémio Internacional José Luís Peixoto (2013); O curandeiro contratado pelo meu edil, colectânea de crónicas; Quem manda na selva, infanto-juvenil e A mulher sobressalente.

 

 

 

  

 

         

A festa de celebração do Jazz, em Maputo, começou no átrio do Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM) com o sul-africano Sibu Mashiloane. O pianista foi convidado para o “Jazz no Franco”, na noite de sábado e arrepiou o público com a sua prestação, dando início a uma noite que fez suar os espectadores amantes do género musical. Mas foram só “preliminares” de uma noite de jazz aguardada por muitos.

O grande momento veio depois. Por volta das 20h, Ivan Mazuze subiu ao palco da Sala Grande do CCFM, acompanhado por instrumentistas de luxo. Antes mesmo de qualquer sopro, o saxofonista foi ovacionado, numa clara demonstração de que o público estava carente de um Jazz “tricotado” com sons africanos e com algum toque europeu.

Mazuze agarrou no seu saxofone e mostrou a sua intimidade com o instrumento.
A actuação não poderia ter começado da melhor forma, o músico mostrou como se toca e o que é um jazz contemporâneo.

Sem diminuir o poder do seu primeiro álbum, Maganda, e sem precisar de se esconder no Ndzuti(seu segundo álbum) Mazuze fez um rico passeio pelo Ubuntu, seu último álbum, um trabalho que espelha sua maturidade enquanto músico que se tem notabilizado fora de portas. Aliás, Mazuze fez questão de afirmar que “Queria ligar Ubuntu, que significa Humanismo, ao Dia Internacional do Jazz, porque o jazz leva-nos a comunicação, ao respeito um com o outro”.

E porque o evento esteve inserido nas celebrações do Dia Internacional do Jazz, o músico fez questão de repisar que “a UNESCO tem as suas linhas bem explícitas sobre o jazz e, realmente, todas essas linhas são realísticas. Este é um estilo musical que une pessoas”, carimbou.

O público não se conteve à execução de cada instrumentista que acompanhou Mazuze e rendeu-se com palmas. O calor do público fez o saxofonista acreditar que tem o carinho dos moçambicanos e que é sempre bom voltar a casa. O saxofonista afirma que “senti-me acolhido a 100%. O público foi fantástico. É algo que não consigo explicar”.

Mazuze provou aos espectadores, que lotaram a sala do CCFM, que o saxofone é a sua vida. A forma como cada instrumentista respondeu aos sinais de Mazuze aclarou a mestria dos integrantes da banda constituida por Stélio Mondlane (bateria), Hélder Gonzaga (baixo) e Walter Mabas (guitarra).

Nos instantes finais do concerto, o público levantou para aplaudir dando assim crédito ao saxofonista moçambicano, que se tem notabilizado na Europa e em vários cantos de África pela sua prestação.

Depois da actuação de Mazuze, cabeça de cartaz do evento, o “Jazz no Fraco” terminou com Jam Sassion com todos os músicos convidados, no jardim do CCFM, uma forma de fechar em grande a primeira edição do evento que tencionou celebrar o Dia Internacional do Jazz, que se assinala a 30 de Abril, em vários países do mundo.

A IX edição do FestCoros, o maior concurso de canto coral que o país tem, iniciou hoje e termina em 10 de Junho próximo, e conta com a participação de 30 grupos, uns novos e outros que já tinham participado nas anteriores edições.

O grupo coral do Município de Maputo, vencedor da VII edição, na condição de convidado, subiu primeiro ao palco do Cinema Scala e, de seguida, os 30 grupos que concorrem ao prémio máximo de 250 mil meticais, apoio de gravação de um CD e um show gravado e exibido pela STV.

O segundo classificado irá ganhar 150 mil e o terceiro posicionado terá o prémio de 50 mil meticais. A grande novidade nesta edição, segundo a organização, é a introdução da rubrica prémio indumentária, para além da melhoria da premiação dos grupos vencedores.

“Estamos a introduzir outras variáveis do ponto de vista de premiação, estamos disponíveis a apoiar o grupo vencedor a gravar um CD. Introduzimos igualmente uma rubrica ao nível da indumentária, queremos estimular os grupos para que venham devidamente trajados. A tradição do coral ao nível mundial é de grupos bem trajados, por isso introduzimos esta variável que será premiada. Queremos melhorar cada vez mais este evento”, disse Jeremias Langa, COO do Grupo Soico.  

O ministro da Cultura e Turismo, Silva Dunduro, foi uma das figuras presentes na tarde deste domingo a testemunhar o lançamento da IX edição do FestCoros, que, falando ao O País, primeiro elogiou a iniciativa e, depois, desafiou os organizadores do mesmo a levar as próximas edições para fora de Maputo.

“Como Governo gostaria que esta iniciativa do Grupo Soico fosse para mais cantos do nosso país, assim teríamos uma maior diversidade que faz de nós um mosaico cultural”, considerou o ministro da Cultura e Turismo.

O corpo de júris é composto por Arão Litsure, Hortêncio Langa, Isabel Mabote e Teresa Chiziane, esta última, júri da rubrica indumentária.

Tal como aconteceu nas anteriores edições, os telespectadores e o júri irão decidir a permanência de cada grupo coral participante no FestCoros, aqueles que tiverem menos pontuação serão eliminados. O sistema de votação consistirá em votação do público via SMS. Esta terá um peso de 30% nas primeiras seis galas e 50% nas restantes. Apreciação do júri, que atribuirá individualmente aos grupos uma nota que varia de 01 (um) a 10 (dez), terá também um peso de 70% nas primeiras seis galas e 50% nas restantes.

A primeira e segunda galas serão realizadas no Cinema Scala e as restantes no Auditório Municipal Carlos Tembe, no município da Matola.

O álbum “M & M” foi nomeado para o South African Music Award (SAMA), na categoria de “Best African Artist Album” (Melhor Álbum de Artista Africano).
 
O disco de Moreira Chonguiça e Manu Dibango foi lançado ano passado, tendo sido produzido durante cinco anos. “M & M” homenageia grandes clássicos de jazz que marcam os percursos artísticos de Chonguiça  e de Dibango.
 
Reagindo à nomeação, o saxofonista moçambicano disse que se sente honrado pelo facto do CD ser reconhecido pela indústria musical sul-africana. O “M & M” mostrou, uma vez mais, o poder da colaboração. Foi um enorme privilégio gravar lado a lado com um dos maiores músicos de África, e esta é uma experiência que me marcará para sempre”, diz Moreira Chonguiça num comunicado.
 
Gravado na capital francesa, no “Ferber Studios”, “M&M” foi masterizado na Cidade de Cabo, na África do Sul, pela “Milestone Studios”.
 
Esta será a nona nomeação de Moreira Chonguica para o SAMA. Com o mesmo disco, ano passado, também foi nomeado para o prémio AFRIMA.
 
 
 
 

 

A Biblioteca Nacional vai lançar, na próxima segunda-feira, na sua sede, em Maputo, a campanha nacional “Doar um livro é contribuir para a cidadania responsável e desenvolvimento sustentável”.

A campanha, de acordo com um comunicado envido pelo Ministério da Cultura e Turismo, pretende promover o acesso à informação, maior acesso ao livro e gosto pela leitura. Aliado a isso, pretende, igualmente, revitalizar e apetrechar, com livros e mobiliário, as bibliotecas públicas do país.

O lançamento da campanha coincide com o Dia Internacional do livro e de Direito de Autor e terá uma acção contínua até dia 26 de Agosto de 2018.

 

“Escrever e publicar: o que faz um escritor?” foi o tema da última mesa redonda que decorreu, esta quarta-feira, no Centro Cultural Brasil-Moçambique, em Maputo. Lucílio Manjate é autor e docente que, como orador, procurou desmistificar alguns mitos sobre a escrita, a publicação e a formação do escritor, que têm sido veiculados ao longo dos anos no contexto da literatura moçambicana.

Lucílio Manjate acredita que escrever significa construir uma máquina de linguagem. “O poeta é um objecto construído que não nasce da inspiração, mas que resulta do labor, da linguagem que o autor utiliza. Esta ideia de trabalho contrapõe-se à ideia de inspiração”, afirmou, subsidiando: “olhamos a literatura do mundo e vemos autores jovens a ganhar prémios e vemos escritores que não esperam por um momento para ter o devido reconhecimento. A idade e a experiência contam, mas o conhecimento e o domínio de técnicas mais ainda”.

Por outro lado, Manjate explicou que a literatura enquanto construção exige regularidade, constância, que o escritor aprende em cada livro que escreve, daí que não pode publicar quando achar conveniente, deve publicar com regularidade de modo a avaliar quem são seus leitores. “Há autores que depois de algum tempo não reconhecem suas obras, e, para não esquecerem, os mesmos deve escrever e publicar”.

Como forma de encerar o primeiro momento, que foi referente aos tabus, Lucílio acrescentou dizendo que a literatura não é uma pista de atletismo, os escritores não estão a competir, simplesmente o autor deve superar o seu próprio trabalho.

Ora, Manjate deixou algumas dicas do que um escritor deve fazer: ler obras clássicas, ficção, medicina ou física, de modo a aprender técnicas mesmo que de forma inconsciente. O escritor realça, igualmente, a importância dos jornais, da rádio e da televisão. “Tem de estar cercado de informação para adquirir consciência do tempo em que vive. O escritor tem que saber em que género escreve, deve ler mais para saber como este se manifesta. O escritor deve ler de forma crítica as suas próprias obras. Deve também escrever muito para adquirir experiência e aprimorar seus conhecimentos, aliás, a arte faz-se na prática”.

No momento, o escritor realçou a importância da recepção crítica e da crítica literária pois estes ensinam o autor a escrever. “O escritor olha com aversão ao crítico, mas o autor deve ler o que a crítica diz, quando o crítico escreve para o jornal é para introduzir o leitor à obra. Não tenham medo de inovar, recriar, combinar o improvável, a rebeldia torna-se a marca do escritor” apelou.

 

No próximo dia 26, às 18h, o conceito denominado “Only Jazz Without Stress” recebe, no Hotel Terminus, em Maputo, António Cabrita, para uma conversa intitulada “Arte e Escatologia: Enunciação Existencial”. O evento tem como curador o filósofo Dionísio Bahule, num conceito que se alarga para “Literature, Whinny and Jazz Without Strees”. Para Bahule, cruzar a literatura e o jazz é, de certa forma, retornar ao lugar de origem pois a África é fruto da arte. E o que mais se pretende descortinar é até que ponto a arte é o centro da vida.

Com Cabrita, espera-se uma conversa de 45 minutos em torno da consciência artística do mundo. No evento será apresentado o último livro do autor: Os crimes montanhosos, em co-autoria com o poeta Mbate Pedro, publicada mês passado sob a chancela da Cavalo do Mar.

A conversa, segundo avança um comunicado enviado à nossa redacção, claramente, poderá abrir-se para muitas outras obras do poeta, com destaque para “Anatomia comparada dos animais selvagens” publicado pela editora Coisas de Ler, um dos livros finalistas do Prémio Literário Glória de Sant’Anna 2018, juntamente com “Cicatriz Encarnada”, de Rogério Manjate, e “o deus restante”, de Luís Carlos Patraquim.

A literatura e o jazz cruzam-se no Hotel Terminus pela segunda vez, quinze dias depois de receber o poeta e sociólogo Filimone Meigos.

Um dia depois, 27, também às 18h00, desfila no palco do Terminus a banda Jazzy Networkers.

 

+ LIDAS

Siga nos