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O País – A verdade como notícia

O saxofonista Ivan Mazuze e o seu quarteto internacional estarão numa digressão pela primeira vez na Coreia do Sul e na Holanda, entre os dias 11, 12, 13, 17, 26 e 28 do mês em curso.

Ivan Mazuze e a sua banda vão participar em um dos mais destacados eventos de ambos os países, nomeadamente: Seoul Music Week e Rabobank Amersfoort Jazz Festival.

Nos dias 11, 12, 13 e 17 do corrente mês, Mazuze e sua banda vão actuar na Coreia do Sul, no Seoul Music Week 2018.

Alusivo ao Dia Nacional da Noruega, a 17 deste mês, a banda vai actuar no Jazztonic Festival 2018 mesmo na cidade capital de Coreia do Sul, Seul.

Na Holanda, Mazuze e o seu quarteto irão apresentar dois concertos, no Rabobank Amersfoort Jazz festival 2018 em duas salas e palcos de renome internacional, nomeadamente: De Lieve Vrouw e Groenmarkt.
O quarteto de Ivan Mazuze inclui alguns dos mais importantes nomes da música da Noruega, Cuba e Canadá, como são os casos de: Rich Brown,  de Canada, Raciel Torres, de Cuba, Bjørn Vidar Solli e Jens Fossum, da Noruega.

Ainda este ano, o saxofonista moçambicano radicado na Noruega foi convidado a presentar um concerto em uma das mais importantes casas em Montreal (Canadá), denominada Club Ballatou. O convite foi feito pelo Festival International Nuits D'Afrique e surgiu depois da sua digressão em Dezembro de 2017 naquele país americano, pelas cidades de Ottawa e Toronto.

Além daquele espectáculo, Ivan Mazuze actuou no Pisa Jazz Festival 2018, na Itália, a 18 de Março.
No mês passado, Mazuze actuou na celebração do Jazz, no átrio do Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), em Maputo, com o sul-africano Sibu Mashiloane. O saxofonista subiu ao palco da Sala Grande do CCFM, acompanhado por instrumentistas de luxo.

Ivan Mazuze é autor de três álbuns: Maganda, Ndzuti e Ubuntu.

 

Na semana em que vários católicos, no país, peregrinam até Namaacha em memória à Nossa Senhora de Fátima, Marcelo Panguana lança Os peregrinos da palavra. Como quem viaja, com muita fé e sacríficos pelo caminho, o escritor esmera-se na busca da verdade e da coerência, tendo, como suporte, a palavra.

O livro mais recente de Marcelo Panguana será lançado às 17h:30 desta terça-feira, na Minerva Central, em Maputo, onde acontece a 82ª Feira do Livro. Coincidência ou não, a colecção de entrevistas surge de uma “peregrinação” entre o escritor e outros autores, numa árdua tentativa de tornar o mundo melhor a partir da palavra. Sempre a palavra, porque, explica Panguana, apesar de haver correntes convictas de que a literatura não tem poder suficiente para mudar a sociedade, “acho que a palavra muda e alguns autores com quem conversei comungam da mesma ideia”.

Nas entrevistas de Os peregrinos da palavra, conduzidas por Marcelo Panguana, escritores, poetas, ensaístas ou professores de Literatura falam de assuntos diversos, como os relacionados às dificuldades de produção literária. As conversas incluem, entre vários autores, Eduardo White, Aníbal Aleluia, Nataniel Ngomane, Filimone Meigos, Calane da Silva, Isabel Noronha, José Pastor, Juvenal Bucuane, Sangare Okapi e Lília Momplé, cada uma destas vozes, já agora, “peregrinas”, contam a sua verdade literária.

Este é um livro de afectos. Por isso, são entrevistadas pessoas que, ao longo do tempo, caminharam e partilharam a dificuldade de fazer literatura com o autor. Os peregrinos da palavra aglutina experiências de Marcelo Panguana como escritor e como jornalista: “fui fazendo jornalismo literário por anos. Ao longo desse tempo, conversei com muitos autores. Algumas entrevistas são inéditas e outras já foram publicadas em páginas de especialidade. Passados esses anos todos, senti que seria péssima ideia deixar essas entrevistas esquecidas”.

Nestas entrevistas a 15 autores, Panguana espera que seja possível compreender-se o que está a ser a literatura moçambicana nos últimos 20 anos. Panguana acredita que o livro é um documento que admite perceber o que se passa no país em termos de produção literária. E espera que este Os peregrinos seja um subsídio para enriquecer o espólio da literatura moçambicana. Além disso, Marcelo Panguana sente-se a contribuir para divulgar autores, com discussão sobre o dilema da publicação, conversa à volta do prazer da escrita e dos livros que escreveram. “Neste livro há todo um manancial que torna possível o leitor aperceber-se dos grandes conflitos que os escritores têm no processo da escrita”.

Na cerimónia de lançamento, Os peregrinos da palavra não terá um apresentador formal. Três peregrinos vão falar do livro e do percurso literário de Marcelo Panguana: Paulina Chiziane, Ungulani Ba Ka Khosa e Suleiman Cassamo. A completar a cerimónia, Stewart Sukuma, Roberto Chitsondzo e Arão Litsure farão o que bem sabem fazer…   

Um percurso com 30 anos de carreira

O lançamento de Os peregrinos da palavra insere-se nas comemorações dos 30 anos de carreira de Marcelo Panguana, num “ofício solitário e doloroso”, a escrita. “Estes foram 30 anos de dor, trabalho, leitura, discussão e muita escrita”.

Para Marcelo Panguana, ainda é difícil fazer literatura no país porque, de certa maneira, não é tomada como prioridade. “A literatura fica para trás, é preciso gostar muito das palavras e de escrever para aguentar. Escreve-se porque se gosta e, quando se gosta, nunca se cansa. Sinto que com as minhas ideias e utopias contribuo para a construção do país”.

Ainda que a literatura não seja algo prioritário, de acordo com Marcelo Panguana, Moçambique está num bom caminho em termos de produção literária. “Estamos a produzir uma das melhores literaturas a nível dos PALOP. Precisamos é de divulgação porque, inclusive, temos uma geração boa de novos autores. Nos próximos tempos, o escritor moçambicano vai conquistar muitos leitores em outros contextos. Já ganhamos identidade, uma das coisas importantes da literatura”.

Em contrapartida, Marcelo Panguana, com experiência jornalística, defende que o considerado jornalismo cultural não está a atravessar bons momentos. “As políticas editorias deviam ser reformuladas. É necessário formar uma geração de jornalistas culturais que tenham amor profundo pelas artes. Não se pode ser Jornalista desportivo sem nunca ter visto um jogo de futebol. Do mesmo modo, não se pode ser um jornalista cultural sem se ler autores clássicos como Ungulani, Suleiman e etc. Existe uma tentativa malabarista de fazer cultura sem profundidade, sem análise crítica. Andamos a enganar-nos uns aos outros. Só temos pessoas que fazem copy and paste”, afirmou o escritor.  

A capa de Os peregrinos da palavra tem a assinatura de Quehá e o prefácio foi escrito por Daniel da Costa. O livro sai sob a chancela da Alcance Editores.

 

 

O artista plástico João Fornasini vai inaugurar a exposição intitulada “Olhares de mim”, no Centro Cultural Brasil-Moçambique (CCBM), amanhã, pelas 18h30, em Maputo.

Na sua obra, Fornasini usa materiais como acrílico e óleo nas técnicas, o que lhe facilita ter uma antevisão daquilo que o quadro ou a obra em si virá a ser.

João Fornasini nasceu em 1960, na cidade de Maputo, começou a sua carreira artística em 1977, no entanto, como artista plástico, em 1996.

Ao longo da sua carreira, realizou cinco exposições individuais, nomeadamente “Lost Gardens”, na Cats-Gardem Gallery, em 1999, “Absences”, em 2001, “Zandamela”, na Associação Moçambicana de Fotografia, em 2006 e “Outros Espaços”, no Instituto Camões, em 2011.

Fornasini criou a sua oficina "Valeiro artes" e tornou-se membro do Núcleo d'Arte. Sua sexta exposição, chamada “Errantes”, segundo o autor, tem a ver com os movimentos de animais, pessoas e a própria biodiversidade, já que é amante da natureza.

 

De Moçambique para Moçambique. Assim é a exposição patente no Núcleo de Arte, na cidade de Maputo. Inaugurada sexta-feira à noite, a colectiva conta com Ju Reino da Costa como principal expositora. A artista cá nasceu na década de 60. No entanto, só agora teve a possibilidade de vir partilhar as memórias contidas na sua obra e o seu imaginário.

Na verdade, esta viagem de regresso à terra natal é a concretização de um sonho da artista plástica que também navega muito em cerâmica. Aliás, Raízes, o título da exposição colectiva, inclui obras de pintura em tela, cerâmica, escultura e desenho. “Esta ocasião é dois em um: oportunidade de visitar a terra onde nasci e cresci e, ao mesmo tempo, expor o trabalho que tenho estado a desenvolver”, confessou Ju Reino da Costa, quem começou a sua arte com pintura, mas que há uns anos redescobriu a cerâmica, algo já feito nos tempos de escola. Quiçá, por isso, em Raízes, Reino da Costa tem alguns registos que, tendo usado na cerâmica, igualmente, aplicou-os na pintura. Bem dito, só assim a sua linguagem fica mais completa.

No seu percurso criativo, a artista vai sempre experimentado, fazendo formações para aprender novas técnicas, afinal, gosta muito de as misturar. Sempre atenta ao vegetal, que é uma necessidade de partilhar a sua preocupação pelo planeta muitas vezes maltratado. “Além disso, penso que tudo que eu vejo num mundo vegetal, como as belas acácias daqui de Maputo, podem ser aplicado à arte. Fascinam-me as folhas e o mundo marinho também. Tudo isto está ligado à necessidade de preservação. E o que faz um artista é a capacidade de observar e tirar disso qualquer coisa. É isso que tento fazer. Outra coisa que me fascina na natureza é a diversidade, e acho que temos que a aplicar na vida humana. Duas pessoas não são iguais e temos que respeitar isso”.

Se para alguns autores a satisfação surge depois da obra estar completa, com Ju Reino da Costa o cenário é bem diferente. O que mais dá gozo à artista é o processo do seu trabalho, a busca. “Não penso tanto no que a obra vai ser no fim. A procura e os experimentos é que me dão mais prazer”.

Ju Reino da Costa gostava que os apreciadores da exposição encontrassem nas obras um universo em que o respeito pela natureza está presente, com a sua beleza e diversidade.

A maior parte das obras da artista com cordão umbilical em Moçambique foram concebidas especialmente para exposição patente no Núcleo de Arte até 23 deste mês.

De acordo com Titos Pelembe, Vice-Presidente do Núcleo de Arte, a exposição Raízes vale muito pela riqueza temática e cultural: “esta vinda da Ju abre um espaço de exaltação do convívio entre os artistas e com a cultura”.

Além dos trabalhos de Ju Reino da Costa, Raízes inclui algumas obras de autores como Makamo, Norberto, Mahumana, Nely e Nelsa Guambe.

 

Ju Reino da Costa

Artista

“Quando pensei nesta exposição, conclui que fazia muito sentido voltar com uma temática ligada à minha terra natal e à paixão que tenho pelo mundo vegetal: Raízes. Tem sido uma descoberta ir à procura de algumas memórias que estavam cá dentro perdidas, visitar lugares que não me lembrava e que vou descobrindo. Na exposição há dois trabalhos com colagem de capulana dedicados à África. E, nesta colectiva, fiquei deslumbrada com a riqueza cultural que encontrei nas obras de outros artistas”.

Depois da eliminação de quatro grupos na última semana, os grupos que seguiram para esta terceira gala da nona edição do FestCoros subiram ao palco com o objectivo de arrancar a pontuação máxima do corpo de júri e de convencer o público a votar cada vez mais.

No fim da gala, que se realizou no Auditório Municipal Carlos Tembe, na Matola, deu-se a conhecer que o Grupo Coral LENMED-Hospital Privado de Maputo foi o grupo mais votado da última semana. Na segunda posição, manteve-se o Grupo Coral Evangelho e na terceira posição ficou o Grupo Coral Tchivirika África.
Por insuficiência de votos, foram eliminados os grupos corais Ramat Leck, One Gospel, Internacional IDV.

Nesta gala, o corpo de júri foi muito rigoroso, facto que de certa maneira surpreendeu aos concorrentes.

 

A Cerimónia de Abertura da 17ª edição do Ciclo de Cinema Europeu, na Beira, em Sofala, vai decorrer no Camões – Centro Cultural Português, Pólo da Beira, às 18h00 do dia 24 de Maio, com a exibição do filme espanhol «Primos».

Nesta edição, segundo um comunicado da instituição, Portugal vai participar com o filme "Ruth", de António Pinhão Botelho, que será apresentado no dia 31 de Maio, às 18h00, também no Camões da Beira.

Ruth retrata a sociedade portuguesa metropolitana e ultramarina no início da década de 60. É também a história de um mito do futebol, em todo o mundo: Eusébio, moçambicano que se tornou numa lenda no mundo de futebol nas terras lusas.

Durante a 17ª edição do Ciclo de Cinema, serão apresentados 11 filmes europeus produzidos nos últimos anos, muitos dos quais foram premiados e são exibidos pela primeira vez.

Nesta 17ª edição, o Ciclo de Cinema Europeu, que resulta da colaboração entre várias Embaixadas e Institutos Culturais de países europeus e da Delegação da União Europeia em Moçambique, volta a decorrer não só em Maputo, mas também na Beira e em Quelimane devido ao sucesso da edição do ano passado nestas duas cidades.

Na Beira, os eventos serão exibidos no Camões, Universidade Pedagógica, Auditório Municipal NovoCine, UniZambeze e na Casa do Artista.

Nos dias 22 e 23 de Maio serão também exibidas 6 Curtas de Cinema de Realizadores dos PALOP no Camões da Beira.

 

Foi descoberto, esta esta semana, um pote de cerâmica que prova que já havia povos que faziam trocas comerciais, na Ilha de Moçambique, muito antes da chegada dos portugueses.

O pote, com mais de 500 anos, evidencia a existência, na Ilha de Moçambique, de populações que, muito antes dos portugueses, já faziam o comércio com outros povos. Os pedaços desse pote de cerâmica carregam informação histórica preciosa, segundo revelou Ricardo Teixeira Duarte, arqueólogo há mais de 45 anos, que está envolvido na instalação do Centro de Arqueologia, Investigação e Recursos da Universidade Eduardo Mondlane, que deverá funcionar na Fortaleza São Sebastião, na Ilha de Moçambique.

“Vemos cerâmica decorada, com motivos decorativas, que pertence a tradição que designamos cerâmica sankur. Nós calculamos há mais ou menos século XVI. Quando Vasco da Gama aqui chegou (foi o primeiro europeu que chegou aqui), ele encontrou uma pequena povoação (…) então viviam aqui na Ilha populações, antes dos portugueses chegarem. Aqui estão os vestígios desse povoamento que existia antes de chegarem os portugueses”, disse.

Durante o processo de retirada, o pote foi se quebrando, mas o facto não retira o valor da importância da descoberta, no entanto, precisará de um trabalho para restaura-lo,

E porque 05 de Maio é dia do Património Mundial Africano, a Ilha de Moçambique, também Património Mundial da Humanidade, acolheu as celebrações da data, marcada por uma marcha que reuniu jovens dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, PALOP.
Este ano, a Ilha de Moçambique celebra 200 anos de elevação à categoria de cidade.

 

Wonaistosee e Kongoloti Records convidaram os músicos moçambicanos TRKZ, Rita Couto, Iron B11 e o sul-africano Nonku Phiri para fazer parte de um concerto musical que terá lugar no Centro Cultural Brasil-Moçambique, amanhã, em Maputo.

Dos convidados, Ailton José Matavele (TRKZ) é rapper, compositor e produtor baseado em Maputo. Em 2017, TRKZ lançou a EP Filhos da terra e fez inúmeros concertos em Moçambique e Portugal.

Rita Couto é artista em diversos domínios nas artes performativas. Com uma enérgica presença em palco, a cantora do loop em indie e soul cativa facilmente.

Iran Campos, mais conhecido por Iron B11 é rapper, produtor e realizador. Formou o colectivo T.Z.OVA e produziu todos os seus lançamentos. Na verdade, Iron B11 começou a gravar em 2009, mas só em 2011 começou a dedicar-se seriamente à música.

Todos os artistas têm em comum o amor pela arte, neste caso a música.

O primeiro evento, que aconteceu em Fevereiro deste ano, reuniu a camaronesa/neo-zelandesa Estère e os moçambicanos Nandele e Mark Exodus.

Wonalivesessions são eventos virados para a criação artística afro-futurista, e, também, é uma alternativa para os eventos nocturnos de Maputo, com oferta diferente. A selecção dos artistas é feita dentro deste conceito, em todas as estações.

 

A Directora Artística do projecto Xiquitsi, Kika Materula, disse, hoje, que vai homenagear José António Abreu, por meio de um projecto de inserção colectiva, através da música, que vai beneficiar adolescentes e jovens dos vários cantos da cidade, numa primeira fase, e, depois, a nível nacional.

Kika diz ainda que os moçambicanos são mais próximos dos instrumentos, e que, com o passar do tempo, já não precisa explicar a cada jovem nome de cada instrumento. De acordo com Kika, Xiquitsi devia ser motivo de orgulho pelas mudanças que tem feito no seio da juventude moçambicana.

“O sonho de ver jovens e crianças moçambicanas a tocar aquilo que era instrumento de ‘brancos’, era considerados instrumentos dos outros, do colono, que vem da Europa, era tudo menos algo que nós podíamos chamar por tu”, referiu, acrescentando: “hoje, o Xiquitsi trata o violino, contrabaixo, piano, clarinete, precursão por tu”, disse Materula.

Kika afirmou ainda que o Xiquitsi é hoje uma realidade, graças à generosidade de um vasto leque de patrocinadores, parceiros e apoios, sem os quais nada do que foi feito teria sido possível, por isso, aproveitou a ocasião para endereçar agradecimentos.

Diferente dos anos passados, Xiquitsi terá cinco séries de concertos e está a enveredar esforços para aumentar o número de artistas moçambicanos a participar nos concertos.

 

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