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O País – A verdade como notícia

O maior concurso de música coral do país já vem na quarta gala da sua nona edição. Neste domingo, restaram 19 grupos de um total de 30 que este ano entraram para o concurso a fim de ser vencedor do grande prémio.

Exploração máxima das potencialidades vocais, com recurso a dança e por vezes com instrumentos clássicos ou tradicionais, 22 grupos passaram pelo palco do auditório municipal, Carlos Tembe, na Matola, ontem, naquela que foi a quarta gala da nona edição do concurso FestCoros.

E por que se trata de um concurso, durante as suas performances os grupos deram o melhor de si para não só agradar o júri e o público, mas também para angariar votos e permanecer na disputa do almejado primeiro lugar. Houve aqueles que conseguiram 10 em todas classificações e outros nem por isso, sendo que o cinco foi a nota mais baixa.

E nesta semana, quem ficou em primeiro lugar foi o grupo coral IPM PEPANE. “Nós já tínhamos ficado na berlinda duas vezes consecutivas”, lembra a representante do grupo, Angélica Nhare.
Aliás, os três grupos mais votados da semana, querem continuar em posições cimeiras até ao fim do concurso.

Mas o dia não foi de alegrias para todos. Três grupos foram eliminados. A falta de entendimento entre os membros do grupo é apontado como uma das causas.

“Esta semana nos desentendemos e isso afectou o nosso desempenho. Penso que foi por isso que fomos eliminados”, disse o representante de um dos grupos, Pedro Comé.

O corpo de júri mostrou-se satisfeito com o que viu, mas recomenda mais trabalho aos grupos que seguem para a quinta gala.

Todas as galas da nona edição FestCoros é convidado um grupo coral para fazer uma actuação e encorajar os conconrrentes. E este domingo foi a vez da banda Rejoice. A nona edição do FestCoros arrancou com 30 grupos, sendo que actualmente seguem no concurso 19 grupos que disputam o prémio máximo de 250 mil meticais, apoio de gravação de um CD e um show gravado e exibido pela STV. O segundo classificado irá ganhar 150 mil e o terceiro posicionado terá o prémio de 50 mil meticais. Nesta edição também será premiado o grupo melhor trajado.
 

 

Depois de ter estado no Brasil, o escritor Dany Wambire volta à casa para lançar o livro intitulado “A mulher sobressalente”, no Centro Cultural Brasil-Moçambique. A cerimónia está marada para 18h30, amanhã, em Maputo.

A obra resulta da experiência que o autor tem tido no Brasil ao participar, desde o ano passado, do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas – Flipoços.

“Em 2017, tive a primeira experiência de internacionalização das minhas obras ao participar do festival. Este ano voltei ao Brasil para fazer o lançamento do livro ‘A mulher sobressalente’. Comecei a escrevê-lo ano passado, depois de ter feito parte de uma delegação de escritores moçambicanos que participou da 12ª edição do Flipoços”, explicou Wambire.

De acordo com o autor, a colectânea de contos é uma homenagem às mulheres. Bem dito, as estórias têm uma forte presença feminina. Desde os sucessos, fracassos, os desafios que a mulher enfrenta no seu quotidiano.

“Eu sou órfão de pais. Fiquei por muito tempo sob cuidados de mulheres. Muitos ensinamentos foram-me dados por mulheres, por isso senti a necessidade de as destacar e valoriza-las no livro. Quis lançar a obra no mês de Abril, que é o mês da mulher, mas por questões editoriais não foi possível”, revelou Wambire.

Dany Wambire prevê o lançamento de outro livro para o segundo semestre desde ano, igualmente no Brasil. O autor acredita que a leitura dos livros que trouxe do Brasil mudou a sua maneira de ver o mundo, a sua personalidade, e, acima de tudo, melhorou a sua escrita.

O livro será apresentado pela professora universitária Egna Sidumo.

No Brasil, “A mulher sobressalente” foi publicada sob a chancela da editora Malê. Em Moçambique, o livro de contos é publicado pela editora Fundza, que está situada na Beira, onde vive.

 

A obra “Ku Ringhisa”, que inaugurou a 2ª série da 5ª Temporada de Música Clássica, igualmente, encerrou o Xiquitsi. “Ku Ringhisa” foi executado pelo aluno do Xiquitsi, Estevão Chissano.

A composição foi interpretada no primeiro e último concerto, pela violinista japonesa Maya Egashira. Para o autor, a experiência constituiu um grande desafio pois, “esta obra é a manifestação das minhas origens e a intenção era mostrar um pouco do que é de Moçambique a nível de criação musical para outros cantos do mundo, usando a professora Maya Egashira que é virtuosa no que faz”.

Esta série de concertos de Maio juntou os instrumentistas internacionais Maya Egashira, Peter Martens, Luis Magalhães, David Juritz, Pedro Muñoz, Juan Rivas, Ainoã Cruz, estes dois últimos professores convidados do Xiquitsi.

Para além dos concertos, houve uma exposição de pintura alusiva aos cinco anos do Xiquitsi, do artista e também designer gráfico Titos Pelembe.

 

Lucílio Manjate já lançou o seu mais recente trabalho literário, intitulado “A triste história de Barcolino”.

No dia do lançamento, a sala do Camões esteve cheia, os espectadores estavam de olhos e ouvidos bem atentos, para antes da leitura profunda feita em casa, poderem perceber do que se trata o livro.

Normalmente, as acções falam mais do que qualquer palavra, e essa foi a perspectiva que guiou o resumo de “A triste história de Barcolino, o homem que não sabia morrer”, encenada por um grupo de sete actores.

Ao som da música “É doce morrer no mar”, começaram a encenação. No total, cinco actores, desempenhando o papel de vizinhos de Barcolino, o próprio Barcolino e sua esposa.

Terminada a encenação, a conversa começou, envolvendo o autor e os jornalistas Francisco Manjate e Leonel Matusse.

Ainda na onda da encenação, Leonel Matusse, traz uma reflexão sobre a obra, afirmando que a impressão que se tem ao ler o livro é de que Barcolino é um morto vivo: “No livro, ‘A triste história de Barcolino’, o protagonista é um morto não morto, não é propriamente um fantasma embora se trate de uma assombração em carne e osso, a morte volta a estar presente numa obra de Lucílio Manjate e a ocupar um papel central na narrativa”. Nesta senda, o jornalista Francisco Manjate, acrescenta e questiona o porquê de Lucílio ter a dor como seu principal tema de escrita, já que se sente com destaque em obras como “Silêncios do narrador; “A legítima dor de dona Sebastião” e “Rabhia”. Eis que o autor responde: “Confesso que nunca parei para pensar e sistematizar, o porquê da dor, eu acho que eu aprendi esta dor lendo outros autores, como o Ungulani. Eu não sei se a vida teria sentido sem a dor, se calhar estou preso à dor, mas creio que seja uma dor saudável, uma dor que nos faz andar, acho que aprendi essa gramática da dor da arte, como resultado da tentativa de exorcizar, ou saber lidar com as dores, que neste caso é a morte, digamos que estou a apropriar-me de um legado moçambicano”, disse Manjate.

 “A triste história de Barcolino” está agora disponível nas livrarias nacionais.
 

 

O professor de música, Edson Uthui, lançou, semana passada, no auditório da livraria Minerva Central, em Maputo, a obra “Xitimela Xakuya Manhiça”, uma transcrição das músicas do grupo coral Makwayela dos TPM.

A obra é composta por nove partituras de cada uma das nove músicas que compõem o CD. Com este trabalho, Uthui diz que pretende dar um contributo não só à música tradicional moçambicana, mas também no acervo bibliográfica na universidade onde leciona.

“Tudo começa quando ainda estou a fazer a licenciatura e tinha que procurar algum tempo sobre o qual escrever algo para o meu trabalho de fim de curso, depois de várias sugestões de diferentes pessoas com que conversei veio a ideia de falar do que é nosso. Decidi estudar Makwayela dos TPM e fui fazendo as transcrições, gravações. Eu assistia a maior parte dos ensaios e algumas actuações e, a partir daí, decidi fazer um estudo de transcrições. Mais do que transcrever as obras do grupo fui fazendo um estudo”.

A relação do autor com o grupo dura cerca de sete anos, e, com este trabalho, o professor imortaliza o nome do Makwayela dos TPM.

“Nós somos de um contexto de memória, a nossa cultura transmite-se de forma oral. Hoje, eu conto um conto, amanhã, conto o mesmo conto com mais um ponto diferente. Era importante que nós fizéssemos uma memória de como era desde que começa e a partir daí decidi trabalhar e aprofundar mais nesta matéria de harmonia sobre tudo com os Makwayla dos TPM”, explicou Uthui.

Edson Uthui ofereceu livros a cada membro do grupo coral, como forma de agradecer pelo acolhimento que lhe foi dado durante o tempo de investigação e também como forma de motivar o grupo a continuar a cantar.
Januário Pelembe, integrante dos Makwayela dos TPM, mostrou-se feliz por ter o nome do grupo em livro, pois representa crescimento para o grupo que até entra só tem um CD no mercado.

Por se tratar de música, os integrantes do Makwayela abrilhantaram o lançamento com música e muita dança.
 Edson Uthui Foi coordenador da Comissão de Reforma da Escola Nacional de Música e da Comissão de Criação do Hino da Universidade Wutivi.
 

 

O músico Deltino Guerreiro realizou, na noite de ontem, um concerto de música acústica na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo.

Trata-se do primeiro concerto do músico na Fundação. Guerreiro proporcionou ao público uma noite de animação. Como de costume fez homenagem a uma figura importante na música macua, Zena Bacar.

O espectáculo foi organizado pela Kongoloti Records, produtora que ultimamente tem promovido concertos de música pouco comuns.
O músico conta actualmente com um álbum de nome Eparaka e está a organizar um concerto que considera grande para o mês de Julho.

Deltino Guerreiro teve o seu talento evidenciado no programa que buscava talentos na arena musical “Desafio Total” organizado pela STV.

 

O Campus da Universidade Eduardo Mondlane ira acolher, no próximo domingo, o lançamento da primeira pedra do Projecto de Construção do Centro Cultural Moçambique e China.

A infra-estrutura resulta dos Acordos de Cooperação Económica e Técnica entre os dois países e trata-se de um Centro Cultural modelo em África, com uma área de 20.000 metros quadrados. O empreendimento está orçado em 70 milhões Dólares.

Este empreendimento visa estreitar as relações culturais entre os povos e compreende, para além do Centro Cultural Moçambique-China a construção do Instituto Confúcio e a Escola de Comunicação e Artes, todos a serem erguidos no Campus da UEM.

Prevê-se ainda, a construção de um teatro com capacidade para albergar 1500 espectadores e Salões de exposições para arte e artesanato e outras actividades culturais, com capacidade para 400 a 500 lugares.

O projecto vai empregar cerca oitocentos trabalhadores, dos quais 600 moçambicanos e 200 chineses.

 

A gala de abertura da segunda série da temporada de música clássica 2018, do projecto Xiquisti, aconteceu ontem, no Conselho Municipal de Maputo.

O ambiente era clássico, tal como a música e o público presente naquela sala decorada de simplicidade e ao mesmo tempo de requinte.
Luz semi-apagada, iluminação fluorescente, sala preenchida de ansiedade e desejo de escutar a boa música produzida pelo Xiquitsi, eis a forma mais delicada para descrever a gala que se enquadra nos cinco concertos programados para comemoração dos cinco anos do Xiquitsi.

Para abrir o show, viu-se e sentiu-se a união de duas vozes: a voz do músico Florêncio Manhique e a voz do violoncelo do professor Juan Rivas, que deram ao público o primeiro toque do que ainda estava por acontecer.

Seguida a actuação dos músicos, a voz calou-se, e passou-se simplesmente a escutar a voz do violino da japonesa Maya Egashira, que interpretou “Matsungulo”, “Liyendzu” e “Hi wu Moçambicana”, produzidas por Estevão Chissano, que mereceu aplausos fortes do público pelo trabalho elaborado.

Depois de Egashira, no violino, o piano e o violoncelo ganharam espaço, também numa actuação dupla, trazida por Luís Magalhães (piano) e Peter Martens (violoncelo).

E porque Kika Materula também conhece e sabe bem-fazer a arte, juntou-se a Peter, Pedro e David Juritz, e juntos embalaram o público com melodias doces, agressivas e ao mesmo tempo suaves, tornando o ambiente ainda mais interessante.

Kika Materula, no oboé, Peter Martens, no violoncelo, David Juritz e Pedro Muñoz, no violino, tornaram a voz de seus instrumentos num só, fazendo o som das cordas e respirações, chegarem aos corações de cada um que escutava, uns de olhos fechados, outros de olhos bem abertos, cada um sabia a melhor forma de sentir a música.

 E porque o Xiquitsi é constituído também por alunos, a actuação dos mesmos não podia faltar, e foi com a actuação dos alunos do Xiquisti que a gala encerrou, ao som de Jigha, Ostinato, Intermezzo e Finale (Le Dargason), o grande show terminou.  

O show de abertura teve fim, mas a segunda série continua e vai até ao dia 12 do corrente mês.

 

A Texto Editores vai lançar mais uma obra. No entanto, desta vez, não se trata de nenhum romance ou colectânea de poesia. A editora vai lançar o Dicionário português – changana, da autoria de Bento Sitoi, numa cerimónia a realizar-se às 17:30h desta quarta-feira, no Camões-Centro Cultural Português, em Maputo.

O Dicionário português – changana é resultado das pesquisas de Bento Sitoi nas últimas duas décadas. E surge como forma de complementar o projecto iniciado há anos com o Dicionário changana – português, do mesmo autor, publicado em 2011. Contribuiu para o efeito o facto de, ao dar aulas de Changana na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), nos anos 80, os estudantes de Sitoi muitas vezes perguntarem-no o significado de certas palavras. Então o professor, bom que é, percebeu que tinha de criar um dicionário que satisfizesse a curiosidade dos alunos. Primeiro, trabalhando com poucos colegas. Mais tarde, depois de conseguir uma ajuda da UEM, criou uma equipa que pudesse ir ao campo ter com todos que poderiam partilhar um vocabulário para a obra.

Com efeito, contando igualmente com apoio da Petromoc, para o actual dicionário, Sitoi criou uma rede de falantes nativos de changana, em Maputo e Gaza. A equipa teve vários encontros com os falantes nativos para perceber o que eles sabem da língua. Antes de ir ter com as pessoas, a equipa colocou formulários, com lista em português.

Ao fim de vários anos, sai o dicionário com 17 500 palavras. Foi necessário muito tempo porque, segundo o professor universitário, os envolvidos não tinham como se dedicar apenas à pesquisa, tinham de dar aulas e corrigir teses.

No Dicionário português – changana Bento Sitoi garante que fica salvaguardada a componente cultural, porque, por exemplo, ao traduzir a palavra dança, apontam algumas que cabem dentro do universo dos changanas.

A equipa que trabalhou para o Dicionário português – changana foi constituída por cinco académicos, dos quais um exclusivamente revisor lexicográfico e linguístico: Feliciano Chimbutane.

Publicado o dicionário, Bento Sitoi espera que as pessoas encontrem omissões e o informem, de modo que a segunda edição inclua mais entradas.

Bento Sitoi nasceu a 18 de Maio de 1947. É Mestre em Linguística Africana, desde 1991, pela Universidade de Varsóvia (Polónia). Em 2001, Doutorou-se em Linguística Africana pela Universidade de Leiden (Holanda). É docente e investigador jubilado da UEM, no Departamento de Linguística e Literatura. O seu campo de actuação inclui ensino de lexicografia e tradução, envolvendo línguas bantu. É autor da novela em changana Zabela.

O apresentador do Dicionário português – changana será Armindo Ngunga.

 

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