O País – A verdade como notícia

O professor de música, Edson Uthui, lançou, semana passada, no auditório da livraria Minerva Central, em Maputo, a obra “Xitimela Xakuya Manhiça”, uma transcrição das músicas do grupo coral Makwayela dos TPM.

A obra é composta por nove partituras de cada uma das nove músicas que compõem o CD. Com este trabalho, Uthui diz que pretende dar um contributo não só à música tradicional moçambicana, mas também no acervo bibliográfica na universidade onde leciona.

“Tudo começa quando ainda estou a fazer a licenciatura e tinha que procurar algum tempo sobre o qual escrever algo para o meu trabalho de fim de curso, depois de várias sugestões de diferentes pessoas com que conversei veio a ideia de falar do que é nosso. Decidi estudar Makwayela dos TPM e fui fazendo as transcrições, gravações. Eu assistia a maior parte dos ensaios e algumas actuações e, a partir daí, decidi fazer um estudo de transcrições. Mais do que transcrever as obras do grupo fui fazendo um estudo”.

A relação do autor com o grupo dura cerca de sete anos, e, com este trabalho, o professor imortaliza o nome do Makwayela dos TPM.

“Nós somos de um contexto de memória, a nossa cultura transmite-se de forma oral. Hoje, eu conto um conto, amanhã, conto o mesmo conto com mais um ponto diferente. Era importante que nós fizéssemos uma memória de como era desde que começa e a partir daí decidi trabalhar e aprofundar mais nesta matéria de harmonia sobre tudo com os Makwayla dos TPM”, explicou Uthui.

Edson Uthui ofereceu livros a cada membro do grupo coral, como forma de agradecer pelo acolhimento que lhe foi dado durante o tempo de investigação e também como forma de motivar o grupo a continuar a cantar.
Januário Pelembe, integrante dos Makwayela dos TPM, mostrou-se feliz por ter o nome do grupo em livro, pois representa crescimento para o grupo que até entra só tem um CD no mercado.

Por se tratar de música, os integrantes do Makwayela abrilhantaram o lançamento com música e muita dança.
 Edson Uthui Foi coordenador da Comissão de Reforma da Escola Nacional de Música e da Comissão de Criação do Hino da Universidade Wutivi.
 

 

O músico Deltino Guerreiro realizou, na noite de ontem, um concerto de música acústica na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo.

Trata-se do primeiro concerto do músico na Fundação. Guerreiro proporcionou ao público uma noite de animação. Como de costume fez homenagem a uma figura importante na música macua, Zena Bacar.

O espectáculo foi organizado pela Kongoloti Records, produtora que ultimamente tem promovido concertos de música pouco comuns.
O músico conta actualmente com um álbum de nome Eparaka e está a organizar um concerto que considera grande para o mês de Julho.

Deltino Guerreiro teve o seu talento evidenciado no programa que buscava talentos na arena musical “Desafio Total” organizado pela STV.

 

O Campus da Universidade Eduardo Mondlane ira acolher, no próximo domingo, o lançamento da primeira pedra do Projecto de Construção do Centro Cultural Moçambique e China.

A infra-estrutura resulta dos Acordos de Cooperação Económica e Técnica entre os dois países e trata-se de um Centro Cultural modelo em África, com uma área de 20.000 metros quadrados. O empreendimento está orçado em 70 milhões Dólares.

Este empreendimento visa estreitar as relações culturais entre os povos e compreende, para além do Centro Cultural Moçambique-China a construção do Instituto Confúcio e a Escola de Comunicação e Artes, todos a serem erguidos no Campus da UEM.

Prevê-se ainda, a construção de um teatro com capacidade para albergar 1500 espectadores e Salões de exposições para arte e artesanato e outras actividades culturais, com capacidade para 400 a 500 lugares.

O projecto vai empregar cerca oitocentos trabalhadores, dos quais 600 moçambicanos e 200 chineses.

 

A gala de abertura da segunda série da temporada de música clássica 2018, do projecto Xiquisti, aconteceu ontem, no Conselho Municipal de Maputo.

O ambiente era clássico, tal como a música e o público presente naquela sala decorada de simplicidade e ao mesmo tempo de requinte.
Luz semi-apagada, iluminação fluorescente, sala preenchida de ansiedade e desejo de escutar a boa música produzida pelo Xiquitsi, eis a forma mais delicada para descrever a gala que se enquadra nos cinco concertos programados para comemoração dos cinco anos do Xiquitsi.

Para abrir o show, viu-se e sentiu-se a união de duas vozes: a voz do músico Florêncio Manhique e a voz do violoncelo do professor Juan Rivas, que deram ao público o primeiro toque do que ainda estava por acontecer.

Seguida a actuação dos músicos, a voz calou-se, e passou-se simplesmente a escutar a voz do violino da japonesa Maya Egashira, que interpretou “Matsungulo”, “Liyendzu” e “Hi wu Moçambicana”, produzidas por Estevão Chissano, que mereceu aplausos fortes do público pelo trabalho elaborado.

Depois de Egashira, no violino, o piano e o violoncelo ganharam espaço, também numa actuação dupla, trazida por Luís Magalhães (piano) e Peter Martens (violoncelo).

E porque Kika Materula também conhece e sabe bem-fazer a arte, juntou-se a Peter, Pedro e David Juritz, e juntos embalaram o público com melodias doces, agressivas e ao mesmo tempo suaves, tornando o ambiente ainda mais interessante.

Kika Materula, no oboé, Peter Martens, no violoncelo, David Juritz e Pedro Muñoz, no violino, tornaram a voz de seus instrumentos num só, fazendo o som das cordas e respirações, chegarem aos corações de cada um que escutava, uns de olhos fechados, outros de olhos bem abertos, cada um sabia a melhor forma de sentir a música.

 E porque o Xiquitsi é constituído também por alunos, a actuação dos mesmos não podia faltar, e foi com a actuação dos alunos do Xiquisti que a gala encerrou, ao som de Jigha, Ostinato, Intermezzo e Finale (Le Dargason), o grande show terminou.  

O show de abertura teve fim, mas a segunda série continua e vai até ao dia 12 do corrente mês.

 

A Texto Editores vai lançar mais uma obra. No entanto, desta vez, não se trata de nenhum romance ou colectânea de poesia. A editora vai lançar o Dicionário português – changana, da autoria de Bento Sitoi, numa cerimónia a realizar-se às 17:30h desta quarta-feira, no Camões-Centro Cultural Português, em Maputo.

O Dicionário português – changana é resultado das pesquisas de Bento Sitoi nas últimas duas décadas. E surge como forma de complementar o projecto iniciado há anos com o Dicionário changana – português, do mesmo autor, publicado em 2011. Contribuiu para o efeito o facto de, ao dar aulas de Changana na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), nos anos 80, os estudantes de Sitoi muitas vezes perguntarem-no o significado de certas palavras. Então o professor, bom que é, percebeu que tinha de criar um dicionário que satisfizesse a curiosidade dos alunos. Primeiro, trabalhando com poucos colegas. Mais tarde, depois de conseguir uma ajuda da UEM, criou uma equipa que pudesse ir ao campo ter com todos que poderiam partilhar um vocabulário para a obra.

Com efeito, contando igualmente com apoio da Petromoc, para o actual dicionário, Sitoi criou uma rede de falantes nativos de changana, em Maputo e Gaza. A equipa teve vários encontros com os falantes nativos para perceber o que eles sabem da língua. Antes de ir ter com as pessoas, a equipa colocou formulários, com lista em português.

Ao fim de vários anos, sai o dicionário com 17 500 palavras. Foi necessário muito tempo porque, segundo o professor universitário, os envolvidos não tinham como se dedicar apenas à pesquisa, tinham de dar aulas e corrigir teses.

No Dicionário português – changana Bento Sitoi garante que fica salvaguardada a componente cultural, porque, por exemplo, ao traduzir a palavra dança, apontam algumas que cabem dentro do universo dos changanas.

A equipa que trabalhou para o Dicionário português – changana foi constituída por cinco académicos, dos quais um exclusivamente revisor lexicográfico e linguístico: Feliciano Chimbutane.

Publicado o dicionário, Bento Sitoi espera que as pessoas encontrem omissões e o informem, de modo que a segunda edição inclua mais entradas.

Bento Sitoi nasceu a 18 de Maio de 1947. É Mestre em Linguística Africana, desde 1991, pela Universidade de Varsóvia (Polónia). Em 2001, Doutorou-se em Linguística Africana pela Universidade de Leiden (Holanda). É docente e investigador jubilado da UEM, no Departamento de Linguística e Literatura. O seu campo de actuação inclui ensino de lexicografia e tradução, envolvendo línguas bantu. É autor da novela em changana Zabela.

O apresentador do Dicionário português – changana será Armindo Ngunga.

 

O saxofonista Ivan Mazuze e o seu quarteto internacional estarão numa digressão pela primeira vez na Coreia do Sul e na Holanda, entre os dias 11, 12, 13, 17, 26 e 28 do mês em curso.

Ivan Mazuze e a sua banda vão participar em um dos mais destacados eventos de ambos os países, nomeadamente: Seoul Music Week e Rabobank Amersfoort Jazz Festival.

Nos dias 11, 12, 13 e 17 do corrente mês, Mazuze e sua banda vão actuar na Coreia do Sul, no Seoul Music Week 2018.

Alusivo ao Dia Nacional da Noruega, a 17 deste mês, a banda vai actuar no Jazztonic Festival 2018 mesmo na cidade capital de Coreia do Sul, Seul.

Na Holanda, Mazuze e o seu quarteto irão apresentar dois concertos, no Rabobank Amersfoort Jazz festival 2018 em duas salas e palcos de renome internacional, nomeadamente: De Lieve Vrouw e Groenmarkt.
O quarteto de Ivan Mazuze inclui alguns dos mais importantes nomes da música da Noruega, Cuba e Canadá, como são os casos de: Rich Brown,  de Canada, Raciel Torres, de Cuba, Bjørn Vidar Solli e Jens Fossum, da Noruega.

Ainda este ano, o saxofonista moçambicano radicado na Noruega foi convidado a presentar um concerto em uma das mais importantes casas em Montreal (Canadá), denominada Club Ballatou. O convite foi feito pelo Festival International Nuits D'Afrique e surgiu depois da sua digressão em Dezembro de 2017 naquele país americano, pelas cidades de Ottawa e Toronto.

Além daquele espectáculo, Ivan Mazuze actuou no Pisa Jazz Festival 2018, na Itália, a 18 de Março.
No mês passado, Mazuze actuou na celebração do Jazz, no átrio do Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), em Maputo, com o sul-africano Sibu Mashiloane. O saxofonista subiu ao palco da Sala Grande do CCFM, acompanhado por instrumentistas de luxo.

Ivan Mazuze é autor de três álbuns: Maganda, Ndzuti e Ubuntu.

 

Na semana em que vários católicos, no país, peregrinam até Namaacha em memória à Nossa Senhora de Fátima, Marcelo Panguana lança Os peregrinos da palavra. Como quem viaja, com muita fé e sacríficos pelo caminho, o escritor esmera-se na busca da verdade e da coerência, tendo, como suporte, a palavra.

O livro mais recente de Marcelo Panguana será lançado às 17h:30 desta terça-feira, na Minerva Central, em Maputo, onde acontece a 82ª Feira do Livro. Coincidência ou não, a colecção de entrevistas surge de uma “peregrinação” entre o escritor e outros autores, numa árdua tentativa de tornar o mundo melhor a partir da palavra. Sempre a palavra, porque, explica Panguana, apesar de haver correntes convictas de que a literatura não tem poder suficiente para mudar a sociedade, “acho que a palavra muda e alguns autores com quem conversei comungam da mesma ideia”.

Nas entrevistas de Os peregrinos da palavra, conduzidas por Marcelo Panguana, escritores, poetas, ensaístas ou professores de Literatura falam de assuntos diversos, como os relacionados às dificuldades de produção literária. As conversas incluem, entre vários autores, Eduardo White, Aníbal Aleluia, Nataniel Ngomane, Filimone Meigos, Calane da Silva, Isabel Noronha, José Pastor, Juvenal Bucuane, Sangare Okapi e Lília Momplé, cada uma destas vozes, já agora, “peregrinas”, contam a sua verdade literária.

Este é um livro de afectos. Por isso, são entrevistadas pessoas que, ao longo do tempo, caminharam e partilharam a dificuldade de fazer literatura com o autor. Os peregrinos da palavra aglutina experiências de Marcelo Panguana como escritor e como jornalista: “fui fazendo jornalismo literário por anos. Ao longo desse tempo, conversei com muitos autores. Algumas entrevistas são inéditas e outras já foram publicadas em páginas de especialidade. Passados esses anos todos, senti que seria péssima ideia deixar essas entrevistas esquecidas”.

Nestas entrevistas a 15 autores, Panguana espera que seja possível compreender-se o que está a ser a literatura moçambicana nos últimos 20 anos. Panguana acredita que o livro é um documento que admite perceber o que se passa no país em termos de produção literária. E espera que este Os peregrinos seja um subsídio para enriquecer o espólio da literatura moçambicana. Além disso, Marcelo Panguana sente-se a contribuir para divulgar autores, com discussão sobre o dilema da publicação, conversa à volta do prazer da escrita e dos livros que escreveram. “Neste livro há todo um manancial que torna possível o leitor aperceber-se dos grandes conflitos que os escritores têm no processo da escrita”.

Na cerimónia de lançamento, Os peregrinos da palavra não terá um apresentador formal. Três peregrinos vão falar do livro e do percurso literário de Marcelo Panguana: Paulina Chiziane, Ungulani Ba Ka Khosa e Suleiman Cassamo. A completar a cerimónia, Stewart Sukuma, Roberto Chitsondzo e Arão Litsure farão o que bem sabem fazer…   

Um percurso com 30 anos de carreira

O lançamento de Os peregrinos da palavra insere-se nas comemorações dos 30 anos de carreira de Marcelo Panguana, num “ofício solitário e doloroso”, a escrita. “Estes foram 30 anos de dor, trabalho, leitura, discussão e muita escrita”.

Para Marcelo Panguana, ainda é difícil fazer literatura no país porque, de certa maneira, não é tomada como prioridade. “A literatura fica para trás, é preciso gostar muito das palavras e de escrever para aguentar. Escreve-se porque se gosta e, quando se gosta, nunca se cansa. Sinto que com as minhas ideias e utopias contribuo para a construção do país”.

Ainda que a literatura não seja algo prioritário, de acordo com Marcelo Panguana, Moçambique está num bom caminho em termos de produção literária. “Estamos a produzir uma das melhores literaturas a nível dos PALOP. Precisamos é de divulgação porque, inclusive, temos uma geração boa de novos autores. Nos próximos tempos, o escritor moçambicano vai conquistar muitos leitores em outros contextos. Já ganhamos identidade, uma das coisas importantes da literatura”.

Em contrapartida, Marcelo Panguana, com experiência jornalística, defende que o considerado jornalismo cultural não está a atravessar bons momentos. “As políticas editorias deviam ser reformuladas. É necessário formar uma geração de jornalistas culturais que tenham amor profundo pelas artes. Não se pode ser Jornalista desportivo sem nunca ter visto um jogo de futebol. Do mesmo modo, não se pode ser um jornalista cultural sem se ler autores clássicos como Ungulani, Suleiman e etc. Existe uma tentativa malabarista de fazer cultura sem profundidade, sem análise crítica. Andamos a enganar-nos uns aos outros. Só temos pessoas que fazem copy and paste”, afirmou o escritor.  

A capa de Os peregrinos da palavra tem a assinatura de Quehá e o prefácio foi escrito por Daniel da Costa. O livro sai sob a chancela da Alcance Editores.

 

 

O artista plástico João Fornasini vai inaugurar a exposição intitulada “Olhares de mim”, no Centro Cultural Brasil-Moçambique (CCBM), amanhã, pelas 18h30, em Maputo.

Na sua obra, Fornasini usa materiais como acrílico e óleo nas técnicas, o que lhe facilita ter uma antevisão daquilo que o quadro ou a obra em si virá a ser.

João Fornasini nasceu em 1960, na cidade de Maputo, começou a sua carreira artística em 1977, no entanto, como artista plástico, em 1996.

Ao longo da sua carreira, realizou cinco exposições individuais, nomeadamente “Lost Gardens”, na Cats-Gardem Gallery, em 1999, “Absences”, em 2001, “Zandamela”, na Associação Moçambicana de Fotografia, em 2006 e “Outros Espaços”, no Instituto Camões, em 2011.

Fornasini criou a sua oficina "Valeiro artes" e tornou-se membro do Núcleo d'Arte. Sua sexta exposição, chamada “Errantes”, segundo o autor, tem a ver com os movimentos de animais, pessoas e a própria biodiversidade, já que é amante da natureza.

 

De Moçambique para Moçambique. Assim é a exposição patente no Núcleo de Arte, na cidade de Maputo. Inaugurada sexta-feira à noite, a colectiva conta com Ju Reino da Costa como principal expositora. A artista cá nasceu na década de 60. No entanto, só agora teve a possibilidade de vir partilhar as memórias contidas na sua obra e o seu imaginário.

Na verdade, esta viagem de regresso à terra natal é a concretização de um sonho da artista plástica que também navega muito em cerâmica. Aliás, Raízes, o título da exposição colectiva, inclui obras de pintura em tela, cerâmica, escultura e desenho. “Esta ocasião é dois em um: oportunidade de visitar a terra onde nasci e cresci e, ao mesmo tempo, expor o trabalho que tenho estado a desenvolver”, confessou Ju Reino da Costa, quem começou a sua arte com pintura, mas que há uns anos redescobriu a cerâmica, algo já feito nos tempos de escola. Quiçá, por isso, em Raízes, Reino da Costa tem alguns registos que, tendo usado na cerâmica, igualmente, aplicou-os na pintura. Bem dito, só assim a sua linguagem fica mais completa.

No seu percurso criativo, a artista vai sempre experimentado, fazendo formações para aprender novas técnicas, afinal, gosta muito de as misturar. Sempre atenta ao vegetal, que é uma necessidade de partilhar a sua preocupação pelo planeta muitas vezes maltratado. “Além disso, penso que tudo que eu vejo num mundo vegetal, como as belas acácias daqui de Maputo, podem ser aplicado à arte. Fascinam-me as folhas e o mundo marinho também. Tudo isto está ligado à necessidade de preservação. E o que faz um artista é a capacidade de observar e tirar disso qualquer coisa. É isso que tento fazer. Outra coisa que me fascina na natureza é a diversidade, e acho que temos que a aplicar na vida humana. Duas pessoas não são iguais e temos que respeitar isso”.

Se para alguns autores a satisfação surge depois da obra estar completa, com Ju Reino da Costa o cenário é bem diferente. O que mais dá gozo à artista é o processo do seu trabalho, a busca. “Não penso tanto no que a obra vai ser no fim. A procura e os experimentos é que me dão mais prazer”.

Ju Reino da Costa gostava que os apreciadores da exposição encontrassem nas obras um universo em que o respeito pela natureza está presente, com a sua beleza e diversidade.

A maior parte das obras da artista com cordão umbilical em Moçambique foram concebidas especialmente para exposição patente no Núcleo de Arte até 23 deste mês.

De acordo com Titos Pelembe, Vice-Presidente do Núcleo de Arte, a exposição Raízes vale muito pela riqueza temática e cultural: “esta vinda da Ju abre um espaço de exaltação do convívio entre os artistas e com a cultura”.

Além dos trabalhos de Ju Reino da Costa, Raízes inclui algumas obras de autores como Makamo, Norberto, Mahumana, Nely e Nelsa Guambe.

 

Ju Reino da Costa

Artista

“Quando pensei nesta exposição, conclui que fazia muito sentido voltar com uma temática ligada à minha terra natal e à paixão que tenho pelo mundo vegetal: Raízes. Tem sido uma descoberta ir à procura de algumas memórias que estavam cá dentro perdidas, visitar lugares que não me lembrava e que vou descobrindo. Na exposição há dois trabalhos com colagem de capulana dedicados à África. E, nesta colectiva, fiquei deslumbrada com a riqueza cultural que encontrei nas obras de outros artistas”.

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